Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina

#Solo#Fertilidade#adubação#biofertilidade

Pré-visualização

Maciel - Departa-

mento de Solos;
• Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS: Faculdade de Agronomia - Departa-

mentos de Solos, de Horticultura e Silvicultura e de Plantas Forrageiras e
Agrometeorologia;

• Universidade Federal de Santa Maria - UFSM: Centro de Ciências Rurais - Departamentos
de Solos, de Fitotecnia e de Ciências Florestais;

• Universidade de Passo Fundo - UPF: Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária;
• Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul - SIARGS;
• Sindicato da Indústria e da Extração de Mármore, Calcário e Pedreiras do Estado do Rio

Grande do Sul - SINDICALC.

Comissão de Química e Fertilidade do Solo

Núcleo Regional Sul – RS/SC

Sociedade Brasileira de Ciência do Solo

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Manual de Adubação e de Calagem ...



INTRODUÇÃO

As recomendações de adubação e de calagem adotadas nos Estados do Rio

Grande do Sul e de Santa Catarina são embasadas na análise de solo e/ou de tecido

vegetal. A utilização da análise de solo na região se difundiu a partir da década de 60,

tendo sido importante, à época, o Programa Nacional de Análises de Solos do Ministé-

rio da Agricultura e a consolidação de uma equipe de pesquisadores em fertilidade de

solo das seguintes instituições: Departamento de Solos da UFRGS, Instituto de Pesqui-

sas Agropecuárias do Sul (IPEAS - sucedido pela Embrapa), Secretaria da Agricul-

tura-RS, Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), Universidade Federal de Santa

Maria (UFSM), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e Associação Sulina de Crédito

e Assistência Rural (ASCAR-EMATER). Como resultado dessa integração, foram elabo-

radas as primeiras tabelas regionais de adubação para o Estado do RS.

1.1 - EVOLUÇÃO DAS RECOMENDAÇÕES DE ADUBAÇÃO E DE
CALAGEM

A primeira proposição de recomendação de adubação no Estado do Rio Grande

do Sul, com base na análise de solo, foi feita por Mohr (1950). Esse autor dividiu o

Estado do Rio Grande do Sul em quatro regiões fisiográficas e estabeleceu valores de

referência para as análises de solo em cada uma delas, sendo:

1) planalto norte (solos formados sobre basalto);

2) região sedimentar central (solos formados sobre arenito Botucatu);

3) escudo sul-rio-grandense (solos formados sobre rochas graníticas); e,

4) região da planície costeira (solos formados sobre areias e sedimentos
recentes).

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Capítulo 1



Os valores determinados nas análises químicas eram comparados com os valo-
res de referência estabelecidos (teor crítico ou nível de suficiência) para cada região,
sendo, então, fornecida uma recomendação descritiva para cada grupo de solos.

No final da década de 60 e início da década de 70, ocorreram grandes modifi-
cações na agricultura bem como no uso das recomendações de adubação e de cala-
gem, principalmente com a execução da "Operação Tatu" (Associação..., 1967, 1968;
Ludwick, 1968; Volkweiss & Klamt, 1969, 1971) realizada primeiramente no Estado do
Rio Grande do Sul e depois em Santa Catarina (SC), onde o projeto foi denominado
"Operação Fertilidade" (Pundek, 2000). Nesse período ocorreram importantes avanços
no sistema de adubação, tendo sido elaboradas a segunda (UFRGS, 1968) e a terceira
(Mielniczuk et al., 1969a,b) tabelas de recomendações. O sistema era constituído pela
adubação corretiva (para elevar os teores de P e de K ao teor crítico na primeira cul-
tura) e pela adubação de manutenção por cultura, visando manter os teores de P e de
K atingidos na adubação corretiva. Esse modelo de correção da fertilidade do solo era
baseado no conceito de "adubar o solo".

A recomendação de calagem era para elevar o pH do solo ao nível desejado em

uma única aplicação, inicialmente para pH 6,5 e, a partir de 1973, para pH 6,0

(Reunião..., 1973), conforme o índice SMP (Murdock et al., 1969).

