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DisciplinaDireito Processual Civil I45.898 materiais808.737 seguidores
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bem dos mais escassos nas sociedades contemporâne-
as, não mais pode ser tratado como algo desimportante para o bom andamento 
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do processo ou, ainda, como mero problema do demandante, consoante outrora 
tratado.
3. Conceituar o direito à razoável duração, senão utópico, representa tarefa 
das mais espinhosas. Mais singela, todavia, afigura-se a tarefa de definir o que 
represente a duração irrazoável do processo, pois que, exemplificativamente, não 
parece sensato, independentemente da natureza do feito, perdure ele por várias e 
várias décadas, a ponto de os interessados ordinários sequer sobreviverem para 
conhecer o seu resultado. A identificação da tempestividade da prestação jurisdi-
cional não escapa, segundo pensamos, da análise do caso levado a juízo, uma vez 
que, somente à luz do caso concreto e suas peculiaridades (análise dos sujeitos e do 
direito posto em causa) é que se poderá constatar o sucesso temporal da atividade 
jurisdicional. Processo com duração razoável é o processo sem dilações indevidas.
4. Em suma, é possível afirmar que tutela prestada em tempo razoável é a 
tutela que (1) do ponto de vista temporal, preste-se a preservar o interesse na atu-
ação estatal; (2) do ponto de vista das partes, alcance-lhes a prestação aguardada 
em interregno compatível com seus reais interesses (respeitadas, é claro, as demais 
prerrogativas processuais) e, por fim, (3) do ponto de vista do Estado-Juiz, que lhe 
permita cumprir seu mister em prazo de reflexão compatível com a complexidade 
da causa.
5. O Código, ainda, em \u201calto e bom tom\u201d, assevera que não basta dizer o direito 
aplicável ao caso concreto em tempo razoável. Na fórmula da tempestividade ga-
rantida pelo modelo constitucional do processo civil brasileiro há de se computar, 
também, o prazo para a \u201cexecução\u201d do comando judicial, inexistindo cumprimen-
to espontâneo do julgado. 
Artigo 5º:
1. O processo judicial, na linha do Código, revela-se ambiente que exige dos 
envolvidos comportamento ético, comprometido, em última análise, com a obten-
ção da melhor prestação jurisdicional possível.
Artigo 6º:
1. A despeito de estarem em jogo, pelo menos no âmbito da jurisdição con-
tenciosa, interesses contrapostos, cada um dos envolvidos no trâmite processual 
deve comportar-se de maneira irretocável, contribuindo para que, de acordo com 
os valores eleitos pelo ordenamento jurídico pátrio, o Estado-Juiz possa entregar a 
melhor solução possível ao caso concreto.
2. Princípio da cooperação. Reflexão. Para os leigos (e a alguns \u201cexperts\u201d mais 
desavisados, que se limitam, pois, a tratar o fenômeno processual no plano meta-
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físico), o processo representa pura e simplesmente o instrumento de realização da 
justiça material. O dia a dia forense, contudo, revela realidade tiranamente diversa. 
A constatação, conhecida de muitos, porém, estatisticamente sonegada em sede 
doutrinária, revela-se tema árduo até mesmo para os mais antigos frequentadores 
do foro. Iniciemos assim: ressalvadas pontuais exceções, a existência do processo 
judicial justifica-se, in concreto, face à ocorrência de um conflito de interesses (real 
ou virtual). Cada qual dos contendores, bem compreendida a afirmativa, pretende 
ver sua posição jurídica triunfar e, como regra, por determinação legal, entrega 
a \u201cdefesa\u201d dos seus interesses aos advogados, públicos ou privados. São eles, no 
mundo real, que conduzem os feitos. Os patronos, em tese experts, respeitados 
os limites éticos de seu ofício, defendem uma \u201cbandeira\u201d, ou seja, são parciais. 
