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TURISMO, MEIO AMBIENTE E 
SUSTENTABILIDADE 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Aline Maria Biagi 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O turismo como ferramenta de educação ambiental 
As diferentes tipologias de UCs trazem diferentes abordagens na 
sensibilização dos visitantes desse espaço. Vamos aqui conhecer os princípios 
e as políticas e ferramentas que norteiam a educação ambiental nesses espaços. 
CONTEXTUALIZANDO 
 A educação ambiental nas UCs, além de proporcionar a experiência de 
visitação, foca também em uma sensibilização e conexão com a natureza, 
tornando o visitante um agente de preservação ambiental. 
 O entendimento de que a educação e os processos pedagógicos eram 
importantes passou por discussões e conferências que se transformaram em 
normativas. A partir desse processo, a utilização desses conceitos e a 
construção de ferramentas que auxiliem nessa troca de experiências entre 
comunidade, visitante e gestão da UC são fundamentais para um uso equilibrado 
desse território. Vamos abordar mais sobre isso. 
TEMA 1 – HISTÓRICO, OBJETIVOS, CONCEITOS, PRINCÍPIOS E PRÁTICAS DA 
EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
O conceito de “educação ambiental” começa em meados de 1960, e 
desde então vem reunindo muitas experiências e aprofundando a sua 
compreensão como sendo uma importante ferramenta para o desenvolvimento 
sustentável. 
 Historicamente, em 1969, William Stapp, com o suporte de um renomado 
grupo de indicadores e primeiro responsável pelo “Programa de Educação 
Ambiental do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), 
publicam um artigo que define a ideia central da Educação Ambiental (EA) como 
“a produção de uma cidadania que tem conhecimento do ambiente biofísico e 
seus problemas associados, tem consciência de como ajudar a resolver esses 
problemas, e é motivada a trabalhar para a sua solução” (Dias, 2015, p. 198). 
Além disso, afirma nesse documento que a EA anseia ajudar os indivíduos a 
adquirir: 
 
 
3 
a) A compreensão clara de que o homem é uma parte inseparável de 
um sistema, composto pelo próprio homem, pela cultura e pelo 
ambiente biofísico, e que o homem tem a capacidade de alterar as 
inter-relações deste sistema. 
b) Uma ampla compreensão do ambiente biofísico, tanto o natural 
quanto o feito pelo homem, e seu papel na sociedade contemporânea. 
c) Uma compreensão fundamental dos problemas ambientais 
biofísicos enfrentados pelo homem, como esses problemas podem ser 
resolvidos, e a responsabilidade dos cidadãos e do governo para 
trabalhar na sua solução. 
d) Atitudes de preocupação com a qualidade do ambiente biofísico que 
irá motivar os cidadãos para participar da solução dos problemas 
ambientais biofísicos. (Dias, 2015, p. 198) 
 
 Dando continuidade a esse novo conceito, o Programa Internacional de 
Educação Ambiental (Piea) organizou no ano de 1975 o Workshop Internacional 
de Peritos, em Belgrado. Nesse evento, os delegados que participaram tiveram 
a missão de formular os conceitos, visões e características da EA. Esse 
Workshop resultou na Carta de Belgrado, que em seu conteúdo convida a 
humanidade a repensar o conceito de desenvolvimento, e de forma individual 
repensar os seus hábitos e esquemas de prioridades (Dias, 2015, p. 201). 
 Os princípios apresentados na Carta de Belgrado foi base para as 
discussões que se seguiram. Em 1977, a Conferência de Tbilisi foi a primeira 
conferência intergovernamental voltada especialmente a discutir EA, e resultou 
na Declaração de Tbilisi, que em seu texto final traz o seguinte informe: 
A EA é parte integrante do processo educativo. Deve girar em torno de 
problemas concretos e ter um caráter interdisciplinar. Deve tender a 
reforçar o sentido dos valores, contribuir ao bem-estar geral e 
preocupar-se com a sobrevivência do gênero humano. Deve obter o 
essencial de sua força da iniciativa dos alunos e de seu empenho na 
ação, e inspirar-se em preocupações tanto imediatas quanto do futuro. 
(Dias, 2015, p. 202) 
 Na busca por aplicar essas conceituações abordadas nos eventos citados 
anteriormente, foram identificadas e desenvolvidas três dimensões fundamentais 
da EA, são elas: 
• Educação sobre o meio ambiente: está focada em aspectos cognitivos, 
preocupados com a aquisição de conhecimento e compreensão das 
questões ambientais; 
• Educação no ambiente: refere-se ao cenário externo ou cenário 
ambiental, tanto naturais como antropogênicos, como o meio em que o 
desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e sentimentos está 
ocorrendo por meio das experiências. Essa dimensão da EA estimula o 
interesse, recreação e sensibilização; 
 
