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INTRODUÇÃO A 
ENGENHARIA DE 
SEGURANÇA DO 
TRABALHO
Sumário 
Contexto Histórico da Segurança no Trabalho1.
Origem da Segurança e Saúde no Trabalho2.
Revolução Industrial e seus Impactos3.
Surgimento da Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil4.
Organização Internacional do Trabalho (OIT)5.
Os Profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho6.
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho7.
Técnico de Segurança do Trabalho8.
Engenheiro de Segurança do Trabalho9.
Técnico de Enfermagem do Trabalho10.
Enfermeiro do Trabalho11.
Médico do Trabalho12.
Legislação de Segurança do Trabalho no Brasil13.
Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)14.
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA)15.
Equipamentos de Proteção Individual (EPI)16.
Acidente de Trabalho: Conceito e Classificação17.
Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)18.
Riscos Ocupacionais e sua Classificação19.
Metodologias de Avaliação de Riscos20.
Hierarquia de Controles de Riscos21.
Insalubridade e Periculosidade22.
Ergonomia e NR-1723.
Trabalho em Altura (NR-35)24.
Espaços Confinados (NR-33)25.
Indicadores de Desempenho em SST26.
Cultura de Segurança e Comportamento Seguro27.
Referências Bibliográficas28.
Contexto Histórico da Segurança no 
Trabalho
A preocupação com a segurança no trabalho emergiu como resposta às condições precárias 
enfrentadas pelos trabalhadores ao longo da história. Desde as antigas civilizações, registros 
evidenciam tentativas de proteger trabalhadores expostos a riscos, embora de forma incipiente. O 
desenvolvimento sistemático da segurança do trabalho como disciplina científica ocorreu 
principalmente após a Revolução Industrial, quando acidentes e doenças ocupacionais tornaram-se 
epidêmicos.
A evolução histórica da segurança do trabalho reflete transformações sociais, econômicas e 
tecnológicas. Inicialmente focada em aspectos puramente técnicos e corretivos, a área expandiu-se 
para incorporar dimensões preventivas, ergonômicas e de gestão integrada. Atualmente, reconhece-se 
que ambientes de trabalho seguros e saudáveis constituem direito fundamental e fator essencial para o 
desenvolvimento sustentável das organizações e sociedades.
No contexto contemporâneo, a segurança do trabalho transcende a mera conformidade legal, 
posicionando-se como elemento estratégico da gestão organizacional. As empresas que investem em 
segurança do trabalho observam redução de custos com acidentes, aumento da produtividade, 
melhoria do clima organizacional e fortalecimento de sua imagem corporativa perante stakeholders.
Origem da Segurança e Saúde no 
Trabalho
As primeiras manifestações de preocupação com a saúde dos trabalhadores remontam à Antiguidade. 
Hipócrates (460-370 a.C.) descreveu doenças relacionadas à exposição ao chumbo em mineradores. 
Plínio, o Velho (23-79 d.C.), observou os efeitos nocivos de poeiras e vapores sobre trabalhadores e 
recomendou o uso de máscaras rudimentares feitas de bexiga de animais para proteção respiratória.
No século XVI, Georgius Agrícola publicou "De Re Metallica" (1556), obra que abordava 
sistematicamente acidentes e doenças em mineração, propondo medidas de ventilação e proteção. 
Paracelso, médico e alquimista, também documentou doenças ocupacionais de mineradores. 
Bernardino Ramazzini (1633-1714), considerado o pai da medicina do trabalho, publicou "De Morbis 
Artificum Diatriba" (1700), catalogando mais de 50 profissões e suas respectivas doenças associadas, 
enfatizando a importância da anamnese ocupacional.
Estas contribuições pioneiras estabeleceram fundamentos para o reconhecimento de que as condições 
de trabalho influenciam diretamente a saúde dos trabalhadores. Todavia, apenas com a 
industrialização em larga escala e suas consequências devastadoras é que a segurança do trabalho 
consolidou-se como campo sistemático de conhecimento e intervenção, impulsionada por demandas 
sociais e movimentos trabalhistas.
Revolução Industrial e seus 
Impactos
A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra no século XVIII e expandida globalmente no século XIX, 
transformou radicalmente os processos produtivos e as relações de trabalho. A mecanização, a 
concentração de trabalhadores em fábricas e a intensificação da produção criaram ambientes laborais 
extremamente perigosos e insalubres. Jornadas extenuantes de 14 a 16 horas diárias, trabalho infantil, 
ausência de proteções em máquinas e exposição a agentes físicos, químicos e biológicos resultaram em 
índices alarmantes de acidentes graves, mutilações e mortes.
As condições precárias geraram mobilização social e pressão política. Na Inglaterra, as primeiras leis de 
proteção ao trabalho surgiram no início do século XIX. O Factory Act de 1802 limitou a jornada de 
trabalho de aprendizes. O Factories Act de 1833 proibiu o trabalho de menores de nove anos e 
estabeleceu inspeção nas fábricas. Posteriormente, a Lei das Fábricas de 1844 exigiu cercamento de 
máquinas perigosas e inspeções de segurança.
Na Alemanha, Otto von Bismarck implementou, na década de 1880, o primeiro sistema de seguro social 
obrigatório, incluindo acidentes de trabalho (1884). Nos Estados Unidos, as primeiras leis estaduais 
sobre acidentes de trabalho surgiram no início do século XX. Estes marcos legislativos estabeleceram 
responsabilidades patronais, criaram mecanismos de compensação e estimularam a adoção de 
medidas preventivas, pavimentando o caminho para a institucionalização da segurança do trabalho 
como função organizacional e estatal.
Surgimento da Segurança e Saúde 
no Trabalho no Brasil
No Brasil, a preocupação formal com a segurança e saúde do trabalho emergiu no início do século XX, 
impulsionada pela industrialização crescente, movimentos operários e influência de experiências 
internacionais. A Lei nº 3.724, de 15 de janeiro de 1919, foi o primeiro diploma legal brasileiro sobre 
acidentes de trabalho, estabelecendo obrigatoriedade de indenização aos trabalhadores acidentados 
ou seus dependentes, independentemente de culpa patronal em atividades consideradas de risco.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), promulgada pelo Decreto-Lei nº 5.452 de 1º de maio de 1943, 
representou avanço significativo ao dedicar o Capítulo V à Segurança e Medicina do Trabalho. A CLT 
estabeleceu normas gerais sobre condições de trabalho, criação de Comissões Internas de Prevenção de 
Acidentes (CIPA), obrigatoriedade de Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho 
(SESMT) e responsabilidades de empregadores e empregados.
