Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


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advogado que não pretende mais representar o outorgante em juízo. A fim de 
se evitarem prejuízos ao mandante, o advogado renunciante tem o dever de 
cientificá-lo da renúncia, oportunizando-lhe a constituição de outro advogado. 
A ciência ao mandante não exige forma especial, podendo ser realizada da ma-
neira mais simples e ampla, desde que reste incontroversa a sua cientificação.
II. Responsabilidade do advogado no decênio posterior à renúncia: 
A partir da ciência inequívoca do mandante de que o advogado renunciou, inicia-
se o prazo de 10 (dez) dias para a continuidade da representação, desde que 
seja necessária a prática de ato no processo, em favor do mandante. Em outras 
Art. 45. O advogado poderá, a qualquer tempo, renunciar ao 
mandato, provando que cientificou o mandante a fim de que 
este nomeie substituto. Durante os 10 (dez) dias seguintes, o 
advogado continuará a representar o mandante, desde que ne-
cessário para lhe evitar prejuízo.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
Artigo 44Maria de Lourdes Viégas Georg
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palavras, se nos 10 (dez) dias seguintes à ciência inequívoca da renúncia nen-
hum prazo surgir, o advogado fica desobrigado de representar à parte. Também 
fica desobrigado o advogado, mesmo no prazo de 10 (dez) dias seguintes à ci-
entificação do mandante sobre a renúncia, se a parte contratou outro advogado 
antes do término da dilação temporal. Ainda, decorrido o prazo de 10 (dez), se 
a parte, ciente da renúncia, não contratar outro advogado contra ela passam a 
correr os prazos, independentemente de intimação.
III. Inexistência de ato realizado, por advogado, após a renúncia e o decurso do 
prazo de 10 (dez) dias: 
Considera-se inexistente o ato realizado pelo advogado renunciante, após o de-
curso do prazo de 10 dias, por falta de procuração nos autos. 
Súmula nº 115 do STJ: \u201cNa instância especial é inexistente recurso interposto 
por advogado sem procuração nos autos\u201d.
JULGADOS 
Renúncia ao mandato
\u201cAGRAVO INTERNO. ADVOGADO. RENÚNCIA. SUBSCRIÇÃO POSTERIOR DE 
RECURSO. IRREGULARIDADE. Formalizada a renúncia ao mandato judicial, é 
inexistente o recurso subscrito pelo advogado renunciante, cuja protocolização 
ocorreu após o transcurso do prazo do artigo 45 do Código de Processo Civil. 
Aplicação da Súmula 115 do Superior Tribunal de Justiça. Agravo não conheci-
do\u201d. 
(STJ, AgRg no Ag 851.664/SP, Terceira Turma, Rel. Min. Castro Filho, Julg. 
09/08/2007, Pub. DJ 17/09/2007, p. 262). 
Prazo de dez dias
\u201cO prazo de dez dias, durante o qual continuará o advogado renunciante a re-
presentar o mandante, não começa a fluir antes que seja este notificado da 
renúncia\u201d. (RSTJ 93/193). 
Enquanto correm os dez dias para se consume a renúncia, o advogado renun-
ciante deve ser intimado de todos os atos do processo, sob pena de nulidade. 
(RJTJERGS 161/413).
\u201cEnquanto o mandante não for notificado e durante o prazo de dez dias após a 
sua notificação, incumbe ao advogado representá-lo em juízo, com todas as re-
sponsabilidades inerentes à profissão\u201d. (STJ, REsp 320.345, Quarta Turma, Rel. 
Min. Fernando Gonçalves, Julg. 05/08/2003, Pub. DJU 18/08/2003).
Se, findo o decêndio, a parte não constituiu novo advogado, em substituição, 
contra ela passam a correr os prazos, independentemente de intimação. 
(STF, AI 676.479, Segunda Turma, RT 877/132) 
Artigo 45Maria de Lourdes Viégas Georg
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I. Conceito de litisconsórcio 
O litisconsórcio é a cumulação subjetiva de ações. No litisconsórcio há a ampli-
ação subjetiva de um ou dos dois pólos da relação jurídico processual, estando 
as partes ligadas por uma afinidade de interesses. Principalmente no litisconsór-
cio facultativo, a cumulação subjetiva visa a economia processual, evitando a 
proliferação de processos originados de um só acontecimento jurídico. 
