Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.899 materiais808.919 seguidores
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AC 371765-7. Rel. Ivan 
Bortoleto. J. 08.08.2007)
Advogado que pleiteia em juízo contra interesse de sua cliente menor de 
idade e recorre em nome deste 
\u201cO mandato é instrumento que autoriza o advogado a defender os interesses da 
outorgante, e não a agir em sentido diverso\u201d. (TJPR. 8ª CC. AI 887499-5. Rel.: 
Jorge de Oliveira Vargas. J. 30.08.2012)
Ação de alimentos. extinção do processo sem julgamento do mérito. procu-
ração outorgada através de instrumento particular. menor púbere assistida 
Artigo 8ºKleber Cazzaro
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por sua genitora. legalidade. sentença nula. recurso provido
\u201cÉ válida a procuração ad judicia outorgada por instrumento particular pela ge-
nitora, quando sua filha menor púbere está por ela assistida\u201d. (TJPR. 8ª CC. AC 
169175-8. Rel. Clayton Camargo. J. 20.10.2005)
Menor representado
\u201cA outorga de procuração pela mãe e representante legal do menor é suficiente 
para requerer a abertura do inventário, uma vez que é pessoa legitimada para 
representação. A procuração outorgada pela mãe, posteriormente revogada, 
gerou efeitos no procedimento de inventário, que foi aproveitado pelo novo pro-
curador que passou a representar o espólio após a revogação unilateral do man-
dato\u201d. (TAPR. 9ª.CC (extinto TA). AC 180703-2. Rel. Nilson Mizuta. J. 29.04.2003)
I. Características especiais
A curadoria especial é múnus público. O curador deverá promover a defesa de 
quem ele foi nomeado para representar. Na falta de elementos, tem permissão 
legal para fazer contestação genérica (CPC, art. 302, § único). O prazo do cur-
ador especial é impróprio. Não cumprindo a função para a qual foi nomeado, o 
curador poderá ser substituído e o novo indicado terá o prazo necessário para a 
atividade defensiva do seu representado. Só haverá necessidade de curador em 
procedimentos de jurisdição contenciosa. E a participação do Ministério Público 
em procedimentos onde exista curador especial nomeado não fica dispensada. 
II. Poderes só processuais
Por ser representante judicial, o curador não possui poderes materiais para ir 
além do exercício de defesa processual específica do seu representado. Ele 
Artigo 8ºKleber Cazzaro
AUTOR
Kleber Cazzaro
Art. 9º. O juiz dará curador especial:
I \u2013 ao incapaz, se não tiver representante legal, ou se os interes-
ses deste colidirem com os daquele;
II \u2013 ao réu preso, bem como ao revel citado por edital ou com 
hora certa. 
Parágrafo único. Nas comarcas onde houver representante judi-
cial de incapazes ou de ausentes, a este competirá a função de 
curador especial.
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não tem poderes especiais para, por exemplo, transigir, desistir dos direitos do 
representado, confessar, reconhecer a procedência da ação, fazer reconvenção, 
denunciar terceiro à lide, interpor ação declaratória incidental, embargos de ter-
ceiro. 
III. Réus certos
A nomeação de curador especial serve apenas para que se atenda aos interes-
ses de réu certo e determinado. Não serve para os réus incertos. E ainda, na 
eventualidade do réu ter sido citado fictamente e existam referências de que ele 
tomou conhecimento real da causa, não há necessidade de se nomear curador 
em seu prol. Se não comparecer na ação, ela tramitará à sua revelia. Poderá, 
contudo, daí, comparecer no momento que achar necessário e assumir sua po-
sição no processo e seguir até o final a partir de então. 
IV. Representante de incapaz
Não é necessário ser advogado para o exercício da função. O representante 
agirá representando a parte, assumindo o processo como se fosse pai, tutor ou 
curador do representado. Pode, daí, contratar advogado para que a parte obten-
ha capacidade postulatória. 
V. Idoso
Havendo no processo interesse de idoso e sendo este incapaz (de fato) para 
gerir seus bens, o juiz deverá nomear-lhe curador especial, que será seu repre-
sentante de direito material. (Lei 8.842/1994, Art. 10, § 2º) 
VI. Incapacidade de fato e citação
Quando se verificar que o réu é demente ou está impossibilitado de recebê-la 
o oficial de justiça fará certidão explicativa sobre isso e, uma vez atestada a 
incapacidade, a citação ocorrerá na pessoa do curador que será nomeado ao 
enfermo. (CPC, art. 218)
VII. Nulidade
A ausência de nomeação de curador gera nulidade no processo, contando-se a 
partir do ato a partir do qual se exigia tal providência. Contudo, é de se observar 
que se o resultado geral for favorável a quem deveria ter sido nomeado curador, 
a nulidade não ocorre. Ou seja: esta ocorrerá apenas em caso de ocorrer pre-
juízo processual a quem teria que ter sido nomeado curador para defender seus 
interesses. 
