64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco
79 pág.

64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco


DisciplinaFundamentos da Terapia Ocupacional26 materiais703 seguidores
Pré-visualização15 páginas
pro-
cesso nem momentos específifos para avaliações e 
tratamento, o terapeuta não centra o seu trabalho 
na doença. O objeto de atenção é ao contrário, o 
homem, a pessoa, que é feixe de relações e que 
vive um determinado contexto ético, político, 
social, cultural e econômico.
Essa visão de homem é a de que nos falam Marx e 
Engels em A ideologia alemã \u2014 "ao produzir o 
mundo, o homem produz a si próprio".
Sendo a atividade humana o instrumento de tra-
balho do terapeuta, o ponto de partida só pode ser 
o trabalho.
Partindo dessa compreensão e admitindo-se que é 
pelo trabalho que o homem se realiza, somos 
obrigados também a admitir que nele o homem se 
perde. Pois, sendo o trabalho uma necessidade 
humana, todo processo de trabalho que escapar ao 
seu domínio o aliena, e essa alienação é 
conseqüente do modo de produção capitalista, 
onde "ocorre a ruptura, uma cisão, um divórcio 
entre o produto e o produtor, o trabalhador produz 
o que não consome, consome o que não produz" 
(CODO, 1985, p. 19).
Como a terapia ocupacional é uma prática de 
saúde que propõe o uso da atividade como recurso 
terapêutico, uma das possibilidades de ela vir a ser 
um espaço para transformar a si mesma e assim 
contribuir para a transformação social mais 
significante é através desse fazer. Um fazer que 
busca conscientizar os homens da opressão a que 
estão submetidos enquanto membros de uma 
sociedade classista. Um fazer que desvela as 
determinações sociais vividas, busca descobrir 
formas revolucionárias, mostra a contradição e o 
conflito da saúde numa sociedade de classes.
Partindo dessas premissas, seguem algumas 
diretrizes que consideramos básicas para a 
efetivação do processo de terapia ocupacional.
O terapeuta não se apodera, como sendo exclusivi-
dade sua, dos conhecimentos que possibilitam a 
efetivação do processo, da mesma forma que não 
o realiza sozinho. Pois o principal propósito da 
terapia é possibilitar ao cliente perceber-se 
enquanto indivíduo social, feixe de relações. Isso 
só acontece à medida que ele passa a apropriar-se 
dos meios e dos objetivos do tratamento 
(materiais, maquinários, ferramentas, métodos de 
execução e principalmente do produto de seu 
trabalho), reconhecendo-se enquanto autor, 
fazedor de sua história e da história do mundo.
Cliente e terapeuta, portanto, trabalham juntos na 
busca e na detecção das reais necessidades6, 
vontades e desejos apresentados pelo cliente.
Atividade, terapeuta e cliente são de fundamental 
importância no processo. Enquanto a atividade é a 
base real e material do tratamento; o cliente é 
aquele que traz seus conceitos e ações, advindos 
da experiência com a doença, e o terapeuta é 
6 A necessidade do cliente não deve ser confundida com a simples detecção da patologia ou suas 
implicações clínicas, pois, necessidade é aqui compreendida como aquelas questões que permeiam a 
vida de todo homem, concreto, social.
aquele que favorece as reflexões e discussões, na 
perspectiva de identificação e trato das questões 
conflitivas.
Os atendimentos, por sua vez, são primordialmente 
grupais, sendo que, para a constituição dos grupos, 
deve-se privilegiar o critério de origem de classe 
da pessoa.
Tal forma de atendimento recai sobre o fato de 
considerarmos a saúde como questão coletiva, 
como fato social. E assim sendo, nada mais 
coerente que trabalhar as questões coletivas, 
coletivamente.
Nos atendimentos, a principal característica é a 
democratização do processo de terapia, em que 
cada elemento do grupo é responsável pelo 
processo, pelo fazer o processo acontecer.