 
4 
• Educação para o meio ambiente: refere-se à motivação pessoal e ao 
sentido de responsabilidade, que resultam do desenvolvimento de uma 
ética ambiental pessoal (Dias, 2015, p. 202-203). 
Uma abordagem da ‘Educação no ambiente’ está no desejo de um mundo 
que em sua totalidade consiga (re)encontrar o equilíbrio e a consciência da 
unicidade do universo, em conformidade para as futuras gerações. E, para tal, 
“há a necessidade da educação para a conscientização, isto é, o processo que 
busca conscientizar o turista e aqueles que mantêm contato com o mesmo, para 
o entendimento de que o homem é a própria natureza” (Pinheiro et al., 2010, p. 
337). 
Dessa forma, o turismo em espaços naturais pode ser visto como uma 
possibilidade para o uso de áreas naturais protegidas pela própria atividade 
turística, quando essa atividade objetiva a preservação, a considerar que a 
atividade, quando “vista e planejada como um evento, fato, ou conjunto de 
relações que envolve infinitas facetas do existir humano, valoriza o atrativo 
natural e sai da superficialidade comercial para um espaço qualitativo de 
reflexão, de reencontro entre o homem e o meio ambiente” (Pinheiro et al., 2010, 
p. 337). 
Alguns programas já atuam nesse sentido de educação e sensibilização 
para o ambiente natural, e vamos abordar um pouco a forma como esses 
programas atuam no sentido de normatizações e políticas de incentivo a essas 
atividades. 
TEMA 2 – POLÍTICAS E PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL: GLOBAIS 
E LOCAIS 
Seguindo toda a preocupação histórica citada no tópico anterior, a EA em 
nível global atualmente segue o escopo dos ODS, e em nível global atua no 
Programa de Ação Global (Global Action Programe – GAP) promovendo a 
Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS), que “contribui para mudar 
a forma como as pessoas pensam e agem para alcançarmos um futuro 
sustentável. A EDS significa incluir questões-chave sobre o desenvolvimento 
sustentável no ensino e na aprendizagem” (Unesco, 2023, on-line). 
 Para promover a EDS, a Unesco apoia países em desenvolvimento, 
expandindo as atividades educacionais que abordam questões de 
Highlight
 
 
5 
sustentabilidade, como a mudança climática, biodiversidade, redução de riscos 
de desastres, água, diversidade cultural, entre outros. Para tal, a Unesco 
disponibiliza subsídios a formuladores e gestores de políticas públicas sobre as 
formas possíveis de integrar a ESD às políticas voltadas à educação, aos 
currículos e ao processo de formação de professores. Assim, “a educação deve 
promover o pensamento crítico, a projeção de cenários futuros e a tomada de 
decisões de forma colaborativa, capacitando os estudantes a viver com 
responsabilidade e enfrentar os complexos desafios globais” (Unesco, 2023, on-
line). 
 No Brasil, o elemento norteador é a Política Nacional de Educação 
Ambiental, instituído pela Lei n. 9.795/1999. Essa lei entende educação 
ambiental como “os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade 
constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências 
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, 
essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (Brasil, 1999, on-
line). E em seu art. 5º, aponta como objetivos fundamentaisda EA: 
I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio 
ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo 
aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, 
econômicos, científicos, culturais e éticos; 
II - a garantia de democratização das informações ambientais; 
III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a 
problemática ambiental e social; 
IV - o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e 
responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, 
entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor 
inseparável do exercício da cidadania; 
V - o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em 
níveis micro e macrorregionais, com vistas à construção de uma 
sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da 
liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, 
responsabilidade e sustentabilidade; 
VI - o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a 
tecnologia; 
VII - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e 
solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade. 
 Aqui são apresentados dois modelos de educação: (i) a educação 
ambiental no ensino formal: desenvolvida no âmbito dos currículos das 
instituições de ensino; (ii) a educação ambiental não formal: “as ações e práticas 
educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões 
ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio 
ambiente” (Brasil, 1999, on-line). 
 