Outro aspecto importante desse período foi a criação da ROLAS (Rede Oficial

de Laboratórios de Análise de Solo e de Tecido Vegetal dos Estados do Rio Grande do

Sul e de Santa Catarina), em 1968, tendo sido esta a responsável pela revisão e pelos

aperfeiçoamentos nas recomendações até a versão de 1981 (ROLAS, 1981).

Na década de 70 ocorreu a adesão do Estado de Santa Catarina à ROLAS
(Tedesco et al., 1994) e o início do programa de controle de qualidade das análises
laboratoriais, ambos em 1972 e a elaboração da quarta (UFRGS, 1973) e da quinta
(UFRGS, 1976) tabelas de recomendação. Ainda devem ser citadas as tabelas elabora-
das isoladamente por Patella (1972), pois elas apresentavam, até certo ponto, analo-
gia com o sistema proposto em 1987 (Siqueira et al., 1987).

Na década de 80 foram elaboradas três atualizações nas tabelas. A sexta
versão (ROLAS, 1981) introduziu algumas modificações para várias culturas, tendo
sido a última versão elaborada pela ROLAS. Nas versões seguintes, a Comissão de Fer-
tilidade do Solo – RS/SC, do recém-criado Núcleo Regional Sul (NRS) da Sociedade
Brasileira de Ciência do Solo, assumiu essa incumbência. A versão adotada em 1987
(Siqueira et al., 1987) modificou a filosofia de recomendação, passando de um sistema
de adubação corretiva e de manutenção para um sistema misto (correção e reposição,
ou restituição), no qual o objetivo era atingir os níveis de suficiência de P e de K

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Manual de Adubação e de Calagem …



gradualmente em três cultivos ou anos, com o conceito de "adubar a cultura", já que, à
época, havia restrição ao crédito agrícola para a correção total da fertilidade do solo. A
oitava versão (CFS-RS/SC, 1989) introduziu modificações na adubação de algumas
culturas, sem alterar substancialmente a versão de 1987.

Na década de 90 foi elaborada a nona versão com diversas modificações nas
recomendações das culturas, e foram propostas as primeiras recomendações de cala-
gem para o sistema plantio direto (CFS-RS/SC, 1995).

1.2 - HISTÓRICO DOS PROJETOS DE MANEJO DO SOLO

Os programas regionais objetivando a adoção de práticas de manejo da fertili-
dade, com base na análise de solo e em outras técnicas modernas de campo, foram ini-
ciados pelo Projeto de Melhoramento da Fertilidade do Solo, denominado "Operação
Tatu". Este projeto surgiu com a implantação do Curso de Pós-Graduação em Agrono-
mia na UFRGS, em 1965 (Ludwick, 1968). Nessa época foram iniciados os trabalhos de
pesquisa visando a identificação dos fatores responsáveis pela baixa produtividade dos
solos do Estado do Rio Grande do Sul (Volkweiss & Klamt, 1969; 1971). O trabalho foi
executado no município de Ibirubá pelo Departamento de Solos da Faculdade de Agro-
nomia da UFRGS (que à época mantinha um convênio de cooperação técnica com a
Universidade de Wisconsin, EUA), pela Secretaria da Agricultura, pelo Ministério da
Agricultura através do IPEAS e pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Essa
amostragem visava determinar o nível de fertilidade dos solos dessa região e a implan-
tação de lavouras demonstrativas com a utilização adequada das recomendações de
calagem e de adubação.

Esse trabalho foi repetido em Santa Rosa, expandindo-se, a partir de 1967,
para Três de Maio, Tuparendi e Horizontina (RS), sob a coordenação da Associação
Rural de Santa Rosa (Associação..., 1967) e da ASCAR (Associação..., 1968). Em 1968,
já havia solicitação de 80 municípios para participar do projeto (Ludwick, 1968), que
objetivava corrigir a acidez e a fertilidade do solo, além de controlar a erosão e estimu-
lar o emprego de melhores cultivares e a adoção de novas práticas de cultivo, à seme-
lhança da chamada "Revolução Verde". A utilização de terraços foi iniciada na década
de 50, mas seu uso ainda era incipiente na década de 60. Convém lembrar que, devido
à adoção generalizada do sistema plantio direto na década de 90, muitos agricultores
removeram os terraços, apesar de serem estruturas necessárias para conduzir o fluxo
da água de escoamento.

No Estado de Santa Catarina, a partir dos resultados obtidos pela