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BIOSSEGURANÇA E QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE AULA 1 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Definida como um conjunto de medidas, ações e condutas, a biossegurança busca minimizar e, sempre que possível eliminar, riscos inerentes a determinada atividade, ou seja, é aplicada a todos os segmentos, desde uma fábrica de parafusos até um hospital. Esses riscos não são apenas aqueles que afetam o profissional que desempenha uma função, mas sim todos aqueles que podem causar danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas, tanto o profissional quanto o cliente/paciente. Em nossas aulas, iremos verificar onde se aplica a biossegurança em serviços de saúde, visto que estes, em geral, são caracterizados como insalubres, haja vista que a quantidade e a intensidade dos riscos se mostram mais aumentadas que em outras atividades e serviços. TEMA 1 – DEFINIÇÃO DE BIOSSEGURANÇA Regulamentada por um conjunto de leis em vários países, a biossegurança, uma área relativamente nova, fundamenta critérios e ações com objetivo de minimizar os riscos no ambiente de trabalho de profissionais da área da saúde. A conduta de práticas seguras e equipamentos adequados reduzem significativamente os riscos de acidente ocupacional. Da mesma importância, faz-se necessária a conscientização do profissional da saúde em utilizar técnicas assépticas e normas estabelecidas que garantem ao profissional e paciente um tratamento sem risco de contaminação. De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2010): A biossegurança compreende um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente. Desta forma, a biossegurança caracteriza- se como estratégica e essencial para a pesquisa e o desenvolvimento sustentável sendo de fundamental importância para avaliar e prevenir os possíveis efeitos adversos de novas tecnologias à saúde. No âmbito do Ministério da Saúde (MS), a Biossegurança é tratada pela Comissão de Biossegurança em Saúde (CBS) que é coordenada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) e composta pelas Secretarias de Vigilância em Saúde (SVS) e de Atenção à Saúde (SAS), pela Assessoria de Assuntos Internacionais em Saúde (AISA), pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e pela Agência Nacional de 3 Vigilância Sanitária (ANVISA). A CBS foi instituída pela Portaria GM/MS nº 1.683, de 28 de agosto de 2003. O profissional da saúde está mais suscetível a riscos decorrentes da atividade exercida em seu trabalho, por isso, medidas de biossegurança são importantes para assegurar e minimizar possíveis acidentes no ambiente de trabalho capazes de causa dados a saúde. 1.1 Evolução da biossegurança Grandes avanços em investigações dos mecanismos de geração e transmissão de doenças ocorreram graças à descoberta das células por Horbert Hook, em 1665, que contribuiu para o desenvolvimento tecnológico entre engenharia genética e molecular, possibilitando um debate entre a necessidade da ética e biossegurança na área da saúde. Discussões cientificas na Califórnia, na década de 1970, sobre os impactos da engenharia genética na sociedade e os aspectos de proteção dos pesquisadores e profissionais pertencentes às áreas da saúde iniciaram uma abordagem do conceito de biossegurança voltada principalmente para os riscos biológicos. Ainda na década de 1970, pesquisas detectaram um crescente número de casos de tuberculose, hepatite B e shigelose (caracterizada por diarreia, febre e cólicas estomacais) na Inglaterra e na Dinamarca nos profissionais de laboratório de saúde. Isso serviu como um alerta para cuidados e estudos valorizando e difundindo o conceito de biossegurança, um tema que ultrapassa as barreiras hospitalares e laboratoriais devido à intensa circulação de pessoas e mercadorias no mundo, possibilitando ainda a transmissão de bactérias e vírus, pois os riscos biológicos e químicos estão presentes em outros ambientes. Em 1981, após um contágio acidental ocorrido a um profissional da saúde com o vírus HIV, houve um aumento da preocupação com biossegurança. Instaurou-se em 1987 as precauções universais como recomendação do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), como forma de medidas de biossegurança e prevenção da transmissão do HIV e VHB (Vírus da Hepatite B). Profissionais da área da saúde estão expostos a um número significativo de riscos ocupacionais. Medidas e normas de biossegurança em saúde são condições fundamentais para a prevenção de danos aos trabalhadores multidisciplinares da área de atuação, pois os riscos estão sempre presentes. 4 Independentemente do diagnóstico do paciente, recomenda-se o uso de precauções com sangue e outros fluidos corporais a todos os profissionais de saúde, considerando todos os pacientes potencialmente infectados. A grande demanda de pacientes críticos e a exposição a material biológico, decorrente de procedimentos invasivos e/ou mais complexos, facilitam o aparecimento de infeções cruzadas em profissionais da saúde e clientes. A exposição ocupacional é uma importante fonte de infecção por vírus, como o HIV, hepatite B e C. O ambiente de atuação entre profissionais da área da saúde divide-se em crítico e semicrítico, porém, durante a assistência prestada, nem todos os profissionais da saúde adotam as medidas de biossegurança necessárias à sua proteção, o que pode ocasionar um risco à sua saúde e à saúde do cliente sob seus cuidados. Como forma de minimizar os riscos em relação aos organismos modificados geneticamente, na década de 1990, o Brasil criou a Lei n. 8.974/1995, de 5 de janeiro de 1995, com ampla abrangência, envolvendo também organismos não modificados geneticamente e sua relação com a saúde no ambiente de trabalho e em meio à comunidade. Junto à Lei, foi criada a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), empregada a biotecnologia e meio ambiente. Por sua vez, os riscos biológicos são os de maior relevância no serviço da saúde principalmente entre fatores microbiológicos, os quais apresentam uma maior população causada por infecções cruzadas com a Hepatite B e C. Assim como com a síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS), os riscos aumentaram consideravelmente. É importante salientar o conhecimento e conscientização dos profissionais da saúde sobre os riscos de contagio e transmissão e as limitações dos processos de desinfecção e esterilização para que estes realizem o uso correto dos EPIs. Na área da saúde, um acidente em ambiente de trabalho, como em qualquer área, pode envolver não somente o profissional da saúde, como paciente, visitantes, equipamentos instalação entre outros, por isso é importante a atenção em diminuir os possíveis riscos por parte dos profissionais durante o exercício de suas funções. 5 TEMA 2 – NORMAS REGULAMENTADORAS (NR) Em 2002, foi instituída a Comissão de Biossegurança em Saúde, com 36 Normas Regulamentadoras (NRs) específicas na legislação, as quais têm como objetivo, entre outras atribuições, acompanhar e participar da elaboração e reformulação das normas de biossegurança, bem como promover debates públicos sobre o tema. São elas: • NR 01 – Disposições gerais: determina que as normas regulamentadoras, relativas à segurança e medicina do trabalho, tornam-se obrigatórias para todas as empresas privadas e públicas, além dos órgãos públicos da administração direta e indireta, desde que possuam empregados regidos de acordo com a CLT. • NR 02 – Inspeção prévia: trata sobre a inspeção prévia de estabelecimentos novos. • NR 03 – Embargo ou interdição: referente a embargo e interdição de atividades,desses itens. Com relação ao material biológico, deverá ser observada a legislação vigente. Lixo radioativo está regulamentado na legislação específica, resíduos químicos, particularmente de materiais pesados, ainda não têm legislação especifica, e o lixo comum deve ser tratado da mesma forma que lixo doméstico. TEMA 4 – PERFUROCORTANTES Após a década de 80, percebeu-se maiores cuidados e atenção com relação aos riscos de contaminação decorrente dos acidentes de trabalho, visto que cerca de 30% dos acidentes são derivados de acidentes com perfurocortantes. A comissão Gestora Multidisciplinar, constituída por diferentes representantes da área e serviços de saúde unidos a CIPA e SESMT, são fundamentais não só na elaboração e implementação, como no acompanhamento de programas de prevenção de riscos em acidentes com perfurocortantes. A NR 32 trata desse tema. Profissionais da área da saúde estão expostos a um risco maior em adquirir infecção sanguínea por lesões perfurocortantes. Materiais perfurocortantes mais utilizados no ambiente da saúde são as agulhas, bisturis, ampolas, escalpes, enfim, todo objeto capaz de causar corte. O manuseio predomina como situação de exposição e acidente ocupacional. Acidentes com matéria perfurocortante são graves devido às possíveis consequências para os trabalhadores. Podemos considerar alguns fatores que colaboram na ocorrência dos acidentes, são eles: cansaço, não utilizar os EPIs de forma correta, desconforto, muitas atribuições, equipamentos inadequados, descuido em especial durante o manuseio de agulhas e perfurantes. Treinamento, capacitação periódica, uso de Equipamento de Proteção Individual EPIs e estrutura adequada tornam mais seguro o ambiente de trabalho. Muitas vezes, o profissional não tem ideia da gravidade do acidente envolvendo o material contaminado, por isso, é muito importante identificar a 13 causa do acidente de trabalho como forma de educação continuada minimizando os riscos. A Norma Regulamentadora NR 32 estabelece um plano de prevenção de riscos de acidentes com material perfurocortantes com objetivo em estabelecer diretrizes para a elaboração e implementação de prevenção aos riscos de acidente de trabalho: 1 Acidentes com materiais perfurocortantes com probabilidade de exposição a agentes biológicos, visando a proteção, segurança e saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. 2.Comissão gestora multidisciplinar: 3.Análise dos acidentes de trabalho ocorridos e das situações de risco com materiais perfurocortantes: 4. Estabelecimento de prioridades: 4.1 A partir da análise das situações de risco e dos acidentes de trabalho ocorridos com materiais perfurocortantes, a Comissão Gestora deve estabelecer as prioridades, considerando obrigatoriamente os seguintes aspectos: a) situações de risco e acidentes com materiais perfurocortantes que possuem maior probabilidade de transmissão de agentes biológicos veiculados pelo sangue; b) frequência de ocorrência de acidentes em procedimentos com utilização de um material perfurocortante específico; c) procedimentos de limpeza, descontaminação ou descarte que contribuem para uma elevada ocorrência de acidentes; e d) número de trabalhadores expostos às situações de risco de acidentes com materiais perfurocortantes. 5. Medidas de controle para a prevenção de acidentes com materiais perfurocortantes: 6. Seleção dos materiais perfurocortantes com dispositivo de segurança: 7. Capacitação dos trabalhadores: 7.1 Na implementação do plano, os trabalhadores devem ser capacitados antes da adoção de qualquer medida de controle e de forma continuada para a prevenção de acidentes com materiais perfurocortantes. 7.2 A capacitação deve ser comprovada por meio de documentos que informem a data, o horário, a carga horária, o conteúdo ministrado, o nome e a formação ou capacitação profissional do instrutor e dos trabalhadores envolvidos. 8. Cronograma de implementação: 9. Monitoramento do plano: 9.1 O plano deve contemplar monitoração sistemática da exposição dos trabalhadores a agentes biológicos na utilização de materiais perfurocortantes, utilizando a análise das situações de risco e acidentes do trabalho ocorridos antes e após a sua implementação, como indicadores de acompanhamento. 10. Avaliação da eficácia do plano: 10.1 O plano deve ser avaliado a cada ano, no mínimo, e sempre que se produza uma mudança nas condições de trabalho e quando a análise das situações de risco e dos acidentes assim o determinar. 14 4.1 Psicológico associado aos acidentes de trabalho Acidentes ocasionados por material perfurocortante, além dos possíveis riscos à saúde física e mental do trabalhador, também podem causar o Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT), situação que vem chamando a atenção entre psicopatologias. Quando o profissional assume que teve uma exposição ao risco e uma possível contaminação, a atenção volta-se também para o meio familiar. A exposição a patógenos transmitidos por material biológico somada à espera dos resultados dos exames sorológicos que perduram por meses, além dos efeitos colaterais dos medicamentos a alterações em práticas sexuais, leva a um cuidado redobrado não só no ambiente de trabalho deste profissional, como em seu meio psicológico, que deve ser acompanhado pelo empregador. Constantemente expostos à material biológico contaminado, talvez, com vírus HIV, Hepatite B e C, o trabalhador deve ter consciência quanto à responsabilidade no atendimento ao paciente e cuidados de biossegurança para um trabalho mais seguro para todos. Em casos de acidente no trabalho, é obrigatório o registro de CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho) pelo empregador, sendo um direito do empregado. Usada para comunicar ao INSS que determinado funcionário sofreu um acidente de trabalho ou doença ocupacional, a CAT é um documento utilizado para medir estatísticas de acidente e de trajeto da Previdência Social. TEMA 5 – PROCEDIMENTOS DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO Existem variações de riscos de transmissão de infecção. Por essa razão, faz-se necessária a conscientização do conhecimento entre os conceitos e procedimentos antimicrobianos classificados em três grupos: • Limpeza: É o procedimento antimicrobiano de remoção de sujidades e detritos para manter em estado de asseio os artigos e áreas. A limpeza constitui o núcleo de todas as ações referentes aos cuidados de higiene com os artigos e áreas hospitalares. É o primeiro passo nos procedimentos técnicos de desinfecção e esterilização. Os métodos de limpeza devem ser determinados pelo tipo de superfície, quantidade e o tipo de matéria orgânica presente, e o propósito da área ou artigo. As operações de limpeza, propriamente ditas, compreendem escovação com 15 água e sabão, fricção, esfregação e passar pano. A varredura e espanação seca devem ser evitadas, pois essas práticas espalham para o ar e para as superfícies limpas poeira, matéria estranha e microrganismos. • Desinfecção: É o processo de destruição de agentes infecciosos em forma vegetativa, potencialmente patogênicos, existentes em superfícies inertes, mediante a aplicação de meios físicos e químicos. Os meios químicos compreendem os germicidas (líquidos ou gasosos). Os meios físicos compreendem o calor em suas formas seca e úmida (vapor). A desinfecção normalmente se aplica a áreas e artigos semicríticos e não- críticos. Os desinfetantes mais comumente utilizados são: hipoclorito de sódio, formaldeído, compostos fenólicos e iodo. • Esterilização: Em termos absolutos, significa destruição de todas as formas de vida. A esterilização pode ser realizada utilizando-se agentes físicos ou químicos, os quais podem ser líquidos ou gasosos. Pode ainda ser obtida utilizando as radiaçõeseletromagnéticas. Agentes físicos podem induzir a formação de substâncias químicas letais, do mesmo modo que substâncias químicas podem produzir calor e pressão osmótica responsáveis pela destruição de microrganismos. O mais antigo e mais conhecido agente esterilizante é o calor. O vapor e o calor são os meios clássicos de esterilização, tendo sido usados desde o princípio da história da transmissão de doenças. O vapor inclui ambos, vapor saturado e água em ebulição. Embora a água em ebulição não seja um bom esterilizante devido à sua baixa temperatura, sua principal vantagem é a facilidade com que é obtida. O vapor sob pressão é barato e esteriliza materiais porosos e superfícies rapidamente. O calor seco, de outro modo, é relativamente lento. Necessita de altas temperaturas para sua aplicação. Entretanto, o calor seco penetra em todos os materiais, como óleos, vaselinas e recipientes fechados, os quais não são penetrados pelo vapor. Equipamentos médicos merecem uma atenção quando falamos em limpeza. Por muito tempo, esse assunto foi deixado de lado, porém atualmente, estudos chamam a atenção na descontaminação necessário dos equipamentos, a fim de reduzir qualquer possibilidade de contaminação cruzada. A limpeza remove essencialmente matéria estranha sem a preocupação em manter 16 qualquer organismo vivo, essencial em garantir a ação germicida do produto. Veja, a seguir, um breve conhecimento das formas existentes dos métodos: • Esterilização química (líquidos ou gases): porém podem deixar resíduos no equipamento. • Autoclave: esteriliza os equipamentos, necessita de cuidados em manter a integridade destes. • Radiação gama: uma onda eletromagnética produzida durante a desintegração de certos elementos radioativos. • Agentes químicos líquidos: utilizados em equipamentos que não suportam altas temperaturas. Os profissionais que realizam a limpeza do ambiente de Serviço de Saúde estão expostos a diversos riscos, com isso, esses profissionais devem ser capacitados em suas condutas de cuidados pessoal. Informados e treinados quanto aos riscos, química, biológico, sinalização, rotulagem procedimentos de emergência, além de ter à sua disposição e saber usar EPI e EPC. Segurança e cuidados com relação à preservação do trabalhador devem ser redobrados. Equipamentos, máquinas e ferramentas necessitam de manutenção e inspeção prévia para a conservação e segurança de todos. Serviços de manutenção, bom funcionamento de equipamentos e instalações, independentemente da rotatividade de pessoas nos setores, programas de treinamento específicos e atualização ao trabalhador destinado à limpeza e manutenção devem, sem sombra de dúvidas, ser aplicados até mesmo em serviços terceirizados para uma melhor qualidade nos procedimentos de limpeza e segurança na saúde do profissional. A realização de manutenção descontinua de equipamentos pode acarretar risco à vida do paciente. NA PRÁTICA Qual é a importância dos EPIs e EPCs? Qual é a importância do uso correto/eficiente destes? Por que os serviços de assistência em saúde possuem NR específica? 