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PROBLEMA 4 - Está na pele A pele, o maior órgão do corpo, é formada pela epiderme, uma camada celular superficial de origem ectodérmica, e pela derme, uma camada profunda de tecido conjuntivo de origem mesodérmica. A hipoderme é uma camada encontrada abaixo da derme, que não faz parte da pele. É uma camada de tecido celular subcutâneo, composto por tecido conjuntivo frouxo com células adiposas, sendo responsável pela união da pele com os órgãos subjacentes. FUNÇÕES DA PELE • Proteção contra invasão de micro- organismos: defesa inata, 1a barreira contra qualquer microorganismo • Proteção contra lesões, atrito e dessecação • Termorregulação • Percepção sensorial • Excreção de substâncias • Proteção contra a radiação UV • Síntese de Vitamina D3 Epiderm( Constituída por epitélio estratificado pavimentoso queratinizado (queratina: hidrofóbica - água não sai e não entra de forma descontrolada); interage com o meio externo e evita danos; feita de epitélio: células justapostas e sem vascularização (nutrida pela derme) As células mais abundantes são queratinócitos: responsável pela produção de queratina Existem outros 3 tipos de célula: • Melanócito: produz melanina, que age como um fi ltro de raios UV, protegendo DNA de sofrer danos; não é oriunda da pele - migra na embriogênese para epiderme [é da crista neural (forma SNP)]; no melanoma cria metástase em SN (oriundo pela sua área de origem) • Células de Langerhans: mecanismo de defesa; “dendrítica da pele” • Céulas de Merkel: função sensorial A Epiderme é dividida em 5 camadas: Camada Basal: separa a derme da epiderme; camada formada por queratinócitos (produzem queratina); Rica em células tronco da epiderme, com alta atividade mitótica que, junto com a camada espinhosa, garante a renovação celular da epiderme. Além disso, a quantidade de queratina aumenta à medida em que os queranócitos migram para a superfície celular; Possui hemidesmossomos que favorecem a união da epiderme na membrana basal (que está presa na derme) Camada Espinhosa: formada por células cuboides de núcleo central e citoplasma com feixes de filamentos de queratina. As células dessa camada se ligam umas às outras através de desmossomos, favorecendo a união lateral entre células da epiderme, denotando a resistência ao atrito intrínseca à nossa pele. Camada Granulosa: Células poligonais achatadas com citoplasma rico em grânulos de querato-hialina (precursores de queratina que eventualmente agregam, reticulam e formam feixes); também há grânulos lamelares que impedem a desidratação através da formação de uma barreira A produção dos grânulos citoplasmáticos se dá pela diferenciação do citoesqueleto de queratinócitos, que se aproximam da superfície corpórea e realizam a produção de tonofilamentos de queratina que se ligam com os desmossomos, fazendo com que a queratina seja sintetizada em grânulos citoplasmáticos. Camada Lúcida: É a última camada da epiderme em que é possível encontrar células vivas; É constituída de queratinócitos pavimentosos com núcleo citoqueratinizado e está presente nas regiões em que a pele é mais espessa (plantas e palmas) e nos lábios Camada Córnea: constituída por células achatadas, mortas e sem núcleo, cujo citoplasma se apresenta repleto de queratina; Sendo reposta da da proliferação e desenvolvimento das células basais, essa camada descama continuamente e os queratinócitos, ao chegarem nesta camada, se especializam (perdem núcleos e se achatam), liberam substâncias que ativam a profilagrina (ligações cruzadas que conferem resistência), criando, assim, uma barreira impermeável. Anatomi/ ( Histologi/ - Pel( Derm( É a camada de tecido conjuntivo, em que se apoia a epiderme e que une a pele ao tecido subcutâneo, (hipoderme), no qual estão imersos os anexos cutâneos, vasos sanguíneos, linfáticos e nervos A derme oferece suporte à epiderme e é essencial para a sua nutrição, já que a epiderme não é vascularizada. FUNÇÕES • Vasos sanguíneos da derme são importantes para a função de termorregulação da pele. • Importante para a percepção sensorial: tato, temperatura e dor • Importante para a defesa imunológica da pele. A derme é constituída por duas camadas de limites pouco distintos: a papilar (superficial), e a reticular (mais profunda) Camada Papilar: constituída de tecido conjuntivo frouxo, é a camada dérmica mais superficial, em contato com a membrana basal, formada por fibras colágenas mais finas e dispostas mais verticalmente; O local em que a derme e a epiderme se encontram é irregular; derme se projeta formando ondulações denominadas papilas dérmicas (ampliar a área de trocas com a epiderme); rica em vasos sanguíneos e células do sistema imune: nutrição e defesa (se bactéria atinge, causa reação inflamatória) Camada Reticular: É a camada mais profunda, constituída por tecido conjuntivo denso, com feixes mais grossos de colágeno, ondulados e dispostos horizontalmente, e juntamente com fibras elásticas, também ali presentes, promovem estrutura, firmeza e elasticidade da pele Hipoderm( Não é considerada parte da pele. É formada por tecido conjuntivo frouxo, que une de maneira pouco firme a derme aos órgãos subjacentes. É a camada responsável pelo deslizamento da pele sobre as estruturas nas quais se apoia. A hipoderme pode ter uma camada variável de tecido adiposo, que, quando desenvolvida (lóbulos de adipócitos), constitui o panículo adiposo. A hipoderme confere à pele proteção mecânica (amortecedor de traumas), termogênese (isolante térmico), armazenamento de energia (depósito de calorias) e função endócrina (conversão periférica de hormônios sexuais). Estão presentes nesta camada, além de adipócitos, vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. Pel( Fin/ ( Espess/ PELE ESPESSA (grossa): • camada espessa de queratina e glândulas sudoríparas; não tem pelos nem glândulas sebáceas • região palmar e plantar PELE FINA (delgada): • camada delgada de queratina, • glândulas sudoríparas - pelos • glândulas sebáceas Anexo9 Cutâneo9 GLÂNDULAS SEBÁCEAS São estruturas alveolares que desembocam no folículo piloso, ausentes em palmas e plantas. Essas glândulas produzem o sebo, constituído de material lipídico. Para que a secreção sebácea ocorra, é preciso haver o rompimento das células centrais, secreção conhecida como holócrina. A atividade dessa glândula é máxima durante a puberdade, pois a sua regulação é feita inteiramente por hormônios androgênios. GLÂNDULAS SUDORÍPARAS São glândulas encontradas em menor quantidade por toda a pele, com exceção de algumas regiões, como os lábios. Existem dois tipos de glândulas sudoríparas: écrinas e apócrinas. • Glândulas sudoríparas écrinas: são tubulares enoveladas e estão por toda a superfície corpórea, exceto lábios, leito ungueal, pequenos lábios, glande e face interna do prepúcio. Elas secretam o suor, conferindo-a uma função termorreguladora. Seu ducto é contínuo