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Biossegurança em Serviços de Saúde

Aula 1 de Biossegurança e Qualidade dos Serviços de Saúde: definição de biossegurança, enquadramento no Ministério da Saúde (CBS e órgãos), evolução histórica (Hook, debates dos anos 1970, surtos e HIV), precauções universais do CDC e riscos ocupacionais com atenção a sangue e fluidos.

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BIOSSEGURANÇA E 
QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE 
SAÚDE 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Definida como um conjunto de medidas, ações e condutas, a 
biossegurança busca minimizar e, sempre que possível eliminar, riscos inerentes 
a determinada atividade, ou seja, é aplicada a todos os segmentos, desde uma 
fábrica de parafusos até um hospital. 
Esses riscos não são apenas aqueles que afetam o profissional que 
desempenha uma função, mas sim todos aqueles que podem causar danos ao 
meio ambiente e à saúde das pessoas, tanto o profissional quanto o 
cliente/paciente. 
Em nossas aulas, iremos verificar onde se aplica a biossegurança em 
serviços de saúde, visto que estes, em geral, são caracterizados como 
insalubres, haja vista que a quantidade e a intensidade dos riscos se mostram 
mais aumentadas que em outras atividades e serviços. 
TEMA 1 – DEFINIÇÃO DE BIOSSEGURANÇA 
Regulamentada por um conjunto de leis em vários países, a 
biossegurança, uma área relativamente nova, fundamenta critérios e ações com 
objetivo de minimizar os riscos no ambiente de trabalho de profissionais da área 
da saúde. 
A conduta de práticas seguras e equipamentos adequados reduzem 
significativamente os riscos de acidente ocupacional. Da mesma importância, 
faz-se necessária a conscientização do profissional da saúde em utilizar técnicas 
assépticas e normas estabelecidas que garantem ao profissional e paciente um 
tratamento sem risco de contaminação. De acordo com o Ministério da Saúde 
(Brasil, 2010): 
A biossegurança compreende um conjunto de ações destinadas a 
prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades 
que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde 
humana e o meio ambiente. Desta forma, a biossegurança caracteriza-
se como estratégica e essencial para a pesquisa e o desenvolvimento 
sustentável sendo de fundamental importância para avaliar e prevenir 
os possíveis efeitos adversos de novas tecnologias à saúde. 
No âmbito do Ministério da Saúde (MS), a Biossegurança é tratada pela 
Comissão de Biossegurança em Saúde (CBS) que é coordenada pela 
Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) e 
composta pelas Secretarias de Vigilância em Saúde (SVS) e de 
Atenção à Saúde (SAS), pela Assessoria de Assuntos Internacionais 
em Saúde (AISA), pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), pela 
Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e pela Agência Nacional de 
 
 
3 
Vigilância Sanitária (ANVISA). A CBS foi instituída pela Portaria 
GM/MS nº 1.683, de 28 de agosto de 2003. 
O profissional da saúde está mais suscetível a riscos decorrentes da 
atividade exercida em seu trabalho, por isso, medidas de biossegurança são 
importantes para assegurar e minimizar possíveis acidentes no ambiente de 
trabalho capazes de causa dados a saúde. 
1.1 Evolução da biossegurança 
Grandes avanços em investigações dos mecanismos de geração e 
transmissão de doenças ocorreram graças à descoberta das células por Horbert 
Hook, em 1665, que contribuiu para o desenvolvimento tecnológico entre 
engenharia genética e molecular, possibilitando um debate entre a necessidade 
da ética e biossegurança na área da saúde. 
Discussões cientificas na Califórnia, na década de 1970, sobre os 
impactos da engenharia genética na sociedade e os aspectos de proteção dos 
pesquisadores e profissionais pertencentes às áreas da saúde iniciaram uma 
abordagem do conceito de biossegurança voltada principalmente para os riscos 
biológicos. 
Ainda na década de 1970, pesquisas detectaram um crescente número 
de casos de tuberculose, hepatite B e shigelose (caracterizada por diarreia, febre 
e cólicas estomacais) na Inglaterra e na Dinamarca nos profissionais de 
laboratório de saúde. Isso serviu como um alerta para cuidados e estudos 
valorizando e difundindo o conceito de biossegurança, um tema que ultrapassa 
as barreiras hospitalares e laboratoriais devido à intensa circulação de pessoas 
e mercadorias no mundo, possibilitando ainda a transmissão de bactérias e vírus, 
pois os riscos biológicos e químicos estão presentes em outros ambientes. 
Em 1981, após um contágio acidental ocorrido a um profissional da saúde 
com o vírus HIV, houve um aumento da preocupação com biossegurança. 
Instaurou-se em 1987 as precauções universais como recomendação do 
Centers for Disease Control and Prevention (CDC), como forma de medidas de 
biossegurança e prevenção da transmissão do HIV e VHB (Vírus da Hepatite B). 
Profissionais da área da saúde estão expostos a um número significativo 
de riscos ocupacionais. Medidas e normas de biossegurança em saúde são 
condições fundamentais para a prevenção de danos aos trabalhadores 
multidisciplinares da área de atuação, pois os riscos estão sempre presentes. 
 
 
4 
Independentemente do diagnóstico do paciente, recomenda-se o uso de 
precauções com sangue e outros fluidos corporais a todos os profissionais de 
saúde, considerando todos os pacientes potencialmente infectados. 
A grande demanda de pacientes críticos e a exposição a material 
biológico, decorrente de procedimentos invasivos e/ou mais complexos, facilitam 
o aparecimento de infeções cruzadas em profissionais da saúde e clientes. A 
exposição ocupacional é uma importante fonte de infecção por vírus, como o 
HIV, hepatite B e C. 
O ambiente de atuação entre profissionais da área da saúde divide-se em 
crítico e semicrítico, porém, durante a assistência prestada, nem todos os 
profissionais da saúde adotam as medidas de biossegurança necessárias à sua 
proteção, o que pode ocasionar um risco à sua saúde e à saúde do cliente sob 
seus cuidados. 
Como forma de minimizar os riscos em relação aos organismos 
modificados geneticamente, na década de 1990, o Brasil criou a Lei n. 
8.974/1995, de 5 de janeiro de 1995, com ampla abrangência, envolvendo 
também organismos não modificados geneticamente e sua relação com a saúde 
no ambiente de trabalho e em meio à comunidade. Junto à Lei, foi criada a 
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), empregada a 
biotecnologia e meio ambiente. Por sua vez, os riscos biológicos são os de maior 
relevância no serviço da saúde principalmente entre fatores microbiológicos, os 
quais apresentam uma maior população causada por infecções cruzadas com a 
Hepatite B e C. Assim como com a síndrome de imunodeficiência adquirida 
(AIDS), os riscos aumentaram consideravelmente. 
É importante salientar o conhecimento e conscientização dos profissionais 
da saúde sobre os riscos de contagio e transmissão e as limitações dos 
processos de desinfecção e esterilização para que estes realizem o uso correto 
dos EPIs. 
Na área da saúde, um acidente em ambiente de trabalho, como em 
qualquer área, pode envolver não somente o profissional da saúde, como 
paciente, visitantes, equipamentos instalação entre outros, por isso é importante 
a atenção em diminuir os possíveis riscos por parte dos profissionais durante o 
exercício de suas funções. 
 
 
 
 
5 
TEMA 2 – NORMAS REGULAMENTADORAS (NR) 
Em 2002, foi instituída a Comissão de Biossegurança em Saúde, com 36 
Normas Regulamentadoras (NRs) específicas na legislação, as quais têm como 
objetivo, entre outras atribuições, acompanhar e participar da elaboração e 
reformulação das normas de biossegurança, bem como promover debates 
públicos sobre o tema. São elas: 
• NR 01 – Disposições gerais: determina que as normas regulamentadoras, 
relativas à segurança e medicina do trabalho, tornam-se obrigatórias para 
todas as empresas privadas e públicas, além dos órgãos públicos da 
administração direta e indireta, desde que possuam empregados regidos 
de acordo com a CLT. 
• NR 02 – Inspeção prévia: trata sobre a inspeção prévia de 
estabelecimentos novos. 
• NR 03 – Embargo ou interdição: referente a embargo e interdição de 
atividades,desses 
itens. Com relação ao material biológico, deverá ser observada a legislação 
vigente. Lixo radioativo está regulamentado na legislação específica, resíduos 
químicos, particularmente de materiais pesados, ainda não têm legislação 
especifica, e o lixo comum deve ser tratado da mesma forma que lixo doméstico. 
TEMA 4 – PERFUROCORTANTES 
Após a década de 80, percebeu-se maiores cuidados e atenção com 
relação aos riscos de contaminação decorrente dos acidentes de trabalho, visto 
que cerca de 30% dos acidentes são derivados de acidentes com 
perfurocortantes. A comissão Gestora Multidisciplinar, constituída por diferentes 
representantes da área e serviços de saúde unidos a CIPA e SESMT, são 
fundamentais não só na elaboração e implementação, como no 
acompanhamento de programas de prevenção de riscos em acidentes com 
perfurocortantes. A NR 32 trata desse tema. 
Profissionais da área da saúde estão expostos a um risco maior em 
adquirir infecção sanguínea por lesões perfurocortantes. Materiais 
perfurocortantes mais utilizados no ambiente da saúde são as agulhas, bisturis, 
ampolas, escalpes, enfim, todo objeto capaz de causar corte. O manuseio 
predomina como situação de exposição e acidente ocupacional. 
Acidentes com matéria perfurocortante são graves devido às possíveis 
consequências para os trabalhadores. Podemos considerar alguns fatores que 
colaboram na ocorrência dos acidentes, são eles: cansaço, não utilizar os EPIs 
de forma correta, desconforto, muitas atribuições, equipamentos inadequados, 
descuido em especial durante o manuseio de agulhas e perfurantes. 
Treinamento, capacitação periódica, uso de Equipamento de Proteção 
Individual EPIs e estrutura adequada tornam mais seguro o ambiente de 
trabalho. Muitas vezes, o profissional não tem ideia da gravidade do acidente 
envolvendo o material contaminado, por isso, é muito importante identificar a 
 
 
13 
causa do acidente de trabalho como forma de educação continuada minimizando 
os riscos. 
A Norma Regulamentadora NR 32 estabelece um plano de prevenção de 
riscos de acidentes com material perfurocortantes com objetivo em estabelecer 
diretrizes para a elaboração e implementação de prevenção aos riscos de 
acidente de trabalho: 
1 Acidentes com materiais perfurocortantes com probabilidade de 
exposição a agentes biológicos, visando a proteção, segurança e 
saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles 
que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. 
2.Comissão gestora multidisciplinar: 
3.Análise dos acidentes de trabalho ocorridos e das situações de risco 
com materiais perfurocortantes: 
4. Estabelecimento de prioridades: 
4.1 A partir da análise das situações de risco e dos acidentes de 
trabalho ocorridos com materiais perfurocortantes, a Comissão 
Gestora deve estabelecer as prioridades, considerando 
obrigatoriamente os seguintes aspectos: 
a) situações de risco e acidentes com materiais perfurocortantes que 
possuem maior probabilidade de transmissão de agentes biológicos 
veiculados pelo sangue; 
b) frequência de ocorrência de acidentes em procedimentos com 
utilização de um material perfurocortante específico; 
c) procedimentos de limpeza, descontaminação ou descarte que 
contribuem para uma elevada ocorrência de acidentes; e 
d) número de trabalhadores expostos às situações de risco de 
acidentes com materiais perfurocortantes. 
5. Medidas de controle para a prevenção de acidentes com materiais 
perfurocortantes: 
6. Seleção dos materiais perfurocortantes com dispositivo de 
segurança: 
7. Capacitação dos trabalhadores: 
7.1 Na implementação do plano, os trabalhadores devem ser 
capacitados antes da adoção de qualquer medida de controle e de 
forma continuada para a prevenção de acidentes com materiais 
perfurocortantes. 
7.2 A capacitação deve ser comprovada por meio de documentos que 
informem a data, o horário, a carga horária, o conteúdo ministrado, o 
nome e a formação ou capacitação profissional do instrutor e dos 
trabalhadores envolvidos. 
8. Cronograma de implementação: 
9. Monitoramento do plano: 
9.1 O plano deve contemplar monitoração sistemática da exposição 
dos trabalhadores a agentes biológicos na utilização de materiais 
perfurocortantes, utilizando a análise das situações de risco e 
acidentes do trabalho ocorridos antes e após a sua implementação, 
como indicadores de acompanhamento. 
10. Avaliação da eficácia do plano: 
10.1 O plano deve ser avaliado a cada ano, no mínimo, e sempre que 
se produza uma mudança nas condições de trabalho e quando a 
análise das situações de risco e dos acidentes assim o determinar. 
 
 
 
14 
4.1 Psicológico associado aos acidentes de trabalho 
 Acidentes ocasionados por material perfurocortante, além dos possíveis 
riscos à saúde física e mental do trabalhador, também podem causar o 
Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT), situação que vem chamando a 
atenção entre psicopatologias. Quando o profissional assume que teve uma 
exposição ao risco e uma possível contaminação, a atenção volta-se também 
para o meio familiar. A exposição a patógenos transmitidos por material biológico 
somada à espera dos resultados dos exames sorológicos que perduram por 
meses, além dos efeitos colaterais dos medicamentos a alterações em práticas 
sexuais, leva a um cuidado redobrado não só no ambiente de trabalho deste 
profissional, como em seu meio psicológico, que deve ser acompanhado pelo 
empregador. 
Constantemente expostos à material biológico contaminado, talvez, com 
vírus HIV, Hepatite B e C, o trabalhador deve ter consciência quanto à 
responsabilidade no atendimento ao paciente e cuidados de biossegurança para 
um trabalho mais seguro para todos. 
Em casos de acidente no trabalho, é obrigatório o registro de CAT 
(Comunicado de Acidente de Trabalho) pelo empregador, sendo um direito do 
empregado. Usada para comunicar ao INSS que determinado funcionário sofreu 
um acidente de trabalho ou doença ocupacional, a CAT é um documento 
utilizado para medir estatísticas de acidente e de trajeto da Previdência Social. 
TEMA 5 – PROCEDIMENTOS DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO 
Existem variações de riscos de transmissão de infecção. Por essa razão, 
faz-se necessária a conscientização do conhecimento entre os conceitos e 
procedimentos antimicrobianos classificados em três grupos: 
• Limpeza: É o procedimento antimicrobiano de remoção de sujidades e 
detritos para manter em estado de asseio os artigos e áreas. A limpeza 
constitui o núcleo de todas as ações referentes aos cuidados de higiene 
com os artigos e áreas hospitalares. É o primeiro passo nos 
procedimentos técnicos de desinfecção e esterilização. Os métodos de 
limpeza devem ser determinados pelo tipo de superfície, quantidade e o 
tipo de matéria orgânica presente, e o propósito da área ou artigo. As 
operações de limpeza, propriamente ditas, compreendem escovação com 
 
 
15 
água e sabão, fricção, esfregação e passar pano. A varredura e 
espanação seca devem ser evitadas, pois essas práticas espalham para 
o ar e para as superfícies limpas poeira, matéria estranha e 
microrganismos. 
• Desinfecção: É o processo de destruição de agentes infecciosos em 
forma vegetativa, potencialmente patogênicos, existentes em superfícies 
inertes, mediante a aplicação de meios físicos e químicos. Os meios 
químicos compreendem os germicidas (líquidos ou gasosos). Os meios 
físicos compreendem o calor em suas formas seca e úmida (vapor). A 
desinfecção normalmente se aplica a áreas e artigos semicríticos e não-
críticos. Os desinfetantes mais comumente utilizados são: hipoclorito de 
sódio, formaldeído, compostos fenólicos e iodo. 
• Esterilização: Em termos absolutos, significa destruição de todas as 
formas de vida. A esterilização pode ser realizada utilizando-se agentes 
físicos ou químicos, os quais podem ser líquidos ou gasosos. Pode ainda 
ser obtida utilizando as radiaçõeseletromagnéticas. Agentes físicos 
podem induzir a formação de substâncias químicas letais, do mesmo 
modo que substâncias químicas podem produzir calor e pressão osmótica 
responsáveis pela destruição de microrganismos. O mais antigo e mais 
conhecido agente esterilizante é o calor. O vapor e o calor são os meios 
clássicos de esterilização, tendo sido usados desde o princípio da história 
da transmissão de doenças. O vapor inclui ambos, vapor saturado e água 
em ebulição. Embora a água em ebulição não seja um bom esterilizante 
devido à sua baixa temperatura, sua principal vantagem é a facilidade com 
que é obtida. O vapor sob pressão é barato e esteriliza materiais porosos 
e superfícies rapidamente. O calor seco, de outro modo, é relativamente 
lento. Necessita de altas temperaturas para sua aplicação. Entretanto, o 
calor seco penetra em todos os materiais, como óleos, vaselinas e 
recipientes fechados, os quais não são penetrados pelo vapor. 
Equipamentos médicos merecem uma atenção quando falamos em 
limpeza. Por muito tempo, esse assunto foi deixado de lado, porém atualmente, 
estudos chamam a atenção na descontaminação necessário dos equipamentos, 
a fim de reduzir qualquer possibilidade de contaminação cruzada. A limpeza 
remove essencialmente matéria estranha sem a preocupação em manter 
 
 
16 
qualquer organismo vivo, essencial em garantir a ação germicida do produto. 
Veja, a seguir, um breve conhecimento das formas existentes dos métodos: 
• Esterilização química (líquidos ou gases): porém podem deixar resíduos 
no equipamento. 
• Autoclave: esteriliza os equipamentos, necessita de cuidados em manter 
a integridade destes. 
• Radiação gama: uma onda eletromagnética produzida durante a 
desintegração de certos elementos radioativos. 
• Agentes químicos líquidos: utilizados em equipamentos que não suportam 
altas temperaturas. 
Os profissionais que realizam a limpeza do ambiente de Serviço de Saúde 
estão expostos a diversos riscos, com isso, esses profissionais devem ser 
capacitados em suas condutas de cuidados pessoal. Informados e treinados 
quanto aos riscos, química, biológico, sinalização, rotulagem procedimentos de 
emergência, além de ter à sua disposição e saber usar EPI e EPC. Segurança e 
cuidados com relação à preservação do trabalhador devem ser redobrados. 
Equipamentos, máquinas e ferramentas necessitam de manutenção e inspeção 
prévia para a conservação e segurança de todos. 
Serviços de manutenção, bom funcionamento de equipamentos e 
instalações, independentemente da rotatividade de pessoas nos setores, 
programas de treinamento específicos e atualização ao trabalhador destinado à 
limpeza e manutenção devem, sem sombra de dúvidas, ser aplicados até mesmo 
em serviços terceirizados para uma melhor qualidade nos procedimentos de 
limpeza e segurança na saúde do profissional. 
A realização de manutenção descontinua de equipamentos pode 
acarretar risco à vida do paciente. 
NA PRÁTICA 
Qual é a importância dos EPIs e EPCs? Qual é a importância do uso 
correto/eficiente destes? 
Por que os serviços de assistência em saúde possuem NR específica? 
 
