64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco
79 pág.

64014712 Terapia Ocupacional Berenice Rosa Francisco


DisciplinaFundamentos da Terapia Ocupacional26 materiais701 seguidores
Pré-visualização15 páginas
da consciência aqui tratada é a da consciência de um homem social e não da atividade 
de uma consciência pura.
Como se sabe, a práxis pode assumir diversas for-
mas, dependendo da matéria-prima sobre a qual a 
atividade prática é exercida. Entretanto nos 
detemos, em apenas duas formas, as que 
consideramos fundamentais : práxis produtiva e 
práxis criadora.
A atividade prática produtiva é aquela que se efe-
tiva mediante o trabalho do homem com a 
natureza. Entretanto, sendo o homem um ser 
social, notemos que esse processo só se realiza em 
determinadas condições sociais.
Através do trabalho, o homem transforma um 
objeto de acordo com uma finalidade utilizando-se 
de meios ou de instrumentos adequados e, ao 
materializar uma finalidade, ele se objetiva no 
produto.
"A práxis produtiva é assim a práxis fundamental, 
porque nela o homem não só produz um mundo 
humano ou humanizado, no sentido de um mundo 
de objetivos que satisfazem necessidades 
humanas e que só podem ser produzidos à medida 
que se plasmam neles finalidades ou projetos 
humanos, como também no sentido de que na 
práxis produtiva o homem se produz, forma ou 
transforma a si mesmo" (VASQUEZ, p. 197-8).
Uma outra forma de práxis é a criadora, onde a 
finalidade não mais é determinada por uma 
necessidade prático-utilitária, mas por uma 
necessidade humana de expressão e objetivação.
O homem é um ser que em suas relações necessita 
estar sempre encontrando novas soluções para as 
situações de vida que se apresentam. Desta forma, 
tem de estar constantemente inventando ou 
criando na medida de suas necessidades \u2014 "Ele só 
cria por necessidade; cria para adaptar-se às novas 
situações ou para satisfazer novas necessidades" 
(VÁSQUEZ, p. 248).
No verdadeiro processo criador, a relação entre ati-
vidade da consciência e sua realização "se 
apresenta de modo indissolúvel" (p. 248).
A materialização como resultado, numa prática 
criadora, não se reduz a uma simples duplicação 
do que já idealmente pré-existia. Nesse processo, a 
finalidade estabelecida pela consciência se 
apresenta como finalidade aberta, fazendo que o 
processo prático se realize de forma aberta e ativa. 
Sabemos que o resultado definitivo pré-existia 
idealmente, contudo "o definitivo é exatamente o 
real e não o ideal (projeto ou finalidade original)" 
(VASQUEZ, p. 249).
Portanto, a finalidade original só pode se transfor-
mar no decorrer de um processo ao final do qual 
não se alcança tudo o que se havia projetado.
A práxis criadora é, portanto, aquela onde há uma 
unidade entre finalidade da consciência e seu 
resultado \u2014 unicidade e irrepetibilidade do 
produto.
Torna-se ainda importante ressaltar que nessa prá-
xis a prática não se contrapõe à teoria e que o 
único sentido existente dessa contraposição ou 
separação entre teoria e prática é a oposição que 
existe entre o trabalho intelectual e o trabalho 
manual, em um regime capitalista.
c) A importância da concepção marxista da 
atividade humana para a terapia ocupacional
O terapeuta ocupacional lida com um homem real, 
que apresenta conflitos advindos de um mundo da 
primazia do trabalho enquanto maior lugar onde se 
cristaliza a exploração humana. Nesse mundo, o 
homem é alijado da verdadeira compreensão de 
suas atividades práticas, quaisquer que sejam elas.
Portanto, se existe uma profissão que se propõe 
trabalhar com as dificuldades e os problemas 
enfrentados pelo homem no transcorrer da sua 
vida, esta deve estar compromissada com um 
entendimento da atividade humana somente 
enquanto práxis, pois de outra maneira estará 
apenas reforçando a divisão entre trabalho teórico 
e trabalho manual.
