64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco
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com ele 
(terapeuta e pacientes).
A segunda fase, de produção e acabamento, com-
preende o processo vivenciado pelo paciente, 
desde quando inicia a manipulação dos objetos 
disponíveis, numa certa direção, na construção ou 
destruição. Esta fase pode ser dividida em duas 
sub-fases: de livre criação e de criação dirigida.
Na fase de livre criação, o paciente é deixado livre 
frente aos objetos, para escolher e proceder como 
quiser.
Portanto não há direcionamento por parte do 
terapeuta. Na fase de criação dirigida, um objeto é 
definido pelo terapeuta e selecionado para o 
paciente. A partir do objeto, que lhe é oferecido 
este é deixado livre para sua manipulação.
Na terceira fase, denominada associação, o pacien-
te, após terminada a sua criação, é levado a fazer 
livre-associação sobre o objeto.
A quarta e última fase, de interpretação, caracteri-
za-se pelo momento em que, após criado o objeto 
e efetuadas as associações livres, o terapeuta 
passa a interpretar os acontecimentos.
Ressaltam os autores que a interpretação nesse 
momento deve ser comprendida enquanto 
interpretação diagnostica, não terapêutica.
Até agora falamos das atividades que podem ser 
entendidas enquanto desestruturadas, porém tanto 
os Fidler quanto os Ázima acreditam que os objetos 
mais claramente definidos e estruturados, ou seja, 
as atividades estruturadas, possibilitam 
experiências de manipulações úteis, pois essas 
atividades oferecem numerosas oportunidades de 
comunicação e expressão.
O modo de o paciente segurar e usar um determi-
nado objeto, o significado da escolha de uma 
atividade ou projeto assim como a natureza de 
suas ações são compreendidos pelos autores como 
claros indícios de suas defesas e problemas 
interpessoais. Essas são questões que podem ser 
investigadas e trabalhadas com o uso de 
atividades estruturadas.
Aqui as atividades estruturadas têm valor pela re-
lação e limites que determinam o fazer.
Outra compreensão da atividade expressiva 
aparece nos trabalhos desenvolvidos pela 
psiquiatra e terapeuta ocupacional Nise da Silveira; 
segundo ela, o atelier de pintura a "fez 
compreender que a principal função das atividades 
na terapêutica ocupacional seria criar oportunidade 
para que as imagens do inconsciente e seus 
concomitantes motores encontrassem formas de 
expressão" (1981, p. 13).
Essa autora acredita que as atividades plásticas 
(expressivas) permitem ao homem proceder ao 
relacionamento e à fixação das coisas 
significativas, tanto nas suas experiências internas 
quanto nas externas.
Nise fundamenta seu trabalho na psicanálise 
junguiana, compartilhando com Jung a idéia de 
que, por intermédio da pintura, "o caos 
aparentemente incompreensível e incontrolável da 
situação total é visualizado e objetivado (...) O 
efeito deste método decorre do fato de que a 
impressão primeira, caótica ou aterrorizante, é 
substituída pela pintura que, por assim dizer, a 
recobre. O tremendum é exorcizado pelas imagens 
pintadas, torna-se inofensivo e familiar e, em 
qualquer oportunidade que o doente recorde a 
vivência original e seus efeitos emocionais, a 
pintura interpõe-se entre ele e a experiência, e 
assim mantém o terror à distância" (apud 
SILVEIRA, 1981, p. 135).
Segundo tal compreensão, as atividades de pintura 
e desenho (expressivas) permitem ao doente viver 
um processo que lhe possibilitará dar forma às 
desordens internas vividas. De maneira que são 
instrumentos que permitem ao mesmo tempo 
organizar a desordem interna e reconstruir a 
realidade, pois, na medida em que as "imagens do 
inconsciente" vão sendo objetivadas nos desenhos 
e pinturas, tornam-se possíveis de serem tratadas.