Em 1978, o Ministério do Trabalho aprovou as Normas Regulamentadoras (NRs) por meio da Portaria nº 
3.214, regulamentando os artigos 154 a 201 da CLT. Atualmente existem 38 NRs vigentes, 
constantemente atualizadas para incorporar avanços técnico-científicos e especificidades setoriais. A 
criação da Fundacentro (1966) e a ratificação de convenções da OIT consolidaram o arcabouço 
institucional brasileiro de segurança do trabalho, alinhando-o a padrões internacionais e estabelecendo 
cultura prevencionista progressivamente mais robusta.
Organização Internacional do 
Trabalho (OIT)
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi criada em 1919 pelo Tratado de Versalhes, como parte 
da Liga das Nações, após a Primeira Guerra Mundial. Em 1946, tornou-se a primeira agência 
especializada das Nações Unidas. A OIT fundamenta-se no princípio de que a paz universal e 
permanente somente pode basear-se na justiça social, reconhecendo que condições de trabalho que 
impliquem injustiça, miséria e privações para grande número de pessoas constituem ameaça à paz e 
prosperidade universais.
A OIT possui estrutura tripartite única, reunindo representantes de governos, empregadores e 
trabalhadores de 187 Estados-Membros. Esta composição garante que normas, políticas e programas 
reflitam perspectivas equilibradas dos principais atores do mundo do trabalho. A OIT promove direitos 
fundamentais no trabalho, oportunidades de emprego decente, proteção social efortalecimento do 
diálogo social para tratar questões relacionadas ao trabalho.
Especificamente em segurança e saúde ocupacional, a OIT desenvolveu mais de 40 convenções e 
recomendações. Destacam-se a Convenção nº 155 (1981) sobre Segurança e Saúde dos Trabalhadores, 
ratificada pelo Brasil em 1992, que estabelece princípios de política nacional de SST; a Convenção nº 
161 (1985) sobre Serviços de Saúde no Trabalho; e a Convenção nº 187 (2006) sobre o Quadro 
Promocional para a Segurança e Saúde no Trabalho. O Brasil ratificou diversas convenções da OIT, 
comprometendo-se a harmonizar sua legislação e práticas nacionais aos padrões internacionais 
estabelecidos.
Os Profissionais de Segurança e 
Saúde do Trabalho
Os profissionais de segurança e saúde do trabalho constituem equipe multidisciplinar responsável por 
planejar, implementar e gerenciar ações preventivas e corretivas nos ambientes laborais. Esta equipe 
integra diferentes formações e competências, atuando de forma complementar para identificar, avaliar 
e controlar riscos ocupacionais, promover saúde integral dos trabalhadores e assegurar conformidade 
legal e normativa.
Equipe 
Multidisciplinar
Engenheiros, técnicos, 
médicos, enfermeiros e 
outros profissionais 
trabalhando 
integradamente
Atuação Preventiva
Foco na antecipação, 
reconhecimento, avaliação 
e controle de riscos 
ocupacionais
Conformidade 
Legal
Garantia de cumprimento 
da legislação, normas 
regulamentadoras e 
diretrizes técnicas
A NR-4 estabelece a obrigatoriedade de constituição dos Serviços Especializados em Engenharia de 
Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) nas empresas, dimensionados segundo o grau de risco 
da atividade e o número de empregados. O SESMT deve ser composto por profissionais especializados: 
Engenheiro de Segurança do Trabalho, Médico do Trabalho, Técnico de Segurança do Trabalho, 
Enfermeiro do Trabalho e Auxiliar/Técnico de Enfermagem do Trabalho.
Serviços Especializados em 
Engenharia de Segurança e em 
Medicina do Trabalho
Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), 
regulamentados pela Norma Regulamentadora nº 4 (NR-4), constituem estrutura técnica obrigatória em 
empresas que possuam empregados regidos pela CLT, dimensionada conforme o grau de risco da 
atividade principal e o número total de empregados do estabelecimento. O SESMT tem por finalidade 
promover a saúde e proteger a integridade física dos trabalhadores no local de trabalho.
As atribuições do SESMT incluem: aplicar conhecimentos de engenharia de segurança e medicina do 
trabalho ao ambiente laboral e a todos os seus componentes, incluindo máquinas e equipamentos; 
determinar a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI); colaborar nos projetos de 
instalações físicas, considerando aspectos de segurança e ergonomia; responsabilizar-se tecnicamente 
pela orientação quanto ao cumprimento das NRs; manter permanente relacionamento com a CIPA; 
promover realização da Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT); e elaborar 
programas de prevenção como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Dimensionamento do SESMT
O dimensionamento varia conforme tabela da 
NR-4, considerando o Código Nacional de 
Atividade Econômica (CNAE) da empresa e seu 
grau de risco (1 a 4), cruzado com faixas de 
número de empregados. Quanto maior o risco e 
o número de trabalhadores, maior a exigência de 
profissionais especializados.
Importância Estratégica
O SESMT transcende função fiscalizadora, 
atuando como agente de transformação 
cultural, educação continuada e melhoria 
contínua das condições laborais, impactando 
positivamente indicadores de saúde, 
absenteísmo, produtividade e clima 
organizacional.
Técnico de Segurança do Trabalho
O Técnico de Segurança do Trabalho é profissional de nível médio técnico, com formação específica em 
curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), com carga horária mínima de 1.200 horas. O 
exercício profissional é regulamentado pela Lei nº 7.410, de 27 de novembro de 1985, e pelo Decreto nº 
92.530, de 9 de abril de 1986. Embora não exista obrigatoriedade de registro em conselho profissional, 
recomenda-se o registro no Sistema Nacional de Emprego (SINE) ou órgão equivalente.
As atribuições do Técnico de Segurança do Trabalho, conforme legislação vigente e NR-4, incluem: 
informar o empregador sobre os riscos existentes nos ambientes de trabalho; assessorar na elaboração 
e implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR); realizar inspeções de segurança; 
investigar acidentes e incidentes; orientar trabalhadores sobre uso correto de EPIs; ministrar 
treinamentos de segurança; executar procedimentos de controle de riscos; elaborar relatórios técnicos; 
participar da implementação de programas de prevenção; e colaborar com o SESMT e CIPA.
01
Formação Técnica
Curso técnico com 1.200h 
mínimas, reconhecido pelo MEC
02
Atuação Prática
Inspeções, investigações, 
orientações e treinamentos 
diários
03
Desenvolvimento 
Contínuo
Atualização constante em 
normas, tecnologias e melhores 
práticas
O Técnico de Segurança do Trabalho atua como elo fundamental entre a gestão, o SESMT e os 
trabalhadores, promovendo cultura prevencionista através de presença constante nos ambientes 
operacionais. Sua formação generalista permite identificar amplo espectro de riscos e propor soluções 
práticas. O mercado de trabalho para este profissional mantém-se aquecido, com demanda crescente 
em diversos setores econômicos, refletindo a valorização empresarial da segurança ocupacional.