O processo nada mais é que um acontecer das 
ações do grupo, as quais podem ser 
compreendidas enquanto identificação das 
necessidades, elaboração de um projeto (de 
atividade grupal), execução do projeto e reflexões 
com respeito às ações e suas implicações. Entre-
tanto, não devemos entender tais ações como uma 
estrutura em que as etapas devem seguir-se passo 
a passo, mas como uma estrutura dinâmica na 
qual cada grupo imprime sua maneira de 
organizar-se e construir seu projeto.
É, portanto, a partir do fazer e das reflexões e en-
tendimentos das experiências do dia-a-dia que o 
grupo se aproxima, identifica-se, toca, compreende 
a realidade, atua em seu meio e toma suas 
próprias decisões. Sendo assim, pelo trabalho do 
grupo é possível que as pessoas reorganizem e 
reelaborem suas ações.
Acreditando, enfim, nesse modelo de processo, 
observamos que essa terapia ocupacional 
possibilita estabelecer novas relações entre o 
homem e a sociedade para a transformação das 
estruturas opressoras, através de uma prática de 
saúde que transforma, a partir do trabalho de 
classe.
Compreender, portanto, terapia ocupacional sob a 
ótica materialista da história é acreditar numa 
terapia que leva a uma conscientização de classe, 
é compreendê-la como instrumento de polarização 
e conscientização através da construção de um 
saber-fazer inserido nas práticas, nas relações e 
nas experiências do cotidiano.
Apêndice
ALGUMAS REFLEXÕES ACERCA DAS ATIVIDADES 
DA VIDA DIÁRIA
Pouco se tem escrito em t.o. sobre a compreensão 
e utilização das atividades da vida diária. Por este 
motivo, julgamos oportuno trazer aqui algumas 
considerações feitas por ocasião da elaboração do 
módulo prático, destinado à vivência desse grupo 
de atividades, da disciplina Atividades e Recursos 
Terapêuticos II.
Muitos poderiam ser os temas geradores do nosso 
trabalho, de que uma aula prática sobre o assunto 
poderia tratar.
Entretanto, nossa preocupação recaía em fazer 
acontecer um módulo prático que possibilitasse o 
repensar a teoria. Levantar as contradições 
escondidas por traz daqueles fundamentos 
teóricos, onde a prática serve apenas para 
justificativa do seu próprio desenvolvimento. Uma 
vivência acadêmica que pudesse apontar para uma 
nova compreensão do cotidiano, das atividades da 
vida diária do homem, enquanto o lugar onde se 
efetiva a práxis. Lugar onde a prática deve exceder 
o espaço teórico que a tornou possível.
Para o objetivo deste estudo, muito mais que defi-
nições, importava-nos verificar, através das formas 
de utilização das atividades em questão, os valores 
a elas atribuídos, e a relação destes com o 
conteúdo do cotidiano.
Nosso caminho foi então, analisar os valores 
expressos pelos autores que dedicavam partes dos 
seus escritos ao assunto. Na medida em que se 
tratando da literatura entra em cena a 
controvertida questão da teoria e da prática, a qual 
tínhamos a intenção de deflagar.
Confesso que não houve de nossa parte, um exaus-
tivo estudo de todos os textos existentes sobre o 
tema em questão. Pois reconhecemos a amplitude 
de um estudo que procurasse abranger os valores 
expressos sobre as a.v.d. em todas as abordagens.
APRESENTANDO O PROBLEMA
Aqui importa observar que a incorporação do 
termo atividade da vida diária ao vocabulário 
comum da terapia ocupacional é marcada pelo 
surgimento da reabilitação. Um nível de aplicação 
de ação da saúde onde, "as seqüelas ou 
conseqüências de doença podem ser reparadas 
com maior ou menor eficiência, permitindo a 
reabilitação do indivíduo." (Fonte: Chaves, 67). 
Para tanto um cuidadoso programa de exercícios e 
atividades é elaborado com a finalidade de tornar a 
pessoa incapacitada, capaz de manejar seu corpo 
da maneira a mais eficaz para que seja o mais 
independente possível na sua vida diária.
Com efeito, é no contexto do treinamento 
funcional, do recondicionamento
Rafaella
Rafaella fez um comentário
Boa noite, gostaria de saber se voce possui o livro Terapia Ocupacional: fundamentação e prática em pdf
0 aprovações
Carregar mais