64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco
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64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco


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de 
saúde. Num segundo momento, nossa 
preocupação é com o instrumento, recurso de 
trabalho em terapia ocupacional: a atividade. 
Buscamos explicitar os diferentes entendimentos 
da atividade humana e sua forma de utilização em 
terapia ocupacional.
Por fim, apresentamos as diferentes formas (méto-
dos) de atendimento aos clientes em nossa 
profissão, apontando os princípios norteadores 
destes, abordando a proposta humanista, a 
positivista e a materialista histórica e quais as 
possibilidades existentes, nesta última, para que a 
terapia ocupacional transforme-se em real 
instrumento para a mudança social.
Primeira Parte
Terapia Ocupacional: Uma Questão de 
Conhecimento
1. CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS MAL-
ENTENDIDOS
Antes de entrar na difícil tarefa de responder à cé-
lebre pergunta: o que é terapia ocupacional? Faz-
se necessário levantar outras, na busca de 
esclarecer certos mal-entendidos que o cotidiano e 
o senso comum nos lançam. Exemplos não faltam 
para ilustrar tal confusão.
É comum ouvir-se: "Fazer tricô é uma boa terapia, 
quando estou irritada!", ou "Minha terapia é mexer 
com terra, isso me descansa!", aí pode-se 
perguntar: qual será o significado dessas 
afirmações (expressões)? Ou, então, quando num 
comercial de TV o apresentador fala em tom de 
seriedade: "Faça a sua terapia ocupacional, 
confeccionando suas próprias roupas!". Ou ainda, 
quando uma revista infantil faz propaganda de 
álbum de figurinhas ou de jogos educativos: "Esta 
é uma terapia ocupacional para o seu filho!". Ou 
mesmo a grande confusão formada (criada) 
quando um terapeuta ocupacional ao falar da sua 
profissão depara-se com seu interlocutor 
preocupado em mostrar ter compreensão do 
assunto, afirmando: "Ah! você dá trabalhos para 
ocupar os loucos!" ou "Você brinca com as 
crianças!"
Ora, e quando é que o trabalho, a brincadeira, a 
execução das atividades do cotidiano é fazer 
terapia ocupacional?
Será que, buscando o significado das palavras tera-
pia e ocupacional, conseguiremos fazer alguns 
reparos introdutórios em relação a tantos mal-
entendidos.
Vamos arriscar!
Ao consultar o Novo dicionário Aurélio, encontra-
mos no verbete terapêutica: "do grego 
Therapeutikê, pelo latim therapeutica \u2014 parte da 
medicina que estuda e põe em prática os meios 
adequados para aliviar ou curar doentes; Terapia. 
Terapêutica Ocupacional \u2014 psiq. Aquela que 
procura desenvolver e aproveitar o interesse do 
paciente por um determinado trabalho ou 
ocupação: Terapia Ocupacional, laborterapia, 
ergoterapia (nesta acep. C.F. praxiterapia)".
Conforme solicitação do autor, partimos então à 
procura do verbete praxiterapia e diz o seguinte: 
"(de praxis + terapia) técnica de tratamento usada, 
em geral, com doentes crônicos internados, e que 
consiste na utilização terapêutica do trabalho, 
distribuindo-se aos pacientes tarefas de 
complexidade crescente".
Mais uma caminhada à procura de ocupacional, 
porque o que buscamos é o significado das 
palavras e, por mais que no verbete Terapêutica 
tenhamos encontrado, para a surpresa de alguns, 
terapia ocupacional, deve-se lembrar que 
ocupacional encontra-se ainda subentendido.
Quanto a ocupacional, diz o autor: "referente a 
ocupação, trabalho, ofício". Vejamos agora 
ocupação: "do latim occupatione \u2014 ato de ocupar, 
ou de apoderar-se de algo \u2014 Ofício, trabalho, 
emprego, serviço...".
Após um vai-e-vem entre páginas, constata-se que 
a investida no estudo das raízes das palavras 
permite- nos compreender a terapia ocupacional 
como: técnica (parte da medicina que estuda e põe 
em prática) que utiliza o trabalho como recurso 
(meio adequado) para tratar (aliviar ou curar os 
doentes).