Engenheiro de Segurança do 
Trabalho
O Engenheiro de Segurança do Trabalho é profissional de nível superior, graduado em qualquer 
modalidade de engenharia ou arquitetura, que concluiu curso de especialização em Engenharia de 
Segurança do Trabalho com carga horária mínima de 720 horas, conforme Resolução nº 325/87 do 
CONFEA. O exercício profissional é regulamentado pela Lei nº 7.410/1985 e exige registro no Conselho 
Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) com atribuições específicas em segurança do trabalho.
As atribuições do Engenheiro de Segurança do Trabalho, estabelecidas pela legislação e NR-4, 
abrangem: supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente os serviços de segurança do trabalho; 
estudar condições de segurança e propor soluções de engenharia; vistoriar, avaliar e elaborar laudos 
técnicos de insalubridade e periculosidade; analisar projetos de novas instalações, métodos e 
processos de trabalho; especificar, dimensionar e projetar sistemas de proteção coletiva; projetar 
sistemas de proteção contra incêndio; orientar atividades de ensino e treinamento; elaborar planos de 
controle de efeitos de catástrofes; e responsabilizar-se tecnicamente por programas de prevenção.
Formação Especializada
Graduação em engenharia/arquitetura + 
especialização 720h em Engenharia de 
Segurança do Trabalho, com registro no CREA.
Responsabilidade Técnica
Competência para elaborar laudos, perícias, 
projetos e assumir responsabilidade técnica por 
programas e sistemas de segurança.
O Engenheiro de Segurança do Trabalho possui formação técnico-científica aprofundada, capacitando-
o para análises complexas, desenvolvimento de soluções inovadoras e gestão estratégica da segurança 
ocupacional. Atua em dimensionamento de sistemas de proteção, avaliações quantitativas de 
exposição, simulações computacionais, gerenciamento de riscos empresariais e conformidade 
regulatória. Sua atuação transcende aspectos operacionais, contribuindo para decisões estratégicas 
organizacionais e desenvolvimento de cultura de segurança sustentável.
Técnico de Enfermagem do Trabalho
O Técnico de Enfermagem do Trabalho é profissional de nível médio técnico, com formação em técnico 
de enfermagem acrescida de especialização em enfermagem do trabalho. A formação básica em técnico 
de enfermagem possui carga horária mínima de 1.200 horas, regulamentada pelo MEC, seguida de curso 
de especialização em enfermagemdo trabalho. O exercício profissional é regulamentado pela Lei nº 
7.498/1986 (Lei do Exercício Profissional da Enfermagem) e exige registro no Conselho Regional de 
Enfermagem (COREN).
As atribuições do Técnico de Enfermagem do Trabalho, sob supervisão do Enfermeiro do Trabalho ou 
Médico do Trabalho, incluem: auxiliar no atendimento de urgência e emergência; preparar 
trabalhadores para consultas e exames; realizar curativos simples; administrar medicamentos 
prescritos; organizar e manter o ambiente de trabalho e materiais; participar de programas de educação 
em saúde; auxiliar processos de imunização ocupacional; coletar material para exames laboratoriais; 
realizar controles de esterilização; e registrar ações de enfermagem executadas.
Assistência Direta
Atendimentos de urgência, 
curativos e administração 
de medicamentos
Promoção de 
Saúde
Participação em 
campanhas educativas e 
programas preventivos
Suporte Técnico
Organização de materiais, 
registros e apoio aos 
profissionais de nível 
superior
O Técnico de Enfermagem do Trabalho atua como importante elo entre os trabalhadores e os serviços 
de saúde ocupacional, prestando assistência imediata, realizando orientações básicas e contribuindo 
para ações de vigilância e promoção da saúde. Sua presença regular nos ambientes de trabalho permite 
identificação precoce de sinais e sintomas relacionados ao trabalho, facilitando intervenções 
preventivas e reduzindo agravos à saúde dos trabalhadores.
Enfermeiro do Trabalho
O Enfermeiro do Trabalho é profissional de nível superior, graduado em enfermagem e portador de 
certificado de especialização em enfermagem do trabalho, em curso reconhecido nos termos da 
legislação vigente. A especialização possui carga horária mínima estabelecida pelo Conselho Federal de 
Enfermagem (COFEN). O exercício profissional é regulamentado pela Lei nº 7.498/1986 e exige registro 
no Conselho Regional de Enfermagem (COREN) com anotação da especialidade.
As atribuições do Enfermeiro do Trabalho, conforme legislação e NR-4, compreendem: assistir ao 
trabalhador em todas as fases de atenção à saúde (promoção, prevenção, recuperação e reabilitação); 
executar e avaliar programas de vigilância à saúde dos trabalhadores; prestar atendimento de urgência 
e emergência; realizar consulta de enfermagem; executar e supervisionar procedimentos de 
enfermagem; prescrever medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e 
protocolos; solicitar exames complementares; promover educação em saúde; participar de programas 
de imunização; elaborar relatórios estatísticos; e participar da implementação do PGR.
Competências Privativas
Consulta de enfermagem do trabalho
Prescrição de ações de enfermagem
Coordenação de equipe de enfermagem
Planejamento de ações de saúde ocupacional
Vigilância da saúde dos trabalhadores
Papel Estratégico
Atua como gestor da saúde 
ocupacional, coordenando ações 
integradas e promovendo cultura de 
autocuidado.
O Enfermeiro do Trabalho possui formação científica em saúde coletiva e saúde do trabalhador, 
capacitando-o para análises epidemiológicas, planejamento estratégico de ações de saúde, gestão de 
serviços e liderança de equipes multidisciplinares. Sua atuação é fundamental para integração entre 
aspectos clínicos, preventivos e gerenciais da saúde ocupacional, contribuindo decisivamente para 
ambientes de trabalho mais saudáveis e trabalhadores mais conscientes sobre autocuidado.
Médico do Trabalho
O Médico do Trabalho é profissional graduado em medicina, portador de certificado de conclusão de 
curso de especialização em medicina do trabalho, em nível de pós-graduação, ou portador de 
certificado de residência médica em medicina do trabalho, ambos reconhecidos pela Comissão 
Nacional de Residência Médica (CNRM) e registrados no Conselho Regional de Medicina (CRM). A 
especialização possui duração mínima estabelecida pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho 
Federal de Medicina (CFM), atualmente com carga horária de 2.880 horas.