À nosso ver, a terapia ocupacional deve oferecer 
ao indivíduo um atendimento voltado às questões 
não apenas da disfunção mas, principalmente, do 
homem enquanto ser essencialmente social, 
através do entendimento da relação homem-
natureza, oriundo da sua atividade prática.
A participação do cliente nesse processo é exata-
mente o oposto de passivo. Ele, ao contrário, é um 
agente-ativo, fazedor de suas mudanças, partner 
em terapia.
A compreensão da terapia ocupacional, através 
dessa prática, nos faz acreditar num significado de 
terapia que leva o homem a lidar com sua 
realidade de vida, podendo assim promover a 
transformação de si mesmo e do meio social no 
qual está inserido.
Terceira Parte
Concepção "Ingênua" e Concepção Crítica da 
Terapia Ocupacional
(modelos do processo)
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
Até aqui, trilhados alguns caminhos, a atividade 
teve nossa principal atenção.
Mas... e a terapia em si? E o processo, como acon-
tece?
Bem, esta é a parte mais complicada de se falar. 
Pois, quando nos preocupamos em explicar o 
processo de terapia ocupacional, corremos o risco 
de apresentá-lo sob apenas uma perspectiva, o 
que remeteria à questão de uma verdade única, 
universal. E, como já foi discutido na primeira 
parte, deste livrinho, seria uma arma ideológica 
para fazer crer piamente numa forma única de 
terapia ocupacional. O que não acontece na reali-
dade. É, pois, por sermos o tempo todo invadidos e 
modelados por essa questão \u2014 verdade "universal" 
\u2014 é que nos preocuparemos em explicar as 
diferenças.
Poderíamos aqui apresentar as diferentes formas 
de processos de terapia ocupacional, sob a ótica 
das técnicas específicas de cada um deles, os 
quais, à guisa de ilustração, podemos mencionar: 
desenvolvimentista, psicodinâmico, 
comportamental, cinesiológico, integrativo 
sensorial, de aprendizagem, de estimulação preco-
ce etc.
Entretanto, observamos que sob esta ótica a tarefa 
torna-se um tanto complicada, pois sobrevêm o 
risco de nos perdermos num emaranhado de 
formas, identificando-se-as tantas quantos são os 
terapeutas ocupacionais que porventura se 
conseguir enumerar.
Uma análise dessa natureza só poderia ser 
efetuada se investigássemos o processo de terapia 
ocupacional à margem do contexto social em que é 
realizado. Mas não é essa a nossa proposta, pois 
não acreditamos na famosa neutralidade da 
postura profissional.
Portanto, para evitar os riscos apontados, vamos 
trabalhar com as visões de homem, de sociedade e 
sua relação com o processo de terapia 
ocupacional.
Quando tratamos de indagar, sob essa perspectiva, 
como acontece o processo terapêutico 
ocupacional, chegamos a um ponto onde 
aparecem, em linhas gerais, três posições opostas 
e, ao que parece, inconciliáveis.
Temos então que, para a primeira posição, o pro-
cesso acontece de forma natural, 
espontaneamente, na situação entre terapeuta e 
cliente, mediatizada pela atividade. Para a 
segunda, o processo é um artifício das rígidas 
condições em que se desenvolve, às quais o pa-
ciente tem de adaptar-se. Para a terceira, o 
processo é por definição criativo, transformador, 
questionador do contexto em que se efetiva.
Tais posições foram encontradas quando investiga-
mos como é visto o homem e a sociedade \u2014 a 
primeira posição toma como pressuposto a 
concepção humanista; a segunda, a concepção 
positivista; e a terceira, a concepção dialética.
Vejamos como cada uma das posições se 
apresenta.
2. MODELO DO PROCESSO DE TERAPIA 
OCUPACIONAL HUMANISTA
A principal característica do trabalho, nesse mode-
lo, é a inexistência de padrões preestabelecidos 
para o seu desenvolvimento. Isto é, não há uma 
seqüência de fatos ou procedimentos a seguir. 
Portanto, as conhecidas e tão consagradas divisões 
do processo de
Rafaella
Rafaella fez um comentário
Boa noite, gostaria de saber se voce possui o livro Terapia Ocupacional: fundamentação e prática em pdf
0 aprovações
Carregar mais