 
17 
FINALIZANDO 
Vimos em nossa aula uma das principais ferramentas em Biossegurança, 
os equipamentos de proteção individual e coletiva. Aprendemos que, mais 
importante que utilizar, é fazê-lo de forma correta, pois o mau uso anula qualquer 
proteção que se poderia ter e traz prejuízos significativos à saúde caso ocorra 
um acidente ou doença ocupacional, visto que, em serviços de saúde, se 
observa os cinco agentes de riscos presentes, físicos, químicos, biológicos, 
mecânicos ou de acidente e ergonômicos. 
Ainda sobre esse ambiente peculiar que são os serviços de saúde, vimos 
a importância da NR 32 que traz informações e orientações específicas quanto 
à exposição e manipulação de agentes principalmente biológicos e químicos, 
limpeza e desinfeção das áreas e superfícies, e manipulação e descarte de 
resíduos e perfurocortantes, visto que estes representam um risco eminente de 
acidente a quem manipula esse material e ao meio ambiente, haja vista que os 
acidentes com perfurocortantes são uma das principais causas de acidente 
ocupacional em serviços de assistência em saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Manual de segurança no 
ambiente hospitalar. 2003. 
_____. Biossegurança. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em Saúde: Prioridades e 
Estratégias de Ação. Brasília, 2010. 
HÖKERBERG, Y. H. M. et al. O processo de construção de mapas de risco em 
um hospital público. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 11 n. 2 abr./Jun. 
2006. 
MIRANDA, C. R.; DIAS, C. R.; PPRA/PCMSO: auditoria, inspeção do trabalho e 
contrato social. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 224-232, 
jan./fev. 2004. 
NEVES, T. P; CORTEZ, E. A; MOEIRA, C. O. F. Biossegurança ação educativa, 
contribuições a saúde do trabalho. Cogitare Enferm, v. 11, n. 1, p. 50-54, 
jan./abr. 2006. 
TEIXEIRA, M. Biossegurança - Manual técnico em segurança do trabalho. 
2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIOSSEGURANÇA E 
QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE 
SAÚDE 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, vamos abordar disposições legais, órgãos oficiais e 
obrigações a serem cumpridas por parte do empregador e do empregado sobre 
o tema segurança e saúde do trabalhador. 
A biossegurança se aplica a qualquer segmento. Onde há um profissional 
executando atividades, há também riscos inerentes a elas. Nos serviços de 
saúde, os profissionais estão expostos quase sempre a agentes de risco, 
principalmente agentes de risco biológico e químico. Em tais serviços, onde se 
tem a assistência em saúde, seja de forma direta ou indireta, a falta ou a má 
utilização das medidas de biossegurança acarretam perigos também ao 
paciente. Nesta aula, vamos pensar a biossegurança também por esse viés, com 
uma introdução da segurança do paciente, definindo infeção, infecção cruzada 
paciente-profissional ou paciente-profissional-paciente, além de classificação, 
formas de transmissão e precauções padrão para evitar contaminação. 
TEMA 1 – SEGURANÇA DO TRABALHADOR NA CONSTITUIÇÃO 
A saúde do trabalhador é um direito garantido pela seguridade social, 
prevista no art. 196 da Constituição (Brasil, 1988): “A saúde é um direito de todos 
e um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas”. 
Segundo a Lei n. 8.080/90, art. 6º, parágrafo 3º, a saúde do trabalhador engloba 
um conjunto de atividades que se destinam, por meio de ações de vigilância 
epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e à proteção da saúde dos 
trabalhadores. Visa também a recuperação e a reabilitação da saúde de 
trabalhadores submetidos a riscos e agravos advindos das condições de 
trabalho. 
Há, na legislação, instruções normativas para a fiscalização de situações 
de trabalho degradantes. Entre elas, temos a Secretaria de Inspeção do Trabalho 
(SIT), responsável pela fiscalização para a erradicação do trabalho em condição 
análoga à de escravidão, que acompanha o cumprimento de acordos brasileiros 
e internacionais (Organização Internacional do Trabalho – OIT). Há também o 
Setor de Fiscalização do Trabalho (SFT), responsável por estabelecer políticas 
de combate ao trabalho infantil e escravizado, formulando diretrizes de trabalho. 
O Setor de Relações do Trabalho (SRT) promove autonomia nas relações entre 
empregados e empregadores, respeitando os princípios da não interferência e 
 
 
3 
da não intervenção na organização sindical. Por sua vez, o Departamento de 
Segurança e Saúde no Trabalho (DSST) formula e propõe diretrizes e normas 
de atuação nas áreas de Serviço e Segurança do Trabalho. 
1.1 Ministério da Saúde na saúde do trabalhador 
 No art.200 da Constituição, está prevista uma das garantias de saúde do 
trabalhador: “Ao Sistema Único de Saúde compete [...] executar as ações de 
saúde do trabalhador” (Brasil, 1988). 
A Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, discorre acerca das condições 
para promoção, proteção e recuperação da saúde, organização e funcionamento 
dos serviços correspondentes, além de outras providências. Em seu art. 6º, 
parágrafo 3º, destaca que a saúde do trabalhador, para fins os da lei, é um 
conjunto de atividades que se destina, por meio de ações de vigilância 
epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos 
trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos 
trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de 
trabalho, abrangendo (Brasil, 1990): 
I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou 
portador de doença profissional e do trabalho; 
II - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde 
(SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e 
agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; 
[...] 
IV - avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; 
V - informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às 
empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional 
e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações 
ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de 
demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; 
VI - participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços 
de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e 
privadas; 
Em 2012, foi instituída pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria 
1.823, de 23 de agosto de 2012, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e 
da Trabalhadora, que tem como finalidade 
Art. 2º […] definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem 
observados pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde 
(SUS), para o desenvolvimento da atenção integral à saúde do 
trabalhador, com ênfase na vigilância, visando a promoção e a 
proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade 
decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos 
produtivos. 
 
 
4 
Nesse âmbito, existe a Rede Nacional de Atenção Integral a Saúde do 
Trabalhador (Renast), que é uma rede desenvolvida de forma articulada entre o 
Ministério da Saúde, as Secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e 
dos municípios, que tem como estratégia a garantia da atenção integral à saúde 
dos trabalhadores. Ela é composta por Centros Estaduais e Regionais de 
Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) – ao todo, até setembro de 2008, 
173 unidades espalhadas por todo o País – e por uma rede de 500 serviços 
sentinela de média e alta complexidade, capazes de diagnosticar os agravos à 
saúde que tenham relação com o trabalho, e de registrá-los no Sistema de 
Informação de Agravos de Notificação (Sinan). 
A rede Sinan, formada por unidades de saúde, tem o dever de identificar 
e fazer a notificação de acidentes ou doenças de trabalho confirmadas. Essa 
notificação é importante, pois alimenta dados estatísticos nacionais e 
internacionais, que permitem a avaliação dos acidentes de trabalho, com 
informações importantes como frequência, magnitude e localização dos 
acidentes, permitindo medidas de prevenção mais eficientes. Essa Notificação 
Complusória tem agravos, citados na Portaria GM/MS n. 777, de 28 de abril de 
2004, que são: 
I. Acidente de Trabalho Fatal 
II. Acidentes de Trabalho com Mutilações 
III. Acidente com Exposição a Material Biológico 
IV. Acidentes do Trabalho em Crianças e Adolescentes 
V. Dermatoses Ocupacionais 
VI. Intoxicações Exógenas (por substâncias químicas, incluindo 
agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados) 
VII. Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Distúrbios Osteomusculares 
Relacionadas ao Trabalho (DORT) 
VIII. Pneumoconioses 
IX. Perda Auditiva Induzida por Ruído – PAIR 
X. Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho 
XI. Câncer Relacionado ao Trabalho 
 
 
 
5 
TEMA 2 – RESPONSABILIDADES EMPREGADOR EMPREGADO 
2.1 Responsabilidades: EPIs 
A legislação trabalhista prevê responsabilidades sobre os equipamentos 
de proteção, tanto para empregador quanto para empregado. Quem falha 
nessas obrigações, pode ser responsabilizado, caso ocorra dano ao trabalhador. 
Segundo a Norma Regulamentadora n. 6, é de responsabilidade do 
empregador o fornecimento gratuito de EPI adequado ao risco em perfeito 
estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: 
• sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção 
contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e 
do trabalho; 
• enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; 
• para atender a situações de emergência. 
Cabe ainda ao empregador, quanto ao EPI: 
• adquirir o adequado ao risco de cada atividade; 
• exigir seu uso; 
• fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional 
competente em matéria de segurança e saúde no trabalho; 
• orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e 
conservação; 
• substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado; 
• responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; 
• comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada; 
• registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, 
fichas ou sistema eletrônico. 
Não só o empregador tem responsabilidades e obrigações. Ainda com 
relação ao EPI, a lei determina as seguintes responsabilidades do empregado: 
• usá-lo apenas para a finalidade a que se destina; 
• responsabilizar-se pela sua guarda e conservação; 
• comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para 
uso; 
 
 
6 
• cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado. 
2.2 Responsabilidades: PCMSO e PPRA 
Empregador e empregado têm responsabilidades legais quanto aos 
aspectos abordados pelas normativas de Segurança e Medicina do Trabalho. 
A NR 7 preconiza que a responsabilidade sobre a elaboração e a 
implantação do PCMSO é do empregador, cabendo à empresa custear o 
programa, bem como, sem ônus para o empregado, todos os procedimentos 
relacionados ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. É dever 
do empregador garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, além 
de zelar pela sua eficácia. 
Das responsabilidades. 
Do empregador: 
I. estabelecer, implementar e assegurar o cumprimento do PPRA como 
atividade permanente da empresa ou instituição. 
[…] Dos trabalhadores: 
I. colaborar e participar na implantação e execução do PPRA; 
II. seguir as orientações recebidas nos treinamentos oferecidos dentro 
do PPRA; 
III. informar ao seu superior hierárquico direto ocorrências que, a seu 
julgamento, possam implicar riscos à saúde dos trabalhadores. 
[...] Os trabalhadores interessados terão o direito de apresentar 
propostas e receber informações e orientações a fim de assegurar a 
proteção aos riscos ambientais identificados na execução do PPRA. 
[...] 
[...] Os empregadores deverão informar os trabalhadores de maneira 
apropriada e suficiente sobre os riscos ambientais que possam 
originar-se nos locais de trabalho e sobre os meios disponíveis para 
prevenir ou limitar tais riscos e para proteger-se dos mesmos. 
[...] 
O conhecimento e a percepção que os trabalhadores têm do processo 
de trabalho e dos riscos ambientais presentes, incluindo os dados 
consignados no Mapa de Riscos, previsto na NR-5, deverão ser 
considerados para fins de planejamento e execução do PPRA em 
todas as suas fases. [...] 
[...] O empregador deverá garantir que, na ocorrência de riscos 
ambientais nos locais de trabalho que coloquem em situação de grave 
e iminente risco um ou mais trabalhadores, os mesmos possam 
interromper de imediatoas suas atividades, comunicando o fato ao 
superior hierárquico direto para as devidas providências. (Brasil, 1978) 
TEMA 3 – INTRODUÇÃO À BIOSSEGURANÇA E SEGURANÇA DO PACIENTE 
Já conhecemos a definição de biossegurança: conjunto de ações 
destinadas à prevenção e minimização ou eliminação de riscos inerentes às 
atividades profissionais. Tais atividades podem estar relacionadas a produção, 
ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, visando a saúde 
 
 
7 
de homens e animais, preservação do meio ambiente e qualidade dos 
resultados. 
Independentemente do tipo de ambiente de trabalho, sempre haverá 
riscos aos profissionais, que podem trazer sequelas irreversíveis, inclusive óbito 
do trabalhador. Essa realidade explica a importância da biossegurança. Ocorre 
que, em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde, os riscos envolvem 
também os pacientes e os impactos ambientais e sociais, sendo necessário 
garantir uma série de medidas de segurança. 
O tema segurança do paciente ganhou atenção redobrada a partir do ano 
2000, devido à publicação de um importante estudo nos Estados Unidos, que 
alertava os gestores de serviços de saúde sobre a necessidade de se incluir a 
segurança dos pacientes como um requisito de garantia da qualidade nos 
hospitais e nas clínicas. Esse trabalho foi realizado pelo Instituto de Medicina da 
Academia Nacional de Ciências Americana, e mostrou que aproximadamente 
cem mil pessoas morrem por ano nos EUA vítimas de eventos adversos, que 
podem resultar em sequelas irreversíveis para o paciente ou até mesmo óbito. 
Ainda, o tema segurança do paciente não é exclusivo de serviços 
hospitalares e clínicas. Nesses locais, há diretrizes e planos nacionais 
estabelecidos e obrigatórios, mas ele deve ser abordado em todo local que 
prestar algum tipo de assistência em saúde, ou serviço que tenha o alcance de 
impactar a saúde do paciente, de forma direta ou indireta. 
Os serviços de saúde são ambientes diferenciados, com todos os tipos de 
risco quase sempre presentes, particularmente biológicos e químicos, falta de 
biossegurança ou falhas em processos. Vamos ver alguns exemplos de onde 
observamos falhas em medidas de biossegurança ou na execução dos 
procedimentos que impactam diretamente a saúde do paciente: identificação 
errada do paciente; troca de pacientes em cirurgias; extravio de biópsias; falha 
na administração da medicação; troca de amostras para análises laboratoriais; 
utilização de produtos, dispositivos, ou materiais contaminados com algum 
patógeno; alimento ou água contaminados; falta ou má higienização das mãos 
do profissional antes de qualquer procedimento; falta ou mau uso de EPI (como 
luvas de procedimentos); contaminação cruzada; infecção cruzada. 
Em um ambiente hospitalar, ou de assistência em saúde, o risco biológico 
se mostra quase sempre elevado, o que aumenta as chances de uma infecção 
cruzada, seja paciente-profissional ou ainda paciente-profissional-paciente. Na 
 
 
8 
sequência, vamos ver conceitos importantes relacionados ao tema da infecção 
e suas formas de transmissão, assunto essencial para que possamos aplicar de 
forma adequada e efetiva as melhores medidas de biossegurança. 
TEMA 4 – TIPOS DE INFECÇÃO 
Infecção é o ato ou efeito de um microrganismo corromper ou contaminar 
um organismo superior, desencadeando um conjunto de fenômenos biológicos 
no organismo agredido, com liberação de toxinas, acarretando uma série de 
reações locais e generalizadas de natureza imunológica e inflamatória em 
diversos níveis. As infecções podem ser superficiais, profundas, localizadas ou 
generalizadas. Várias são suas causas, podendo ser principalmente de natureza 
viral, bacteriana e micótica (fungos) (ABO, 2018). 
Para que haja infecção, uma dessas condições deve estar presente (ABO, 
2018): 
• Virulência: a virulência de um microrganismo se refere ao grau de 
patogenicidade ou à força que esse microrganismo apresenta em sua 
habilidade de causar doença. Um microrganismo pouco virulento pode ser 
incapaz de causar uma doença; por outro lado, um microrganismo muito 
virulento pode causar uma doença grave. 
• Número de microrganismos: para que uma doença seja causada, um 
número suficientemente elevado de microrganismos patogênicos deve 
estar presente, para sobrecarregar as defesas do organismo a ser 
invadido. O número de patógenos pode estar relacionado diretamente à 
quantidade de biocarga presente. A biocarga refere-se a materiais 
orgânicos como sangue, saliva e pus. 
• Hospedeiro suscetível: indivíduo incapaz de resistir à infecção por um 
patógeno específico. Um indivíduo que está com a saúde debilitada e sob 
estresse extremo ou mesmo que apresenta sistema imunológico 
debilitado é mais propenso a se tornar infectado. 
• Porta de entrada: para causar infecção, os microrganismos patógenos 
devem ter uma porta de entrada ou um meio de entrar no corpo. As portas 
de entrada para os patógenos transportando pelo ar são a boca e o nariz. 
Já os patógenos sanguíneos devem ter acesso ao sangue como meio de 
entrada no corpo. Isso pode ocorrer por meio de um ferimento na pele 
com perfurocortante ou por meio de mucosa do nariz e da cavidade oral. 
 
 
9 
As infecções podem ser classificadas da seguinte forma (ABO, 2018): 
• Infecção aguda: na infecção aguda, os sintomas na maioria das vezes são 
graves, e geralmente aparecem logo após a infecção inicial. São de curta 
duração. Numa infecção viral como uma gripe comum, por exemplo, os 
mecanismos de defesa do corpo geralmente eliminam o vírus em 2 ou 3 
semanas. 
• Infecção crônica: na infecção crônica, o microrganismo patógeno 
encontra-se presente durante um longo período. Alguns podem ficar no 
corpo durante toda a vida. O indivíduo pode ser assintomático (não 
apresentar sintomas da doença), e mesmo assim ser portador da doença, 
como ocorre com a grande maioria dos casos de infecção pelo vírus HCV, 
que causa a hepatite C, ou com alguns casos de portadores de HIV 
(AIDS). 
• Infecção latente: infecção persistente em que os sintomas “vêm e vão”. O 
herpes orofacial (herpes Tipo 1) e o herpes genital (herpes Tipo 2) são 
infecções latentes. O vírus inicialmente entra no corpo causando uma 
lesão primária. Em seguida, permanece latente, longe da superfície e 
dentro de uma célula nervosa, até que certas condições (como doença, 
febre, queimadura solar e estresse) façam com que o vírus deixe o nervo 
celular e procure novamente a superfície. Uma vez que o vírus alcança a 
superfície, se torna detectável por um curto período de tempo, causando 
outra erupção no local. 
• Infecção oportunista: são normalmente causadas por microrganismos não 
patogênicos. Ocorrem em indivíduos cuja imunidade esteja diminuída ou 
comprometida. Por exemplo, é comum que um indivíduo que está se 
recuperando de uma gripe venha a desenvolver pneumonia ou infecção 
de ouvido. As infecções oportunistas são muito comuns em pacientes com 
doença autoimune ou diabetes e em indivíduos idosos. 
4.1 Formas de transmissão das infecções 
Uma doença infecciosa é transmissível e contagiosa. Esses termos 
significam que a doença pode ser transmitida (propagada) de alguma forma de 
um hospedeiro para outro. A transmissão pode ser (ABO, 2018): 
 
 
10 
• Transmissão direta: ocorre por meio de contato de pessoa a pessoa. 
Doenças como hepatite, infecção por herpes, infecção por HIV e 
tuberculose são disseminadas por contato direto, que podem ser por via 
aérea (gotículas que se espalham por meio de tosse ou espirros, por 
exemplo) e via contato sem proteção, como sangue, saliva, sêmen e 
secreções vaginais. 
• Transmissão indireta: ocorre quando os microrganismos são transmitidos 
inicialmente a objetos ou superfícies e em seguida para outra pessoa que 
toca esses objetos e superfícies. É importante higienizar e desinfetar as 
mãos com frequência, bem como cobrir superfíciesque podem ser 
contaminadas, para evitar a transmissão indireta de microrganismos – 
também conhecida com infecção cruzada. 
• Transmissão por via aérea: a transmissão via aérea, também conhecida 
como infecção por gotículas, é a propagação de doenças por meio de 
gotículas de umidade que contêm bactérias ou vírus. A maior parte das 
doenças respiratórias contagiosas é causada por patógenos que são 
transportados em gotículas de umidade. Alguns deles são transportados 
por longas distâncias por meio do ar e de sistemas de ventilação. Esse 
tipo de transmissão pode ocorrer também por meio de tosse ou espirro. 
Aerossol, spray e respingo são produzidos durante alguns procedimentos 
de assistência em saúde, como no uso de respiradores e ventilação 
mecânica. A diferença entre eles é o tamanho das partículas, medida em 
micras. Os menores são os aerossóis tipo névoa. Permanecem 
suspensos por longos períodos e podem ser inalados. Não podem ser 
visíveis a olho nu. Os aerossóis podem transmitir infecções respiratórias, 
mas não os vírus da hepatite b ou HIV, ainda que inalados. Os respingos 
consistem em partículas maiores de gotículas. As gotículas de spray e os 
respingos propagam-se mais do que o aerossol tipo névoa; tendem a 
depositar-se sobre as superfícies de punho e antebraço, braços e punho. 
Podem atingir também o pescoço, daí a importância do uso de EPIs 
(equipamento de proteção individual): gorro, luvas, máscaras, óculos e 
avental de manga longa e punho estreito. 
• Transmissão parenteral: ocorre por meio da pele, como em cortes ou 
perfurações. A transmissão parenteral pode ocorrer como resultado de 
 
 
11 
lesões, por meio de picada de agulha, mordidas humanas, cortes, 
escoriações ou qualquer ferimento na pele. 
• Transmissão por via sanguínea: ocorre por contato direto ou indireto com 
sangue e outros fluidos corporais. Instrumentos e equipamentos 
inadequadamente esterilizados podem transportar doenças 
transmissíveis pelo sangue. Pessoas que utilizam drogas injetáveis em 
seringas compartilhadas transmitem facilmente essas doenças. Sexo 
desprotegido é outra forma comum de transmissão de doenças pelo 
sangue. Os microrganismos mais comumente transmissíveis pelo sangue 
são HCV, HVB e HIV. 
• Transmissão por alimentos e água: alimentos contaminados que não 
foram cozidos ou refrigerados adequadamente e água contaminada por 
material fecal humano ou animal podem transmitir doenças. Por exemplo: 
tuberculose, botulismo, infecções por estafilococos e estreptococos são 
doenças propagadas por alimentos ou água contaminada. 
• Transmissão fecal-oral: muitos patógenos estão presentes na matéria 
fecal. É de extrema importância que procedimentos adequados de 
saneamento, como a higiene de mãos, sejam executados após a 
utilização de sanitários, pois por meio das mãos patógenos como o vírus 
da Hepatite A podem ser transmitidos facilmente, ao contaminarem 
alimentos e superfícies compartilhadas. A transmissão fecal-oral ocorre 
mais frequentemente entre funcionários da área de saúde e de creches 
(que trocam fraldas com frequência) e entre manipuladores de alimentos. 
TEMA 5 – PRECAUÇÕES 
A segurança do paciente envolve, entre outros aspectos, a prevenção e o 
controle das infecções. As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) 
representam um problema mundial. 
Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que, de cada 100 
pacientes internados em ambientes de saúde, sete de países desenvolvidos e 
10 de países em desenvolvimento adquirem infecções relacionadas à 
assistência à saúde. 
Essas infecções aumentam o tempo de internações, culminando ainda 
em: incapacidade em longo prazo; resistência microbiana aos antibióticos; 
custos elevados para pacientes e instituições de saúde; aumento da mortalidade. 
 