As atribuições do Médico do Trabalho, estabelecidas pela legislação e NR-4, incluem: realizar exames 
médicos ocupacionais (admissional, periódico, retorno ao trabalho, mudança de função e demissional); 
emitir Atestado de Saúde Ocupacional (ASO); elaborar o Programa de Controle Médico de Saúde 
Ocupacional (PCMSO), atualmente integrado ao PGR; realizar avaliações clínicas para caracterização de 
nexo causal entre doenças e trabalho; estabelecer aptidão ou restrições laborais; promover campanhas 
de saúde e educação sanitária; participar da análise de acidentes de trabalho; e assessorar a empresa 
em aspectos de saúde ocupacional.
Exames 
Ocupacionais
Avaliações médicas 
periódicas para 
monitoramento da saúde e 
detecção precoce de 
alterações relacionadas ao 
trabalho
Vigilância em 
Saúde
Análise epidemiológica, 
identificação de riscos à 
saúde e implementação de 
medidas preventivas
Gestão Clínica
Coordenação do PCMSO, 
orientação sobre aptidão 
ao trabalho e gestão de 
casos complexos
O Médico do Trabalho é peça-chave no sistema de proteção à saúde dos trabalhadores, articulando 
conhecimentos clínicos, epidemiológicos e toxicológicos para prevenir agravos e promover saúde 
integral. Sua atuação vai além de exames ocupacionais rotineiros, englobando investigação diagnóstica 
de doenças ocupacionais, orientação sobre adaptações ergonômicas, reabilitação profissional e 
assessoria técnica em questões médico-legais relacionadas ao trabalho.
Legislação de Segurança do 
Trabalho no Brasil
A legislação brasileira de segurança e saúde do trabalho fundamenta-se primariamente na Constituição 
Federal de 1988, que assegura direitos sociais dos trabalhadores, incluindo redução dos riscos inerentes 
ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, XXII). A Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452/1943 e atualizada pela Lei nº 13.467/2017 (Reforma 
Trabalhista), dedica o Capítulo V (artigos 154 a 201) especificamente à Segurança e Medicina do 
Trabalho.
As Normas Regulamentadoras (NRs), aprovadas pela Portaria nº 3.214/1978 do Ministério do Trabalho e 
Emprego (MTE, atual Ministério do Trabalho e Previdência - MTP), regulamentam e detalham os 
dispositivos legais da CLT. Atualmente, o Brasil possui 38 NRs vigentes, constantemente atualizadas para 
incorporar evoluções técnico-científicas e especificidades setoriais. Destacam-se: NR-1 (Disposições 
Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), NR-4 (SESMT), NR-5 (CIPA), NR-6 (EPI), NR-7 (PCMSO), 
NR-9 (antiga PPRA, atual PGR), NR-12 (Segurança em Máquinas), NR-15 (Atividades Insalubres), NR-16 
(Atividades Perigosas), entre outras.
Hierarquia Normativa
Constituição Federal1.
Convenções OIT ratificadas2.
Leis ordinárias (CLT)3.
Decretos regulamentares4.
Normas Regulamentadoras (NRs)5.
Normas técnicas (ABNT, INMETRO)6.
Órgãos Fiscalizadores
Ministério do Trabalho e Previdência
Auditores-Fiscais do Trabalho
Ministério Público do Trabalho
Justiça do Trabalho
INSS (caracterização de acidentes)
Além da legislação federal, existem normas estaduais e municipais complementares, bem como normas 
técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regulamentos de órgãos específicos 
(ANVISA, ANEEL, ANP, etc.). O descumprimento da legislação sujeita empregadores a sanções 
administrativas (multas, interdições, embargos), responsabilização civil (indenizações) e criminal 
(processos penais), configurando a segurança do trabalho como obrigação legal imperativa.
Programa de Gerenciamento de 
Riscos (PGR)
O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), estabelecido pela NR-1 (alterada pela Portaria SEPRT nº 
6.730/2020), constitui documento-base da gestão de segurança e saúde ocupacional, substituindo e 
integrando programas anteriormente dispersos como PPRA e PCMSO. O PGR deve contemplar ou estar 
integrado com planos, programas e outros documentos previstos na legislação de SST, estabelecendo 
processocontínuo de identificação de perigos, avaliação e controle de riscos ocupacionais.
O PGR deve incluir minimamente: caracterização dos processos e ambientes de trabalho; identificação 
de perigos e possíveis lesões ou agravos à saúde; avaliação de riscos ocupacionais indicando nível de 
risco; estabelecimento de medidas de prevenção segundo hierarquia de controle (eliminação, 
substituição, controle de engenharia, controle administrativo, EPI); plano de ação com cronograma, 
responsáveis e recursos; e procedimentos em situações de emergência. Deve ser implementado por 
unidade operacional, estabelecimento ou processo produtivo.
Identificação
Levantamento de 
perigos e situações de 
risco
Avaliação
Análise qualitativa e 
quantitativa dos riscos
Controle
Implementação de 
medidas preventivas e 
protetivas
Monitoramento
Revisão contínua e 
melhoria do programa
A elaboração do PGR requer análise criteriosa dos processos produtivos, envolvimento de 
trabalhadores e representantes, documentação adequada e revisão periódica ou quando ocorrerem 
mudanças significativas. O programa deve ser desenvolvido sob responsabilidade técnica de 
profissional de segurança do trabalho, fundamentado em metodologias reconhecidas de avaliação de 
riscos e alinhado às particularidades da organização e setor econômico.
Comissão Interna de Prevenção de 
Acidentes (CIPA)
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), regulamentada pela NR-5, constitui mecanismo 
de participação dos trabalhadores na gestão de segurança e saúde no trabalho. Sua criação remonta à 
década de 1940, tornando-se obrigatória com a CLT (1943) e consolidando-se como instância 
fundamental de diálogo social e construção coletiva de ambientes laborais seguros. A CIPA deve ser 
constituída em empresas conforme dimensionamento estabelecido pela NR-5, considerando grau de 
risco e número de empregados.
A CIPA possui composição paritária, com representantes do empregador (indicados) e representantes 
dos empregados (eleitos em processo eleitoral democrático e secreto). Os membros possuem mandato 
de um ano, permitida uma reeleição, e estabilidade no emprego desde o registro da candidatura até um 
ano após o término do mandato. A comissão é presidida por representante do empregador e vice-
presidida por representante dos empregados, ambos designados conforme regulamento.
