Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.863 materiais807.986 seguidores
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difere da multa co-
minatória prevista no Art. 461, § 4º e 5º, vez que a primeira tem natureza puniti-
va, enquanto a segunda tem natureza coercitiva a fim de compelir o devedor a 
realizar a prestação determinada pela ordem judicial. Os valores da multa co-
minatória não revertem para a Fazenda Pública, mas para o credor, que faz jus 
independente do recebimento das perdas e danos.\u201d (STJ. 1T. REsp 770.753. Min. 
Luiz Fux. j. 27.02.2007).
Lealdade e boa-fé
\u201cNos termos do artigo 14 do CPC, as partes, bem como todos aqueles que de 
qualquer forma participam do processo, têm o dever de proceder com lealda-
de e boa-fé. Ou seja, há a necessidade de que o processo civil se desenvolva 
pautado na observância da probidade em todas as suas fases, bem como em 
todos os seus atos\u201d. (TJPR. 12ª CC. AI 982221-9. Rel.: Ângela Maria Machado 
Artigo 14Kleber Cazzaro
70
Costa. J. 29.05.2013)
Retirada de autos em carga \u201erápida\u201c
\u201cO magistrado singular, verificando a conduta contrária aos deveres de boa-
fé e lealdade processuais estabelecidas no artigo 14, inciso II do Código de 
Processo Civil, ao vedar a retirada dos autos em carga aos procuradores das 
agravantes, nada mais fez do que aplicar a faculdade estabelecida no artigo 
196 do Código de Processo Civil\u201d. (TJPR. 12ª CC. AI 955325-5. Rel.: Ângela 
Maria Machado Costa. J. 10.04.2013) 
I. Expressões injuriosas
A categoria tem locução aberta. Está ligada àquilo que integra a honra subje-
tiva da pessoa. Importante cuidar porque ela engloba além do que pode, em 
tese, configurar crime de injúria (CP, art. 140), também qualquer expressão 
aviltante, degradante, indecorosa que atinja concretamente o ofendido. O 
mesmo ocorre se os escritos derem ensejo aos crimes de difamação (CP, art. 
139) ou calúnia (CP, art. 138). É, outrossim, irrelevante, haver ou não o animus 
injuriandi para que o Juiz possa tomar as providências do artigo 15. 
II. Ministério Público
Também responde pelos comandos deste artigo. 
III. Exclusão de responsabilidade
Não se encaixam nas regras do artigo 139 e 140 do Código Penal as dis-
cussões mais ásperas que possam ser travadas no processo, pelas partes 
ou procurador delas, dirigida entre eles ou apontada para terceiros. O detalhe 
é que tais discussões, para ficarem isentas de responsabilidade, necessitam 
estar atreladas estritamente ao objeto da causa. Qualquer diferença disso 
implica na incidência da norma penal reguladora dos crimes de injúria ou di-
famação. 
Artigo 14Kleber Cazzaro
Art. 15. É defeso às partes e seus advogados empregar ex-
pressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, ca-
bendo ao juiz, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar 
riscá-las.
Parágrafo único. Quando as expressões injuriosas forem pro-
feridas em defesa oral, o juiz advertirá o advogado que não as 
use, sob pena de lhe ser cassada a palavra.
AUTOR
Kleber Cazzaro
71 Artigo 15Kleber Cazzaro
IV. Recorribilidade da decisão
Em que pese afronte o princípio da recorribilidade das decisões judiciais, existem 
julgados dizendo da irrecorribilidade das decisões judiciais que ordenam sejam 
riscadas as expressões o que forem entendidas pelo juiz como expressão injuri-
osa tipificada pelo artigo 15 do CPC. Todavia, o inconformismo pode, sim, acar-
retar o ajuizamento do recurso de agravo de instrumento. Também cabe pedido 
de reconsideração. Não há óbice legislativo algum nesse sentido. Até porque, 
por obrigação legal, o juiz deverá fundamentar os motivos que o levou mandar 
riscar dos autos as expressões que ele entendeu injuriosas. (CPC, Art. 131 c/c 
CF, Art. 93, IX)
JULGADOS
Expressões injuriosas
\u201cO artigo 7º, § 2º da Lei n. 8.906/2004, deu concreção ao preceito veiculado 
pelo artigo 133 da Constituição do Brasil, assegurando ao advogado a inviola-
bilidade por seus atos e manifestações no exercício da profissão. No caso con-
creto, é fora de dúvida que as expressões tidas por injuriosas foram proferidas 
no estrito âmbito de discussão da causa, em petição de alegações finais pela 
qual o paciente manifestou indignação com o procedimento judicial praticado 
à margem da lei. Ordem concedida\u201d. (STF. 1T. HC 87451. Rel. Min. Eros Grau. J. 
