Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69
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Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69


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agonistas: o 
grande glúteo, o psoasilíaco, os adutores, o costureiro e todos os músculos pelvi-trocan-
téricos (piramidal da bacia, obturador interno, obturador externo, gémeo superior, gémeo 
Universidade Técnica de Lisboa
FACULDADE DE MOTRICIDADE HUMANA
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Pé
 No pé, descrevem-se os músculos que produzem os movimentos de fl exão 
plantar, fl exão dorsal, inversão e eversão.
 O momento de força produzido na fl exão plantar é consideravelmente superior 
ao desenvolvido na fl exão dorsal, devido ao maior número e volume de músculos prepa-
rados para a função de propulsão de todo o corpo contra a força gravítica. Os agonistas 
da fl exão plantar são todos os músculos da perna cujos tendões passam posteriormente 
ao eixo que une os dois maléolos. Merece destaque principal a grande capacidade do 
agonista principal da fl exão plantar, o tricípite sural, através das suas três porções, os 
gémeos interno e externo e o solear (Figura 22). Os gémeos, mais ricos em fi bras do 
tipo 2, são mais importantes quando a fl exão plantar é realizada a velocidades mais ele-
vadas e em situações dinâmicas. O solear, mais bem apetrechado de fi bras resistentes 
do tipo 1, está mais adaptado a produzir contrações prolongadas, sendo mais importan-
te para a manutenção da posição de fl exão plantar. Dado que os gémeos são músculos 
biarticulares, a participação relativa das diferentes porções do tricípite sural na fl exão 
plantar depende também da angulação do joelho. Com o joelho em fl exão superior a 
90º, a participação dos gémeos na fl exão plantar é mais reduzida, passando o solear a 
Figura 22. O principal músculo agonista da fl exão plantar é o tricípite sural. Das suas três por-
ções, os gémeos interno (1) e externo (2) são mais importantes quando a fl exão plantar é rea-
lizada em situações dinâmicas, enquanto o solear (3) é mais importante quando é necessário 
manter a posição de fl exão plantar.
1 v
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3v
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Participação Muscular 
em Diferentes Ações Motoras
Princípios de Análise da Participação Muscular em Ações Motoras
 A capacidade de analisar a participação muscular em ações motoras diversifi -
cadas é uma competência importante para qualquer profi ssional cujo objeto de estudo 
se centre no movimento humano, independentemente do envolvimento em que este 
se encontre inserido.
 Neste capítulo será abordado um conjunto de ações motoras selecionadas 
como as mais representativas da atividade física humana. No entanto, mais importan-
te do que conhecer a participação muscular num conjunto de gestos, é desenvolver a 
capacidade de análise da participação muscular de qualquer ação motora, indepen-
dentemente do contexto em que seja realizada e das variações a que seja sujeita. 
Os tempos atuais exigem aos profi ssionais que trabalham com o movimento humano 
uma grande versatilidade e capacidade adaptativa. Assim, mais importante do que 
memorizar um padrão de participação muscular numa determinada ação motora, é 
ser capaz de determinar esse padrão, na sua forma geral mas também nos seus as-
petos mais específi cos, em qualquer situação.
 A análise da participação muscular no movimento tem por base o domínio de um 
conjunto de conhecimentos biológicos: anatomofi siologia das estruturas anatómicas direta-
mente envolvidas na execução motora (sistemas ósseo, articular e muscular esquelético), 
mecanismos de controlo e coordenação neuromuscular, fundamentos biomecânicos do mo-
vimento humano. Mas o domínio desses conhecimentos deve ser colocado ao serviço de 
uma observação e sistematização do raciocínio, através de um método dedutivo de análise 
qualitativa do movimento, no qual devem ser atendidos alguns passos, como os seguintes:
i) Dividir a ação motora em fases, tendo em conta que em cada uma deverá 
ser possível identifi car um início e um fi m, de acordo com o movimento 
articular dos segmentos corporais envolvidos;
ii) Identifi car as articulações diretamente implicadas na ação motora e os res-
petivos movimentos articulares em cada fase;
PARTICIPAÇÃO MUSCULAR EM DIFERENTES AÇÕES MOTORAS
Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 135
para a estabilidade da região lombar. Estes músculos ativam com um padrão de cocon-
tração previamente à produção de tarefas dinâmicas, fornecendo a base estável aos 
músculos que têm uma ação poderosa na produção de movimento.
 A ação destes músculos é complementada por músculos mais pequenos e que 
têm uma ação segmentar e mais localizada em cada par de vértebras, como os mús-
culos interespinhosos, os músculos intertransversários e os músculos rotadores da 
massa comum. Com uma diminuta área fi siológica de secção transversal e um braço 
Figura 1. Representação de alguns dos principais músculos antigravíticos na posição bípede: por-
ções da massa comum, como o multífi dos (1), o iliocostal (2) e o longo dorsal (3), o epiespinhoso (4), 
o grande complexo (5), o grande glúteo (6), o semitendinoso (7), o semimembranoso (8), o bicípite 
femoral (9), o vasto interno (10) e o vasto externo (11) do quadricípite crural e o solear (12). 
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3
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PARTICIPAÇÃO MUSCULAR EM DIFERENTES AÇÕES MOTORAS
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é o principal músculo agonista e os oblíquos são agonistas auxiliares. O início da terceira 
fase corresponde à saída da coluna lombar do solo, a que se segue a anteversão da 
bacia (Figura 4-D). Nessa fase, até por terem atingido o seu máximo encurtamento, os 
músculos da parede ântero-lateral do abdómen são substituídos pelos músculos fl exores 
da coxa que passam a ser os principais agonistas do movimento. Estes músculos atuam 
Figura 4. Fases do exercício de sit-up. A: Posição de partida com musculatura relaxada. B: Flexão 
da coluna cervical e elevação da cabeça. Nesta fase, o músculo esternocleidomastóideo é o principal 
agonista e a fi xação das suas origens é garantida pela contração estática dos músculos da parede ân-
tero-lateral do abdómen que estabilizam o tórax. C: Flexão da coluna dorsal produzida pelos músculos 
da parede ântero-lateral do abdómen, com destaque para o reto do abdómen e para o oblíquo externo. 
D: A partir do instante em que a coluna lombar sai do solo, a fl exão do tronco deve-se aos músculos 
fl exores da coxa que atuam com origem e inserção invertida. O primeiro desses músculos a intervir é 
o grande psoas, seguindo-se os músculos com origem na bacia, como o reto femoral. Os músculos 
abdominais mantêm-se contraídos mas agora com uma ação principalmente estabilizadora.
A
B
C
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 Um dos exercícios mais utilizados com esse propósito é o leg-raise, que con-
siste na elevação e descida controlada dos membros inferiores com o sujeito deitado 
no solo na posição de decúbito ventral (Figura 8). Os músculos que nesse exercício 
atuam na coxa são os fl exores da coxa. Estes músculos são solicitados em ação dinâ-
mica excêntrica na fase de descida, travando o movimento dos membros inferiores, e 
em ação dinâmica concêntrica na fase de elevação dos membros inferiores. Em qual-
quer das fases, os músculos fl exores da coxa produzem força na sua origem, puxando 
a bacia para anteversão e tendendo a aumentar a lordose da coluna lombar. Para que 
Figura 7. Quando a fl exão do tronco é combinada com rotação para o lado esquerdo, a rotação 
deve-se à contração do oblíquo externo direito e do oblíquo interno esquerdo.
Figura 8. Durante a descida controlada dos membros inferiores, os músculos fl exores da coxa, como 
o reto femoral, são