1. O Coração Normal
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1O Coração Normal
Nader Wafae
CONCEITO
O coração é um órgão predominantemente 
muscular, com cavidades e válvulas em seu inte-
rior, cuja principal função é movimentar o sangue 
mediante mecanismos de aspiração e propulsão 
semelhantes a uma bomba hidráulica. 
A função endócrina1-21 do coração pela produ-
ção do hormônio atrial natriurético, particular-
mente por células do átrio direito, é assunto de 
pesquisas recentes. 
SITuaçãO
É órgão ímpar, situado na cavidade torácica 
por trás do esterno e das cartilagens costais, por 
diante da coluna vertebral (5a a 8a vértebras) e do 
esôfago, sobre o diafragma, e entre os dois con-
juntos pleuropulmonares, na região denominada 
mediastino médio. 
FOrma
No vivo, sua forma é de um cone de base supe-
rior; após a morte e consequente fixação passa a 
se apresentar como uma pirâmide triangular, com 
base, três faces e um ápice. 
DImENSõES
Em média, o peso do coração situa-se em torno 
de 5 g por quilo de peso na pessoa adulta, a altura 
entre 13 e 15 cm, a largura entre 9 e 10 cm e a 
espessura em torno de 6 cm. No entanto, essas 
medidas médias podem ser alteradas por influên-
cias de vários fatores, como idade, sexo, biotipo e 
desenvolvimento muscular, não considerando, é 
claro, os fatores atológicos.
OrIENTaçãO
O eixo cardíaco, que se estende do centro da 
base ao ápice, orienta-se de cima para baixo, da 
direita para a esquerda e de trás para diante. É o 
ápice que toca na parede torácica no nível do 4o ou 
5o espaço intercostal esquerdo (\u201cchoque da pon-
ta\u201d) por estar em posição mais anterior. 
ESTáTICa
O coração é mantido em posição normal, apesar 
de seu dinamismo, pela continuidade com os gran-
des vasos da base. A cruz venosa \u2013 formada pelas 
veias cavas superior e inferior, que constituem o 
tirante vertical, e veias pulmonares, responsáveis 
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2 Cardiologia Clínica 
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pelo tirante horizontal \u2013 é o principal meio de fixa-
ção. Justifica-se, assim, o alongamento vertical do 
átrio direito e o alongamento horizontal do átrio 
esquerdo. Já a artéria aorta é importante meio de 
suspensão do coração. É a tendência de retificação 
de seu arco que ocorre pela entrada do sangue du-
rante a sístole que leva o coração, particularmente a 
ponta, contra a parede do tórax. 
DESCrIçãO EXTErNa
Externamente, o coração apresenta: três fa-
ces, um ápice, uma margem, uma base e quatro 
sulcos. 
As faces são três: esternocostal ou anterior, pul-
monar ou esquerda e diafragmática ou inferior. 
FaCE ESTErNOCOSTal Ou aNTErIOr
Pouco abaulada, é onde o tecido adiposo, em 
geral, se deposita em maior quantidade. Apresenta 
um sulco oblíquo, o sulco interventricular ante-
rior, que separa as paredes dos ventrículos direito 
e esquerdo que constituem esta face, sendo predo-
minantemente a parede do ventrículo direito. A 
parte do ventrículo direito que antecede a artéria 
pulmonar chama-se cone arterioso. 
FaCE ESquErDa Ou PulmONar
É a mais abaulada, com pouco tecido adiposo 
e não apresenta sulcos. É, portanto, constituída 
somente pela parede do ventrículo esquerdo, for-
mando-se em função de sua maior espessura. 
FaCE DIaFragmáTICa
Também conhecida como face inferior, é plana 
por colocar-se sobre o centro tendíneo do múscu-
lo diafragma. O tecido adiposo está ausente ou em 
pequena quantidade e as paredes dos dois ventrí-
culos entram em sua formação sem predomínio 
evidente de uma delas, estando separadas pelo 
verticalizado sulco interventricular posterior. 
