64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco
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e 
cirúrgicos. Neste momento, as instituições de 
atendimento aos doentes mentais tornaram-se 
grandes laboratórios experimentais. Negligências e 
abusos eram cometidos em função de investiga-
ções comprometidas com a aprovação dos fatores 
etiológicos na patologia do cérebro.
De acordo com tal situação, o desenvolvimento da 
ocupação como forma de tratamento, então, 
declinou de maneira súbita, sendo o tratamento 
moral eventualmente reaplicado por alguns poucos 
membros da comunidade médica, compromissados 
com as tendências humanitárias. Essa fase 
perdurou, na América, até 1890 e, na França, até 
1906.
Somente nas duas primeiras décadas do século XX 
é que fatores como o renascimento do tratamento 
moral e a Primeira Guerra Mundial foram 
responsáveis pelo início formal da Terapia 
Ocupacional.
Em 1915, na América, William Rusch Dunton pu-
blicou o livro Occupational Therapy: a manual for 
nurses, propondo princípios de aplicação da 
ocupação no tratamento de doentes mentais. 
Nascia, então, o termo terapia ocupacional e, 
simultaneamente, a primeira escola dentro de uma 
instituição acadêmica, no Welwaukee Dower 
College (1918), seguindo-se uma onda de escolas 
para formação profissional.
Somente por volta de 1957 surgiam no Brasil as 
primeiras escolas para formação profissional, 
respectivamente no Instituo de Reabilitação da 
Faculdade de Medicina da USP - SP e na Associação 
Brasileira Beneficente de Reabilitação - RJ.
Esse breve histórico da terapia ocupacional tornou-
se necessário a fim de tornar público que esta 
efetivamente não é uma prática nova de saúde, ao 
contrário, pelo que pudemos observar, remonta ao 
fim do século passado.
Segunda Parte
Atividade Humana
X
Recurso Terapêutico
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
Nas discussões que temos levado em nossos 
encontros profissionais (congressos, simpósios e 
seminários), vemos com freqüência, a preocupação 
de alguns profissionais em procurar caracterizar de 
forma única e uniforme a terapia ocupacional. Esse 
fato aparece quando as análises realizadas da 
prática profissional apontam as diferenças 
substanciais encontradas entre as práticas dos 
terapeutas ocupacionais que tratam as mesmas 
populações.
Existem aqueles que, frente a esse acontecimento, 
identificam como causa as crises pessoais, outros, 
uma crise de estrutura teórica que direcione a 
terapia ocupacional.
Vejo com espanto as conclusões tomadas, pois elas 
funcionam como mantenedoras da situação, e a 
questão continua não-desvelada.
É preciso evitar a ilusão de que deixando-se de 
lado as crises pessoais e encontrando-se uma 
estrutura teórica única para a terapia ocupacional 
seja possível sair- se da crise. A ilusão de que 
basta aparar as arestas (caminhando ao consenso), 
e tudo se resolve.
Essas não são nem podem ser as formas para 
dirigir nossa busca de identidade. Mesmo porque 
não acredito que a simples volta ao passado venha 
a ser o caminho. Na verdade, quando a terapia 
ocupacional tinha seu início formal, a literatura da 
área refletia um sentido único de direção, 
sustentado por princípios teóricos \u2014 primeiros 
princípios \u2014 que foram organizados em torno da 
busca para identificar o significado da ocupação 
humana.
A partir desses princípios e com o caminhar das 
ciências, as teorias e as práticas terapêuticas 
ocupacionais foram absorvendo as filosofias e as 
ideologias das diferentes épocas e se 
transformando, para chegar ao que hoje 
caracterizamos de diferentes modelos teórico-
práticos de terapia ocupacional.
Podemos, portanto, dizer que a questão das 
diferenças encontradas na prática profissional é 
muito mais uma questão de método.
Sabemos que a terapia ocupacional tem um con-
junto de requisitos muito peculiar à sua teoria, à 
medida que lança mão das diversas ciências para 
se efetivar. E é neste contexto que, acredito, 
surgem as diferenças.
