Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


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má-fé como autor, réu ou interveniente. 
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b) que seja oportunizado a parte o direito de defesa; c) que a conduta por ela 
praticada tenha gerado prejuízo a parte adversária. Logo, só é punível a conduta 
intencional, desleal e maliciosa, comprovadamente demonstrada ou verificada. 
II. Cumulatividade
As sanções do artigo 16 e 18, que têm natureza processual e são de ordem 
pública, podem ser cumuladas com multa de até 20% do valor da causa, a ser 
aplicada pela prática de ato atentatório ao exercício da jurisdição capitulado no 
artigo 14, parágrafo único, do CPC. 
III. Advogado
Em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com 
seu cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o que de-
verá ser apurado em ação própria. A regra é que a multa seja aplicada às partes 
e não a seus advogados. Entretanto, o juiz ou qualquer parte interessada, po-
derá representar contra o advogado na OAB, para instauração de procedimento 
disciplinar (EOAB, art. 72) sem o prejuízo da parte por ele constituída intentar 
ação indenizatória própria (CC, art. 186) em face do advogado.
IV. Pagamento da multa para recorrer
No caso da proposição de recurso infundado ou manifestamente inadmissível 
e que o Tribunal respectivo condene o proponente do recurso pagar a outra 
parte multa por tal conduta, a interposição de qualquer outro recurso fica con-
dicionada ao depósito do respectivo valor. E isso não fere o princípio do acesso 
ao Poder Judiciário porque a punição serve para repreender abusos e desvios 
processuais reprovados pelas regras da lealdade processual e que primam pela 
dignidade da justiça. (CPC, art. 557, § 2º e 600, 538, parágrafo único)
JULGADOS
Multa e litigância de má-fé. bis in idem
\u201cCaracteriza violação do princípio ne bis in idem a imposição acumulativa das 
multas previstas no artigo 538 e no artigo 18, parágrafo 2º, do Código de Pro-
cesso Civil, em razão do mesmo fato.\u201d (STJ. 6T. REsp 327039/RO. Rel. Min. Ha-
milton Carvalhido. J. 21.08.2003)
Sanção. litigância de má fé. decisão fundamentada
\u201cA sanção à litigância de má fé, prevista nos artigos 16 e seguintes, do CPC, 
deve ser fundamentada\u201d. (STJ. 3T. REsp 203.920/RS. Rel. Min. Waldemar Zveiter. 
J. 09/05/2000) 
Litigância de má-fé. Inocorrência
\u201cApenas incide em litigância de má-fé a parte que pratica as condutas elencadas 
no artigo 17 do CPC, agindo, comprovadamente, com dolo ou culpa em sentido 
processual, causando prejuízo à parte contrária.\u201d (TJPR. 16ª CC. AI 747895-3. 
Artigo 16Kleber Cazzaro
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Rel.: Paulo Cezar Bellio. J. 08.02.2012)
I. Litigante de má fé
Objetivamente, é a parte ou interveniente que age de propósito no proces-
so, de forma maldosa, praticando atos reprováveis pelo Direito, sabidamente 
conhecidos, conscientes e industriados por ela, com objetivo de prejudicar a 
parte contrária, causando-lhe dano processual. 
II. Numerus clausus
A doutrina diverge sobre a questão. Existe corrente que entende ser o rol 
apenas exemplificativo. Para outros ele é taxativo, ou seja: não comporta am-
pliação. Considerando que a situação é de repressão, é preferível o enten-
dimento restritivo, valendo defender que o rol é numerus clausus. Também 
se impera a necessidade da presença do elemento subjetivo da culpa e a 
objetividade da ocorrência de dano. Sem isso, não há incidência do artigo. 
Além disso, observe-se que a taxatividade se refere apenas às hipóteses que 
identificam a litigância de má-fé. Isso não vale para a incidência do instituto 
porque as regras do artigo 17 podem ser aplicados em processos regulados 
por legislações esparsas, como por exemplo: a ação civil pública, a ação 
popular, juizados especiais, falências, desapropriação, consumidor, arbitra-
gem, entre outros. 
Súmula nº 98 do STJ: \u201cEmbargos de declaração manifestados com notório 
Art. 17. Reputa-se litigante de má-fé aquele que: 
I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou 
fato incontroverso; 
II - alterar a verdade dos fatos; 
III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;
IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;
V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato 
do processo; 
Vl - provocar incidentes manifestamente infundados;
VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.
