Historia da Arte 2007 LIVRO
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Historia da Arte 2007 LIVRO


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Janson (1984, p.75), \u201cdiz-se que os Assírios foram em 
relação aos Sumérios o mesmo que os Romanos em relação aos Gregos. 
Assim, construíram templos e zigurates inspirados em modelos sume-
rianos. Os palácios reais atingiram dimensões e magnifi cência sem pre-
cedentes\u201d. A arte assíria era essencialmente secular, uma arte propagan-
dística ligada à corte. O monumental palácio de Sargão II (721-705 a.C), 
na cidade de Khorsabad era uma fortaleza cercada por maciças muralhas 
torreadas, com apenas duas portas de acesso. Essas portas, com nítida in-
fl uência dos hititas como a porta dos leões de Bogazköv, traziam grandes 
fi guras guardiãs contra os maus espíritos, que impressionavam os visitan-
tes como expressão do poder assírio. Esses guardiões eram, geralmente, 
seres híbridos masculinos: os lamassu (corpo de touro alado com cabe-
ça humana) e as esfi nges (corpo de leão e cabeça humana). No palácio 
de Sargão II, a porta trazia fi guras de lamassu de 4,28 metros de altura, 
com cinco patas dispostas de modo ao espectador ver frontalmente o ser 
imóvel e lateralmente em movimento. 
No interior do Palácio de Sargão II, as paredes estavam repletas de séries de relevos retratando as 
conquistas militares assírias de forma descritiva. Para organizar essas narrativas, os artistas dividiam as 
paredes em faixas como faziam nas estelas. Essas cenas militares vitoriosas eram abundantes. Uma outra 
temática dos palácios eram as cenas de caçadas dos reis aos leões. Essas cenas que glorifi cavam os gover-
nantes retratam uma atividade também simbólica. Para Janson (1984, p.74) \u201cé provável que, num tempo 
remoto, a caça aos leões tivesse sido uma importante obrigação dos chefes mesopotâmicos, como pasto-
res dos rebanhos da comunidade\u201d. No Palácio de Asurbanipal (669-626 aC.) em Nínive, encontram-se os 
Kudurru do rei cassita Mellishi-
pak II (Mellishikhu) em mármore 
negro, c. 1.188-1.174 a.C. Altura 
de 68,0 cm e largura de 30,0 cm. 
Museu do Louvre, Paris, França.
Os assírios eram um povo indo-europeu, oriundo do Cáucaso, que se estabeleceram no norte 
da Mesopotâmia, na região do alto do rio Tigre por volta de 2.000 a.C. Sua principal cidade-estado e 
posterior capital do Império Assírio era Assur. O auge do poderio assírio ocorreu entre 1.000 a 612 a.C, 
estendendo-se desde a península do Sinai à Armênia e ocupando o Baixo Egito em 671 a.C. 
Saiba Mais!
Porta do Palácio de Sargão II, 713-706 a.C. 
Altura 4,28 m e largura 4,21 m. Museu do 
Louvre, Paris, França.
História da Arte 21
melhores exemplares dessas cenas de caça aos leões. Essas cenas são retratadas de forma intensa, dramá-
tica, os animais são representados em um naturalismo excepcional. Destacam-se os animais moribundos 
como A Leoa Moribunda de impressionante intensidade trágica. Os artistas conseguem impor o volume 
das formas através de variações do desbaste das superfícies.
Período neo-babilônico
Embora o Império assírio tenha caído em 612 a.C, com a conquista de Nínive pelos Medos e Citas, 
vindos do Oriente, o comandante assírio proclamou-se rei da Babilônia, proporcionando um período de re-
nascimento cultural a essa cidade entre 612 a 539 a.C, até a dominação 
persa. Assim, a Babilônia tornou-se o último reduto da cultura meso-
potâmica. O mais famoso governante desse período foi Nabucodo-
nosor II (604-562 a.C). Seu poder foi expresso através de construções 
monumentais como grandiosos zigurates com mais de 100 metros 
de altura e imponentes palácios com jardins suspensos. Por não ha-
ver pedreiras nessa região (diferente da Assíria), as construções foram 
realizadas em tijolos cozidos e vidrados, usados em profusão de uma 
forma decorativa surpreendente. O seu efeito pode ser apreciado na 
Porta de Ishtar, uma viva composição colorida decorada por animais 
sagrados em relevo, enquadrados por bandas, uma procissão de auro-
chs (touros), sirruchs (semelhante a dragões) e leões. O vidrado azul 
domina e serve de fundo para os animais. 