17 FINALIZANDO Vimos em nossa aula uma das principais ferramentas em Biossegurança, os equipamentos de proteção individual e coletiva. Aprendemos que, mais importante que utilizar, é fazê-lo de forma correta, pois o mau uso anula qualquer proteção que se poderia ter e traz prejuízos significativos à saúde caso ocorra um acidente ou doença ocupacional, visto que, em serviços de saúde, se observa os cinco agentes de riscos presentes, físicos, químicos, biológicos, mecânicos ou de acidente e ergonômicos. Ainda sobre esse ambiente peculiar que são os serviços de saúde, vimos a importância da NR 32 que traz informações e orientações específicas quanto à exposição e manipulação de agentes principalmente biológicos e químicos, limpeza e desinfeção das áreas e superfícies, e manipulação e descarte de resíduos e perfurocortantes, visto que estes representam um risco eminente de acidente a quem manipula esse material e ao meio ambiente, haja vista que os acidentes com perfurocortantes são uma das principais causas de acidente ocupacional em serviços de assistência em saúde. 18 REFERÊNCIAS ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Manual de segurança no ambiente hospitalar. 2003. _____. Biossegurança. BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em Saúde: Prioridades e Estratégias de Ação. Brasília, 2010. HÖKERBERG, Y. H. M. et al. O processo de construção de mapas de risco em um hospital público. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 11 n. 2 abr./Jun. 2006. MIRANDA, C. R.; DIAS, C. R.; PPRA/PCMSO: auditoria, inspeção do trabalho e contrato social. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 224-232, jan./fev. 2004. NEVES, T. P; CORTEZ, E. A; MOEIRA, C. O. F. Biossegurança ação educativa, contribuições a saúde do trabalho. Cogitare Enferm, v. 11, n. 1, p. 50-54, jan./abr. 2006. TEIXEIRA, M. Biossegurança - Manual técnico em segurança do trabalho. 2013. BIOSSEGURANÇA E QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE AULA 4 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos abordar disposições legais, órgãos oficiais e obrigações a serem cumpridas por parte do empregador e do empregado sobre o tema segurança e saúde do trabalhador. A biossegurança se aplica a qualquer segmento. Onde há um profissional executando atividades, há também riscos inerentes a elas. Nos serviços de saúde, os profissionais estão expostos quase sempre a agentes de risco, principalmente agentes de risco biológico e químico. Em tais serviços, onde se tem a assistência em saúde, seja de forma direta ou indireta, a falta ou a má utilização das medidas de biossegurança acarretam perigos também ao paciente. Nesta aula, vamos pensar a biossegurança também por esse viés, com uma introdução da segurança do paciente, definindo infeção, infecção cruzada paciente-profissional ou paciente-profissional-paciente, além de classificação, formas de transmissão e precauções padrão para evitar contaminação. TEMA 1 – SEGURANÇA DO TRABALHADOR NA CONSTITUIÇÃO A saúde do trabalhador é um direito garantido pela seguridade social, prevista no art. 196 da Constituição (Brasil, 1988): “A saúde é um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas”. Segundo a Lei n. 8.080/90, art. 6º, parágrafo 3º, a saúde do trabalhador engloba um conjunto de atividades que se destinam, por meio de ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e à proteção da saúde dos trabalhadores. Visa também a recuperação e a reabilitação da saúde de trabalhadores submetidos a riscos e agravos advindos das condições de trabalho. Há, na legislação, instruções normativas para a fiscalização de situações de trabalho degradantes. Entre elas, temos a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), responsável pela fiscalização para a erradicação do trabalho em condição análoga à de escravidão, que acompanha o cumprimento de acordos brasileiros e internacionais (Organização Internacional do Trabalho – OIT). Há também o Setor de Fiscalização do Trabalho (SFT), responsável por estabelecer políticas de combate ao trabalho infantil e escravizado, formulando diretrizes de trabalho. O Setor de Relações do Trabalho (SRT) promove autonomia nas relações entre empregados e empregadores, respeitando os princípios da não interferência e 3 da não intervenção na organização sindical. Por sua vez, o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST) formula e propõe diretrizes e normas de atuação nas áreas de Serviço e Segurança do Trabalho. 1.1 Ministério da Saúde na saúde do trabalhador No art.200 da Constituição, está prevista uma das garantias de saúde do trabalhador: “Ao Sistema Único de Saúde compete [...] executar as ações de saúde do trabalhador” (Brasil, 1988). A Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, discorre acerca das condições para promoção, proteção e recuperação da saúde, organização e funcionamento dos serviços correspondentes, além de outras providências. Em seu art. 6º, parágrafo 3º, destaca que a saúde do trabalhador, para fins os da lei, é um conjunto de atividades que se destina, por meio de ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho, abrangendo (Brasil, 1990): I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; II - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; [...] IV - avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; V - informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; VI - participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; Em 2012, foi instituída pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria 1.823, de 23 de agosto de 2012, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, que tem como finalidade Art. 2º […] definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem observados pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), para o desenvolvimento da atenção integral à saúde do trabalhador, com ênfase na vigilância, visando a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos. 4 Nesse âmbito, existe a Rede Nacional de Atenção Integral a Saúde do Trabalhador (Renast), que é uma rede desenvolvida de forma articulada entre o Ministério da Saúde, as Secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, que tem como estratégia a garantia da atenção integral à saúde dos trabalhadores. Ela é composta por Centros Estaduais e Regionais de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) – ao todo, até setembro de 2008, 173 unidades espalhadas por todo o País – e por uma rede de 500 serviços sentinela de média e alta complexidade, capazes de diagnosticar os agravos à saúde que tenham relação com o trabalho, e de registrá-los no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A rede Sinan, formada por unidades de saúde, tem o dever de identificar e fazer a notificação de acidentes ou doenças de trabalho confirmadas. Essa notificação é importante, pois alimenta dados estatísticos nacionais e internacionais, que permitem a avaliação dos acidentes de trabalho, com informações importantes como frequência, magnitude e localização dos acidentes, permitindo medidas de prevenção mais eficientes. Essa Notificação Complusória tem agravos, citados na Portaria GM/MS n. 777, de 28 de abril de 2004, que são: I. Acidente de Trabalho Fatal II. Acidentes de Trabalho com Mutilações III. Acidente com Exposição a Material Biológico IV. Acidentes do Trabalho em Crianças e Adolescentes V. Dermatoses Ocupacionais VI. Intoxicações Exógenas (por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados) VII. Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) VIII. Pneumoconioses IX. Perda Auditiva Induzida por Ruído – PAIR X. Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho XI. Câncer Relacionado ao Trabalho 5 TEMA 2 – RESPONSABILIDADES EMPREGADOR EMPREGADO 2.1 Responsabilidades: EPIs A legislação trabalhista prevê responsabilidades sobre os equipamentos de proteção, tanto para empregador quanto para empregado. Quem falha nessas obrigações, pode ser responsabilizado, caso ocorra dano ao trabalhador. Segundo a Norma Regulamentadora n. 6, é de responsabilidade do empregador o fornecimento gratuito de EPI adequado ao risco em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: • sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho; • enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; • para atender a situações de emergência. Cabe ainda ao empregador, quanto ao EPI: • adquirir o adequado ao risco de cada atividade; • exigir seu uso; • fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho; • orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação; • substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado; • responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; • comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada; • registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico. Não só o empregador tem responsabilidades e obrigações. Ainda com relação ao EPI, a lei determina as seguintes responsabilidades do empregado: • usá-lo apenas para a finalidade a que se destina; • responsabilizar-se pela sua guarda e conservação; • comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso; 6 • cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado. 2.2 Responsabilidades: PCMSO e PPRA Empregador e empregado têm responsabilidades legais quanto aos aspectos abordados pelas normativas de Segurança e Medicina do Trabalho. A NR 7 preconiza que a responsabilidade sobre a elaboração e a implantação do PCMSO é do empregador, cabendo à empresa custear o programa, bem como, sem ônus para o empregado, todos os procedimentos relacionados ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. É dever do empregador garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, além de zelar pela sua eficácia. Das responsabilidades. Do empregador: I. estabelecer, implementar e assegurar o cumprimento do PPRA como atividade permanente da empresa ou instituição. […] Dos trabalhadores: I. colaborar e participar na implantação e execução do PPRA; II. seguir as orientações recebidas nos treinamentos oferecidos dentro do PPRA; III. informar ao seu superior hierárquico direto ocorrências que, a seu julgamento, possam implicar riscos à saúde dos trabalhadores. [...] Os trabalhadores interessados terão o direito de apresentar propostas e receber informações e orientações a fim de assegurar a proteção aos riscos ambientais identificados na execução do PPRA. [...] [...] Os empregadores deverão informar os trabalhadores de maneira apropriada e suficiente sobre os riscos ambientais que possam originar-se nos locais de trabalho e sobre os meios disponíveis para prevenir ou limitar tais riscos e para proteger-se dos mesmos. [...] O conhecimento e a percepção que os trabalhadores têm do processo de trabalho e dos riscos ambientais presentes, incluindo os dados consignados no Mapa de Riscos, previsto na NR-5, deverão ser considerados para fins de planejamento e execução do PPRA em todas as suas fases. [...] [...] O empregador deverá garantir que, na ocorrência de riscos ambientais nos locais de trabalho que coloquem em situação de grave e iminente risco um ou mais trabalhadores, os mesmos possam interromper de imediatoas suas atividades, comunicando o fato ao superior hierárquico direto para as devidas providências. (Brasil, 1978) TEMA 3 – INTRODUÇÃO À BIOSSEGURANÇA E SEGURANÇA DO PACIENTE Já conhecemos a definição de biossegurança: conjunto de ações destinadas à prevenção e minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades profissionais. Tais atividades podem estar relacionadas a produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, visando a saúde 7 de homens e animais, preservação do meio ambiente e qualidade dos resultados. Independentemente do tipo de ambiente de trabalho, sempre haverá riscos aos profissionais, que podem trazer sequelas irreversíveis, inclusive óbito do trabalhador. Essa realidade explica a importância da biossegurança. Ocorre que, em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde, os riscos envolvem também os pacientes e os impactos ambientais e sociais, sendo necessário garantir uma série de medidas de segurança. O tema segurança do paciente ganhou atenção redobrada a partir do ano 2000, devido à publicação de um importante estudo nos Estados Unidos, que alertava os gestores de serviços de saúde sobre a necessidade de se incluir a segurança dos pacientes como um requisito de garantia da qualidade nos hospitais e nas clínicas. Esse trabalho foi realizado pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências Americana, e mostrou que aproximadamente cem mil pessoas morrem por ano nos EUA vítimas de eventos adversos, que podem resultar em sequelas irreversíveis para o paciente ou até mesmo óbito. Ainda, o tema segurança do paciente não é exclusivo de serviços hospitalares e clínicas. Nesses locais, há diretrizes e planos nacionais estabelecidos e obrigatórios, mas ele deve ser abordado em todo local que prestar algum tipo de assistência em saúde, ou serviço que tenha o alcance de impactar a saúde do paciente, de forma direta ou indireta. Os serviços de saúde são ambientes diferenciados, com todos os tipos de risco quase sempre presentes, particularmente biológicos e químicos, falta de biossegurança ou falhas em processos. Vamos ver alguns exemplos de onde observamos falhas em medidas de biossegurança ou na execução dos procedimentos que impactam diretamente a saúde do paciente: identificação errada do paciente; troca de pacientes em cirurgias; extravio de biópsias; falha na administração da medicação; troca de amostras para análises laboratoriais; utilização de produtos, dispositivos, ou materiais contaminados com algum patógeno; alimento ou água contaminados; falta ou má higienização das mãos do profissional antes de qualquer procedimento; falta ou mau uso de EPI (como luvas de procedimentos); contaminação cruzada; infecção cruzada. Em um ambiente hospitalar, ou de assistência em saúde, o risco biológico se mostra quase sempre elevado, o que aumenta as chances de uma infecção cruzada, seja paciente-profissional ou ainda paciente-profissional-paciente. Na 8 sequência, vamos ver conceitos importantes relacionados ao tema da infecção e suas formas de transmissão, assunto essencial para que possamos aplicar de forma adequada e efetiva as melhores medidas de biossegurança. TEMA 4 – TIPOS DE INFECÇÃO Infecção é o ato ou efeito de um microrganismo corromper ou contaminar um organismo superior, desencadeando um conjunto de fenômenos biológicos no organismo agredido, com liberação de toxinas, acarretando uma série de reações locais e generalizadas de natureza imunológica e inflamatória em diversos níveis. As infecções podem ser superficiais, profundas, localizadas ou generalizadas. Várias são suas causas, podendo ser principalmente de natureza viral, bacteriana e micótica (fungos) (ABO, 2018). Para que haja infecção, uma dessas condições deve estar presente (ABO, 2018): • Virulência: a virulência de um microrganismo se refere ao grau de patogenicidade ou à força que esse microrganismo apresenta em sua habilidade de causar doença. Um microrganismo pouco virulento pode ser incapaz de causar uma doença; por outro lado, um microrganismo muito virulento pode causar uma doença grave. • Número de microrganismos: para que uma doença seja causada, um