 
12 
Esses riscos demonstram que a promoção de práticas seguras deve ser 
prioridade em ambientes de saúde. 
A promoção de um ambiente seguro nos espaços de cuidado inclui ações 
de proteção anti-infecciosas, entre elas as Precauções-Padrão (PP), que são 
medidas básicas de proteção utilizadas nos cuidados em saúde, sendo, portanto, 
conhecimento obrigatório de todos que trabalham com saúde. 
5.1 Precauções-padrão 
São medidas de proteção adotadas pelos profissionais que prestam 
assistência à saúde, visando evitar contato com fluídos e secreções 
potencialmente patogênicos, além de transmissão e disseminação de 
microrganismos potencialmente patogênicos. Devem ser aplicadas a todos os 
pacientes e em todos os locais em que há prestação de cuidados à saúde 
(independentemente de suspeita ou confirmação de doença transmissível) para 
prevenir a transmissão de microrganismos, inclusive quando a fonte é 
desconhecida. 
As medidas de precaução padrão incluem: 
• Higienização das mãos é a principal medida de precaução. Deve ser 
realizada: 
o com água e sabão ou gel alcoólico (quando as mãos estiverem 
visivelmente limpas); 
o quando as mãos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas 
com matéria orgânica; 
o antes de comer ou após usar o banheiro; 
o antes e após o contato com cada paciente; 
o após contato com fluídos corpóreos, membranas mucosas, pele 
não intacta e curativos; 
o após manipular material e equipamentos contaminados; 
o antes e após o uso de luvas descartáveis. 
• Uso de luvas: 
o se houver risco de contato com sangue ou outros fluídos 
corpóreos; 
 
 
13 
o as luvas deverão ser trocadas entre procedimentos no mesmo 
paciente se houver contato com secreções contaminantes em 
sítios diferentes; 
o usar luvas limpas antes de manipular mucosas ou pele não 
íntegra; 
o não usar o mesmo par de luvas para cuidar de mais de um 
paciente; 
o não lavar as mãos enluvadas; 
o não tocar superfícies com as luvas (por exemplo: telefone, 
maçaneta, papeleta, prontuário, portas); 
o retirar as luvas imediatamente após o uso e higienizar as mãos 
adequadamente; 
o descartar luvas em cesto de resíduo comum se não houver 
presença visível de sangue, secreções ou fluídos corporais. 
• Uso de avental/capote: 
o sempre que houver possibilidade de contato da pele ou de roupas 
do profissional com fluídos, secreções ou excreções do paciente 
(por exemplo: dar banho, aspirar secreção, realizar procedimentos 
invasivos); 
o dispensar no “hamper” mais próximo, após o uso; 
o não usar o mesmo avental para cuidados a pacientes diferentes; 
o o avental é de uso individual e de uso único para contato com cada 
paciente, portanto não deve ser utilizado por diferentes 
profissionais; 
o não reutilizar o capote/avental, inclusive deixar pendurado nas 
enfermarias, ou em quaisquer outros locais; 
o não utilizar para transitar por outras áreas do hospital ou quando 
não estiver prestando assistência ao paciente. 
• Uso de máscara, óculos, protetor facial: 
o deverão ser utilizados sempre que houver exposição da face do 
profissional a respingos de sangue, saliva, escarro ou outros 
fluídos e secreções de paciente; 
o o profissional que apresentar infecção das vias aéreas (por 
exemplo: gripe, resfriado); 
 
 
14 
o os óculos são de uso individual, devem ser acondicionados e 
conservados de maneira correta, limpos e higienizados 
diariamente. 
• Práticas seguras no manuseio de perfurocortantes: 
o não reencapar agulhas; 
o não quebrar, entortar e manipular agulhas usadas; 
o não desconectar a agulha da seringa antes do descarte; 
o descartar perfurocortantes em recipiente rígido adequado (coletor 
de perfurocortante); 
o preencher a caixa de descarte para perfurocortantes até o limite 
máximo permitido, sendo proibido o descarte de outros materiais 
na caixa; 
o não sacudir a caixa de descarte, nem tentar reacomodar os 
materiais, e manusear a caixa conforme instruções do fabricante. 
• Higiene: profissionais de saúde que apresentarem infecções respiratórias 
devem ser aconselhados a evitar contato direto com pacientes. Não sendopossível, a máscara comum deverá ser usada durante todo o cuidado do 
paciente. Sobre etiqueta respiratória: instruir pacientes e acompanhantes 
com doenças respiratórias transmissíveis não diagnosticadas e que 
apresentem sinais como tosse, congestão nasal, rinorreia ou aumento da 
produção de secreções respiratórias a: 
o cobrir boca/nariz com lenço de papel descartável quando tossir e 
desprezar os lenços usados, imediatamente; 
o usar de máscara cirúrgica comum pelas pessoas que estiverem 
tossindo, ou se possível manter distância espacial mínima superior 
a 1 metro; 
o fazer higienização das mãos com água e sabão ou gel alcoólico 
logo após contato com secreções respiratórias. 
NA PRÁTICA 
Somente o empregador tem obrigações? E o empregado? Como 
aplicamos e qual importância da biossegurança na segurança do paciente? 
 
 
15 
FINALIZANDO 
Nesta aula, vimos que a segurança do trabalhador é garantida na 
Constituição Federal, não sendo opcional por parte das empresas. Enumeramos 
as obrigações que o empregador deve cumprir com o ao empregado, pensando 
também no dever do empregado de seguir todas as orientações recebidas. 
As medidas de biossegurança protegem o profissional e favorecem um 
ambiente seguro, mesmo com a presença de riscos de acidente e doenças 
ocupacionais. Essas medidas também aumentam significativamente a 
segurança do paciente, ajudando a garantir qualidade na prestação da 
assistência. 
É uma via de mão dupla: falhar na execução dos processos impacta, 
direta e negativamente, a saúde tanto do trabalhador quanto dos pacientes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
ABO – Associação Brasileira de Odontologia. Biossegurança e Segurança do 
Paciente. 2018. Disponível em: 
. Acesso em: 3 jan. 2021. 
BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
BRASIL. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 20 set. 1990. 
BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n. 3.214, de 8 de junho de 1978. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 6 jul. 1978. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIOSSEGURANÇA E 
QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE 
SAÚDE 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Anteriormente, vimos que de acordo com as condições de saúde do 
paciente, principalmente no que se refere a infecções, se faz necessário medidas 
de biossegurança específicas. 
Os pacientes hospitalizados devido a infecções por patógenos precisam 
de cuidados específicos, bem como os profissionais que estarão em contato tais 
pacientes precisam se paramentar de forma apropriada. Nesta aula, veremos as 
precauções de acordo com a via de transmissão desses microrganismos, 
evidenciando a importância da higienização das mãos, sendo essa prática uma 
das mais importantes nas medidas de prevenção e controle de infecções. 
Veremos também a importância do uso de EPIs, mas para que estes sejam 
eficientes, é necessário utilizá-los de forma correta e ter muito cuidado no 
momento de retirá-los. 
Por fim, veremos nesta aula as legislações, resoluções e programas de 
segurança do paciente, de caráter obrigatório e de suma importância para criar, 
promover e incentivar a cultura de segurança dentro dos serviços de saúde. 
TEMA 1 – HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 
Uma das ações de Biossegurança mais importantes quando falamos de 
prevenção e controle de infecções é a lavagem correta das mãos, reconhecida 
mundialmente como uma ação primaria e de suma importância no controle de 
infecções e assistência à saúde. Estudos apontam a baixa adesão dos 
profissionais na prática rotineira. Por mais simples que parece, nem todos 
realizam de forma correta e em quantidade necessária. As mãos são, sem 
dúvida, a principal ferramenta do profissional da saúde, pois é ela que possibilita 
executar todas as suas atividades. 
A segurança do paciente e do profissional depende de uma higienização 
frequente e cuidadosa das mãos. O termo higienização das mãos engloba 
higiene simples, higiene antisséptica e a antissepsia cirúrgica ou preparo pré-
operatório das mãos. 
Capaz de remover os microrganismos aderidos à pele, a lavagem das 
mãos deve ser realizada com sabão ou detergente, antes e após a utilização das 
luvas. A Organização da Mundial da Saúde (OMS) definiu estratégias e cuidados 
para uma melhor adesão a prática no serviço da saúde: 
 
 
3 
• Disponibilização da preparação alcoólica no ponto de assistência, além 
de pia/lavatório, sabonete líquido e água; 
• Capacitação dos profissionais; 
• Observação das práticas de HM e retorno de indicadores de adesão à 
equipe; 
• Lembretes e cartazes no local de trabalho; 
• Estabelecimento de um clima de segurança, com apoio expresso da alta 
direção e líderes dos serviços de saúde. 
O OMS definiu ainda cinco momentos para a higiene das mãos, de acordo 
com o fluxo de cuidados assistenciais: 
• Antes de tocar o paciente; 
• Antes de realizar procedimento limpo/asséptico; 
• Após risco de exposição a fluidos corporais; 
• Após tocar o paciente; 
• Após contato com superfícies próximas ao paciente. 
Como forma de disseminar a cultura em higienizar as mãos, contribuindo 
com informações e suporte técnico destinados aos profissionais da saúde e no 
Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), A ANVISA tem empreendido 
uma série de ações e disponibilizando diversos materiais de apoio. A RDC 36 
institui ações para a segurança do paciente em serviços da saúde, por meio de 
protocolos de segurança e prática de higienização das mãos. 
ANVISA e o Ministério da Saúde determinam que, para uma ação mais 
efetiva e correta, a higienização das mãos siga algumas recomendações: 
1. Lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície 
das mãos e punhos, utilizando-se sabão/detergente, seguida de 
enxágue abundante em água corrente. 
2. A lavagem das mãos é, isoladamente, a ação mais importante para 
a prevenção e controle das infecções hospitalares. 
3. O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos antes e após 
contatos que envolvam mucosas, sangue outros fluidos corpóreos, 
secreções ou excreções. 
4. A lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto 
necessária, durante a assistência a um único paciente, sempre que 
envolver contato com diversos sítios corporais, entre cada uma das 
atividades. 
4.1 A lavagem e antissepsia cirúrgica das mãos é realizada sempre 
antes dos procedimentos cirúrgicos. 
5. A decisão para a lavagem das mãos com uso de antisséptico deve 
considerar o tipo de contato, o grau de contaminação, as condições do 
paciente e o procedimento a ser realizado. 
5.1 A lavagem das mãos com antisséptico é recomendada em: 
· realização de procedimentos invasivos; 
 
 
4 
· prestação de cuidados a pacientes críticos; 
· contato direto com feridas e/ou dispositivos invasivos, tais como 
cateteres e drenos. 
6. Devem ser empregadas medidas e recursos com o objetivo de 
incorporar a prática da lavagem das mãos em todos os níveis da 
assistência hospitalar. 
6.1 A distribuição e a locação de unidades ou pias para Iavagem das 
mãos, de forma a atender à necessidade nas diversas áreas 
hospitalares, além da presença dos produtos, é fundamental para a 
obrigatoriedade da prática. 
Figura 1 – Higienização das mãos 
 
Fonte: Anvisa. 
 
 
5 
TEMA 2 – PRECAUÇÕES 
2.1 Precauções de contato 
 Medidas de proteção adotadas por todos os profissionais e familiares em 
relação à situação em que exista possibilidade de transmissão de agentes 
infecciosos, incluindo os germes multirresistentes a antibióticos, por contato 
direto ou indireto; para pacientes com suspeita ou contaminação de infecção, ou 
colonização por microrganismos com importância epidemiológica, e que são 
transmitidos por contato direto(pele a pele) ou indireto (contato com itens 
ambientais ou itens de uso do paciente). São exemplos desses microrganismos 
bactérias ou vírus entéricos, colite por Clostridium difficile, Varicela/Herpes 
zoster, bactéria multidrogarresistente (MDR) ente outros. As principais medidas 
para esse tipo de precaução, são: 
• Todas as medidas da Precaução padrão (Luvas, Avental/Capote, 
Higienização das mãos). 
• Quarto Privativo – Pode ser individual, ou compartilhado entre pacientes 
portadores do mesmo microrganismo. 
• Transporte do paciente – Deverá ser evitado, quando ocorrer, deverá ser 
feito por profissional devidamente paramentado. 
• Artigos e equipamentos – São todos de uso exclusivo para o paciente, 
incluindo termômetro, estetoscópio e esfingmomanômetro. Quando o 
equipamento não for de uso exclusivo do paciente, este deverá ser 
higienizado adequadamente antes e após o uso. Os objetos utilizados 
deverão ser limpos e desinfetados (ou esterilizados) após a alta. Limpeza 
de superfícies devem ser realizadas com maior frequência (passar álcool 
70%) no mínimo 2 vezes ao dia. Após a alta, realizar limpeza terminal 
rigorosa e minuciosa das superfícies fixas, equipamentos e saída de 
gases da unidade do paciente. Deve-se dar atenção especial à inspeção 
dos colchões, com substituição daqueles que apresentarem revestimento 
com rasgos ou estragos. Descartar ou enviar para outra unidade no caso 
de transferência os materiais de consumo diário que estavam no leito 
(esparadrapo, gaze, fralda, seringas, sondas etc.). Fica proibida a 
utilização desses artigos por outros pacientes, ainda que haja sobra de 
material. 
 
 
6 
2.2 Precauções respiratórias para gotículas 
Vejamos agora medidas de proteção adotadas por todos os profissionais 
e familiares em relação à situação em que exista possibilidade de transmissão 
de agentes infecciosos pelas secreções de vias aéreas em pequenas distâncias 
(menores que 1 metro), indicadas para pacientes que o patógeno é transmitido 
pelas secreções de vias aéreas em pequenas distâncias. 
A transmissão por gotículas ocorre através do contato próximo com o 
paciente. Gotículas de tamanho grande (>5 µm) são eliminadas durante a fala, 
respiração, tosse e procedimentos como aspiração de vias aéreas; atingem até 
um metro de distância e rapidamente se depositam no chão, cessando a 
transmissão que, portanto, não ocorre em distâncias maiores, nem por períodos 
prolongados. São exemplos dessas infecções meningites bacterianas, lesões de 
pele tipo petéquias e febre (possibilidade diagnóstica de Doença 
Meningocócica), coqueluche, influenza, caxumba, rubéola, difteria, entre outros. 
As principais medidas para esse tipo de precaução, são: 
• Todas as medidas da Precaução padrão (Luvas, Avental/Capote, 
Higienização das mãos). 
• Quarto Privativo – Com a porta fechada. 
• Máscara: É obrigatório o uso de máscara comum (tipo cirúrgica) durante 
o período de transmissibilidade de cada doença para todas as pessoas 
que entrarem no quarto. Deverá ser desprezada ao sair do quarto. 
• Transporte do paciente – Deverá ser evitado, e quando ocorrer, deverá 
ser feito por profissional devidamente paramentado e o paciente deve 
usar máscara comum. 
• Artigos e equipamentos – Deverão ser de uso exclusivo do paciente 
sempre que possível. 
2.3 Precauções respiratórias para aerossóis 
Medidas de proteção adotadas por todos os profissionais e familiares em 
relação à situação em que exista possibilidade de transmissão de agentes 
infecciosos pelas secreções de vias aéreas em grandes distâncias (> 1 metro) 
para pacientes em que o patógeno é transmitido por secreções de vias aéreas 
em grandes distâncias. 
 
 
7 
As partículas podem ser eliminadas durante a respiração, fala, tosse, 
espirro ou procedimentos. Aquelas de tamanho pequeno (à saúde”. 
Estudos internacionais mostram realidades assustadoras. Pesquisas 
mostram que ocorrem, ao ano, 44.000 a 180.000 óbitos nos Estados Unidos 
devido às injúrias assistenciais evitáveis, e que 1,3 milhões de pessoas já 
sofreram incapacidades ou tiveram internação prolongada pelos mesmos 
motivos. 
3.1 Protocolos básicos da OMS 
No ano de 2004, por meio do seu Programa de Segurança do Paciente, a 
Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu a Classificação 
Internacional de Segurança do Paciente com o objetivo de definir e diferenciar 
alguns conceitos fundamentais relacionados a erros e eventos adversos em 
saúde. 
O objetivo maior da OMS foi reduzir os riscos de incidentes que pudessem 
causar eventos adversos, potencialmente danosos ao paciente. Para isso, foram 
escolhidos dois desafios globais, a redução das infecções associadas com os 
cuidados à saúde e a execução de cirurgias seguras. 
Para obter sucesso nesses dois aspectos, são necessárias a adoção de 
rotinas de higienização das mãos pelos profissionais entre os cuidados de 
pacientes diferentes e a utilização de listas de checagem no início, durante e fim 
das cirurgias. Além desses tópicos, os eventos adversos relacionados a 
 
 
10 
medicamentos estão entre os mais comuns no Brasil e no mundo, pois cerca de 
15% dos pacientes internados sofrem algum dano desse tipo. 
Esses eventos adversos podem ser erros de dosagem, administração por 
via inadequada, troca de medicamento, omissão de dose ou até mesmo troca de 
pacientes. Para facilitar a monitorização desses eventos nos hospitais, algumas 
agências internacionais criaram indicadores de segurança do paciente que 
podem ser identificados e quantificados por meio de redes específicas de 
identificação e notificação de eventos adversos, como a Rede Sentinela. 
O grande número de eventos adversos ocorridos em hospitais e demais 
serviços de saúde preocupa organizações de saúde no mundo inteiro. Pensando 
na implantação de uma cultura de segurança do paciente, a OMS desenvolveu 
seis protocolos básicos que objetivam reduzir o número de danos promovidos 
aos pacientes pelo cuidado recebido pela equipe de saúde. Os seis protocolos, 
ou também chamadas metas internacionais de segurança são: 
• A prática de higiene das mãos em estabelecimentos de Saúde; 
• Cirurgia segura; 
• Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; 
• Identificação de pacientes; 
• Prevenção de úlceras por pressão; 
• Prevenção de quedas. 
Esses objetivos, abordados pela OMS, estão relacionados com a maior 
parte dos incidentes ocorridos nos hospitais. Entretanto, a implantação de 
políticas de segurança, visando esses aspectos, é de baixo custo. Por exemplo, 
a administração de medicamentos em pacientes errados é um dos incidentes 
mais comuns em serviços de saúde. Para redução desse tipo de erro, é indicada 
a utilização de pulseiras de identificação nos pacientes e a confirmação da 
identidade do paciente antes de qualquer procedimento. Essas medidas são de 
baixo custo e geram um grande impacto positivo. 
TEMA 4 – PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA DO PACIENTE (PNSP) 
O Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) foi instituído pelo 
Ministério da Saúde (MS) em 2013, por meio da Portaria do MS n. 529, de 1º de 
abril, com o objetivo de criar no Brasil um programa de contribuição para a 
qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde. 
 
