Resumo de Farmacologia Básica
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Resumo de Farmacologia Básica


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é 
recomendável o uso concomitante de omeprazol. 
6. Prevenção de pré-eclâmpsia. 
7. Prevenção de câncer de cólon. 
 
 
 
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Farmacologia Básica - Autores: Bernardo Farias e Rebeca Araújo 2015 
Efeitos Farmacológicos do AAS de acordo com a dose 
 
 
 
 Já foram explicados anteriormente os efeitos terapêuticos. Os efeitos tóxicos ocorrem em 
diferentes graus de acordo com a concentração plasmática alcançada. O AAS age desacoplando o 
transporte de elétrons da fosforilação oxidativa nas mitocôndrias. Esse efeito aumenta o consumo de 
oxigênio e a produção de gás carbônico pelas células. Isso resulta em aumento da PaCO2 e queda da 
PaO2. Essa mudança no conteúdo gasoso do sangue estimula os quimiorreceptores periféricos e centrais, 
os quais levam ao aumento da ventilação. O aumento da PCO2 arterial leva a acidose metabólica. 
 A hiperventilação remove o excesso de CO2 do sangue, mas acaba levando a alcalose 
respiratória compensatória. Os rins compensam o pH sanguíneo elevado através da menor 
reabsorção de bicarbonato. No entanto, como a reabsorção deste íon está acoplada a reabsorção 
de sódio por alguns mecanismos, a excreção de sódio também aumenta. O aumento da excreção 
de sódio é acompanhado de maior excreção de potássio em vista da ativação do eixo renina-
angiotensina-aldosterona, o que resulta em hipocalemia. 
 
 
 
 
 
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Tratamento da intoxicação por salicilatos 
 O tratamento consiste em corrigir as desordens acidobásicas e hidroeletrolíticas, fazer o suporte 
respiratório e cardiovascular, além da lavagem gástrica, com uso de carvão ativado. 
Outros fármacos AINES 
Mesalamina: é utilizada para efeitos tópicos (supositórios e enemas), já que sofre inativação no 
trato GI quando administrada por via oral. 
Sulfasalasina: é desdobrada por bactérias no cólon, tendo efeito local. É usada no tratamento de 
colite ulcerativa. 
COXIBES 
São inibidores seletivos da COX 2. 
 
Celecoxibe 
Únicos dos \u201ccoxibes\u201d aprovado para uso nos EUA. É usado em paciente com história pregressa de 
úlcera péptica e hemorragia GI, quando se faz a terapia concomitante com anticoagulantes, com 
glicocorticoides e em pacientes com idade superior aos 65 anos. 
Uso terapêutico: dor aguda em adultos, artrite reumatoide, dismenorréia primária e espondilite 
anquilosante. 
Obs.: o celecoxibe está associado a maiores chances de AVE e IAM. Portanto, não deve ser usado 
em cardiopatas. 
Os inibidores seletivos da COX 2 não possuem efeitos adversos sobre o trato GI, principalmente 
sobre o estômago. Além disso, são agentes pró-trombóticos e que propiciam a vasoconstricção, 
pois impedem a síntese de PGI2 pelo endotélio vascular, ao inibirem a COX 2 constitutiva neste sítio 
do organismo. Ao mesmo tempo, como não inibem a COX 1 plaquetária (não é específica, mas que 
 
 
 
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está nas plaquetas), a síntese de Tromboxano A2 permanece, assim como seus efeitos pró-
agregante plaquetário e vasoconstrictor. 
 