número suficientemente elevado de microrganismos patogênicos deve estar presente, para sobrecarregar as defesas do organismo a ser invadido. O número de patógenos pode estar relacionado diretamente à quantidade de biocarga presente. A biocarga refere-se a materiais orgânicos como sangue, saliva e pus. • Hospedeiro suscetível: indivíduo incapaz de resistir à infecção por um patógeno específico. Um indivíduo que está com a saúde debilitada e sob estresse extremo ou mesmo que apresenta sistema imunológico debilitado é mais propenso a se tornar infectado. • Porta de entrada: para causar infecção, os microrganismos patógenos devem ter uma porta de entrada ou um meio de entrar no corpo. As portas de entrada para os patógenos transportando pelo ar são a boca e o nariz. Já os patógenos sanguíneos devem ter acesso ao sangue como meio de entrada no corpo. Isso pode ocorrer por meio de um ferimento na pele com perfurocortante ou por meio de mucosa do nariz e da cavidade oral. 9 As infecções podem ser classificadas da seguinte forma (ABO, 2018): • Infecção aguda: na infecção aguda, os sintomas na maioria das vezes são graves, e geralmente aparecem logo após a infecção inicial. São de curta duração. Numa infecção viral como uma gripe comum, por exemplo, os mecanismos de defesa do corpo geralmente eliminam o vírus em 2 ou 3 semanas. • Infecção crônica: na infecção crônica, o microrganismo patógeno encontra-se presente durante um longo período. Alguns podem ficar no corpo durante toda a vida. O indivíduo pode ser assintomático (não apresentar sintomas da doença), e mesmo assim ser portador da doença, como ocorre com a grande maioria dos casos de infecção pelo vírus HCV, que causa a hepatite C, ou com alguns casos de portadores de HIV (AIDS). • Infecção latente: infecção persistente em que os sintomas “vêm e vão”. O herpes orofacial (herpes Tipo 1) e o herpes genital (herpes Tipo 2) são infecções latentes. O vírus inicialmente entra no corpo causando uma lesão primária. Em seguida, permanece latente, longe da superfície e dentro de uma célula nervosa, até que certas condições (como doença, febre, queimadura solar e estresse) façam com que o vírus deixe o nervo celular e procure novamente a superfície. Uma vez que o vírus alcança a superfície, se torna detectável por um curto período de tempo, causando outra erupção no local. • Infecção oportunista: são normalmente causadas por microrganismos não patogênicos. Ocorrem em indivíduos cuja imunidade esteja diminuída ou comprometida. Por exemplo, é comum que um indivíduo que está se recuperando de uma gripe venha a desenvolver pneumonia ou infecção de ouvido. As infecções oportunistas são muito comuns em pacientes com doença autoimune ou diabetes e em indivíduos idosos. 4.1 Formas de transmissão das infecções Uma doença infecciosa é transmissível e contagiosa. Esses termos significam que a doença pode ser transmitida (propagada) de alguma forma de um hospedeiro para outro. A transmissão pode ser (ABO, 2018): 10 • Transmissão direta: ocorre por meio de contato de pessoa a pessoa. Doenças como hepatite, infecção por herpes, infecção por HIV e tuberculose são disseminadas por contato direto, que podem ser por via aérea (gotículas que se espalham por meio de tosse ou espirros, por exemplo) e via contato sem proteção, como sangue, saliva, sêmen e secreções vaginais. • Transmissão indireta: ocorre quando os microrganismos são transmitidos inicialmente a objetos ou superfícies e em seguida para outra pessoa que toca esses objetos e superfícies. É importante higienizar e desinfetar as mãos com frequência, bem como cobrir superfíciesque podem ser contaminadas, para evitar a transmissão indireta de microrganismos – também conhecida com infecção cruzada. • Transmissão por via aérea: a transmissão via aérea, também conhecida como infecção por gotículas, é a propagação de doenças por meio de gotículas de umidade que contêm bactérias ou vírus. A maior parte das doenças respiratórias contagiosas é causada por patógenos que são transportados em gotículas de umidade. Alguns deles são transportados por longas distâncias por meio do ar e de sistemas de ventilação. Esse tipo de transmissão pode ocorrer também por meio de tosse ou espirro. Aerossol, spray e respingo são produzidos durante alguns procedimentos de assistência em saúde, como no uso de respiradores e ventilação mecânica. A diferença entre eles é o tamanho das partículas, medida em micras. Os menores são os aerossóis tipo névoa. Permanecem suspensos por longos períodos e podem ser inalados. Não podem ser visíveis a olho nu. Os aerossóis podem transmitir infecções respiratórias, mas não os vírus da hepatite b ou HIV, ainda que inalados. Os respingos consistem em partículas maiores de gotículas. As gotículas de spray e os respingos propagam-se mais do que o aerossol tipo névoa; tendem a depositar-se sobre as superfícies de punho e antebraço, braços e punho. Podem atingir também o pescoço, daí a importância do uso de EPIs (equipamento de proteção individual): gorro, luvas, máscaras, óculos e avental de manga longa e punho estreito. • Transmissão parenteral: ocorre por meio da pele, como em cortes ou perfurações. A transmissão parenteral pode ocorrer como resultado de 11 lesões, por meio de picada de agulha, mordidas humanas, cortes, escoriações ou qualquer ferimento na pele. • Transmissão por via sanguínea: ocorre por contato direto ou indireto com sangue e outros fluidos corporais. Instrumentos e equipamentos inadequadamente esterilizados podem transportar doenças transmissíveis pelo sangue. Pessoas que utilizam drogas injetáveis em seringas compartilhadas transmitem facilmente essas doenças. Sexo desprotegido é outra forma comum de transmissão de doenças pelo sangue. Os microrganismos mais comumente transmissíveis pelo sangue são HCV, HVB e HIV. • Transmissão por alimentos e água: alimentos contaminados que não foram cozidos ou refrigerados adequadamente e água contaminada por material fecal humano ou animal podem transmitir doenças. Por exemplo: tuberculose, botulismo, infecções por estafilococos e estreptococos são doenças propagadas por alimentos ou água contaminada. • Transmissão fecal-oral: muitos patógenos estão presentes na matéria fecal. É de extrema importância que procedimentos adequados de saneamento, como a higiene de mãos, sejam executados após a utilização de sanitários, pois por meio das mãos patógenos como o vírus da Hepatite A podem ser transmitidos facilmente, ao contaminarem alimentos e superfícies compartilhadas. A transmissão fecal-oral ocorre mais frequentemente entre funcionários da área de saúde e de creches (que trocam fraldas com frequência) e entre manipuladores de alimentos. TEMA 5 – PRECAUÇÕES A segurança do paciente envolve, entre outros aspectos, a prevenção e o controle das infecções. As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) representam um problema mundial. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que, de cada 100 pacientes internados em ambientes de saúde, sete de países desenvolvidos e 10 de países em desenvolvimento adquirem infecções relacionadas à assistência à saúde. Essas infecções aumentam o tempo de internações, culminando ainda em: incapacidade em longo prazo; resistência microbiana aos antibióticos; custos elevados para pacientes e instituições de saúde; aumento da mortalidade. 12 Esses riscos demonstram que a promoção de práticas seguras deve ser prioridade em ambientes de saúde. A promoção de um ambiente seguro nos espaços de cuidado inclui ações de proteção anti-infecciosas, entre elas as Precauções-Padrão (PP), que são medidas básicas de proteção utilizadas nos cuidados em saúde, sendo, portanto, conhecimento obrigatório de todos que trabalham com saúde. 5.1 Precauções-padrão São medidas de proteção adotadas pelos profissionais que prestam assistência à saúde, visando evitar contato com fluídos e secreções potencialmente patogênicos, além de transmissão e disseminação de microrganismos potencialmente patogênicos. Devem ser aplicadas a todos os pacientes e em todos os locais em que há prestação de cuidados à saúde (independentemente de suspeita ou confirmação de doença transmissível) para prevenir a transmissão de microrganismos, inclusive quando a fonte é desconhecida. As medidas de precaução padrão incluem: • Higienização das mãos é a principal medida de precaução. Deve ser realizada: o com água e sabão ou gel alcoólico (quando as mãos estiverem visivelmente limpas); o quando as mãos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com matéria orgânica; o antes de comer ou após usar o banheiro; o antes e após o contato com cada paciente; o após contato com fluídos corpóreos, membranas mucosas, pele não intacta e curativos; o após manipular material e equipamentos contaminados; o antes e após o uso de luvas descartáveis. • Uso de luvas: o se houver risco de contato com sangue ou outros fluídos corpóreos; 13 o as luvas deverão ser trocadas entre procedimentos no mesmo paciente se houver contato com secreções contaminantes em sítios diferentes; o usar luvas limpas antes de manipular mucosas ou pele não íntegra; o não usar o mesmo par de luvas para cuidar de mais de um paciente; o não lavar as mãos enluvadas; o não tocar superfícies com as luvas (por exemplo: telefone, maçaneta, papeleta, prontuário, portas); o retirar as luvas imediatamente após o uso e higienizar as mãos adequadamente; o descartar luvas em cesto de resíduo comum se não houver presença visível de sangue, secreções ou fluídos corporais. • Uso de avental/capote: o sempre que houver possibilidade de contato da pele ou de roupas do profissional com fluídos, secreções ou excreções do paciente (por exemplo: dar banho, aspirar secreção, realizar procedimentos invasivos); o dispensar no “hamper” mais próximo, após o uso; o não usar o mesmo avental para cuidados a pacientes diferentes; o o avental é de uso individual e de uso único para contato com cada paciente, portanto não deve ser utilizado por diferentes profissionais; o não reutilizar o capote/avental, inclusive deixar pendurado nas enfermarias, ou em quaisquer outros locais; o não utilizar para transitar por outras áreas do hospital ou quando não estiver prestando assistência ao paciente. • Uso de máscara, óculos, protetor facial: o deverão ser utilizados sempre que houver exposição da face do profissional a respingos de sangue, saliva, escarro ou outros fluídos e secreções de paciente; o o profissional que apresentar infecção das vias aéreas (por exemplo: gripe, resfriado); 14 o os óculos são de uso individual, devem ser acondicionados e conservados de maneira correta, limpos e higienizados diariamente. • Práticas seguras no manuseio de perfurocortantes: o não reencapar agulhas; o não quebrar, entortar e manipular agulhas usadas; o não desconectar a agulha da seringa antes do descarte; o descartar perfurocortantes em recipiente rígido adequado (coletor de perfurocortante); o preencher a caixa de descarte para perfurocortantes até o limite máximo permitido, sendo proibido o descarte de outros materiais na caixa; o não sacudir a caixa de descarte, nem tentar reacomodar os materiais, e manusear a caixa conforme instruções do fabricante. • Higiene: profissionais de saúde que apresentarem infecções respiratórias devem ser aconselhados a evitar contato direto com pacientes. Não sendopossível, a máscara comum deverá ser usada durante todo o cuidado do paciente. Sobre etiqueta respiratória: instruir pacientes e acompanhantes com doenças respiratórias transmissíveis não diagnosticadas e que apresentem sinais como tosse, congestão nasal, rinorreia ou aumento da produção de secreções respiratórias a: o cobrir boca/nariz com lenço de papel descartável quando tossir e desprezar os lenços usados, imediatamente; o usar de máscara cirúrgica comum pelas pessoas que estiverem tossindo, ou se possível manter distância espacial mínima superior a 1 metro; o fazer higienização das mãos com água e sabão ou gel alcoólico logo após contato com secreções respiratórias. NA PRÁTICA Somente o empregador tem obrigações? E o empregado? Como aplicamos e qual importância da biossegurança na segurança do paciente? 15 FINALIZANDO Nesta aula, vimos que a segurança do trabalhador é garantida na Constituição Federal, não sendo opcional por parte das empresas. Enumeramos as obrigações que o empregador deve cumprir com o ao empregado, pensando também no dever do empregado de seguir todas as orientações recebidas. As medidas de biossegurança protegem o profissional e favorecem um ambiente seguro, mesmo com a presença de riscos de acidente e doenças ocupacionais. Essas medidas também aumentam significativamente a segurança do paciente, ajudando a garantir qualidade na prestação da assistência. É uma via de mão dupla: falhar na execução dos processos impacta, direta e negativamente, a saúde tanto do trabalhador quanto dos pacientes. 16 REFERÊNCIAS ABO – Associação Brasileira de Odontologia. Biossegurança e Segurança do Paciente. 2018. Disponível em: . Acesso em: 3 jan. 2021. BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. BRASIL. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 set. 1990. BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n. 3.214, de 8 de junho de 1978. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 jul. 1978. BIOSSEGURANÇA E QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE AULA 5 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Anteriormente, vimos que de acordo com as condições de saúde do paciente, principalmente no que se refere a infecções, se faz necessário medidas de biossegurança específicas. Os pacientes hospitalizados devido a infecções por patógenos precisam de cuidados específicos, bem como os profissionais que estarão em contato tais pacientes precisam se paramentar de forma apropriada. Nesta aula, veremos as precauções de acordo com a via de transmissão desses microrganismos, evidenciando a importância da higienização das mãos, sendo essa prática uma das mais importantes nas medidas de prevenção e controle de infecções. Veremos também a importância do uso de EPIs, mas para que estes sejam eficientes, é necessário utilizá-los de forma correta e ter muito cuidado no momento de retirá-los. Por fim, veremos nesta aula as legislações, resoluções e programas de segurança do paciente, de caráter obrigatório e de suma importância para criar, promover e incentivar a cultura de segurança dentro dos serviços de saúde. TEMA 1 – HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS Uma das ações de Biossegurança mais importantes quando falamos de prevenção e controle de infecções é a lavagem correta das mãos, reconhecida mundialmente como uma ação primaria e de suma importância no controle de infecções e assistência à saúde. Estudos apontam a baixa adesão dos profissionais na prática rotineira. Por mais simples que parece, nem todos realizam de forma correta e em quantidade necessária. As mãos são, sem dúvida, a principal ferramenta do profissional da saúde, pois é ela que possibilita executar todas as suas atividades. A segurança do paciente e do profissional depende de uma higienização frequente e cuidadosa das mãos. O termo higienização das mãos engloba higiene simples, higiene antisséptica e a antissepsia cirúrgica ou preparo pré- operatório das mãos. Capaz de remover os microrganismos aderidos à pele, a lavagem das mãos deve ser realizada com sabão ou detergente, antes e após a utilização das luvas. A Organização da Mundial da Saúde (OMS) definiu estratégias e cuidados para uma melhor adesão a prática no serviço da saúde: 3 • Disponibilização da preparação alcoólica no ponto de assistência, além de pia/lavatório, sabonete líquido e água; • Capacitação dos profissionais; • Observação das práticas de HM e retorno de indicadores de adesão à equipe; • Lembretes e cartazes no local de trabalho; • Estabelecimento de um clima de segurança, com apoio expresso da alta direção e líderes dos serviços de saúde. O OMS definiu ainda cinco momentos para a higiene das mãos, de acordo com o fluxo de cuidados assistenciais: • Antes de tocar o paciente; • Antes de realizar procedimento limpo/asséptico; • Após risco de exposição a fluidos corporais; • Após tocar o paciente; • Após contato com superfícies próximas ao paciente. Como forma de disseminar a cultura em higienizar as mãos, contribuindo com informações e suporte técnico destinados aos profissionais da saúde e no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), A ANVISA tem empreendido uma série de ações e disponibilizando diversos materiais de apoio. A RDC 36 institui ações para a segurança do paciente em serviços da saúde, por meio de protocolos de segurança e prática de higienização das mãos. ANVISA e o Ministério da Saúde determinam que, para uma ação mais efetiva e correta, a higienização das mãos siga algumas recomendações: 1. Lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e punhos, utilizando-se sabão/detergente, seguida de enxágue abundante em água corrente. 