Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.573 materiais802.254 seguidores
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julgamento, será processo autônomo, distribuído por dependência que tramitará 
pelo procedimento comum ordinário, podendo ser julgada depois da ação prin-
cipal. A oposição somente poderá ser oferecida até ser proferida a sentença. 
Após será processo autônomo e não ação de oposição.
II \u2013 Julgamento conjunto: 
Caso a hipótese concreta indique que a oposição deva ser julgada em conjunto 
com a ação originária o juiz tem a faculdade de determinar o seu sobrestamen-
to, por prazo não superior a noventa dias a fim de que o julgamento simultâneo 
seja possível. Esse ato judicial (de determinar o sobrestamento do feito) possui 
natureza jurídica de decisão interlocutória, dando ensejo ao recurso de agravo. 
III \u2013 Extinção da ação principal: A extinção da ação principal é irrelevante para 
a oposição.
Artigo 59Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 60. Oferecida depois de iniciada a audiência, seguirá a opo-
sição o procedimento ordinário, sendo julgada sem prejuízo da 
causa principal. Poderá o juiz, todavia, sobrestar o andamento 
do processo, por prazo nunca superior a 90 (noventa) dias, a 
fim de julgá-la conjuntamente com a oposição.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 61. Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação e a 
oposição, desta conhecerá em primeiro lugar.
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I \u2013 Oposição e prejudicialidade: 
A oposição é questão prejudicial ao julgamento da ação principal porquanto 
seu julgamento pode influenciar no conteúdo da decisão sobre a demanda ori-
ginária. Contudo, a inversão no julgamento, primeiro a ação principal e depois a 
oposição, não acarreta obrigatoriamente a nulidade do julgamento, desde que a 
decisão atinja a sua finalidade, de acordo com o princípio da instrumentalidade 
das formas (CPC, art. 154 e 244).
JULGADOS 
Julgamento simultâneo da oposição
1.\u201dPROCESSUAL CIVIL. OPOSIÇÃO. JULGAMENTO SIMULTÂNEO COM A CAU-
SA PRINCIPAL. INVERSÃO DA ORDEM DE CONHECIMENTO DOS PEDIDOS. 
ART. 61, DO CPC. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA 
INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS.1.Não obstante tenha sido a causa princi-
pal decidida antes da oposição, em afronta a letra do art. 61 do CPC, a sentença 
deu a cada parte o que lhe era de direito. Apesar de não obedecida a forma, 
criada, aliás, por uma questão de lógica, o fim visado pelo dispositivo foi atin-
gido. Aplicação do princípio da instrumentalidade das formas. 2. Recurso não 
conhecido\u201d. 
(STJ, REsp 420216/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Fernando Gonçalves, Julg. 
01/10/2002).
I \u2013 Nomeação à autoria: 
A nomeação à autoria é uma modalidade de intervenção de terceiros provocada 
pelo réu. Na nomeação à autoria, o objetivo visado é substituir o réu pelo tercei-
ro, com o objetivo de afastar da relação processual um réu que seja parte ilegí-
tima ad causam, nela fazendo ingressar um réu legitimado para a causa. O réu 
que se considera parte ilegítima nomeia o terceiro, para que o venha substituir 
no polo passivo da relação processual. A nomeação visa a corrigir a legitimida-
Artigo 61Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 62. Aquele que detiver a coisa em nome alheio, sendo-lhe 
demandada em nome próprio, deverá nomear à autoria o pro-
prietário ou possuidor.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
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de passiva. Normalmente o réu vendo-se parte ilegítima arguirá tal ilegitimidade 
como preliminar de contestação e o juiz acolhendo tal preliminar extinguirá o 
processo sem julgamento do mérito, por carência de ação. O autor, se quiser, 
promoverá, então nova demanda. Em determinados casos, no entanto, o réu 
é obrigado a provocar, desde logo, sua substituição, exemplo clássico de no-
meação à autoria é aquele em que o réu, demandado em nome próprio, afirma 
ser simples detentor da coisa objeto do litígio (Ex.: Empregado encarregado da 
guarda de uma gleba rural foi citado em ação de reintegração de posse, como 
se fosse dono, deverá nomear a autoria o proprietário). 