 
11 
O PNSP contém quatro eixos de ação que devem ser desenvolvidos, 
concomitantemente, para a implantação de uma cultura de segurança do 
paciente no Brasil. Esses quatro eixos são: 
• O estímulo a uma prática assistencial segura, implantando a gestão de 
riscos e os núcleos de Segurança do Paciente nos estabelecimentos de 
saúde; 
• O envolvimento do paciente na sua segurança; 
• A inclusão do tema segurança no ensino técnico e de graduação e pós-
graduação na área da saúde. Ampliar o acesso da sociedade às 
informações; 
• Estímulo da pesquisa na área, produzir, sistematizar e difundir 
conhecimentos na área. 
4.1 Núcleo de segurança do paciente 
A RDC n. 36 de 2013 da ANVISA, que instituiu ações para a segurança 
do paciente, indica a obrigatoriedade de criação dos Núcleos de Segurança do 
Paciente (NSP) em cada hospital ou serviço de saúde, público ou privado, até 
mesmo nas instituições de ensino e pesquisa. A criação do Núcleo de Segurança 
do Paciente (NSP) deverá ser feita pela direção do hospital ou serviço de saúde. 
Cabe ao gestor escolher quem serão os membros desse núcleo e proporcionar 
autonomia e responsabilidade para implantar e executar o Plano de Segurança 
do Paciente de cada hospital. 
Esses núcleos deverão se reunir, periodicamente, com seus membros e, 
também, com outros grupos/núcleos do hospital, como as Comissões de 
Controle de Infecção Hospitalar, de Saúde do trabalhador etc. O objetivo 
principal dos NSPs é a elaboração, implantação e monitoramento dos Planos de 
Segurança do Paciente dos serviços de saúde. 
Segundo a ANVISA, os núcleos devem ser constituídos por profissionais 
com experiência em controle de infecção, gerência de risco, epidemiologia, 
qualidade, microbiologia, farmácia hospitalar, farmácia clínica, engenharia 
clínica e segurança do paciente. 
Os Planos de Segurança do Paciente locais devem conter estratégias 
fundamentadas em evidências científicas que reduzam o risco de incidentes e 
de danos aos pacientes. A elaboração e implantação dos PSPs é obrigatória e 
 
 
12 
deve ser revisada, periodicamente, com os objetivos reavaliados, sempre 
pensando na realidade do serviço de saúde. 
4.2 Envolvimento do paciente na sua segurança 
Um importante eixo do PNSP é a colocação do paciente como agente 
ativo do programa de gestão de risco do hospital. É necessário o envolvimento 
do paciente e/ou seus familiares na cultura de segurança, na qual eles se tornam 
parceiros dos profissionais de saúde para redução dos danos causados pelo 
cuidado. Pacientes que participam mais dos seus cuidados, como agentes de 
corresponsabilidade, são os menos afetados pelos eventos adversos. 
Os pacientes podem atuar em duas frentes, monitorando os 
procedimentos de diagnóstico e tratamento e, também, podem identificar e 
relatar os eventos adversos ocorridos. Existem, ainda, muitas discussões com 
relação a esse papel ativo do paciente. Por exemplo, muitos pacientes não 
conhecem seus direitos e, quando questionam a conduta do profissional de 
saúde, são hostilizados. Outro aspecto importante é a idade e sexo. As mulheres 
e os mais jovens, normalmente, são mais envolvidos no seu autocuidado. O grau 
de instrução, também, parece ser fundamental nesse processo. O tipo de doença 
é um fator relacionado ao envolvimento, pois condições clínicas mais sérias e 
que geram incapacidade aos seus portadores, geralmente, estão relacionadas a 
um menor envolvimento do paciente. E, por fim, precisamos discutir a postura 
dos profissionais de saúde. Organizações de saúde do mundo inteiro 
recomendam um modelo de cuidado centrado no paciente e não na doença ou 
no profissional de saúde. É necessário incluir o paciente como agente ativo em 
todas as etapas do cuidado, desde o diagnóstico até o tratamento e 
monitorização clínica. 
TEMA 5 – SISTEMA DE NOTIFICAÇÃO DE EVENTOS ADVERSOS 
O Notivisa é um sistema informatizado desenvolvido pela Anvisa para 
receber notificações de incidentes, eventos adversos (EA) e queixas técnicas 
(QT) relacionadas ao uso de produtos e de serviços sob vigilância sanitária. 
O Sistema Nacional de Notificação de Eventos Adversos é um dos 
módulos para notificação do Sistema de Notificação em Vigilância Sanitária – 
NOTIVISA e foi desenvolvido para receber as notificações de eventos adversos 
 
 
13 
que ocorreram com os pacientes durante a internação/ atendimento do paciente 
em serviços e estabelecimentos assistenciais de saúde do país ou duranteo uso 
de tecnologias de saúde (medicamentos, artigos médico-hospitalares etc.). 
Entende-se por incidente o evento ou a circunstância que poderia ter resultado, 
ou resultou, em dano desnecessário à saúde e por evento adverso, o incidente 
que resultou em danos à saúde. 
O monitoramento dos incidentes e eventos adversos será realizado pelo 
Núcleo de Segurança do Paciente (NSP). 
Esse formulário pode ser preenchido por pacientes, familiares, 
acompanhantes, cuidadores e a própria instituição de saúde. 
O NOTIVISA já existia e foi incorporado a esse o sistema a notificação de 
eventos adversos. A notificação de eventos adversos também é uma ferramenta 
para avaliação da efetividade do Plano Nacional de Segurança do Paciente, é 
essencial que exista uma maneira do cidadão e das instituições de saúde 
poderem relatar os eventos adversos. 
Por meio do NOTIVISA, é possível que o próprio paciente, fazendo uso 
do preenchimento de um formulário próprio, possa relatar o evento adverso 
ocorrido em uma instituição de saúde, e é de caráter voluntário. 
A notificação feita pela instituição de saúde possui caráter obrigatório. 
Ambas as notificações possuem caráter confidencial. 
A RDC 36/2013 determina que as instituições façam as suas notificações 
até o 15º dia útil do mês seguinte. Em caso de óbito, o relato no NOTIVISA deve 
ser feito até 72 horas, a partir do ocorrido. 
Essas notificações são importantes, pois ajudam a estabelecer um 
panorama da ocorrência de eventos adversos no Brasil. A ANVISA deve divulgar, 
anualmente, um relatório contendo uma análise sobre os eventos adversos. 
Além disso, as instituições podem monitorar a sua situação perante as outras 
instituições de saúde do país. Os relatórios emitidos pela ANVISA indicaram que 
os eventos adversos relacionados com medicamentos são os mais comuns, com 
aproximadamente 34% do total. Outro dado importante é a disparidade do 
número de notificações em relação às regiões do país. A região sul do Brasil é 
aquela que apresenta o maior número de notificações, seguida pelo Sudeste. A 
região Norte do país é aquela com o menor número de relatos de eventos 
adversos. 
 
 
14 
Os dados sobre os notificadores são confidenciais, obedecidos os 
dispositivos legais, e sua guarda é de responsabilidade do Sistema Nacional de 
Vigilância Sanitária. A identificação do notificador não será divulgada para o 
serviço de saúde e é importante para que o Sistema Nacional de Vigilância 
Sanitária possa esclarecer dúvidas referentes à notificação realizada. A 
notificação não é analisada individualmente e não resultará na punição dos 
envolvidos. 
Figura 2 – Formulário 
 
Fonte: Anvisa. 
NA PRÁTICA 
Qual é a importância da utilização dos EPIs, e mais ainda o EPI indicado 
de acordo com a via de transmissão do patógeno? 
Por que o momento de se desparamentar e a higienização das mãos é 
tão importante? 
Qual a importância da Cultura de Segurança no que diz respeito a 
Segurança do Paciente? 
 
 
15 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula o papel fundamental da utilização dos EPIs na forma de 
precaução de contaminação de acordo com a via de transmissão do 
microrganismo. Essas medidas são imprescindíveis para segurança do 
profissional e do paciente, contendo de certa forma as infecções cruzadas. 
A importância de respeitar uma ordem de paramentação, mas ainda mais 
da desparamentação, considerando que, após contato com o paciente infectado 
ou ambiente onde ele se encontra, toda a parte externa dos EPIs encontra-se 
contaminada. 
Contribuindo para alcançar a qualidade na prestação de serviços na 
saúde e gerenciamento dos riscos e erros, temos, em caráter obrigatório 
garantido por lei, os Programas de Segurança do Paciente, a fim de evitar os 
eventos adversos, promover a cultura de segurança dentro dos serviços de 
saúde. E mesmo que os eventos aconteçam, é muito importante relatá-los para 
as autoridades sanitárias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Manual de segurança no 
Ambiente Hospitalar. 2003. 
_____. (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Biossegurança. 
_____. Notificação De Eventos Adversos. NOTIVISA. Disponível em: 
. Acesso em: 7 dez. 2020. 
ABO. Odontologia Segura. Biossegurança e Segurança do Paciente. 
Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2020. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em Saúde: Prioridades e 
Estratégias de Ação. Brasília, 2010. 
_____. Ministério da Saúde. RDC n. 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações 
para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências. 
Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2013. Disponível 
em: 
. Acesso em: 7 dez. 2020. 
BOEIRA, E. R. et. al., Controle de infecções e medidas de segurança do paciente 
abordados em projetos pedagógicos da enfermagem. Rev Esc Enfern USP, São 
Paulo, v. 53, 2019. 
MANUAL DE MEDIDAS DE PRECAUÇÕES DO HOSPITAL ARAÚJO JORGE. 
Serviço de Controle de Infecções Hospitalares. Disponível em: 
. Acesso em: 7 dez. 2020. 
ORIENTAÇÕES SOBRE COLOCAÇÃO E RETIRADA DOS EQUIPAMENTOS 
DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIs). Conselho Federal de Enfermagem. 
Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2020. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIOSSEGURANÇA E 
QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE 
SAÚDE 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A gestão da qualidade em saúde caracteriza-se por um conjunto de 
particularidades relacionadas não só aos cuidados globais com a saúde, como 
também à eficiência do setor administrativo e da organização dos processos de 
trabalho. 
A qualidade em saúde engloba aspectos bastante abrangentes, como 
educação em saúde, acesso às informações sobre programas de prevenção, 
rastreamento das doenças, formação profissional, disponibilidade de 
equipamentos para diagnóstico e recursos terapêuticos disponíveis. 
As ferramentas técnicas de gestão são grandes aliadas como suporte, 
pois auxiliam na avaliação de processos e implementação de melhorias nas 
instituições de saúde. 
O controle de qualidade e gerenciamento busca alcançar o melhor 
desempenho da instituição, garantindo atributos aos serviços prestados, como 
um bom planejamento, a elevação do nível de organização e a minimização dos 
riscos, elevando a segurança e a satisfação dos pacientes. Para isso, manter 
uma gestão de excelência em saúde é de extrema importância. 
TEMA 1 – QUALIDADE EM SAÚDE 
Qualidade na saúde tem um significado mais amplo que no dicionário 
Aurélio, o qual define qualidade como: “propriedade, atributo ou condições das 
coisas ou das pessoas que as distingue das outras e lhes determina a natureza.” 
Já para a área da saúde, Qualidade depende da amplitude da definição de saúde 
e suas responsabilidades clínicas em seus atendimentos. Ou seja, todos os 
envolvidos buscam respostas para benefícios e malefícios dos serviços 
prestados, desenvolvem atividades aperfeiçoamento em prol de garantir uma 
melhor satisfação aos necessitados de atendimento. 
As práticas de saúde são realizadas por meio de ações humanas 
responsáveis pela organização do trabalho. Sua discussão teve início na década 
de 60, por meio de Avedis Donabedian, cientista americano que apresentou a 
necessidade em medir e classificar os serviços da saúde, baseado em estrutura 
de processos e resultados obtidos pelos atendimentos. 
A Organização Mundial da Saúde preconiza a qualidade nos serviços da 
saúde em seis atributos:efetividade, cuidado centrado no paciente, 
 
 
3 
oportunidade, eficiência, equidade e segurança do paciente. Um dos principais 
motivos dados à qualidade em serviço da saúde é assegurar o paciente a 
segurança necessária para que este não sofra eventos adversos decorrentes 
dos cuidados recebidos. Reduzir o tempo de permanência de internação de um 
paciente com medidas assertivas e boa qualidade no atendimento prestado, sem 
dúvidas, não gera somente um bom desempenho do profissional da saúde e 
recuperação rápida do paciente, como também uma diminuição nos custos 
financeiros e ações contra o serviço de saúde. 
1.1 Gestão em Saúde 
O conceito de Qualidade envolve diversas abordagens, algumas 
valorizam a produtividade e o equilíbrio da organização, outras envolvem mais a 
Gestão de Qualidade em Saúde, melhorando a assistência ao cliente. 
Ações em Gestão relacionam-se à representação social do conceito de 
Trabalho e Qualidade, planeja estrategicamente a organização integrando as 
metas da qualidade em conjunto a ações que validam posições socioculturais 
dos gestores, visando atender expectativas das partes comprometidas no 
processo, envolvendo mudanças estruturais dos processos internos, gerando 
benefícios para os usuários e colaboradores em suas atividades de trabalho e 
manutenção do foco nas infraestruturas. Ademais, existem diferentes 
abordagens e programas para a Qualidade, algumas priorizam a produtividade 
e o equilíbrio da organização, e outras o desenvolvimento do potencial humano. 
Avaliações realizadas por entidades externas ao serviço de saúde 
verificam relações de requisitos determinantes na qualidade. Conhecidas como 
Acreditações, asseguram a qualidade nos serviços prestados na saúde, 
envolvendo segurança do paciente, termos técnicos e aspectos legais. 
Somente instituições credenciadas podem realizar as acreditações. Para 
a Organização Nacional de Acreditação (ONA), a acreditação baseia-se em três 
princípios: o caráter voluntario, o reservado e o periódico das avaliações. 
Além do mais, esse processo consolida e recomenda aplicações de 
metodologias em qualidade de serviços a saúde, realiza pesquisas, gera planos 
de desenvolvimento e capacitação efetiva de recursos humanos, avaliando o 
antes e depois das aplicações como forma de obter um melhor panorama dos 
avanços da gestão em saúde, voltados para a melhoria dos serviços de saúde. 
 
 
4 
As diferentes perspectivas utilizadas por diversos especialistas sobre 
Qualidade apresentam sempre como ponto comum identificar focos que provam 
seu desenvolvimento na gestão institucional, buscando êxito organizacional e 
crescimento. À medida que ocorre a organização em gestão de qualidade em 
saúde, ficam evidenciados os benefícios gerados aos clientes em instituições 
mais preparadas com os processos estruturais, assegurando a seus clientes 
uma melhor assistência capacitada e desenvolvimento contínuo 
independentemente de o setor ser público ou privado. 
TEMA 2 – QUALIDADE E O RISCO DA PROFISSÃO 
A criação da Divisão de Organização Hospitalar (DOH), junto ao Ministério 
de Educação e Saúde em 1941, tinha o objetivo de coordenar, cooperar ou 
orientar os estudos e as soluções dos problemas relacionados à assistência a 
doentes, deficientes físicos e desamparados. Avaliações realizadas no decorrer 
dos anos mostrou a necessidade de implementações de normas, 
regulamentações por meio de um sistema capaz de avaliar a qualidade da 
assistência na saúde. 
A evolução em qualidade a partir da década de 60 e as acreditações na 
década de 90 desenvolveram programas em qualidade desenvolvidos 
internamente ou seguindo padrões externos em busca de melhora na qualidade 
e excelência assistencial. A gestão em qualidade visa obter melhora contínua da 
estrutura dos processos e resultados, porém não são ações que visam rejeitar 
ou aceitar o funcionário, e sim uma busca em reduzir o desperdício, trabalho em 
vão e complexidade desnecessárias, permitindo o uso de métodos em melhorias 
de qualidade atingindo níveis de eficiência, satisfação e segurança do paciente. 
O desconhecimento e a ausência na utilização em modelos de gestão e 
ausência de definições de competência dos profissionais da saúde dentro das 
equipes dificultam a implementação segura nas organizações de assistência à 
saúde. Para o Internacional Classification for Patient Safety 2007-2008, 
processos estratégicos, protocolos, documentações, uso de medicações, 
procedimentos associados a riscos e infecções, infraestrutura, modelo de gestão 
e laboratório etc. estão relacionados a informações e conhecimentos 
diretamente ligados aos incidentes causadores de risco. 
Um bom programa em gerenciamento de risco pode ser classificado em 
Riscos Clínicos associados a ações diretas ou indiretas dos profissionais da área 
 
 
5 
de saúde, relacionados à ausência ou deficiência em políticas e ações 
organizadas na prestação de cuidados de saúde. Podemos citar: riscos de 
identificação incorreta do paciente, falha na segurança medicamentosa, risco de 
cirurgias não seguras, risco de aquisição de infecções e riscos de queda. 
Os Riscos não Clínicos são aqueles relacionados à segurança das 
instalações ou atendimento aos procedimentos prestados aos cuidados do 
paciente. Subdivididos em riscos relativos à segurança ocupacional (vacinas em 
dia), risco relativo à utilização de equipamentos (falta de manutenção preventiva) 
e risco relativo à segurança predial (manutenção de elevadores). 
Como forma de reduzir os riscos clínicos e não clínicos, a implementação 
de ações do Instituto para Melhoria dos Cuidados à Saúde (Institute for 
Healthcare Improvement - IHI) propõe: 
1. Prevenir infecções cirúrgicas; 
2. Prevenir pneumonia associada à ventilação mecânica; 3. 
Prevenir infecção em cateter venoso central; 
4. Prevenir eventos adversos de medicação (anticoagulantes, narcóticos, 
sedativos, insulina); 
5. Prover Tratamento Baseado em Evidências para Infarto Agudo do 
Miocárdio; 
6. Atender rápido os pacientes que demonstrem sinais de deterioração 
clínica, prevenindo assim parada cardíaca; 
7. Prevenir danos causados por determinados medicamentos considerados 
críticos (anticoagulantes, sedativos, narcóticos); 
8. Diminuir complicações cirúrgicas; 
9. Prevenir Ulceras de Pressão; 
10. Prevenir infecção por MARSA; 
11. Prover tratamento baseado em evidências para Insuficiência Cardíaca 
Congestiva; 
12. Envolver a alta administração no processo. 
A satisfação do trabalhador em sua atividade laboral pode variar ao longo 
do tempo, sujeitas a influências externas e internas ao ambiente de trabalho. O 
grau de satisfação do profissional pode afetar a harmonia e estabilidade 
psicológica, saúde física e mental, interferindo diretamente em seu 
comportamento social e/ou profissional. Estudos apontam a evidência da relação 
entre os trabalhadores com estresse, saúde e bem-estar, impactando nas 
 
 
6 
questões sobre economia, faltas ao trabalho, queda na produtividade, 
dificuldades em trabalhar em equipe e um aumento dos acidentes de trabalho. 
Há necessidade em identificar as causas desses danos e planejar ações que os 
reduzam e preservem a saúde do trabalhador. 
A Organização Mundial da Saúde, em 1989, iniciou uma progressiva 
mudança planejada de hábitos e maneiras, visando provocar nos profissionais 
de todos os níveis e serviços iniciativas apoiadoras de qualidade nos serviços da 
saúde, a fim de garantir qualidade e atenção prestada ao cliente focando em 
uma melhora continua em organização, não mais individual, mais sim em 
análises estatísticas e assistência prestada. 
Equipes multifuncionais da qualidade ajudam as melhorias nos processos 
dos serviços na saúde por meio de análises e discussões das interdependências. 
Riscos de acidentes, biológicos, ergonômicos e psicológicos são os riscos mais 
evidentes ligados ao trabalhador relacionadosequipamentos ou locais que ofereçam riscos à saúde e 
integridade física dos trabalhadores. 
• NR 04 – Serviços especializados em engenharia de segurança e em 
medicina do trabalho: estabelece critérios para organização dos Serviços 
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho 
(SESMT). 
• NR 05 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): norma 
expedida pelo MTE para tratar da CIPA. 
• NR 06 – Equipamentos de Proteção Individual (EPI): trata 
especificamente do uso dos EPIs no local de trabalho, conforme riscos 
identificados quanto à saúde e segurança dos trabalhadores. 
• NR 07 – Programas de controle médico de saúde ocupacional: determina 
a implementação, nas empresas e instituições, do Programa de Controle 
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). 
• NR 08 – Edificações: estabelece requisitos técnicos mínimos que devem 
ser observados nas edificações, para garantir segurança e conforto aos 
que nelas trabalhem. 
• NR 09 – Programas de prevenção de riscos ambientais: estabelece a 
obrigatoriedade da elaboração e da implementação do Programa de 
Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). 
 