2. A lavagem das mãos é, isoladamente, a ação mais importante para a prevenção e controle das infecções hospitalares. 3. O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos antes e após contatos que envolvam mucosas, sangue outros fluidos corpóreos, secreções ou excreções. 4. A lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto necessária, durante a assistência a um único paciente, sempre que envolver contato com diversos sítios corporais, entre cada uma das atividades. 4.1 A lavagem e antissepsia cirúrgica das mãos é realizada sempre antes dos procedimentos cirúrgicos. 5. A decisão para a lavagem das mãos com uso de antisséptico deve considerar o tipo de contato, o grau de contaminação, as condições do paciente e o procedimento a ser realizado. 5.1 A lavagem das mãos com antisséptico é recomendada em: · realização de procedimentos invasivos; 4 · prestação de cuidados a pacientes críticos; · contato direto com feridas e/ou dispositivos invasivos, tais como cateteres e drenos. 6. Devem ser empregadas medidas e recursos com o objetivo de incorporar a prática da lavagem das mãos em todos os níveis da assistência hospitalar. 6.1 A distribuição e a locação de unidades ou pias para Iavagem das mãos, de forma a atender à necessidade nas diversas áreas hospitalares, além da presença dos produtos, é fundamental para a obrigatoriedade da prática. Figura 1 – Higienização das mãos Fonte: Anvisa. 5 TEMA 2 – PRECAUÇÕES 2.1 Precauções de contato Medidas de proteção adotadas por todos os profissionais e familiares em relação à situação em que exista possibilidade de transmissão de agentes infecciosos, incluindo os germes multirresistentes a antibióticos, por contato direto ou indireto; para pacientes com suspeita ou contaminação de infecção, ou colonização por microrganismos com importância epidemiológica, e que são transmitidos por contato direto(pele a pele) ou indireto (contato com itens ambientais ou itens de uso do paciente). São exemplos desses microrganismos bactérias ou vírus entéricos, colite por Clostridium difficile, Varicela/Herpes zoster, bactéria multidrogarresistente (MDR) ente outros. As principais medidas para esse tipo de precaução, são: • Todas as medidas da Precaução padrão (Luvas, Avental/Capote, Higienização das mãos). • Quarto Privativo – Pode ser individual, ou compartilhado entre pacientes portadores do mesmo microrganismo. • Transporte do paciente – Deverá ser evitado, quando ocorrer, deverá ser feito por profissional devidamente paramentado. • Artigos e equipamentos – São todos de uso exclusivo para o paciente, incluindo termômetro, estetoscópio e esfingmomanômetro. Quando o equipamento não for de uso exclusivo do paciente, este deverá ser higienizado adequadamente antes e após o uso. Os objetos utilizados deverão ser limpos e desinfetados (ou esterilizados) após a alta. Limpeza de superfícies devem ser realizadas com maior frequência (passar álcool 70%) no mínimo 2 vezes ao dia. Após a alta, realizar limpeza terminal rigorosa e minuciosa das superfícies fixas, equipamentos e saída de gases da unidade do paciente. Deve-se dar atenção especial à inspeção dos colchões, com substituição daqueles que apresentarem revestimento com rasgos ou estragos. Descartar ou enviar para outra unidade no caso de transferência os materiais de consumo diário que estavam no leito (esparadrapo, gaze, fralda, seringas, sondas etc.). Fica proibida a utilização desses artigos por outros pacientes, ainda que haja sobra de material. 6 2.2 Precauções respiratórias para gotículas Vejamos agora medidas de proteção adotadas por todos os profissionais e familiares em relação à situação em que exista possibilidade de transmissão de agentes infecciosos pelas secreções de vias aéreas em pequenas distâncias (menores que 1 metro), indicadas para pacientes que o patógeno é transmitido pelas secreções de vias aéreas em pequenas distâncias. A transmissão por gotículas ocorre através do contato próximo com o paciente. Gotículas de tamanho grande (>5 µm) são eliminadas durante a fala, respiração, tosse e procedimentos como aspiração de vias aéreas; atingem até um metro de distância e rapidamente se depositam no chão, cessando a transmissão que, portanto, não ocorre em distâncias maiores, nem por períodos prolongados. São exemplos dessas infecções meningites bacterianas, lesões de pele tipo petéquias e febre (possibilidade diagnóstica de Doença Meningocócica), coqueluche, influenza, caxumba, rubéola, difteria, entre outros. As principais medidas para esse tipo de precaução, são: • Todas as medidas da Precaução padrão (Luvas, Avental/Capote, Higienização das mãos). • Quarto Privativo – Com a porta fechada. • Máscara: É obrigatório o uso de máscara comum (tipo cirúrgica) durante o período de transmissibilidade de cada doença para todas as pessoas que entrarem no quarto. Deverá ser desprezada ao sair do quarto. • Transporte do paciente – Deverá ser evitado, e quando ocorrer, deverá ser feito por profissional devidamente paramentado e o paciente deve usar máscara comum. • Artigos e equipamentos – Deverão ser de uso exclusivo do paciente sempre que possível. 2.3 Precauções respiratórias para aerossóis Medidas de proteção adotadas por todos os profissionais e familiares em relação à situação em que exista possibilidade de transmissão de agentes infecciosos pelas secreções de vias aéreas em grandes distâncias (> 1 metro) para pacientes em que o patógeno é transmitido por secreções de vias aéreas em grandes distâncias. 7 As partículas podem ser eliminadas durante a respiração, fala, tosse, espirro ou procedimentos. Aquelas de tamanho pequeno (à saúde”. Estudos internacionais mostram realidades assustadoras. Pesquisas mostram que ocorrem, ao ano, 44.000 a 180.000 óbitos nos Estados Unidos devido às injúrias assistenciais evitáveis, e que 1,3 milhões de pessoas já sofreram incapacidades ou tiveram internação prolongada pelos mesmos motivos. 3.1 Protocolos básicos da OMS No ano de 2004, por meio do seu Programa de Segurança do Paciente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu a Classificação Internacional de Segurança do Paciente com o objetivo de definir e diferenciar alguns conceitos fundamentais relacionados a erros e eventos adversos em saúde. O objetivo maior da OMS foi reduzir os riscos de incidentes que pudessem causar eventos adversos, potencialmente danosos ao paciente. Para isso, foram escolhidos dois desafios globais, a redução das infecções associadas com os cuidados à saúde e a execução de cirurgias seguras. Para obter sucesso nesses dois aspectos, são necessárias a adoção de rotinas de higienização das mãos pelos profissionais entre os cuidados de pacientes diferentes e a utilização de listas de checagem no início, durante e fim das cirurgias. Além desses tópicos, os eventos adversos relacionados a 10 medicamentos estão entre os mais comuns no Brasil e no mundo, pois cerca de 15% dos pacientes internados sofrem algum dano desse tipo. Esses eventos adversos podem ser erros de dosagem, administração por via inadequada, troca de medicamento, omissão de dose ou até mesmo troca de pacientes. Para facilitar a monitorização desses eventos nos hospitais, algumas agências internacionais criaram indicadores de segurança do paciente que podem ser identificados e quantificados por meio de redes específicas de identificação e notificação de eventos adversos, como a Rede Sentinela. O grande número de eventos adversos ocorridos em hospitais e demais serviços de saúde preocupa organizações de saúde no mundo inteiro. Pensando na implantação de uma cultura de segurança do paciente, a OMS desenvolveu seis protocolos básicos que objetivam reduzir o número de danos promovidos aos pacientes pelo cuidado recebido pela equipe de saúde. Os seis protocolos, ou também chamadas metas internacionais de segurança são: • A prática de higiene das mãos em estabelecimentos de Saúde; • Cirurgia segura; • Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; • Identificação de pacientes; • Prevenção de úlceras por pressão; • Prevenção de quedas. Esses objetivos, abordados pela OMS, estão relacionados com a maior parte dos incidentes ocorridos nos hospitais. Entretanto, a implantação de políticas de segurança, visando esses aspectos, é de baixo custo. Por exemplo, a administração de medicamentos em pacientes errados é um dos incidentes mais comuns em serviços de saúde. Para redução desse tipo de erro, é indicada a utilização de pulseiras de identificação nos pacientes e a confirmação da identidade do paciente antes de qualquer procedimento. Essas medidas são de baixo custo e geram um grande impacto positivo. TEMA 4 – PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA DO PACIENTE (PNSP) O Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) foi instituído pelo Ministério da Saúde (MS) em 2013, por meio da Portaria do MS n. 529, de 1º de abril, com o objetivo de criar no Brasil um programa de contribuição para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde. 11 O PNSP contém quatro eixos de ação que devem ser desenvolvidos, concomitantemente, para a implantação de uma cultura de segurança do paciente no Brasil. Esses quatro eixos são: • O estímulo a uma prática assistencial segura, implantando a gestão de riscos e os núcleos de Segurança do Paciente nos estabelecimentos de saúde; • O envolvimento do paciente na sua segurança; • A inclusão do tema segurança no ensino técnico e de graduação e pós- graduação na área da saúde. Ampliar o acesso da sociedade às informações; • Estímulo da pesquisa na área, produzir, sistematizar e difundir conhecimentos na área. 4.1 Núcleo de segurança do paciente A RDC n. 36 de 2013 da ANVISA, que instituiu ações para a segurança do paciente, indica a obrigatoriedade de criação dos Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) em cada hospital ou serviço de saúde, público ou privado, até mesmo nas instituições de ensino e pesquisa. A criação do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) deverá ser feita pela direção do hospital ou serviço de saúde. Cabe ao gestor escolher quem serão os membros desse núcleo e proporcionar autonomia e responsabilidade para implantar e executar o Plano de Segurança do Paciente de cada hospital. Esses núcleos deverão se reunir, periodicamente, com seus membros e, também, com outros grupos/núcleos do hospital, como as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar, de Saúde do trabalhador etc. O objetivo principal dos NSPs é a elaboração, implantação e monitoramento dos Planos de Segurança do Paciente dos serviços de saúde. Segundo a ANVISA, os núcleos devem ser constituídos por profissionais com experiência em controle de infecção, gerência de risco, epidemiologia, qualidade, microbiologia, farmácia hospitalar, farmácia clínica, engenharia clínica e segurança do paciente. Os Planos de Segurança do Paciente locais devem conter estratégias fundamentadas em evidências científicas que reduzam o risco de incidentes e de danos aos pacientes. A elaboração e implantação dos PSPs é obrigatória e 12 deve ser revisada, periodicamente, com os objetivos reavaliados, sempre pensando na realidade do serviço de saúde. 4.2 Envolvimento do paciente na sua segurança Um importante eixo do PNSP é a colocação do paciente como agente ativo do programa de gestão de risco do hospital. É necessário o envolvimento do paciente e/ou seus familiares na cultura de segurança, na qual eles se tornam parceiros dos profissionais de saúde para redução dos danos causados pelo cuidado. Pacientes que participam mais dos seus cuidados, como agentes de corresponsabilidade, são os menos afetados pelos eventos adversos. Os pacientes podem atuar em duas frentes, monitorando os procedimentos de diagnóstico e tratamento e, também, podem identificar e relatar os eventos adversos ocorridos. Existem, ainda, muitas discussões com relação a esse papel ativo do paciente. Por exemplo, muitos pacientes não conhecem seus direitos e, quando questionam a conduta do profissional de saúde, são hostilizados. Outro aspecto importante é a idade e sexo. As mulheres e os mais jovens, normalmente, são mais envolvidos no seu autocuidado. O grau de instrução, também, parece ser fundamental nesse processo. O tipo de doença é um fator relacionado ao envolvimento, pois condições clínicas mais sérias e que geram incapacidade aos seus portadores, geralmente, estão relacionadas a um menor envolvimento do paciente. E, por fim, precisamos discutir a postura dos profissionais de saúde. Organizações de saúde do mundo inteiro recomendam um modelo de cuidado centrado no paciente e não na doença ou no profissional de saúde. É necessário incluir o paciente como agente ativo em todas as etapas do cuidado, desde o diagnóstico até o tratamento e monitorização clínica. TEMA 5 – SISTEMA DE NOTIFICAÇÃO DE EVENTOS ADVERSOS O Notivisa é um sistema informatizado desenvolvido pela Anvisa para receber notificações de incidentes, eventos adversos (EA) e queixas técnicas (QT) relacionadas ao uso de produtos e de serviços sob vigilância sanitária. O Sistema Nacional de Notificação de Eventos Adversos é um dos módulos para notificação do Sistema de Notificação em Vigilância Sanitária – NOTIVISA e foi desenvolvido para receber as notificações de eventos adversos 13 que ocorreram com os pacientes durante a internação/ atendimento do paciente em serviços e estabelecimentos assistenciais de saúde do país ou duranteo uso de tecnologias de saúde (medicamentos, artigos médico-hospitalares etc.). Entende-se por incidente o evento ou a circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário à saúde e por evento adverso, o incidente que resultou em danos à saúde. O monitoramento dos incidentes e eventos adversos será realizado pelo Núcleo de Segurança do Paciente (NSP). Esse formulário pode ser preenchido por pacientes, familiares, acompanhantes, cuidadores e a própria instituição de saúde. O NOTIVISA já existia e foi incorporado a esse o sistema a notificação de eventos adversos. A notificação de eventos adversos também é uma ferramenta para avaliação da efetividade do Plano Nacional de Segurança do Paciente, é essencial que exista uma maneira do cidadão e das instituições de saúde poderem relatar os eventos adversos. Por meio do NOTIVISA, é possível que o próprio paciente, fazendo uso do preenchimento de um formulário próprio, possa relatar o evento adverso ocorrido em uma instituição de saúde, e é de caráter voluntário. A notificação feita pela instituição de saúde possui caráter obrigatório. Ambas as notificações possuem caráter confidencial. A RDC 36/2013 determina que as instituições façam as suas notificações até o 15º dia útil do mês seguinte. Em caso de óbito, o relato no NOTIVISA deve ser feito até 72 horas, a partir do ocorrido. Essas notificações são importantes, pois ajudam a estabelecer um panorama da ocorrência de eventos adversos no Brasil. A ANVISA deve divulgar, anualmente, um relatório contendo uma análise sobre os eventos adversos. Além disso, as instituições podem monitorar a sua situação perante as outras instituições de saúde do país. Os relatórios emitidos pela ANVISA indicaram que os eventos adversos relacionados com medicamentos são os mais comuns, com aproximadamente 34% do total. Outro dado importante é a disparidade do número de notificações em relação às regiões do país. A região sul do Brasil é aquela que apresenta o maior número de notificações, seguida pelo Sudeste. A região Norte do país é aquela com o menor número de relatos de eventos adversos. 14 Os dados sobre os notificadores são confidenciais, obedecidos os dispositivos legais, e sua guarda é de responsabilidade do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. A identificação do notificador não será divulgada para o serviço de saúde e é importante para que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária possa esclarecer dúvidas referentes à notificação realizada. A notificação não é analisada individualmente e não resultará na punição dos envolvidos. Figura 2 – Formulário Fonte: Anvisa. NA PRÁTICA Qual é a importância da utilização dos EPIs, e mais ainda o EPI indicado de acordo com a via de transmissão do patógeno? Por que o momento de se desparamentar e a higienização das mãos é tão importante? Qual a importância da Cultura de Segurança no que diz respeito a Segurança do Paciente? 