Resumo de Farmacologia Básica
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Resumo de Farmacologia Básica


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Farmacologia Básica - Autores: Bernardo Farias e Rebeca Araújo 2015 
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO E 
FARMACOLOGIA COLINÉRGICA 
 sistema nervoso autônomo (SNA) subdivide-se em simpático, parassimpático e 
entérico. As duas divisões mais estudadas aqui serão a simpática e a parassimpática 
em vista dos seus papeis no controle da homeostasia. 
 O SNA é constituído anatomicamente por dois neurônios em série. O primeiro 
neurônio tem seu corpo celular na coluna intermédio-lateral da medula espinhal. O 
segundo neurônio tem seu corpo celular nos gânglios autonômicos. O parassimpático origina-se dos 
segmentos crânio-caudal do SNC, enquanto o simpático dos segmentos torácico e lombar. 
 O primeiro neurônio ou neurônio pré-ganglionar, tanto o simpático, quanto o 
parassimpático, é colinérgico e libera o neurotransmissor acetilcolina (Ach) sobre o segundo 
neurônio ou neurônio pós-ganglionar, que sendo simpático, é adrenérgico, e sendo parassimpático, 
é colinérgico. A sinapse entre o primeiro e segundo neurônio é excitatória, pois a Ach liberada por 
este liga-se naquele em seus receptores nicotínicos. 
Os receptores nicotínicos são canais de íons monovalentes positivos dirigidos por ligantes, 
ou seja, quando um agonista liga-se a esses receptores, eles alteram sua conformação, abrem-se e 
permitem a passagem de íons com carga iônica 1+. No caso, o principal íon a fluir pelos receptores 
nicotínicos é o sódio. Seguindo o seu gradiente eletroquímico, o sódio passa do meio extracelular 
para o intracelular, despolarizando a célula. 
Os neurônios pós-ganglionares simpáticos e parassimpáticos liberam neurotransmissores 
que agem em órgãos-alvo diversos do organismo. Os efeitos sobre esses órgãos são mediados pela 
interação dos neurotransmissores com receptores metabotrópicos, isto é, receptores acoplados a 
proteína G. As proteínas G podem ser de três tipos principais, Gs, Gi e Gq. Cada uma dessas 
proteínas, uma vez ativadas, desencadeia vias de sinalização intracelulares que são responsáveis 
pelas respostas celulares aos neurotransmissores liberados pelos neurônios pós-ganglionares 
autonômicos. Todas as proteínas G possuem 3 subunidades, uma \u3b1, uma \u3b2 e uma \u3b3. Via de regra, a 
subunidade \u3b1 age sozinha e apresenta atividade intrínseca de GTPase. As subunidades \u3b2 e \u3b3, 
diferentemente, atuam em conjunto na forma do complexo \u3b2\u3b3. 
 Toda vez que um ligante exógeno interage com o receptor metabotrópico, ele altera a sua 
conformação, gerando mudança conformacional também na proteína G. A subunidade \u3b1 troca uma 
molécula de GDP por GTP e, então, ativa-se, dissociando-se das demais subunidades e difundindo-
se pelo citoplasma para ativar outras enzimas. O complexo \u3b2\u3b3 dissociado da subunidade \u3b1 também 
se difunde e pode, por fim, se for pertencente à proteína Gi (i = inibitória), interagir com canais 
iônicos de potássio, aumentando a condutância deles pelo íon K+. 
O 
 
 
 
