Historia da Arte 2007 LIVRO
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9.000 anos, de 12.000 a 3.000 a.C. Na Europa, 
houve uma redução dos grandes rebanhos e os caçadores tiveram que procurar outras fontes de alimentos, como 
a coleta. Artisticamente, o estilo de expressão também se modifi cou. Segundo Lommel (1966, p.47),
O estilo da arte rupestre do Levante Espanhol difere signifi cativa-
mente do franco-calábrico do Período Magdaleniano em dois pon-
tos principais: primeiro, e mais importante, as fi guras humanas em 
movimento são uma característica constante e típica das pinturas, 
em contraste com as raras ocorrências de seres humanos entre as 
inúmeras representações de animais do estilo franco-calábrico; se-
gundo, os animais representados já não são os grandes mamíferos 
das pinturas rupestres mais antigas, mas espécies menores, como o 
veado, o urso, cães. Uma diferença mais sutil é que seres humanos e 
animais se acham combinados, em cenas de caça ou outras ativida-
des, o que antes era extremamente raro.
Os principais exemplares de pintura rupestre desse período estão na Cueva de Tajo de las Figuras 
(Cádiz, Espanha) e na Cueva de la Araña (Valencia, Espanha). Há uma progressiva estilização, simplifi ca-
Vênus de Willendorf em 
marfi m de mamute. Museu 
de História Natural de Viena.
História da Arte 13
ção das formas, quase apenas contornos, bem diferente do estilo naturalista an-
terior que tenta capturar os animais através da representação realística, detalhada. 
Na Cueva de la Araña há uma interessantíssima pintura em vermelho represen-
tando uma fi gura humana coletando mel e sendo atacada por abelhas.
Portanto, se no Paleolítico a temática zoomórfi ca é predominante; no 
Mesolítico o antropomórfi co passa a dominar. O homem se torna mais pre-
sente. E a questão que nos intriga é por quê? A intencionalidade mágica do 
Paleolítico cede para uma expressão documental do homem? Essa mudança 
de foco e expressão vai se consolidar no Neolítico.
Arte no neolítico 
No período Neolítico, o homem domesticou animais e plantas e tornou-se sedentário. A arte desse período 
destaca-se nas suas expressões na cerâmica e nas construções megalíticas. A cerâmica só foi possível com o domí-
nio do fogo. Inicialmente ela era grosseira e sem decoração. Com o aprimoramento da técnica, surgiram formas 
elegantes decoradas com motivos geométricos, estampados, gravados ou pintados. A cerâmica pintada parece ter 
surgido no fi nal do Neolítico, em cerca de 6.500 a 5.500 a.C. Os mais antigos exemplares foram encontrados na 
Anatólia. Inicialmente, a decoração consistia de motivos abstratos geométricos, principalmente formas circulares 
e espirais. Posteriormente esses se mesclaram a fi guras naturalistas de animais.
Também as pinturas rupestres foram se tornando esquemáticas. Assim, o estilo naturalista do Pa-
leolítico deu lugar a uma estilização geométrica, 
a obra de arte deixa de ser puramente a representação de um objeto 
material para tornar-se a de uma idéia, não meramente uma remi-
niscência, mas também uma visão; por outras palavras, os elementos 
não sensoriais e conceptuais da imaginação do artista substituem os 
elementos sensíveis e irracionais. E desse modo a pintura é gradual-
mente convertida numa linguagem simbólica pictográfi ca, a profu-
são pictórica é reduzida a uma espécie de taquigafria não-pictórica ou 
quase não-pictórica. (HAUSER, 1994, p.13).
No sítio de Çatal Hüyük, no sul da Anatólia (Turquia), escavado em 1961, foram encontradas as 
mais antigas pinturas conhecidas feitas sobre paredes estucadas de construções. Nesses santuários, apare-
Coletor de mel. Cueva de 
la Araña, Velencia, Espa-
nha, c. 6000-2.000 a.C.
Vaso em cerâmica neolítica do leste europeu, 
c. 4.000 a.C.
FTC EaD | HISTÓRIA14
cem várias fi guras humanas estilizadas e em movimento. Mesmo nas cenas de caça, onde aparecem touros 
e veados, o objetivo agora é ritual, em honra de divindades masculinas e não mais propiciatório.