 
6 
 No que diz respeito à educação ambiental não formal, o Poder Público em 
níveis federal, estadual e municipal, incentivará: 
I - a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de massa, em 
espaços nobres, de programas e campanhas educativas, e de 
informações acerca de temas relacionados ao meio ambiente; 
II - a ampla participação da escola, da universidade e de organizações 
não-governamentais na formulação e execução de programas e 
atividades vinculadas à educação ambiental não-formal; 
III - a participação de empresas públicas e privadas no 
desenvolvimento de programas de educação ambiental em parceria 
com a escola, a universidade e as organizações não-governamentais; 
IV - a sensibilização da sociedade para a importância das unidades de 
conservação; 
V - a sensibilização ambiental das populações tradicionais ligadas às 
unidades de conservação; 
VI - a sensibilização ambiental dos agricultores; 
VII - o ecoturismo. 
 Essa Lei visa estímulos a vários setores com caráter ambiental, entre eles 
está o fomento à conscientização ambiental em áreas turísticas, com estímulo 
ao turismo sustentável; e a promoção de ações socioeducativas destinadas a 
diferentes públicos nas unidades de conservação da natureza em que a visitação 
pública é permitida (Brasil, 1999, on-line). 
 O documento Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental 
(Encea) “atua como um instrumento orientador efetivamente utilizado por todos 
os gestores e demais atores e instituições envolvidos com o planejamento e a 
execução de ações de comunicação e educação ambiental em Unidades de 
Conservação e seu entorno [...]” (MMA, 2023, on-line). 
O documento do Encea está disponível no link: 
. Nele, você pode olhar com mais detalhes essas diretrizes. E 
pode ser uma ferramenta importante na gestão de unidade de conservação. 
 Para promover a educação não formal em unidades de conservação, 
alguns instrumentos normativos são criados para considerar a especificidade de 
cada local. O documento de Diretrizes para a Estratégia Nacional de 
Comunicação e Educação Ambiental em Unidades de Conservação (Encea) traz 
princípios, diretrizes, objetivos e as propostas de ações necessárias ao 
desenvolvimento de políticas públicas e programas de educação ambiental e 
comunicação. Vamos abordar esse assunto no próximo tópico. 
 
 
7 
TEMA 3 – INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL NO TURISMO: FERRAMENTAS 
GUIADAS/CONDUZIDAS 
Existe a crença de que os impactos ambientais podem ser reduzidos 
quando existe um olhar mais romantizado e aproximado do turista, de forma a 
aproximá-lo ainda mais com os elementos da natureza, quando este se distancia 
do consumismo da sociedade. Atitudes desse gênero almejam tornar a 
conscientização ambiental um ato espontâneo e fluido, o que acaba por 
desenvolver uma nova sensibilidade em uma parcela dos praticantes de turismo 
em áreas naturais, que faz com que abusos cometidos contra a natureza não 
sejam tolerados, a considerar que essas paisagens se tornam necessárias para 
a conexão como seres pertencentes à natureza (Pinheiro et al., 2010, p. 337-
338). 
 A interpretação ambiental é definida pelo ICMBio como “um conjunto de 
estratégias de comunicação destinadas a revelar e traduzir os significados dos 
recursos ambientais, históricos e culturais, a fim de provocar conexões pessoais 
entre o público e o patrimônio protegido” (ICMBIO, 2018, p. 29). E quando 
realizado de forma planejada e estruturada, a interpretação ambiental é uma 
importante ferramenta para o fortalecimento da compreensão da importância da 
UC e para que a experiência seja enriquecedora. 
 No processo de elaboração de um plano de manejo de UC, deve-se 
buscar subsídios que reflitam o propósito da referida UC, e “se baseiem nas 
declarações de significância e nos recursos de valores fundamentais. Referem-
se aos principais atributos tangíveis e intangíveis, histórias, lendas e significados 
da UC, que sensibilizem o visitante, conectando de forma mais ampla com a UC” 
(ICMBIO, 2018, p. 29). 
 A interpretação ambiental é considerada uma parte da educação 
ambiental, e descreve “as atividades de uma comunicação realizada para a 
melhor compreensão do ambiente natural em áreas protegidas, museus centros 
de interpretação da natureza, entre outros” (Moreira, 2014, p. 78). 
Portanto, a interpretação ambiental objetiva a conservação dos 
recursos naturais, e procura aumentar a satisfação dos visitantes, 
servindo como uma ferramenta de manejo. Pretende sensibilizá-los 
para que vejam, explorem, observem, analisem, compreendam e 
sintam o patrimônio natural que estão visitando. Mas, para revelar o 
sentido profundo de uma realidade histórica ou de uma paisagem, há 
um aspecto imprescindível: a necessidade de partir sempre da 
 
