Historia da Arte 2007 LIVRO
88 pág.

Historia da Arte 2007 LIVRO


DisciplinaHistória da Arte I3.877 materiais138.011 seguidores
Pré-visualização27 páginas
a própria tela. 
O espanhol Pablo Picasso (1881-1973) foi um pioneiro 
do Cubismo. Seu primeiro quadro cubista foi Les demoiselles 
d\u2019Avignon, de 1907. Essa obra é um manifesto cubista em téc-
nica e temática. Nela estão representadas 5 prostitutas nuas da 
rua de Avignon, em Barcelona. Seus nus são desprovidos de 
qualquer sensualidade. Elas são fi guras caricatas, distorcidas 
através de formas angulosas. Segundo Janson (1984, p.653), 
\u201cnão só as proporções, mas a própria integridade orgânica e 
continuidade do corpo humano são negadas aqui, de maneira 
que a tela parece uma superfície de vidro quebrado\u201d. Asseme-
lham-se a fi guras formadas por um caleidoscópio. Há uma cer-
ta tridimensionalidade conferida pelas áreas de luz e sombras.
Futurismo (1909-1914)
O Futurismo foi um movimento artístico e literário nascido na Itália em 1909 através do Manifesto 
futurista de Marinetti. Seu objetivo era representar a realidade em movimento, o momento em ação, colo-
cando o espectador no centro da obra. Era uma infl uência da nova sociedade do automóvel, da velocida-
Harmonia em vermelho (A sala vermelha), 1908-
9. Museu Hermitage, Leningrado.
Les demoiselles d\u2019Avignon, de 1907. Pablo Picasso.
Museum of Modern Art, New York.
FTC EaD | HISTÓRIA74
de. Para capturar a velocidade, estudaram os movimentos através do registro fotográfi co seqüenciado. Na 
representação, muitas vezes usavam as técnicas cubistas de desconstrução. Segundo Lynton (1966, p.97), 
\u201cestilisticamente, pouco contribuíram para a pintura, mas sua insistência no dinamismo da vida como 
base da Arte afetou permanentemente a estética moderna\u201d.
Seus mais importantes membros foram Umberto Boccioni (1882-1916), Carlo Carrà (1881-1966) 
e Giacomo Balla (1871-1958). Balla foi seduzido pela luz, pelos princípios óticos da propagação da luz 
no espaço, um subtema da velocidade. Assim, ele explorou a decomposição cromática da luz através do 
movimento. Exemplo disso é o seu quadro Luz da Rua de 1909.
Expressionismo (1905-1930)
Esse movimento artístico é marcado pela insatisfação, 
por um desespero, por uma angústia perante a realidade. O oti-
mismo da Belle Époque foi destruído com a Primeira Guerra 
Mundial (1914-18), a Revolução Russa (1917). O novo momen-
to era de pessimismo. Os artistas estavam buscando uma exte-
riorização dessa refl exão vivenciada. Para tal, usam cores fortes, 
uma composição dinâmica e temas trágicos e sombrios.
Seu principal precursor foi o pintor norueguês Edvard 
Munch (1963-1944). Em sua famosa obra O Grito ele conseguiu 
expressar uma profunda angústia e desespero. Suas pinceladas 
curvas como a chama de uma vela, imprimem uma dinâmica aos 
tons escuros. As formas são distorcidas segundo esse movimento 
curvilíneo. A fi gura principal, uma criatura humana, não traz qual-
quer caracterização de traços individuais. Ela é apenas a expressão 
trágica do grito. As cores frias com as quais é representada con-
trastam com as cores quentes do fundo do quadro.
Existiram na Alemanha dois importantes grupos expressionistas: A Ponte ( Die Brücke) e o Cavaleiro 
Azul (Der Blaue Reiter). O primeiro, em Dresden, eram mais politizados, contestadores, tendo como prin-
cipais expoentes Kirchner e Nolde. O segundo, que dará origem à Bauhaus e à abstração, dedicavam-se a 
experiências místicas. Seus principais representantes foram Kandinsky, Paul Klee e August Macke.
Luz da Rua. Giacomo Balla, 1909.
O Grito (Skrik). Munch, 1893. Galeria Nacional 
de Oslo, Noruega.
História da Arte 75
Dadaísmo (1916-1921)
O Dadaísmo foi um movimento artístico de contestação nascido durante a I Guerra Mundial (1914-1918). 
Ele é fruto da falta de sentido que se abateu na Europa nesse período, quando o antigo mundo da Belle Époque é 
destruído. Eles vão de encontro aos princípios construtivos da antiga ordem, baseada no racionalismo e na lógica. 