14/02/2006)
 
Expressões injuriosas. Riscadura
\u201cA providência prevista no artigo 15 do CPC prescinde do contraditório, ainda 
que ocorra mediante provocação de uma das partes. Partes, representantes 
processuais, membros do Ministério Público e magistrados devem-se respeito 
mútuo. A referência a expressões injuriosas contida no artigo 15 do CPC com-
preende o uso de todo e qualquer vocábulo que discrepe dos padrões costu-
meiros, atingindo as raias da ofensa\u201d. (STF. Pleno. ADI 1231 AgR, Rel. Min. Mar-
co Aurélio. J. 28/03/1996)
Recurso ordinário em mandado de segurança
\u201eO ato do juiz que determina a risca, por injuriosas, de palavras usadas pelas 
partes em seus escritos dos autos, não dá azo a recurso, nem a mandado de 
segurança.\u201c (excerto da ementa do RMS 2.449/MG, 4ª Turma, Rel. Min. Fontes 
de Alencar, DJ de 7.8.1995, p. 23.039). Recurso ordinário desprovido\u201d. (STJ. 1T. 
RMS 17.219/AC. Rel. Min. Denise Arruda. J. 19.10.2006)
Advogado. ofensa a colega
\u201eCaracteriza dano moral a ofensa dirigida pelo Advogado como patrono de uma 
das partes à parte contrária. A imunidade profissional garantida ao Advogado 
pelo Estatuto da Advocacia não alberga os excessos cometidos pelo profissio-
nal em afronta à honra de qualquer das pessoas envolvidas no processo.\u201c (STJ. 
4T. T. REsp 357.418/RJ. Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira. j. 04/02/2003)
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Expressões injuriosas. Ministério Público
\u201cÉ defeso às partes e aos seus advogados empregar expressões injuriosas e, 
de igual forma, ao representante do Ministério Público. Havendo o emprego de 
expressões injuriosas, cabe à autoridade judiciária mandar riscá-las.\u201d (STJ. 6T. 
HC 59.967/SP. Rel. Min. Nilson Naves. J. 29/06/2006)
Despacho sem conteúdo decisório
\u201eNão é compatível com o sistema processual civil a interposição de recurso 
contra despacho que indefere o pedido de riscadura de expressões tidas por 
injuriosas.\u201c (STJ. 5T. REsp 502.354/RJ. Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca. J. 
06/10/2005)
Expressão injuriosa. Repetição
\u201cA repetição das expressões injuriosas, no requerimento para que fossem risca-
das, não elimina a possibilidade de aplicação da regra do art. 15 do CPC\u201d. (STJ. 
4T. REsp 135.258/SP. Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar. J. 14/10/1997)
Expressões injuriosas dirigidas por um advogado contra outro
\u201cExcesso no exercício do direito de petição. Transgressão aos limites da ativida-
de advocatícia. Ofensa à honra profissional. Dano moral caracterizado\u201d. (TJPR. 
10ª CC. AC 642512-7. Rel.: Valter Ressel. J. 26.08.2010)
Dano moral. advogados. agressões recíprocas
INVIOLABILIDADE PROFISSIONAL. ART. 133 DA CF E ART. 2º, § 3º, DA LEI 
8.906/94. \u201cA inviolabilidade profissional que é assegurada ao advogado pela 
CF, art. 133 e pelo Estatuto do Advogado (art. 2º, § 3º), não é anteparo para 
que o profissional, sob qualquer argumento, empreenda advocacia temerosa 
e pratique ofensas de qualquer natureza durante o trâmite processual. O dano 
moral não pode ser considerado fora do contexto para o qual foi direcionado 
pela CF/88 em seu art. 5º, incisos V, X e LXXXV, ou seja, seu direcionamento tem 
como objetivo compensar ofensas à honra, às crenças íntimas, aos sentimentos 
afetivos de qualquer sorte, à liberdade, à vida e a integridade física\u201d. (TJPR. 10ª 
CC. AC 191.602-7. Rel. Juiz Conv. Fernando César Zeni. j. 29/06/2006).
I. Prova da má fé:
É princípio geral de direito que a má-fé não se presume, se prova. A regra é a 
boa-fé. E para a condenação em litigância de má fé é necessário conjugar três 
elementos: a) que a conduta da parte se encaixe na regra do artigo 17 do CPC; 
Artigo 15Kleber Cazzaro
AUTOR
Kleber Cazzaro
Art. 16. Responde por perdas e danos aquele que pleitear