 
8 
investigação cientifica do patrimônio e ser fiel aos resultados dessas 
investigações. (Moreira, 2014, p. 14) 
 Em um exemplo aplicado no Geoparque Gerolstein, na Alemanha, 
entende-se que os tópicos geocientíficos, ao serem abordados, devem ser 
apresentados de forma interessante e em diversos níveis, com a intensidade na 
transferência de informação variando de acordo com o público-alvo: tais níveis 
são: 
• Nível 01: Público em geral. Informação (destinada a adultos, 
comunidade e visitantes em grupo) e a educação (inclui a realização 
de saídas de campo e excursões para professores e estudantes, 
seminários, minicursos etc.). 
• Nível 02: Ciências. Através da colaboração da Universidade, sendo 
os estudos científicos a base para o conhecimento geológico a ser 
transferido. • Nível 03: Economia. Nesse nível o geoturismo é o carro 
chefe. Quanto mais visitantes na região, mais divisas são geradas pelo 
turismo, sendo a qualidade na prestação de serviços essencial. 
• Nível 04: Mídia. Por meio da televisão, rádio e mídia impressa, já que 
o sucesso de um produto turístico depende não somente dos 
conteúdos dos roteiros, mas também da divulgação realizada através 
dos meios de comunicação. 
• Nível 05: Sociedade. Para a sociedade, o instrumento utilizado é o 
patrimônio geológico. Nesse caso, uma nova forma de orgulho por 
parte da sociedade deve ser estimulada, no sentido de promover e 
incentivar a sua identidade com a paisagem. (Moreira, 2014, p. 80) 
 Nos planos de manejo, no Programa de UsoPúblico, o subprograma de 
Interpretação e Educação Ambiental está inserido. E nele busca-se tratar da 
organização e planejamento de serviços que transmitam ao visitante 
conhecimento e valores de assuntos como: patrimônio natural e cultural da 
região, a interpretar os seus recursos. Seguindo as recomendações feitas pelo 
IBAMA e ICMBio, as atividades são direcionadas ao “planejamento de materiais 
e elementos interpretativos e de divulgação para as áreas onde a visitação será 
permitida, tais como interpretação em trilhas, exposições nos Centros de 
Visitantes (ou Centros Interpretativos) e a sinalização” (Moreira, 2014, p. 81). 
 Várias técnicas de interpretação ambiental podem ser utilizadas nesse 
contexto de visitação voltada à sensibilização, que visam estimular a 
compreensão do patrimônio ambiental, biológico, geológico e a minimização de 
impactos negativos (Moreira, 2014). 
TEMA 4 – INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL NO TURISMO: FERRAMENTAS 
AUTOGUIADAS 
Já foi discutido aqui que a atividade turística pode ter como finalidade o 
despertar do turista para o sublime, instigando a reflexão e o entendimento do 
Highlight
 
