Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.509 materiais801.095 seguidores
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capacidade postulatória tanto pela falta 
como deficiência do instrumento, impondo às instâncias ordinárias assinar pra-
zo razoável para a parte providenciar a integração da capacidade processual. 
Sanada a irregularidade dentro do prazo concedido, o processo tem o devi-
do seguimento\u201d. (TJPR. 15ª CC. AI 949751-8. Rel.: Hamilton Mussi Correa. J. 
24.10.2012)
Falta de procuração
\u201eDe acordo com o disposto no art. 13 do Código de Processo Civil, verificando 
incapacidade processual ou irregularidade na representação das partes, de-
verá o magistrado estabelecer prazo para que seja sanado o vício, sendo que, 
apenas diante da inércia do interessado, tomará as medidas previstas nos inci-
sos da referida disposição legal\u201c. (TJPR AI 747.436-4 10ª C.Cível Rel. Arquelau 
Araújo Ribas. j. 26/05/11) (TJPR. 10ª CC. AI 853538-2. Rel.: Hélio Henrique Lopes 
Fernandes Lima. J. 15.03.2012)
Procuração assinada em nome do falecido
\u201cNecessidade de alteração no pólo ativo da demanda, para incluir o espólio ou, 
se não houver inventariante, os herdeiros do falecido. Vícios insanáveis nesta 
quadra processual. Princípio da estabilização subjetiva da demanda (art. 264 
do cpc) extinção, de ofício, do processo, sem resolução de mérito (art. 267, IV, 
do CPC).\u201c (TJPR. 2ª CC. AC 651691-2. Rel.: Josély Dittrich Ribas. J. 08.06.2010)
Representação processual
\u201cA irregularidade na representação das partes constitui-se em vício sanável em 
qualquer fase do processo\u201d. (TJPR. 10ª CC. AC 577615-0. Rel.: Nilson Mizuta. J. 
06.08.2009)
Irregularidade de representação
\u201cIntimação do autor e do seu procurador para saneamento do vício em dez dias. 
Artigo 13Kleber Cazzaro
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Inexistência de manifestação. decretação de nulidade dos atos realizados no 
curso do processo, inclusive da sentença. Artigo 13 do CPC. Extinção do pro-
cesso sem julgamento de mérito. Aplicação do artigo 267, IV do CPC.\u201d (TJPR. 9ª 
CC. AC 518114-4. Rel.: Eugenio Achille Grandinetti. J. 05.02.2009)
I. Caráter intencional
É necessário que haja intenção, vontade, consciência da parte transgressora, 
Artigo 13Kleber Cazzaro
Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qual-
quer forma participam do processo:
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II - proceder com lealdade e boa-fé;
III - não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que 
são destituídas de fundamento;
IV - não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desne-
cessários à declaração ou defesa do direito
V - cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não 
criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natu-
reza antecipatória ou final. 
Parágrafo único. Ressalvados os advogados que se sujeitam 
exclusivamente aos estatutos da OAB, a violação do disposto 
no inciso V deste artigo constitui ato atentatório ao exercício da 
jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, 
civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em 
montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta 
e não superior a vinte por cento do valor da causa; não sendo 
paga no prazo estabelecido, contado do trânsito em julgado da 
decisão final da causa, a multa será inscrita sempre como dívi-
da ativa da União ou do Estado. 
AUTOR
Kleber Cazzaro
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comprovadamente verificada. Não caracterizado isso, a regra do artigo não inci-
de sobre o suposto ato gerador de infração. Verificada a infração, no caso dos 
quatro primeiros incisos o transgressor responderá pelos danos que causar, 
valendo daí as regras dos artigos 16 a 18 do CPC. A hipótese do último inciso 
gera ato atentatório ao exercício da jurisdição. Neste caso incide o artigo 14, 
parágrafo único, do CPC. 
II. Aplicação e cumulatividade
A condenação poderá ser feita de ofício, pelo Juiz, ou a pedido da parte preju-
dicada. Não há impedimento para existir a cumulação de sanções por litigância 
de má fé e por ato atentatório ao exercício de jurisdição. 