Identificar 
Riscos
Realizar inspeções 
periódicas nos 
ambientes de 
trabalho para 
identificar 
condições 
inseguras
Investigar 
Acidentes
Participar da 
análise de 
acidentes e 
doenças 
relacionadas ao 
trabalho
Promover 
Prevenção
Organizar a SIPAT e 
desenvolver ações 
educativas de 
conscientização
Dialogar e 
Orientar
Estabelecer canal 
de comunicação 
entre 
trabalhadores e 
empregador sobre 
SST
A CIPA deve realizar reuniões mensais ordinárias, elaborar mapa de riscos, organizar anualmente a 
Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT), participar da implementação e 
controle das medidas de prevenção estabelecidas no PGR, e promover cultura de segurança através de 
campanhas, treinamentos e divulgação de informações. A efetividade da CIPA depende de engajamento 
genuíno, capacitação adequada dos membros e apoio efetivo da alta direção.
Equipamentos de Proteção 
Individual (EPI)
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), 
regulamentados pela NR-6, constituem 
dispositivos de uso individual destinados à 
proteção contra riscos capazes de ameaçar a 
segurança e saúde do trabalhador. Os EPIs 
devem ser fornecidos gratuitamente pelo 
empregador sempre que as medidas de proteção 
coletiva não forem tecnicamente viáveis, não 
oferecerem proteção completa, ou durante sua 
implementação, ou ainda em situações de 
emergência.
Para comercialização, o EPI deve possuir Certificado de Aprovação (CA) emitido pelo MTP, atestando 
que foi avaliado e aprovado conforme normas técnicas aplicáveis. O empregador deve adquirir EPI 
adequado ao risco, fornecê-lo em perfeito estado de conservação e funcionamento, treinar 
trabalhadores sobre uso correto, exigir e fiscalizar sua utilização, substituir quando danificado ou 
extraviado, responsabilizar-se por higienização e manutenção periódica, e comunicar ao MTP qualquer 
irregularidade observada.
Tipos de EPI por Parte do Corpo
Cabeça: capacetes, capuzes
Olhos e face: óculos, viseiras, máscaras de solda
Auditiva: protetores auriculares tipo plug ou concha
Respiratória: respiradores, máscaras
Tronco: aventais, jaquetas
Membros superiores: luvas, mangotes, braçadeiras
Membros inferiores: calçados, perneiras
Corpo inteiro: macacões, conjuntos
Quedas: cintos, talabartes, trava-quedas
Responsabilidades do 
Trabalhador
Usar o EPI apenas para finalidade 
destinada; responsabilizar-se por 
guarda e conservação; comunicar 
alterações que o tornem impróprio; 
cumprir determinações sobre uso 
adequado.
É importante enfatizar que o EPI representa última barreira de proteção, devendo ser utilizado somente 
após esgotadas possibilidades de eliminação de riscos ou implementação de proteções coletivas. A 
hierarquia de controles estabelece priorização: eliminação do risco, substituição por processos menos 
perigosos, controles de engenharia, controles administrativos e, por fim, EPIs. A seleção inadequada, 
treinamento insuficiente ou uso incorreto comprometem a eficácia protetiva.
Acidente de Trabalho: Conceito e 
Classificação
Acidente de trabalho é definido pela Lei nº 8.213/1991 (Lei de Benefícios da Previdência Social) como 
"aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos 
segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, de caráter temporário ou 
permanente, que cause a morte, a perda ou redução da capacidade para o trabalho". Equiparam-se a 
acidente do trabalho as doenças profissionais, doenças do trabalho e acidentes em situações 
específicas.
Classificam-se como acidente de trabalho típico aquele decorrente da característica da atividade 
profissional desempenhada. Acidente de trajeto é aquele sofrido pelo trabalhador no percurso 
residência-trabalho-residência, independentemente do meio de locomoção. Doenças ocupacionais 
dividem-se em: doença profissional (tecnopatia), produzida ou desencadeada pelo exercício de 
trabalho peculiar a determinada atividade; e doença do trabalho (mesopatia), adquirida ou 
desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado, desde que 
relacionadas diretamente.
Acidente 
Típico
Ocorre no exercício 
direto da atividade 
profissional no 
local e horário de 
trabalho
Acidente de 
Trajeto
Acontece no 
percurso 
residência-
trabalho ou 
trabalho-
residência
Doença 
Ocupacional
Doença 
profissional ou do 
trabalho com nexo 
causal 
estabelecido
Acidente por 
Equiparação
Situações 
especiais 
equiparadas 
legalmente a 
acidente de 
trabalho
Equiparam-se ainda a acidente do trabalho: acidente sofrido em viagem a serviço da empresa; acidente 
ocorrido no local e horário de trabalho por agressão, sabotagem ou ato terrorista; acidente sofrido por 
ato de imprudência, negligência ou imperícia de terceiros; desabamento, inundação ou incêndio; ato de 
pessoa privada de uso da razão; ofensa física intencional por motivo de disputa relacionada ao 
trabalho; e doença proveniente de contaminação acidental no exercício da atividade.
Comunicação de Acidente de 
Trabalho (CAT)
A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é documento obrigatório previsto na Lei nº 8.213/1991 e 
regulamentado pelo Decreto nº 3.048/1999, devendo ser emitida pela empresa ou equiparado para 
comunicar ao INSS a ocorrência de acidente de trabalho, fatal ou não, ou doença ocupacional. A CAT 
constitui instrumento fundamental para garantia de direitos previdenciários do trabalhador, produção 
de estatísticas oficiais e vigilância em saúde do trabalhador.
A empresa deve emitir a CAT até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência do acidente, em caso de 
morte de imediato, sob pena de multa administrativa.A comunicação deve ser feita mesmo em 
acidentes que não resultem em afastamento superior a 15 dias, permitindo registro epidemiológico e 
ações preventivas. Em caso de recusa da empresa, o próprio acidentado, dependentes, entidade 
sindical, médico assistente ou autoridade pública podem emitir a CAT.
Informações da CAT
Dados do empregador (CNPJ, razão social)
Dados do trabalhador (nome, CPF, função)
Dados do acidente (data, hora, local, tipo)
Descrição do acidente e partes atingidas
Testemunhas
Atestado médico
Vias da CAT
INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)1.
Segurado ou dependente2.
Sindicato de classe do trabalhador3.
Empresa (para arquivo)4.
Sistema Único de Saúde (SUS)5.
Delegacia Regional do Trabalho6.
A CAT pode ser emitida eletronicamente através do portal do INSS ou do sistema CAT Web. A 
caracterização do acidente como relacionado ao trabalho é realizada pela perícia médica do INSS, 
podendo estabelecer nexo técnico epidemiológico quando verificada associação entre código CID da 
doença e CNAE da atividade econômica. A correta e tempestiva emissão da CAT é obrigação legal 
empresarial, assegurando direitos dos trabalhadores e subsidiando políticas públicas de prevenção.
