Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.522 materiais801.327 seguidores
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agir com respeito mú-
tuo e lealdade (CPC, art. 14), durante a tramitação do processo, se tal fato não 
acontecer, o juiz tem o poder/dever não só de cuidar para que nada destoe dis-
so, como também de reprimir com todo rigor qualquer dos atos que se revelem 
contrários ao desenvolvimento regular da causa e ao próprio exercício da juris-
Artigo 17Kleber Cazzaro
Art. 18. O juiz ou tribunal, de ofício ou a requerimento, conde-
nará o litigante de má-fé a pagar multa não excedente a um por 
cento sobre o valor da causa e a indenizar a parte contrária dos 
prejuízos que esta sofreu, mais os honorários advocatícios e 
todas as despesas que efetuou. 
§ 1º Quando forem dois ou mais os litigantes de má-fé, o juiz 
condenará cada um na proporção do seu respectivo interesse 
na causa, ou solidariamente aqueles que se coligaram para le-
sar a parte contrária.
§ 2º O valor da indenização será desde logo fixado pelo juiz, em 
quantia não superior a 20% (vinte por cento) sobre o valor da 
causa, ou liquidado por arbitramento. 
AUTOR
Kleber Cazzaro
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dição. Para tanto, tem o dever e os comandos especiais do artigo 14, parágrafo 
único e 18 do CPC para tanto. 
II. Necessidade do contraditório
Considerando que para a condenação por litigância de má-fé é necessário exi-
stir culpa e dano, antes de ser aplicada a reprimenda pela prática das hipóteses 
do artigo 17, impera-se dar oportunidade de defesa à parte acusada, ou que 
poderá ser condenada, sob pena da sanção ser invalidada pela violação dos 
princípios do contraditório e da ampla defesa. A única exceção é que se as hip-
óteses do artigo 17 estiverem extremamente evidentes e não permitam qualquer 
margem de interpretação diversa a título de defesa. 
III. Multa e indenização
Nos casos previstos pelo artigo, ambos são institutos distintos e com caracterí-
sticas diversas para aplicação. A indenização por perdas e danos só cabe se 
restar demonstrado que o ato praticado (intencional e de má-fé) gerou prejuízo 
à parte contrária. A mesma característica não é necessária para aplicação da 
multa. 
IV. Honorários e despesas
Essa condenação é independente da solução final da causa. Até a parte vence-
dora da causa poderá ser condenada ao longo da ação pela prática de conduta 
que caracterize má-fé. A matéria, apesar disso, encontra polêmica na doutrina 
no tocante aos honorários e as despesas. Existe defesa sustentando que a con-
denação em honorários e despesas depende da derrota da parte ofensora no 
processo. Por outro lado também há referências informando a necessidade de 
desvinculação dessa condenação do resultado do processo. A punição pela 
prática de atos de má-fé deve ser calculada com base nos danos suportados 
pela parte ofendida.
JULGADOS 
Litigância de má-fé
\u201cA condenação prevista no art. 18, § 2°, do CPC, pressupõe dolo da parte que 
litiga de má-fé, além de demonstração inequívoca do prejuízo causado à parte 
contrária\u201d. (STJ. 3T. REsp 756885/RJ. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros. j. 