AUTOR
Kleber Cazzaro
Artigo 17Kleber Cazzaro
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propósito de prequestionamento não tem caráter protelatório\u201d.
JULGADOS 
Má-fé. Configuração
\u201cSem a prova do comportamento maldoso da parte e, ainda, da existência efeti-
va do dano, não se configura a litigância de má-fé. Inexistência de contrariedade 
ao art. 17, incisos II e III, do CPC. Recurso especial não conhecido\u201d. (STJ. 4T. 
REsp. nº 220.162/ES. Rel. Min. Barros Monteiro. J. 06.02.2001).
Má-fé. características. Incidência
\u201cEntende o STJ que o art. 17 do CPC, ao definir os contornos dos atos que ju-
stificam a aplicação de pena pecuniária por litigância de má-fé, pressupõe o 
dolo da parte no entravamento do trâmite processual, manifestado por conduta 
intencionalmente maliciosa e temerária, inobservado o dever de proceder com 
lealdade\u201d. (STJ. 3T. REsp 418. 342-PB. Rel. Min. Castro Filho. J. 11.6.02)
Interposição de recurso. litigância de má-fé não verificada
\u201cO Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que não se 
presume a litigância má-fé quando a parte se utiliza dos recursos previstos em 
lei, sendo necessária, em tais hipóteses, a comprovação da intenção do recor-
rente de obstruir o trâmite regular do processo, nos termos do art. 17, VI, do 
CPC. Incabível a condenação por litigância de má-fé quando a parte, na pri-
meira oportunidade que lhe é conferida, interpõe agravo de instrumento contra 
decisão que fixou honorários advocatícios em execução não embargada.\u201c (STJ. 
5T. REsp 749.629/PR. Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima. j. 16.05.2006)
APELAÇÃO. RETIRADA DOS AUTOS APÓS A PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO PELO 
ADVOGADO DA PARTE ADVERSA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS NO DIA DE INÍCIO 
DO PRAZO RECURSAL DA AGRAVANTE. INSURGÊNCIA APÓS JÁ TRANSCOR-
RIDO O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO 
DE PRAZO INDEFERIDO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DO INDEFERIMEN-
TO NEGADO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INOMINADO. PREJUÍZO NÃO EVI-
DENCIADO. DESINTERESSE DA PARTE EM RECORRER NO MOMENTO OPOR-
TUNO. DECISÃO MANTIDA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CONFIGURADA. AGRAVO 
DESPROVIDO. (TJPR. 12 CC. EDecl 763.123-2/03. Rel. Des. Antonio Loyola Viei-
ra. j. 12/12/2012).
Litigância de má-fé
\u201c... a má-fé não se presume, mas exige prova satisfatória, não só de sua existên-
cia, mas da caracterização de dano processual...\u201d. (TJPR. 10 CC. AR 601781-
6/01. Rel. Arquelau Araújo Ribas. J. 25.11.2010)
LITIGÂNCIA MÁ-FÉ CONFIGURADA. APLICAÇÃO DE MULTA. \u201cA má-fé dos 
agravantes se evidencia em virtude da interposição de agravo com o manifesto 
caráter protelatório e tentativa de dar efeito modificativo ao julgado\u201d. (TJPR. 12 
Artigo 17Kleber Cazzaro
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CC, Agravo n.º 538.887-8/02. Rel. Juiz Subst. em 2.º grau D\u2018Artagnan Serpa Sá. 
J. 18.03.2009)
BUSCA E APREENSÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INTEGRAL. RESTITUIÇÃO 
DO BEM APREENDIDO. ADIMPLEMENTO NÃO COMPROVADO. ALTERAÇÃO DA 
VERDADE. INDUÇÃO DO JUÍZO A ERRO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. (TJPR. 17 CC. 
Apelação Cível 345.768-5. Rel. Vicente Del Prete Missurelli. J. 26/07/2006)
LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ. OMISSÃO DE FATO RELEVANTE. \u201cJurisprudência domi-
nante no sentido de que o prazo para impugnação de penhora começa a correr 
a partir da primeira intimação e não da intimação de complementação da refe-
rida constrição. Litigância de má-fé do agravante reconhecida, por omitir fato 
relevante ao julgamento do recurso\u201d. (TJPR. 15ª. CC. Embargos de Declaração 
531765-9/01. Rel. Fábio Haick Dalla Vecchia. J. 05/02/2009)
I. Poder/Dever
Considerando que entre os atores processuais é dever