Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69
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Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69


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em saltos em profundida-
de uma pré-ativação mais intensa e rápida do que atletas de resistência. Importa, ainda, 
referir que, ao estudarem a ação de saltitar, Funase e colaboradores (2001) verifi caram 
que a pré-ativação estava presente nos gémeos, mas não no solear.
 Outra adaptação típica observada em sujeitos que treinam com saltos em pro-
fundidade consiste num ganho de atividade mioelétrica no período compreendido entre 
os 40 e os 120 ms após o contacto (Mil-Homens, 1995; Viitasalo et al., 1998), conse-
quência de um melhor aproveitamento da resposta ao refl exo miotático que aumenta 
o input neural para as redes de motoneurónios medulares. Esse aumento de atividade 
EMG é proporcionalmente maior do que o verifi cado na atividade EMG referente à se-
gunda parte do tempo de contacto no solo, depois dos 120 ms, e que corresponde à 
ativação voluntária de origem cortical. Estas adaptações permitem que os atletas execu-
tem saltos em profundidade de alturas maiores, sem aumento do tempo de contacto no 
ADAPTAÇÕES NEURAIS À ATIVIDADE FÍSICA E À INATIVIDADE
Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 221
Figura 4. Adaptações neurais ao treino de força reativa. Sinal da plataforma de forças (Fz) e 
sinais EMG dos músculos vasto interno do quadricípite crural (VI), bicípite crural (BC), gémeo 
externo (GE) e solear (SOL) registados no salto em profundidade antes e depois da aplicação 
de um programa de treino de força reativa com duração de 16 semanas. No salto em profundi-
dade podem ser identifi cados diferentes instantes: início do salto (a), contacto no solo (b), fi nal 
da fase excêntrica (c), fi nal da impulsão (d). As principais adaptações neurais evidenciadas 
pelos registos EMG ocorrem antes do contacto com o solo (na fase de pré-ativação) e durante 
a fase de ativação refl exa, entre os 40 e os 120 ms (Adaptado de Mil-Homens, 1995).
solo e sem redução da altura de impulsão vertical. Também neste aspeto, Kyrolainen e 
Komi (1994) encontraram diferenças no padrão EMG presente no salto em profundida-
de, entre atletas de potência e atletas de resistência, com os primeiros a apresentarem, 
para os vastos do quadricípite, um rácio mais elevado entre a atividade EMG produzida 
nas fases excêntrica e concêntrica. Contudo, esta diferença não se manifestou no so-
lear. As diferenças EMG verifi cadas nos atletas de potência estavam, provavelmente, 
associadas com a constatação de que estes também apresentavam menor tempo de 
contacto e maior velocidade de impulsão do que os atletas de resistência.
 Como já referimos, o comportamento muscular em CMAE não é um exclu-
sivo das ações do membro inferior, encontrando-se também em ações do membro 
superior. O alongamento prévio a que são sujeitos, durante a fase de preparação, 
 a b c d
Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 229
Adaptações do tecido conjuntivo
à atividade física e à inatividade
Características Mecânicas dos Materiais Biológicos
 Efeitos de cargas externas
 A aplicação de uma carga externa deformante a um tecido biológico leva a 
que este produza uma resposta mecânica a essa carga. Esta reação é habitualmente 
designada por \u201ctensão mecânica\u201d ou \u201cresistência interna do tecido\u201d. A reação de cada 
tecido ou estrutura (ligamento, tendão, cartilagem, osso, etc.) à aplicação de carga 
mecânica depende de vários fatores, dos quais se salientam, por um lado, a compo-
sição histoquímica do tecido, a forma e o tamanho da estrutura e, por outro lado, as 
características especí\ufb01 cas da carga, ou seja, a sua intensidade, a sua direção, assim 
como a frequência e duração da sua aplicação.
 As propriedades estruturais dos tecidos re\ufb02 etem o comportamento mecânico do 
corpo como um todo, no qual se consideram tanto as propriedades intrínsecas das com-
ponentes constituintes como o seu arranjo geométrico, ou seja, a sua arquitetura. Estas 
propriedades intrínsecas do material, assim como a arquitetura dos tecidos, alteram-se 
em função da utilização (exercício) e do desenvolvimento (maturação e envelhecimen-
to), podendo igualmente ser afetadas por algumas patologias (e.g. osteoartrose).
