Resumo de Farmacologia Básica
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Resumo de Farmacologia Básica


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gânglios autonômicos, enquanto o VMAT 2 está concentrado no SNC. O VMAT é um antiporte de 
catecolaminas com H+. O gradiente de prótons através da membrana da vesícula que garante o 
antiporte é gerado pela bomba de H+/ ATPase. 
A liberação de catecolaminas na fenda sináptica requer: 
1. Despolarização da membrana do botão sináptico por potencial de ação; 
2. Abertura de canais de Ca2+ voltagem-dependentes com influxo de Ca2+ para o citosol do 
neurônio; 
3. Fusão das vesículas com as catecolaminas, com destaque para a NA, na membrana pré-
sináptica. 
A NE liberada na fenda sináptica pode: 
 
 
 
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Farmacologia Básica - Autores: Bernardo Farias e Rebeca Araújo 2015 
1. Ligar-se a receptores \u3b1-adrenérgicos e \u3b2-adrenérgicos presentes na membrana pós-
sináptica em células do órgão-alvo. 
2. Ligar-se em autorreceptores presentes na membrana pré-sináptica do neurônio 
adrenérgico pós-ganglionar. Neste casto, se a ligação for nos receptores \u3b12-adrenérgicos, 
acoplados a uma proteína Gi, a liberação de mais NA pelo neurônio é bloqueada (feedback 
negativo). Se a ligação der-se num receptor \u3b2-adrenérgico, o feedback é positivo, isto é, há 
amplificação da liberação do neurotransmissor. 
3. Ser recaptada pela membrana pré-sináptica e pela pós-sináptica. A recaptação é mediada 
pelo transportador de NE, um simporte, que acopla o transporte de NE ao gradiente eletroquímico 
do Na+. É alvo de fármacos. Uma vez recaptada, a NE poderá ser vesiculada por VMAT, ou ser 
degradada a metabólitos inativos. Nos neurônios, essa inativação dá-se pela ação da 
monoaminoxidase (MAO \u2013 enzima mitocondrial), enquanto nos tecidos extra-neurais dá-se pela 
COMT. 
Logo, o total de NA disponível para liberação na fenda sináptica vem da síntese de novo ou 
daquela que é reciclada após a recaptação da fenda pelo transportador de NA. 
A cocaína inibe o transportador de NE, impedindo a sua recaptação da fenda sináptica. 
Assim, ela aumenta a disponibilidade do NT em questão na fenda, potencializando os seus efeitos. 
Por outro lado, a reserpina inibe VMAT, diminuindo a disponibilidade de NA nas vesículas. Desse 
modo, reduz a liberação do NT nas fendas sinápticas e diminui a ação adrenérgica no órgão-alvo. A 
guanetidina desloca a NA das vesículas. 
 
 
 
 
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Observações: \u3b1-metil DOPA é um pró-fármaco que é substrato da descarboxilase 
inespecífica. Desse modo, é convertido em \u3b1-metil dopamina. Essa é, por sua vez, convertida em \u3b1-
metil NA. A \u3b1-metil NA possui alta seletividade pelo receptor \u3b12-adrenérgico, podendo agir, 
portanto, bloqueando a liberação de NA. A \u3b1-metil DOPA é usada no tratamento de pré-eclâmpsia 
e eclâmpsia. 
Receptores adrenérgicos e seus agonistas 
Os receptores adrenérgicos são metabotrópicos, ou seja, acoplados a uma proteína G. Os agonistas 
seletivos desses receptores são a AD e a NA. A dopamina, quando em concentrações supra-
fisiológicas, pode ligar-se a estes receptores. 
Receptores \u3b1-adrenérgicos e suas subclasses 
1. Receptores \u3b11-adrenérgicos 
Acoplados à Gq \uf0e0 Aumento de IP3, DAG e Ca2+ \uf0e0 ativação de PKC \uf0e0 fosforilação de alvos 
celulares. 
Ca++ \uf0e0 Calmodulina \uf0e0 fosforilação de alvos celulares*. 
Sítios: 
Músculo liso* dos vasos, do trato genitourinário**, do trato GI, coração*** e fígado****. 
*Calmodulina fosforila cadeia leve da molécula de miosina, aumento sua afinidade com a actina e, 
assim, intensifica-se a contração. 
**Contração da musculatura lisa. 
***Efeito inotrópico positivo. 
****Glicólise é intensificada. 
Agonistas: aumentam a pressão arterial. 
Antagonistas: diminuem a pressão arterial; tratamento de hipertrofia prostática. 
2. Receptores \u3b12-adrenérgicos 
Acoplados à Gi \uf0e0 Inibição de Adenilato ciclase \uf0e0 Redução de AMPc. 
Abertura de canais de K+ \uf0e0 hiperpolarização. 
Sítios: 
Membrana pré-sináptica* e membrana pós-sináptica das células \u3b2 pancreáticas** e nas 
plaquetas***. 
*Age como um autorreceptor, que regula transmissão sináptica, inibindo-a por retroalimentação 
negativa. 
**Age inibindo a liberação de insulina. 
***Age impedindo a agregação plaquetária. 
Agonistas: agem reduzindo a liberação de NA pelos neurônios adrenérgicos. Dessa forma, 
diminuem a ação simpática sendo, portanto, usados no tratamento de hipertensão. 
Obs.: esses receptores também estão presentes no músculo liso vascular, onde medeiam 
vasoconstricção. No entanto, estão presentes mais abundantemente nos neurônios adrenérgicos, 
onde atuam como autorreceptores de papel regulador. Assim, um agonista deste receptor terá um 
efeito vasodilatador, em vista da menor liberação de NA mais evidente. 
 
