Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná
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Código de Processo Civil Anotado - OAB Paraná


DisciplinaDireito Processual Civil I45.895 materiais808.667 seguidores
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imóveis figura como mandatária do proprietário do bem 
para, em nome deste, realizar e administrar a locação, nos termos do art. 653, 
do Código Civil, obrigando-se a indenizar o mandante por quaisquer prejuízos 
advindos de sua conduta culposa (art. 667 do mesmo diploma legal). Por outro 
lado, não cabe à imobiliária que agiu diligentemente a responsabilidade pelo pa-
gamento de aluguéis, cotas condominiais ou tributos inadimplidos pelo locatário 
- ressalvadas as hipóteses de previsão contratual nesse sentido -, porquanto 
ausente sua culpa, elemento imprescindível em sede de responsabilidade ci-
vil subjetiva. Ao revés, configura-se a responsabilidade da administradora de 
imóveis pelos prejuízos sofridos pelo locador quando ela não cumpre com os 
deveres oriundos da relação contratual. (STJ. 4T. REsp 1103658/RN. Rel. Min. 
Luis Felipe Salomão. J. 04/04/2013.)
Responsabilidade civil. ilegitimidade ativa. pessoa física pleiteando direito 
Artigo 6ºKleber Cazzaro
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da empresa da qual é sócia
Vedação do artigo 6º do CPC. Extinção do feito sem resolução do mérito. (TJPR. 
10 CC. AC 1005765-7. Rel.: Arquelau Araujo Ribas. J. 09.05.2013)
Ação monitória. pessoa jurídica que defende em nome próprio direito de 
pessoa física. impossibilidade
Artigo 6º do Código de Processo Civil. Ilegitimidade ativa. Extinção do processo 
sem resolução do mérito. Artigo 267, VI do Código de Processo Civil. Apelação 
Provida. (TJPR. 6 CC. AC 983495-3. Rel.: Ângela Khury. J. 07.05.2013)
Ação revisional de contrato
CONTRATO DE MÚTUO NÃO REALIZADO ENTRE AS PARTES INTEGRANTES 
DA DEMANDA. PRETENSÃO DE REVISÃO CONTRATUAL ARGUIDA POR TER-
CEIRO NÃO PARTICIPANTE DO CONTRATO. PROCURAÇÃO OUTORGADA AO 
AUTOR QUE NÃO O LEGITIMA A PLEITEAR EM NOME PRÓPRIO DIREITO AL-
HEIO. EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. \u201cO procurador de 
pessoa que firma contrato não é parte legítima para ajuizar ação revisional como 
parte, pois é apenas representante do outorgante e não seu substituto proces-
sual\u201d. (TJPR. 18 CC. AC 948801-9. Rel.: Renato Lopes de Paiva. J. 20.03.2013)
Execução de título extrajudicial. Suposta nulidade da penhora
ALEGAÇÃO DE QUE O IMÓVEL CONSTRITO PERTENCERIA A SUA EX-MULHER 
(DO DEVEDOR). DEFESA COM BASE EM DIREITO ALHEIO. EXEGESE DO ART. 
6º, CPC. Pretende o agravante defender a posse e propriedade de um imóvel 
que, conforme alega, pertenceria a sua ex-mulher em condomínio com a irmã. 
Todavia, conforme determina o art. 6º, CPC, ninguém \u201e... poderá pleitear, em 
nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei\u201c. Diante disso, a 
constrição realizada deverá permanecer hígida. (TJPR. 13 CC. AI 682144-1. Rel.: 
Gamaliel Seme Scaff. J. 23.02.2011)
Ação de cobrança. Seguro. 
ILEGITIMIDADE ATIVA CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA DE DI-
REITO ALHEIO EM NOME PRÓPRIO. Não obstante a parte autora seja procura-
dora dos beneficiários do seguro, não é possível que ela ingresse com a ação 
em nome próprio defendendo o suposto direito de seus mandantes, de modo 
que, nestas circunstâncias, faltar-lhe legitimidade nos termos do art. 6º do CPC. 
(TJPR. 8 CC. AC 821130-9. Rel.: Jurandyr Reis Junior. J. 29.09.2011)
Falência. 