e se abre na superfície da pele. • Glândulas sudoríparas apócrinas: são glândulas tubulares localizadas nas axilas, aréola e regiões pubiana anogenital. Sua secreção é mais viscosa e pode adquirir odor desagradável devido à ação de bactérias. Além disso, ela desemboca no folículo piloso acima do ducto sebáceo. FOLÍCULOS PILOSOS São invaginações da epiderme que, em fase de crescimento, apresentam-se com uma dilatação terminal denominada bulbo piloso. A raiz do pelo é formada por células que revestem a papila dérmica. O folículo piloso constitui, juntamente com o músculo eretor do pelo e a glândula sebácea, a unidade pilosebácea. A pele humana normal é colonizada por microrganismos, incluindo bactérias e fungos, que permanecem na superfície cutânea como comensais. Há variações da microbiota normal residente da pele, de indivíduo a indivíduo, de acordo com a idade, a raça e a topografia cutânea (estilos, formatos…) DEFESADA PELE Os mecanismos de defesa da pele são essenciais para o combate a inúmeros agentes infecciosos, tanto pela barreira física que impede ou dificulta a penetração bem como pela resposta imune eficaz após o contato com determinados agentes. Os principais elementos de defesa são: • Turnover Celular: descamação superficial da pele, processo fisiológico de renovação celular e eliminação de células mortas. Este evento favorece a “limpeza” externa da pele por eliminar possíveis patógenos presentes nessa região e dificultar sua proliferação. • pH: O pH da pele é ácido, em torno de 4,7 e 5,75, que também dificulta a proliferação e agressão bacteriana por tornar o meio inóspito a determinados agentes agressores. • Secreção celular: A pele não é inerte, apesar de formar uma barreira física para entrada de elementos, permite as secreções de substâncias sebáceas, essas que contém elementos antibióticos protetores ao organismo. • Resposta Imune: pelas células de defesa presentes nas camadas celulares, por exemplo, as células de Langherans, mastócitos e células dendríticas. A pele apresenta sua microbiota aeróbica residente, podendo ser classificada em: Microbiota transitória: coloniza a camada superficial da pele, sobrevive por curto período de tempo e é passível de remoção pela higienização simples das mãos, com água e sabonete, por meio de fricção mecânica; consiste de microrganismos não- patogênicos ou potencialmente patogênicos, tais como bactérias, fungos e vírus, que raramente se multiplicam na pele. No entanto, alguns podem provocar infecções relacionadas à assistência à saúde Microbiota residente: está aderida às camadas mais profundas da pele é mais resistente à remoção apenas por água e sabonete. Microbiota infecciosa: neste grupo, poderiam ser incluídos microrganismos de patogenicidade comprovada, que causam infecções específicas como abscessos, panarício, paroníquia, ou eczema infectado das mãos. S. aureus e estreptococos β-hemolíticos são as espécies mais freqüentemente encontradas. Os principais causadores de infecção são os microorganismos que colonizam ocasional e transitoriamente a pele como: Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes, bactérias entéricas Gram negativas e Cândida albicans (fungo). As bactérias mais comuns encontradas são: Os organismos da microbiota contribuem para a resistência contra a colonização por bactérias patogênicas, hidrolisando lipídios e produzindo ácidos graxos livres, que são tóxicos para muitas bactérias Bactérias apresentam patogenicidade geralmente devido à baixa resistência do corpo ao agente (primárias): diabetes mellitus, diálise, uso de drogas intravenosas, disfunção hepática e infecção pelo HIV, ou na presença de distúrbio da integridade da pele (secundárias) Primárias (sem porta de entrada aparente) ou Secundárias (complicações de lesões de pele). • Fatores do hospedeiro relacionados à patogênese das piodemites: microbiota residente (barreira química), barreira mecânica, teor de umidade das pele (quanto maior a umidade, mais fácil a multiplicação bacteriana), pH (alcalino facilita a Pel( Norma> Piodermite9 colonização bacteriana) e a competência imunológica do indivíduo • Fatores do microorganismo relacionados à patogênese das piodemites: o grau de patogenicidade e virulência (potencial invasivo determinado pela presença de elementos antifagocitários na superfície bacteriana) e pela capacidade de produção de toxinas As piodermites são infecções cutâneas primárias originadas principalmente por bactérias piogênicas (produtora de pus) dos gêneros Staphylococcus (aureus mais importante) e Streptococcus (pyogenes mais importante). Tratam-se de doenças relativamente comuns, que acometem adultos e crianças. Os estreptococos mais virulentos pertencem ao grupo A e possuem em sua superfície a proteína M, que protege contra a fagocitose e aumenta a adesão aos tecidos epiteliais CLASSIFICAÇÃO ETIOLOGIA • estafilococcias (Staphylococcus aureus) • estreptococcias (Streptococcus pyogenes) PROFUNDIDADE DA INFECÇÃO NA PELE: • infecção superficial da pele: impetigo e síndrome da pele escaldada estafilocócica (SSSS) • infecção da epiderme e derme: ectima • infecção mais profunda: erisipela e celulite • profunda com tendência à supuração: abscesso e fleimão • abertura do folículo pilossebáceo: ostiofoliculite • profundidade do folículo piloso: foliculite • folículo piloso juntamente com sua glândula sebácea: furúnculo e carbúnculo • glândula sudorípara écrina: periporite e abscessos múltiplos dos lactentes • unha e suas dobras: paroníquia e panarício. Infecções cutâneas e de partes moles frequentemente coexistem, pois os limites entre derme, tecido subcutâneo e os tecidos subjacentes não impedem a passagem de agentes infecciosos. COMPLICADAS E NÃO COMPLICADAS Não Complicadas: respondem rapidamente aos antibióticos sistêmicos e cuidados locais da ferida. Todas as infecções cutâneas não complicadas têm potencial para se tornarem complicadas. Complicada: Na infecção de pele complicada, há presença de sinais sistêmicos de sepse, comorbidades complicadoras, acompanhando a neutropenia, isquemia, necrose tecidual, queimaduras e mordidas. Critérios: quando preenchem dois dos cinco critérios a seguir: 1. Acomete uma ferida ou ulceração preexistente na pele 2. Acomete os tecidos em sua profundidade. 