6. ATIVIDADE = CRIAÇÃO, TRANSFORMAÇÃO
a) Visão marxista do homem e da natureza
Como se sabe, Marx não se ocupou com o 
desenvolvimento da evolução humana num plano 
individual, ao contrário, ele procurou estudar o 
desenvolvimento da relação entre homem e 
natureza sem, entretanto, confundi-lo com ela. De 
acordo com o seu pensamento, o homem é um ser 
que por essência necessita objetivar-se de modo 
prático, material, produzindo um mundo humano. 
Através da produção, o homem projeta-se no 
mundo dos objetos produzidos por seu trabalho, 
assim como integra a natureza no mundo humano, 
convertendo-a em natureza humanizada.
Para Marx, o desenvolvimento do homem na histó-
ria é determinado por contradições permanentes 
em seu curso. A evolução humana ocorre, 
portanto, dentro da história, sendo a história 
compreendida como "o processo da criação do 
homem por si mesmo, pela evolução, no processo 
de trabalho" (FROMM, 1979, p. 33.).
"O homem se define essencialmente pela 
produção, e desde que começa a produzir, o que só 
pode fazer socialmente, já está na esfera do 
humano" (VASQUEZ, 1977, p. 420). Dessa forma, 
um entendimento do comportamento individual 
jamais pode ser concebido a não ser como produto 
social. Pois, de modo contrário, estaremos 
concebendo os indivíduos isoladamente, e o cará-
ter social reduz-se apenas à retirada de algumas 
de suas características comuns elevadas ao nível 
da natureza universal, comum a todos.
Concluindo, a concepção marxista do homem e da 
natureza nos traz a luz do entendimento do 
homem enquanto ser social e histórico, homem 
que produz, cria e transforma a natureza e a si 
mesmo, através do seu trabalho.
b) Atividade humana: a práxis
Adolfo Sanches Vásquez procura distinguir a ativi-
dade propriamente humana da atividade em geral, 
com o propósito de esclarecer a afirmação: "Toda 
práxis é atividade, mas nem toda atividade é 
práxis".
Atividade em geral é entendida como o ato ou con-
junto de atos em virtude do qual um sujeito ativo 
(agente), que pode não ser humano, que 
efetivamente age ou atua modificando uma 
determinada matéria-prima, traduzindo-se num 
resultado ou produto, que é essa matéria mesma já 
transformada pelo agente. Enquanto "atividade 
propriamente humana só se verifica quando os 
atos dirigidos a um objeto para transformá-lo se 
iniciam com um resultado ideal ou finalidade e 
terminam com um resultado ou produto efetivo 
real" (VASQUEZ, p. 187).
De acordo com esse entendimento, as atividades 
biológicas e instintivas não podem ser 
consideradas como especialmente humanas, pois 
estas não transcendem o seu nível meramente 
natural. A atividade humana é então aquela que 
"se desenvolve de acordo com finalidades, e essas 
só existem através do homem, como produtos de 
sua consciência..." (grifo nosso) (VÁSQUEZ, p. 189).
Dessa maneira, a atividade da consciência deve 
ser compreendida como a relação entre o 
pensamento e a ação, mediados pela finalidade a 
qual o homem se propõe.
A intervenção da consciência3 é que distingue a 
atividade propriamente humana de outras 
meramente
naturais, é ela que faz o resultado apresentar-se 
duas vezes e em tempos diferentes \u2014 como 
resultado ideal, como produto real.
A atividade prática como atividade propriamente 
humana se manifesta no trabalho, na criação 
artística ou na práxis revolucionária. Através desse 
entendimento, podemos dizer que a atividade 
prática, portanto, é real, objetiva ou material.
"O objeto da atividade prática é a natureza, a so-
ciedade, ou os homens reais. A finalidade dessa 
atividade é a transformação real, objetiva, do 
mundo natural ou social para satisfazer 
determinada necessidade humana" (VASQUEZ, p. 
194).
3 A atividade
Rafaella
Rafaella fez um comentário
Boa noite, gostaria de saber se voce possui o livro Terapia Ocupacional: fundamentação e prática em pdf
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