II \u2013 Hipóteses de nomeação à autoria: 
São duas as hipóteses de nomeação à autoria: a) quando o réu for simples de-
tentor da coisa (considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de 
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumpri-
mento de ordens ou instruções suas (CC, art. 1198)); b) quando acionado em 
nome próprio o réu tenha praticado o ato que originou a demanda por ordem ou 
em cumprimento de instruções de terceiro (CPC, art. 63).
JULGADOS 
Nomeação à autoria
1.\u201dA nomeação à autoria é um caso de intervenção provocada pelo réu, através 
da qual este pretende seja acertada a legitimidade do polo passivo da demanda, 
e sendo cabível somente nos casos de detenção, afora a excepcionalidade da 
situação prevista no art. 63, do CPC. Portanto, na espécie, em havendo situação 
de depósito, ou seja, posse; não há que se falar em deferimento da nomeação à 
autoria, em razão de não ser adequada a extromissão. Agravo provido. 
(TJ/RS, Agravo de Instrumento 70006917223, Décima-terceira Câmara Cível, Rel. 
Des. Roberto Carvalho Fraga, Julg. 27/04/2004). 
I \u2013 Responsabilidade civil do nomeante e do nomeado: 
Artigo 62Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 63. Aplica-se também o disposto no artigo antecedente à 
ação de indenização, intentada pelo proprietário ou pelo titular 
de um direito sobre a coisa, toda vez que o responsável pelos 
prejuízos alegar que praticou o ato por ordem, ou em cumpri-
mento de instruções de terceiro.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
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No caso do artigo comentado, o autor é parte legítima e o réu também uma vez 
que foi ele quem causou o prejuízo. Contudo, o requerido alega ter causado 
o prejuízo ao dar cumprimento a ordens emanadas de um terceiro que deverá 
substituí-lo no polo passivo da demanda. Em verdade a ação de indenização 
poderia ser ajuizada contra o mandante do agente frente a sua responsabilidade 
objetiva em relação ao seu preposto. O ajuizamento apenas em face o preposto 
se dá por desconhecimento do autor de que o réu agiu em obediência à ordem 
de outrem. Se há relação de emprego ou comissão, há responsabilidade de am-
bos (CC, arts. 932, inciso III e 1178), sendo ambos legítimos para a causa, não 
havendo que se pensar, portanto, em nomeação à autoria. 
I \u2013 Procedimento: 
 
A nomeação deverá ser feita pelo réu, no prazo da resposta, sob pena de pre-
clusão, em petição separada, devendo o nomeante fundamentar o pedido e 
comprovar a legitimidade, pelo menos em tese, do nomeado. O juiz pode inde-
ferir de ofício o pedido da nomeação. Haverá interrupção do prazo para defesa 
(CPC, art. 67). Deferido o pedido, o juiz, suspendendo o andamento do proces-
so, mandará ouvir o autor no prazo de cinco dias. A suspensão do processo 
perdura até a manifestação do autor sobre a nomeação. Se o autor não aceitar 
a nomeação, a nomeação fica sem efeito. 
JULGADOS 
Nomeação à autoria
1.\u201d A nomeação à autoria é faculdade exclusiva do réu, cabendo ao autor aceitá-
la ou não.\u201d (TAC/MG, Agravo de Instrumento 387.738-7, Sétima Câmara Cível, 
Rel. Des. Guilherme Luciano Baeta Nunes, Julg. 05/12/2000).
2.\u201d Recusada a nomeação à autoria pelo autor, descabe ressuscitá-la poste-
riormente, em audiência de conciliação, especialmente quando se restituiu ao 
réu o prazo para defesa.\u201d 
(TJ/MG, Apelação Cível 2.0000.00.484243-3/000, Décima Câmara Cível, Rel. 
Des. Roberto Vilas Boas, Julg. 11/10/2005).
Suspensão do feito
Artigo 63Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 64. Em ambos os casos, o réu requererá a nomeação no 
prazo para a defesa; o juiz, ao deferir o pedido, suspenderá o 
processo e mandará ouvir o autor no prazo de 5 (cinco) dias.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
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3. \u201c Conforme estabelece o art. 64 do CPC, a nomeação à autoria provoca a 
suspensão do processo e, caso seja recusada pela parte autora, ensejará a re-
abertura do prazo de defesa ao nomeante conforme