Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
2021 pág.

Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.630 materiais803.041 seguidores
Pré-visualização50 páginas
LIV).
IV. No curso do processo: 
Artigo 40Kleber Cazzaro
Art. 41. Só é permitida, no curso do processo, a substituição 
voluntária das partes nos casos expressos em lei.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
129
A proibição da sucessão aplica-se a qualquer tipo de processo (conhecimento, 
execução e cautelar) e está vedada a partir da citação válida (CPC, art. 219), que 
torna litigiosa a coisa, até o trânsito em julgado.
V. Casos expressos em lei em que a sucessão é permitida: A sucessão é a 
exceção apenas sendo admitida nos casos expressos em lei, o que se impõe no 
caso de morte, quando a parte continuará no processo por seu espólio, herdei-
ros ou sucessores e no caso de nomeação à autoria quando o nomeado sucede 
ao nomeante.
JULGADOS 
Estabilidade da relação processual
1. \u201cOs arts. 41 e 42 do CPC, que dizem respeito ao processo de conhecimen-
to, impuseram como regra a estabilidade da relação processual\u201d. (STJ, REsp 
687761, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, Julg. 06/12/2005).
2. \u201cPROCESSO CIVIL \u2013 CESSÃO DE DIREITOS \u2013 SUBSTITUIÇÃO VOLUNTÁRIA 
DA PARTE AUTORA \u2013 HIPÓTESE QUE NÃO ENSEJA EXTINÇÃO DO PROCESSO 
\u2013 ARTIGO 41 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Na cessão de direitos é claro 
que os direitos do substituído se transferem ao substituto, que pode legitima-
mente agir em juízo. Contudo, tal hipótese se insere no artigo 41 do Código de 
Processo Civil, não ensejando, por isso, a extinção do processo, mormente em 
se considerando que, quando da cessão, a demanda já estava julgada, no agu-
ardo do conhecimento recursal. Extinção que se afasta\u201d. 
(TJ/PR, Apelação Cível 0031776-2, Terceira Câmara Cível, Rel. Des. Sérgio Rod-
rigues, Julg. 30/11/1999). 
Artigo 41Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 42 \u2013 A alienação da coisa ou do direito litigioso, a título par-
ticular, por ato entre vivos, não altera a legitimidade das partes.
§ 1º O adquirente ou o cessionário não poderá ingressar em juí-
zo, substituindo o alienante, ou o cedente, sem que o consinta 
a parte contrária.
§ 2º O adquirente ou o cessionário poderá, no entanto, intervir 
no processo, assistindo o alienante ou o cedente.
§ 3º A sentença, proferida entre as partes originárias, estende 
os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
130
I. Litigiosidade da coisa: 
A litigiosidade da coisa ou do direito inicia com a propositura da demanda para 
o autor (CPC, art. 263) e com a citação válida para o réu (CPC, art. 219). A coi-
sa litigiosa ou o direito litigioso representam, no processo, o bem da vida sobre 
o qual contendem demandante e demandado. No campo do direito material 
inexiste qualquer vedação para a alienação da coisa litigiosa, entretanto, tal ali-
enação, por si só, não permite a alteração da relação jurídica processual. Em ou-
tras palavras, embora válida a alienação de coisa litigiosa, em regra, o processo 
deve prosseguir entre as mesmas partes originárias, sendo desnecessária a 
citação de quem vier a adquirir a coisa ou o direito litigioso, em decorrência 
dos efeitos da sentença e da coisa julgada preconizados no § 3º do artigo em 
comento.
II. Possibilidade de sucessão da parte originária:
 
O CPC, art. 42, § 1º sujeita a sucessão do alienante ou cedente pelo adquirente 
ou cessionário à anuência da parte contrária, sendo desnecessário o consenti-
mento do alienante ou cedente e não cabendo ao juiz apreciar a razoabilidade 
das alegações da parte contrária que não concorda com a sucessão. Em sen-
do aceita a sucessão, o alienante sai definitivamente do processo, tornando-se 
parte, na relação processual, o sucessor. No caso de falecimento do alienante 
ou cedente, entretanto, a sucessão pelo sub-rogado ou cessionário ocorre inde-
pendentemente do consentimento da parte contrária. Do mesmo modo, em caso 
de processo de execução, o CPC, art.567,II estabelece a garantia ao cessionário 
de promover a demanda executiva ou nela prosseguir, independentemente do 
consentimento da parte contrária, ainda que o direito resultante do título execu-
tivo lhe tenha sido transferido por ato entre vivos. 
III. Falta de consentimento da parte contrária para a sucessão da parte ori-
ginária:
 
