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quantitativo. Convém observar o progressivo crescimento da participação 
feminina em detrimento aos muitos anos em que não tinham espaço na sociedade 
brasileira e mundial. 
Muitos preconceitos foram ultrapassados, mas muitos ainda perduram e emperram essa 
revolução de costumes. A igualdade de oportunidades ainda não se efetivou por 
completo, sobretudo no mercado de trabalho. Tomando-se por base o crescimento 
qualitativo da representatividade feminina, é uma questão de tempo a conquista da real 
equiparação entre os seres humanos, sem distinções de sexo. 
4. Tipos de Discurso: 
Um texto é composto por personagens que falam, dialogam entre si, manifestam, enfim, 
o seu discurso. 
Há três recursos para citar o discurso alheio: 
a) Discurso direto: 
Parece que a agulha não disse nada: mas um alfinete, de cabeça grande e não menor 
experiência, murmurou à pobre agulha: 
- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar a vida, 
enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para 
ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: - 
Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! 
(Um apólogo.) Machado de Assis 
O texto reproduz a fala do alfinete e do professor de melancolia. Em ambos os casos, a 
reprodução da fala é com as próprias palavras deles, como se o leitor estivesse ouvindo 
esses personagens literalmente. 
Esse tipo de expediente é denominado de discurso direto, cujas marcas típicas são: 
- vem introduzido por verbo que anuncia a fala do personagem (murmurou, disse). 
Esses verbos são chamados de verbos de dizer (dizer, responder, retrucar, afirmar, 
falar). 
- normalmente, antes da fala do personagem, há dois pontos ou travessão. 
- os pronomes, o tempo verbal e palavras que dependem de situação são usados 
literalmente, determinados pelo contexto. 
b) Discurso indireto: 
D. Paula perguntou-lhe se o escritório era ainda o mesmo, e disse-lhe que descansasse, 
que não era nada; dali a duas horas tudo estaria acabado. 
Nessa passagem o narrador reproduz a fala da personagem literalmente, mas usa suas 
próprias palavras. 
A fala de D. Paula chega ao leitor por via indireta, por isso esse expediente é 
denominado de discurso indireto, cujas marcas são: 
- discurso indireto também é introduzido por verbo de dizer. 
 
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- vem separado da fala do narrador por uma partícula introdutória, normalmente a 
conjunção que ou se. 
- os pronomes, o tempo verbal e elementos que dependem de situação são determinados 
pelo contexto do narrador: o verbo ocorre na 3ª pessoa. 
Vejamos um confronto dos discursos direto e indireto. 
- Discurso direto: D. Paula disse: - Daqui a duas horas tudo estará acabado. 
- Discurso indireto: D. Paula disse que dali a duas horas tudo estaria acabado. 
Na conversão do discurso direto para o indireto, as frases interrogativas, exclamativas e 
imperativas passam todas para a forma declarativa. 
c) Discurso indireto livre: 
Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria, certamente Sinhá 
Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo. 
Baleia queria dormir. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças 
se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O 
mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes. 
Aqui, quase não conseguimos observar os limites entre a fala do narrador e a do 
personagem. 
Somente observando o tempo verbal e os adjetivos é que supomos tratar-se do discurso 
do personagem. 
Para um esclarecimento melhor, observemos os discursos abaixo: 
- Discurso direto: Baleia pensava: O mundo ficará todo cheio de preás, gordos, 
enormes. 
- Discurso indireto: Baleia pensava que o mundo todo ficaria todo cheio de preás, 
gordos, enormes. 
- Discurso indireto livre: O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes. 
Notamos que o discurso indireto livre é um discurso que exclui os verbos de dizer e a 
partícula introdutória. 
Quanto à citação do discurso alheio, cada citação assume um papel distinto no interior 
do texto, pois: 
Ao escolher o discurso direto, cria-se um efeito de verdade, dando a impressão de 
preservar a integridade do discurso. 
Já a opção pelo discurso indireto cria diferentes efeitos de sentido. 
O primeiro, que elimina elementos emocionais ou afetivos gera um efeito de sentido de 
objetividade analítica, depreendendo apenas o que o personagem diz e não como diz. 
O segundo tipo serve para analisar as palavras e o modo de dizer dos outros e não 
somente o conteúdo de sua comunicação. 
E o discurso indireto livre mescla a fala do narrador e do personagem. Do ponto de vista 
gramatical, o discurso é do narrador; do ponto de vista do significado, o discurso é do 
personagem. 
O efeito de sentido do discurso indireto livre está entre a subjetividade e a objetividade. 
SIGNIFICAÇÃO IMPLÍCITA 
Fiz faculdade, mas aprendi algumas coisas. 
A frase transmite duas informações: ele freqüentou um curso superior, aprendeu 
algumas coisas. 
No entanto, essas duas informações transmitem de forma implícita uma crítica ao 
sistema de ensino vigente. Essa crítica se dá através do uso da preposição mas. 
 
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Assim percebemos que um dos aspectos mais intrigantes que pode ser apresentado por 
um texto é o fato dele dizer aquilo que parece não dizer, ou seja, é a presença de 
enunciados subentendidos ou pressupostos. 
Um leitor é considerado perspicaz quando consegue ler as entrelinhas do texto, isto é, 
quando capta as mensagens implícitas. 
Para não cair na exploração maliciosa de alguns textos que abusam dos aspectos 
subentendidos ou pressupostos devemos saber que: 
Pressupostos são idéias não expressas de maneira explícita, mas que pode ser percebida 
a partir de certas palavras ou expressões utilizadas. 
O tempo continua chuvoso (chove no momento - informação implícita estava chovendo 
antes) 
Pedro deixou de fumar (não fuma no momento - informação implícita fumava antes) 
Quanto a utilização de pressupostos devemos saber que eles devem ser sempre 
verdadeiros ou aceitos como verdadeiros, pois são eles que construirão informações 
explícitas. Sendo o pressuposto falso, a informação explícita não terá cabimento. 
Detectar o pressuposto durante uma leitura é fundamental para a interpretação textual, 
uma vez que esse recurso argumentativo não é posto em discussão pelo autor do texto, 
fato que aprisiona o leitor ao pensamento do autor e o leva a defender opiniões 
contrárias a suas. 
Os pressupostos são marcados por: 
certos advérbios - Os resultados da pesquisa ainda não chegaram até nós. (Pressuposto 
- Os resultados já deviam ter chegado ou Os resultados vão chegar mais tarde.) 
certos verbos - O caso do contrabando tornou-se público. (Pressuposto - O caso não era 
público.) 
orações adjetivas - Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses, 
não pensam no povo. (Pressuposto - Todos os candidatos a prefeito têm interesses 
individuais.) 
adjetivos - Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil. (Pressuposto - 
Existem partidos radicais no Brasil.) 
Subentendidos são insinuações escondidas por trás de uma afirmação. (Quando um 
fumante com o cigarro pergunta: Você tem fogo? Por trás dessa pergunta subentende-se: 
Acenda-me o cigarro por favor. 
Enquanto o pressuposto é um dado apresentado como indiscutível para o falante e o 
ouvinte, não permitindo contestações;