Súmula nº 196 do STJ: \u201cAo executado que, citado por edital ou por hora certa, 
permanecer revel, será nomeado curador especial, com legitimidade para apre-
Artigo 9ºKleber Cazzaro
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sentação de embargos\u201d. 
JULGADOS
Curador especial. prazo em dobro 
\u201cO privilégio do prazo em dobro previsto no art. 5º, parágrafo 5º, da Lei n. 
1.060/50, é reservado às Defensorias Públicas criadas pelos Estados ou cargo 
equivalente, não se estendendo ao patrocínio de causas por profissional consti-
tuído no encargo de curador especial, ainda que em face de convênio firmado 
entre aquele órgão e a OAB local\u201d. (STJ. 4T. REsp 749.226/SP. Rel. Min. Aldir 
Passarinho Junior. J. 12/09/2006)
Curador especial. defensoria pública. prazo em dobro 
\u201cO prazo em dobro, previsto no art. 5º, § 5º, da Lei nº 1.060/50 alcança o Pro-
curador do Estado que atua na Defensoria Pública como curador especial na 
defesa de réu citado por edital, uma vez que o citado benefício é estabelecido 
em favor da Defensoria Pública, e não do réu\u201d. (STJ. 3T. REsp 314.451/SP. Rel. 
Min. Antônio De Pádua Ribeiro. J. 19/06/2001)
Ação de desapropriação
\u201cIn casu, a presença do curador especial na defesa dos expropriados impede 
qualquer reconhecimento ou concordância quanto aos valores apresentados no 
laudo do expropriante, tendo em vista que a curadoria especial não dispõe, nos 
termos do art. 38 do CPC, de poderes de disposição sobre o bem litigioso\u201d. 
(STJ. 2T. REsp 981.169/RJ. Rel. Min. Humberto Martins. J. 18/08/2009)
Honorários advocatícios
\u201cA jurisprudência do STJ já apontou no sentido de que os honorários de advo-
gado são devidos pelo sucumbente ao curador especial nomeado ao réu citado 
por edital\u201d. (STJ. 2T. REsp 1308550/PR. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. J. 
17/04/2012)
Honorários 
\u201cOs honorários advocatícios não são devidos à Defensoria pública no exercício 
da curadoria especial, visto que essa função faz parte de suas atribuições insti-
tucionais\u201d. (STJ. 3T. REsp 1203312/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi. J. 14/04/2011)
Defensor público
\u201cÉ possível a nomeação de Defensor Público como Curador Especial, sem que 
tal fato lhe retire o direito ao recebimento de honorários advocatícios \u2013 tendo em 
vista que o múnus público do curador não se confunde com assistência judi-
ciária \u2013, que deverão ser adiantados pela parte autora, que, por sua vez, caso 
vença a demanda, poderá cobrá-los dos réus\u201d. (STJ. 5T. REsp 957.422/RS. Rel. 
Min. Arnaldo Esteves Lima. J. 13/12/2007)
Falência 
Artigo 9ºKleber Cazzaro
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\u201cSomente é exigida a nomeação de Curador Especial na declaração de falência 
com lastro no art. 2º da Lei Falimentar (art. 12), o que não ocorre, mesmo sendo 
editalícia a citação, na hipótese do art. 1º, consoante deixa claro o art. 11, § 1º, 
in fine.\u201d (TJPR. 1ª CC. AI 91171-5. Rel.: Pacheco Rocha. J. 24.10.2000)
Defensora Pública 
\u201cNão se justifica sejam gratuitos os atos praticados pelo curador especial. Os 
honorários do curador especial constituem verba de sucumbência e como tal 
são devidos\u201d. (TJPR. 6ª CC. AC 75602-5. Rel.: Antônio Lopes de Noronha. J. 
29.09.1999)
Curador especial. honorários que não integram as despesas do processo
INAPLICABILIDADE DO ART. 19 DO CPC. VERBA DE SUCUMBÊNCIA (ART. 
20 DO CPC). SUCUMBÊNCIA,