Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.757 materiais805.032 seguidores
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homogêneo carecer de relevância 
social, consequentemente, o Ministério Público não terá legitimidade ativa para 
invocar a tutela jurisdicional: \u201c... 3. O Ministério Público não tem legitimidade ati-
va para propor ação civil pública na qual busca suposta defesa de um pequeno 
grupo de pessoas \u2013 no caso, de associados de um clube, numa óptica predomi-
nantemente individual. 4. A proteção a um grupo isolado de pessoas, ainda que 
consumidores, não se confunde com a defesa coletiva de seus interesses. Esta, 
ao contrário da primeira, é sempre impessoal e tem como objetivo beneficiar a 
sociedade em sentido amplo. Desse modo, não se aplica à hipótese o disposto 
nos artigos 81, 82, II, do CDC. 5. No caso, descabe cogitar, até mesmo, de inte-
resses individuais homogêneos, isso porque a pleiteada declaração de nulidade 
beneficiaria esse pequeno grupo de associados de maneira igual. Além disso, 
para a proteção dos interesses individuais homogêneos, seria imprescindível a 
relevância social, o que não está configurada na espécie. ...\u201d (STJ. 4ª T. Relator 
Ministro Luis Felipe Salomão. REsp. nº 1109335/SE. Dje. 01/08/2011).
Artigo 81Renato Rodrigues Filho
Art. 82. Compete ao Ministério Público intervir:
I \u2013 nas causas em que há interesses de incapazes;
II \u2013 nas causas concernentes ao estado da pessoa, pátrio poder, 
tutela, curatela, interdição, casamento, declaração de ausência 
e disposições de última vontade;
III \u2013 nas ações que envolvam litígios coletivos pela posse da 
terra rural e nas demais causas em que há interesse público 
evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte.
AUTOR
Renato Rodrigues Filho
176 Artigo 82Renato Rodrigues Filho
I. Considerações Gerais: 
O artigo em comento versa sobre a participação do Ministério Público no pro-
cesso na qualidade de fiscal da lei. Nessa qualidade, o Ministério Público terá 
como função aferir a correta incidência e aplicação da ordem jurídica vigente. 
Os incisos que sustentam a participação do parquet nessa qualidade se calcam 
na constatação de que o processo veicula interesses públicos, qualificados pela 
natureza da lide ou em razão da qualidade da parte. E assim o legislador foi 
taxativo nas hipóteses dos incisos I e II, e primeira parte do inciso III. A partici-
pação do Ministério Público portanto é obrigatória nos casos descritos nestes 
incisos, devendo ser aferida casuisticamente a pertinência de intervenção em 
razão de alegada existência de interesse público qualificado pela qualidade das 
partes ou natureza jurídica da lide.
II. Interesse Fazendário: 
A presença da Fazenda Pública em juízo não justifica em todas as hipóteses a 
interveniência do Ministério Público na qualidade de fiscal da lei (STJ Súmula 
189: É desnecessária a intervenção do Ministério Público nas execuções fiscais). 
É que se distingue o interesse público primário, a justificar a participação do 
Ministério Público, do interesse público secundário. O primário é aferido diante 
da existência interesse público voltado ao bem comum, enquanto o secundário 
prende-se ao próprio interesse da pessoa jurídica de direito público. Neste sen-
tido, o Superior Tribunal de Justiça não acolheu alegada nulidade pela falta 
de intervenção do Ministério Público em ação indenizatória que encontrava a 
Companhia Nacional de Abastecimento como autora: \u201cInexistência de interesse 
público primário que exige a intervenção do Ministério Público como custos le-
gis na ação indenizatória, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade no 
caso in fine\u201d. (STJ. 2ªTurma. Resp 1147521/GO. Relator: Ministro Mauro Campbell 
Marques. Julgado em 20/10/2011. DJe: 27/10/2011).
III. Ministério Público como fiscal da lei em face de outras legislações: 
Além das hipóteses previstas nos incisos deste artigo, existem leis ordinárias 
que determinam a interveniência do parquet como custos legis, dentre elas: 
art. 18º, §2º, da Lei Complementar 76/93, que versa sobre a desapropriação de 
imóvel rural para fins de reforma agrária; art. 6º, § 4º, da Lei 4.717/65, que impõe 
a participação do parquet da ação popular; ou ainda, em conformidade com o 
art. 5º, §1º da Lei 7.347/85, que prevê sua participação na ação civil pública.