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A subunidade \u3b1 da proteína Gs (s = stimulator - estimuladora) interage com a enzima 
adenilato ciclase, aumentando seu nível de atividade basal. Assim, os níveis intracelulares de AMPc 
aumentam. A subunidade \u3b1 da proteína Gi (i = inibitória) age de forma antagônica, pois reduzem a 
atividade da adenilato ciclase para níveis inferiores ao do seu grau de atividade basal e, portanto, 
gera redução da concentração intracelular de AMPc. Por fim, a subunidade \u3b1 da proteína Gq 
interage com a enzima fosfolipase C\u3b2 (PLC\u3b2), a qual converte fosfolipídios de membrana, sendo o 
mais importante o PIP2, em IP3 e DAG. O IP3 liga-se a canais de cálcio dependentes de ligante na 
membrana do retículo endoplasmático liso, o qual libera cálcio para o citosol. Desse modo, os níveis 
intracelulares de cálcio elevam-se. 
O IP3, o DAG, o Ca2+ e o AMPc são segundos mensageiros, que tem papel amplificados do 
sinal extracelular. Em grande quantidade no citosol das células, eles ativam enzimas que, na sua 
grande maioria, são cinases que fosforilam diversos alvos celulares. 
O AMPc ativa a proteinocinase A (PKA), o Ca2+ em conjunto com o DAG ativam a 
proteinocinase C e o Ca2+ sozinho interage com a enzima calmodulina, formando um complexo 
com atividade de cinase. 
FARMACOLOGIA COLINÉRGICA 
A Ach é o neurotransmissor colinérgico. As sinapses colinérgicas estão presentes no SNA, no SNC e 
no sistema motor, neste último ao nível de placa motora. 
Receptores Colinérgicos 
Os receptores muscarínicos são metabotrópicos e subdividido em 5 subclasses, M1 a M5. Os 
receptores M1, M3 e M5 são acoplados a uma proteína Gq. Já os receptores M2 e M4 são 
acoplados a uma Gi. 
Os receptores M4 e M5 encontram-se predominantemente no SNC e, por isso, não serão 
foco o nosso estudo, mas sim os receptores M1, M2 e M3. 
Os receptores M1 encontram-se no SNC e nas células parietais e o M3 na musculatura lisa 
de vários órgãos (brônquios, trato genitourinário e trato gastrointestinal) do corpo, nas glândulas 
exócrinas (salivares e lacrimais) e no endotélio vascular. Como estão acoplados a uma Gq, a ligação 
da Ach a eles leva ao aumento intracelular de IP3, Ca2+ e DAG. 
Os receptores M2 estão presentes no coração, principalmente. Estão associados a uma Gi. 
Por isso, a ativação destes receptores culmina com a redução dos níveis intracelulares de AMPc e 
com hiperpolarização da membrana em vista do aumento da condutância de canais de K+. 
Transmissão Colinérgica Muscarínica 
O agonista conhecido dos receptores muscarínicos é a muscarina, extraída pela primeira vez do 
cogumelo Anita muscaria. A ingestão do cogumelo leva a intoxicação pela muscarina, o que se 
chama de micetismo. O antagonista muscarínico mais conhecido é a atropina. 
 
 
 
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Receptor M1 
Como está presente nos gânglios autonômicos, nos neurônios pós-ganglionares, sua ativação 
resulta num potencial pós-sináptico excitatório tardio (PEPS tardio). Também resulta em aumento 
da secreção gástrica, pois está presente nas células parietais. 
Receptor M3 
Sítios específicos: m. liso da bexiga*, m. ciliares**, m. esfíncter da pupila***, brônquios****, 
glândulas***** e endotélio vascular******. 
*Contração para esvaziamento. Acompanhada de relaxamento do trígono vesical e do esfíncter 
vesical. 
**Contração para que o cristalino achate-se e haja a acomodação visual. 
***Contração para que também ocorra o processo de acomodação. 
****Broncoconstricção e aumento da secreção brônquica. 
*****Aumento de secreção aquosa e rala. 
******Embora não exista inervação parassimpática dos vasos, mas apenas simpática, os receptores 
muscarínicos estão presentes no endotélio vascular. Caso algum agonista ligue-se ao receptor, vias 
de sinalização intracelular são ativadas e, então, NO é produzido. O NO difunde-se da célula 
endotelial para a muscular lisa, onde ativa a guanilato de ciclase, levando a vias intracelulares de 
sinalização que culminam com o relaxamento da célula muscular e vasodilatação. 
Receptor M2 
Concentra-se nos átrios e nos nodos sinoatrial e atrioventricular. Sua ativação tem efeito 
cronotrópico e dromotrópico negativos. Os efeitos inotropismo e lusitropismo não são alterados 
pelo parassimpático* 
*O conceito aqui é aplicado na fisiologia. Os livros de farmacologia citam um efeito inotrópico 
negativo mediado pela divisão parassimpática do SNA, mas essa observação não está 
conceitualmente correta. 
 A ação parassimpática no coração reduz os níveis intracelulares de AMPc, o que diminui a 
condutância dos canais engraçados responsáveis pela despolarização diastólica lenta (fase 4 do 
potencial de ação nos nodos SA e AV). Desse modo, promove uma