 
6 
• NR 10 – Segurança em instalações e serviços em eletricidade: tem por 
objetivo garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que interagem 
nas instalações e serviços com eletricidade. 
• NR 11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de 
materiais: tem como objetivo definir as normas de segurança para a 
instalação e a operação de elevadores, guindastes, transportadores 
industriais e máquinas transportadoras. 
• NR 12 – Máquinas e equipamentos: tem como objetivo garantir que 
máquinas e equipamentos sejam seguros para o uso do trabalhador. 
• NR 13 – Caldeiras e vasos de pressão: tem como objetivo condicionar 
inspeção de segurança e operação de vasos de pressão, caldeiras e 
tubulações. 
• NR 14 – Fornos: estabelece os padrões de segurança, conforto e higiene 
ocupacional na utilização de fornos, garantindo que os riscos gerados 
pela sua utilização não ultrapassem os limites de tolerância. 
• NR 15 – Atividades e operações insalubres: estabelece as atividades que 
devem ser consideradas insalubres, gerando direito ao adicional de 
insalubridade aos trabalhadores. 
• NR 16 – Atividades e operações perigosas: trata de forma específica das 
classificações e medidas que devem ser adotadas pelas empresas no que 
se refere a atividades e operações perigosas. 
• NR 17 – Ergonomia: estabelece parâmetros que permitam a adaptação 
das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos 
trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, 
segurança e desempenho eficiente. 
• NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da 
construção. 
• NR 19 – Explosivos: estabelece diretrizes específicas para manusear 
materiais explosivos no momento de fabricação, armazenamento, 
transporte e utilização para alguma finalidade dentro da empresa. 
• NR 20 – Líquidos combustíveis e inflamáveis: estabelece os requisitos 
mínimos para a gestão de segurança e saúde no trabalho contra os 
fatores de risco de acidentes provenientes das atividades de extração, 
produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de 
inflamáveis e líquidos combustíveis. 
 
 
7 
• NR 21 – Trabalho a céu aberto: define parâmetros de segurança e saúde 
para os trabalhadores que desempenham suas atividades ao ar livre. 
• NR 22 – Segurança e saúde ocupacional na mineração. 
• NR 23 – Proteção contra incêndios: é a norma do Ministério do Trabalho 
e Emprego que traz diretrizes relacionadas à proteção contra incêndios 
nos ambientes de trabalho. 
• NR 24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho: 
disciplina preceitos de higiene e de conforto que devem ser observados 
nos locais de trabalho, especialmente no que se refere a banheiros, 
vestiários, refeitórios, cozinhas, alojamentos e água potável, visando à 
proteção à saúde dos trabalhadores. 
• NR 25 – Resíduos industriais: tem o objetivo de preservação da saúde e 
da integridade física dos trabalhadores, por meio da obrigatoriedade de 
as empresas estabelecerem medidas preventivas aos riscos dos resíduos 
industriais desde a sua geração até a destinação final ambientalmente 
correta. 
• NR 26 – Sinalização de segurança: refere-se à sinalização de segurança 
nos ambientes laborais. 
• NR 27 – Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no 
MTE. 
• NR 28 – Fiscalização e penalidades. 
• NR 29 – Segurança e saúde no trabalho portuário. 
• NR 30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário. 
• NR 31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária 
silvicultura, exploração florestal e aquicultura. 
• NR 32 – Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde. 
• NR 33 – Segurança e saúde no trabalho em espaços confinados. 
• NR 34 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da 
construção e reparação naval. 
• NR 35 – Trabalho em altura. 
• NR 36 – Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e 
processamento de carnes e derivados. 
Regulamentadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) 
encontradas na Portaria n. 3.214, de 1978, as Normas Regulamentadoras NRs 
 
 
8 
são citadas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), legislação de 
observância para todas as empresas. 
TEMA 3 – CONCEITO-CHAVE – ENTENDENDO OS RISCOS 
Como forma de prevenção à contaminação por agentes infecciosos, é 
necessário que o profissional da saúde adote medidas de biossegurança para 
minimizar e eliminar riscos à saúde, principalmente os que atuam em áreas 
insalubres nas quais o risco é variável. 
Os riscos dependem do ambiente de trabalho, complexidade e hierarquia 
de atuação, o que pode tornar mais suscetível a contrair doenças advindas de 
acidente de trabalho, por meio de procedimentos que apresentam riscos. 
3.1 Conceito de risco 
Para o Ministério do Trabalho e Emprego, a NR 10 aborda conceitos 
fundamentais sobre perigo e risco, definidos como: 
perigo é uma fonte ou situação com potencial para causar danos à 
integridade do trabalhador, instalações e/ou equipamentos do 
ambiente de trabalho, enquanto que risco se define como a 
combinação da probabilidade de ocorrência e da consequência de um 
determinado evento perigoso. 
Figura 1 – Perigo e risco 
 
Fonte: Laboratório de Micobactérias (UFC), [S.d.]. 
Condições incertas capazes de causar dano ao trabalhador, produto ou 
ambientes, seja um agente biológico, químico ou físico são definidas como risco. 
Nem sempre apresentam consequências imediatas e dependem de fatores 
como: tempo e intensidade da exposição do trabalhador ao agente de risco, 
 
 
9 
porém é importante ressaltar a necessidade da identificação e controle desses 
agentes. 
3.2 Natureza dos riscos 
Riscos laboratoriais são classificados de acordo com a legislação vigente 
na Portaria n. 3.214, do Ministério do Trabalho do Brasil (1978). A classificação 
dos riscos na NR 5 apresenta cinco tipos de agentes de risco: 
• Riscos de acidentes: condições que deixem o trabalhador em situação de 
vulnerabilidade no ambiente de trabalho capazes de afetar sua 
integridade, bem-estar físico e psíquico, como ferramentas inadequadas 
para o uso, ligações elétricas em desacordo, armazenamento 
inadequado, maquinário e equipamentos sem proteção ou certificação, 
possibilidade de incêndio e exposição entre outros. 
• Riscos biológicos: provenientes de microrganismos como vírus, bactérias, 
protozoários, parasitas etc. 
• Riscos ergonômicos: atividades que afetam a saúde ou causam 
desconforto, interferindo nas características psicofisiológicas do 
trabalhador, como postura inadequada, levantamento de peso, esforço 
físico intenso, repetições, ritmo excessivo de trabalho, entre outros. 
• Riscos físicos: exposição física a toda forma de energia capaz de afetar o 
trabalhador como ruídos, umidade, vibração, pressão,ao atendimento do cliente na área 
da saúde. 
Reconhecer situações geradoras de risco, ações educativas e 
preventivas, além de seguir um comportamento seguro e medidas de 
biossegurança, são fundamentais na prevenção e promoção da saúde do 
trabalhador, clientes e familiares no ambiente laboral. 
TEMA 3 – FERRAMENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE 
As instituições de saúde devem ter como meta o atendimento das 
necessidades e expectativas de seus usuários. Para tanto, é de extrema 
importância que as atividades desenvolvidas por essas instituições estejam 
fundamentadas em sólidos pressupostos filosóficos e metodológicos, capazes 
de garantir um elevado padrão de qualidade. As definições acerca do conceito 
de qualidade são muitas, entretanto, no setor saúde, dizem respeito à 
consolidação de um elevado padrão de assistência. 
As ferramentas de qualidade são técnicas utilizadas com a finalidade de 
definir, mensurar, analisar e propor soluções para os problemas que interferem 
no bom desempenho dos processos de trabalho. As ferramentas devem ser 
usadas para controlar a variabilidade, que é a quantidade de diferença em 
relação a um padrão, sendo que a finalidade das ferramentas é eliminar ou 
reduzir a variação em produto e serviço. 
 
 
7 
Para conseguir o controle da qualidade, essas ferramentas são aplicadas 
por gestores e consistem em princípios básicos de adequação de cada uma das 
metodologias. As ferramentas de controle são utilizadas para mensurar se a 
qualidade realmente existe, quando ela influencia e se é importante para o 
serviço. A satisfação no nível de qualidade determina a necessidade de sua 
melhoria. As ferramentas que controlam a qualidade podem ser estratégicas, 
envolvendo medidas administrativas de controle ou podem ser estatísticas, 
medindo quantitativamente essa qualidade. Os objetivos das ferramentas da 
qualidade são: 
• Facilitar a visualização e entendimento dos problemas; 
• Sintetizar o conhecimento e as conclusões; 
• Desenvolver a criatividade; 
• Permitir o conhecimento do processo; 
• Fornecer elementos para o monitoramento dos processos. 
As espécies de ferramentas da qualidade são: 
• Carta de controle – consiste em verificar quantitativamente a variabilidade 
do processo, a qual se deve às determinantes aleatórias. Os gráficos de 
controle são ferramentas para o monitoramento da variabilidade e para a 
avaliação da estabilidade de um processo; 
• Carta de tendência – utilizada para representar dados visuais ou monitorar 
um sistema, com finalidade de identificar as alterações ao longo do tempo. 
Empregada para representar dados, monitorar um sistema sendo possível 
observar ao longo do tempo a existência de alterações na média 
esperada; 
• Diagrama de causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe) 
– é uma ferramenta utilizada para apresentar a relação existente entre um 
resultado de um processo (efeito) e os fatores (causas) do processo que, 
por razões técnicas, possam afetar o resultado considerado. As causas 
de um problema podem ser agrupadas, a partir do conceito dos 6M, como 
decorrentes de falhas em materiais, métodos, mão de obra, máquinas, 
meio ambiente, medidas. O uso dos 6M pode ajudar a identificar as 
causas de um problema e servir como uma estrutura inicial para facilitar o 
raciocínio na sua análise; 
 
 
8 
• Diagrama de dispersão – consiste em um gráfico que permite a 
visualização da relação existente entre duas variáveis. Essas variações 
podem ser a causa e o efeito, duas causas ou dois efeitos. Deve ser usado 
quando necessita visualizar o que acontece com uma variável quando 
outra variável se altera para saber se as duas estão relacionadas; 
• Diagrama de Pareto – tem como finalidade mostrar a importância de todas 
as condições, a fim de, escolher o ponto de partida para solução do 
problema, identificar a causa básica do problema e monitorar o sucesso. 
Os diagramas de Pareto podem ser usados para identificar problemas 
mais importantes pelo uso de diferentes critérios de medição, como 
frequência ou custo; 
• Fluxograma – é uma representação gráfica mostrando todos os passos 
do processo. O fluxograma apresenta uma excelente visão do processo e 
pode ser uma ferramenta útil para verificar como os vários passos do 
processo estão relacionados entre si; 
• Histograma – é um gráfico de barras no qual o eixo horizontal, subdividido 
em vários pequenos intervalos, apresenta os valores assumidos por uma 
variável de interesse. Para cada um destes intervalos, é construída uma 
barra vertical, cuja área deve ser proporcional ao número de observações 
na amostra cujos valores pertencem ao intervalo correspondente; 
• Brainstorming – é uma técnica de geração de ideias em grupo que envolve 
a contribuição espontânea de todos os participantes. Soluções criativas e 
inovadoras para os problemas; 
• 5S – tem como objetivo principal promover a alteração do comportamento 
das pessoas, proporcionando total reorganização da empresa, por meio 
da eliminação de materiais obsoletos, identificação dos materiais, 
execução constante de limpeza no local de trabalho, construção de um 
ambiente que proporcione saúde física e mental e manutenção da ordem 
implantada, apontando, assim para a melhoria do desempenho da 
organização; 
• Ciclo PDCA – objetiva promover melhorias em processo de qualquer 
natureza bem como a sua manutenção. O ciclo é definido como um 
método gerencial de tomada de decisões tendo por principal objetivo 
garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência de uma 
 
 
9 
organização. O Ciclo de Deming (Plan-DoCheck-Act) é uma ferramenta 
de inquestionável utilidade no domínio da Gestão da Qualidade. Planejar 
(Plan): analisar as causas dos problemas e definir os programas de ações 
corretivas e preventivas para fazer face aos problemas detectados. Fazer 
(Do): implementar as ações planeadas modificando os processos. 
Verificar (Check): medir o impacto comprovando a eficácia do plano de 
acordo com os objetivos definidos e com as medidas dos indicadores 
obtidas. Agir (Act): melhorar, alterando o plano de ação até se alcançar 
os objetivos; 
• Folha de verificação – é uma ferramenta de fácil compreensão, e por ela 
é possível verificar com que frequência os eventos acontecem. As etapas 
são: estabelecer os eventos, definir sobre o período no qual serão 
coletados os dados, construção de um formulário claro e de fácil 
manuseio, e coleta de dados consciente e honesto. Essas folhas de 
verificação são ferramentas que questionam o processo e são relevantes 
para alcançar a qualidade. São usadas para criar várias ferramentas, tais 
como: diagrama de Pareto, diagrama de dispersão, diagrama de controle, 
histograma etc. 
3.1 Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) 
Os Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) são ferramentas básicas 
de gestão da qualidade, documentos que possuem como objetivo padronizar 
todas as funções, serviços, técnicas executadas em determinado serviço. No 
caso dos serviços de saúde, existem POPs específicos para a higienização das 
mãos, utilização de luvas, realização de técnicas de enfermagem e farmácia etc. 
Para se elaborar um POP, é importante observar que esse documento 
deve ser o mais claro possível e conter todos os passos, de maneira detalhada, 
da atividade a que se propõe. Não devem ser utilizadas abreviaturas, gírias ou 
quaisquer termos que possam gerar confusão ao usuário daquele documento. 
A linguagem usada no POP deve ser a mais simples e clara possível, uma 
linguagem que possa ser compreendida por todos e que respeite o nível de 
instrução de todos os envolvidos na execução daquele procedimento. 
Os POPs devem ser feitos preferencialmente aos funcionários 
diretamente relacionados com aquela atividade. Por exemplo, na elaboração de 
um POP sobre a execução de um exame radiológico, quem deverá participar, 
 
 
10 
ativamente, da construçãodesse documento, são os técnicos, biomédicos e 
médicos da radiologia, pois somente dessa forma será construído um POP 
embasado no que realmente é feito. É importante “escrever o que é feito e fazer 
o que está escrito”. Esses procedimentos deverão, obrigatoriamente, conter data 
e identificação do seu autor ou autores, e o nome e assinatura do gestor 
responsável pelo setor. As informações sobre data são fundamentais, pois esses 
documentos devem ser, periodicamente, submetidos à avaliação para se 
manterem atuais e refletirem o que, de fato, é realizado no setor. 
Todo serviço de saúde, que busca a qualidade nos seus cuidados, deve 
se utilizar dessa ferramenta. A presença desses documentos e sua utilização 
pelos trabalhadores garante que não ocorram alterações nos procedimentos, 
independentemente do funcionário, turno e dia em que a tarefa seja executada. 
É fundamental que todos os trabalhadores participem da sua formulação e que 
funcionários recém-admitidos recebam orientação sobre a obrigatoriedade da 
utilização destes procedimentos. 
TEMA 4 – SEGURANÇA DO PACIENTE COMO DIMENSÃO DA QUALIDADE 
A segurança do paciente é um dos assuntos mais discutidos atualmente 
entre os profissionais dos serviços de saúde. Os cuidados, infelizmente, às vezes 
se tornam mecânicos e rotineiros, aumentando a incidência de acidentes que 
poderiam ser prevenidos. 
Os temas gerenciamento de risco e segurança do paciente devem 
apresentar-se como eixos centrais no atendimento à saúde em todas as 
instituições de qualquer sistema de saúde. Esses temas envolvem não somente 
o conhecimento de conteúdo teórico, mas de novos comportamentos no trabalho 
e no desenvolvimento de diretrizes e métodos de controle. 
“Qualidade” é um termo utilizado por diversos especialistas. É evidente o 
benefício que gera ao cliente, quer seja no setor público, quer no privado. 
Instituições mais preparadas, com processos mais estruturados, irão certamente 
assegurar a esses clientes garantias de perspectivas, tendo como ponto comum 
identificar focos que promovam seu desenvolvimento na gestão institucional. Um 
restabelecimento de saúde com práticas mais definidas e disseminadas na 
instituição implica o preparo dos profissionais, por meio de capacitação e 
desenvolvimento contínuos, humanização no tratamento com usuários, 
competência técnica e prazer em fazer parte da equipe que integra. 
 
 
11 
A cultura de segurança em um serviço de saúde diz respeito a um 
ambiente no qual todos os trabalhadores assumem responsabilidade pela sua 
própria segurança, segurança dos colegas, pacientes e familiares. Outras 
características dessa cultura incluem: 
• A segurança é priorizada em relação a metas financeiras e operacionais 
da instituição; 
• Os gestores e profissionais encorajam e recompensam a identificação, 
notificação e resolução de problemas relacionados a segurança do 
paciente; 
• São proporcionados recursos para a manutenção e estruturação da 
segurança; 
• O aprendizado organizacional é promovido após a ocorrência de algum 
incidente ou erro em saúde. 
O serviço de saúde com uma cultura de segurança deixa de acreditar que 
“o profissional de saúde não erra”, e passa a aceitar que todos os profissionais 
têm o potencial de errar, porém há maneiras de prevenir e corrigir esses erros. 
O erro deixa de ser punido e passa a ser entendido e investigado. Essa maneira 
de pensar ajudar a aumentar a segurança e a qualidade nos serviços, pois há 
maior transparência e oportunidade de melhora. 
 
