64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco
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de Terapia Ocupacional (AOTA) 
aprovou uma nova definição: "Terapia ocupacional 
é a aplicação da ocupação (única atuação) de 
qualquer atividade que se emprega para avaliação, 
diagnóstico e tratamento de problemas que 
interfiram na atuação funcional de pessoas 
debilitadas por doenças físicas ou mentais, 
desordens emocionais, desabilidades congênitas 
ou de desenvolvimento ou no processo de 
envelhecimento, com o objetivo de alcançar um 
funcionamento ótimo e de prevenir e manter a 
saúde" (cf. REED e SANDERSON, 1980, p. 7).
Reed e Sanderson, em seu livro Conceitos de tera-
pia ocupacional, publicado em 1980, propõem 
algumas modificações à definição da AOTA/77 e 
conceituam a terapia ocupacional como "análise e 
aplicação da ocupação, especificamente auto-
manutenção, produtividade e lazer, as quais 
através do processo de problemas de avaliação, 
interpretação e tratamento de problemas que, 
interferindo com a execução funcional ou 
adaptativa em pessoas nas quais as ocupações são 
diminuídas por doenças físicas ou mentais, 
desordens emocionais, debilidades congênitas ou 
do desenvolvimento ou processo de 
envelhecimento, com o objetivo de promover a 
pessoa a uma ação funcional ótima e adaptativa, 
prevenir a diminuição ocupacional e promover 
saúde e manutenção ocupacional".
Observando com atenção, estas definições trazem 
ou fazem passar a idéia de que a terapia 
ocupacional deva assumir, cada vez mais, o papel 
de promoção do homem.
Aí surge uma pergunta \u2014 do ponto de vista da te-
rapia ocupacional, o que significa promover o 
homem?
De acordo com as definições que aqui analisamos, 
tal promoção se dá através do desenvolvimento da 
personalidade e das potencialidades ou 
capacidades humanas. O que, a nosso ver, articula 
progresso individual com progresso técnico-
científico, de maneira a fazer crer que essa 
promoção deva levar ao aprimoramento das 
instituições, de forma que, ao realizar sua prática 
profissional, seja em uma favela, seja em um bairro 
de elite, o terapeuta, sempre irá enfatizar os 
valores intelectuais (emocionais) e biológicos. No 
entanto, a nossa experiência da valoração nos 
mostra que as coisas acontecem de maneiras bem 
diferenciadas, pois a ação terapêutica ocupacional 
sempre é desenvolvida num contexto social 
concreto.
Chamamos então, a atenção para o que considera-
mos ser uma ideologia "terapêutica" que permeia 
as propostas das terapias, sem deixar de lado, é 
claro, a terapia ocupacional.
Cabe aqui, uma preocupação com tal formulação, 
pois está longe de nossa intenção isolar a ideologia 
terapêutica do seu contexto geral, ou de 
caracterizá-la como uma esfera de ação à parte, ou 
mesmo de privilegiar sua importância. Embora 
tenhamos a clareza que uma análise mais apurada 
deveria trazer à compreensão, as ligações 
existentes entre os diversos aspectos da ideologia, 
mostrando assim como a ideologia "terapêutica" 
incorpora os discursos ou práticas destes.
Nossa intenção, entretanto, é fazer aqui apenas al-
gumas aproximações ao assunto, para que 
possamos estabelecer um ponto de partida 
necessário à compreensão dos diferentes modelos 
de terapia ocupacional e, conseqüentemente, o 
embate criado quando um conceito formal é 
assumido como verdade universal.
Voltando às definições, é importante perceber os 
mecanismos de desqualificação da dimensão 
político- ideológica da terapia ocupacional operada 
pela ideologia "terapêutica", a qual está inserida 
no sistema ideológico geral da sociedade 
tecnológica e enfatiza a questão das técnicas como 
prioridade.
Desqualificação, porque se faz a partir da 
concepção da ciência como neutra ou, melhor 
dizendo, acima de qualquer interesse de classes.
