Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.850 materiais807.437 seguidores
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a intimação do procurador do réu para que se 
Artigo 71Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 72. Ordenada a citação, ficará suspenso o processo.
§ 1º A citação do alienante, do proprietário, do possuidor indire-
to ou do responsável pela indenização far-se-á:
a) quando residir na mesma comarca, dentro de 10 (dez) dias;
b) quando residir em outra comarca, ou em lugar incerto, dentro 
de 30 (trinta) dias.
§ 2º Não se procedendo a citação no prazo marcado, a ação 
prosseguirá unicamente em relação ao denunciante.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
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faça o recolhimento das custas da denunciação da lide, seja porque o impulso 
da ação secundária é de responsabilidade do denunciante, o qual ainda possui 
a possibilidade de tutela do direito de regresso por via da ação autônoma, seja 
pela aplicação do princípio da economia processual. 4.... 5. Recurso especial 
conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (STJ, REsp 1069885/PR, Tercei-
ra Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 13/09/2011, DJe 20/09/2011). 
\u201cO denunciante tem o ônus de providenciar a citação do denunciado\u201d (JTACívSP 
59/310).
\u201cApelação Cível \u2013 Ação de Indenização c/c lucros cessantes \u2013 Apreensão de veí-
culo \u2013 Denunciação da lide \u2013 Aplicação do disposto no artigo 72, § 2º, do Código 
de Processo Civil \u2013 Impossibilidade \u2013 Ausência de intimação da litisdenunciante 
\u2013 Conclusão dos autos para sentença no prazo para recurso \u2013 Falha da escriva-
nia \u2013 Sentença anulada. 1. Somente é aplicável o disposto no artigo 72, § 2º do 
Código de Processo Civil quando a demora na citação do denunciado decorrer 
de culpa ou dolo do denunciante, sendo que este não pode ser prejudicado por 
falha atribuível à Escrivania, tanto quanto na intimação da litisdenunciante. 2....\u201d 
((TJ/PR, Apelação Cível 711838-5, Nona Câmara Cível, Rel. Des. Rosana Amara 
Girardi Fachin, Julg. 24/02/2011). 
\u201cQuando a citação não se realizou no prazo do CPC 72, por falha do serviço, 
não imputável ao denunciante, este não pode ser prejudicado. \u201c (JTARS 43/215).
I. Denunciação sucessiva 
Trata o artigo em comento de denunciação sucessiva que deve ser deduzida no 
prazo da resposta. Ao entender-se as denunciações sucessivas como o direito 
em ação de regresso do denunciante, os litisdenunciados deveriam ser citados. 
Ao interpretar-se literalmente o texto do artigo, a denunciação funcionaria como 
uma simples comunicação de existência de uma lide ao terceiro sem que isso 
importasse na propositura da ação de regresso. Pela função da intervenção de 
terceiros não teria sentido a simples comunicação sem a possibilidade de ação 
de regresso, de onde concluir-se que se está frente a uma verdadeira citação.
II. Número de denunciações.
Art. 73. Para os fins do disposto no art. 70, o denunciado, por 
sua vez, intimará do litígio o alienante, o proprietário, o possui-
dor indireto ou o responsável pela indenização e, assim, suces-
sivamente, observando-se, quanto aos prazos, o disposto no 
artigo antecedente.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
Artigo 72Maria de Lourdes Viégas Georg
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Inexiste limitação quantitativa de denunciação da lide. Existentes os pressupos-
tos legais, é possível a propositura de várias denunciações. 
I. Denunciação pelo autor e atitudes do litisdenunciado no processo
A denunciação pelo autor deverá ser feita na petição inicial. Citado o denunci-
ado, esse poderá não vir ao processo com o que será decretada a sua revelia; 
poderá comparecer e contestar a qualidade de garante que lhe é atribuída, pas-
sando a litigar contra o denunciante e poderá comparecer e aceitar a denunci-
ação ocupando a partir de então a posição de litisconsorte do denunciante, po-
dendo inclusive aditar a inicial, uma vez que o réu ainda não foi citado. Evidente, 
neste último caso, o interesse jurídico do denunciado em que o denunciante 
vença a demanda, para que se desobrigue de indenizá-lo em regresso.
II. Aplicação do artigo 191do CPC 
Desde que denunciante e denunciado tenham procuradores diferentes os pra-
zos no processo contar-se-ão em dobro para eles. 