 
 
12 
Figura 1 – Qualidades dos Serviços de Saúde 
 
Essas metas nada mais são do que as seis dimensões mais importantes 
para que a assistência à saúde possa ser considerada de qualidade. Sendo 
assim, essas seis dimensões pressupõem que a assistência à saúde deva ser: 
• Segura: primeira e sem dúvida mais importante característica que a 
assistência ao paciente deve ter, por ser a base para as demais. 
Segurança do paciente se traduz por tudo aquilo que deve ser feito para 
evitar que os pacientes sofram danos desnecessários causados pela 
assistência que deveria apenas ajudá-los; 
• Efetiva: a assistência deve ser realizada com base nas melhores 
evidências científicas, com foco em fazer a coisa certa para quem precisa. 
Em outras palavras, é não cometer excessos, muito menos deixar de 
realizar quaisquer medidas, desde que sempre seja observado o princípio 
de fazer a coisa certa, para a pessoa certa, na hora certa; 
• Centrada no paciente: o paciente deve ser capaz de ser ativo nas 
decisões sobre qualquer intervenção. Suas vontades e dúvidas devem ser 
sempre levadas em conta. Os valores e preferencias de um indivíduo 
sempre devem estar contemplados para as tomadas de decisão; 
 
 
13 
• Oportuna: qualquer perda ou atraso de tempo deve ser evitado a todo 
custo, tanto do ponto de vista do paciente, quanto do ponto de vista de 
quem presta a assistência; 
• Eficiente: a assistência ao paciente deve ser racional, sem desperdícios, 
sem excessos. Não devem ser gastos quaisquer recursos sem real 
necessidade, seja a realização de um simples exame, o uso de um 
equipamento, uma complexa cirurgia, leitos hospitalares ou até recursos 
humanos; 
• Igualitária: a qualidade da assistência prestada deve ser igual para 
qualquer ser humano, não importando gênero, raça, idade, religião, 
condição econômica ou característica social ou cultural. 
TEMA 5 – GERENCIAMENTO DOS ERROS 
Todos estamos passiveis em cometer algum erro ao longo de nossa 
trajetória profissional, entretanto, é cultural negar aos profissionais da saúde a 
possibilidade dessa ocorrência. 
Para a Organização Mundial da Saúde OMS, “erro é a falha na execução 
de uma ação planejada de acordo com o deseja ou o desenvolvimento incorreto 
de um plano.” Por definição, existem dois tipos de erros na saúde, o erro latente 
(diretamente ligados a gestão e aqueles evitáveis), e o erro ativo (participação 
direta ligada ao atendimento do paciente). 
A Organização Mundial da Saúde vem chamando a atenção para 
cuidados e qualidade em segurança do paciente durante o período de 
internação, por meio de comprovações cientificas, desenvolvimento e difusões 
de conhecimento sobre política e melhores práticas na segurança do paciente. 
Um dos enfoques seria na terapia medicamentosa. Estudos apontam um número 
elevado de erros no mundo. A administração errônea de medicamentos pode 
causar danos aos pacientes, além de consequências econômicas à instituição 
de saúde. 
Em 2002, o Ministério da Saúde, juntamente com a Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (ANVISA) implementaram o Projeto Sentinela, capaz de 
gerenciar riscos nas instituições hospitalares, com objetivo de criar uma rede em 
todo o país de notificações e eventos adversos e queixas técnicas de produtos 
da saúde, vinculadas a todos os hospitais credenciados pela ANVISA. 
 
 
14 
O Gerenciamento de erros tem por objetivo garantir que o paciente não 
seja afetado pelo erro ocorrido. É um processo necessário e indispensável na 
minimização e prevenção de erros. 
Deficiências em gerenciar planejamentos, organização e controle de 
processos são fatores ligados às falhas sistêmicas. A importância em identificar 
pontos críticos na assistência à saúde, estabelecer metas, implementar medidas 
e tomar providencias imediatas não só reduzem os danos e prejuízos, como 
qualificam o serviço prestados. 
Fatores como: jornadas de trabalho duplas, pressão de atendimento e 
sobrecarga de trabalho aumentam as possibilidades de um profissional da saúde 
cometer erros. Mesmo tendo como base que “errar é humano” e sabendo que é 
impossível eliminar os erros, uma boa gestão de pessoas reduz essa 
possibilidade e garante a segurança dos pacientes. 
Adotar diretrizes, políticas, treinamento e protocolos clínicos, além de uma 
cultura não punitiva, são algumas estratégias possíveis em contribuir de forma 
positiva naprevenção e minimização de erros, garantindo a qualidade e 
segurança dos profissionais. A conscientização do profissional da saúde em 
conhecer sua importância demonstra ao paciente segurança, responsabilidade, 
eficiência e eficácia no seu trabalho. 
NA PRÁTICA 
Onde podemos observar o profissional da saúde atuando em gestão em 
saúde? 
É uma responsabilidade somente do gestor a cultura de segurança e 
segurança do paciente? 
Após o conteúdo destas aulas, você poderia definir a importância da 
Biossegurança e uma eficiente Gestão da Qualidade para segurança de todos 
os envolvidos no processo, profissional e paciente? 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula a importância do setor de Gestão da Qualidade, e de 
como esse setor é essencial em serviços e assistência em saúde, seja um 
ambiente hospitalar, ambulatório, clínica, laboratórios, entre outros. Vimos ao 
longo destas aulas o quão particular é esse segmento, o quanto a falta de 
 
 
15 
procedimentos eficientes e de qualidade ou o mau uso destes afeta a segurança 
de quem participa deste processo, seja um profissional de saúde realizando suas 
atividades, o paciente que está sendo assistido, ou até mesmo seu 
acompanhante. 
Biossegurança e Qualidade nos serviços de saúde precisam ser 
eficientes, culturas de segurança devem ser criadas, implantadas e incentivadas 
diariamente, o erro deve ser visto sempre como uma oportunidade de melhoria, 
e não somente como alvo de punição. Isso eleva a segurança e eleva a 
qualidade nos serviços prestados, consequentemente eleva a eficiência e 
satisfação dos clientes/pacientes. Serviços de saúde com qualidade 
proporcionam prevenção, reestabelecimento e manutenção da saúde das 
pessoas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
ANVISA. Apresenta trabalhos sobre o “Projeto Hospitais Sentinelas” e 
sobre o tema gerenciamento de risco. 
BONATO, V. L. Gestão de Qualidade em Saúde: melhorando assistência ao 
cliente. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 5, n. 35, p. 319-331, 2011. 
CARVALHO, C. O. M. et al. Qualidade em Saúde: Conceitos, Desafios e 
Perspectivas. JBras Nefrol, v. 26, n. 4, dez. 2004. 
GALDINO, S. V. et al. Ferramentas de qualidade na gestão dos serviços de 
saúde: revisão integrativa de literatura. Ver. Gest Saúde, Brasília, v. 7, p. 1023-
1057, jul. 2016. 
IBSP. As 6 dimensões da qualidade na assistência em saúde. Disponível em 
. Acesso em: 8 dez. 2020. 
LIMA, O. H.; DUTRA, E. C. R. O Gerenciamento de Risco na Saúde - Aplicação 
na Atenção Hospitais. Rev de Administração Hospitalar e Inovação em 
Saúde, jul./dez. 2010. 
LUEDY, A. et al. Estratégias para prevenir erros na administração de medicações 
de alta virulência. Revista Acreditação, v. 1, n. 2, p. 93-110, 2011. 
MARTINEZ, A. P. Gerenciamento de risco e segurança do paciente: A 
percepção dos estudantes e profissionais de saúde. 127 f. Dissertação 
(Mestrado em Educação nas Profissões da Saúde) – Pontifícia Universidade 
Católica de São Paulo, Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde, 
Sorocaba/SP, 2014. 
PISCO, L.; BISCAIA, J. L. Qualidade de Cuidados de Saúde Primários. 
Avaliação da Qualidade. Volume Temático 2, 2001. 
 
	Conversa inicial
	Na prática
	FINALIZANDOfrio, calor, 
radiações ionizantes e não ionizantes etc. 
• Riscos químicos: substâncias capazes de penetrar no organismo do 
trabalhador por contato, ingesta ou vias aéreas em forma de poeira, gás, 
vapor, fumo, névoa ou neblina oriundas da atividade exercida e exposição 
a esses produtos ou compostos. 
 
 
 
10 
Figura 2 – Riscos 
 
Fonte: Hokeberg et al., 2006. 
Estudos apontam que, por maior que seja o avanço tecnológico eficaz em 
eliminar e minimizar os riscos, ainda ocorre problema no comportamento 
inadequado dos profissionais. Por isso, faz-se necessário constantes 
treinamentos e atualizações apropriados sobre os riscos potenciais associados 
aos trabalhos desenvolvidos. 
TEMA 4 – ANÁLISE DE RISCO 
A análise de risco é realizada por meio de um exame detalhado dos 
perigos identificados com objetivo em descobrir as causas e as possíveis 
consequências caso os acidentes aconteçam. É uma análise qualitativa, cujo 
objetivo final é obter medidas que eliminem ou reduzam os riscos. A análise de 
risco contribui com tomada de decisões mais assertivas em eliminar e ou 
controlar os riscos inerentes ao profissional da saúde. Ademais, a análise de 
riscos é dividida em três fases: 
• Identificação: caracteriza a fonte de risco e mede sua intensidade, 
frequência e duração. Trabalhadores e suas funções direta e 
indiretamente ligados a essas atividades devem ser descritas, assim 
entendemos as atividades que possam levar a um evento indesejável. O 
domínio da segurança se dá por meio de diversas técnicas, que 
contribuem para um resultado positivo em reduzir ou eliminar os riscos: 
reuniões da CIPA, lista de verificações, inspeções de campo, relato, 
 
 
11 
análise e divulgação de acidentes e quase acidente, exames de 
fluxogramas e análises de tarefas. 
• Avaliação: avaliamos as prováveis consequências desses riscos para a 
população estudada. A avaliação de risco quantifica um possível acidente, 
assim o risco identificado depende da frequência ou probabilidade do 
evento e suas consequências expressas em danos pessoais, materiais ou 
financeiro. Entretanto, nem sempre as variáveis são fácies de identificar, 
por isso, em alguns casos ocorre a análise qualitativa do risco. Desta 
forma temos dois tipos de avaliação: qualitativa (avaliamos o perigo e não 
o risco) e quantitativa (avaliada pela categoria de risco, uma estimativa de 
risco presente). 
• Administração: definir as ações tomadas para amenizar, controlar e 
eliminar os danos ocorridos pelo risco. Com identificação, análise e 
avaliação dos riscos realizadas, podemos tomar as decisões para a 
eliminação, redução, retenção ou transferência dos riscos detectados nas 
etapas anteriores. 
Para um melhor entendimento do assunto, vamos dar um exemplo prático 
vivenciado em um hospital. Iremos fazer a análise do agente do risco físico 
radiações ionizantes. 
• Identificação: as radiações ionizantes são utilizadas em ambiente 
hospitalar com duas finalidades principais: para a realização de exames 
diagnósticos, como o raio X, a ressonância magnética e as tomografias. 
Além disso, são usadas na radioterapia de tumores. Para medir a 
intensidade e a frequência da exposição à radiação ionizante, os 
profissionais devem utilizar um equipamento chamado dosímetro durante 
o seu período de trabalho. Não podemos esquecer que, além dos 
trabalhadores, os pacientes também são submetidos à radiação e, 
portanto, estudos devem ser realizados em relação à quantidade máxima 
segura de radiação que eles podem ser expostos com segurança. 
• Avaliação: os danos causados pela radiação ionizante podem ser 
sentidos a médio e longo prazo. Um dos mais frequentes associados à 
exposição excessiva à radiação é a geração de tumores. Além disso, 
podem ocorrer alterações nas nossas células germinativas, os gametas, 
e comprometer a fertilidade do indivíduo. Portanto, os danos causados 
 
 
12 
pela radiação ionizante são muito significativos e podem levar inclusive à 
morte. 
• Administração: quais são as ações que devem ser conduzidas para 
minimizar, controlar e eliminar o risco? São várias, por exemplo, deve-se 
isolar o lugar onde são conduzidas as atividades com radiação, os 
profissionais devem utilizar vestimentas específicas de proteção e a 
medição da exposição deve ser feita constantemente por meio dos 
dosímetros. Todo ambiente deve ser sinalizado interna e externamente, e 
o paciente deve receber o mínimo possível de radiação. As manutenções 
dos equipamentos e o treinamento dos trabalhadores envolvidos devem 
ser periódicos. A legislação específica sobre esse tema deve ser 
consultada – Resolução n. 6 de 1988 da Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (Anvisa). 
4.1 Análise preliminar do risco (APR) 
Análise realizada pela Comissão de Acidentes (CIPA), pelo Serviço 
Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SEMT) 
ou peritos externos. É uma ferramenta de ampla utilização, a análise preliminar 
pode ser empregada em diversos métodos para listar os riscos. 
Utilizando planilhas, classificação, recorrência e medidas de controle a 
APR, antecipa suas discrições e controles envolvendo análise dos materiais 
utilizados, etapas de serviços e entrevista dos trabalhadores. Faz uso das 
normas regulamentadoras como levantamento de possíveis riscos e seus danos 
medida de minimizar ou controlar os riscos. 
Medidas de correção são empregadas em casos nos quais o agente de 
risco pode ser totalmente eliminado, como sinalização de segurança ou 
equipamentos. Exemplo: equipamento de incêndio. Já as medidas de controle 
se referem a casos nos quais os riscos não podem ser totalmente eliminados, 
medidas nas quais os riscos ficam dentro do limite de segurança. Exemplo: 
ruídos. 
TEMA 5 – GESTÃO DE BIOSSEGURANÇA 
Por haver diversas questões ligadas ao resultado final eficaz em gestão 
de biossegurança, faz-se necessário um envolvimento multidisciplinar dos 
 
 
13 
profissionais passando desde a colaboração do paciente, atendimento ao 
cliente, equipe técnica e gestão geral. Devido à complexidade de envolver a 
todos e manter atenção e comprometimento com o programa de prevenção e 
gerenciamento de riscos para o ambiente de trabalho e torná-lo o mais seguro 
possível, foram desenvolvidas cinco questões principais a serem observadas 
pela gestão (Anvisa, [S.d.]): 
• Prevenção: as obrigações legais de legislação de Segurança do Trabalho 
estão sendo cumpridas? Os funcionários utilizam os equipamentos de 
proteção individual (EPIs) e estes estão disponíveis em quantidade 
suficiente? O serviço tem profissional especializado na área de Segurança 
do Trabalho? O serviço tem brigada contra incêndio? 
• Organização: projetos de instalação de equipamentos, lista de 
prestadoras de serviços aos equipamentos e às instalações? A ficha 
cadastral dos equipamentos, com dados de instalação, manutenção e 
normas de segurança, está atualizada? 
• Emergência: os pacientes e acompanhantes são orientados a como agir 
em casos de emergência? Existem planos de emergência para incêndios, 
falta de eletricidade e/ou água, inundações? 
• Treinamento: existem treinamentos periódicos sobre atualizações 
tecnológicas? Os trabalhadores usam corretamente e de forma segura os 
equipamentos? 
• Manutenção: a manutenção preventiva é feita nos equipamentos? Existe 
uma equipe de manutenção? 
Normas e resoluções especificas, conhecidas e observadas para um 
maior controle e redução de danos à saúde do trabalhador e do paciente, geram 
maior qualidade e efetividade no resultado final em gestão de biossegurança na 
área da saúde. 
NA PRÁTICA 
É possível dizer que a administração e gestão da biossegurança se 
iniciam na análise de risco? Qual é a importância dessa avaliação em serviços 
de saúde? 
Você consegue definir a diferença de perigo e risco e citar exemplos de 
aplicação das duas definições na mesma situação?14 
FINALIZANDO 
Vimos em nossa aula que biossegurança se aplica a qualquer ramo de 
atividade, estando presente sempre que for necessário administrar riscos 
oriundos das atividades profissionais de um trabalhador. Os riscos são 
classificados de acordo com seus agentes e suas consequências por exposição, 
e o primeiro passo para garantir um ambiente seguro ao profissional é 
administrar os mesmos através da gestão da biossegurança. 
Em serviços de saúde, existem particularidades, visto que esses 
ambientes possuem em sua maioria os cinco tipos de riscos e um elevado risco 
biológico, o que o torna um ambiente insalubre. Por esse motivo, existe uma NR 
específica, a NR 32, sobre segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos 
de saúde. 
 
 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Manual de segurança no 
ambiente hospitalar. [S.d.]. Disponível em: 
. Acesso em: 8 dez. 
2020. 
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria 3214, de 08 de junho de 
1978. Aprova as Normas Regulamentadoras, NR, do Capítulo V, Título II, da 
Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do 
Trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 jun. 1978. 
_____. Ministério da Saúde. Biossegurança em Saúde: Prioridades e 
Estratégias de Ação. Brasília, 2010. 
_____. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.616, 12 de maio de 1998. Diário Oficial 
da União, Brasília, DF, 12 maio 1998. 
LABORATÓRIO DE MICOBACTÉRIAS (UFC). [S.d.]. Disponível em: 
. Acesso em: 8 dez. 2020. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIOSSEGURANÇA E 
QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE 
SAÚDE 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Estudamos anteriormente o papel da gestão de biossegurança na 
garantia de um ambiente de trabalho seguro, mesmo com todos os riscos ainda 
presentes. Afinal, existem situações, materiais e equipamentos capazes de 
minimizar a probabilidade de acidentes ou doenças ocupacionais, causados pela 
exposição do trabalhador a determinado agente, ainda que não seja possível 
eliminar o risco. Entendemos, assim, que é preciso administrar e gerenciar os 
riscos da melhor forma. 
Ao longo do processo de gerenciamento e administração, é preciso 
trabalhar com prevenção, planejamento e criação de barreiras. Também é 
essencial contar com a atuação de órgãos ligados à saúde do trabalhador, em 
especial o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e 
Medicina do Trabalho) e o Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), 
além de programas e processos relacionados, a exemplo de certas ferramentas 
em gestão de biossegurança, como PPRA (Programa de Prevenção dos Riscos 
Ambientais), PCMSO (Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais) e mapas 
de risco. 
TEMA 1 – SESMT 
No Brasil, há diversos órgãos relacionados com a saúde do trabalhador. 
A NR 4, do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), estabelece critérios para a 
organização do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em 
Medicina do Trabalho (SESMT). 
A NR 4 tem a finalidade de reduzir os acidentes de trabalho e as doenças 
ocupacionais, exigindo que os SESMT sejam compostos pelos seguintes 
profissionais especializados em segurança do trabalho: médico do trabalho, 
engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de 
segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem do trabalho. Algumas empresas 
contam também com o profissional fisioterapeuta do trabalho, ainda que não haja 
obrigatoriedade legal para tanto, conforme a OHSAS/ISO 45001. 
Profissionais do SESMT podem ser contratados da empresa ou 
terceirizados, quando a empresa contrata o serviço de uma empresa de medicina 
ocupacional. A quantidade de profissionais participantes do SESMT, segundo 
exigência da NR 4, muda de acordo com o número de trabalhadores da empresa 
 
 
3 
e com o risco da atividade (conforme o CNAE – Código Nacional de Atividade 
Econômica). 
No caso dos hospitais, o grau de risco é 3, definido pelo Quadro I da NR 
4. A quantidade de membros em uma instituição de grau 3 será proporcional ao 
número de empregados, como podemos ver a seguir. 
Tabela 1 – Dimensionamento dos SESMT em serviços de saúde 
 
Conforme diretrizes da NR 4, as atividades do SESMT devem ter como 
princípio básico o trabalho com prevenção, antecipando-se às situações de risco. 
O grupo de profissionais especializados em segurança do trabalho que compõe 
esse núcleo deve, a fim de reduzir e sempre que possível eliminar os riscos à 
saúde dos trabalhadores, garantir a aplicação eficaz de conhecimentos técnicos 
de engenharia de segurança e medicina ocupacional. De certa forma, o ponto de 
partida para o gerenciamento é a análise de riscos. Outra tarefa básica de 
extrema importância é orientar os trabalhadores quanto ao uso de EPIs 
(Equipamento de Proteção Individual) e quanto a registro correto e adequado de 
acidentes de trabalho. 
O SESMT tem o objetivo de proteger a integridade física dos 
trabalhadores, à medida em que previne acidentes ocupacionais. Para isso, é 
preciso trabalhar com todos os trabalhadores o tema da segurança do trabalho, 
 
 
4 
por meio de alertas, informativos, instruções de trabalho, treinamentos e 
palestras sobre o surgimento de novas doenças ocupacionais e sobre riscos 
relacionados à atividade profissional, incluindo formas de evitar um acidente, 
desde pequenos incidentes a acidentes de grandes proporções. Ainda é preciso 
instruir os trabalhadores sobre a primeira assistência no caso de um acidente, e 
também sobre sinais e sintomas comuns de uma doença ocupacional. 
O SESMT deve ser ativo, comprometido e organizado, e não somente 
atender à legislação, sem preocupar-se com efeitos práticos – ou seja, 
promovendo procedimentos que não condizem com a realidade. Para uma maior 
efetividade das ações de incentivo à prevenção de acidentes do trabalho, é 
preciso criar, implantar e incentivar uma cultura de segurança, para a qual é 
imprescindível o envolvimento de todos. 
O SESMT deverá manter uma relação próxima com a Comissão Interna 
de Prevenção de Acidentes (Cipa). 
TEMA 2 – CIPA 
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) tem como objetivo 
a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar 
o trabalho compatível, permanentemente, com a preservação da vida e a 
promoção da saúde do trabalhador (Prodam, 2021). 
Devem possuir Cipa as empresas, de direito público ou privado, 
instituições beneficentes, sociedades de economia mista, enfim, todos os locais 
que tiverem trabalhadores (Prodam, 2021) 
A Cipa será composta por representantes do empregador e dos 
empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no Quadro I da NR 5, 
ressalvadas as alterações disciplinadas em atos normativos para setores 
econômicos específicos. Os representantes dos empregadores, titulares e 
suplentes, serão por eles designados. Os representantes dos empregados, 
titulares e suplentes, serão eleitos em escrutínio secreto, do qual participem, 
independentemente de filiação sindical, exclusivamente os empregados 
interessados (Prodam, 2021). 
Na tabela a seguir, vemos quantos funcionários devem fazer parte da 
comissão de acordo com a quantidade de colaboradores da empresa. 
 