15 FINALIZANDO Vimos nesta aula o papel fundamental da utilização dos EPIs na forma de precaução de contaminação de acordo com a via de transmissão do microrganismo. Essas medidas são imprescindíveis para segurança do profissional e do paciente, contendo de certa forma as infecções cruzadas. A importância de respeitar uma ordem de paramentação, mas ainda mais da desparamentação, considerando que, após contato com o paciente infectado ou ambiente onde ele se encontra, toda a parte externa dos EPIs encontra-se contaminada. Contribuindo para alcançar a qualidade na prestação de serviços na saúde e gerenciamento dos riscos e erros, temos, em caráter obrigatório garantido por lei, os Programas de Segurança do Paciente, a fim de evitar os eventos adversos, promover a cultura de segurança dentro dos serviços de saúde. E mesmo que os eventos aconteçam, é muito importante relatá-los para as autoridades sanitárias. 16 REFERÊNCIAS ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Manual de segurança no Ambiente Hospitalar. 2003. _____. (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Biossegurança. _____. Notificação De Eventos Adversos. NOTIVISA. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2020. ABO. Odontologia Segura. Biossegurança e Segurança do Paciente. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em Saúde: Prioridades e Estratégias de Ação. Brasília, 2010. _____. Ministério da Saúde. RDC n. 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências. Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2013. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2020. BOEIRA, E. R. et. al., Controle de infecções e medidas de segurança do paciente abordados em projetos pedagógicos da enfermagem. Rev Esc Enfern USP, São Paulo, v. 53, 2019. MANUAL DE MEDIDAS DE PRECAUÇÕES DO HOSPITAL ARAÚJO JORGE. Serviço de Controle de Infecções Hospitalares. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2020. ORIENTAÇÕES SOBRE COLOCAÇÃO E RETIRADA DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIs). Conselho Federal de Enfermagem. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2020. BIOSSEGURANÇA E QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE AULA 6 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL A gestão da qualidade em saúde caracteriza-se por um conjunto de particularidades relacionadas não só aos cuidados globais com a saúde, como também à eficiência do setor administrativo e da organização dos processos de trabalho. A qualidade em saúde engloba aspectos bastante abrangentes, como educação em saúde, acesso às informações sobre programas de prevenção, rastreamento das doenças, formação profissional, disponibilidade de equipamentos para diagnóstico e recursos terapêuticos disponíveis. As ferramentas técnicas de gestão são grandes aliadas como suporte, pois auxiliam na avaliação de processos e implementação de melhorias nas instituições de saúde. O controle de qualidade e gerenciamento busca alcançar o melhor desempenho da instituição, garantindo atributos aos serviços prestados, como um bom planejamento, a elevação do nível de organização e a minimização dos riscos, elevando a segurança e a satisfação dos pacientes. Para isso, manter uma gestão de excelência em saúde é de extrema importância. TEMA 1 – QUALIDADE EM SAÚDE Qualidade na saúde tem um significado mais amplo que no dicionário Aurélio, o qual define qualidade como: “propriedade, atributo ou condições das coisas ou das pessoas que as distingue das outras e lhes determina a natureza.” Já para a área da saúde, Qualidade depende da amplitude da definição de saúde e suas responsabilidades clínicas em seus atendimentos. Ou seja, todos os envolvidos buscam respostas para benefícios e malefícios dos serviços prestados, desenvolvem atividades aperfeiçoamento em prol de garantir uma melhor satisfação aos necessitados de atendimento. As práticas de saúde são realizadas por meio de ações humanas responsáveis pela organização do trabalho. Sua discussão teve início na década de 60, por meio de Avedis Donabedian, cientista americano que apresentou a necessidade em medir e classificar os serviços da saúde, baseado em estrutura de processos e resultados obtidos pelos atendimentos. A Organização Mundial da Saúde preconiza a qualidade nos serviços da saúde em seis atributos:efetividade, cuidado centrado no paciente, 3 oportunidade, eficiência, equidade e segurança do paciente. Um dos principais motivos dados à qualidade em serviço da saúde é assegurar o paciente a segurança necessária para que este não sofra eventos adversos decorrentes dos cuidados recebidos. Reduzir o tempo de permanência de internação de um paciente com medidas assertivas e boa qualidade no atendimento prestado, sem dúvidas, não gera somente um bom desempenho do profissional da saúde e recuperação rápida do paciente, como também uma diminuição nos custos financeiros e ações contra o serviço de saúde. 1.1 Gestão em Saúde O conceito de Qualidade envolve diversas abordagens, algumas valorizam a produtividade e o equilíbrio da organização, outras envolvem mais a Gestão de Qualidade em Saúde, melhorando a assistência ao cliente. Ações em Gestão relacionam-se à representação social do conceito de Trabalho e Qualidade, planeja estrategicamente a organização integrando as metas da qualidade em conjunto a ações que validam posições socioculturais dos gestores, visando atender expectativas das partes comprometidas no processo, envolvendo mudanças estruturais dos processos internos, gerando benefícios para os usuários e colaboradores em suas atividades de trabalho e manutenção do foco nas infraestruturas. Ademais, existem diferentes abordagens e programas para a Qualidade, algumas priorizam a produtividade e o equilíbrio da organização, e outras o desenvolvimento do potencial humano. Avaliações realizadas por entidades externas ao serviço de saúde verificam relações de requisitos determinantes na qualidade. Conhecidas como Acreditações, asseguram a qualidade nos serviços prestados na saúde, envolvendo segurança do paciente, termos técnicos e aspectos legais. Somente instituições credenciadas podem realizar as acreditações. Para a Organização Nacional de Acreditação (ONA), a acreditação baseia-se em três princípios: o caráter voluntario, o reservado e o periódico das avaliações. Além do mais, esse processo consolida e recomenda aplicações de metodologias em qualidade de serviços a saúde, realiza pesquisas, gera planos de desenvolvimento e capacitação efetiva de recursos humanos, avaliando o antes e depois das aplicações como forma de obter um melhor panorama dos avanços da gestão em saúde, voltados para a melhoria dos serviços de saúde. 4 As diferentes perspectivas utilizadas por diversos especialistas sobre Qualidade apresentam sempre como ponto comum identificar focos que provam seu desenvolvimento na gestão institucional, buscando êxito organizacional e crescimento. À medida que ocorre a organização em gestão de qualidade em saúde, ficam evidenciados os benefícios gerados aos clientes em instituições mais preparadas com os processos estruturais, assegurando a seus clientes uma melhor assistência capacitada e desenvolvimento contínuo independentemente de o setor ser público ou privado. TEMA 2 – QUALIDADE E O RISCO DA PROFISSÃO A criação da Divisão de Organização Hospitalar (DOH), junto ao Ministério de Educação e Saúde em 1941, tinha o objetivo de coordenar, cooperar ou orientar os estudos e as soluções dos problemas relacionados à assistência a doentes, deficientes físicos e desamparados. Avaliações realizadas no decorrer dos anos mostrou a necessidade de implementações de normas, regulamentações por meio de um sistema capaz de avaliar a qualidade da assistência na saúde. A evolução em qualidade a partir da década de 60 e as acreditações na década de 90 desenvolveram programas em qualidade desenvolvidos internamente ou seguindo padrões externos em busca de melhora na qualidade e excelência assistencial. A gestão em qualidade visa obter melhora contínua da estrutura dos processos e resultados, porém não são ações que visam rejeitar ou aceitar o funcionário, e sim uma busca em reduzir o desperdício, trabalho em vão e complexidade desnecessárias, permitindo o uso de métodos em melhorias de qualidade atingindo níveis de eficiência, satisfação e segurança do paciente. O desconhecimento e a ausência na utilização em modelos de gestão e ausência de definições de competência dos profissionais da saúde dentro das equipes dificultam a implementação segura nas organizações de assistência à saúde. Para o Internacional Classification for Patient Safety 2007-2008, processos estratégicos, protocolos, documentações, uso de medicações, procedimentos associados a riscos e infecções, infraestrutura, modelo de gestão e laboratório etc. estão relacionados a informações e conhecimentos diretamente ligados aos incidentes causadores de risco. Um bom programa em gerenciamento de risco pode ser classificado em Riscos Clínicos associados a ações diretas ou indiretas dos profissionais da área 5 de saúde, relacionados à ausência ou deficiência em políticas e ações organizadas na prestação de cuidados de saúde. Podemos citar: riscos de identificação incorreta do paciente, falha na segurança medicamentosa, risco de cirurgias não seguras, risco de aquisição de infecções e riscos de queda. Os Riscos não Clínicos são aqueles relacionados à segurança das instalações ou atendimento aos procedimentos prestados aos cuidados do paciente. Subdivididos em riscos relativos à segurança ocupacional (vacinas em dia), risco relativo à utilização de equipamentos (falta de manutenção preventiva) e risco relativo à segurança predial (manutenção de elevadores). Como forma de reduzir os riscos clínicos e não clínicos, a implementação de ações do Instituto para Melhoria dos Cuidados à Saúde (Institute for Healthcare Improvement - IHI) propõe: 1. Prevenir infecções cirúrgicas; 2. Prevenir pneumonia associada à ventilação mecânica; 3. Prevenir infecção em cateter venoso central; 4. Prevenir eventos adversos de medicação (anticoagulantes, narcóticos, sedativos, insulina); 5. Prover Tratamento Baseado em Evidências para Infarto Agudo do Miocárdio; 6. Atender rápido os pacientes que demonstrem sinais de deterioração clínica, prevenindo assim parada cardíaca; 7. Prevenir danos causados por determinados medicamentos considerados críticos (anticoagulantes, sedativos, narcóticos); 8. Diminuir complicações cirúrgicas; 9. Prevenir Ulceras de Pressão; 10. Prevenir infecção por MARSA; 11. Prover tratamento baseado em evidências para Insuficiência Cardíaca Congestiva; 12. Envolver a alta administração no processo. A satisfação do trabalhador em sua atividade laboral pode variar ao longo do tempo, sujeitas a influências externas e internas ao ambiente de trabalho. O grau de satisfação do profissional pode afetar a harmonia e estabilidade psicológica, saúde física e mental, interferindo diretamente em seu comportamento social e/ou profissional. Estudos apontam a evidência da relação entre os trabalhadores com estresse, saúde e bem-estar, impactando nas 6 questões sobre economia, faltas ao trabalho, queda na produtividade, dificuldades em trabalhar em equipe e um aumento dos acidentes de trabalho. Há necessidade em identificar as causas desses danos e planejar ações que os reduzam e preservem a saúde do trabalhador. A Organização Mundial da Saúde, em 1989, iniciou uma progressiva mudança planejada de hábitos e maneiras, visando provocar nos profissionais de todos os níveis e serviços iniciativas apoiadoras de qualidade nos serviços da saúde, a fim de garantir qualidade e atenção prestada ao cliente focando em uma melhora continua em organização, não mais individual, mais sim em análises estatísticas e assistência prestada. Equipes multifuncionais da qualidade ajudam as melhorias nos processos dos serviços na saúde por meio de análises e discussões das interdependências. Riscos de acidentes, biológicos, ergonômicos e psicológicos são os riscos mais evidentes ligados ao trabalhador relacionadosequipamentos ou locais que ofereçam riscos à saúde e integridade física dos trabalhadores. • NR 04 – Serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho: estabelece critérios para organização dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). • NR 05 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): norma expedida pelo MTE para tratar da CIPA. • NR 06 – Equipamentos de Proteção Individual (EPI): trata especificamente do uso dos EPIs no local de trabalho, conforme riscos identificados quanto à saúde e segurança dos trabalhadores. • NR 07 – Programas de controle médico de saúde ocupacional: determina a implementação, nas empresas e instituições, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). • NR 08 – Edificações: estabelece requisitos técnicos mínimos que devem ser observados nas edificações, para garantir segurança e conforto aos que nelas trabalhem. • NR 09 – Programas de prevenção de riscos ambientais: estabelece a obrigatoriedade da elaboração e da implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). 6 • NR 10 – Segurança em instalações e serviços em eletricidade: tem por objetivo garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que interagem nas instalações e serviços com eletricidade. • NR 11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais: tem como objetivo definir as normas de segurança para a instalação e a operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas transportadoras. • NR 12 – Máquinas e equipamentos: tem como objetivo garantir que máquinas e equipamentos sejam seguros para o uso do trabalhador. • NR 13 – Caldeiras e vasos de pressão: tem como objetivo condicionar inspeção de segurança e operação de vasos de pressão, caldeiras e tubulações. • NR 14 – Fornos: estabelece os padrões de segurança, conforto e higiene ocupacional na utilização de fornos, garantindo que os riscos gerados pela sua utilização não ultrapassem os limites de tolerância. • NR 15 – Atividades e operações insalubres: estabelece as atividades que devem ser consideradas insalubres, gerando direito ao adicional de insalubridade aos trabalhadores. • NR 16 – Atividades e operações perigosas: trata de forma específica das classificações e medidas que devem ser adotadas pelas empresas no que se refere a atividades e operações perigosas. • NR 17 – Ergonomia: estabelece parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. • NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. • NR 19 – Explosivos: estabelece diretrizes específicas para manusear materiais explosivos no momento de fabricação, armazenamento, transporte e utilização para alguma finalidade dentro da empresa. • NR 20 – Líquidos combustíveis e inflamáveis: estabelece os requisitos mínimos para a gestão de segurança e saúde no trabalho contra os fatores de risco de acidentes provenientes das atividades de extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis. 7 • NR 21 – Trabalho a céu aberto: define parâmetros de segurança e saúde para os trabalhadores que desempenham suas atividades ao ar livre. • NR 22 – Segurança e saúde ocupacional na mineração. • NR 23 – Proteção contra incêndios: é a norma do Ministério do Trabalho e Emprego que traz diretrizes relacionadas à proteção contra incêndios nos ambientes de trabalho. • NR 24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho: disciplina preceitos de higiene e de conforto que devem ser observados nos locais de trabalho, especialmente no que se refere a banheiros, vestiários, refeitórios, cozinhas, alojamentos e água potável, visando à proteção à saúde dos trabalhadores. • NR 25 – Resíduos industriais: tem o objetivo de preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, por meio da obrigatoriedade de as empresas estabelecerem medidas preventivas aos riscos dos resíduos industriais desde a sua geração até a destinação final ambientalmente correta. • NR 26 – Sinalização de segurança: refere-se à sinalização de segurança nos ambientes laborais. • NR 27 – Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no MTE. • NR 28 – Fiscalização e penalidades. • NR 29 – Segurança e saúde no trabalho portuário. • NR 30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário. • NR 31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária silvicultura, exploração florestal e aquicultura. • NR 32 – Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde. • NR 33 – Segurança e saúde no trabalho em espaços confinados. • NR 34 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e reparação naval. • NR 35 – Trabalho em altura. • NR 36 – Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados. Regulamentadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontradas na Portaria n. 3.214, de 1978, as Normas Regulamentadoras NRs 8 são citadas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), legislação de observância para todas as empresas. TEMA 3 – CONCEITO-CHAVE – ENTENDENDO OS RISCOS Como forma de prevenção à contaminação por agentes infecciosos, é necessário que o profissional da saúde adote medidas de biossegurança para minimizar e eliminar riscos à saúde, principalmente os que atuam em áreas insalubres nas quais o risco é variável. Os riscos dependem do ambiente de trabalho, complexidade e hierarquia de atuação, o que pode tornar mais suscetível a contrair doenças advindas de acidente de trabalho, por meio de procedimentos que apresentam riscos. 