Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69
69 pág.

Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69


DisciplinaAnatomia I43.874 materiais361.738 seguidores
Pré-visualização17 páginas
mitocôndrias e o número de capilares que circundam as \ufb01 bras musculares, ao mesmo 
tempo que faz aumentar o número das enzimas envolvidas na glicólise. Os músculos 
nestas condições produzem maior quantidade de ácido láctico, têm menor capacida-
de de produção de ATP, estão mais dependentes da glicose como fonte energética e 
perdem resistência à fadiga.
 Adaptações das proteínas contrácteis e dos tipos de fi bras musculares
 As primeiras células musculares aparecem entre as oito e as dez semanas de 
vida fetal, antes de se estabelecer a inervação motora. No início, todas as \ufb01 bras mus-
culares são indiferenciadas. A diferenciação entre \ufb01 bras rápidas e \ufb01 bras lentas começa 
cerca das 30 semanas de vida fetal, com um aumento grande das \ufb01 bras do tipo 1, que 
constituem cerca de 50% das \ufb01 bras musculares à nascença. No entanto, por esta altura 
a diferenciação é ainda pobre, com as várias \ufb01 bras a possuírem características metabó-
licas semelhantes. As diferenças entre os tipos de \ufb01 bras, e em particular a especializa-
ção metabólica, acentuam-se durante o primeiro ano de vida. Do primeiro ao sexto ano 
de vida, veri\ufb01 cam-se alterações importantes nas percentagens de \ufb01 bras 2A e 2X que 
ADAPTAÇÕES MUSCULARES À ATIVIDADE FÍSICA E À INATIVIDADE
Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 199
Plasticidade Muscular
A plasticidade muscular, tal como noutros tecidos, é em grande medida 
função do turnover das proteínas. As proteínas celulares não são inertes, 
estando em permanente renovação através dos processos de degrada-
ção e de síntese proteica. Do balanço fi nal destes dois processos depen-
de o aumento (hipertrofi a) ou depleção (atrofi a) do conteúdo proteico 
das células e dos tecidos. Simultaneamente, a constante renovação das 
proteínas possibilita a conversão entre isoformas e a alteração das ca-
racterísticas fenotípicas da fi bra muscular. A adaptação neuromuscular 
ao exercício é, assim, indissociável de dois aspetos fundamentais: por 
um lado, das alterações do turnover proteico e, por outro, do tempo mé-
dio de vida das proteínas. Estas duas condições vão determinar até que 
ponto e com que rapidez ocorrem mudanças na expressão fenotípica 
de certo traço celular, por exemplo, na composição em isoformas das 
cadeias pesadas da miosina, cuja transformação vai estar associada 
à maior ou menor estabilidade das respetivas proteínas. No caso das 
cadeias pesadas de miosina, o seu tempo médio de vida é de uma 
semana, o que dá, desde logo, indicação da escala de tempo em que 
podem ocorrer alterações signifi cativas do conteúdo celular nestas iso-
formas. As variações no tempo médio de vida das proteínas e nas suas 
taxas de síntese signifi cam que a resposta ao conjunto de solicitações 
funcionais, como no caso da adaptação ao exercício, terá tempos dife-
rentes conforme o sistema de proteínas em questão. Existem sistemas de 
proteínas que atingirão uma adaptação mais rápida, enquanto outros 
necessitarão de um período de tempo mais longo para que se manifes-
tem alterações importantes.
 A transformação do fenótipo das proteínas contrácteis inclui também 
alterações na composição das cadeias leves de miosina. A plasticidade 
a este nível é igualmente elevada e parece acompanhar as alterações 
registadas na expressão das isoformas da cadeia pesada da miosina.