III. Destinatário e exigibilidade
Todos os valores punitivos impostos a quem violar os quatro primeiros incisos 
do art. 14 revertem em prol da parte ofendida. E se a ofensa for praticada pela 
parte, ela é que responderá pela punição. Já se o ato foi praticado pelo seu 
advogado, caberá a ela responder, sem o prejuízo do direito de regresso contra 
seu mandatário. Inadimplido, o valor se transforma em título executivo judicial 
e sua cobrança segue o rito do artigo 475, I e seguintes, do CPC. No caso do 
inciso V, o valor da multa reverterá em prol da União ou do Estado, conforme a 
Justiça em que o processo esteja tramitando. O descumprimento gera inscrição 
em dívida ativa da União ou do Estado e sua cobrança segue o rito da Lei n. 
6830/1980. A cobrança só pode ser feita quando do encerramento do processo, 
com o trânsito em julgado da decisão final que julgá-lo. 
IV. Distinção entre diversas multas
Não se confundem as multas do artigo 14, com aquelas do artigo 461, 461-A e 
475-J, do CPC. A primeira tem caráter punitivo, é definida após a prática do ato 
considerado infracional e caberá à parte ou ao Estado, conforme o caso. As ou-
tras são pré-estabelecidas, têm caráter coercitivo e são devidas ao exeqüente. 
Contudo, todas elas podem existir cumulativamente. 
V. Advogado
Os Advogados não estão sujeitos a qualquer sanção relativa ao artigo 14, inciso 
V, do CPC, na esfera processual. A eles valem as regras do Estatuto da Advoca-
cia e da Ordem dos Advogados, que tem comandos próprios para punição do 
mau exercício da profissão. E isso vale tanto para os advogados do setor públi-
co, quanto privado. Esta abrangência ocorreu por ocasião do julgamento, pelo 
STF, da ADI 2.652-6 (j.08.05.2003)
JULGADOS 
Abuso do direito de recorrer
\u201cO ordenamento jurídico brasileiro repele práticas incompatíveis com o postula-
Artigo 14Kleber Cazzaro
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do ético-jurídico da lealdade processual. O processo não pode ser manipulado 
para viabilizar o abuso de direito, pois essa é uma idéia que se revela frontal-
mente contrária ao dever de probidade que se impõe à observância das partes. 
O litigante de má-fé - trate-se de parte pública ou de parte privada - deve ter a 
sua conduta sumariamente repelida pela atuação jurisdicional dos juízes e dos 
tribunais, que não podem tolerar o abuso processual como prática descaracte-
rizadora da essência ética do processo.\u201d (STF. 2T. AI 802783 ED-ED-AgR. Rel. 
Min. Celso De Mello. J. 19/04/2011).
Inexistência de comportamento processual malicioso
\u201cA mera interposição de recurso não basta, só por si, para autorizar a formu-
lação, contra a parte recorrente, de um juízo de transgressão ao postulado da 
lealdade processual. Não se presume o caráter malicioso, procrastinatório ou 
fraudulento da conduta processual da parte que recorre, salvo se se demons-
trar, quanto a ela, de modo inequívoco, que houve abuso do direito de recorrer. 
Comprovação inexistente na espécie\u201d. (STF. 2T. AI 467843 AgR. Rel. Min. Celso 
de Mello. J. 21/02/2006)
Embargos protelatórios
\u201cConsideram-se protelatórios os embargos de declaração que consubstanciam 
violação dolosa aos deveres processuais constantes dos artigos 14 e 17, ambos 
do Código de Processo Civil, para fins de aplicação da multa prevista no art. 
538, parágrafo único, do CPC\u201d. (STJ. 2T. REsp 1177878. Rel. Min. Castro Meira. 
j. 06.04.2010)
Recurso protelatório
\u201cEmbargos de declaração interpostos com propósito meramente protelatório, 
buscando retardar o desfecho da demanda. Aplicação de multa de 1% (um por 
cento) do valor atualizado da causa, a ser suportada pelo advogado subscritor 
do recurso, nos termos do art. 14, II c/c 17, VII e 18, caput do CPC, pois é dever 
das partes e dos seus procuradores proceder com lealdade e boa-fé\u201d. (STJ. 2T. 
EAREsp 427839. Rel. Min. Eliana Calmon. j. 17.10.2002)
Multas diversificadas
\u201cA multa processual prevista no caput do artigo 14 do CPC