Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69
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Aparelho Locomotor Funcao Neuromuscular e Adaptacoes Atividade Fisica Volume 2.69


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1 Estes conhecimentos são descritos em Pezarat-Correia e Espanha (2010), pp. 245-265.
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articular variam, e concêntrico, porque a força contráctil supera a resistência 
e o músculo encurta. A ação muscular dinâmica concêntrica é utilizada para 
gerar movimento nas articulações corporais.
C) A força de contração do músculo braquial anterior é superada pela força 
externa, que é a responsável pelo movimento articular. O músculo alonga 
pela ação da força externa e há extensão do cotovelo. Trata-se de uma 
ação muscular dinâmica excêntrica, e é utilizada para contrariar as forças 
externas, travando o movimento.
Figura 1. Ilustração de três tipos de ação do músculo braquial anterior: 
A) ação estática; B) ação dinâmica concêntrica; C) ação dinâmica excêntrica.
A
B
C
PROPRIEDADES DO MÚSCULO ESQUELÉTICO
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área de secção transversal do músculo. Nos músculos penados, embora a inclinação 
dos feixes musculares reduza a força no sentido da linha de tração do músculo, a área 
de secção transversal pode ser muito superior, já que os feixes musculares podem 
inserir-se ao longo de faixas tendinosas longas. Para ângulos de penação até cerca 
de 30º, o ganho obtido pelo aumento da área de secção fi siológica é compensador. 
 Os músculos paralelos estão aptos, pela sua morfologia, a produzir contrações 
dinâmicas com maior velocidade, devido ao maior comprimento do ventre muscular e 
das fi bras musculares que o compõem. No caso dos músculos penados, a sua morfo-
logia está adaptada para gerar maior quantidade de força.
 Do ponto de vista biomecânico, o momento de força e a velocidade do movi-
mento articular gerados pela contração de um músculo dependem também do braço 
de momento do músculo, isto é, da mínima distância perpendicular medida entre o 
ponto de inserção do músculo e o eixo de rotação da articulação onde aquele atua. 
Um músculo com um braço de momento superior está em condições de produzir maior 
momento de força. Ao contrário, um músculo com um braço de momento mais reduzi-
do está, em termos biomecânicos, desfavorecido para produzir momento de força em 
torno da articulação mas, em contrapartida, a sua contração produz maior velocidade 
de rotação da articulação. Muitas estruturas anatómicas ósseas servem para modi-
fi car o braço de momento muscular, tendo, por isso, uma função biomecânica muito 
importante. São exemplos deste tipo de estruturas a rótula, o olecrânio, o calcâneo ou 
as apófi ses espinhosas das vértebras.
Figura 3. O ângulo de penação (ap) é o ângulo estabelecido entre a fi bra muscular e o tendão (ou es-
trutura conjuntiva onde a fi bra se insere). O músculo B apresenta um menor ângulo de penação do que 
o músculo A. Em consequência, quando as suas fi bras se contraem, verifi ca-se menor dispersão de 
força contráctil (dF) e maior transferência dessa força no sentido da linha de tração do músculo (tF).
A B
ap
tF
dF dF
ap
tF
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a força contráctil decresce quando o comprimento do sarcómero se torna inferior a 
2,0 µm, sendo a diminuição da força mais acentuada quando o comprimento do sar-
cómero decresce abaixo de 1,6 µm. A diminuição da força produzida pelo sarcómero 
quando o seu comprimento varia do comprimento ótimo refl ete a redução do número 
de pontes cruzadas, resultante de uma menor sobreposição entre os fi lamentos de 
actina e de miosina. A tensão máxima corresponde ao comprimento do sarcómero em 
que a sobreposição dos fi lamentos contrácteis e o número de pontes cruzadas é tam-
bém máximo. Na parte ascendente da curva Comprimento-Força, a redução da tensão 
é devida à sobreposição de fi lamentos fi nos no centro do sarcómero e a forças de 
resistência que aí se geram. Quando os discos-Z entram em contacto com as extremi-
dades da banda-A, o sarcómero torna-se incapaz de gerar tensão. Em relação à parte 
descendente da curva Comprimento-Força, a perda de tensão deve-se à diminuição 
da sobreposição entre os fi lamentos grossos e os fi lamentos fi nos. 