3. Requer intervenção cirúrgica 4. É causada ou exacerbada por doenças associadas existentes (p. ex., diabetes, imunossupressão sistêmica) 5. Não responde ao tratamento com os antibióticos convencionais ou é recorrente Impetig@ Impetigo é uma infecção superficial da pele causada principalmente por estafilococos e, menos frequentemente, estreptococos ou uma combinação de ambas as bactérias. A doença é comum e mais prevalente em crianças. Existem duas formas clínicas: impetigo bolhoso e impetigo não bolhoso, onde os estafilococos têm sido a causa do impetigo bolhoso e os estreptococos do grupo A são mais freqüentemente os organismos causadores do impetigo não bolhoso • Staphylococcus aureus: todos os bolhosos e maioria dos não bolhosos. PATOGÊNESE E SINAIS CLÍNICOS B O impetigo é extremamente contagioso, disseminando-se rapidamente por contato direto entre as pessoas ou através dos fômites (objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar organismos contagiantes ou infecciosos de um indivíduo a outro - roupas e sabonetes…) A interrupção da barreira de pele permite a aderência, a invasão e o estabelecimento da infecção pelas bactérias, porém o impetigo bolhoso é mais provável de se desenvolver na pele clinicamente intacta (principalmente em locais intertriginosos) que o impetigo não bolhoso. O aparecimento de lesões de impetigo, que geralmente seguem hematomas, escoriações, pequenos traumas ou picadas de insetos, ocorre em pessoas cuja superfície da pele já foi colonizada por estreptococos do grupo A, e a falta de higiene é um importante fator predisponente. A bactéria também pode se implantar em lesões de pele pré-existentes causadas por eczema ou sarna, uma condição chamada de impetiginização Não bolhoso: A infecção ocorre tipicamente nos locais de prurido (picadas de insetos, dermatite atópica), traumas menores (abrasão, laceração ou queimadura) ou outras infecções cutâneas (varicela…) • Inicia-se com uma vesícula ou pústula de paredes finas, pouco perceptível, pois logo se rompe, às vezes sobre base eritematosa. O exsudato purulento seca e forma a clássica crosta marrom- amarelada (melicérica). Quando removida, a crosta reaparece rapidamente. O impetigo bolhoso estafilocócico não compromete a saúde geral do indivíduo, e a febre só está presente quando há lesões múltiplas. Localmente, há um pequeno desconforto e pode ocorrer coceira. Impetigo bolhoso: resulta da produção local de toxinas esfoliantes (ETA,ETB) pelo grupo de fago tipo II do S. aureus nos locais da infecção cutânea; é mais provável de se desenvolver na pele clinicamente intacta, principalmente em locais intertriginosos (regiões de dobras cutâneas, onde duas áreas da pele podem se tocar ou se esfregar) porém pequenas fissuras na pele permitem o início da infecção • As lesões começam como máculas eritematosas que progridem para bolhas superficiais com conteúdo seroso. Essas bolhas se rompem facilmente, levando à formação de crostas finas, lisas e cor de mel, semelhantes a um filme de revestimento, que, ao descamação, não deixam cicatrizes. As lesões são pequenas, múltiplas e em vários estágios de desenvolvimento Impetigo Comum: ocorre como propagação de uma infecção secundária nas regiões lesadas por outros agentes, tanto por lesões de barreiras quanto por situações de imunossupressão. Complicações: A infecção invasiva pode complicar o impetigo não tratado causado por S. aureus. Pode causar celulite, linfangite e bacteremia, resultando em osteomielite, artrite séptica, pneumonite e até sepsemia; glomerulonefrite pós estreptocócica que é uma lesão renal após infecção pelo S. pyogenes, cerca de 20 dias após a infecção de pele. Um dos principais aspectos dessa complicação é a não resposta a antibióticos. DIAGNÓSTICO O diagnóstico é feito através do exame clínico. O esfregaço do líquido aspirado da vesícula submetido à microscopia direta e coloração de Gram revela a presença de cocos Gram-positivos, e a cultura do exsudato abaixo das crostas pode revelar estreptococos ou estafilococos do grupo A DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL TRATAMENTO Primeira Linha: suficiente para eliminar casos leves a moderados, já que infecção costuma ser autolimitada • Limpeza com água morna e sabão para remoção das crostas. Aplicação de antibióticos tópicos, como mupirocina, retapamulina e ácido fusídico; aplicação dos agentes tópicos de três a quatro vezes ao dia, com duração de cinco a sete dias. Segunda linha: Lesões extensas ou bolhosas • Antibióticos sistêmicos indicados: cefalosporina de primeira geração, Cefalexina, ou Amoxacilina com Clavulanato; oxaciclina (azitromicina tem efeito semelhante); Em pacientes alérgicos à penicilina, os macrolídeos, como a eritromicina, são eficazes na mesma dosagem da penicilina por 5 a 7 dias. Ectim/ Ectima é uma forma profunda de impetigo não bolhoso, caracterizada pela extensão para a derme, produzindo uma úlcera superficial Porém também pode ser causado por uma infecção primária por Streptococcus pyogenes ou uma superinfecção estreptocócica de uma ulceração preexistente ou de uma picada de inseto escoriada que passaram a ser contaminadas por S. pyogenes Staphylococcus também pode ser encontrado PATOGÊNESE E SINAIS CLÍNICOS A lesão básica consiste em uma placa eritematosa, muitas vezes levemente edemaciada, medindo 2 a 3 cm de diâmetro. Uma vesícula ou vesiculopústula logo se desenvolve e rapidamente se rompe, formando uma úlcera superficial coberta por crostas duras, espessas e aderentes cor de mel. A borda da úlcera é endurecida e violácea e o tecido granular se estende profundamente na derme. À medida que progride, pode afetar o tecido celular subcutâneo • Essa forma da doença se manifesta principalmente em ambientes com higiene precária. Fatores como baixo nível socioeconômico, desnutrição e imunodeficiência influenciam consideravelmente sua evolução Pode ser acompanhada de febre e adenite satélite e a resolução geralmente deixa uma cicatriz e as possíveis complicações são as mesmas do impetigo, principalmente a glomerulonefrite. DIAGNÓSTICO O diagnóstico diferencial deve ser feito com úlceras de estase e leishmaniose cutânea. Os exames laboratoriais são os mesmos para diagnosticar o impetigo. TRATAMENTO Várias semanas de antibioticoterapia são necessárias para a cura. O tratamento deve ser administrado por 10 dias com antibióticos orais como a dicloxacilina ou uma cefalosporina como a cefalexina. Síndrom( d/ Pel( Escaldad/ Estafilocócic/ (SSSS) DEFINIÇÃO E PATOGÊNESE A síndrome da pele escaldada estafilocócica (SSSS) é causada pela disseminação hematogênica das mesmas toxinas esfoliativas que causam o impetigo bolhoso (liberadas pelo Staphylococcus aureus fago Grupo II), quando produzido localmente; toxinas são proteases serinas que agem contra desmogleínas fazendo a ligação e a clivagem desta Devido à falta de imunidade a toxinas e imaturidade renal em crianças (eliminação da toxina se faz por via renal) leva a uma má eliminação de toxinas. A toxina é antigênica e, quando produzida, desencadeia uma resposta imune Diferente do impetigo bolhoso, onde os efeitos das ETs são limitados aos locais de infecção, na SSSS a toxina se difunde de um foco de infecção e (na ausência de um anticorpo antitoxina específico) se dissemina hematogenicamente para produzir efeitos sistêmicos. Em crianças, o foco infeccioso normalmente está na nasofaringe ou conjuntivas, enquanto a pneumonia estafilocócica ou bacteremia pode se apresentar nos adultos QUADRO CLÍNICO Descamação da pele de forma intensa. A clivagem da epiderme, através da camada