 
9 
ser humano sobre si e sobre o seu pertencimento junto a natureza. Essa 
percepção pode contribuir, de alguma forma, para a preservação ambiental. Isso 
demonstra a necessidade de “um (re)encontro que possibilite a descoberta 
daquilo que sempre coexistiu com o homem no espaço, contrariando o que 
Santos (2006) afirma: não é a natureza que é cega e sim o homem” (Pinheiro et 
al., 2010, p. 338). 
 Na busca pelo objetivo da interpretação ambiental, diversos são os meios 
interpretativos que podem ser utilizados, esses meios se classificam em 
personalizados e não personalizados. Moreira (2014) cita como meios não 
personalizados aqueles que não utilizam diretamente intérpretes, apenas objetos 
ou aparatos. Alguns exemplos desses meios não personalizados são: 
sinalização e placas indicativas; painéis interpretativos; publicações 
(informações impressas, livros, folhetos, guias, mapas); trilhas autoguiadas; 
audiovisuais; exposições etc. 
 Os meios personalizados inserem-se as interações entre o público e o 
intérprete, e podemos citar como exemplo: trilhas guiadas; passeios em veículos 
não motorizados (bicicleta, cavalo, canoas); audiovisuais com atendimento 
pessoal; palestras, atividades como representações teatrais, jogos e simulações, 
entre outros. Uma das vantagens desse meio está na possibilidade de 
comunicação, e o fato de existir um intérprete pode despertar maior interesse e 
a possibilidade de adaptação da forma a se passar as informações a diferentes 
públicos (Moreira, 2014). 
 Existem diversas estratégias para atingir os objetivos da interpretação 
ambiental, importante que a técnica da implementação não se restrinja apenas 
um meio, importante que as informações e estratégias se complementem nessa 
transmissão de informação. 
 Um dos meios interpretativos com maior eficiência são as trilhas 
interpretativas conduzidas, uma vez que a finalidade delas é enriquecer as 
experiências dos visitantes, e assim favorecer a conscientização ambiental, e o 
condutor pode (e deve) realizar um trabalho educativo nesse processo turístico 
voltado para as questões ambientais. Aqui, o condutor no papel de intérprete, 
possui “a vantagem do contato pessoal, a formulação de perguntas e um maior 
controle do comportamento do público. Além disso, as trilhas interpretativas 
servem como meio de acesso para grande parte dos atrativos naturais e podem 
 
 
10 
funcionar como instrumento para minimizar impactos negativos” (Moreira, 2014, 
p. 82). 
A Figura 1 mostra algumas placas informativas, tanto nas trilhas 
autoguiadas quanto nas com algum intérprete. 
Figura 1 - Placas de sinalização nas trilhas de visitação das UCs 
 
Créditos: AlexMastro; Marina_Ku/ Adobe Stock. 
 As várias estratégias de se passar as informações e sensibilizar os 
visitantes são instrumentos para a educação ambiental a serem realizadas nas 
UCs, vamos abordar mais esse tema. 
TEMA 5 – EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA, SUSTENTABILIDADE E 
CAMINHOS 
A partir da setorização, organização e planejamento sobre os espaços de 
uso público, é possível desenvolver um projeto de educação ambiental acolhedor 
e eficiente. 
 A princípio, é importante que a educação ambiental seja direcionada aos 
grupos sociais que estão em contato diário com a realidade das UCs, por 
exemplo, vizinhos, moradores, usuários ou beneficiários desses territórios 
protegidos. A aproximação desses atores é uma estratégia essencial para o 
engajamento da sociedade na tarefa desafiadora de conservar nesses territórios 
as diversidades natural, cultural e histórica (MMA, 2016). 
 Em sentido geral, as ações de EA nesses espaços objetivam “a mudança 
de atitude dos indivíduos em relação ao espaço protegido, contribuindo para a 
construção de novos conhecimentos e valores necessários à conservação da 
biodiversidade e ao desenvolvimento socioambiental” (MMA, 2016, p. 10). 
https://stock.adobe.com/br/contributor/209757195/alexmastro?load_type=author&prev_url=detail
https://stock.adobe.com/br/contributor/210215365/marina-ku?load_type=author&prev_url=detail
 