 Dado que uma miofi brilha contraída pode produzir um encurtamento de cerca 
de um terço do seu comprimento, quanto maior for o seu comprimento, maior a mu-
dança de comprimento que pode atingir durante a contração. Assim, uma miofi brilha 
com número mais elevado de sarcómeros em série tem capacidade, quando se con-
trai, para promover uma alteração mais pronunciada do seu comprimento, o que altera 
a amplitude total da curva Comprimento-Força da fi bra muscular.
 A curva que representa a relação Comprimento-Força para o músculo completo 
é o resultado da combinação da curva ativa associada ao grau de sobreposição dos 
fi lamentos proteicos que constituem os sarcómeros, com a curva passiva que depende 
da tensão passiva acumulada pelas estruturas elásticas durante o alongamento. Como 
é possível observar na Figura 6, quando o músculo se encontra em comprimentos mais 
Figura 5. Relação Comprimento-Força na fi bra muscular. A zona cinzenta clara representa o 
intervalo de variação de comprimento em que os sarcómeros são solicitados no corpo, enquanto 
a zona cinzenta escura representa o intervalo de variação de comprimento dos sarcómeros 
quando o músculo se encontra no seu comprimento de repouso.
__. 
1.2 1.6 2.0 2.2 2.5 3.6
Comprimento do sarcómero (µm)
___
___
___
_. 
100
80
60
40
20
Força
(% máx.)
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Coordenação Neuromuscular
 No capítulo anterior foram estudadas as propriedades do músculo esquelético 
e foi analisada a forma como estas condicionam o comportamento muscular. No en-
tanto, é fundamental ter presente que a capacidade de o músculo desenvolver força 
através do processo de contração muscular está dependente da chegada ao músculo 
de estímulos nervosos e que a regulação de força muscular depende da forma como 
o sistema nervoso central (SNC) controla a atividade dos músculos envolvidos numa 
determinada ação.
 Quando nos referimos à coordenação neuromuscular e equacionamos a forma 
como o SNC regula o funcionamento muscular durante a produção de movimentos 
corporais, devemos distinguir dois níveis de coordenação. Por um lado, o SNC tem 
que assegurar uma intervenção conjugada e complementar dos vários músculos en-
volvidos na ação, com diferentes papéis, defi nindo padrões de ação muscular ao lon-
go do tempo \u2013 coordenação intermuscular. Por outro lado, o SNC modula a duração 
e intensidade de ativação de cada músculo envolvido através dos impulsos nervosos 
que gera para o músculo \u2013 coordenação intramuscular.
 O estudo destes dois níveis de coordenação tem sido realizado com recurso a 
uma técnica experimental que regista a atividade elétrica gerada no músculo previa-
mente à contração. Esta técnica de estudo da função neuromuscular \u2013 eletromiogra-
fi a \u2013 será caracterizada brevemente num ponto prévio ao estudo dos processos de 
coordenação neuromuscular.
A Eletromiografi a e o Estudo da Coordenação Neuromuscular 
 Tal como indica o signifi cado literal da palavra, a eletromiografi a (EMG) é um 
método de estudo da atividade muscular que se baseia na representação gráfi ca da 
atividade elétrica do músculo1. O processo de excitação da célula muscular por parte 
do sistema nervoso, que culmina com a ativação das proteínas contrácteis, passa 
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1 O desenvolvimento aprofundado dos fundamentos e métodos da eletromiografi a podem ser encontrados em Pezarat-Correia 
e Mil-Homens (2004).
COORDENAÇÃO NEUROMUSCULAR
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