granulosa, resulta na formação de bolhas dolorosas e flácidas Frequentemente existe um pródromo de mal-estar, febre, irritabilidade e um desconforto acentuado na pele. O paciente pode ter rinorreia purulenta ou conjuntivite como manifestação da infecção estafilocócica subjacente. Normalmente, o eritema aparece primeiro na cabeça (acompanhado pelo edema facial variável) e nos locais intertriginosos (virilha, nádegas, região posterior do joelho e antebraço), frequentemente com generalização dentro de 48 horas. Subsequentemente, a pele desenvolve uma aparência enrugada por causa da formação de bolhas flácidas e estéreis dentro da epiderme superficial. O sinal de Nikolsky é positivo. Pressionar a lesão de pele perilesional com o dedo ou um objeto rombo: quando há deslocamento parcial ou total da epiderme, o sinal é positivo. Classicamente, as áreas de flexão são as primeiras a esfoliarem, provocando uma pele úmida e crostas finas, semelhantes a um verniz. Os pacientes demonstram a característica formação de crostas periorificiais (p. ex ., perioral, periocular) e as fissuras radiais. As lesões intraorais não ocorrem. O foco de infecção é distante ao local das manifestações dermatológicas, logo, as bolhas serão estéreis. Diferente do Impetigo. DIAGNÓSTICO O diagnóstico de SSSS é baseado principalmente em critérios clínicos; O isolamento e a fagotipagem do S. aureus podem ser feitos por meio de material coletado nas narinas, faringe ou lesões, auxiliando na confirmação do diagnóstico; O resultado da cultura de pele e hemocultura são muitas vezes negativo em crianças mas podem ser positivas em adultos O exame de biopsias por congelamento é ocasionalmente útil para confirmar o nível de clivagem nas bolhas; há presença de células epiteliais sem células inflamatórias A aglutinação de látex, a imunodifusão dupla ou o ensaio imunoenzimático (ELISA) podem identificar as toxinas responsáveis pela SSSS. O principal diagnóstico diferencial é feito com a necrólise epidérmica tóxica (NET), uma variante grave do eritema multiforme geralmente relacionada a drogas; observam-se células inflamatórias Também pode incluir: queimadura solar, reação a um fármaco, doença de Kawasaki, impetigo bolhoso extenso, exantema viral, síndrome de choque tóxico, doença do enxerto versus hospedeiro (GVHD) e pênfigo foliáceo TRATAMENTO O A cura ocorre em 7 a 10 dias com rápida reepitelização, sem deixar cicatrizes. Pacientes com doença limitada podem ser tratados em casa com antibióticos orais, porém os pacientes com formas graves e generalizadas de SSSS (geralmente RN) requerem hospitalização e antibióticos parenterais. No caso de recém-nascido deve haver internamento imediato e suporteclínico com analgesia e controle hidroeletrolítico. Além disso, curativos e limpeza das áreas descamadas para evitar infecções secundárias. O tratamento oral com um antibiótico β-lactâmico (p. ex. dicloxacilina, cefalexina) no mínimo por uma semana, normalmente é suficiente para a doença mais moderada No parenteral a oxecilina é a de primeira escolha mas posteriormente, após alta do paciente, é indicado uso de Cefalexina, via oral, por 7 a 14 dias. A terapia tópica deve envolver ácido fusídico como tratamento de primeira linha, ou mupirocina e retapamulina em casos comprovados de resistência bacteriana. Foliculit( Infecções bacterianas causadas por infecção (S. aureus), irritação química ou lesão física, que se iniciam no folículo piloso mas podem evoluir para: Antraz são abscessos interconectados, que geralmente se desenvolvem em vários folículos pilosos adjacentes, formando um grande nódulo, mais profundo, com múltiplos orifícios e furunculose é a sucessão de múltiplos furúnculos. A inflamação pode ser superficial, confinada à porção superior do folículo piloso ou estender-se a todo o folículo piloso: superficiais (osteofoliculite, sicose e hordéolo) e profundas (furúnculo e antraz) Histologicamente é caracterizado pela presença de células inflamatórias na parede interna e no óstio dos folículos pilosos, formando uma pústula folicular Por infecção: Staphylococcus aureus (mais frequente) e bactérias Gram-negativas (Enterobacter, Klebsiella, Escherichia, Serratia e Proteus). PATOGÊNESE E SINAIS CLÍNICOS Certas condições tornam os pacientes mais suscetíveis, incluindo barbear frequente, imunossupressão, condições de pele préexistentes, uso de antibióticos de longo prazo, roupas oclusivas e/ou curativos oclusivos, exposição a temperaturas quentes e úmidas , diabetes melito e obesidade Foliculites superficiais: também conhecida como impetigo de Bockhart, caracterizam-se por uma pequena e frágil pústula que ocorre na porção superior (infundímbulo) de um folículo piloso, geralmente no couro cabeludo de crianças e na região da barba, axila, nádegas e extremidades de adultos. Associadas a prurido e leve desconforto. Foliculites profundas: apresentam nódulos com intensa reação inflamatória e dor local. • O furúnculo apresenta nódulos eritematosos quentes com pus amarelo- esverdeado, material necrótico (carnegão) e abscesso local nas áreas de maior atrito e sudorese (pescoço, axilas e nádegas). A pseudofoliculite (pelo encravado) se apresenta como uma erupção acneiforme papulopustular na área da barba. Ocorre mais frequentemente em homens com cabelos crespos, mas também é observada em mulheres após a depilação pubiana; mais comum em negros (50-75%) do que em brancos (3-5%) A foliculite decalvante (DF) é uma forma de foliculite crônica, geralmente causada por S. aureus, que leva à destruição dos folículos, resultando em alopecia cicatricial. Ocorre predominantemente em adultos de meia-idade.; As lesões se desenvolvem principalmente na região occipital do couro cabeludo. DIAGNÓSTICO O diagnóstico da foliculite bacteriana é normalmente baseado na inspeção clínica. Geralmente é desnecessário realizar exames laboratoriais para o diagnóstico mas a coloração de Gram e as culturas bacterianas podem ajudar a identificar os micro- organismos causadores, o que é particularmente útil nos casos graves, recorrentes ou resistentes ao tratamento. O diagnóstico diferencial inclui outras formas de foliculite, bem como a acne vulgar, rosácea, cloracne, pseudofoliculite da barba e queratose pilar. TRATAMENTO Nas foliculites superficiais, empregam-se sabonetes antissépticos e antibióticos locais, como mupirocina, retapamulina e ácido fusídico. Os furúnculos podem ser tratados com calor local, antibióticos tópicos e, eventualmente, incisão e drenagem. Nas foliculites superficiais disseminadas, empregam- se antibióticos sistêmicos: cefalosporinas, dicloxacilinas, sulfametoxazol/tri-metoprima, minociclina e clindamicina. ƒ Nas foliculites profundas, utiliza-se cloxacilina 500 mg, a cada 6 horas, associada à rifampicina 600 mg/dia, durante 10 dias. Furunculos( Nódulo ou abscesso doloroso, quente, vermelho e profundo, que se desenvolve a partir de foliculite local estafilocócica (S. aureos) onde há comprometimento não só do folículo piloso mas também da glândula sebácea em conjunto, acometendo a região do tecido subcutâneo Possui uma área flutuante para drenagem do conteúdo pustulento: A infecção pode ocorre tanto em folículos diversos pelo corpo quanto de forma localizada, com vários nódulos acometidos simultaneamente (Antraz) O principal fator de risco para furunculose é história familiar positiva, mas casos de anemia, antibióticoterapia prévia, DM, hospitalização prévia, lesões múltiplas, higiene pessoal e doenças de pele devem ser considerados DIAGNÓSTICO O diagnóstico é feito através dos sintomas clínicos e confirmado pela coloração de Gram e cultura. A ocorrência de várias lesões semelhantes determina o quadro de furunculose. TRATAMENTO Muitos furúnculos são autolimitados e respondem bem a aplicações frequentes de compressa quente e úmida Tratar os contactantes com ATB tópico Medidas gerais: deve conter medidas de higiene e cuidados locais como limpeza com uso de antissépticos como a solução de clorexidina e calor local para estimular a drenagem pelos pontos flutuantes. Infecção localizada: nestes casos, o tratamento é indicado com antibióticos tópicos como mupirocina ou ácido fusídico, 3 a 4 vezes ao dia, sempre após o banho. Infecções sistêmicas: Cafalexina, 06/06 horas, via oral, por 7 a 10 dias ou Eritromicina. O tratamento inclui incisão e drenagem Erisipel/ Erisipela é uma infecção inflamatória aguda da pele, com acometimento das camadas superficiais, logo, é uma infecção que chega até a derme, com um envolvimento linfático proeminente; caracterizada por vermelhidão, inchaço e dor, geralmente causada pelo estreptococo β-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes), sendo os grupos C e G menos comuns; Staphylococcus aureus pode ser isolado mais raramente EPIDEMIOLOGIA Afeta principalmente adultos entre 40 e 60 anos de idade, predominantemente mulheres; Também acomete jovens, idosos, debilitados e aqueles portadores de linfedema e úlceras crônicas PATOGÊNESE Afeta os membros inferiores em 85% dos casos mas pode afetar também a face e o período de incubação pode variar de 2-5 dias A bactéria pode entrar por uma lesão traumática, cirúrgica, pístulas e todas as condições que possibilitem a disseminação do patógeno, mas na maioria dos casos geralmente não é encontrada uma via de entrada, originando-se em indivíduos com queda de resistência: diabetes melito, desnutrição, insuficiência venosa e arterial, safenectomia, infecções fúngicas da pele, linfedema, obesidade, imunossupressão, infecção do trato respiratório e alcoolismo QUADRO CLÍNICO A condição é caracterizada por vermelhidão, sudorese, calor e dor, acompanhada de febre, calafrios, mal-estar e frequentemente náuseas ou vômitos. Geralmente a partir de algumas horas ou 1 dia após o aparecimento dos outros sintomas, surge uma lesão única elevada, medindo de 10 a 15 cm em seu maior eixo, com borda nítida e bem definida, que avança com a progressão da doença; Podem evoluir com o aparecimento de bolhas, geralmente flácidas, com conteúdo translúcido seroso ou seroso-sanguinolento e necrose hemorrágica. A área afetada é dolorosa à palpação e pode queimar. A linfadenopatia regional está normalmente presente, com ou sem linfangite. Pústulas, vesículas, bolhas e pequenas áreas de necrose hemorrágica também podem se formar. As complicações da erisipela são incomuns e normalmente ocorrem nos pacientes com doença subjacente. Quando a infecção se resolve, a descamação e as alterações pigmentares pós- inflamatórias podem ocorrer DIAGNÓSTICOO diagnóstico está baseado nos achados clínicos. O hemograma pode apresentar-se com leucocitose e desvio à esquerda. A velocidade de hemossedimentação está aumentada. As hemoculturas são positivas em apenas 5% dos casos. Embora as culturas de pústulas ou bolhas possam ser úteis, a sensibilidade das culturas dos espécimes da biopsia da pele é baixa, principalmente em hospedeiros imunocompetentes TRATAMENTO Recomenda-se que o tratamento da erisipela atue não apenas na infecção, mas também nos aspectos linfáticos. A terapia de longo prazo para o linfedema é essencial para prevenir a recorrência de erisipela e o agravamento do distúrbio linfático O manejo terapêutico da erisipela consiste na introdução de antibióticos juntamente com medidas gerais, como repouso, elevação do membro acometido e analgésicos Deve ser utilizada uma das opções abaixo: Se febre, calafrios e manifestações sistêmicas graves a opção é uso de cefalosporinas: Amoxacilina, VO, de 8 / 8 horas, 5 a 10 dias; Eritromicina, VO de 6/6 horas, 5 a 10 dias (para pacientes alérgicos à penicilina); Ceftriaxone 1g, endovenosa, a cada 24 horas ou Cefazolina 1-2g, endovenosa, a cada 8 horas, também de 5 a 10 dias. Há necessidade de internação em casos de: idade acima de 60 anos, localização na face, sinais de gravidade local, como bolhas e necrose, ou gravidade geral, como confusão e hipotensão, além de fatores de comorbidade, como imunossupressão, problemas cardíacos ou insuficiência renal. Na possibilidade da ocorrência de vesículas, bolhas e exsudação da pele, costuma-se utilizar compressas de permanganato de potássio. Celulit( Celulite é uma infecção da derme profunda e do tecido subcutâneo, até a hipoderme, que se manifesta como áreas de eritema, inchaço, calor e dor à palpação PATOGÊNESE A celulite em adultos imunocompetentes é frequentemente causada pelos estreptococos do grupo A (S. pyogenes) ou S. aureus, e este último organismo é a etiologia mais frequente em crianças. H. influenzae tipo B também pode acometer crianças com menos de 3 anos de idade, mas com a vacinação, as taxas tem dimunuído Normalmente, as bactérias têm acesso à derme através de uma quebra na barreira da pele em indivíduos imunocompetentes, mas uma a via hematogênica é comum nos pacientes imunocomprometidos. As portas de entrada são lesões em pele como úlceras por problemas venosos ou pela própria dificuldade de cicatrização evidente em pacientes diabéticos. As lesões favorecem a penetração bacteriana e proliferação gerando ou celulite. Linfedema, alcoolismo, diabetes melito, abuso de drogas intravenosas e doença vascular periférica são fatores de risco para a celulite. Indivíduos imunocomprometidos tem maior susceptibilidade a infecções, bem como complicações. Episódios recorrentes de celulite podem resultar de um dano ao sistema linfático (p. ex ., linfadenectomia, safenectomia ou episódios anteriores de celulite) QUADRO CLÍNICO A celulite é frequentemente precedida por sintomas sistêmicos como: febre, calafrio e mal-estar. A área afetada exibe todos os quatro sinais cardeais da inflamação: rubor (eritema), calor, dor e edema; As bordas geralmente são mal definidas (Infecção chega até a hipoderme dificulta a boa delimitação superficial) e não palpáveis. ;O edema (que ocasionalmente leva às bolhas subepidérmicas) e a dilatação de vasos linfáticos