3.1 Conceito de risco Para o Ministério do Trabalho e Emprego, a NR 10 aborda conceitos fundamentais sobre perigo e risco, definidos como: perigo é uma fonte ou situação com potencial para causar danos à integridade do trabalhador, instalações e/ou equipamentos do ambiente de trabalho, enquanto que risco se define como a combinação da probabilidade de ocorrência e da consequência de um determinado evento perigoso. Figura 1 – Perigo e risco Fonte: Laboratório de Micobactérias (UFC), [S.d.]. Condições incertas capazes de causar dano ao trabalhador, produto ou ambientes, seja um agente biológico, químico ou físico são definidas como risco. Nem sempre apresentam consequências imediatas e dependem de fatores como: tempo e intensidade da exposição do trabalhador ao agente de risco, 9 porém é importante ressaltar a necessidade da identificação e controle desses agentes. 3.2 Natureza dos riscos Riscos laboratoriais são classificados de acordo com a legislação vigente na Portaria n. 3.214, do Ministério do Trabalho do Brasil (1978). A classificação dos riscos na NR 5 apresenta cinco tipos de agentes de risco: • Riscos de acidentes: condições que deixem o trabalhador em situação de vulnerabilidade no ambiente de trabalho capazes de afetar sua integridade, bem-estar físico e psíquico, como ferramentas inadequadas para o uso, ligações elétricas em desacordo, armazenamento inadequado, maquinário e equipamentos sem proteção ou certificação, possibilidade de incêndio e exposição entre outros. • Riscos biológicos: provenientes de microrganismos como vírus, bactérias, protozoários, parasitas etc. • Riscos ergonômicos: atividades que afetam a saúde ou causam desconforto, interferindo nas características psicofisiológicas do trabalhador, como postura inadequada, levantamento de peso, esforço físico intenso, repetições, ritmo excessivo de trabalho, entre outros. • Riscos físicos: exposição física a toda forma de energia capaz de afetar o trabalhador como ruídos, umidade, vibração, pressão,ao atendimento do cliente na área da saúde. Reconhecer situações geradoras de risco, ações educativas e preventivas, além de seguir um comportamento seguro e medidas de biossegurança, são fundamentais na prevenção e promoção da saúde do trabalhador, clientes e familiares no ambiente laboral. TEMA 3 – FERRAMENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE As instituições de saúde devem ter como meta o atendimento das necessidades e expectativas de seus usuários. Para tanto, é de extrema importância que as atividades desenvolvidas por essas instituições estejam fundamentadas em sólidos pressupostos filosóficos e metodológicos, capazes de garantir um elevado padrão de qualidade. As definições acerca do conceito de qualidade são muitas, entretanto, no setor saúde, dizem respeito à consolidação de um elevado padrão de assistência. As ferramentas de qualidade são técnicas utilizadas com a finalidade de definir, mensurar, analisar e propor soluções para os problemas que interferem no bom desempenho dos processos de trabalho. As ferramentas devem ser usadas para controlar a variabilidade, que é a quantidade de diferença em relação a um padrão, sendo que a finalidade das ferramentas é eliminar ou reduzir a variação em produto e serviço. 7 Para conseguir o controle da qualidade, essas ferramentas são aplicadas por gestores e consistem em princípios básicos de adequação de cada uma das metodologias. As ferramentas de controle são utilizadas para mensurar se a qualidade realmente existe, quando ela influencia e se é importante para o serviço. A satisfação no nível de qualidade determina a necessidade de sua melhoria. As ferramentas que controlam a qualidade podem ser estratégicas, envolvendo medidas administrativas de controle ou podem ser estatísticas, medindo quantitativamente essa qualidade. Os objetivos das ferramentas da qualidade são: • Facilitar a visualização e entendimento dos problemas; • Sintetizar o conhecimento e as conclusões; • Desenvolver a criatividade; • Permitir o conhecimento do processo; • Fornecer elementos para o monitoramento dos processos. As espécies de ferramentas da qualidade são: • Carta de controle – consiste em verificar quantitativamente a variabilidade do processo, a qual se deve às determinantes aleatórias. Os gráficos de controle são ferramentas para o monitoramento da variabilidade e para a avaliação da estabilidade de um processo; • Carta de tendência – utilizada para representar dados visuais ou monitorar um sistema, com finalidade de identificar as alterações ao longo do tempo. Empregada para representar dados, monitorar um sistema sendo possível observar ao longo do tempo a existência de alterações na média esperada; • Diagrama de causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe) – é uma ferramenta utilizada para apresentar a relação existente entre um resultado de um processo (efeito) e os fatores (causas) do processo que, por razões técnicas, possam afetar o resultado considerado. As causas de um problema podem ser agrupadas, a partir do conceito dos 6M, como decorrentes de falhas em materiais, métodos, mão de obra, máquinas, meio ambiente, medidas. O uso dos 6M pode ajudar a identificar as causas de um problema e servir como uma estrutura inicial para facilitar o raciocínio na sua análise; 8 • Diagrama de dispersão – consiste em um gráfico que permite a visualização da relação existente entre duas variáveis. Essas variações podem ser a causa e o efeito, duas causas ou dois efeitos. Deve ser usado quando necessita visualizar o que acontece com uma variável quando outra variável se altera para saber se as duas estão relacionadas; • Diagrama de Pareto – tem como finalidade mostrar a importância de todas as condições, a fim de, escolher o ponto de partida para solução do problema, identificar a causa básica do problema e monitorar o sucesso. Os diagramas de Pareto podem ser usados para identificar problemas mais importantes pelo uso de diferentes critérios de medição, como frequência ou custo; • Fluxograma – é uma representação gráfica mostrando todos os passos do processo. O fluxograma apresenta uma excelente visão do processo e pode ser uma ferramenta útil para verificar como os vários passos do processo estão relacionados entre si; • Histograma – é um gráfico de barras no qual o eixo horizontal, subdividido em vários pequenos intervalos, apresenta os valores assumidos por uma variável de interesse. Para cada um destes intervalos, é construída uma barra vertical, cuja área deve ser proporcional ao número de observações na amostra cujos valores pertencem ao intervalo correspondente; • Brainstorming – é uma técnica de geração de ideias em grupo que envolve a contribuição espontânea de todos os participantes. Soluções criativas e inovadoras para os problemas; • 5S – tem como objetivo principal promover a alteração do comportamento das pessoas, proporcionando total reorganização da empresa, por meio da eliminação de materiais obsoletos, identificação dos materiais, execução constante de limpeza no local de trabalho, construção de um ambiente que proporcione saúde física e mental e manutenção da ordem implantada, apontando, assim para a melhoria do desempenho da organização; • Ciclo PDCA – objetiva promover melhorias em processo de qualquer natureza bem como a sua manutenção. O ciclo é definido como um método gerencial de tomada de decisões tendo por principal objetivo garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência de uma 9 organização. O Ciclo de Deming (Plan-DoCheck-Act) é uma ferramenta de inquestionável utilidade no domínio da Gestão da Qualidade. Planejar (Plan): analisar as causas dos problemas e definir os programas de ações corretivas e preventivas para fazer face aos problemas detectados. Fazer (Do): implementar as ações planeadas modificando os processos. Verificar (Check): medir o impacto comprovando a eficácia do plano de acordo com os objetivos definidos e com as medidas dos indicadores obtidas. Agir (Act): melhorar, alterando o plano de ação até se alcançar os objetivos; • Folha de verificação – é uma ferramenta de fácil compreensão, e por ela é possível verificar com que frequência os eventos acontecem. As etapas são: estabelecer os eventos, definir sobre o período no qual serão coletados os dados, construção de um formulário claro e de fácil manuseio, e coleta de dados consciente e honesto. Essas folhas de verificação são ferramentas que questionam o processo e são relevantes para alcançar a qualidade. São usadas para criar várias ferramentas, tais como: diagrama de Pareto, diagrama de dispersão, diagrama de controle, histograma etc. 3.1 Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) Os Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) são ferramentas básicas de gestão da qualidade, documentos que possuem como objetivo padronizar todas as funções, serviços, técnicas executadas em determinado serviço. No caso dos serviços de saúde, existem POPs específicos para a higienização das mãos, utilização de luvas, realização de técnicas de enfermagem e farmácia etc. Para se elaborar um POP, é importante observar que esse documento deve ser o mais claro possível e conter todos os passos, de maneira detalhada, da atividade a que se propõe. Não devem ser utilizadas abreviaturas, gírias ou quaisquer termos que possam gerar confusão ao usuário daquele documento. A linguagem usada no POP deve ser a mais simples e clara possível, uma linguagem que possa ser compreendida por todos e que respeite o nível de instrução de todos os envolvidos na execução daquele procedimento. Os POPs devem ser feitos preferencialmente aos funcionários diretamente relacionados com aquela atividade. Por exemplo, na elaboração de um POP sobre a execução de um exame radiológico, quem deverá participar, 10 ativamente, da construçãodesse documento, são os técnicos, biomédicos e médicos da radiologia, pois somente dessa forma será construído um POP embasado no que realmente é feito. É importante “escrever o que é feito e fazer o que está escrito”. Esses procedimentos deverão, obrigatoriamente, conter data e identificação do seu autor ou autores, e o nome e assinatura do gestor responsável pelo setor. As informações sobre data são fundamentais, pois esses documentos devem ser, periodicamente, submetidos à avaliação para se manterem atuais e refletirem o que, de fato, é realizado no setor. Todo serviço de saúde, que busca a qualidade nos seus cuidados, deve se utilizar dessa ferramenta. A presença desses documentos e sua utilização pelos trabalhadores garante que não ocorram alterações nos procedimentos, independentemente do funcionário, turno e dia em que a tarefa seja executada. É fundamental que todos os trabalhadores participem da sua formulação e que funcionários recém-admitidos recebam orientação sobre a obrigatoriedade da utilização destes procedimentos. TEMA 4 – SEGURANÇA DO PACIENTE COMO DIMENSÃO DA QUALIDADE A segurança do paciente é um dos assuntos mais discutidos atualmente entre os profissionais dos serviços de saúde. Os cuidados, infelizmente, às vezes se tornam mecânicos e rotineiros, aumentando a incidência de acidentes que poderiam ser prevenidos. Os temas gerenciamento de risco e segurança do paciente devem apresentar-se como eixos centrais no atendimento à saúde em todas as instituições de qualquer sistema de saúde. Esses temas envolvem não somente o conhecimento de conteúdo teórico, mas de novos comportamentos no trabalho e no desenvolvimento de diretrizes e métodos de controle. “Qualidade” é um termo utilizado por diversos especialistas. É evidente o benefício que gera ao cliente, quer seja no setor público, quer no privado. Instituições mais preparadas, com processos mais estruturados, irão certamente assegurar a esses clientes garantias de perspectivas, tendo como ponto comum identificar focos que promovam seu desenvolvimento na gestão institucional. Um restabelecimento de saúde com práticas mais definidas e disseminadas na instituição implica o preparo dos profissionais, por meio de capacitação e desenvolvimento contínuos, humanização no tratamento com usuários, competência técnica e prazer em fazer parte da equipe que integra. 11 A cultura de segurança em um serviço de saúde diz respeito a um ambiente no qual todos os trabalhadores assumem responsabilidade pela sua própria segurança, segurança dos colegas, pacientes e familiares. Outras características dessa cultura incluem: • A segurança é priorizada em relação a metas financeiras e operacionais da instituição; • Os gestores e profissionais encorajam e recompensam a identificação, notificação e resolução de problemas relacionados a segurança do paciente; • São proporcionados recursos para a manutenção e estruturação da segurança; • O aprendizado organizacional é promovido após a ocorrência de algum incidente ou erro em saúde. O serviço de saúde com uma cultura de segurança deixa de acreditar que “o profissional de saúde não erra”, e passa a aceitar que todos os profissionais têm o potencial de errar, porém há maneiras de prevenir e corrigir esses erros. O erro deixa de ser punido e passa a ser entendido e investigado. Essa maneira de pensar ajudar a aumentar a segurança e a qualidade nos serviços, pois há maior transparência e oportunidade de melhora. 12 Figura 1 – Qualidades dos Serviços de Saúde Essas metas nada mais são do que as seis dimensões mais importantes para que a assistência à saúde possa ser considerada de qualidade. Sendo assim, essas seis dimensões pressupõem que a assistência à saúde deva ser: • Segura: primeira e sem dúvida mais importante característica que a assistência ao paciente deve ter, por ser a base para as demais. Segurança do paciente se traduz por tudo aquilo que deve ser feito para evitar que os pacientes sofram danos desnecessários causados pela assistência que deveria apenas ajudá-los; • Efetiva: a assistência deve ser realizada com base nas melhores evidências científicas, com foco em fazer a coisa certa para quem precisa. Em outras palavras, é não cometer excessos, muito menos deixar de realizar quaisquer medidas, desde que sempre seja observado o princípio de fazer a coisa certa, para a pessoa certa, na hora certa; • Centrada no paciente: o paciente deve ser capaz de ser ativo nas decisões sobre qualquer intervenção. Suas vontades e dúvidas devem ser sempre levadas em conta. Os valores e preferencias de um indivíduo sempre devem estar contemplados para as tomadas de decisão; 13 • Oportuna: qualquer perda ou atraso de tempo deve ser evitado a todo custo, tanto do ponto de vista do paciente, quanto do ponto de vista de quem presta a assistência; • Eficiente: a assistência ao paciente deve ser racional, sem desperdícios, sem excessos. Não devem ser gastos quaisquer recursos sem real necessidade, seja a realização de um simples exame, o uso de um equipamento, uma complexa cirurgia, leitos hospitalares ou até recursos humanos; • Igualitária: a qualidade da assistência prestada deve ser igual para qualquer ser humano, não importando gênero, raça, idade, religião, condição econômica ou característica social ou cultural. TEMA 5 – GERENCIAMENTO DOS ERROS Todos estamos passiveis em cometer algum erro ao longo de nossa trajetória profissional, entretanto, é cultural negar aos profissionais da saúde a possibilidade dessa ocorrência. Para a Organização Mundial da Saúde OMS, “erro é a falha na execução de uma ação planejada de acordo com o deseja ou o desenvolvimento incorreto de um plano.” Por definição, existem dois tipos de erros na saúde, o erro latente (diretamente ligados a gestão e aqueles evitáveis), e o erro ativo (participação direta ligada ao atendimento do paciente). A Organização Mundial da Saúde vem chamando a atenção para cuidados e qualidade em segurança do paciente durante o período de internação, por meio de comprovações cientificas, desenvolvimento e difusões de conhecimento sobre política e melhores práticas na segurança do paciente. Um dos enfoques seria na terapia medicamentosa. Estudos apontam um número elevado de erros no mundo. A administração errônea de medicamentos pode causar danos aos pacientes, além de consequências econômicas à instituição de saúde. Em 2002, o Ministério da Saúde, juntamente com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) implementaram o Projeto Sentinela, capaz de gerenciar riscos nas instituições hospitalares, com objetivo de criar uma rede em todo o país de notificações e eventos adversos e queixas técnicas de produtos da saúde, vinculadas a todos os hospitais credenciados pela ANVISA. 