Riscos Ocupacionais e sua 
Classificação
Riscos ocupacionais são definidos como combinação da probabilidade de ocorrência de eventos ou 
exposições perigosas relacionadas ao trabalho com a severidade de lesões e agravos à saúde que 
podem ser causados. A identificação, avaliação e controle de riscos constituem fundamento do 
gerenciamento de segurança e saúde ocupacional. Tradicionalmente, os riscos ocupacionais são 
classificados em cinco grupos conforme sua natureza, representados por cores no mapa de riscos.
Riscos físicos (verde) são diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, 
como ruído, vibração, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes e não 
ionizantes, e umidade. Riscos químicos (vermelho) são substâncias, compostos ou produtos que 
possam penetrar no organismo pela via respiratória, cutânea ou digestiva, sob forma de poeiras, fumos, 
névoas, neblinas, gases, vapores ou que possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através 
da pele.
Riscos Físicos
Ruído, vibração, calor, frio, radiações, 
pressões anormais, umidade
Riscos Químicos
Poeiras, fumos, gases, vapores, névoas, 
neblinas, substâncias químicas
Riscos Biológicos
Bactérias, vírus, fungos, parasitas, 
protozoários, bacilos
Riscos Ergonômicos
Esforço físico, postura inadequada, 
monotonia, ritmo excessivo
Riscos de Acidentes
Máquinas sem proteção, eletricidade, incêndio, arranjo físico inadequado
Riscos biológicos (marrom) são microorganismos como bactérias, fungos, bacilos, parasitas, 
protozoários, vírus e outros. Riscos ergonômicos (amarelo) incluem esforço físico intenso, levantamento 
e transporte manual de peso, exigência de postura inadequada, controle rígido de produtividade, 
jornadas prolongadas, monotonia e repetitividade. Riscos de acidentes ou mecânicos (azul) decorrem 
de arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas defeituosas, 
iluminação inadequada, eletricidade, incêndio, explosão, animais peçonhentos e armazenamento 
inadequado.
Metodologias de Avaliação de Riscos
A avaliação de riscos ocupacionais consiste em processo sistemático de estimar a magnitude dos riscos 
à segurança e saúde dos trabalhadores, considerando adequação das medidas de controle existentes e 
decidindo sobre aceitabilidade dos riscos. Diversas metodologias podem ser empregadas, variando em 
complexidade, aplicabilidade setorial e abordagem qualitativa ou quantitativa. A escolha da 
metodologia deve considerar natureza da atividade, complexidade dos processos, disponibilidade de 
dados e competências técnicas.
Metodologias qualitativas baseiam-se em julgamento de especialistas e categorização descritiva de 
riscos, sendo úteis para avaliações preliminares ou quando dados quantitativos são escassos. Incluem 
checklists, análise preliminar de riscos (APR), análise de modos de falha e efeitos (FMEA), e matriz de 
risco (probabilidade versus severidade). Metodologias semiquantitativas atribuem valores numéricos a 
categorias, permitindo priorização mais objetiva. Metodologias quantitativas utilizam medições e 
cálculos precisos, essenciais para agentes físicos e químicos sujeitos a limites de tolerância.
Metodologias Comuns
Matriz de Risco (Probabilidade x Severidade)
Análise Preliminar de Riscos (APR)
What-If (E se?)
Análise de Árvore de Falhas (FTA)
HAZOP (Hazard and Operability Study)
Bow-Tie (Gravata Borboleta)
Etapas da Avaliação
Identificação de perigos1.
Determinação de quem pode ser afetado2.
Avaliação dos riscos e medidas existentes3.
Registro das conclusões4.
Revisão e atualização periódica5.
A avaliação quantitativa de agentes físicos e químicos deve seguir normas técnicas (ABNT, ACGIH, 
NIOSH) e metodologias reconhecidas, utilizando equipamentos calibrados e estratégias de amostragem 
adequadas. Para riscos ergonômicos, ferramentas como RULA, REBA, NIOSH Lifting Equation e Job 
Strain Index são amplamente utilizadas. A avaliação de riscos deve ser documentada, contemplar todas 
as atividades e tarefas, considerar situações normais e anormais, e envolver participação de 
trabalhadores e representantes.
Hierarquia de Controles de Riscos
A hierarquia de controles é um princípio fundamental da segurança do trabalho, que estabelece uma 
ordem de prioridade para a seleção e implementação de medidas de controle de riscos ocupacionais. 
Este conceito, consolidado internacionalmente por órgãos como a ANSI/AIHA e incorporado à Norma 
Regulamentadora 1 (NR-1) no Brasil, orienta que as medidas mais eficazes e permanentes devem ser 
priorizadas sobre aquelas menos eficazes e dependentes do comportamento humano. O objetivo é 
reduzir a exposição a perigos de forma sistêmica, garantindo ambientes de trabalho mais seguros. A 
hierarquia estrutura-se em cinco níveis principais, apresentados do mais para o menos eficaz.
Hierarquia 
de Controle 
de Riscos
Controles de 
Engenharia
Isolamento, ventilação 
e barreiras
EPIs
Equipamentos de 
Proteção Individual
Controles 
Administrativos
Procedimentos, 
treinamento e 
sinalização
Substituição
Trocar por alternativa 
menos perigosa
Eliminação
Remover totalmente o 
risco
Os Cinco Níveis de Controle na Prática
Eliminação A medida mais eficaz, consiste em remover completamente o risco do ambiente de 
trabalho. 
Exemplo: Substituir um processo manual perigoso por um sistema automatizado.
Substituição Trocar o material, processo ou equipamento perigoso por uma alternativa menos 
arriscada. 
Exemplo: Utilizar um solvente menos tóxico em vez de um altamente volátil e nocivo.
Controles de Engenharia Alterações físicas no local de trabalho para isolar ou reduzir a exposição 
ao risco. 
Exemplo: Enclausuramento de máquinas barulhentas, sistemas de ventilação exaustora localizados 
ou instalação de barreiras de proteção.
Controles Administrativos Implementação de procedimentos de trabalho seguros, treinamento, 
sinalização de segurança, permissões de trabalho e rodízio de funções. 
Exemplo: Rodízio de funcionários em tarefas de alto risco para reduzir o tempo de exposição.
EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) São a última linha de defesa e devem ser utilizados 
quando as demais medidas não forem suficientes para eliminar ou controlar o risco. 
Exemplo: Fornecimento e uso obrigatório de óculos de segurança, luvas de proteção, capacetes e 
protetores auditivos.
A aplicação da hierarquia de controles de forma integrada e sistemática é crucial para a gestão eficaz da 
segurança e saúde ocupacional, visando sempre a proteção máxima dos trabalhadores.
