Historia da Arte 2007 LIVRO
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Historia da Arte 2007 LIVRO


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com pinturas de leões, touros e fl ores. 
Os materiais mais nobres e belos eram usados para a sua decoração: ouro, pedras preciosas, cedro do 
Líbano, tijolos esmaltados e pigmentos coloridos. 
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O Palácio de Persépolis era decorado com relevos que procla-
mavam a glória dos persas sobre as demais nações. A escadaria du-
pla, simétrica, que leva à sala de audiências (apadana) foi decorada 
lateralmente com relevos de fi leiras de pessoas em marcha solene, 
dignitários e portadores de tributos, numa típica demonstração de 
submissão ao poderio persa. No exterior, relevos com batalhas de 
animais fantásticos e os Imortais, os guardas de elite do rei, numa 
nítida demonstração do poderio militar persa. Acima deles, entre 
duas esfi nges, a representação do deus persa Ahura-Mazdâh (um 
disco alado que deveria conter na parte superior uma fi gura antro-
pomorfa), o senhor da luz, do Bem, criador de todas as coisas.
Assim, são característicos das construções aquemênidas dois elementos: a coluna em pedra e as 
vergas de madeira, que possibilitaram a edifi cação das altas salas dos palácios de Passárgada, Susa e Persé-
polis. A coluna persa típica tem fuste canelado (infl uência grega da ordem jônia) e seu capitel é composto 
por duas cabeças de touros (infl uência assíria). Há variantes com capitéis com leões e grifos.
Palácio de Persépolis. Irã, séc. VI-V a.C.
Relevo exterior da escadaria da Sala de Audiências 
(Apadana) do Palácio de Persépolis. Irã, séc. VI-V a.C.
Capitel persa em pedra com duplos touros 
da Sala de Audiências (Apadana) do rei Da-
rio I. Palácio de Susa, c. 510 a.C.
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O luxo e a grandiosidade desses palácios são descritos por uma inscrição de Dario em Susa que diz:
Este Palácio que eu construí em Susa, seus materiais foram trazidos 
de bem longe. O que foi cavado na terra, o que foi amontoado de 
cascalhos, foi o povo babilônico que o fez. O cedro foi trazido do 
monte Líbano. Babilônios trouxeram-no até Babilônia e os cários 
e os jônios \u2013 os deportados \u2013 de Babilônia até Susa. A madeira de 
teça foi trazida da Índia; o ouro, de Sardes e de Bactriana; o lápis-
lazúli e o cinábrio, da Sogdiana; as turquesas, da Carasmia; a prata e 
o chumbo, do Egito; os materiais que decoram as paredes, da Jônia; 
o marfi m, da Etiópia, da Índia e da Aracósia; as colunas de pedra, 
da Cária. Os entalhadores de pedra eram jônios e lídios; os ourives, 
lídios e egípcios; os fabricantes de tijolos, babilônios; os homens que 
enfeitaram as paredes, medos e egípcios. Em Susa foi realizado um 
trabalho esplêndido. Possa Ahura-Mazda proteger-me ...\u201d (GIOR-
DANI, 1969, p.283). 
Assim, mão-de-obra e materiais eram importados de todo o Império para a glória persa. Há 
indícios de que os palácios possuíam deslumbrantes jardins de desenho geométrico, alimentados 
por um sistema de canais de irrigação. 
Não há arquitetura religiosa nesse período dos persas aquemênidas, pois o culto do deus Ahura-
Mazda não necessitava de templos, ele era celebrado ao ar livre em altares onde era aceso o fogo, símbolo 
desse deus supremo. Existem, sim, imponentes exemplares de arquitetura funerária. Destacam-se o Mau-
soléu de Ciro, o grande, e o hipogeu de Dario I. O Masoléu de Ciro foi feito em Passárgada, no estilo das 
sepulturas gregas, dos jônios. O hipogeu de Dario foi escavado na rocha ao estilo das tumbas egípcias, na 
encosta do Monte Husseim-Kuh, ao norte de Persépolis. Semelhante ao portal de um palácio, sua fachada 
traz o relevo do disco do deus Ahura-Mazda. Seus sucessores adotaram o mesmo modelo de sepultura.
Portanto, na Mesopotâmia, vemos na arte diversas expressões que vão da religiosidade suméria em 
busca de altos zigurates para seus deuses, o militarismo assírio e o esplendor profano do Império persa.
