Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.573 materiais802.254 seguidores
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o exame, ou pelo autor, quando requerido por 
ambas as partes ou determinado de ofício pelo juiz\u201c, não podendo, por isso, ser 
imposto à ré o adiantamento dos honorários, relativos à perícia também reque-
rida pela autora.\u201d (STJ. 4T. REsp 955.976/MG. Rel. Min. Luis Felipe Salomão. J. 
12/04/2011).
\u201cProva pericial determinada pelo juiz. Parte autora deve efetuar o adiantamento 
dos honorários periciais, conforme art. 33, CPC. Beneficiária da assistência 
judiciária gratuita. Impossibilidade de determinar que o réu arque com a ante-
cipação dos honorários. Incumbe ao vencido pagar ao final do processo, caso 
o perito aceite, ou o Estado, quando o perito discordar do pagamento ao final, 
conforme dever constitucional do Estado garantir assistência jurídica integral e 
Artigo 33Kleber Cazzaro
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gratuita aos que não têm recursos. (CF, art.5º, LXXIV)\u201d. (TJPR. 6CC. AI 940894-2. 
Rel.: Denise Hammerschmidt. J. 28.05.2013)
I. Cláusula aberta
Os exemplos do artigo não são exaustivos. As regras da seção nele referida 
também cabem para outras ações incidentais não previstas expressamente por 
ele. Denunciação à lide, oposição, exibição de documento ou coisa; embargos 
de terceiro, embargos do devedor, argüição de falsidade, são alguns exemplos. 
I. Noção
A reversão das penalizações impostas às partes litigantes volta para elas. A 
ofensora paga para a ofendida. Já as penalizações impostas aos serventuários 
serão revertidas aos cofres do Estado, distinguindo-se aí a Justiça Estadual e a 
Federal. 
II. Sucumbência
As penalizações deste artigo não têm ligação com sucumbência processual. 
Uma vez penalizada, ainda que a parte reste vencedora nos autos, mesmo as-
sim terá que pagar os valores punitivos que eventualmente tiver sofrido dentro 
da regra deste artigo.
Artigo 33Kleber Cazzaro
Art. 34. Aplicam-se à reconvenção, à oposição, à ação declara-
tória incidental e aos procedimentos de jurisdição voluntária, no 
que couber, às disposições constantes desta seção.
Art. 35. As sanções impostas às partes em conseqüência de 
má-fé serão contadas como custas e reverterão em benefício 
da parte contrária; as impostas aos serventuários pertencerão 
ao Estado
AUTOR
Kleber Cazzaro
AUTOR
Kleber Cazzaro
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III. Desobrigação
Como o dispositivo atribui às multas aplicadas em razão de má-fé a natureza de 
custas processuais, o fato também desobriga o depósito do valor relativo a elas 
pelas partes que estão isentas de pagar ou adiantar custas como a Fazenda 
Pública, os beneficiários da Lei 1.060/1950, por exemplo. 
IV. Astreinte
O dispositivo também pode ser aplicado no caso de existir astreinte fixada nos 
autos. O valor relativo a ela reverte para a parte que se viu prejudicada pelo de-
scumprimento do ato que gerou a fixação de tal penalização. 
JULGADOS 
\u201cOs valores arrecadados em decorrência de multa por litigância de má-fé, apli-
cada com supedâneo no art. 18 do CPC, serão destinados à parte contrária, 
conforme previsão expressa do art. 35 do mencionado diploma legal\u201d. (STJ. 2T. 
REsp 647.674/RS. Rel. Min. Eliana Calmon. j. 11.04.2006)
\u201cTratando-se de multa para apenar um dos litigantes e conseguinte reversão em 
benefício do outro, como se observa não só do § 2º do art. 557, mas também do 
parágrafo único do art. 538, e também do art. 18 combinado com 35, todos do 
CPC, é de se ter por princípio o dever do julgador em observar quais casos está 
presente a litigância de má-fé ou caráter protelatório do recurso. Necessário se 
faz perscrutar qual a medida tomada pela parte (comissiva ou omissiva) a ense-
jar a punição\u201d. (STJ. 1T. EDcl no AgRg no Recurso Especial nº 978.128/RS. Min. 