PARACETAMOL 
 
Também conhecido como acetaminofeno, o paracetamol é um 
metabólito da fenacetina. Ele é utilizado como analgésico e 
antipirético doméstico comum, tendo esses efeitos similares ao 
AAS, mas seus efeitos anti-inflamatórios são muito fracos. Ele 
tem uma pequena capacidade de inibir a COX em altas 
concentrações de peróxidos, o que ocorre no local da inflamação. Ele é particularmente útil em 
pacientes nos quais o AAS está contraindicado (crianças com doença febril; pacientes com úlceras 
pépticas; hipersensibilidade). O paracetamol é bem tolerado e tem baixa incidência de efeitos 
colaterais GI. A dose oral convencional é de 325-650mg a cada 4-6hs e não devem exceder 4000mg. 
O paracetamol oral possui boa biodisponibilidade, atingindo picos plasmáticos em 30-60 min, e a 
meia vida é de 2hs. Sua ligação a proteínas plasmáticas é menor que outros AINEs. De 90-100% do 
fármaco são eliminados na urina após conjugação hepática com o ácido glicurônico (60%), o ácido 
sulfúrico (35%) e a cisteína (3%). 
INTOXICAÇÃO: Na ingestão de mais de 7,5g, as vias de conjugação com glicuronídeo e sulfato 
saturam-se, e há um desvio para a N-hidroxilação mediada por CYP para formar NAPQI, que seria 
eliminada rapidamente pela conjugação com os GSH, que estão com depleção de seus níveis 
hepatocelulares. Assim, acumula-se NAPQI que é altamente reativo, causando necrose hepática 
potencialmente fatal, e ainda podem ocorrer necrose tubular renal e coma hipoglicêmico. Além 
 
 
 
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disso, a depleção de GSH intracelular torna o hepatócito suscetível ao estresse oxidativo e à 
apoptose. 
Os primeiros sintomas são de agressão gástrica, e os sinais de lesão hepática manifestam-se em 2-
4dias. 
Tratamento: Carvão ativado até 4hs após a ingestão para diminuir a absorção. A N-acetil-cisteína 
(NAC) age como um substituto de GSH, repondo as reservas e se conjugando aos NAPQI. A NAC 
deve ser administrada em uma dose oral de ataque de 140mg/kg e uma dose de manutenção de 
70mg/kg a cada 4hs perfazendo 17 doses. 
DIPIRONA 
A Dipirona sódica, comercialmente conhecida como Novalgina®, é um excelente anti-pirético e 
analgésico, sendo um fraco inibidor da COX in vitro. Seu possível mecanismo de ação seria a 
inibição da COX-3, mas isso ainda é apenas hipotético. Ela faz parte do grupo das Pirazolonas que 
foram banidas do mercado americano por causar agranulocitose irreversível, o que raramente 
ocorre com a administração de Dipirona, sendo esta ainda muito utilizada em países na Europa, 
Ásia e América Latina. 
 A Dipirona sódica por via oral possui biodisponibilidade de aproximadamente 90%, e a sua 
farmacocinética não é extensivamente alterada quando é administrada concomitantemente a 
alimentos. 85% dos metabólitos são excretados na urina. O grau de ligação às proteínas plasmáticas 
de seu principal metabólito ativo é de 58%. Após administração intravenosa, a meia-vida plasmática 
é de aproximadamente 14 minutos. A dose oral convencional é de 500mg a cada 4-6hs. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GLICOCORTICÓIDES 
 córtex da adrenal possui três zonas histológicas que produzem hormônios derivados do 
colesterol: a zona glomerulosa, que produz mineralocorticóides como a aldosterona; a 
zona fasciculada que produz glicocorticoides como o cortisol; e a zona reticular que produz 
androgênios. 
 O cortisol é um hormônio endógeno produzido sob o estímulo do ACTH. O ACTH é 
sintetizado a partir de uma proteína precursora, a pró-opiomelanocortina (POMC) na adeno-
hipófise sob o estímulo do CRH, produzido no hipotálamo. Seu mecanismo de ação é através da 
ligação a receptores intracelulares (receptor de glicocorticoide) que levam a transcrição ou 
inativação de genes. O cortisol liga-se ao receptor citosólico, formando um complexo que é 
translocado para o núcleo da célula. Neste sítio, o complexo cortisol-receptor interage com regiões 
promotoras de diversos genes, regulando suas expressões para mais ou para menos. 
 
 
 O cortisol é um hormônio liberado de acordo com o ciclo circadiano. Sua concentração 
circulante é maior nas primeiras horas da manhã (final da madrugada e começo da manhã) e 
declina ao longo do dia. Alguns distúrbios podem alterar os níveis circulantes de cortisol. Um deles 
é a Síndrome de Cushing, na qual o córtex da adrenal produz excesso de hormônios, dentre eles o 
cortisol. A