5.1. Exame do Paciente   Anamnese e Exame Físico do Coração
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5.1. Exame do Paciente Anamnese e Exame Físico do Coração


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in-
fecções, in farto ou outras patologias pulmonares, 
como neoplasias, esta dos alérgicos ou compressão 
traqueobrônquica por aneurisma aórtico.2,3
Frequentemente é uma resposta reflexa, espe-
cialmente aos estímulos cardiorrespiratórios, como 
os decorrentes de estados de hiperten são venosa 
pulmonar ou de edema intersticial e alveolar, Na 
hipertensão venosa pulmonar secundária, a in-
suficiência ventricular esquerda, ou a estenose 
mitral, geralmente é seca, irritativa, espasmódica 
e noturna.7 Quando associada à expectoração por 
meses ou anos sugere doença pulmonar obstrutiva 
crônica, bronquites, ou outras pneumopatias. 
As características da secreção podem auxiliar na de-
terminação da sua origem. Rósea no edema pulmo-
nar, clara branca e mucóide em infecções virais, 
amare lada em infecções pneumocócicas, ou com 
sangue em tu berculose, tumores e infarto pulmonar.
SíNCoPE
A síncope pode ser definida como a perda 
temporá ria da consciência, resultante à cessação 
momentânea das funções cerebrais mais comu-
mente devida redu ção de perfusão cerebral embora 
que menos frequentemente devida a patologias 
encefálicas propriamente ditas. As síncopes decor-
rentes de cardiopatias podem ser das mais diversas 
naturezas. Dentre elas, destaca-se, pela frequência, 
a neurocardiogênica.7,8 De qualquer forma, os da-
dos da anamnese são de extrema valia, como, no 
diagnóstico diferencial das síncopes proporciona-
das por arritmias, entre as quais se destaca: Stokes-
Adams (assistolia, taqui cardia e fibrilação ventricu-
lar, bloqueio atrioventricu lar, entre outras). Cabe 
a diferenciação com crises convulsivas (acidente 
vascu lar cerebral, alterações metabólicas etc.), nas 
quais a exteriorização pode ser muito semelhante 
ou até idêntica às de natureza cardíaca. 
A síncope de etiologia cardíaca geralmente ocor-
re abruptamente, sem aura, movimentos convul-
sivos, in continência urinária, estados confusionais 
ou dor de ca beça. Informações mais detalhadas de 
quadros similares anteriores, sobretudo na presen-
ça de outras pessoas, po dem auxiliar a elucidação.2
Ocorrendo de forma não abrupta, pode sugerir 
etiologia vasopressora, metabólica ou estenose 
aórtica, quando o tempo for maior.
HEMoPtiSE
É a expectoração sanguínea de cor vermelho--
-rutilante ou sanguinolenta (rósea), geralmente 
de origem subglótica, provinda direta ou indi-
retamente dos pulmões ou das vias respiratórias 
inferiores. Pode relacionar-se com:
 \u25a0 eliminação de hemácias dos alvéolos e dos va-
sos congestos pulmonares (edema agudo de 
pulmão);
48 Cardiologia Clínica 
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 \u25a0 ruptura de vasos endobrônquicos dilatados, que 
formam vias colaterais entre os sistemas veno-
sos pul monares e brônquicos (estenose mitral);
 \u25a0 necrose e hemorragia intra-alveolar (infarto 
pulmonar);
 \u25a0 ulceração da mucosa brônquica e lesão caseosa 
(tuberculose);
 \u25a0 invasão do parênquima pulmonar com ruptura 
de vasos (carcinomas de pulmão);
 \u25a0 ruptura das conexões venosas pulmonares \u2013 
brônquicas (bronquiectasias).9,10 
CiANoSE
É a coloração azulada dos tegumentos e se apre-
senta quando a quantidade de hemoglobina redu-
zida é maior que 5 g/100 mL de sangue capilar. A 
cianose decorrente de oxigenação insuficiente por 
pneumopatias, restrição da expansibilidade torácica 
comunicações artériovenosas, insuficiência cardíaca, 
dentre outras causas, é denominada cianose central. 
Denomina-se cianose periférica quando resulta da 
extração insuficiente de oxigênio pelos tecidos, es-
tase circulatória. Quando localizada exclusivamente 
nas mãos deve ser considerada o fenômeno ou 
mesmo a doença de Raynaud. Para a diferenciação, 
convém atentar para a periodicidade, intensidade, 
início, duração, fatores desencadeantes e de melhora 
ou piora, bem como exercício e repouso.2,3
EXAME FíSiCo Do CorAçÃo
O exame físico do coração inclui a inspeção, 
palpa ção e ausculta e, diferente de outras siste-
máticas propedêuticas, a percussão apresenta-se 
praticamente sem valor semiológico. 