Benedito Gonçalves. J. 16/12/2008) 
\u201cAs penalidades impostas às partes, decorrentes de sua conduta processual 
em desacordo com os princípios norteadores do bom andamento dos feitos 
judiciais, serão contadas como custas processuais, revertendo-se em benefício 
da parte adversa, em liquidação\u201d. (TJPR. 12CC. AI 610931. Des. Rafael Augusto 
Cassetari. J. 25/11/2009)
Artigo 35Kleber Cazzaro
Art. 36. A parte será representada em juízo por advogado legal-
mente habilitado. Ser-lhe-á lícito, no entanto, postular em causa 
própria, quando tiver habilitação legal ou, não a tendo, no caso 
de falta de advogado no lugar ou recusa ou impedimento dos 
que houver. 
AUTOR
Kleber Cazzaro
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I. Capacidade postulatória do advogado: Não pode o juiz exigir prova da vali-
dade da habilitação através da apresentação do pagamento da anuidade à OAB, 
muito menos regularidade administrativa do advogado dentro dos quadros dela. 
II. Ausência de advogado: No caso da parte possuir capacidade postulatória, 
poderá agir em causa própria, promovendo sua própria defesa. Entretanto, se 
não possuir tal requisito e inexistir advogado no foro, bem como haja recusa ou 
impedimento de todos os que houver, a atuação em causa própria independe de 
habilitação técnica. (Lei 8.906/1994, art. 27 e seguintes) 
III. Estagiário de advocacia: Pode receber procuração de parte que figure em 
processo. Porém, deve receber junto com advogado e sob a responsabilidade 
deste. Também, e desde que esteja regularmente inscrito nos quadros da OAB, 
pode praticar isoladamente os seguintes atos, sob a responsabilidade do advo-
gado: I \u2013 retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva carga; II 
\u2013 obter junto aos escrivães e chefes de secretarias certidões de peças ou autos 
de processos em curso ou findos; III \u2013 assinar petições de juntada de documen-
tos a processos judiciais ou administrativos. (Regulamento Geral do Estatuto da 
Advocacia e da OAB, art. 29) 
IV. Sociedade de advogados: Constituídas com o objetivo fundamental de esti-
pular condições voltadas a regular a distribuição de tarefas, despesas e receitas 
entre os sócios, exercitam atividade-meio. Logo, não têm autorização para o ex-
ercício das atividades judiciais, privativas de advogados (Lei 8.906/94, art. 1º), 
ainda que eles revertam à sociedade os honorários respectivos. (Regulamento 
Geral do EAOAB, art. 37, parágrafo único). Justamente por decorrência dessa 
condição de pessoa formal voltada à atuação na esfera meio, não lhe é dado 
receber procuração diretamente. O instrumento de mandato, nesse caso, deve 
ser outorgado individualmente aos advogados que a integram, indicando nele a 
sociedade de que façam parte. 
Súmula vinculante nº 5 do STF: \u201cA falta de defesa técnica por advogado no 
processo administrativo disciplinar não ofende a constituição\u201d.
Súmula nº 115 do STJ: \u201cNa instância especial é inexistente recurso interposto 
por advogado sem procuração nos autos\u201d. 
JULGADOS 
Advogado suspenso
\u201cSão nulos de pleno direito os atos processuais, que, privativos de Advoga-
do, venham a ser praticados por quem não dispõe de capacidade postulatór-
ia, assim considerado aquele cuja inscrição na OAB se acha suspensa (Lei nº 
8.906/94, art. 4º, parágrafo único).\u201d (STF. Tribunal Pleno. MS 28857 QO. Rel. Min. 
Celso de Mello. J. 14/09/2011)
Artigo 36Kleber Cazzaro
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Alvará de levantamento
\u201cO advogado legalmente constituído, com poderes para receber e dar quitação, 
conferidos expressamente em procuração por instrumento particular, não pode 
ser impedido de levantar créditos judiciais do seu cliente\u201d. (STJ. 2T. RMS 9.149/
DF. Rel. Min. Francisco Peçanha Martins. J. 04/05/1999)
Procuração. reconhecimento de firma
\u201cNão acarreta a nulidade dos atos processuais a falta de reconhecimento de 
firma na procuração outorgada ao advogado, se a sucessão dos atos pratica-
dos ao longo do processo confirmam a existência do mandato\u201d. (STJ. 4T. REsp 
100.888/BA. Rel. Min. Aldir Passarinho Junior. J. 14/12/2000)
Advogado suspenso
\u201cA prática de atos por advogado suspenso é considerado nulidade relativa, 
passível de convalidação. À luz do sistema de invalidação dos atos processuais, 
a decretação