e pequenos vasos sanguíneos também são evidentes Nas infecções graves, vesículas, bolhas, pústulas ou o tecido necrótico podem estar presentes. A linfangite ascendente e o envolvimento regional do linfonodo podem ocorrer. Em crianças, a celulite afeta frequentemente a cabeça e pescoço, enquanto nos adultos tende a envolver as extremidades. Os usuários de drogas intravenosas normalmente desenvolvem celulite nas extremidades superiores (os locais usuais de injeção). As complicações são incomuns, possivelmente incluindo: glomerulonefrite aguda (causada por uma cepa nefritogênica de estreptococos), linfadenite, endocardite bacteriana subaguda e recorrências relacionadas ao dano linfático anormal DIAGNÓSTICO O diagnóstico da celulite é geralmente clínico; A contagem de leucócitos é frequentemente normal ou apenas ligeiramente elevada. As hemoculturas são quase sempre negativas em hospedeiros imunocompetentes (uma exceção é a celulite por H. influenzae, onde normalmente existe uma contagem elevada de leucócitos com um desvio para a esquerda e hemoculturas positivas). Micro-organismos atípicos são mais comuns em crianças e pacientes imunocomprometidos, e a aspiração ou as biopsias cutâneas podem ajudar a identificar a etiologia infecciosa. O diagnóstico diferencial da celulite da extremidade inferior inclui: trombose venosa profunda e doenças inflamatórias como dermatite de estase, tromboflebite superficial e paniculite (principalmente a lipodermatosclerose). Enquanto a tromboflebite superficial frequentemente se apresenta com rubor e dor à palpação, a ausência de febre e a presença de um cordão palpável auxiliam no diagnóstico. O diagnóstico incorreto de lipodermatosclerose, como celulite, frequentemente leva a hospitalizações desnecessárias TRATAMENTO O tratamento da celulite é normalmente direcionado contra os estreptococos do grupo A (S. pyogenes) e S. aureus. Para os casos descomplicados, um curso de 10 dias de um antibiótico oral que cubra esses microorganismos: Penicilina G (Penicilina procaína), IM, 12/12 h por 10 a 14 dias; Ainda são utilizadas a cefalexina VO ou IV de 6/6 h, a eritromicina VO 6/6 h ou uma penicilina resistente à penicilinase, a dicloxacilina IV 6/6 h. Também deve-se identificar e tratar condições locais (ulcerações, fissuras e dermatomicoses) e sistêmicas (diabetes e imunodeficiências) que facilitam o desenvolvimento da infecção. A hospitalização e os antibióticos parenterais podem ser necessários para os pacientes gravemente doentes, com envolvimento facial ou que não respondem à terapia oral As medidas adjuvantes incluem imobilização e elevação da extremidade afetada e a aplicação de curativos úmidos nas áreas com bolhas ou exsudato Os AINES podem mascarar os sinais e sintomas de infecções necrosantes mais profundas e devem ser evitados no tratamento da celulite. Fasciit( Necrosant( A fasciite necrosante é caracterizada pela necrose rapidamente progressiva da gordura subcutânea e da fáscia muscular, logo, é uma infecção profunda e grave que pode representar um risco de vida se não houver o reconhecimento imediato, a intervenção cirúrgica agressiva e a terapia imediata com antibióticos Os principais locais de acometimento são membros inferiores, períneo e abdome e ocorre por proliferação polimicrobiana. Seu risco aumenta em pacientes idosos, principalmente se doenças crônicas associadas como diabetes mellitus e doença vascular periférica, mas também pode ocorrer em pessoas jovens, previamente saudáveis. Condições como uso de drogas endovenosas e abuso de álcool também são fatores de risco. Não há diferença entre os sexos. PATOGÊNESE Em crianças, a fasciite necrosante é mais comumente causada por estreptococos do grupo A (S.pyogenes). Em adultos, ela frequentemente resulta de uma infecção polimicrobiana, normalmente depois de um trauma ou cirurgia, com bactérias anaeróbias e aeróbias, incluindo: estreptococos, S. aureus, Escherichia coli, Bacteroides e Clostridium spp. À fasciite necrosante pode seguir uma lesão penetrante ou traumatismo, ou se desenvolver na ausência de um trauma precedente. A gangrena (deterioração pós necrose) dos tecidos subcutâneos, disseminada ao longo dos planos fasciais, é seguida pelo envolvimento da pele que recobre a área. A necrose fibrinoide está presente no meio dos vasos que passam pela fáscia destruída e os trombos de fibrina são evidentes. A epiderme, derme e anexos cutâneos na área da gangrena sofrem a necrose de coagulação.A infiltração com neutrófilos e células mononucleares, bem como numerosas bactérias, ocorre nas camadas superiores da derme. QUADRO CLÍNICO A infecção começa com uma área estranha de dor à palpação, eritema, calor e edema que não respondem aos antibióticos. A pele é brilhante e tensa. Inicialmente, a dor intensa pode estar fora de proporção com os achados cutâneos. A doença progride em um índice alarmante e a pele muda de vermelho e púrpura para uma cor azul acinzentada, característica em regiões mal definidas, dentro de 36 horas após o início. Bolhas violáceas e/ ou hemorrágicas podem se desenvolver. A necrose da fáscia superficial e da gordura produz uma secreção aquosa e de odor desagradável. Mais tarde, a área pode se tornar anestésica, porque os nervos cutâneos são destruídos. Os tecidos subcutâneos podem parecer duros e semelhantes a uma madeira na palpação. Os pacientes podem se tornar extremamente intoxicados, com febre, calafrios, mal-estar, leucocitose, taquicardia e choque. O local de envolvimento mais comum são as extremidades, embora o tronco seja frequentemente afetado em crianças. Quando a fasciite necrosante envolve o períneo e a genitália, ela é chamada de gangrena de Fournier DIAGNÓSTICO O diagnóstico exige a avaliação minuciosa por um tripé que envolve as informações e sinais clínicos, exames laboratoriais e exames de imagem. No início do curso da doença, frequentemente é difícil diferenciar a fasciite necrosante da celulite. A presença de dor intensa ou anestesia sugere um componente mais profundo, e uma ressonância magnética pode delinear a profundidade do envolvimento do tecido Clínica: inicio gradual com lesão semelhante à celulite, contudo, com dor desproporcional e extensiva, muitas vezes incapacitante e que não melhora com medicamentos sintomáticos. Laboratorial: Pela evidência de inflamação e infecção grave, deve ser solicitado hemograma, marcadores de inflamação como CPK (creatinofosfoquinase - está presente nos músculos), eletrólitos e função renal. O paciente apresenta sinais clássicos de infecção, logo, o hemograma é essencial para avaliar a leucocitose e desvio à esquerda que representa aumento de neutrófi los por infecção bacteriana. CPK vai estar elevado pela grande lesão muscular característica da agressão necrotizante. Haverá insuficiência renal aguda pelas toxinas liberadas a partir da lesão muscular e dificuldade de filtração renal a partir dessa agressão. Imagem: Os exames