 
 
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Receptores \u3b2-adrenérgicos e suas subclasses 
As subclasses são \u3b21, \u3b22, \u3b23. Todos são acoplados a uma proteína Gs. A subunidade \u3b1 da 
proteína Gs ativa adenilato ciclase, que converte ATP em AMPc. Logo, a ativação dos receptores \u3b2-
adrenérgicos culmina com elevação dos níveis intracelular de AMPc. O AMPc ativa a proteína cinase 
dependente de AMPc (PKA), que age fosforilando alvos celulares. 
1. Receptores \u3b21-adrenérgicos 
Sítios: 
Presentes no coração* e nos rins (células justaglomerulares da arteríola aferente)**. 
*A ativação dos receptores \u3b21-adrenérgicos presentes no coração resulta em efeitos cronotrópico, 
inotrópico, dromotrópico positivo e lusitrópico positivos. O cronotropismo positivo culmina em 
aumento da frequência cardíaca (FC). Já o inotropismo positivo (aumento da contratilidade) resulta 
em aumento do volume sistólico (VS). Se lembrarmos que débito cardíaco (DC) = VS x FC, a ativação 
desses receptores aumenta o DC. Além disso, considerando que a pressão arterial média (PAM) = 
DC x resistência periférica total (RPT), temos que o incremento no valor do DC culmina com 
aumento da PAM. 
O efeito inotrópico positivo ocorre, principalmente, devido a abundante inervação dos 
ventrículos direito e esquerdo pelas fibras pós-ganglionares simpáticas. A ativação dos receptores 
\u3b21-adrenérgicos aumenta os níveis intracelulares de AMPc, que ativa PKA. PKA fosforila os canais 
de Ca2+ voltagem-dependentes do tipo L, o que aumenta a condutância por Ca2+ da sarcolema dos 
miócitos. Isso permite que, durante a fase 2 do potencial de ação de resposta rápida nos miócitos 
ventriculares, mais Ca2+ entre nas células, potencializando, assim, a força de contração do 
miocárdio. 
O efeito cronotrópico positivo deve-se a ligação do AMPc aos canais curiosos (funny). Essas 
canais são responsáveis pela corrente If, a qual gera a despolarização diastólica lenta (fase 4 do 
 
 
 
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potencial de ação) das células marca-passo do nodo sinusal. Como é visto na imagem abaixo, o 
AMPc liga-se aos canais em questão, aumentando a condutância para Na+ e Ca2+. O influxo de 
cargas positivas na célula marca-passo intensifica-se, ficando mais inclinada a reta da fase 4. 
 
 
O aumento da força de contração do coração mediada pela ativação \u3b21-adrenérgica resulta 
em aumento do trabalho do coração e, assim, do consumo de O2 pelo miocárdio. Por isso, 
agonistas deste receptor não podem ser utilizados em paciente com angina. 
**A ativação destes receptores nas células justaglomerulares leva a liberação de renina. A renina é 
uma enzima proteolítica que converte o angiotensinogênio em angiotensina I. A angiotensina I é 
convertida pela enzima conversora de angiotensina (ECA) em angiotensina II. A angiotensina II age 
em dois sítios: arteríolas e células da zona glomerular do córtex das adrenais. Nas arteríolas, a Ang. 
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