Art. 83. Intervindo como fiscal da lei, o Ministério Público:
I \u2013 terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de 
todos os atos do processo;
II \u2013 poderá juntar documentos e certidões, produzir prova em 
177 Artigo 83Renato Rodrigues Filho
I. Poderes do Ministério Público na qualidade de Fiscal da Lei:
Ao atuar como fiscal da lei, o Ministério Público desempenhará inúmeros atos 
jurídicos visando a correta interpretação e aplicação do ordenamento jurídico 
ao caso concreto, sempre com vistas a proteção dos interesses primários que 
justificam sua intervenção no feito. Mesmo não sendo parte, sua participação 
no processo é franqueada, de modo que haverá de ser intimado de todos os 
atos do processo para exercer seu mister. Terá vistas dos autos após as partes 
e poderá exercer atividades probatórias para o descortinamento dos fatos con-
trovertidos. Não significa, porém, que assumirá qualquer ônus de prova, por-
quanto destinados às partes. Na qualidade de fiscal da lei, o Ministério Público 
não veicula pretensão e nem a ela resiste, o que obsta atribuir-lhe ônus de pro-
va. Poderá ainda, na qualidade de fiscal da lei, recorrer das decisões judiciais, 
seja em face de erro de julgamento, seja motivado em erro de procedimento. E 
poderá exercer seu poder recursal mesmo ausente recurso da parte, como se 
vê da Súmula 99 do Superior Tribunal de Justiça. Sua pretensão recursal não se 
confunde com a pretensão do autor ou com a defesa do réu propriamente ditas, 
pois se funda em sua interveniência para a correta interpretação e aplicação da 
lei, a zelar pela justiça do processo e a obtenção de segurança jurídica.
I. Ver artigo 246 do Código de Processo Civil.
II. Intervenção obrigatória do Ministério Público e nulidade do processo: 
O Código de Processo Civil estabelece, em seus artigos 84 e 246, a nulidade do 
processo quando o Ministério Público não for intimado em processo no qual sua 
intervenção é obrigatória. A nulidade será decretada a partir do momento em 
Art. 84. Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do 
Ministério Público, a parte promover-lhe-á a intimação sob pena 
de nulidade do processo.
audiência e requerer medidas ou diligências necessárias ao 
descobrimento da verdade.
AUTOR
Renato Rodrigues Filho
AUTOR
Renato Rodrigues Filho
178 Artigo 84Renato Rodrigues Filho
que a intervenção se fazia necessária, o que pode ocorrer durante o processo. 
Para se reconhecer a nulidade no processo, há que se verificar se o Ministério 
Público foi ou não intimado. Nos casos em que ocorre sua intimação, mas não 
a sua manifestação nos autos, inexiste nulidade. Ademais, em conformidade 
com o sistema de invalidades do Código de Processo Civil, inexistirá nulida-
de processual caso a ausência de intervenção do Ministério Público não tenha 
causado prejuízo. Trata-se da máxima de que não há nulidade sem prejuízo: \u201c...A 
ausência de intimação do Ministério Público, por si só, não enseja a decretação 
de nulidade do julgado, a não ser que se demonstre o efetivo prejuízo às partes 
ou para a apuração da verdade substancial da controvérsia jurídica, à luz do 
princípio pas de nullités sans grief. ...\u201d. (STJ. 2ª Turma. Resp 1249050/RN. Rela-
tor: Ministro Humberto Martins. Julgado em 21/06/2011. DJe: 29/06/2011).
I. Responsabilidade civil: 
A responsabilidade versada no artigo não se funda em culpa, que pode dar ense-
jo a sanção administrativa, de natureza disciplinar. Neste artigo, há responsabi-
lização daquele que representa o Ministério Público diante da comprovação de 
dolo ou fraude no exercício de suas funções. A responsabilização não se dirige 
à instituição, mas ao representante do Ministério