 
 
5 
Tabela 2 – Dimensionamento dos SESMT em serviços de saúde 
 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
 O mandato dos membros eleitos da Cipa é de um ano, podendo haver 
reeleição. O trabalhador cipeiro ganha estabilidade de um ano, sendo vedada a 
dispensa arbitrária ou sem justa causa, segundo o disposto no art. 5.8 da NR 5. 
É também vedada aos membros da Cipa a “descaracterização das atividades 
normais da empresa”, como transferência para outro estabelecimento sem sua 
anuência. 
Segundo a NR 5,as atribuições da Cipa são (Brasil, 1978): 
a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de 
riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com 
assessoria do SESMT, onde houver; 
b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na 
solução de problemas de segurança e saúde no trabalho; 
c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas 
de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de 
ação nos locais de trabalho; 
d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de 
trabalho visando a identificação de situações que venham a trazer 
riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; 
e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas 
fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que 
foram identificadas; 
f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e 
saúde no trabalho; 
g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas 
pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente 
 
 
6 
e processo de trabalho relacionados à segurança e saúde dos 
trabalhadores; 
h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a 
paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e 
iminente à segurança e saúde dos trabalhadores; 
i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA 
e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; 
 j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, 
bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, 
relativas à segurança e saúde no trabalho; 3 
l) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o 
empregador, da análise das causas das doenças e acidentes de 
trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados; 
m) requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões 
que tenham interferido na segurança e saúde dos trabalhadores; 
n) requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas; 
o) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a 
Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT; 
p) participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas 
de Prevenção da AIDS. 
TEMA 3 – MAPA DE RISCO 
Representado por meio de gráficos de riscos possíveis e existentes no 
ambiente de trabalho, desenvolvido com base em estudos das condições de 
trabalho e em ações do trabalhador. O mapa de risco foi regulamentado no Brasil 
em 17 de agosto de 1992, pela Portaria n. 5 do Ministério do Trabalho e 
Emprego. Cabe à Cipa, em ação conjunta com o SESMT, a responsabilidade 
pela elaboração do mapa de risco, que estabelece situações de segurança e 
saúde no ambiente de trabalho. 
Elaborado com base na planta baixa do local de trabalho, esse mapa 
deverá ser colocado em um local de fácil visualização pelos trabalhadores. 
Também deverá ser atualizado sempre que necessário, sendo adaptado de 
acordo com mudanças que possam levar a riscos no ambiente de trabalho. O 
trabalhador deverá ser informado sempre que houver necessidade de uma ação 
mais cautelosa em relação aos perigos identificados no mapa, com vistas a 
diminuir ou anular os acidentes de trabalho. Trata-se, assim, de uma ferramenta 
básica de segurança do trabalho, que beneficia todos os trabalhadores 
envolvidos, a empresa e o país. 
Da perspectiva do trabalhador, o mapa fornece dados importantes sobre 
os riscos aos quais se expõe em sua jornada, o que reforça a importância do uso 
dos equipamentos de proteção, por exemplo. Os protocolos aumentam a 
segurança, pois protegem aspectos fundamentais, como vida, saúde e 
capacidade vida ativa profissional. 
 
 
7 
Da perspectiva do empregador, mais do que cumprir disposições legais, 
essa ferramenta informa os riscos aos quais seus colaboradores estão expostos, 
e assim é possível diminuir faltas por adoecimento, reduzir custos e aumentar a 
qualidade e a produtividade. 
Da perspectiva do país, o mapa ajuda na redução de gastos 
previdenciários com afastamentos e aposentadorias por invalidez. 
3.1 Agentes de risco e suas cores 
Quadro 1 – Grupos de riscos 
 
Fonte: https://www.prometalepis.com.br/ 
 
 
8 
3.2 Elaboração do mapa de risco 
Com diferentes cores e tamanhos, os riscos são desenhados no mapa. 
Cada setor da empresa tem um mapa separado com análise e detalhamento 
completo do espaço, colocado no local correspondente. 
Classificados por tamanhos, os círculos determinam o grau de risco, que 
pode ser pequeno, médio ou grande. 
Figura 1 – Mapa de risco 
 
Fonte: Saúde Ocupacional Brasil, [S.d.]. 
Quando há mais de um risco possível no mesmo local, basta identificar 
um na cor adequada e isso será o suficiente. No entanto, também é possível 
identificar até cinco riscos diferentes em um ponto, representado por um círculo 
dividido em critério de incidência. 
Figura 2 – Riscos do ambiente de trabalho 
 
Fonte: Prometal, [S.d.]. 
 
 
9 
3.3 Estrutura do mapa 
A Cipa conta com a participação e orientação da SESMT (Serviço 
Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) para a 
elaboração do mapa. Ouve os trabalhadores como forma de estimular a 
participação na prevenção dos acidentes, contribuindo com informações, por 
exemplo, os riscos a que são expostos os trabalhadores durante a jornada. 
Vejamos algumas etapas para a elaboração do mapa pertencentes, com 
destaque para a troca de informações entre os trabalhadores (Brasil, 1978): 
a) conhecer o processo de trabalho no local analisado: os 
trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de 
segurança e saúde, jornada; os instrumentos e materiais de trabalho; 
as atividades exercidas; o ambiente. 
b) identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a 
classificação da tabela mostrada anteriormente; 
 c) identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia: 
medidas de proteção coletiva; medidas de organização do trabalho; 
medidas de proteção individual; medidas de higiene e conforto: 
banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório, área 
de lazer. 
d) identificar os indicadores de saúde: queixas mais frequentes e 
comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos; 
acidentes de trabalho ocorridos; doenças profissionais diagnosticadas; 
causas mais frequentes de ausência ao trabalho. 
e) conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local; 
f) elaborar o Mapa de Riscos, sobre o layout da empresa, indicando 
através de círculo: o grupo a que pertence o risco [...]; o número de 
trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado dentro do 
círculo; a especificação do agente (por exemplo: químico – sílica, 
hexano, ácido clorídrico; ou ergonômico-repetitividade, ritmo 
excessivo) que deve ser anotada também dentro do círculo; a 
intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, 
que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes 
de círculos. 
TEMA 4 – PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL 
(PCMSO) 
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o 
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) estão previstos na 
legislação do Ministério do Trabalho e Emprego. Todas as regras da implantação 
e obrigatoriedade do PCMSO estão descritas na Norma Regulamentadora n. 7 
da Portaria n. 3.274/1978. A função dessa norma é promover a saúde dos 
trabalhadores de todas as empresas. 
 
 
10 
Mais do que prevenir e diagnosticar de forma precoce as doenças 
ocupacionais, o PCMSO deve identificar e acompanhar também as patologias 
em estágios mais avançados. 
O PCMSO deverá ser formulado com base nos riscos específicos de cada 
ambiente de trabalho. Por exemplo, em um serviço de saúde, no qual 
encontraremos profissionais expostos a riscos biológicos, associados ou não a 
acidentes com perfurocortantes, é preciso, no momento da realização de 
examesperiódicos (além do exame clínico), realizar exames laboratoriais para 
detecção de possível contaminação por vírus da hepatite B, C, HIV e sífilis. Outro 
exemplo: trabalhadores expostos a riscos físicos, como ruídos (que devem ser 
controlados com a medição de decibéis), deverão fazer como exame 
complementar uma audiometria, para monitorização de condição auditiva. 
O responsável pela elaboração do PCMSO e pela emissão do laudo é um 
médico do trabalho. Cada ambiente de trabalho tem suas características 
próprias, de modo que devem apresentar seus próprios documentos de 
segurança do trabalho. Portanto, mesmo que diferentes ambientes da empresa 
tenham atividades semelhantes, pode haver riscos diferentes, havendo a 
necessidade de uma mesma empresa apresentar PCMSO específico para cada 
unidade. 
4.1 Exames do PCMSO 
Para definir quais exames de saúde ocupacional serão necessários, é 
fundamental conhecer o ambiente, os riscos e as atividades do trabalhador, o 
que é possível através do PPRA. Independentemente do fato de serem exigidos 
por lei ou de serem necessários como exames complementares, são ferramentas 
de extrema importância para proteger a integridade física dos trabalhadores. 
Vejamos os exames do PCMSO obrigatórios nas empresas (Morsch, 
2018): 
• Admissional (ASO): esse exame é realizado antes que o trabalhador inicie 
as suas atividades na empresa. Tem como objetivo relatar seu estado de 
saúde e a sua aptidão ao trabalho, sendo também uma ferramenta para 
diagnóstico de outras patologias. O médico do trabalho poderá incluir 
ações mais efetivas no programa de controle médico e saúde 
ocupacional, que preservem o estado geral de saúde ou, pelo menos, não 
 
 
11 
agravem a doença. Ainda, o exame admissional deve ser o marco zero 
que serve como parâmetro para condutas e controles médicos 
posteriores, permitindo uma comparação com as condições gerais iniciais 
de saúde. O ASO deve incluir entrevista com o trabalhador (anamnese 
ocupacional) e testes físicos e mentais para avaliar as condições gerais 
de saúde do colaborador. 
• Periódico: os exames periódicos, realizados da mesma forma que nos 
exames admissionais, servem para rastrear e acompanhar doenças 
ocupacionais. Acontecem de acordo com as funções específicas do 
trabalhador e os riscos a que está exposto, em geral a cada 12 meses. 
• Retorno ao trabalho: a NR-07 orienta que funcionários afastados por mais 
de 30 dias consecutivos sejam examinados antes de retornar às 
atividades profissionais, não importando a causa do afastamento. Esse 
exame tem o objetivo de atestar se o funcionário está realmente em 
condições de reassumir o posto. Também pode constatar agravos à 
saúde não relacionados ao trabalho. 
• Mudança de função: quando um trabalhador é promovido ou transferido 
para outro departamento, é provável que se sujeite a novos riscos 
ocupacionais. Nesses casos, a legislação prevê que seja 
examinado antes da mudança de função. 
• Demissional: quando há o desligamento do colaborador, 
independentemente do motivo, ele deve ser avaliado. O exame 
demissional engloba entrevista, exame físico e mental. Se o exame 
evidenciar alterações que sugerem agravos à saúde do colaborador, a 
empresa contratante deverá pagar indenização determinada pela Justiça. 
 O médico do trabalho precisa conhecer bem a atividade profissional do 
colaborador, para indicar, além dos exames básicos mencionados, quais 
exames complementares previstos na legislação trabalhista são necessários. 
Essa situação é necessária em algumas funções, em que o colaborador está 
exposto a riscos específicos. Vejamos alguns exemplos de exames 
complementares: 
• Audiometria; 
• Espirometria; 
• Radiografia; 
https://telemedicinamorsch.com.br/blog/doencas-ocupacionais
https://telemedicinamorsch.com.br/blog/doencas-ocupacionais
 
 
12 
• Eletrocardiogramas; 
• Eletroencefalogramas; 
• Acuidade visual; 
• Exames laboratoriais. 
Dados coletados durante a análise de risco do ambiente fornecem as 
informações necessárias para a elaboração do PCMSO, feita pelo Programa de 
Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Os programas de saúde trabalham em 
sintonia para garantir um ambiente de trabalho seguro. Para isso, o primeiro 
passo é a elaboração do PPRA. 
TEMA 5 – PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) 
Em qualquer empresa, a elaboração e a implantação do PPRA são 
processos obrigatórios, independentemente do número de funcionários ou do 
grau de risco das atividades. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais 
(PPRA), segundo definição constante na NR n. 9: 
visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, 
através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente 
controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham 
a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção 
do meio ambiente e dos recursos naturais. (Brasil, 1978) 
O PPRA é constituído por diversas etapas. Deve sempre buscar prevenir, 
reduzir ou eliminar os diferentes tipos de riscos constantes no ambiente de 
trabalho. A responsabilidade de elaboração, implementação, acompanhamento 
e avaliação do PPRA é normalmente delegada ao Serviço Especializado em 
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). No entanto, no 
item 9.3.1.1 da NR 9, fica claro que qualquer pessoa ou equipe indicada pelo 
empregador pode fazê-lo. 
Em seu item 9.2, a NR 9 apresenta determinações para a elaboração do 
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, que deve conter, no mínimo, a 
seguinte estrutura (Brasil, 1978): 
a) planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e 
cronograma; 
b) estratégia e metodologia de ação; 
c) forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; 
d) periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. 
[...] Deverá ser efetuada, sempre que necessário e pelo menos uma 
vez ao ano, uma análise global do PPRA para avaliação do seu 
 
 
13 
desenvolvimento e realização dos ajustes necessários e 
estabelecimento de novas metas e prioridades. 
[...] deverá estar descrito num documento-base, contendo todos os 
aspectos estruturais [com suas alterações e ficar disponível para 
acesso imediato às autoridades competentes se solicitado]. 
[...] o cronograma [...] deverá indicar claramente os prazos para o 
desenvolvimento das etapas e cumprimento das metas estabelecidas 
do PPRA. 
Quanto a seu desenvolvimento, a NR 9 preconiza que o Programa de 
Prevenção de Riscos Ambientais deverá incluir as seguintes etapas: 
a) antecipação e reconhecimentos dos riscos; 
b) estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; 
c) avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; 
d) implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia; 
e) monitoramento da exposição aos riscos; 
f) registro e divulgação dos dados. 
[...] O reconhecimento dos riscos ambientais deverá conter os 
seguintes itens, quando aplicáveis: 
a) A sua identificação; 
b) A determinação e localização das possíveis fontes geradoras; 
c) A identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação 
dos agentes no ambiente de trabalho; 
d) A identificação das funções e determinação do número de 
trabalhadores expostos; 
e) A caracterização das atividades e do tipo da exposição; 
f) A obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível 
comprometimento da saúde decorrente do trabalho; 
g) Os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados, 
disponíveis na literatura técnica; 
h) a descrição das medidas de controle já existentes. 
A principal diferença entre os dois programas é que o PCMSO busca a 
proteção da saúde do trabalhador, enquanto o PPRA, além disso, tem como 
função a manutenção dos recursos ambientais e a proteção do meio ambiente. 
NA PRÁTICA 
É possível eliminar todos os riscos? Quais medidas devem ser tomadas 
para isso? Qual a importância da atuação dos órgãos relacionadosà saúde do 
trabalhador? 
FINALIZANDO 
Vimos em nossa aula que, quando tratamos de biossegurança, é preciso 
sempre trabalhar com antecipação, atuando de forma preventiva. Os acidentes 
e/ou doenças ocupacionais podem ter sequelas irreversíveis, daí a 
necessidade de medidas que antecipem os riscos. Assim, os empregadores têm 
o dever de seguir o que é preconizado pelas NRs e pelos programas de saúde 
ocupacional, garantindo até mesmo que ambientes insalubres sejam seguros 
aos trabalhadores. Nesse sentido, é sempre importante garantir a adesão dos 
 
 
14 
empregados às medidas propostas, com conscientização de seus direitos e de 
seus deveres ligados ao quesito segurança. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n. 3.214, de 8 de junho de 1978. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 6 jul. 1978. 
PRODAM. A CIPA: comissão interna de prevenção de acidentes. 2021. 
Disponível em: . Acesso em: 3 jan. 2021. 
MORSCH, J. A. Exames PCMSO. Telemedicina Morsch, 26 nov. 2018. 
Disponível em: . 
Acesso em: 3 jan. 2021. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIOSSEGURANÇA E 
QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE 
SAÚDE 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Para gerenciar e administrar os riscos ocupacionais, a biossegurança 
conta com o auxílio de ferramentas. Nesta aula, veremos a importância de umas 
das principais ferramentas relacionadas à segurança do trabalhador, os 
equipamentos de proteção individual e coletivo. 
 A área de saúde tem suas particularidades devido a ter presente, nos 
diversos serviços de assistência em saúde, os cinco agentes de riscos: físico, 
químico, biológico, mecânico ou de acidente e ergonômico. Dessa forma, é 
essencial conhecer e aplicar o que a NR 32 preconiza, principalmente no que diz 
respeito aos riscos biológicos e níveis de biossegurança necessários frente à 
manipulação desses agentes. Também exigem cuidados os riscos químicos, 
procedimentos de limpeza e desinfeção, descarte dos resíduos e 
perfurocortantes, pois estes, além de oferecer riscos ao trabalhador, oferecem 
riscos a quem manipula esse tipo de resíduo e/ou material e prejuízos ao meio 
ambiente. 
TEMA 1 – EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI 
Conforme a Norma Regulamentadora NR 6, Portaria n. 3.214 do 
Ministério do Trabalho, 08/06/1978, essas medidas devem gerar melhorias na 
qualidade da assistência e diminuição de acidentes nas atividades que envolvam 
risco biológico. É necessário adotar Normas de Biossegurança associadas aos 
EPIs, e estas, com atualização e treinamento adequados, terão resultados 
satisfatórios. 
Com a evolução da ciência, a descoberta de várias doenças infecciosas 
e seus mecanismos de infecção, as medidas preventivas de transmissão entre 
pacientes têm sido amplamente pesquisadas, porém, com o passar dos anos, a 
transmissão de infecção entre profissionais da saúde vem subindo devido aos 
acidentes ocupacionais, fato que mostra o descuidado dos profissionais da 
saúde em fazer uso de forma correta das medidas de proteção individual e 
coletiva, as quais apresentam eficácia comprovada. 
Um dispositivo de uso individual tem objetivo de proteger o trabalhador 
contra prováveis danos à saúde e integridade física durante suas atividades, 
como forma de proteção ao entrar em contato com agentes infecciosos, material 
perfurocortante infectado, substâncias toxicas entre outros. 
 