 
11 
 Um ponto a se destacar é o fato de que “monitorar impactos de 
conservação de projetos de educação ambiental remete a uma série de desafios 
conceituais e práticos. Isso se dá, especialmente, no cenário brasileiro de 
escassos recursos humanos e financeiros” (MMA, 2016, p. 11). Ainda assim, é 
possível mostrar que essas ações têm efeitos positivos e promovem mudança 
de atitude, engajamento e participação social, o que contribui ativamente com as 
unidades de conservação brasileiras. Dessa forma, quando em tempos de crise, 
precisamos ser mais eficientes e estratégicos em mostrar que investir na 
formação de atores sociais tem o potencial de promover transformação. 
A educação ambiental crítica e emancipatória deve permear as práticas 
educativas no interior e no entorno de áreas protegidas. Os educandos 
e educadores dessas áreas, especialmente aquelas isoladas e com 
menos apoio, clamam por oportunidades. É preciso investir em 
modelos simples e inovadores de educação. Faz-se necessário 
promover o fortalecimento da participação social na gestão da 
biodiversidade, primando pela equidade de gênero, protagonismo do 
jovem e dos atores em vulnerabilidade ambiental e pela identidade 
local dos projetos. Assim, certamente, promoveremos a mudança do 
paradigma atual, que nos levou à crise ambiental e social em que 
vivemos. (MMA, 2016, p. 11) 
 
 O gestor de uma unidade de conservação, além de todo o processo 
administrativo e atenção ao uso-público na UC, precisa estar ciente dos 
processos educativos e do potencial de sensibilização do local. Assim, as 
diferentes concepções pedagógicas demandam processos de capacitação 
diferenciados. Para que a proposta pedagógica emancipatória seja posta em 
prática, assume-se que “o educador, além do seu compromisso com a causa 
ambiental e com uma educação transformadora e dialógica, deve ser detentor 
de conhecimentos e habilidades, no campo ambiental e educacional, que lhe 
permitam” (Quintas, 2006, p. 20). 
• construir e reconstruir, num processo de ação e reflexão, o 
conhecimento sobre a realidade, de modo dialógico com os sujeitos 
envolvidos no processo educativo, no sentido de superar a visão 
fragmentada sobre esta; 
• atuar como catalizador (sem neutralidade) de processos educativos 
que respeitem a pluralidade e diversidade cultural, fortaleçam a ação 
coletiva e organizada, articulem aportes de diferentes saberes e 
fazeres e proporcionem a compreensão da problemática ambiental em 
toda a sua complexidade; 
• agir em conjunto com a sociedade civil organizada e sobretudo com 
os movimentos sociais, numa visão da educação ambiental como 
processo instituinte de novas relações dos seres humanos entre si e 
deles com a natureza.• dialogar com as áreas disciplinares e com os diferentes atores sociais 
envolvidos com a gestão ambiental. 
 
Highlight
Highlight
 
 
12 
Uma dica para vivenciar esse processo na prática é que alguns Parques 
Nacionais possibilitam a inscrição de voluntariado para auxiliar nas atividades de 
conservação e visitação. 
Aqui tem um exemplo de um programa de voluntariado no Parque 
Nacional da Serra da Botuquena (MS). O link explicando como funciona esse 
programa está aqui: . Acesso 
em: 7 jun. 2023. 
 Várias concepções e nomenclaturas para a educação ambiental são 
descritas. Entre os tantos nomes que podem se desdobrar em outras 
denominações de EA estão: “popular, crítica, política, formal, comunitária, não 
formal, para o desenvolvimento sustentável, ao ar livre, conservacionista, 
socioambiental, para solução de problemas, alfabetização ecológica e educação 
no processo de gestão ambiental”, entre outros (ICMBIO, 2018, p. 25). 
 O ICMBio elaborou uma tabela que diferencia três grupos que abarcam 
as principais linhas de EA no Brasil atualmente: 
Tabela 1 - As três atuais macrotendências de EA no Brasil 
Conservadora Pragmática Crítica 
Correntes 
conservacionista, 
comportamentalista, 
alfabetização 
ecológica e do 
autoconhecimento 
Educação para o 
desenvolvimento 
sustentável e consumo 
sustentável 
Correntes da EA 
popular, emancipatória, 
transformadora e no 
processo de gestão 
ambiental 
Distanciada da 
dinâmica social e 
política 
Compensação para 
corrigir a imperfeição do 
sistema produtivo 
Revisão crítica dos 
fundamentos que 
proporcionam a 
dominação do ser 
humano 
Apoia-se nos 
princípios da ecologia, 
na valorização da 
dimensão afetiva e na 
mudança dos 
comportamentos 
individuais 
Percebe o meio 
ambiente como uma 
mera coleção de 
recursos naturais em 
processo de 
esgotamento 
Busca enfrentamento 
político das 
desigualdades e da 
injustiça socioambiental 
Não questiona a 
estrutura social 
vigente em sua 
totalidade, mas 
apenas reformas de 
partes ou setores 
sociais 
 