 Os tecidos biológicos \u2013 como o osso, a cartilagem, o tendão e/ou o ligamen-
to \u2013 são adaptativos, isto é, as características dos seus constituintes, assim como a 
sua orientação espacial, alteram-se, adequando-se ao tipo de solicitação a que são 
predominantemente submetidos. Por exemplo, o osso perde densidade quando não 
é sujeito a carga gravítica durante períodos prolongados de tempo. Por sua vez, a 
disposição das \ufb01 bras de colagénio num ligamento ou num tendão adapta-se em fun-
ção da orientação das forças que lhe são normalmente aplicadas. Em função desta 
característica adaptativa, estes tecidos tendem a não ser homogéneos, uma vez que 
diferentes porções do tecido podem sofrer adaptações diferentes. Um exemplo é a 
diferença entre a zona super\ufb01 cial da cartilagem articular, rica em \ufb01 bras de colagénio 
orientadas transversalmente, e as zonas profundas em que as \ufb01 bras de colagénio e 
Universidade Técnica de Lisboa
FACULDADE DE MOTRICIDADE HUMANA
232
Figura 2. Exemplos de deformações de corte resultantes da aplicação de forças externas de 
torção (A) e de \ufb02 exão (B). 
 Na maioria dos casos, as cargas externas produzem em simultâneo diversos 
tipos de deformação e em consequência desencadeiam uma conjugação dos dife-
rentes tipos de tensões internas. Para além disso, e tal como atrás foi referido, as 
deformações lineares e de corte in\ufb02 uenciam-se mutuamente (Figura 3-B).
 Curva de tensão/deformação
 A razão entre a resistência interna à deformação e o grau de deformação de-
\ufb01 ne o comportamento mecânico dos materiais ou tecidos. A curva de tensão/defor-
mação (stress/strain) obtém-se representando gra\ufb01 camente os diversos valores de 
resistência interna de cada nível de deformação (para variações in\ufb01 nitesimais da de-
formação). Embora os materiais constitutivos dos tecidos biológicos não sejam corpos 
elásticos perfeitos, o estudo do comportamento elástico dos materiais permite uma 
boa compreensão de parte do comportamento mecânico dos tecidos vivos sujeitos a 
cargas externas (Fung, 1990). Este comportamento é explicado pela relação entre a 
tensão (força elástica) e a deformação, sendo descrito pela seguinte expressão:
R
e
 = K
e
 \u394s
 R
e
 = Tensão elástica (força elástica por unidade de superfície) 
 K
e
 = Coe\ufb01 ciente elástico 
 \u394 s = Medida da deformação
A B
y
Z
x
Linhas de 
deformação Força
deformante
ADAPTAÇÕES DO TECIDO CONJUNTIVO À ATIVIDADE FÍSICA E À INATIVIDADE
Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 233
 A relação apresentada entre a resistência interna e a deformação é linear. No 
entanto, os tecidos biológicos, tais como o tendão, o ligamento e a cartilagem, apre-
sentam comportamentos elásticos não lineares. Nestes tecidos, a resistência à defor-
mação tende a crescer exponencialmente com a deformação. Em corpos elásticos, a 
energia acumulada durante a fase de deformação é restituída quando a carga externa 
deformante deixa de atuar conforme a expressão abaixo: 
Epe= \u222b R
e
 \u3b4s <=> Epe=1/2 Ke \u394s2
 Epe = Energia potencial elástica
 R
e
 = Tensão interna para cada grau de deformação
 \u3b4 s = Variação in\ufb01 nitesimal da deformação
 R
e
 = Ke x \u394s
 Assim, a energia potencial elástica (Epe) pode ser calculada através do in-
tegral da resistência interna em ordem à deformação, sendo este a medida da área 
abaixo da curva de resistência interna/deformação \u2013 Figura 3 (Shrive & Frank, 1994).
Figura 3. Curvas de tensão/deformação para corpos com comportamento elástico não linear (A)