áPICE Ou PONTa DO COraçãO
É predominantemente constituído pela parede 
do ventrículo esquerdo, separado da pequena por-
ção do ventrículo direito por um sulco chamado in-
cisura do ápice, que representa a continuidade entre 
os sulcos interventriculares anterior e posterior. 
margEm DIrEITa
Aguda, formada pelo encontro das faces ester-
nocostal e diafragmática, é constituída unicamen-
te pela parede do ventrículo direito que, por ser 
pouco espessa, não chegou a formar uma face, 
como aconteceu no lado esquerdo. 
BaSE
Embora não haja uniformidade na sua delimita-
ção, consideramos como a parte do coração situada 
acima e atrás do sulco coronário que separa exter-
namente as paredes dos átrios e ventrículos. Assim 
definida, entram na constituição da base: os átrios 
direito e esquerdo, as aurículas direita e esquerda, o 
sulco interatrial e os grandes vasos. Estes compreen-
dem, a parte inicial da aorta e do tronco pulmonar 
e as terminações das veias cava superior e inferior 
e das veias pulmonares direitas superior e inferior e 
pulmonares esquerdas superior e inferior. 
Os átrios são as câmaras receptoras do sangue 
proveniente das circulações. O átrio direito recebe o 
sangue das veias cavas superior e inferior; e o átrio 
esquerdo, das quatro veias pulmonares (duas de 
cada pulmão). As aurículas são apenas apêndices 
que prolongam os átrios anteriormente, envolven-
do de forma parcial as artérias aorta e pulmonar. 
O sulco interatrial, que indica o local da separa-
ção interna dos átrios, é pouco pronunciado e se 
situa ao lado das desembocaduras das veias pul-
monares direitas. Na parede do átrio direito, entre 
os óstios das veias cavas, encontramos o sulco 
terminal, representação externa da crista terminal 
que indica a separação entre as partes do átrio de-
rivadas do seio venoso e do átrio primitivo. 
3Capítulo 1 » O Coração Normal
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SulCOS
Coincidem externamente com a separação das 
câmaras cardíacas pelos septos, ou entre os átrios 
e os ventrículos, ou ainda aqueles que separam os 
átrios e os ventrículos correspondendo aos óstios 
das válvas. 
 \u25a0 O sulco interventricular anterior, situado na face 
esternocostal, separa as paredes dos ventrículos, 
é oblíquo, vai do ápice às proximidades da ori-
gem da artéria pulmonar e aurícula esquerda, 
é ocupado por gordura, pela artéria interven-
tricular anterior e pela veia cardíaca magna ou 
interventricular anterior.
 \u25a0 O sulco interventricular posterior, situado na 
parte média da face diafragmática, é verticali-
zado e contém a artéria interventricular poste-
rior e a veia cardíaca média ou interventricular 
posterior. 
 \u25a0 O sulco coronário separa os átrios dos ventrí-
culos e contorna o coração. Sua parte anterior é 
ocupada à direita pela artéria coronária direita e 
à esquerda pela artéria circunflexa, a parte poste-
rior direita, pela continuação da artéria coronária 
direita e a parte esquerda pelo seio coronário. 
 \u25a0 O sulco interatrial, que indica a separação entre 
os átrios, encontra-se na base e já foi descrito. 
arquITETura DO COraçãO
O coração é um vaso diferenciado. Assim sen-
do, apresenta em sua arquitetura três camadas: a 
mais interna é o endocárdio, a média e mais de-
senvolvida é o miocárdio e a externa é o epicárdio 
ou lâmina visceral do pericárdio seroso. 
O endocárdio, que forra toda a parte interna 
das paredes atriais e ventriculares, é formado por 
células endoteliais e um extrato subendotelial de 
tecido frouxo com fibroblastos, fibras colágenas, 
elásticas e musculares lisas. Uma camada conjun-
tiva subendocárdica coloca-se entre o endocárdio 
e o miocárdio, contendo vasos, filetes nervosos e 
tecido condutor. 
O miocárdio é a camada média muscular 
formada principalmente por fibras musculares 
cardíacas. Antes de analisá-lo, temos que descre-
ver o esqueleto fibroso do coração, no qual, direta 
ou indiretamente, as fibras cardíacas se inserem. 
O esqueleto fibroso do coração é um conjunto 
de anéis e feixes de tecido conjuntivo fibroso e fi-
brocartilagíneo interligados que dão sustentação à 
musculatura cardíaca, às valvas atrioventriculares 
e contribuem para a preservação da forma do co-
ração. É formado por componentes