Se a parte contrária não concordar com a pretensão de sucessão, o terceiro 
poderá intervir no processo na qualidade de assistente litisconsorcial (CPC, art. 
54) uma vez que o adquirente é o próprio titular do direito objeto do processo. 
Evidentemente a lei não impede o ingresso do adquirente ou cessionário, mas 
exclusivamente o ingresso sucedendo o alienante ou cedente. Ademais, o ali-
enante ou cedente permanecerá no processo defendendo não mais direito seu 
e sim do adquirente, na qualidade evidente de seu substituto processual, con-
forme autoriza o CPC, art. 6º. 
 
IV. Efeitos da sentença e coisa julgada: 
Caso não tenha sido aceita a sucessão, os efeitos da sentença proferida entre 
as partes originárias atingirão o adquirente, vinculando-o a coisa julgada. Se a 
parte contrária concordou com a sucessão processual, o alienante não é alcan-
çado pelos efeitos da sentença que somente se produzirão contra o adquirente-
sucessor.
Artigo 42Maria de Lourdes Viégas Georg
131
JULGADOS 
Falta de consentimento da parte contrária
\u201cNão cabe ao julgador apreciar a razoabilidade dos argumentos da parte con-
trária, que não concorda com o pleito de substituição\u201d, devendo, por isso, pre-
valecer a referida discordância. 
(STF, RE 270.794-AgRg, Primeira Turma, Rel. Min. Ellen Gracie, Julg. 17/04/01, 
DJU 18/05/01).
Estabilidade da relação processual
\u201cA Lei Adjetiva Civil fixa, no preceito invocado (art. 42), a estabilidade subjetiva 
da relação processual, apenas admitindo-se a alteração das partes havendo a 
concordância da parte contrária à sucessão no processo. Não ocorrendo a an-
uência, permanece inalterada a relação processual subjetiva, prosseguindo-se 
a lide entre as partes originárias\u201d 
(STJ, REsp 276.794/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, 
Julg. 05/04/2005). 
\u201cAgravo Regimental. Recurso Especial. Alienação do direito litigioso. Sucessão 
processual. 1. Segundo o princípio da estabilidade de instância, adotado pelo 
CPC, a alienação do direito litigioso não altera a legitimidade processual das 
partes. 2. A substituição voluntária das partes pode ocorrer apenas nas hipóte-
ses legais, sem prejuízo de que o supervenientemente legitimado como parte 
ingresse no feito pela via de assistência litisconsorcial. 3. Agravo desprovido\u201d. 
(STJ, REsp 1.097.813-AgRg, Terceira Turma, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseveri-
no, Julg. 28/06/2011, DJe 01/07/2011).
Cessão de direitos
\u201cO art. 42 do CPC restringe somente a cessão de direitos ocorrida no curso do 
processo. Tal restrição não alcança aquelas cessões efetivadas antes de instau-
rada a relação processual. Estas últimas são plenamente eficazes (CPC, art. 567, 
II)\u201d.
 (STJ, REsp 331.369 \u2013 Edcl, Primeira Turma, Rel. Min. Garcia Vieira, Julg. 11/12/01, 
maioria, DJU 04/03/02).
\u201cPROCESSO CIVIL. SUBSTITUIÇÃO DA PARTE AUTORA. CESSÃO DE DIREI-
TO POR DECORRÊNCIA DA PRIVATIZAÇÃO DO BANESTADO. SUBSTITUIÇÃO 
PRETENDIDA PELO ESTADO DO PARANÁ. OCORRÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO 
À CESSÃO. PRETENSÃO FORMULADA SEM OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 42, § 
1º DO CPC. EXISTÊNCIA DE OUTRA EMPRESA QUE TAMBÉM SE DIZ CESSI-
ONÁRIA. A substituição da parte autora, por eventual cessão do direito objeto 
da lide, exige a manifestação da parte contrária, cuja providência não foi ob-
servada. Além disso, existe incerteza quanto à alegada cessão do crédito, pois, 
como demonstrado, empresa de securitização de crédito, também se diz ces-
sionária do mesmo crédito discutido na lide. RECURSO DE AGRAVO CONHE-
Artigo 42Maria de Lourdes Viégas Georg
132
CIDO E DESPROVIDO. RESSALTANDO-SE AOS EVENTUAIS CESSIONÁRIOS O 
INGRESSO NA LIDE, COMO ASSISTENTES LITISCONSORCIAIS.\u201d 
(TJ-PR, AI