Da arte palaciana, o mais célebre monumento eram os Jardins 
supensos da Babilônia, construídos em cerca de 600 a.C. por Nabuco-
donosor II em honra de sua esposa Semíramis, fi lha do rei dos Medas, 
que estava saudosa das plantas de sua terra natal. Esses Jardins eram 
uma das sete maravilhas do mundo antigo. Apesar de nada ter restado 
dessa construção fabulosa, que incluía um sistema de irrigação, ela foi 
documentada por historiadores gregos da Antiguidade.
Leoa moribunda. Detalhe de painel de pedra 
calcárea em baixo relevo do Palácio de Asur-
banipal, Nínive, 669-633 a.C. Altura 35,0 cm. 
Museu Britânico, Londres, Inglaterra.
Porta de Ishtar em tijolo vidrado, Babilônia, 
c. 575 a.C. Altura: 14,0 m e largura: 10,0 m. 
Museu Pergamon, Berlim, Alemanha.
Ilustração da possível aparência dos Jardins 
Suspensos da Babilônia. Disponível em 
<http://www.pinellasfla.com/artem-
pires.htm.>
FTC EaD | HISTÓRIA22
Babel deriva do acadiano e signifi ca Porta de Deus. A 
Torre de Babel foi um famoso zigurate completamente destru-
ído. Sua construção é atribuída ao rei Nabucodonosor II.
Assim, a Torre de Babel é citada na Bíblia no livro do 
Gênesis (11:1-9):
Você Sabia?
Torre de Babel. Peter Bruegel, o Velho. 
Óleo sobre madeira , 1563. Kunsthisto-
risches Museum, Viena.
\u201cTodo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras. 
Como os homens emigrassem para o oriente, encontraram um vale na 
terra de Senaar [Babilônia] e aí se estabeleceram. Disseram um ao ou-
tro: \u201cVinde! Façamos tijolos e cozam-los ao fogo!\u201d O tijolo lhes serviu 
de pedra e o betume de argamassa. Disseram: \u201cVinde! Construamos 
uma cidade e uma torre cujo ápice penetre nos céus! Façamo-nos um 
nome e não sejamos dispersos sobre toda a terra!\u201d
Período persa
A civilização elamita (uma das que fl oresceu no sudoeste da Pérsia, atual Irã, por volta de 4.000 a.C. 
Sua capital era Susa. Na segunda metade de terceiro milênio, eles entraram em guerra com os Sumérios 
e com os Acádios. Esse contato teve infl uência em sua arte. A partir desse período iniciaram a constru-
ção de estelas e as esculturas de sua deusa Innin assemelharam-se às representações da deusa babilônica 
Ishtar. Zigurates foram construídos na Pérsia. Durante o primeiro milênio, os medas e os persas iniciaram 
a sua expansão. Em 539 a.C o aquemênida (uma das tribos dos persas) Ciro, o Grande tornou-se o rei dos 
medos e dos persas e iniciou a conquista de territórios passando pelo Império babilônio, Fenícia, Síria, 
Palestina até as fronteiras do Egito. 
A arte do Império persa é uma síntese de diferentes tradições incorporadas dos povos dominados 
e contatados. Para Giordani (1969, p.283),
a originalidade da arte persa consiste precisamente na habilidade em 
combinar elementos tão heterogêneos dentro dos padrões de luxo e 
de grandiosidade tão caros aos Aquemênidas. (...) A arte da Babilônia 
e da Assíria fi guram em primeiro plano na inspiração das realizações 
persas. Na Mesopotâmia os Aquemênidas aprenderam a constru-
ção de colinas artifi ciais e de escadarias monumentais. As colunatas, 
que lembram as salas hipóstilas de Tebas, são de evidente inspiração 
egípcia. Essa infl uencia egípcia tem início a partir da expedição de 
Cambises. Note-se que Deodoro da Sicília menciona a colaboração de 
artistas egípcia nas construções de Persépolis e de Susa. A infl uência 
egípcia é notada também na decoração externa dos sepulcros reais.
Os palácios reais, nas diversas capitais do Império, são a grande expressão da arquitetura aquemê-
nida. O Palácio de Persépolis foi o mais ambicioso. Sua construção foi iniciada por Dario I em 518 a.C. 
Utilizando várias técnicas e estilos, Persépolis era um símbolo do poder e da universalidade do Império 
persa. A sala de audiências (apadana) de Persépolis tinha cerca de 125 m², 36 colunas de 12 metros de 
altura. Outrora, possuía um telhado e suas paredes eram ornadas