Assim, eles adotam a desordem, o caos, a incoerência, o absurdo, o ilógico. Seu objetivo era chocar. 
Um dos seus primeiros representantes foi o pintor e escultor francês Marcel Du-
champ (1887-1968). Extremamente irreverente e contestador, ele encarnou como ne-
nhum outro essa ilógica dadaísta. Não há um estilo, uma técnica, uma temática que 
defi na o Dadaísmo e, sim, o seu espírito. Suas obras sempre chocantes ofereceram 
um impacto refl exivo sobre a sociedade. Um conceito que criou e levou a extre-
mos foi o ready made, a apropriação de objetos comuns para o ambiente ar-
tístico. Uma de suas mais famosas e irônicas obras foi A Fonte, que expôs na 
Exibição da Sociedade de Artistas Independentes em 1917. Na verdade, 
essa obra é um mictório de louça branca com a assinatura R. Mutt. Com 
essa atitude Duchamp iniciou o seu questionamento sobre a obra de arte 
e o que valida um trabalho para torná-lo arte.
Surrealismo (1924 - )
O Surrealismo nasceu em 1924 com o manifesto surre-
alista do escritor francês André Breton. Muitos dos seus pri-
meiros participantes foram dadaístas que buscavam um novo 
caminho. O Surrealismo traz infl uências da desconstrução 
cubista e do expressionismo. O Surrealismo é fruto dos es-
tudos sobre psiquiatria desenvolvidos por Freud e Jung. Eles 
buscam respostas no inconsciente que impõe uma nova ordem 
que se manifesta através do sonho e do simbolismo.
O espanhol Salvador Dali (1904-89) e o belga René Ma-
gritte (1898-1967) criaram as mais conhecidas obras do Surre-
alismo. É de 1926 um dos quadros mais famosos de Magrit-
te, que ele próprio defi ne como \u201c Tudo o que vemos esconde 
outra coisa, e nós queremos sempre ver o que está escondi-
do pelo que vemos\u201d. A arte e suas expressões estavam em 
A Fonte. Marcel Duchamp, 1917.
Duchamp brincou muito com a arte tradicio-
nal, reproduzindo um quadro da Mona Lisa e colo-
cando-lhe um bigode. Vários objetos do cotidiano 
serviram-lhe de suporte. Era o início do conceito de 
pós-modernidade, da arte como discurso.
Saiba Mais!
O Filho do homem. Magritte, 1926.
FTC EaD | HISTÓRIA76
O termo pós-modernismo parece ter sido aplicado pela primeira vez por Frederico de Onís (1888-1966) 
em 1934 em seu livro Antologia da poesia espanhola e hispano-americana, para descrever, segundo Nilson 
Thomé, um refl uxo conservador dentro do Modernismo. Segundo Lyotard (1989, p.8), em 1954, o termo foi 
empregado pelo historiador inglês Arnold Toynbee (1889-1975) no oitavo volume de A Study of Story, onde 
fazia uma referencia a uma \u201cera pós-moderna\u201d iniciada com a guerra franco-prussiana (1870-71). Vários teó-
ricos, de diferentes áreas, posteriormente, utilizaram essa denominação, mas foi com o francês Jean-François 
Lyotard (1924-1998) em seu livro A condição pós-moderna de 1979, que o termo se consolidou.
Difícil de ser defi nido, o pós-modernismo foi e é sentido, vivenciado e passível de ser descrito. Em 
busca de uma conceituação, Frederic Jameson coloca que
pós-moderno não é apenas uma outra palavra para a descrição de 
um estilo particular. É também um conceito periódico cuja função é 
relacionar a emergência de novos caracteres formais na cultura com 
a emergência de um novo tipo de vida social e uma nova ordem eco-
nômica \u2013 ou seja, aquilo que é sempre eufemisticamente chamado 
de modernização, sociedade pós-industrial ou de consumo, sociedade 
das mídias ou do espetáculo, ou capitalismo multinacional (...). Tanto 
não-marxistas quanto marxistas chegaram ao sentimento geral de que, 
em algum ponto, após a Segunda Guerra Mundial, uma nova espécie 
de sociedade começou a emergir (apud SANTAELLA, 1994, p.19)
Historicamente, Jair Ferreira dos Santos (1997, p.20) aponta a bomba atômica lançada em Hiroxima 
em 6 de agosto de 1945 como marco, que provocou a gestação nos anos 1950 e o nascimento da pós-
modernidade nos anos 1960. Um nascimento já anunciado nos anos 1930. Mas o que foi que mudou?
O primeiro indício está na nomenclatura, na denominação, no vocábulo