Tendo como pressuposto que a ideologia dominan-
te tem necessidade de, por um lado, garantir a 
harmonia no interior da classe dominante e, por 
outro, passar seu modelo às outras classes como 
verdade universal e não, como na realidade, 
verdade de classes, podemos observar que a 
ideologia "terapêutica" está muito bem articulada 
com a ideologia do desenvolvimento individual, a 
ideologia das diferenças de aptidões e a ideologia 
dos dons, de tal forma que nesses entendimentos o 
social encontra-se sempre afastado.
Vejamos, agora, como a camuflagem acontece.
A classe dominante necessita sustentar a qualquer 
custo o princípio da igualdade de direitos, ao 
mesmo tempo em que deve justificar a 
desigualdade advinda da divisão social do trabalho. 
E aí acontece o milagre. Como ela não pode 
afirmar a superioridade de alguns indivíduos, trata 
então de afirmar a idéia das diferenças individuais. 
Todos os homens são iguais em dignidade, 
entretanto, diferentes em aptidões, dons inatos.
Notem que existe uma significação politica e, por-
tanto, dissimulada no uso dos termos aptidão, dons 
e capacidades. Fica, assim, notório que a causa da 
diferença das funções sociais desempenhadas 
pelos homens seria um determinismo biológico e 
não a divisão social do trabalho.
É mediante o mascaramento da realidade social 
que a ideologia terapêutica procura cumprir, ã sua 
maneira, a função de dissimulação da realidade 
social. E nesse contexto a terapia ocupacional, de 
acordo com as definições analisadas, propõe 
produzir efeitos de promoção do homem.
3. TERAPIA OCUPACIONAL: PROFISSÃO 
NOVA?
Muito se tem falado da terapia ocupacional como 
uma profissão nova, entretanto a idéia de que a 
ocupação ou diversão de qualquer espécie é 
benéfica aos doentes manifesta-se de tempos em 
tempos na história da humanidade. Observamos 
historicamente que a ocupação como meio de 
tratamento remonta às civilizações clássicas. Os 
jogos, a música e os exercícios físicos foram 
utilizados por gregos, romanos e egípcios como 
medida de tratamento do corpo e da alma. 
Entretanto, somen- te por volta do fim do século 
XVIII e princípio do século XIX, período marcado 
pelo humanismo, a ocupação se torna largamente 
aceita para o tratamento do doente mental.
Na França, em 1791, o dr. Philippe Pinel, ao 
assumir a direção do asilo de Bicêtre e deparando-
se com a trágica situação dos doentes mentais, 
tomou para si a reforma assistencial, simbolizada 
historicamente pela "quebra dos grilhões que 
mantinham presos os infelizes insanos do espírito" 
(ARRUDA, 1962, p. 25). A utilização da ocupação 
foi, então, introduzida como parte principal de sua 
reforma, a qual o fez pioneiro na aplicação do 
trabalho como forma de tratamento do doente 
mental.
Ao mesmo tempo em que pela metade do século 
XIX, o tratamento proposto por Pinel era difundido 
na Europa e na América e firmava raízes, emergia 
um novo movimento filosófico e científico, à luz do 
aparecimento de tecnologia mais avançada, 
resultado da revolução industrial \u2014 o positivismo, 
corrente filosófica determinante da escola de 
pensamento científico, que se baseava na regra da 
inquisição e no método científico das ciências 
físicas: "(...) só é compreensível e possui sentido 
aquilo que se pode comprovar pela experiência" 
(BRUGGER, 1977, p. 323).
A concepção filosófica estava sendo mudada pelo 
impacto da tecnologia. Os valores tecnológicos de 
produção iam assumindo um papel de destaque na 
visão de mundo, em detrimento dos valores 
humanitários.
Na área da saúde, ao invés do ambiente, o cérebro 
é que era objeto de explicação e tratamento da 
doença mental. Os doentes mentais passaram a 
ser tratados por meios quimioterápicos
Rafaella
Rafaella fez um comentário
Boa noite, gostaria de saber se voce possui o livro Terapia Ocupacional: fundamentação e prática em pdf
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