\u201cA massa falida, enquanto universalidade de bens, despida de personalidade 
jurídica, detém capacidade processual, ou personalidade judiciária, com repre-
sentação pelo síndico (art. 12, III/CPC), para postular em juízo no interesse dos 
credores. O Síndico é o representante legal da massa falida, não podendo de-
duzir em nome próprio direito da representada por faltar-lhe legitimidade pro-
cessual (art. 6º/CPC), cabendo-lhe contratar advogado para atuar em juízo em 
nome e no interesse da massa (art. 63, XVI, da LF, antiga). (TJPR. 17 CC. AI 
656586-6. Rel.: Francisco Carlos Jorge. J. 15.12.2010)
Artigo 6ºKleber Cazzaro
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I. Capacidade de ser parte 
Está relacionada com a disposição para ser sujeito de direitos e obrigações; à ti-
tularidade da pretensão a tutela jurídica. Tem esta capacidade todas as pessoas 
naturais e jurídicas. O espólio, a massa falida e a herança jacente são outros 
exemplos. É pressuposto pré-processual. 
II. Capacidade postulatória
É a aptidão que se tem para procurar em juízo. Figuras específicas que tem ca-
pacidade postulatória são, especialmente, o Advogado (CPC, art. 36; EOAB, art. 
8º, § 1º e ss) e o Ministério Público (CF, art. 129, III; CPC, art. 81; LACP, art. 5º, I; 
CDC art. 82, I; ECA, art. 210, I) 
III. Capacidade processual ou de estar em juízo
É pressuposto de validade processual. Está ligada com a capacidade jurídica. 
Por isso que a incidência dos artigos 3º, 4º e 6º do Código Civil geram al-
terações ou extinção da capacidade processual, impondo daí a suspensão do 
processo para que haja regulamentação. É matéria de ordem pública, logo pode 
ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição. O juiz também pode con-
hecer de ofício. (CPC, art. 167, IV e § 3º; 301, VIII e §4º)
IV. Juizados especiais cíveis: Estaduais
Há dispensa da capacidade postulatória das partes (autor e réu) nas causas que 
não alcancem quantia superior a 20 salários mínimos. Há necessidade de advo-
gado para causas com quantia superior e também para a fase recursal (LJE, art. 
9º, 41, § 2º). Federais: Tal dispensa ocorre no 1º grau integralmente. E as causas 
têm valor de até 60 salários mínimos. (LJEF, art. 3º, 10) 
V. Advogados
A sociedade de advogados só adquire capacidade processual depois que fizer 
o registro regular de seus atos constitutivos na Sede da Ordem dos Advoga-
dos do Brasil, na qual forem inscritos os seus respectivos membros integrantes. 
(EOAB, art. 15, § 1º)
Artigo 7ºKleber Cazzaro
AUTOR
Kleber Cazzaro
Art. 7º. Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos 
tem capacidade para estar em juízo.
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VI. Generalidades
Percebe-se que o Superior Tribunal de Justiça concede capacidade para es-
tar em juízo para pessoas formais, destituídas de personalidade jurídica. Ne-
cessário, porém, que estejam na defesa de seus interesses e prerrogativas fun-
cionais. Exemplos: Cartório de Notas (REsp 774.911/MG), Câmara Municipal 
(REsp 649.824/RN), Tribunal de Contas (REsp 504.920/SE), Assembléias Legis-
lativas, Câmara de Deputados e Procon (RMS 8.967/SP). 
VII. Arbitragem
As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir 
litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Lei n. 9307/1996, art. 1º) 
JULGADOS
Mandado de segurança coletivo 
\u201cO mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por associação legal-
mente constituída e em funcionamento há pelo menos 01 (um) ano, no interes-
se geral de seus filiados, sendo prescindível autorização individual e expressa 
destes ou em assembleia geral se do respectivo estatuto já a consta expressa-
mente. Não fazendo o estatuto da recorrente qualquer menção, de forma clara e 
expressa, sobre a defesa de seus associados em juízo como um de seus obje-
tivos institucionais, não há como reconhecer-lhe legitimidade ativa automática. 
(STJ. 5T. ROMS 11.365. Rel. Min. Edson Vidigal. J. 05.09.2000).
Autarquia
A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que, em sendo dotada de per-
sonalidade jurídica própria, bem como de autonomia administrativa e financeira, 
a autarquia possui capacidade processual, devendo ser diretamente acionada 
em juízo no tocante à defesa de seus interesses. (STJ. 5T. AgRg nos EDcl no 
REsp 1050105/SP. Rel. Min. Laurita Vaz. J. 14/09/2010)
Câmara de vereadores
\u201cA regra geral é a de que só os entes personalizados, com capacidade jurí-
dica, têm capacidade de estar em juízo, na defesa dos seus direitos. Criação 
doutrinária acolhida pela jurisprudência no sentido de admitir que órgãos sem 
personalidade jurídica possam em juízo defender interesses e direitos próprios, 
excepcionalmente, para manutenção, preservação, autonomia e independência 
das atividades do