BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo. Martins Fontes, 2003.
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BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo. Martins Fontes, 2003.


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ESTÉTICA DA 
CRIAÇÃO VERBAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTÉTICA DA 
CRIAÇÃO VERBAL 
 
 
Mikhail Bakhtin 
 
 
 
radução feita a partir do francês 
MARIA ERMANTINA GALVÃO G. PEREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARTINS FONTES 
SÃO PAULO 1997 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Título original: ESTET1KA SLOVESNOGO TVORTCHESTVA 
 Copyrighf © by Edições Iskustvo\u201d, Mascou, 1979 
Copyright © Livraria Marfins Fontes Editora Ltda. 
São Paulo 1992, para a Presente edição 
 
2ªedição 
maio de 1997 
 
 
Tradução feita a partir do francês 
MARIA ERMANTINA GALVÃO G. PEREIRA 
 
 
 
Revisão da tradução 
Marina Appenzeller 
\u2014Revisão gráfica 
Flora Maria de Campos Fernandes Sandra Rodrigues Garcia 
Produção gráfica 
Geraldo Alves 
Composição 
Ademilde L. da Silva Alexandre Augusto Nunes 
Capa 
Katia H. Terasaka 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogaçao na Publicação (CII\u2019) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
 
Bakhtin, Mikhail Mjkhailovitch, 1895-1975. 
Estética da criação verbal / Mikhail Bakhtin [tradução feita a partir do francês por Maria Emsantina Galvão G. Pereira revisão da tradução Marina 
Appenzellerl. \u2014 2\u2019 cd. \u2014São Paulo Martins Fontes, 1997.\u2014 (Coleção Ensino Superior) 
 
Título original: Estetika slovesnogo tvortchestva. 
ISBN 85-336-0616-8 
 
1. Literatura \u2014 Estética 2. Literatura \u2014 História e crítica 1. Título. II. Série. 
 97-1444 CDD-809 
 
Índices para catálogo sistemático: 
1. Literatura : História e crítica 809 
Todos os direitos para o Brasil reservados àLivrana Maflins Fontes Editora Lkkí. 
Rua Conselheiro Ramalho, 330/340 01325-000 São Paulo SP Brasil Telefone 239-3677 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
 
Prefácio . 
 
O AUTOR E O HERÓI 23 
1 - O problema do herói na atividade estética 25 
II - A forma espacial do herói 43 
1. O excedente da visão estética 43 
2. A exterioridade (o aspecto físico) 47 
 3. A exterioridade da configuração espacial 55 
4. A exterioridade do ato 61 
5. O corpo interior 65 
6. O corpo exterior 78 
7. O todo espacial do herói. Teoria do \u201chorizonte\u201d e do 
\u201cambiente\u201d 107 
 
III - O todo temporal do herói 115 
1. O herói e sua integridade na obra de arte 115 
2. A relação emotivo-volitiva com a determinação interior. 
Problema da morte (da morte de dentro e da morte de fora) 116 
3. O ritmo 126 
4. A alma 146 
 
IV - O todo significante do herói 153 
1. O ato e a introspecção-confissão 153 
2. A autobiografia e a biografia 164 
3. O herói lírico 181 
4. O caráter 186 
5. O tipo 195 
6. A hagiografia 198 
V - O problema do autor 201 
 1. O problema do herói (recapitulação) 201 
2. O conteúdo, a forma, o material 206 
 3. O contexto de valores (autor e contexto literário) 208 
4. A tradição e o estilo 215 
O ROMANCE DE EDUCAÇÃO NA HISTÓRIA DO 
REALISMO 221 
 
1 - Para uma tipologia histórica do romance 223 
1. O romance de viagem 223 
2. O romance de provas 225 
3. O romance biográfico 231 
II - O romance de educação 235 
III - O espaço e o tempo 243 
 
OS GËNEROS DO DISCURSO 277 
 1 - Problemática e definição 279 
 II - O enunciado, unidade da comunicação verbal ... 289 
O PROBLEMA DO TEXTO 327 
OS ESTUDOS LITERÁRIOS HOJE 359 
APONTAMENTOS 1970-1971 369 
 