1 - Hipogeu de Dario I, o grande. 
Monte Husseim-Kuh, Irã, séc. V a.C.
2 - Mausoléu de Ciro, o grande. 
Passárgada, Irã, c. 530 a.C.
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As primeiras tribos nômades se fi xaram no vale e no delta do Nilo em tempos pré-históricos. Com 
o desenvolvimento da agricultura, esses grupamentos criaram vínculos comunais, pois se reuniam para se-
mear as terras e irrigar as plantações após a cheia do Nilo. Eles formaram aldeias rurais que estruturaram-se 
em províncias denominadas de nomos. Por volta de 4.000 a 3.500 a.C, impulsionados pela necessidade de 
fortalecimento econômico e como estratégia de defesa contra os inimigos, os nomos agruparam-se em dois 
reinos: o Alto e o Baixo Egito. A unifi cação do Egito, construída do sul para o norte, ou seja, do Alto para 
o Baixo Egito, é atribuída ao primeiro faraó, Menés (entre cerca de 3.500 a 3.000 a.C), identifi cado como 
Narmer. Com ele se iniciou a primeira de 30 dinastias egípcias, uma história de cerca de 3.000 anos. 
O tipo de governo que surgiu com o nascimento do reino egípcio é a monarquia teocrática. Essa 
caracteriza-se como um regime altamente centralizado, cuja base do poder do faraó está na religião. O 
seu caráter divino, baseado na sua identifi cação como a encarnação do deus Hórus, tornava o seu poder 
absoluto e inquestionável. O faraó era a autoridade máxima em todas as esferas (religiosa, administrativa, 
social, econômica, judicial, militar), ele era o senhor de todas as terras e de todos os egípcios. 
Como já vimos, na Mesopotâmia, também no Egito, com a urbanização, a organização do trabalho 
e novas demandas de mercado, o artista tornou-se um profi ssional, embora permanecesse geralmente 
como um artífi ce anônimo. Assim, como ressalta Hauser (1994, p.26),
o criador de imagens de espíritos, de deuses e de homens, de utensílios 
decorativos e de jóias, emerge do meio fechado do lar e torna-se um 
especialista que faz dessa profi ssão seu modo de subsistência. Já dei-
xou de ser o inspirado mágico ou o membro expedito do lar para tor-
nar-se o artífi ce que cinzela esculturas, faz pinturas ou modela vasos, 
tal como outros fabricam machados e sapatos, e não é tido em muito 
mais alto apreço que o ferreiro ou o sapateiro. A perfeição do trabalho 
manual, o controle seguro de materiais difíceis e o esmero da execu-
ção impecável, que é especialmente notável no Egito, em contraste 
com a genialidade ou a despreocupação diletante da arte anterior, é 
resultado da especialização profi ssional do artista, da vida urbana com 
a crescente competição entre forças rivais e do treinamento de uma 
elite experimentada e exigente de conhecedores nos centros culturais 
da cidade, nos recintos dos templos e no palácio real.
A arte egípcia foi uma expressão do Estado Teocrático. A matéria prima preferida foi a pedra, ao 
contrário da Mesopotâmia que tinha escassez deste material. Como os períodos artísticos estão vincula-
dos ao poder dos faraós, vamos abordá-los considerando a divisão didática da história egípcia em Antigo, 
Médio e Novo Império.
Antigo império (2.700-C.2200 A.C)
As maiores realizações artísticas egípcias foram os templos e os túmulos. Os mais famosos exem-
plares, que datam desse período, são as três grandes pirâmides dos faraós Queops (Khufu), Quefrem 
(Khafre) e Miquerinos (Menkure), da 4ª dinastia. Fruto da evolução técnica conseguida, elas são descen-
dentes das mastabas (túmulos trapezoidais) e da experiência do arquiteto Imhotep, construtor da pirâ-
mide de degraus de Sakara (superposição de seis mastabas) do faraó Zoser da 3ª dinastia. Esses colossais 
túmulos reais são compostos por imensos blocos de pedra, que originalmente eram revestidos com pedra 
calcárea branca, formando superfícies planas, polidas e brilhantes. Dessa cobertura depredada ao longo 
ARTE EGÍPCIA
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dos séculos, só resta uma pequena parte no topo da pirâmide de Quéops. Interiormente, uma série de 
corredores conduzem à câmara funerária onde era depositada a múmia. Esses corredores após o sepulta-
mento eram obstruídos com pedras como