A magia do Paleolítico confi gurou-se em religião no Neolítico, criando rituais e a necessidade de 
objetos e símbolos sagrados como ídolos, amuletos, oferendas votivas e monumentos. São numerosas 
as pequenas esculturas humanas femininas em terracota, identifi cadas como deusas da fertilidade. Essas 
Vênus esteatopígias tornaram-se estilizadas, simplifi cando os detalhes, mas mantendo o contorno avanta-
jado e os traços principais. Muitos desses exemplares foram encontrados nos Balcãs.
Para Hauser (1994, p.9), \u201cno lugar de uma concretização da experiência cotidiana de 
vida, a arte procura agora deter-se na idéia, no conceito, na substância íntima da coisa \u2013 mais 
para criar símbolos do que semelhanças do objeto\u201d. 
As construções megalíticas são monumentos formados por grandes blocos 
de pedras. Eles demonstram o grau de organização social e estabilidade nesse 
período, bem como um domínio técnico e de conhecimento empírico. Existem 
dois tipos: o menir e o dólmen. O menir é um bloco de pedra colocado verti-
calmente, decorado ou não. Podem ser vistos exemplares de menir na Espanha e 
França. Parecem ter sido marcos. Um deles é o menir de Penmarch, na Bretanha, 
que mede cerca de 7 metros de altura. Um conjunto de menires alinhados, agru-
pados em círculo formam um cromlech como o de Almendres, em Portugal. O 
dólmen é formado por duas ou mais pedras verticais encimadas por uma pedra 
horizontal. Segundo Janson (1984, p.30), os dolmens eram sepulcros, galerias de 
pedras que davam acesso à tumba. Um dos mais representativos é o de Carnac, na 
França, datado de cerca de 1.500 a.C. Para Hauser (1994, p.12)
os costumes e ritos fúnebres revelam claramente que o homem ne-
olítico já estava começando a conceber a alma como uma substância 
separada do corpo. A visão mágica do mundo é monista, vê a reali-
dade na forma de uma tessitura simples, de uma seqüência contínua 
e coerente; o animismo, porém, é dualista, forma seu conhecimento 
e suas crenças num sistema de dois mundos.
O mais célebre exemplar das construções megalíticas é Stonehenge, na planície inglesa de Salisbury, 
a 137 km de Londres. Esse conjunto reúne menires e dolmens, estando orientado para o ponto onde 
Desenho reconstituindo a Sala principal de santuário em Çatal 
Hüyük, Anatólia, Turquia, c. 6.000 a.C.
Deusa Mãe. Neolítico, Ça-
tal Hüyük, Turquia, c. 7.000 
a.C.. Museum of Anatolian 
Civilizations, Ankara.
História da Arte 15
nasce o sol no solstício de Verão. Essa confi guração indica que se destinava a rituais de culto solar. O 
culto solar era muito importante nas sociedades agrárias, onde a marcação das estações era decisiva para 
estabelecer-se a época de plantio e colheita. Esse conhecimento astronômico foi construído através da 
observação dos astros. Relacionado ao culto solar, estão as celebrações de ritos de fertilidade. Seja como 
for, essa estrutura revela uma concepção do homem do neolítico com relação ao cosmo. 
A construção de Stonehenge parece datar de cerca de 2.000 a.C. É formada por grandes círculos de 
pedras com um diâmetro maior de 100 metros, tendo ao centro uma pedra ara, espécie de mesa altar ritual, 
que para alguns era um local de sacrifícios. Além das pedras, contava com a terra e a madeira. Esse conjunto 
impressiona por sua majestade e suscita questões de como foram transportadas e levadas essas grandes pedras 
de até 7 metros de altura e 25 toneladas de peso, dispostas em várias posições. Todas as pedras foram trazidas 
de áreas distantes com a utilização de ferramentas primitivas. Vestígios de ferramentas 
metálicas foram encontrados. Ao que tudo indica, nesse período, a roda ainda não 
havia sido inventada, o que denota um grande esforço para o transporte desses 
blocos de pedra. A erosão e a ação dos homens tornaram esse monumento 
uma deslumbrante ruína. Escavações feitas nessa região, em Durring-
ton Walls, revelaram, no início de 2007 ,uma aldeia neolítica, que o 
arqueólogo Mike Parker Pearson