14/08/07)
Comprovação da má-fé na cobrança indevida 
A indenização por litigância de má-fé tem natureza jurídica processual, não nas-
ce por meio de negócio jurídico nem pode ser objeto de transação pelas partes, 
pois é prevista em norma de ordem pública e protege, em um primeiro momen-
to, as partes litigantes, e em um segundo, a própria coletividade, pois resguarda 
e recomenda um dever geral de lealdade e boa fé processuais, com respeito 
Artigo 18Kleber Cazzaro
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tanto ao Estado como à parte contrária. Impossibilidade de utilização da indeni-
zação por litigância de má-fé como sucedâneo da multa convencional, pois as 
penalidades são decorrentes da violação de normas distintas, que visam à pro-
teção e a eficácia de objetos diferentes, que dizem respeito a relações jurídicas 
diversas, uma contratual e outra processual, razão pela qual não há nem mesmo 
que se falar em dupla penalidade. (STJ. 3T. REsp 1127721/RS. Rel. Min. Nancy 
Andrighi. J. 03/12/2009)
MULTA POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CUMULADA COM MULTA EM RAZÃO DA 
PRÁTICA DE ATO ATENTATÓRIO AO EXERCÍCIO DA JURISDIÇÃO. IMPOSSIBILI-
DADE, SOB PENA DE BIS IN IDEM. \u201cMulta que, ademais, deve incidir uma única 
vez sobre o ato de descumprimento da ordem. Reiteração do descumprimento 
que não configura um novo ato, mas sim o mesmo descumprimento prolongado 
no tempo. Astreinte\u201d. (TJPR. 16ª CC. AI 647766-5. Rel. Francisco Eduardo Gon-
zaga de Oliveira. J. 16.06.2010)
Litigância de má-fé não caracterizada
\u201cPara a condenação em litigância de má-fé é necessário o preenchimento de 
três requisitos, quais sejam: que a conduta da parte se subsuma a uma das 
hipóteses taxativamente elencadas no art. 17, do CPC, que à parte tenha sido 
oferecida oportunidade de defesa (CF, art. 5º, LV) e que da sua conduta resulte 
prejuízo processual à parte adversa. Sem prova de comportamento maldoso da 
parte e da existência efetiva de dano, não se justifica sua condenação como liti-
gante de má-fé\u201d. (TJPR. 4ª CC. AC 652904-8. Rel. Astrid Maranhão de Carvalho 
Ruthes. J. 01.06.2010)
LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ. CARACTERÍSTICAS. \u201cLitiga de má-fé aquele que oculta 
a realidade dos fatos, induzindo o julgador em erro no momento em que alega 
inexistir relação jurídica e desconhecer a existência das dívidas, utilizando expe-
dientes que mascaram a verdade dos fatos.\u201c (TJPR. 9 CC. AC 0497493-8. Rel. 
Rosana Amara Girardi Fachin. J 02/10/2008).
Artigo 18Kleber Cazzaro
Art. 19. Salvo as disposições concernentes à justiça gratuita, 
cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou 
requerem no processo, antecipando-lhes o pagamento desde o 
início até sentença final; e bem ainda, na execução, até a plena 
satisfação do direito declarado pela sentença.
§ 1º O pagamento de que trata este artigo será feito por ocasião 
de cada ato processual.
§ 2º Compete ao autor adiantar as despesas relativas a atos, 
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I. Aplicação e individualidade: O ônus vale tanto para pessoa física quanto 
jurídica. Pode ser requerida em qualquer grau de jurisdição. Basta a parte 
interessada demonstrar que não tem condições de arcar com as despesas do 
processo que requereu, sem prejuízo próprio. Os benefícios da assistência 
judiciária são individuais.Várias partes ensejam tantos pedidos quanto tal número. 
II. Sucumbência: Ainda que a parte seja beneficiária de justiça gratuita, ela 
poderá ser condenada a pagar as verbas de sucumbência. A cobrança fica 
subordinada a algum advento futuro que permita que a parte cumpra com tal 
obrigação. Tal exigência prescreve em (5) cinco anos. 
III. Demonstração: Em que pese entendimentos diversos, impera-se o valor 
do artigo 4º. da Lei 1.060/1950. Para a concessão de assistência judiciária aos 
necessitados, basta a simples afirmação, na própria petição inicial, de que não 
está em condições de pagar as custas do processo e os honorários advocatícios, 
sem prejuízo próprio ou da família. Necessitado não é sinônimo de miserável.
IV. Fazenda Pública: Goza da prerrogativa de não adiantar as custas processuais. 
Todavia, está obrigada a adiantar valores relativos a honorários periciais porque 
não estão enquadrados com aquela característica. Todavia há divergência 
jurisprudencial afirmando que há possibilidade de dispensa. 
V. Inversão do ônus da prova e antecipação de despesas: A doutrina diverge 
sobre o tema. Todavia não se pode confundir as duas situações. Invertido o 
ônus da prova, não inverte o ônus de se antecipar despesas processuais. E as 
despesas adiantadas serão reembolsadas ao final pelo vencido. 
VI. Custas e despesas do juizado especial: Justiça graciosa por excelência, 
não há despesas para serem custeadas na primeira instância. Contudo, tanto 
no Juizado Especial Federal, quanto no Estadual, a partir do recurso (2º grau) 
tal responsabilidade aparece. A exceção é para litigância de má fé. Uma vez 
aplicada,