 
II. Classificação do litisconsórcio: 
Quanto ao momento de sua formação o litisconsórcio é inicial (desde o início da 
demanda) ou ulterior (ocorre incidentalmente à demanda); quanto à obrigatorie-
dade de sua formação é necessário (obrigatório, indispensável) ou facultativo (a 
formação depende da vontade das partes); quanto ao pólo da relação proces-
sual, o litisconsórcio será ativo (pluralidade de autores), passivo (pluralidade de 
réus) e misto (pluralidade de autores e réus ao mesmo tempo); quanto à exigên-
cia ou não de uniformidade da sentença, o litisconsórcio é simples (quando a 
sentença puder ser diferente para os litisconsortes) e unitário (quando a senten-
ça tiver que ser a mesma para todos os litisconsortes). 
Artigo 46Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 46. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo proces-
so, em conjunto, ativa ou passivamente, quando:
I \u2013 entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações 
relativamente à lide;
II \u2013 os direitos ou as obrigações derivarem do mesmo funda-
mento de fato ou de direito;
III \u2013 entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa 
de pedir;
IV \u2013 ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato 
ou de direito.
Parágrafo único. O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultati-
vo quanto ao número de litigantes, quando este comprometer 
a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa. O pedido de 
limitação interrompe o prazo para resposta, que recomeça da 
intimação da decisão.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
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III. Pressupostos para o litisconsórcio facultativo: 
O artigo em comento trata do litisconsórcio facultativo o que se depreende da 
expressão \u2018podem\u2019 contida no caput do artigo. Para que o litisconsórcio facul-
tativo seja formado, além da conveniência das partes, a pretensão dos litiscon-
sortes deve decorrer de um ponto comum de fato ou de direito (inciso II); haver 
conexão (inciso III); e, afinidade de questões (inciso IV). Aparentemente o inciso 
II e III tratam da mesma situação, ocorre que o conceito de conexão é mais 
amplo, bastando que existam pedidos ou causa de pedir comuns, sendo que o 
inciso II não contempla a possibilidade de litisconsórcio quando há a identidade 
de objeto, o que é contemplado pelo inciso III. No que diz respeito à afinidade de 
questões (inciso IV) significa que o fundamento da causa ocorre por um ponto 
comum de fato ou de direito. Os litisconsortes facultativos serão tratados como 
partes distintas, sendo que a sentença pode ser diferente para os litisconsortes.
IV. Procedimento: 
O litisconsórcio facultativo ativo deve ocorrer na petição inicial, no momento do 
ajuizamento da demanda. Proposta a ação, não é mais possível a formação do 
litisconsórcio ativo facultativo.
V. Natureza jurídica do ato judicial que extingue o processo em relação a um 
litisconsorte: Considerando que o litisconsórcio impõe a formação de um único 
processo, a decisão do juiz que determina a exclusão de um dos litisconsortes 
do processo se qualifica como decisão interlocutória, ensejando a interposição 
do recurso de agravo, no caso, pela modalidade de instrumento, pelo aspecto 
da lesividade (CPC, art. 522).
VI. Litisconsórcio multitudinário: 
O parágrafo único do artigo 46, que ora se comenta, é aplicado exclusivamente 
ao litisconsórcio facultativo. Nesse caso, se a pluralidade das partes torna difícil 
a resolução do conflito, é possível ao juiz desmembrar o processo. O desmem-
bramento pode ocorrer por requerimento do réu ou de ofício, por determinação 
do magistrado. Os litisconsortes excluídos formam nova relação jurídico proces-
sual onde continuam postulando o direito material de que se acham titulares. 
JULGADOS 
Limitação do litisconsórcio facultativo
1.\u201cTRIBUTÁRIO. AGRAVO LEGAL. PROCESSO ELETRÔNICO. LITISCONSÓRCIO 
FACULTATIVO. ART 46 CPC. 1 \u2013De acordo com o art. 46, parágrafo único, do 
CPC, \u2018o juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de liti-
gantes quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a de-
fesa