Bem, até aqui a definição advinda via etimologia 
das palavras terapia e ocupacional parece bastante 
simples, pois, uma vez que ela é apenas uma 
técnica de aplicar trabalho, ocupação, afazeres, 
para curar doentes e uma vez que todos os 
homens e cada homem em particular tem 
conhecimentos do trabalho humano, então basta 
trabalhar quando se está doente para curar a 
doença.
Aqui, porém, a "coisa" começa a se complicar. Com 
efeito, se a terapia ocupacional é realmente uma 
profissão técnica, ela não é, entretanto, a simples 
aplicação de técnicas. Ora, o que caracteriza a 
terapia ocupacional é precisamente o meio que se 
propõe para tratar. Entretanto, para que o uso de 
atividade, ação, trabalho, possa ser conceituado 
como terapia ocupacional, é preciso que se 
satisfaça uma série de exigências que se pode em 
princípio resumir nos quatro requisitos que 
seguem.
Em primeiro lugar, é necessário que a atividade 
humana seja entendida enquanto espaço para 
criar, recriar, produzir um mundo humano. Que 
esta seja repleta de simbolismo, isto é, que a ação 
não seja meramente um ato biológico, mas um ato 
cheio de intenções, vontades, desejos e 
necessidades.
Em segundo lugar, não basta fazer, fazer e fazer, 
acreditando que o simples curso das coisas com 
isso se modifique. O fazer deve acontecer através 
do processo de identificação das necessidades, 
problematização e superação do conflito.
Em terceiro lugar, não existem receitas mágicas 
(atividades mágicas) nem técnicas específicas que 
garantam que estamos realmente resolvendo o 
problema.
Em quarto e último lugar, é necessário um profis-
sional preparado, cuja tarefa é a de se dispor, 
também, como instrumento ou recurso terapêutico, 
de incomodar, de ativar e revelar o conflito para a 
sua superação.
A exposição acima, sumária e distinta de cada um 
dos itens descritos, não deve, entretanto, nos 
iludir. Pois não se tratam de partes isoladas, auto-
suficientes, que a uma simples somatória, como 
que por um efeito mágico de sua junção, efetivam 
o processo de terapia ocupacional. É essencial que 
se tenha uma visão do conjunto e de como estas 
partes se relacionam dialeticamente.
Partindo desta premissa, vamos então discutir o 
problema passo a passo.
2. CONCEITOS FORMAIS: VERDADE 
UNIVERSAL?
Existem inúmeras tentativas para conceituar for-
malmente a terapia ocupacional e para defini-la 
como prática de saúde engajada, compromissada 
com o social. Entretanto, geralmente, as definições 
formais caracterizam-na como prática "neutra" de 
saúde.
Dessa forma, adotar aqui as diversas, importadas 
\u2014 e já consagradas \u2014 definições parece ser um 
compromisso ideológico que, por servir a 
interesses, é hoje apenas um ponto de referência 
histórico para nossa análise. Pois acreditamos que 
tal cumplicidade com o passado é sinal de 
estagnação e conformismo.
Nos últimos dez anos, os terapeutas ocupacionais 
brasileiros vêm adotando as definições de terapia 
ocupacional advindas dos Estados Unidos da 
América do Norte, dentre as quais figuram com 
maior freqüência as propostas pela Associação 
Americana de Terapia Ocupacional, formuladas em 
1972 e em 1977 e, mais recentemente, a proposta 
por Reed e Sanderson em 1980.
Vejamos como se apresentam.
O Conselho da Associação Americana de Terapia 
Ocupacional, em 1972, definiu a terapia 
ocupacional como "a arte e a ciência de dirigir a 
participação do homem em tarefas selecionadas a 
fim de restaurar, reforçar e engrandecer sua 
atuação, facilitando a aprendizagem de habilidades 
e funções essenciais para sua adaptação e 
produtividade, diminuindo ou corrigindo patologias 
e promovendo a manutenção da saúde" (cf. REED 
e SANDERSON, 1980).
Em 1977, a assembléia representativa da Associa-
ção Americana
Rafaella
Rafaella fez um comentário
Boa noite, gostaria de saber se voce possui o livro Terapia Ocupacional: fundamentação e prática em pdf
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