de imagem são solicitados para avaliar os focos de lesões profundas e sua extensão interna. A ressonância magnética é o exame mais indicado por evidenciar lesões em partes moles com maior definição. PREVENÇÃO E TRATAMENTO Como medidas de prevenção de agravos, destaca-se a limpeza de feridas e tratamento adequado conforme indicação médica, para evitar proliferação e disseminação de agentes A abordagem do paciente com fasciíte necrotizante deve ser agressiva; O desbridamento cirúrgico extensivo (fasciectomia) de caráter urgente é a base do tratamento efetivo. Em associação deve existir o controle pressórico e febril evitando maiores complicações. Ocasionalmente, a amputação é necessária. A terapia (que pode ser orientada pelos resultados de uma coloração de Gram do exsudato) deve ser iniciada com um inibidor da β-lactamase com cobertura de amplo espectro contra: estreptococos, estafilococos, bacilos Gram-negativos aeróbios e anaeróbios (ampicilina/sulbactam ou piperacilina/tazobactam, frequentemente administrados com clindamicina e ciprofloxacina); uma alternativa é o carbapenem. Em um paciente com alergia verdadeira à penicilina, a terapia empírica com ciprofloxacina + metronidazol ou clindamicina pode ser usada. O suporte nutricional é crucial para enfatizar a cura do ferimento pós-operatório e, em um dado momento, a cirurgia reconstrutora é frequentemente necessária Os Staphylococcus são cocos Gram + e catalase +, com aproximadamente 0,5 a 1,5 μm de diâmetro, imóveis, não-esporulados e geralmente não- encapsulados. Essa bactéria pode apresentar-se em diversas formas, que vão desde isolados, aos pares, em cadeias curtas, ou agrupados irregularmente. O Staphylococcus aureus faz parte da microbiota humana, frequentemente encontrada na pele e nas fossas nasais de pessoas saudáveis, mas que pode provocar doenças que vão desde uma infecção simples, como espinhas e furúnculos, até as mais graves, como pneumonia, meningite, endocardite, síndrome do choque tóxico e septicemia, entre outras. Os fatores determinantes da invasão tecidual dependem de interações do microrganismo com o hospedeiro. As infecções estafilocócicas podem ser adquiridas na comunidade ou no ambiente hospitalar. Nos casos de pacientes hospitalizados, a transmissão se dá pelas mãos dos profissionais da saúde contaminadas com a bactéria. S. aureus também pode ser transmitido pelo contato direto, pessoa a pessoa, principalmente no ambiente hospitalar. Possui enorme capacidade de adaptação e resistência, tornou-se uma das espécies de maior importância no quadro das infecções hospitalares e comunitárias. A invasão do S. aureus revela que, no primeiro momento, essa bactéria adere à pele ou à mucosa para, em seguida, romper as barreiras do epitélio, comprometendo estruturas de ligações intercelulares, como desmossomos e junções de aderência. Após a invasão do epitélio, o S. aureus utiliza diversas estratégias para permitir a sua sobrevivência e proliferação no organismo hospedeiro. Essas estratégias estão relacionadas com a opsonização do complemento, a neutralização da fagocitose e a inibição das respostas imunes humoral e celular. A capacidade de colonização e a patogenicidade do S. aureus são, portanto, uma consequência de seus fatores de virulência, os quais têm papel relevante na adesão celular, na captação de nutrientes e na sua evasão da resposta imunológica do hospedeiro Sao os fatores: a) fatores relacionados com a aderência às células do hospedeiro ou à matriz extracelular, como a Staphylococcu9 aureo9 produção de moléculas de fibrinogênio, fibronectina, colágeno ou da enzima coagulase; b) fatores relacionados com a evasão da defesa do hospedeiro, como diversas enterotoxinas estafilocócicas, a toxina da síndrome do choque tóxico (TSST), a proteína A, lipases e polissacarídeos capsulares; c) fatores relacionados com a invasão na célula do hospedeiro e a penetração nos tecidos ou adesão de superfícies de cateteres e próteses, os quais incluem as proteínas (toxinas) O alto potencial infeccioso do S. aureus não está restrito apenas à sua facilidade de multiplicação e disseminação nos tecidos, mas também à produção de moléculas com grande poder patogênico, que incluem enzimas e toxinas: As betalactamases, coagulases, hialuronidases e catalases são algumas das enzimas produzidas para esse fim. Além dessas enzimas, o S. aureus também produz DNAses, lipases, proteases e esterases. Entre as toxinas produzidas por esse patógeno destacam-se as seguintes: alfa, beta e gama toxinas, a leucocidina, a esfoliatina, a toxina do choque tóxico e as enterotoxinas. S. aureus compromete a efetividade de neutrófilos e macrófagos, secretam proteínas que inibem a ativação do complemento ou a lise de neutrófilos, neutraliza os peptídios de defesa antimicrobiana e expressa superantígenos que corrompem a resposta imune do hospederio resultando em anergia e imunossupressão. S. aureus coagulase positiva: patogenos mais importantes causadores de infecções superficiais ou profundas e também e também relacionadas à ação de suas toxinas S. aureus coagulase negativa: determina doenças invasivas. ESTAFILOCOCOS EM GERAL Os estafilococos podem ser inoculados nos tecidos por meio de escoriações mínimas, da administração de fármacos como a insulina ou da instalação de acessos intravenosos (IV) por cateteres. Após suaintrodução nos tecidos, as bactérias se replicam e colonizam a superfície tecidual do hospedeiro. Após a colonização, os estafilococos sofrem replicação no local inicial de infecção, produzindo enzimas, como serina proteases, hialuronidases, termonucleases e lipases. Essas enzimas facilitam a sobrevida e a disseminação local das bactérias • Lipases: lipases podem facilitar a sobrevida dos microrganismos nas áreas ricas em lipídeos, como os folículos pilosos, onde as infecções por S. aureus muitas vezes começam. • A toxina alfa estafilocócica, que provoca a formação de poros em várias células eucarióticas, também pode suscitar uma resposta inflamatória com manifestações clínicas sugestivas de sepse. COMUNITÁRIA A infecção comunitária é aquela doença que o paciente já chega ao serviço de saúde e verifica-se a presença de sinais e sintomas; infecção que se desenvolveu fora do ambiente hospitalar ou que se manifestou em até 48 horas após a internação; Apresentam risco baixo para bactérias resistentes à antibióticos. Principais: Influenza A e B (gripe); Pneumonia bacteriana; Legionelose (doença do legionário; Infecção por norovírus; Botulismo; Bacteriúria assintomática;; Vírus da imunodeficiência humana (HIV) e hepatites virais. DE SERVIÇOS DE SAÚDE IRAS são aquelas adquiridas após a admissão do paciente e que se manifestam durante a internação ou após a alta Exemplos: são as infecções do sítio cirúrgico (ISC), as pneumonias hospitalares, como as pneumonias associadas a ventilação mecânica (PAV), infecções do trato urinário associadas a cateter (ITU), infecções da corrente sanguínea associadas a catéter venoso (IPCS). Apresentam risco alto para bactérias resistentes à antibióticos. RESISTÊNCIA Microorganismo resistente, significa que a medicação não terá função positiva na terapêutica A resistência aos antibióticos se desenvolve como uma natural consequência da habilidade da população bacteriana de se adaptar. Infecçã@ comunitári/ ( d( Merviço9 d( Maúd( Sensibilidad( ( Resistênci/ O uso indiscriminado de antibióticos aumenta a pressão seletiva e, também, a oportunidade da bactéria ser exposta aos mesmos. Aquela oportunidade facilita a aquisição de mecanismos de resistência. Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), Streptococcus pneumoniae não susceptível à penicilina (PNSSP), enterococos resistente à vancomicina (VRE) e Enterobacteriaceae produtoras de beta-lactamase de espectro ampliado (ESBL) têm emergido e se espalhado nos hospitais e nas comunidades Atualmente, muitas das infecções causadas por bactérias patogênicas conhecidas (ex.: Staphylococcus aureus, Enterococcus), e infecções causadas por alguns patógenos reemergentes (ex.: Mycobacterium tuberculosis) não podem ser curadas prontamente com as drogas antimicrobianas existentes. A disseminação de bactérias antibiótico-resistentes ocorre tanto no ambiente hospitalar como na comunidade. Hospitais, especialmente, os que possuem unidade de terapia intensiva (UTI), centro cirúrgico, unidades de pediatria, berçário neonatal, clínica médica e/o cirúrgica, em que os pacientes são tratados com antibióticos, representam um "habitat" que alberga bactérias que podem tornar-se resistentes àquelas drogas. Alguns fatores que influenciam a seleção de mutantes antibióticos resistentes incluem o estado imunológico do paciente, o número de bactérias no sítio de infecção, o mecanismo de ação do antibiótico e o nível da droga que atinge a população bacteriana. HOSPITALAR Infecções em pacientes imunodeprimidos -> antibióticos menos efetivos -> cepas de bactérias antibiótico-resistentes -> disseminação hospitalar devido uso incorreto e ineficaz das medidas de controle da infecção hospitalar (assepsia incorreta, não uso de EPIS…) COMUNIDADE Uso incorreto de antibióticos -> antibióticos menos efetivos -> cepas de bactérias antibiótico-resistentes -> disseminação devido medidas de controle ineficazes (lavagem das mãos, uso de máscaras, contato interpessoal) MECANISMOS DE RESISTÊNCIA A resistência bacteriana pode estar ligada a 3 principais fatores: mutação, elementos de transposição e mecanismos de transferência de DNA. A mutação é a alteração na sequência de nucleotídeos do DNA, e pode ser espontânea (erros de replicação) ou induzida (exposição à agentes físicos ou químicos – calor, UV, análogos de bases nucleotídicas). Os elementos de transposição são responsáveis por fazer deslocamentos de DNA, podendo inserir plasmídeos no DNA ou retirar fragmentos do DNA, transformando-os em plasmídeos. Os transposons (elementos genéticos móveis capazes de se movimentar em uma sequência de DNA por mecanismos de transposição) carreiam genes de transposição e genes de resistência à drogas e metais pesados, produção de toxinas e utilização de carboidratos. Os mecanismos de transferência de DNA são os que permitem troca de material genético para ocorrer recombinação Podem ocorrer de três maneiras distintas: transformação, conjugação e transdução. Na transformação, a bactéria absorve moléculas de DNA dispersas no meio e são incorporados à cromatina. Esse DNA pode ser proveniente, por exemplo, de bactérias mortas. Esse processo ocorre espontaneamente na natureza. Na conjugação bacteriana, pedaços de DNA passam diretamente de uma bactéria doadora, o "macho" (F+), para uma receptora, a "fêmea" (F-). Isso acontece através do pili. O fragmento de DNA transferido se recombina com o cromossomo da bactéria "fêmea", produzindo novas misturas genéticas, que serão transmitidas às células-filhas na próxima divisão celular. Na transdução, moléculas de DNA são transferidas de uma bactéria a outra usando vírus como vetores (bactériófagos). Estes, ao se montar dentro das bactérias, podem eventualmente incluir pedaços de DNA da bactéria que lhes serviu de hospedeira. Ao infectar outra bactéria, o vírus que leva o DNA bacteriano o transfere junto com o seu. Se a bactéria sobreviver à infecção viral, pode passar a incluir os genes de outra bactéria em seu genoma. STAPHYLOCOCCUS AUREUS RESISTENTES À METICILINA (MRSA) O mecanismo de resistência está relacionado à alteração de proteínas ligadoras de penicilina (PBP), codificada pelo gene mecA e sem relação com a produção de beta-lactamases. A presença da PBP2a faz com que a meticilina e os compostos penicilinase-resistentes tenham baixa afinidade pelo local de ligação na bactéria, a parede celular, e por consequência deixem de ser efetivos. O gene mecA é carreado por um elemento genético móvel chamado cassete cromossômico estafilocócico (SCCmec). Algumas cepas de Staphylococcus aureus apresentam um tipo menos comum de resistência à oxacilina, não relacionado à presença do gene mecA, a resistência bordeline, em que as CIMs de oxacilina estão próximos aos pontos de corte. O mecanismo de resistência nesses isolados pode ser devido a: • hiperprodução de β-lactamase: cepas conhecidas como BORSA (borderline oxacillin-resistant S. aureus); • modificações nas proteínas de ligação de penicilina (PBPs 1, 2 e 4): cepas conhecidas como MODSA (modified penicillin-binding protein S.aureus). SENSIBILIDADE Ter sensibilidade ao medicamento, significa que a bactéria analisada apresenta susceptibilidade ao antibiótico e é aconselhável a sua utilização para combater a doença causada pela bactéria analisada; tem função positiva na terapêutica O contrario da sensibilidade é a resistencia O teste de sensibilidade e resistência podem ser feitos através do antibiograma Através do exame, é capaz de identificar o perfil de sensibilidade de bactérias a determinados antibióticos, possibilitando que o médico indique qual o antibiótico mais aconselhado para agir sobre a infecção do paciente. Prescrevendo inicialmente um antibiótico e não apresentando resultados, tem-se a indicação de um antibiograma A via da amostra a sercoletada varia, a depender do objetivo. Por isso, pode ser por saliva, muco nasal, ou até mesmo fezes ou sangue. O laudo do exame descreve dois possíveis resultados: • Sensível ou S; • Resistente ou R. De maneira intuitiva, o laudo “S” conclui que o microrganismo é sensível ao antibiótico testado. Assim, essa será a medicação recomendada. Por outro lado, caso o laudo seja “R”, o microrganismo é resistente ao antibiótico testado. Nesse caso, a medicação não terá função positiva na terapêutica. Na ausência do crescimento ao redor do disco, é interpretada a supressão de colonização da bactéria. Ou seja, entende-se que o antibiótico aplicado foi eficaz na atuação contra aquele tipo bacteriano. Antibiogram/