Insalubridade e Periculosidade
Insalubridade e periculosidade são condições de trabalho que expõem trabalhadores a agentes nocivos 
à saúde ou situações de risco, ensejando pagamento de adicionais remuneratórios previstos na CLT.A 
caracterização técnica dessas condições está regulamentada pelas NR-15 (Atividades e Operações 
Insalubres) e NR-16 (Atividades e Operações Perigosas), cabendo à autoridade regional competente em 
matéria de segurança e saúde do trabalho a aprovação de laudos técnicos de insalubridade e 
periculosidade.
Atividades insalubres são aquelas que expõem trabalhadores a agentes nocivos à saúde acima dos 
limites de tolerância fixados, ou cuja natureza, intensidade ou tempo de exposição sejam capazes de 
causar danos à saúde. A NR-15 estabelece 14 anexos definindo agentes insalubres (ruído, calor, 
radiações, trabalho sob condições hiperbáricas, vibrações, frio, umidade, agentes químicos, poeiras 
minerais, agentes biológicos) e respectivos limites de tolerância. O adicional de insalubridade varia em 
10%, 20% ou 40% do salário-mínimo conforme grau mínimo, médio ou máximo.
Insalubridade
Base legal: Art. 189-192 CLT, NR-15
Caracterização: Exposição a agentes 
nocivos acima dos limites
Adicional: 10%, 20% ou 40% do salário-
mínimo
Periculosidade
Base legal: Art. 193-196 CLT, NR-16
Caracterização: Risco acentuado de morte 
ou lesão grave
Adicional: 30% do salário-base (regra geral)
Atividades perigosas são aquelas que implicam risco acentuado de morte ou lesão grave em razão de 
exposição permanente do trabalhador a inflamáveis, explosivos, energia elétrica, roubos ou violência 
física, motocicleta, radiações ionizantes ou substâncias radioativas. A NR-16 define as situações 
caracterizadoras. O adicional de periculosidade é de 30% sobre o salário-base, sem os acréscimos 
resultantes de gratificações, prêmios ou participações. Os adicionais de insalubridade e periculosidade 
não são cumulativos, devendo o trabalhador optar por um deles.
Ergonomia e NR-17
A Ergonomia é ciência interdisciplinar que estuda 
interação entre seres humanos e outros elementos de 
um sistema, aplicando teorias, princípios, dados e 
métodos para projetar trabalho que otimize bem-estar 
humano e desempenho geral do sistema. No Brasil, a 
Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) estabelece 
parâmetros que permitam adaptação das condições de 
trabalho às características psicofisiológicas dos 
trabalhadores, proporcionando máximo conforto, 
segurança e desempenho eficiente.
A NR-17, atualizada pela Portaria SEPRT nº 8.873/2021, incorpora conceitos de Análise Ergonômica do 
Trabalho (AET), que deve observar: condições de trabalho conforme estabelecido na NR; atividade real e 
prescrita desempenhadas; variabilidade das situações de trabalho; complexidade da atividade e suas 
exigências; tempo necessário para execução das tarefas; e repercussões sobre saúde e segurança dos 
trabalhadores. A AET deve ser realizada por profissional qualificado e contemplar todas as fases do 
trabalho.
Aspectos Abordados pela NR-17
Levantamento, transporte e descarga de materiais
Mobiliário dos postos de trabalho
Trabalho com máquinas, equipamentos e 
ferramentas manuais
Condições de conforto no ambiente (temperatura, 
ruído, iluminação)
Organização do trabalho (normas de produção, 
ritmo, pausas)
Trabalho em teleatendimento e informatizado
Princípios Ergonômicos
Adaptar o trabalho ao homem, não o 
contrário
Considerar diversidade e limitações 
humanas
Priorizar conforto, saúde e segurança
Prevenir distúrbios osteomusculares
Promover bem-estar e satisfação no 
trabalho
Problemas ergonômicos manifestam-se frequentemente como Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou 
Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), representando significativa parcela das 
doenças ocupacionais no Brasil. Intervenções ergonômicas eficazes consideram fatores físicos (postura, 
força, repetitividade), cognitivos (carga mental, tomada de decisão) e organizacionais (ritmo, pausas, 
autonomia), promovendo ambientes de trabalho sustentáveis e saudáveis.
Trabalho em Altura (NR-35)
A Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35) estabelece requisitos mínimos e medidas de proteção para 
trabalho em altura, envolvendo planejamento, organização e execução, garantindo segurança e saúde 
dos trabalhadores envolvidos. Considera-se trabalho em altura toda atividade executada acima de 2,00 
metros do nível inferior, onde exista risco de queda. Esta norma aplica-se a todas as atividades 
econômicas regidas pela CLT.
O empregador deve implementar medidas de proteção priorizando eliminação do trabalho em altura, 
sempre que possível; caso não seja viável, deve implementar: sistemas de proteção coletiva contra 
quedas; sistemas de proteção individual (quando medidas coletivas forem inviáveis ou 
complementares); capacitação e treinamento; e procedimentos operacionais. A Análise de Risco (AR) 
deve ser elaborada antes do início das atividades, contemplando riscos adicionais, medidas de 
controle, sistemas de proteção, equipe de trabalho, emergência e resgate.
Medidas de Proteção Coletiva
Guarda-corpos e sistemas de guarda-corpo
Redes de segurança
Plataformas de trabalho com proteção 
lateral
Andaimes certificados
Plataformas elevatórias (PEMP)
Sistemas de Proteção Individual
Cinturão de segurança tipo paraquedista
Talabartes e conectores
Trava-quedas retrátil ou deslizante
Linhas de vida horizontais ou verticais
Absorvedores de energia
A NR-35 exige capacitação teórica e prática com carga horária mínima de 8 horas, incluindo normas e 
regulamentos, análise de risco, medidas de controle, equipamentos de proteção, acidentes típicos, 
procedimentos de emergência e salvamento. Trabalhadores devem ser considerados aptos por exame 
médico ocupacional específico. O empregador deve manter sistema de autorização dos trabalhadores 
para trabalho em altura (Permissão de Trabalho), assegurar supervisão contínua e disponibilizar equipe 
para resgate e emergência.
Espaços Confinados (NR-33)
A Norma Regulamentadora nº 33 (NR-33) estabelece requisitos mínimos para identificação, 
reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle de riscos em espaços confinados, garantindo 
permanentemente segurança e saúde dos trabalhadores. Espaço confinado é qualquer área ou 
ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e 
saída, ventilação insuficiente para remover contaminantes, e onde possam existir deficiência ou 
enriquecimento de oxigênio.