A ciência, em sua peculiar objetividade, apoderou- 
se do homem e dividiu-o em grupos de estudos 
paralelos que, podemos dizer, raramente se 
encontram.
"Imagine as várias divisões da ciência \u2014 física, quí-
mica, biológica, psicológica, sociológica \u2014 como 
técnicas especializadas. No início pensava-se que 
tais especializações produziriam, miraculosamente, 
uma sinfonia. Isto não ocorreu. O que ocorre, 
freqüentemente, é que cada músico é surdo para o 
que os outros estão tocando. Físicos não entendem 
sociólogos, que não sabem traduzir as afirmações 
de biólogos, que por sua vez não compreendem a 
linguagem da economia, e assim por diante" 
(ALVES, 1981, p. 12).
Não pretendo, aqui, acusar a ciência ou colocá-la 
como bode expiatório, ao contrário, quero trazer a 
questão da "neutralidade" de determinadas 
posturas científicas (métodos) que, com o 
propósito de se aprofundarem no conhecimento do 
homem, separam-no do contexto em que vive, 
retalham-no em suas múltiplas formas de 
capacidades e com isso perdem de vista o homem 
real e concreto. Assim, "cada ciência supõe-se 
capaz de decifrar o homem à sua imagem, da 
astronomia à sociologia, e cria uma filosofia na sua 
base: para o químico, o organismo humano é 
apenas um laboratório químico, para o físico, uma 
concentração de átomos" (BAS-BAUM, 1977, p. 61); 
cada um desses setores estuda apenas um 
aspecto, uma parcela do verdadeiro homem \u2014 
aquele homem integral, enraizado em seu mundo, 
que se realiza, realizando o mundo.
"Mesmo as chamadas ciências sociais \u2014 as 
ciências do homem \u2014 transformaram um ser real 
em objeto (positivismo, existencialismo, 
humanismo cristão) dilacerando-o em partes, 
inajustáveis. De ser passou a objeto. Mas objeto 
metafísico, não-existente, porque despojado de sua 
vivência, de sua homicidade (homem total) e o 
reduziram a um animal-que-fala-e-que-trabalha, 
porque não lhe deram outra perspectiva na terra. 
Ou o divinizaram transformando-o em um ser, feito 
de barro, mas possuidor de uma centelha divina, 
fora do alcance de si mesmo, incapaz de controlar 
ou determinar o seu próprio destino" (BASBAUM, 
1977, p. 62).
Esta fragmentação é que nos induz a pensar que 
existe um homem biológico, econômico, político, 
psicológico, social e assim por diante. Como se 
trocássemos de pele a cada momento, ora eu sou 
psicológico, ora sou biológico, ora social.
E aqui descobrimos uma vez mais a articulação de 
determinadas posturas científicas com o senso 
comum, a fim de reafirmar as verdades que são de 
interesse.
Como nos fala Rubem Alves (1981, p. 50):
"Uma teoria científica tem sempre a pretensão de 
oferecer uma receita universalmente válida, 
válida para todos os casos.
Esta exigência de universalidade tem a ver com a 
exigência de ordem, sobre que já falamos. Leis que 
funcionam aqui e não funcionam ali não são leis...
Imaginemos a seguinte afirmação sobre o universo 
dos gansos:
'Todos os gansos são brancos'.
Esta afirmação pretende ser verdadeira para todas 
as aves em questão. E se aparecer um ganso 
verde? A teoria cai por terra... Mas há um jeito de 
contornar esta dificuldade. Frente ao bicho verde 
eu digo: 'Isto não é um ganso, mas sim um fanso'. 
Se o bicho é um fanso, a universalidade da minha 
afirmação continua intacta. Mas a que preço? Por 
meio de artifícios como este se pode preservar 
uma teoria indefinidamente."
É neste emaranhado de idéias que o terapeuta 
ocupacional, tomando como fio condutor o 
problema das ciências e suas diferentes visões de 
homem/mundo deve, a meu ver, examinar a 
questão das diferenças encontradas
Rafaella
Rafaella fez um comentário
Boa noite, gostaria de saber se voce possui o livro Terapia Ocupacional: fundamentação e prática em pdf
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