O médico deve posicionar-se à direita do pa-
ciente, que deve estar inicialmente em decúbito 
dorsal. No decorrer do exame podem ser solicita-
das outras posi ções.4 
iNSPEçÃo
Observam-se alterações na forma do tórax, 
abaula mentos, retrações e movimentos, tais como 
o choque da ponta, definindo-se a localização, 
ou levantamentos precordiais, importantes para 
avaliar crescimentos ventriculares. As cardiopatias 
congê nitas e as lesões valvares reumáticas são as 
causas mais frequentes de abaulamentos precor-
diais na infância. 
O choque da ponta ou ictus cordis pode não ser 
vi sível ou variar de localização de acordo com o 
biotipo do indivíduo ou patologias coexistentes. 
Em geral, para os normolíneos, situa-se no cru-
zamento da linha hemi clavicular esquerda com o 
quinto espaço intercostal.4 
PAlPAçÃo
Para a palpação, o posicionamento do médico 
deve ser à direita do paciente, repousando suave-
mente a pal ma da mão sobre a região do precórdio. 
São avaliados: ictus cordis, frêmitos cardiovascu-
lares, bulhas cardíacas e levantamentos ou retra-
ções sistólicas. 
O ictus cordis deve ser investigado quanto a sua 
lo calização, extensão, intensidade, mobilidade, 
ritmo e frequência. Para a localização, é habitual 
ter como referencial as linhas hemiclavicular e a 
axilar anterior. A extensão deve ser quantifica-
da em polpas digitais necessárias para cobri-lo, 
(frequentemente uma a duas polpas digitais), e, 
em seguida, estimadas em centímetros. Quanto à 
intensidade, de forma geral, as hi pertrofias ven-
triculares impulsionam com mais vigor as polpas 
digitais do que as dilatações.
Para a verificação da mobilidade do ictus cordis, 
o paciente posiciona-se sequencialmente em de-
cúbito dorsal, decúbito lateral esquerdo e direito, 
observando-se em condições normais a movimen-
tação lateral de 1 a 2 cm. O deslocamento da posi-
ção em de cúbito dorsal, com ou sem modificações 
na extensão e intensidade, pode indicar dilatação 
ou hipertrofia do ventrículo esquerdo. 
O ritmo e a frequência são mais bem avaliados 
pela ausculta; contudo, podem também ser obser-
vados pela palpação. 
Frêmito cardiovascular é a designação aplicada à 
sensação tátil determinada por vibrações produzi-
das no coração ou nos vasos, e podem representar 
sopros car díacos ou atritos pericárdicos. É necessária 
49Capítulo 5.1 » Exame do Paciente: Anamnese e Exame Físico do Coração
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Figura 5.1.1 \u2013 áreas de referência torácicas para localização: 
Mitral (M), tricúspide (t), Aórtica (A) e Pulmonar (P). iC 1, iC 2, 
iC 3, iC 4 e iC 5 correspondem aos espaços intercostais.
a deter minação da localização, situação e intensi-
dade. A lo calização é determinada utilizando-se 
pontos de referência, conforme a Figura 5.1.1, e 
coincidem com os focos de ausculta.
A situação no ciclo car díaco é a seguinte: sistó-
licos se coincidem com o pulso carotídeo; diastóli-
cos, em caso contrário; ou, ainda, sistodiastólicos, 
quando presentes nas duas situações. Para a in-
tensidade é consagrada o uso da quantificação em 
\u201ccru zes\u201d (+; ++; +++ ou ++++). 
Também as bulhas cardíacas podem ser palpa-
das e quantificadas pela intensidade em \u201ccruzes\u201d, 
em seus respectivos focos de ausculta, e quando 
aumentadas, relacionadas a situações de aumento 
de pressão em vasos ou cavi dades cardíacas. Em 
paredes torácicas de fina espessu ra, as bulhas são 
decorrentes dessa condição anatômica. 
Quanto ao levantamento sistólico do precórdio, 
re presenta, em geral, crescimentos do ventrículo 
direito, que é invariavelmente a cavidade cardíaca 
de localização anterior e relacionada com a parede 
do tórax. Já retra ções sistólicas do precórdio podem 
corresponder a ade rências do pericárdio a planos 
profundos,