Exemplos incluem tanques, reservatórios, silos, reatores, tubulações, caldeiras, fornos, dutos, galerias, 
túneis, poços, fossas, valas com profundidade superior a 1,2 metros. Os riscos em espaços confinados 
incluem: atmosféricos (deficiência ou excesso de oxigênio, gases/vapores tóxicos ou inflamáveis); físicos 
(eletricidade, ruído, temperaturas extremas); biológicos; ergonômicos; mecânicos; e de soterramento, 
engolfamento ou afogamento.
01
Identificação e Sinalização
Todos os espaços confinados devem ser 
identificados e sinalizados
02
Permissão de Entrada e Trabalho 
(PET)
Documento obrigatório com análise de riscos e 
autorizações
03
Monitoramento Contínuo da 
Atmosfera
Medição de oxigênio, gases inflamáveis e tóxicos 
antes e durante
04
Equipe de Resgate Capacitada
Disponível imediatamente em caso de emergência
A NR-33 exige designação de responsável técnico pela implementação das medidas, trabalhadores 
autorizados (com capacitação de 16 horas), vigias (com capacitação de 16 horas) e supervisores de 
entrada (com capacitação de 40 horas). O empregador deve implementar gestão de segurança e saúde 
incluindo identificação, avaliação, controle, monitoramento, capacitação, procedimentos operacionais, 
permissão de entrada, e emergência e salvamento. Trabalhos em espaços confinados exigem 
planejamento rigoroso devido aos elevados riscos envolvidos.
Indicadores de Desempenho em SST
Indicadores de desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho (SST) são ferramentas essenciais para 
monitoramento, avaliação e melhoria contínua dos sistemas de gestão. Permitem quantificar 
resultados das ações preventivas, identificar tendências, estabelecer metas, comparar desempenho 
entre unidadesou setores, e fundamentar tomada de decisão estratégica. Classificam-se em 
indicadores reativos (baseados em eventos já ocorridos) e proativos (baseados em ações preventivas 
implementadas).
Indicadores Reativos Principais
Taxa de Frequência de Acidentes: TF = (Nº 
acidentes com afastamento × 1.000.000) / Total 
de horas trabalhadas
Taxa de Gravidade: TG = (Dias perdidos × 
1.000.000) / Total de horas trabalhadas
Taxa de Incidência: TI = (Nº acidentes × 1.000) / 
Nº médio de trabalhadores
Custo de Acidentes: Soma de custos diretos e 
indiretos relacionados a acidentes
Indicadores Proativos
Número de inspeções de segurança 
realizadas
Percentual de não conformidades corrigidas
Número de treinamentos de segurança
Percentual de conformidade legal (NRs)
Número de melhorias implementadas
Taxa de participação em DDS
Além dos indicadores tradicionais, organizações avançadas adotam indicadores comportamentais 
(observações de segurança, near miss reporting), de cultura de segurança (pesquisas de clima, 
engajamento), e de liderança em SST. Indicadores devem ser SMART (específicos, mensuráveis, 
alcançáveis, relevantes e temporais), analisados contextualmente e comunicados transparentemente. A 
definição de metas desafiadoras mas realistas, alinhadas aos objetivos estratégicos organizacionais, 
impulsiona engajamento e melhoria contínua.
A análise integrada de indicadores reativos e proativos fornece visão balanceada, evitando foco 
exclusivo em acidentes passados e estimulando cultura preventiva. Benchmarking setorial e 
compartilhamento de boas práticas enriquecem interpretação e estabelecimento de padrões de 
excelência. Sistemas modernos de gestão de SST utilizam dashboards digitais para visualização em 
tempo real, facilitando monitoramento e intervenções tempestivas.
Cultura de Segurança e Comportamento 
Seguro
Cultura de segurança é conjunto de valores, atitudes, percepções, competências e padrões de 
comportamento de indivíduos e grupos que determina compromisso, estilo e proficiência da gestão de 
segurança e saúde de uma organização. Organizações com cultura de segurança positiva caracterizam-se 
por comunicações fundamentadas em confiança mútua, percepções compartilhadas sobre importância 
da segurança, e confiança na eficácia das medidas preventivas.
O desenvolvimento de cultura de segurança robusta transcende cumprimento regulatório, constituindo 
processo de transformação organizacional que permeia todos os níveis hierárquicos. Requer liderança 
visível e comprometida, que demonstre através de atitudes e decisões que segurança é valor inegociável. 
O modelo de maturidade de cultura de segurança propõe evolução progressiva: patológico (acidentes são 
inevitáveis), reativo (ação apenas após acidentes), calculativo (sistemas implementados), proativo 
(melhoria contínua) e generativo (segurança integrada a tudo).
Patológico
Quem se importa com segurança desde que não sejamos pegos?
Reativo
Segurança é importante; fazemos algo após acidentes
Calculativo
Temos sistemas para gerenciar todos os perigos
Proativo
Todos estão envolvidos em melhoria contínua
Generativo
Segurança é parte integral de tudo que fazemos
Comportamento seguro é influenciado por fatores individuais (conhecimento, habilidades, atitudes, 
motivação), organizacionais (liderança, normas, pressões produtivas, comunicação) e ambientais 
(condições físicas, equipamentos, ferramentas). Programas de modificação comportamental, baseados 
em reforço positivo, observação sistemática e feedback construtivo, demonstram eficácia na redução de 
comportamentos de risco. Contudo, a abordagem exclusivamente comportamental é insuficiente se não 
acompanhada de sistemas robustos, condições adequadas e genuíno comprometimento organizacional, 
evitando culpabilização individual por falhas sistêmicas.
Referências Bibliográficas
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trabalho. Rio de Janeiro: ABNT, 2019-2024.
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Atualizada pela Lei nº 13.467/2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br
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CARDELLA, Benedito. Segurança no Trabalho e Prevenção de Acidentes: Uma Abordagem Holística. 2ª 
ed. São Paulo: Atlas, 2020.
FUNDACENTRO. Manuais e publicações técnicas em segurança e saúde no trabalho. São Paulo: 
Fundacentro, 2019-2024. Disponível em: https://www.gov.br/fundacentro
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS). Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho. 
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Segurança e Saúde no Trabalho. Genebra: OIT, 2019-2024. Disponível em: https://www.ilo.org
SALIBA, Tuffi Messias. Curso Básico de Segurança e Higiene Ocupacional. 8ª ed. São Paulo: LTr, 2021.
SHERIQUE, Jaques. Aprenda como Fazer: Demonstrações Ambientais, PPRA, PCMAT, PGR, LTCAT, 
Laudos Técnicos, PPP, CAT, EPI, CIPA. 12ª ed. São Paulo: LTr, 2023.
TAVARES, José da Cunha. Noções de Prevenção e Controle de Perdas em Segurança do Trabalho. 10ª 
ed. São Paulo: SENAC, 2020.

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