Promoção de reformas 
setoriais na sociedade 
sem questionar seus 
fundamentos de base 
 
Oposição às tendências 
conservadoras e 
comportamentais 
Highlight
 
 
13 
 Desconsidera a 
distribuição desigual 
dos custos e benefícios 
da apropriação dos 
bens naturais 
Forte viés sociológico e 
político 
Fonte: ICMBio, 2018, p. 25. 
 Dentre os principais autores sobre EA nas unidades de conservação, uma 
questão importante é que 
os sujeitos da ação educativa (ou o público dessas ações) devem ser, 
prioritariamente, segmentos sociais diretamente afetados pelos atos da 
gestão ambiental e dispõem de menos condições para intervir, como é 
o caso específico das populações tradicionais e não tradicionais 
residentes no entorno ou interior das UCs. (ICMBIO, 2018, p. 26) 
 Aqui a metodologia e planejamento das ações devem ser realizadas e 
embasadas, sendo temas importantes a justiça ambiental, risco ambiental e 
serviços ambientais. Vale ressaltar a importância de se observar as 
características específicas de cada território onde se encontra a UC e fazer com 
que a EA esteja inserida nessa realidade local. 
TROCANDO IDEIAS 
 A TV BrasilGov fez uma reportagem sobre a trilha de mountain bike dentro 
da Floresta Nacional de Brasília. 
Segue o link: . Acesso 
em: 7 jun. 2023. 
Com base na reportagem e no que vimos nesta abordagem, vamos 
pensar e discutir no chat uma atividade turística que promova a aproximação do 
homem com a natureza de forma respeitosa e harmônica. Ou mesmo uma 
atividade de educação ambiental nesses espaços. 
NA PRÁTICA 
O ICMBio elaborou uma tabela com o Plano de Ação de Educação 
Ambiental. Nesse plano são apresentados pontos importantes a se conhecer na 
elaboração da EA para se alcançar o objetivo desejado. São eles: ação ou 
projeto para se atingir o objetivo ou meta; quem é responsável pela ação; onde 
será realizada a ação; por que essa ação é importante; como será realizada a 
ação; quando, qual o prazo de finalização da atividade; e quais recursos serão 
necessários. Nesse link você pode ver exemplos de como essa tabela é 
 
 
14 
preenchida:. Acesso 
em: 7 jun. 2023. 
Considerando o que foi aqui discutido, elabore uma ação voltada ao 
objetivo de diminuir o atropelamento de fauna em uma unidade de conservação. 
FINALIZANDO 
 As unidades de conservação possuem um importante papel na 
preservação e conservação do meio ambiente. Porém, a participação da 
comunidade e da sociedade como um todo é de extrema importância na 
manutenção das UCs. 
 Assim, a educação ambiental é uma importante ferramenta nesse 
processo de percepção da sociedade para as questões ambientais. 
 E futuros gestores ambientais precisam, além de promover a visitação e 
proporcionar a experiência turística, propor ações e atividades que fortaleçam a 
percepção de pertencimento e a relação homem/natureza. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação 
ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras 
providências. Disponível em: 
. Acesso em: 2 maio 2023. 
BRASIL. Prefeitura de Nova Iguaçu. Nova Iguaçu participa de “Um dia no 
parque”. 20 jul. 2019. Disponível em: 
. Acesso em: 9 maio 2023. 
DIAS, R. Sustentabilidade: origem e fundamentos; educação e governança 
global; modelo de desenvolvimento. [S.l.]: Grupo GEN, 2015. E-book. ISBN 
9788522499205. Disponível em: 
. Acesso 
em: 1 maio 2023. 
FERREIRA, R. Instituições inauguram placa de identificação de aves no Parque 
Estadual do Prosa. Wikiparques, 15 mar. 2017. Disponível em: 
. Acesso em: 9 maio 2023. 
ICMBIO. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Roteiro 
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	Conversa inicial
	O turismo como ferramenta de educação ambiental
	Contextualizando
	Trocando ideias
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS
	FERREIRA, R. Instituições inauguram placa de identificação de aves no Parque Estadual do Prosa. Wikiparques, 15 mar. 2017. Disponível em:

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