OBSERVAÇÕES SOBRE A EPISTEMOLOGIA DAS 
CIÊNCIAS HUMANAS 399 
Índice remissivo 415 
 
 
 
Prefácio 
 
 
1 
 
Mikhail Bakhtin (1895-1975) é uma das figuras mais fascinantes e enigmáticas da 
cultura européia de meados do século XX. A fascinação é facilmente compreensível: obra 
rica e original à qual nada pode ser comparado na produção soviética em matéria de 
ciências humanas. Mas a essa admiração acrescenta-se um elemento de perplexidade, pois 
somos inevitavelmente levados a perguntar: quem é Bakhtin, e quais são os traços distintivos 
de seu pensamento? Pois este tem facetas tão múltiplas que por vezes nos pomos a duvidar 
que se tenha originado sempre de uma única e mesma pessoa. 
A obra de Bakhtin chamou a atenção do público em 1963, ano em que foi reeditada sua 
obra sobre Dostoievski, publicada originalmente em 1929 (e que já fora notada na época), 
numa forma sensivelmente modificada. Mas esse livro apaixonante, Problèmes de la poétique 
de Dostoïevski (trad. franc., 1970), bem que já colocava problemas, se nos interrogássemos 
sobre sua unidade. Compõe-se, em linhas gerais, de três partes bastante autônomas: o 
primeiro terço é constituído da exposição e da ilustração de uma tese sobre o universo 
romanesco de Dostoievski, expressa em termos filosóficos e literários; o segundo, de uma 
exploração de alguns gêneros literários menores, os diálogos socráticos, a menipéia antiga e 
as produções carnavalescas medievais, que são apresentados por Bakhtin como a raiz de que 
descenderia Dostoievski, enfim, o terceiro terço comporta um programa de estudos 
estilísticos, ilustrado por análises dos romances de Dostoievski. 
Depois, em 1965, foi publicado um livro sobre Rabelais (trad. franc. 1970, bras., 1987), 
que podia passar por uma ampliação da segunda parte do livro sobre Dostoievski (ou 
inversa- 
 
2 
 
mente \u2013 o que é verdade \u2013, esta parte podia, portanto, ser considerada como um resumo do 
livro sobre Rabelais), mas que tinha poucas relações com as outras duas partes: de um lado, 
análise temática e não mais estilística; do outro, obra histórica e descritiva, que não deixava 
espaço para as intuições filosóficas do Dostoïevski. Foi essa obra que chamou a atenção dos 
especialistas para fenômenos como a cultura popular e o carnaval. 
Em 1973, um lance teatral: várias fontes autorizadas (soviéticas) revelam que Bakhtin é 
o autor, ou em todo caso o co-autor principal, de três livros e de vários artigos, publicados 
sob outros nomes na URSS, no final dos anos vinte (dois desses livros existem em francês, 
Marxisme et philosophie du langage, 1977 [Marxismo e filosofia da linguagem, ed. bras., 
1990] e Le Freudisme 1980; os artigos foram traduzidos em anexo ao meu livro Mikhaïl 
Bakhtine, le principe dialogique, 1981). Porém, esse enriquecimento da bibliografia 
bakhtiniana só podia aumentar a perplexidade dos leitores que já haviam tido dificuldade em 
compreender a relação entre seu Dostoievski e seu Rabelais, pois os textos dos anos vinte 
faziam ouvir um tom de voz ainda mais diferente: o de uma crítica violenta, de inspiração 
sociológica e marxista, da psicanálise, da lingüística (estrutural ou não) e da poética, tal 
como a praticavam os formalistas russos. 
Em 1975, ano de sua morte, Bakhtin publica um novo volume, Questões de literatura e de 
estética [ed. bras., 1990] (trad. franc. com o título Esthétique et théorie du roman, 1978), 
composto de estudos que datam em sua maioria dos anos trinta. Esses estudos prosseguem, 
de fato, as pesquisas estilísticas do Dostoievski e preparam a análise temática do Rabelais 
(este último, na verdade, fora terminado em 1940); logo, permitem começarmos a orientar-
nos na obra de Bakhtin, pondo em evidência a passagem de uma monografia para a outra. 
Enfim, último fato imprevisto (até agora): em 1979, é publicado um novo volume de 
inéditos, preparado por seus editores; é esse livro que se