III. Responsabilidade do litisdenunciado pela sucumbência
Uma vez ingressando no processo como denunciado do autor e agindo ao seu 
lado (como assistente), se a demanda for julgada improcedente o denunciado 
também deve ser condenado ao pagamento de custas, despesas processuais e 
honorários advocatícios, proporcionalmente à sua atuação no processo.
Artigo 73Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 74. Feita a denunciação pelo autor, o denunciado, compa-
recendo, assumirá a posição de litisconsorte do denunciante 
e poderá aditar a petição inicial, procedendo-se em seguida à 
citação do réu.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
Art. 75 \u2013 Feita a denunciação pelo réu:
I \u2013 se o denunciado a aceitar e contestar o pedido, o processo 
prosseguirá entre o autor, de um lado, e de outro, como litiscon-
sortes, o denunciante e o denunciado;
II \u2013 se o denunciado for revel, ou comparecer apenas para ne-
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I. Denunciação pelo réu e atitudes do litisdenunciado no processo
Realizada a citação do denunciado e aceita pelo mesmo a qualidade de ga-
rante que lhe é atribuída e contestado o pedido, o processo prosseguirá tendo 
denunciante e denunciado como litisconsortes. Deixando de contestar a ação 
secundária, o denunciado se torna revel, aplicando-se-lhe os efeitos da revelia 
se se tratarem de direitos disponíveis e desde que não seja o caso previsto no 
CPC, art. 320, I. Caso o denunciado confesse, esta não prejudica o réu primitivo, 
provando a autonomia entre o réu primitivo e o terceiro, e entre a ação principal 
e a secundária.
II . Aplicação do artigo 191do CPC
Desde que denunciante e denunciado tenham procuradores diferentes os pra-
zos no processo contar-se-ão em dobro para eles. 
JULGADOS 
Aceitação pelo denunciado
\u201cPROCESSO CIVIL. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. ACEITAÇÃO PELO DENUNCIA-
DO, COM CONTESTAÇÃO DO PEDIDO DO AUTOR. CONFLITO DE INTERESSES 
FRENTE AO DENUNCIANTE. INEXISTÊNCIA. NOMEAÇÃO DE UM MESMO AD-
VOGADO. ADMISSÃO. 1. Uma vez aceita a denunciação da lide e contestado 
o pedido do autor, o denunciado integra o pólo passivo na qualidade de litis-
consorte do réu, podendo, até mesmo, ser condenado direta e solidariamente. 
Precedentes. 2. Caracterizado o litisconsórcio passivo, não há que se falar em 
conflito de interesses entre os réus, não obstante fossem, outrora, denunciante 
e denunciado. A partir do momento em que o denunciado aceita a denunci-
ação da lide e se limita a impugnar o pedido do autor, demonstra ter admitido a 
existência da relação jurídica que o obriga regressivamente frente ao denunci-
ante, optando apenas por, junto com o denunciante, resistir à pretensão contida 
na petição inicial. 3. Numa situação como esta, em que há convergência \u2013 e não 
conflito \u2013 de interesses, nada impede que as partes, que inclusive compõem o 
mesmo pólo da ação, sejam representadas pelo mesmo advogado, sem que 
gar a qualidade que lhe foi atribuída, cumprirá ao denunciante 
prosseguir na defesa até final;
III \u2013 se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor, 
poderá o denunciante prosseguir na defesa.
AUTOR
Maria de Lourdes Viégas Georg
Artigo 75Maria de Lourdes Viégas Georg
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isso implique restrição do direito de ambas à ampla defesa e ao devido proces-
so legal, tampouco qualquer manipulação do resultado final da ação. 4. Recurso 
especial provido. (STJ, REsp 343.619, MG, Rel. Min. Raul Araújo, DJe 08/10/2012)
\u201cDENUNCIAÇÃO DA LIDE. PRAZO EM DOBRO.ACEITA A DENUNCIAÇÃO, 
OPONDO-SE O DENUNCIADO AO QUE FOI PLEITEADO NA DEMANDA PRINCI-
PAL E TENDO PROCURADOR DISTINTO DO QUE DEFENDE O DENUNCIANTE, 
INCIDE O DISPOSTO NO ART. 191 DO CPC\u201d. (STJ, REsp 123.562-BA, 3ª Turma, 
Rel. Min. Eduardo Ribeiro, DJU 15/09/1997) 
I. Dupla decisão
A sentença que decidir a causa principal decidirá simultaneamente a causa re-