 Adaptações do sarcolema
 A atividade muscular está dependente da manutenção das concentrações de 
eletrólitos entre os dois lados da membrana, de modo a preservar a excitabilidade e pro-
pagabilidade do sarcolema. O exercício prolongado, por intermédio dos \ufb02 uxos de sódio 
e potássio associados à atividade contráctil, altera as concentrações destes eletrólitos 
entre os dois lados do sarcolema, estando na origem da despolarização da membrana, 
a que está associada a perda de excitabilidade e a redução da amplitude do potencial de 
ação. Uma das alterações do equilíbrio do meio interno que tem lugar em resultado do 
exercício é a chamada hipercalémia do exercício, ou seja, o aumento da concentração 
Universidade Técnica de Lisboa
FACULDADE DE MOTRICIDADE HUMANA
202
que realizamos, ao contrário das \ufb01 bras do tipo 2X, que se contraem esporadicamente e 
durante contrações de intensidade mais elevada mas de curta duração.
 Adaptações metabólicas
 Adaptações na capacidade de utilização de oxigénio
 A maior parte dos conhecimentos sobre adaptação metabólica dizem respeito 
à adaptação ao exercício de resistência. Em traços gerais, as adaptações metabólicas 
do músculo, em virtude do treino de resistência, baseado em muitas repetições de 
baixa intensidade, estão relacionadas com o aumento da capacidade do metabolismo 
oxidativo dos músculos exercitados. Essa melhoria veri\ufb01 ca-se nos três tipos de \ufb01 bras 
e é resultado de várias alterações, incluindo maior \ufb02 uxo de oxigénio do sangue para 
as mitocôndrias e maior capacidade destas para o utilizar. 
 O aumento da quantidade de oxigénio que se difunde do sangue para as mi-
tocôndrias envolve, em primeiro lugar, um maior aporte sanguíneo e de oxigénio por 
aumento do número de capilares. O aumento da capilarização melhora também a 
capacidade para remover os produtos do catabolismo e o dióxido de carbono. Em 
segundo lugar, o aumento da quantidade de mioglobina facilita a difusão do oxigénio 
entre o sangue e as mitocôndrias. O exercício de características aeróbicas é igual-
mente responsável por uma maior capacidade de síntese de ATP com utilização do 
oxigénio, devido ao aumento do número e tamanho das mitocôndrias e do teor em 
enzimas necessário aos processos oxidativos. A par destas adaptações, regista-se 
um declínio da capacidade glicolítica, com redução do número de enzimas da glicóli-
se. Este conjunto de adaptações diminui a participação do metabolismo anaeróbio e 
reduz a quantidade de lactato produzida para uma mesma intensidade de exercício.
Nos regimes de treino de força com apelo a contrações rápidas ou de elevada inten-
sidade, a densidade mitocondrial permanece inalterada. Nestes casos veri\ufb01 ca-se um 
aumento de teor das enzimas responsáveis pelo metabolismo anaeróbio.
 Adaptações no transporte e utilização da glicose
 Os hidratos de carbono na forma de glicose constituem, juntamente com os 
lípidos, a principal fonte energética do músculo esquelético durante o exercício. As 
reservas corporais de glicose na forma de glicogénio são relativamente limitadas, en-
contrando-se cerca de 200g a 500g no músculo esquelético, 60g a 100g no fígado e 
entre 15g e 20g em circulação no plasma sanguíneo e no espaço extracelular. 
 Durante a contração muscular, as \ufb01 bras musculares fazem uso das suas re-
servas em glicogénio e da glicose em circulação. A proporção de utilização de glicose 
endógena ou proveniente do plasma está dependente da intensidade e duração do 
Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 207
Adaptações Neurais à Atividade Física e à Inatividade
 As adaptações neurais consistem em adaptações nos diferentes níveis do SNC 
implicados no controlo do movimento. Diferentes argumentos evidenciam a importân-
cia das adaptações neurais na melhoria da resposta do músculo em consequência 
do processo de treino. O mais frequentemente invocado é que os ganhos de força 
obtidos durante o treino são normalmente superiores aos aumentos verifi cados no 
volume dos músculos, principalmente nas fases iniciais do processo de treino. Outro 
argumento é a constatação de que o aumento de força em consequência do treino 
não se verifi ca apenas no membro treinado, mas também no membro contralateral 
não treinado. Outro tipo de evidência que suporta o potencial das adaptações neurais 
ao treino de força prende-se com