 
3 
É de suma importância que o profissional da saúde utilize os EPI de forma 
correta, sendo um direito do profissional ter a sua disposição em quantidade 
suficiente para o trabalho, sendo matérias descartáveis ou não. Além do mais, é 
obrigação da empresa fornecer e garantir a reposição de forma imediata dos 
equipamentos de proteção. 
Segundo o MET, todos os equipamentos de proteção individual só 
poderão ser comercializados ou utilizados com Certificação de Aprovação (CA), 
expedido pelo MET. Podemos exemplificá-los como: 
• Proteção da cabeça: capacete de segurança contra impactos 
provenientes de queda ou projeção de objetos; protetores de cabeça 
impermeáveis e resistentes nos trabalhos com produtos químicos. 
• Proteção dos olhos e da face: protetores faciais destinados à proteção 
contra lesões ocasionadas por partículas, respingos, vapores de produtos 
químicos e radiações luminosas intensas; óculos de segurança para 
trabalhos que possam causar ferimentos provenientes do impacto de 
partículas, ou de objetos pontiagudos ou cortantes; óculos de segurança 
contra respingos para trabalhos 9 que possam causar irritação e outras 
lesões decorrentes da ação de líquidos agressivos. 
• Proteção auditiva: protetores auriculares nas atividades em que o ruído 
seja excessivo. 
• Proteção das vias respiratórias: respiradores com filtros mecânicos para 
trabalhos que impliquem produção de poeira; respiradores e máscaras de 
filtro químico para trabalhos com produtos químicos; respiradores e 
máscaras de filtros combinados (químicos e mecânicos) para atividades 
em que haja emanação de gases e poeiras tóxicas; aparelhos de 
isolamento, autônomos ou de adução de ar, para locais de trabalho onde 
o teor de oxigênio (O2) seja inferior a 18% (dezoito por cento) em volume. 
• Proteção dos membros superiores: luvas e/ou mangas de proteção nas 
atividades em que haja perigo de lesões provocadas por a) materiais ou 
objetos escoriastes, abrasivos, cortantes ou perfurantes; b) produtos 
químicos tóxicos, alergênicos, corrosivos, cáusticos, solventes orgânicos 
e derivados de petróleo; c) materiais ou objetos aquecidos; d) operações 
com equipamentos elétricos; e) tratos com animais, suas vísceras e 
detritos e na possibilidade de transmissão de doenças decorrentes de 
produtos infecciosos ou parasitários; f) picadas de animais peçonhentos. 
 
 
4 
• Proteção dos membros inferiores: botas impermeáveis e com estrias no 
solado para trabalhos em terrenos úmidos; botas com biqueira reforçada 
para trabalhos em que haja perigo de queda de materiais e objetos 
pesados; perneiras em atividades nas quais haja perigo de lesões 
provocadas por materiais ou objetos cortantes, escoriastes ou 
perfurantes; calçados impermeáveis e resistentes em trabalhos com 
produtos químicos; calçados de couro para as demais atividades. 
• Proteção do tronco: Aventais, jaquetas, capas e outros para proteção nos 
trabalhos em que haja perigo de lesões provocadas por: a) riscos de 
origem térmica; b) riscos de origem mecânica; c) riscos de origem 
meteorológica; d) produtos químicos. 
• Proteção contra quedas com diferença de nível: Cintas e correias de 
segurança. 
1.1 Equipamento de Proteção Coletiva – EPC 
Os equipamentos de proteção coletiva EPC têm por objetivo proteger e 
manter a segurança de um grupo de trabalhadores; são de utilização prioritária, 
dispositivos que preservam a integridade física contra os riscos do ambiente 
laboral. Melhora as condições de trabalho, reduz acidentes de trabalho e menor 
custo a longo prazo. São exemplos de EPC: 
• Enclausuramento acústico de fontes de ruído; 
• Ventilação dos locais de trabalho; 
• Chuveiros e lava olhos de emergência; 
• Alarme contra incêndio; 
• Proteção de partes móveis de máquinas e equipamentos; 
• Sinalização de segurança, corrimões de escadas; 
• Cabine de segurança biológica; 
• Capelas químicas; 
• Extintores de incêndio; 
• Exaustores para gases, névoas e vapores contaminantes; 
• Sensores em máquinas; 
• Barreiras de proteção em máquinas e em situações de risco 
• Corrimão e guarda-corpos; 
• Fitas sinalizadoras e antiderrapantes em degraus de escada;5 
• Piso antiderrapante; 
• Barreiras de proteção contra luminosidade e radiação; 
• Cabines para pintura; 
• Redes de proteção; 
• Isolamento de áreas de risco; 
• Sinalizadores de segurança (como placas e cartazes de 8 advertência, ou 
fitas zebradas); 
• Detectores de tensão; 
• Chuveiros de segurança; 
• Chuveiro lava olhos; 
• Kit de primeiros socorros. 
Conforme a Norma Regulamentadora NR6, Portaria n. 3.214 no Ministério 
do Trabalho, 08/06/1978, essas medidas devem gerar melhorias na qualidade 
da assistência e diminuição de acidentes nas atividades que envolvam risco 
biológico. 
Importante reforçar as constantes atualizações dos profissionais aos 
conceitos, legislação e normativas de biossegurança a fim de diminuir cada vez 
mais as infecções cruzadas decorrentes dos acidentes de trabalhos nos serviços 
da saúde. Normas de Biossegurança associadas aos EPIs terão resultados 
satisfatórios. 
TEMA 2 – SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – NR 32 
Desde a década de 80, podemos considerar a classe de profissionais da 
área da saúde uma categoria de alto risco em acidentes de trabalho e doenças 
ocupacionais. Expostos a quase todos os riscos ocupacionais: físico, químico, 
ergonômico e biológicos, o qual merece um destaque maior. 
O Ministério da Saúde publicou em 2004, na Portaria n. 777, referente à 
Notificação Compulsória e Agravos a Saúde do Trabalhador relacionados a 
doenças e acidentes ocupacionais. E em 2005, o Ministério do Trabalho e 
Emprego publica a NR 32, Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no 
Trabalho em Serviços de Saúde, estabelecendo diretrizes e implementação de 
medidas de proteção. “É importante ressaltar também que, segundo a NR 32, 
“entende-se por serviços de saúde qualquer edificação destinada à prestação de 
 
 
6 
assistência à saúde da população, e todas as ações de promoção, recuperação, 
assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade”. 
2.1 Risco biológico 
Intensamente encontrado no ambiente hospitalar e serviços de saúde, o 
risco biológico é definido pela fonte do material, natureza da operação ou 
experimento a ser realizado e suas condições de realização. Normas e 
classificações existentes para patógenos conhecidos estabelecem condições 
adequadas ao seu manuseio, porém, sempre que apresentar novos riscos ou 
ineficácia, novas técnicas de segurança devem ser adotadas com o auxílio do 
SESMT e profissionais da área. 
Um dos setores com maior risco biológico é o laboratório de análises 
clínicas, o qual apresenta maior quantidade de agentes biológicos. Como forma 
de prevenir contaminação acidental por riscos biológicos, algumas orientações 
devem ser observadas: utilizar adequadamente os EPIs, cuidados como levar as 
mãos a boca e olhos, não comer na área restrita, cobrir cortes e ferimentos que 
tenha no corpo antes do início das atividades, cuidar com a centrifugação, 
manuseio e manipulação correta. Geladeiras e freezer devem ser manuseados 
com cuidado e a limpeza e degelo deve ser feita regularmente. Atenção a 
ampolas e materiais quebrados. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) lembra que a maior 
responsabilidade sobre o controle de agentes perigosos é do profissional que 
entende o risco e conhece os mecanismos de controle. Não adianta colocar a 
luva e abrir uma porta, por exemplo, se outros irão tocar na maçaneta sem a 
proteção da luva. Atuantes em ambientes com diversos agentes biológicos e 
contato com pacientes favorecem a contaminação cruzada. Todos os 
profissionais envolvidos em atividades com alguma ameaça biológica ou química 
necessitam de atenção em ver e apontar os problemas. 
De acordo com a NR 32, Risco Biológico a probabilidade da exposição 
ocupacional a agentes biológicos, agentes biológicos são os microrganismos 
geneticamente modificados ou não, culturas celulares, parasitas, prótons e 
toxinas. A NR 32 classifica os agentes biológicos como: 
Classe de risco 1: baixo risco individual para o trabalhador e para a 
coletividade, com baixa probabilidade de causar doença ao ser 
humano. Classe de risco 2: risco individual moderado para o 
trabalhador e com baixa probabilidade de disseminação para a 
 
 
7 
coletividade. Podem causar doenças ao ser humano, para as quais 
existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Classe de risco 3: 
risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade de 
disseminação para a coletividade. Podem causar doenças e infecções 
graves ao ser humano, para as quais nem sempre existem meios 
eficazes de profilaxia ou tratamento. Classe de risco 4: risco individual 
elevado para o trabalhador e com probabilidade elevada de 
disseminação para a coletividade. Apresenta grande poder de 
transmissibilidade de um indivíduo a outro. Podem causar doenças 
graves ao ser humano, para as quais não existem meios eficazes de 
profilaxia ou tratamento. 
Com a classificação de risco desse agente biológico se obtém o nível de 
biossegurança necessário, ou seja, as medidas de contenção necessárias frente 
à manipulação desses microrganismos em laboratório: 
• NB-1 – indicado ao trabalho que envolva agente com menor grau de 
risco (Classe de Risco I) para profissionais do laboratório e para o meio 
ambiente; 
• NB-2 – indicado ao trabalho que envolva agentes de risco moderado para 
os profissionais e para o meio ambiente, em geral agentes causadores de 
doenças infecciosas (Classe de Risco II); 
• NB-3 – indicado ao trabalho com micro-organismos de elevado risco 
infeccioso (Classe de Risco III) podendo causar doenças sistêmicas 
sérias e potencialmente letais como Mycobacterium tuberculosis, Coxiella 
burnetti e Brucella spp., entre outros. 
• NB-4 – representa o nível máximo de segurança. É adequado ao 
manuseio de agentes infecciosos que possuem alto risco de infecção 
individual e de transmissão pelo ar. 
Essas medidas de contenção variam de utilização de EPIs, limpeza e 
desinfecção de bancadas e superfícies, a utilização de autoclave para 
descontaminar resíduos antes do descarte, utilização de cabines de segurança 
e acessos controlados das dependências. 
A NR 7, Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), 
NR 9, Programa de Prevenção Dos Riscos Ambientais (PPRA) e a NR 32, 
Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde, são 
complementares e juntas formam um conjunto de estratégias e disposições 
legais para a promoção da saúde dos trabalhadores. A NR 32 classifica nas 
classes de risco 2, 3 e 4, cinco agentes biológicos, incluindo microrganismos e 
parasitas complementando à NR 9. 
 
 
8 
32.2.2.1 O PPRA, além do previsto na NR-09, na fase de 
reconhecimento, deve conter: I. Identificação dos riscos biológicos 
mais prováveis, em função da localização geográfica e da 
característica do serviço de saúde e seus setores, considerando: a) 
fontes de exposição e reservatórios; b) vias de transmissão e de 
entrada; c) transmissibilidade, patogenicidade e virulência do agente; 
d) persistência do agente biológico no ambiente; e) estudos 
epidemiológicos ou dados estatísticos; f) outras informações 
científicas. II. Avaliação do local de trabalho e do trabalhador, 
considerando: a) a finalidade e descrição do local de trabalho; b) a 
organização e procedimentos de trabalho; c) a possibilidade de 
exposição; d) a descrição das atividades e funções de cada local de 
trabalho; e) as medidas preventivas aplicáveis e seu 
acompanhamento. 32.2.2.2 O PPRA deve ser reavaliado 01 (uma) vez 
ao ano e: a) sempre que se produza uma mudança nas condições de 
trabalho, que possa alterar a exposição aos agentes biológicos; b) 
quando a análise dos acidentes e incidentes assim o determinar. 
32.2.2.3 Os documentos que compõem o PPRA deverão estar 
disponíveis aos trabalhadores. 
Complementando o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional 
PCMSO, NR 7: 
O reconhecimento e a avaliação dos riscos biológicos; b) a localização 
das áreas de riscosegundo os parâmetros do item 32.2.2; c) a relação 
contendo a identificação nominal dos trabalhadores, sua função, o local 
em que desempenham suas atividades e o risco a que estão expostos; 
d) a vigilância médica dos trabalhadores potencialmente expostos; e) 
o programa de vacinação. 
Alguns profissionais da saúde relaxam em seus cuidados com a própria 
segurança, até mesmo por não terem sido infectados, no entanto, é importante 
lembrar que o profissional deve ter plena consciência da segurança em seu local 
de trabalho e lembrar que acidentes acontecem em qualquer ambiente, porém, 
nesse caso, as consequências podem ser mais sérias à saúde. 
TEMA 3 – RADIAÇÃO IONIZANTE / RISCO QUÍMICO / RESÍDUOS 
3.1 Radiação Ionizante 
Normativas específicas elaboradas pela Comissão Nacional de Energia 
Nuclear (CNEN) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do 
Ministério da Saúde envolvem as atividades relacionadas a Radiações 
Ionizantes. A NR32 afirma: “é obrigatório manter no local de trabalho e à 
disposição da inspeção do trabalho o Plano de Proteção Radiológica - PPR, 
aprovado pela CNEN, e para os serviços de radiodiagnóstico aprovado pela 
Vigilância Sanitária”. 
 
 
9 
Produzidas por onda eletromagnética, extraem elétrons da matéria, 
incidindo sob esta, produzindo íons, partículas alfa, beta, neutra e raios x são 
exemplos de radiação ionizante. 
O avanço da física nuclear possibilitou o controle das doses, pois a 
radiação ionizante é muito utilizada em diagnósticos clínicos e tratamentos como 
Radioterapia. A radiação ionizante tem por consequência efeitos biológicos 
divididos em dois grupos: 
• Efeitos hereditários: são aqueles que produzem lesões na célula 
germinativa da pessoa irradiada, as quais podem ser transmitidas aos 
seus descendentes. 
• Efeitos somáticos: produz lesão na célula do indivíduo que foi irradiado, 
no entanto, essas lesões não são transmitidas hereditariamente. 
O risco da radiação ionizante está relacionado às áreas de radioterapia e 
radiodiagnóstico, risco também acometido em áreas de diagnóstico de imagem 
em tempo real. Seu material líquido que entrar em contato com os isótopos 
deverá ser descartado junto ao lixo radioativo. A exposição prolongada à 
radiação ionizante pode encurtar a expectativa de vida. 
É importante lembrar dos profissionais expostos a essa radiação. 
Nenhuma pessoa além do paciente deverá ficar na sala; o operador deverá usar 
um avental de proteção e um protetor de tireoide, óculos e luvas apropriados em 
casos em que o operador não conseguir ficar mais afastado do paciente. A 
radioproteção assegura os níveis de radiação no ambiente de trabalho aceitável 
ou isentos, a proteção do profissional à sua descendência e à humanidade, 
diminuindo a probabilidade de riscos à saúde dos profissionais. Seus principais 
métodos consistem em: aumentar a distância entre a fonte de radiação, diminuir 
o tempo de exposição, utilização de blindagem da fonte com um material 
protetor. 
3.2 Risco químico 
Produtos químico são utilizados em diversas áreas e finalidades em 
serviços de saúde. Em soluções medicamentosas (ex.: quimioterápicos), 
agentes de limpeza, esterilização, desinfeção, manutenção de equipamentos 
entre outros. 
 
 
10 
Os agentes químicos que podem trazer riscos à saúde do trabalhador da 
área de saúde são principalmente os medicamentos e drogas de risco, 
quimioterápicos e produtos químicos. A própria NR 32 traz a definição de 
medicamentos e drogas de risco: “são aquelas que podem causar 
genotoxicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e toxicidade séria e seletiva 
sobre órgãos e sistemas”. 
• Genotoxicidade: capacidade de causar danos ao material genético do 
indivíduo; 
• Carcinogenicidade: capacidade de promover a formação de tumores; 
• Teratogenicidade: capacidade de alterar a formação do embrião; 
• Toxicidade seletiva: propriedade do agente químico de causar danos em 
um órgão específico. 
A NR 32 orienta que todos os produtos químicos utilizados na área de 
saúde não devem ser retirados de sua embalagem original, tampouco a 
reutilização destas. 
A possibilidade de riscos decorrentes do variado número de produtos 
químicos deve ser avaliada pelo SESMT, o qual, por meio de uma ficha de 
segurança de cada produto, tem o controle dos produtos químicos que entram 
no ambiente hospitalar. Dessa forma, os profissionais da área de segurança 
terão conhecimento de todos os produtos químicos e seus riscos, possibilitando 
medidas adequadas como forma de educar e treinar o trabalhador para suas 
atividades necessário ao serviço. 
A CIPA e o SESMT devem participar de todas as ações de controle de 
risco. As avaliações de risco químico aplicadas ao ambiente de trabalho medem 
a concentração do risco químico, medidas de controle adotadas e sua eficácia, 
analisando o comportamento físico-químico do produto em relação ao ambiente 
de trabalho e seus trabalhadores. 
Medidas desde a recepção, armazenamento, manuseio e descarte do 
material, deverão ser realizadas por um profissional com conhecimentos dos 
riscos inerentes de cada produto químico, utilização correta de EPI, exames 
periódicos e limitação de tempo de exposição à fonte de risco, e sempre atento 
à limpeza das mãos de acordo com as normas assépticas, cuidado que reduz 
significativamente a possibilidade de acidentes ocupacionais. 
 
 
 
11 
3.3 Resíduos 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como resíduos sólidos 
dos serviços de saúde (RSS) todos os restos gerados em estabelecimentos de 
saúde, centros de pesquisa e laboratórios. 
Os RSS apresentam um perfil diversificado e heterogêneo de resíduos, o 
que demanda uma classificação eficiente para evitar o manuseio inadequado, 
priorizando a segurança. 
Os RSS são classificados em função de suas características e 
consequentes riscos que podem acarretar ao meio ambiente e à saúde. De 
acordo com a RDC ANVISA 306 de 2004 e Resolução CONAMA 358 de 2005, 
os RSS são classificados em cinco grupos: A, B, C, D e E. 
• Grupo A: engloba os componentes com possível presença de agentes 
biológicos que, por suas características de maior virulência ou 
concentração, podem apresentar risco de infecção. Exemplos: placas e 
lâminas de laboratório, carcaças, peças anatômicas (membros), tecidos, 
bolsas transfusionais contendo sangue, dentre outras. 
• Grupo B: contém substâncias químicas que podem apresentar risco à 
saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características 
de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplos: 
medicamentos apreendidos, reagentes de laboratório, resíduos contendo 
metais pesados, dentre outros. 
• Grupo C: quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que 
contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de 
eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia 
Nuclear – CNEN. Exemplos: serviços de medicina nuclear e radioterapia 
etc. 
• Grupo D: não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde 
ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. 
Exemplos: sobras de alimentos e do preparo de alimentos, resíduos das 
áreas administrativas etc. 
• Grupo E: materiais perfurocortantes ou escarificantes. Exemplos: lâminas 
de barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lâminas de 
bisturi, lancetas, espátulas e outros similares. 
https://www.vgresiduos.com.br/blog/conheca-a-disposicao-correta-de-residuos-de-saude/#http://www.who.int/es/
 
 
12 
Todos os lixos/resíduos devem seguir as recomendações contidas no 
Manual de Normas Assépticas do Ministério da Saúde. 
Ademais, devem ser separados e levados ao seu destino, ex.: aterro 
sanitário. Os materiais e fragmentos cortantes, independentemente de estarem 
ou não contaminados, devem ser recolhidos em embalagens que impeçam 
ferimentos acidentais, mesmo havendo a recomendação de esterilização

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