O projeto de cada causídico ao assumir seu posto é, quando mais na seara não cri-
minal, o de ver, ao fim e ao cabo, o interesse daquele que lhe confiou o patrocínio 
prosperar. Trata-se, gostemos ou não, de uma constatação fática, não raro transpa-
rente, como dissemos alhures, aos apontamentos doutrinários. Assim sendo, por 
vestirem uma \u201ccamisa\u201d (são parciais e não imparciais), os experts do foro passam a 
laborar, em cada um de seus processos, no afã de ver despontar o interesse de seus 
clientes, \u201cjogando o jogo\u201d. Tal afirmativa, que, à evidência, não choca os \u201chomens 
do foro\u201d (que, a rigor, sequer falam a seu respeito), afigura-se, não raro, estarrece-
dora aos leigos. Seja como for, não há como ignorar que, sendo esse o espírito do 
patrono (e é!), agirá ele, ao longo de toda caminhada processual, medindo passos, 
palavras, suspiros e etc. O \u201cjogo do foro\u201d, em última análise, obriga-o a assim pro-
ceder. Poder-se-ia, pois, a título meramente ilustrativo, equiparar o \u201cjogo do foro\u201d 
a uma partida de futebol: impossível que se prospere no aludido cenário (na par-
tida de futebol) sem que se conheça, verbi gratia, a regra de que uma equipe sairá 
vencedora se, e somente se, \u201cmarcar gols\u201d; a regra do impedimento; a disciplina 
das punições; a compreensão de que o ambiental interfere na forma de atuação 
(própria; do adversário; bem como, do árbitro); que o jogo tem \u201chora\u201d para ter-
minar; e que, sobretudo, para além de alcançar-se um vitorioso desportivamente 
falando, sempre haverá consequências/interesses para além das \u201cquatro linhas\u201d. 
A lógica da condução do processo é, pois, idêntica. Cada passo dado no trami-
tar do feito é, pelos experts do foro, milimetricamente calculado. No processo de 
conhecimento (ou fase cognitiva do processo sincrético), da etapa postulatória à 
entrega do comando jurisdicional (etapa decisória), por exemplo, percorre-se um 
caminho \u201csem volta\u201d, programado pelos patronos, cada qual na defesa dos interes-
ses que lhe incumbe promover. Premedita-se o atacar, o defender e etc., sempre de 
olho no \u201capito\u201d final. No processo, salvo acidente, nada acontece ao acaso. Curioso, 
pois, afigura-se o teor do artigo sob comento, assim redigido: \u201cTodos os sujeitos 
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do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, 
decisão de mérito justa e efetiva.\u201d Trata-se de apontamento político-moralizador? 
De diretriz inerente apenas aos casos de jurisdição voluntária? Ou, estaria o legis-
lador à margem do dia a dia do foro? Revelando-se diretriz politico-moralizadora, 
o apontamento estaria justificado; fosse apenas aplicável ao campo da jurisdição 
voluntária, mal localizado; não queremos crer, por fim, que o legislador desconhe-
ça o dia a dia forense. Salvo melhor juízo, não há negar que é no \u201cjogo do foro\u201d que 
as coisas acontecem e, tudo quanto mais, embora indispensável à boa convivência 
dos homens em sociedade, havendo crise de colaboração no plano do direito ma-
terial, haverá de por ele transitar. A justiça dos próprios punhos permanece, como 
regra, vedada. Considerada a atual realidade forense, antes do trânsito em julga-
do da sentença, afigura-se impossível, sobremaneira, afirmar que esta ou aquela 
parte prosperará. O \u201cjogo só termina quando acaba!\u201d. O processo, de um ponto 
de vista prático, em última análise, revela-se um \u201cjogo\u201d em que, não raro, vence o 
mais eficiente (processualmente falando). Se, à luz de uma construção dogmática, 
a conclusão aborrece; do ângulo prático, desponta inconteste.
 
Artigo 7º:
1. O processo é instrumento destinado a apurar, antes de tudo, a ocorrência 
de fatos, revelando-se a prova dos mesmos determinante para que o julgador te-
nha condições de aferir, com a justeza que se espera, merecerem, ou não, acolhida 
os pedidos formulados pelas partes. Não há mais espaço, no modelo atual, para o 
simples beneficiamento judiciário de uma parte em detrimento de outra, fundado, 
apenas, em ideologia erigida à condição de dogma no passado. Ainda que se exija 
do magistrado postura ativa no processo, não deve, nem pode, o mesmo, bem 
compreendida a afirmativa, \u201cadvogar\u201d para quaisquer dos contendores. Postura 
ativa e postura tendenciosa são conceitos que não podem ser baralhados. 
2. Do ponto de vista da estruturação do regramento processual infraconstitu-
cional, com ressalvas é claro, afigura-se possível, episodicamente, promover o pro-
palado princípio protetivo em algumas