14 O Gerenciamento de erros tem por objetivo garantir que o paciente não seja afetado pelo erro ocorrido. É um processo necessário e indispensável na minimização e prevenção de erros. Deficiências em gerenciar planejamentos, organização e controle de processos são fatores ligados às falhas sistêmicas. A importância em identificar pontos críticos na assistência à saúde, estabelecer metas, implementar medidas e tomar providencias imediatas não só reduzem os danos e prejuízos, como qualificam o serviço prestados. Fatores como: jornadas de trabalho duplas, pressão de atendimento e sobrecarga de trabalho aumentam as possibilidades de um profissional da saúde cometer erros. Mesmo tendo como base que “errar é humano” e sabendo que é impossível eliminar os erros, uma boa gestão de pessoas reduz essa possibilidade e garante a segurança dos pacientes. Adotar diretrizes, políticas, treinamento e protocolos clínicos, além de uma cultura não punitiva, são algumas estratégias possíveis em contribuir de forma positiva naprevenção e minimização de erros, garantindo a qualidade e segurança dos profissionais. A conscientização do profissional da saúde em conhecer sua importância demonstra ao paciente segurança, responsabilidade, eficiência e eficácia no seu trabalho. NA PRÁTICA Onde podemos observar o profissional da saúde atuando em gestão em saúde? É uma responsabilidade somente do gestor a cultura de segurança e segurança do paciente? Após o conteúdo destas aulas, você poderia definir a importância da Biossegurança e uma eficiente Gestão da Qualidade para segurança de todos os envolvidos no processo, profissional e paciente? FINALIZANDO Vimos nesta aula a importância do setor de Gestão da Qualidade, e de como esse setor é essencial em serviços e assistência em saúde, seja um ambiente hospitalar, ambulatório, clínica, laboratórios, entre outros. Vimos ao longo destas aulas o quão particular é esse segmento, o quanto a falta de 15 procedimentos eficientes e de qualidade ou o mau uso destes afeta a segurança de quem participa deste processo, seja um profissional de saúde realizando suas atividades, o paciente que está sendo assistido, ou até mesmo seu acompanhante. Biossegurança e Qualidade nos serviços de saúde precisam ser eficientes, culturas de segurança devem ser criadas, implantadas e incentivadas diariamente, o erro deve ser visto sempre como uma oportunidade de melhoria, e não somente como alvo de punição. Isso eleva a segurança e eleva a qualidade nos serviços prestados, consequentemente eleva a eficiência e satisfação dos clientes/pacientes. Serviços de saúde com qualidade proporcionam prevenção, reestabelecimento e manutenção da saúde das pessoas. 16 REFERÊNCIAS ANVISA. Apresenta trabalhos sobre o “Projeto Hospitais Sentinelas” e sobre o tema gerenciamento de risco. BONATO, V. L. Gestão de Qualidade em Saúde: melhorando assistência ao cliente. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 5, n. 35, p. 319-331, 2011. CARVALHO, C. O. M. et al. Qualidade em Saúde: Conceitos, Desafios e Perspectivas. JBras Nefrol, v. 26, n. 4, dez. 2004. GALDINO, S. V. et al. Ferramentas de qualidade na gestão dos serviços de saúde: revisão integrativa de literatura. Ver. Gest Saúde, Brasília, v. 7, p. 1023- 1057, jul. 2016. IBSP. As 6 dimensões da qualidade na assistência em saúde. Disponível em . Acesso em: 8 dez. 2020. LIMA, O. H.; DUTRA, E. C. R. O Gerenciamento de Risco na Saúde - Aplicação na Atenção Hospitais. Rev de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, jul./dez. 2010. LUEDY, A. et al. Estratégias para prevenir erros na administração de medicações de alta virulência. Revista Acreditação, v. 1, n. 2, p. 93-110, 2011. MARTINEZ, A. P. Gerenciamento de risco e segurança do paciente: A percepção dos estudantes e profissionais de saúde. 127 f. Dissertação (Mestrado em Educação nas Profissões da Saúde) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde, Sorocaba/SP, 2014. PISCO, L.; BISCAIA, J. L. Qualidade de Cuidados de Saúde Primários. Avaliação da Qualidade. Volume Temático 2, 2001. Conversa inicial Na prática FINALIZANDOfrio, calor, radiações ionizantes e não ionizantes etc. • Riscos químicos: substâncias capazes de penetrar no organismo do trabalhador por contato, ingesta ou vias aéreas em forma de poeira, gás, vapor, fumo, névoa ou neblina oriundas da atividade exercida e exposição a esses produtos ou compostos. 10 Figura 2 – Riscos Fonte: Hokeberg et al., 2006. Estudos apontam que, por maior que seja o avanço tecnológico eficaz em eliminar e minimizar os riscos, ainda ocorre problema no comportamento inadequado dos profissionais. Por isso, faz-se necessário constantes treinamentos e atualizações apropriados sobre os riscos potenciais associados aos trabalhos desenvolvidos. TEMA 4 – ANÁLISE DE RISCO A análise de risco é realizada por meio de um exame detalhado dos perigos identificados com objetivo em descobrir as causas e as possíveis consequências caso os acidentes aconteçam. É uma análise qualitativa, cujo objetivo final é obter medidas que eliminem ou reduzam os riscos. A análise de risco contribui com tomada de decisões mais assertivas em eliminar e ou controlar os riscos inerentes ao profissional da saúde. Ademais, a análise de riscos é dividida em três fases: • Identificação: caracteriza a fonte de risco e mede sua intensidade, frequência e duração. Trabalhadores e suas funções direta e indiretamente ligados a essas atividades devem ser descritas, assim entendemos as atividades que possam levar a um evento indesejável. O domínio da segurança se dá por meio de diversas técnicas, que contribuem para um resultado positivo em reduzir ou eliminar os riscos: reuniões da CIPA, lista de verificações, inspeções de campo, relato, 11 análise e divulgação de acidentes e quase acidente, exames de fluxogramas e análises de tarefas. • Avaliação: avaliamos as prováveis consequências desses riscos para a população estudada. A avaliação de risco quantifica um possível acidente, assim o risco identificado depende da frequência ou probabilidade do evento e suas consequências expressas em danos pessoais, materiais ou financeiro. Entretanto, nem sempre as variáveis são fácies de identificar, por isso, em alguns casos ocorre a análise qualitativa do risco. Desta forma temos dois tipos de avaliação: qualitativa (avaliamos o perigo e não o risco) e quantitativa (avaliada pela categoria de risco, uma estimativa de risco presente). • Administração: definir as ações tomadas para amenizar, controlar e eliminar os danos ocorridos pelo risco. Com identificação, análise e avaliação dos riscos realizadas, podemos tomar as decisões para a eliminação, redução, retenção ou transferência dos riscos detectados nas etapas anteriores. Para um melhor entendimento do assunto, vamos dar um exemplo prático vivenciado em um hospital. Iremos fazer a análise do agente do risco físico radiações ionizantes. • Identificação: as radiações ionizantes são utilizadas em ambiente hospitalar com duas finalidades principais: para a realização de exames diagnósticos, como o raio X, a ressonância magnética e as tomografias. Além disso, são usadas na radioterapia de tumores. Para medir a intensidade e a frequência da exposição à radiação ionizante, os profissionais devem utilizar um equipamento chamado dosímetro durante o seu período de trabalho. Não podemos esquecer que, além dos trabalhadores, os pacientes também são submetidos à radiação e, portanto, estudos devem ser realizados em relação à quantidade máxima segura de radiação que eles podem ser expostos com segurança. • Avaliação: os danos causados pela radiação ionizante podem ser sentidos a médio e longo prazo. Um dos mais frequentes associados à exposição excessiva à radiação é a geração de tumores. Além disso, podem ocorrer alterações nas nossas células germinativas, os gametas, e comprometer a fertilidade do indivíduo. Portanto, os danos causados 12 pela radiação ionizante são muito significativos e podem levar inclusive à morte. • Administração: quais são as ações que devem ser conduzidas para minimizar, controlar e eliminar o risco? São várias, por exemplo, deve-se isolar o lugar onde são conduzidas as atividades com radiação, os profissionais devem utilizar vestimentas específicas de proteção e a medição da exposição deve ser feita constantemente por meio dos dosímetros. Todo ambiente deve ser sinalizado interna e externamente, e o paciente deve receber o mínimo possível de radiação. As manutenções dos equipamentos e o treinamento dos trabalhadores envolvidos devem ser periódicos. A legislação específica sobre esse tema deve ser consultada – Resolução n. 6 de 1988 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 4.1 Análise preliminar do risco (APR) Análise realizada pela Comissão de Acidentes (CIPA), pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SEMT) ou peritos externos. É uma ferramenta de ampla utilização, a análise preliminar pode ser empregada em diversos métodos para listar os riscos. Utilizando planilhas, classificação, recorrência e medidas de controle a APR, antecipa suas discrições e controles envolvendo análise dos materiais utilizados, etapas de serviços e entrevista dos trabalhadores. Faz uso das normas regulamentadoras como levantamento de possíveis riscos e seus danos medida de minimizar ou controlar os riscos. Medidas de correção são empregadas em casos nos quais o agente de risco pode ser totalmente eliminado, como sinalização de segurança ou equipamentos. Exemplo: equipamento de incêndio. Já as medidas de controle se referem a casos nos quais os riscos não podem ser totalmente eliminados, medidas nas quais os riscos ficam dentro do limite de segurança. Exemplo: ruídos. TEMA 5 – GESTÃO DE BIOSSEGURANÇA Por haver diversas questões ligadas ao resultado final eficaz em gestão de biossegurança, faz-se necessário um envolvimento multidisciplinar dos 13 profissionais passando desde a colaboração do paciente, atendimento ao cliente, equipe técnica e gestão geral. Devido à complexidade de envolver a todos e manter atenção e comprometimento com o programa de prevenção e gerenciamento de riscos para o ambiente de trabalho e torná-lo o mais seguro possível, foram desenvolvidas cinco questões principais a serem observadas pela gestão (Anvisa, [S.d.]): • Prevenção: as obrigações legais de legislação de Segurança do Trabalho estão sendo cumpridas? Os funcionários utilizam os equipamentos de proteção individual (EPIs) e estes estão disponíveis em quantidade suficiente? O serviço tem profissional especializado na área de Segurança do Trabalho? O serviço tem brigada contra incêndio? • Organização: projetos de instalação de equipamentos, lista de prestadoras de serviços aos equipamentos e às instalações? A ficha cadastral dos equipamentos, com dados de instalação, manutenção e normas de segurança, está atualizada? • Emergência: os pacientes e acompanhantes são orientados a como agir em casos de emergência? Existem planos de emergência para incêndios, falta de eletricidade e/ou água, inundações? • Treinamento: existem treinamentos periódicos sobre atualizações tecnológicas? Os trabalhadores usam corretamente e de forma segura os equipamentos? • Manutenção: a manutenção preventiva é feita nos equipamentos? Existe uma equipe de manutenção? Normas e resoluções especificas, conhecidas e observadas para um maior controle e redução de danos à saúde do trabalhador e do paciente, geram maior qualidade e efetividade no resultado final em gestão de biossegurança na área da saúde. NA PRÁTICA É possível dizer que a administração e gestão da biossegurança se iniciam na análise de risco? Qual é a importância dessa avaliação em serviços de saúde? Você consegue definir a diferença de perigo e risco e citar exemplos de aplicação das duas definições na mesma situação?14 FINALIZANDO Vimos em nossa aula que biossegurança se aplica a qualquer ramo de atividade, estando presente sempre que for necessário administrar riscos oriundos das atividades profissionais de um trabalhador. Os riscos são classificados de acordo com seus agentes e suas consequências por exposição, e o primeiro passo para garantir um ambiente seguro ao profissional é administrar os mesmos através da gestão da biossegurança. Em serviços de saúde, existem particularidades, visto que esses ambientes possuem em sua maioria os cinco tipos de riscos e um elevado risco biológico, o que o torna um ambiente insalubre. Por esse motivo, existe uma NR específica, a NR 32, sobre segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde. 15 REFERÊNCIAS ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Manual de segurança no ambiente hospitalar. [S.d.]. Disponível em: . Acesso em: 8 dez. 2020. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria 3214, de 08 de junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras, NR, do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 jun. 1978. _____. Ministério da Saúde. Biossegurança em Saúde: Prioridades e Estratégias de Ação. Brasília, 2010. _____. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.616, 12 de maio de 1998. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 maio 1998. LABORATÓRIO DE MICOBACTÉRIAS (UFC). [S.d.]. Disponível em: . Acesso em: 8 dez. 2020. BIOSSEGURANÇA E QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE AULA 2 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Estudamos anteriormente o papel da gestão de biossegurança na garantia de um ambiente de trabalho seguro, mesmo com todos os riscos ainda presentes. Afinal, existem situações, materiais e equipamentos capazes de minimizar a probabilidade de acidentes ou doenças ocupacionais, causados pela exposição do trabalhador a determinado agente, ainda que não seja possível eliminar o risco. Entendemos, assim, que é preciso administrar e gerenciar os riscos da melhor forma. Ao longo do processo de gerenciamento e administração, é preciso trabalhar com prevenção, planejamento e criação de barreiras. Também é essencial contar com a atuação de órgãos ligados à saúde do trabalhador, em especial o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) e o Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), além de programas e processos relacionados, a exemplo de certas ferramentas em gestão de biossegurança, como PPRA (Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais), PCMSO (Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais) e mapas de risco. TEMA 1 – SESMT No Brasil, há diversos órgãos relacionados com a saúde do trabalhador. A NR 4, do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), estabelece critérios para a organização do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). A NR 4 tem a finalidade de reduzir os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais, exigindo que os SESMT sejam compostos pelos seguintes profissionais especializados em segurança do trabalho: médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem do trabalho. Algumas empresas contam também com o profissional fisioterapeuta do trabalho, ainda que não haja obrigatoriedade legal para tanto, conforme a OHSAS/ISO 45001. Profissionais do SESMT podem ser contratados da empresa ou terceirizados, quando a empresa contrata o serviço de uma empresa de medicina ocupacional. A quantidade de profissionais participantes do SESMT, segundo exigência da NR 4, muda de acordo com o número de trabalhadores da empresa 3 e com o risco da atividade (conforme o CNAE – Código Nacional de Atividade Econômica). No caso dos hospitais, o grau de risco é 3, definido pelo Quadro I da NR 4. A quantidade de membros em uma instituição de grau 3 será proporcional ao número de empregados, como podemos ver a seguir. Tabela 1 – Dimensionamento dos SESMT em serviços de saúde Conforme diretrizes da NR 4, as atividades do SESMT devem ter como princípio básico o trabalho com prevenção, antecipando-se às situações de risco. O grupo de profissionais especializados em segurança do trabalho que compõe esse núcleo deve, a fim de reduzir e sempre que possível eliminar os riscos à saúde dos trabalhadores, garantir a aplicação eficaz de conhecimentos técnicos de engenharia de segurança e medicina ocupacional. De certa forma, o ponto de partida para o gerenciamento é a análise de riscos. Outra tarefa básica de extrema importância é orientar os trabalhadores quanto ao uso de EPIs (Equipamento de Proteção Individual) e quanto a registro correto e adequado de acidentes de trabalho. O SESMT tem o objetivo de proteger a integridade física dos trabalhadores, à medida em que previne acidentes ocupacionais. Para isso, é preciso trabalhar com todos os trabalhadores o tema da segurança do trabalho, 4 por meio de alertas, informativos, instruções de trabalho, treinamentos e palestras sobre o surgimento de novas doenças ocupacionais e sobre riscos relacionados à atividade profissional, incluindo formas de evitar um acidente, desde pequenos incidentes a acidentes de grandes proporções. Ainda é preciso instruir os trabalhadores sobre a primeira assistência no caso de um acidente, e também sobre sinais e sintomas comuns de uma doença ocupacional. O SESMT deve ser ativo, comprometido e organizado, e não somente atender à legislação, sem preocupar-se com efeitos práticos – ou seja, promovendo procedimentos que não condizem com a realidade. Para uma maior efetividade das ações de incentivo à prevenção de acidentes do trabalho, é preciso criar, implantar e incentivar uma cultura de segurança, para a qual é imprescindível o envolvimento de todos. O SESMT deverá manter uma relação próxima com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). TEMA 2 – CIPA A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar o trabalho compatível, permanentemente, com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador (Prodam, 2021). Devem possuir Cipa as empresas, de direito público ou privado, instituições beneficentes, sociedades de economia mista, enfim, todos os locais que tiverem trabalhadores (Prodam, 2021) A Cipa será composta por representantes do empregador e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no Quadro I da NR 5, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos normativos para setores econômicos específicos. Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes, serão por eles designados. Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão eleitos em escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de filiação sindical, exclusivamente os empregados interessados (Prodam, 2021). Na tabela a seguir, vemos quantos funcionários devem fazer parte da comissão de acordo com a quantidade de colaboradores da empresa. 5 Tabela 2 – Dimensionamento dos SESMT em serviços de saúde Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. O mandato dos membros eleitos da Cipa é de um ano, podendo haver reeleição. O trabalhador cipeiro ganha estabilidade de um ano, sendo vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa, segundo o disposto no art. 5.8 da NR 5. É também vedada aos membros da Cipa a “descaracterização das atividades normais da empresa”, como transferência para outro estabelecimento sem sua anuência. Segundo a NR 5,as atribuições da Cipa são (Brasil, 1978): a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver; b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho; c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho; d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas; f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho; g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente 6 e processo de trabalho relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores; h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores; i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à segurança e saúde no trabalho; 3 l) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador, da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados; m) requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que tenham interferido na segurança e saúde dos trabalhadores; n) requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas; o) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT; p) participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas de Prevenção da AIDS. TEMA 3 – MAPA DE RISCO Representado por meio de gráficos de riscos possíveis e existentes no ambiente de trabalho, desenvolvido com base em estudos das condições de trabalho e em ações do trabalhador. O mapa de risco foi regulamentado no Brasil em 17 de agosto de 1992, pela Portaria n. 5 do Ministério do Trabalho e Emprego. Cabe à Cipa, em ação conjunta com o SESMT, a responsabilidade pela elaboração do mapa de risco, que estabelece situações de segurança e saúde no ambiente de trabalho. Elaborado com base na planta baixa do local de trabalho, esse mapa deverá ser colocado em um local de fácil visualização pelos trabalhadores. Também deverá ser atualizado sempre que necessário, sendo adaptado de acordo com mudanças que possam levar a riscos no ambiente de trabalho. O trabalhador deverá ser informado sempre que houver necessidade de uma ação mais cautelosa em relação aos perigos identificados no mapa, com vistas a diminuir ou anular os acidentes de trabalho. Trata-se, assim, de uma ferramenta básica de segurança do trabalho, que beneficia todos os trabalhadores envolvidos, a empresa e o país. Da perspectiva do trabalhador, o mapa fornece dados importantes sobre os riscos aos quais se expõe em sua jornada, o que reforça a importância do uso dos equipamentos de proteção, por exemplo. Os protocolos aumentam a segurança, pois protegem aspectos fundamentais, como vida, saúde e capacidade vida ativa profissional. 7 Da perspectiva do empregador, mais do que cumprir disposições legais, essa ferramenta informa os riscos aos quais seus colaboradores estão expostos, e assim é possível diminuir faltas por adoecimento, reduzir custos e aumentar a qualidade e a produtividade. Da perspectiva do país, o mapa ajuda na redução de gastos previdenciários com afastamentos e aposentadorias por invalidez. 3.1 Agentes de risco e suas cores Quadro 1 – Grupos de riscos Fonte: https://www.prometalepis.com.br/ 8 3.2 Elaboração do mapa de risco Com diferentes cores e tamanhos, os riscos são desenhados no mapa. Cada setor da empresa tem um mapa separado com análise e detalhamento completo do espaço, colocado no local correspondente. Classificados por tamanhos, os círculos determinam o grau de risco, que pode ser pequeno, médio ou grande. Figura 1 – Mapa de risco Fonte: Saúde Ocupacional Brasil, [S.d.]. Quando há mais de um risco possível no mesmo local, basta identificar um na cor adequada e isso será o suficiente. No entanto, também é possível identificar até cinco riscos diferentes em um ponto, representado por um círculo dividido em critério de incidência. Figura 2 – Riscos do ambiente de trabalho Fonte: Prometal, [S.d.]. 9 3.3 Estrutura do mapa A Cipa conta com a participação e orientação da SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) para a elaboração do mapa. Ouve os trabalhadores como forma de estimular a participação na prevenção dos acidentes, contribuindo com informações, por exemplo, os riscos a que são expostos os trabalhadores durante a jornada. Vejamos algumas etapas para a elaboração do mapa pertencentes, com destaque para a troca de informações entre os trabalhadores (Brasil, 1978): a) conhecer o processo de trabalho no local analisado: os trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de segurança e saúde, jornada; os instrumentos e materiais de trabalho; as atividades exercidas; o ambiente. b) identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a classificação da tabela mostrada anteriormente; c) identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia: medidas de proteção coletiva; medidas de organização do trabalho; medidas de proteção individual; medidas de higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório, área de lazer. d) identificar os indicadores de saúde: queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos; acidentes de trabalho ocorridos; doenças profissionais diagnosticadas; causas mais frequentes de ausência ao trabalho. e) conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local; f) elaborar o Mapa de Riscos, sobre o layout da empresa, indicando através de círculo: o grupo a que pertence o risco [...]; o número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado dentro do círculo; a especificação do agente (por exemplo: químico – sílica, hexano, ácido clorídrico; ou ergonômico-repetitividade, ritmo excessivo) que deve ser anotada também dentro do círculo; a intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos. TEMA 4 – PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO) O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) estão previstos na legislação do Ministério do Trabalho e Emprego. Todas as regras da implantação e obrigatoriedade do PCMSO estão descritas na Norma Regulamentadora n. 7 da Portaria n. 3.274/1978. A função dessa norma é promover a saúde dos trabalhadores de todas as empresas. 10 Mais do que prevenir e diagnosticar de forma precoce as doenças ocupacionais, o PCMSO deve identificar e acompanhar também as patologias em estágios mais avançados. O PCMSO deverá ser formulado com base nos riscos específicos de cada ambiente de trabalho. Por exemplo, em um serviço de saúde, no qual encontraremos profissionais expostos a riscos biológicos, associados ou não a acidentes com perfurocortantes, é preciso, no momento da realização de examesperiódicos (além do exame clínico), realizar exames laboratoriais para detecção de possível contaminação por vírus da hepatite B, C, HIV e sífilis. Outro exemplo: trabalhadores expostos a riscos físicos, como ruídos (que devem ser controlados com a medição de decibéis), deverão fazer como exame complementar uma audiometria, para monitorização de condição auditiva. O responsável pela elaboração do PCMSO e pela emissão do laudo é um médico do trabalho. Cada ambiente de trabalho tem suas características próprias, de modo que devem apresentar seus próprios documentos de segurança do trabalho. Portanto, mesmo que diferentes ambientes da empresa tenham atividades semelhantes, pode haver riscos diferentes, havendo a necessidade de uma mesma empresa apresentar PCMSO específico para cada unidade. 4.1 Exames do PCMSO Para definir quais exames de saúde ocupacional serão necessários, é fundamental conhecer o ambiente, os riscos e as atividades do trabalhador, o que é possível através do PPRA. Independentemente do fato de serem exigidos por lei ou de serem necessários como exames complementares, são ferramentas de extrema importância para proteger a integridade física dos trabalhadores. Vejamos os exames do PCMSO obrigatórios nas empresas (Morsch, 2018): • Admissional (ASO): esse exame é realizado antes que o trabalhador inicie as suas atividades na empresa. Tem como objetivo relatar seu estado de saúde e a sua aptidão ao trabalho, sendo também uma ferramenta para diagnóstico de outras patologias. O médico do trabalho poderá incluir ações mais efetivas no programa de controle médico e saúde ocupacional, que preservem o estado geral de saúde ou, pelo menos, não 11 agravem a doença. Ainda, o exame admissional deve ser o marco zero que serve como parâmetro para condutas e controles médicos posteriores, permitindo uma comparação com as condições gerais iniciais de saúde. O ASO deve incluir entrevista com o trabalhador (anamnese ocupacional) e testes físicos e mentais para avaliar as condições gerais de saúde do colaborador. • Periódico: os exames periódicos, realizados da mesma forma que nos exames admissionais, servem para rastrear e acompanhar doenças ocupacionais. Acontecem de acordo com as funções específicas do trabalhador e os riscos a que está exposto, em geral a cada 12 meses. • Retorno ao trabalho: a NR-07 orienta que funcionários afastados por mais de 30 dias consecutivos sejam examinados antes de retornar às atividades profissionais, não importando a causa do afastamento. Esse exame tem o objetivo de atestar se o funcionário está realmente em condições de reassumir o posto. Também pode constatar agravos à saúde não relacionados ao trabalho. • Mudança de função: quando um trabalhador é promovido ou transferido para outro departamento, é provável que se sujeite a novos riscos ocupacionais. Nesses casos, a legislação prevê que seja examinado antes da mudança de função. • Demissional: quando há o desligamento do colaborador, independentemente do motivo, ele deve ser avaliado. O exame demissional engloba entrevista, exame físico e mental. Se o exame evidenciar alterações que sugerem agravos à saúde do colaborador, a empresa contratante deverá pagar indenização determinada pela Justiça. O médico do trabalho precisa conhecer bem a atividade profissional do colaborador, para indicar, além dos exames básicos mencionados, quais exames complementares previstos na legislação trabalhista são necessários. Essa situação é necessária em algumas funções, em que o colaborador está exposto a riscos específicos. Vejamos alguns exemplos de exames complementares: • Audiometria; • Espirometria; • Radiografia; https://telemedicinamorsch.com.br/blog/doencas-ocupacionais https://telemedicinamorsch.com.br/blog/doencas-ocupacionais 12 • Eletrocardiogramas; • Eletroencefalogramas; • Acuidade visual; • Exames laboratoriais. Dados coletados durante a análise de risco do ambiente fornecem as informações necessárias para a elaboração do PCMSO, feita pelo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Os programas de saúde trabalham em sintonia para garantir um ambiente de trabalho seguro. Para isso, o primeiro passo é a elaboração do PPRA. TEMA 5 – PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) Em qualquer empresa, a elaboração e a implantação do PPRA são processos obrigatórios, independentemente do número de funcionários ou do grau de risco das atividades. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), segundo definição constante na NR n. 9: visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. (Brasil, 1978) O PPRA é constituído por diversas etapas. Deve sempre buscar prevenir, reduzir ou eliminar os diferentes tipos de riscos constantes no ambiente de trabalho. A responsabilidade de elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do PPRA é normalmente delegada ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). No entanto, no item 9.3.1.1 da NR 9, fica claro que qualquer pessoa ou equipe indicada pelo empregador pode fazê-lo. Em seu item 9.2, a NR 9 apresenta determinações para a elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, que deve conter, no mínimo, a seguinte estrutura (Brasil, 1978): a) planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; b) estratégia e metodologia de ação; c) forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; d) periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. [...] Deverá ser efetuada, sempre que necessário e pelo menos uma vez ao ano, uma análise global do PPRA para avaliação do seu 13 desenvolvimento e realização dos ajustes necessários e estabelecimento de novas metas e prioridades. [...] deverá estar descrito num documento-base, contendo todos os aspectos estruturais [com suas alterações e ficar disponível para acesso imediato às autoridades competentes se solicitado]. [...] o cronograma [...] deverá indicar claramente os prazos para o desenvolvimento das etapas e cumprimento das metas estabelecidas do PPRA. Quanto a seu desenvolvimento, a NR 9 preconiza que o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deverá incluir as seguintes etapas: a) antecipação e reconhecimentos dos riscos; b) estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; c) avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; d) implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia; e) monitoramento da exposição aos riscos; f) registro e divulgação dos dados. [...] O reconhecimento dos riscos ambientais deverá conter os seguintes itens, quando aplicáveis: a) A sua identificação; b) A determinação e localização das possíveis fontes geradoras; c) A identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho; d) A identificação das funções e determinação do número de trabalhadores expostos; e) A caracterização das atividades e do tipo da exposição; f) A obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível comprometimento da saúde decorrente do trabalho; g) Os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados, disponíveis na literatura técnica; h) a descrição das medidas de controle já existentes. A principal diferença entre os dois programas é que o PCMSO busca a proteção da saúde do trabalhador, enquanto o PPRA, além disso, tem como função a manutenção dos recursos ambientais e a proteção do meio ambiente. NA PRÁTICA É possível eliminar todos os riscos? Quais medidas devem ser tomadas para isso? Qual a importância da atuação dos órgãos relacionadosà saúde do trabalhador? FINALIZANDO Vimos em nossa aula que, quando tratamos de biossegurança, é preciso sempre trabalhar com antecipação, atuando de forma preventiva. Os acidentes e/ou doenças ocupacionais podem ter sequelas irreversíveis, daí a necessidade de medidas que antecipem os riscos. Assim, os empregadores têm o dever de seguir o que é preconizado pelas NRs e pelos programas de saúde ocupacional, garantindo até mesmo que ambientes insalubres sejam seguros aos trabalhadores. Nesse sentido, é sempre importante garantir a adesão dos 14 empregados às medidas propostas, com conscientização de seus direitos e de seus deveres ligados ao quesito segurança. 15 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n. 3.214, de 8 de junho de 1978. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 jul. 1978. PRODAM. A CIPA: comissão interna de prevenção de acidentes. 2021. Disponível em: . Acesso em: 3 jan. 2021. MORSCH, J. A. Exames PCMSO. Telemedicina Morsch, 26 nov. 2018. Disponível em: . Acesso em: 3 jan. 2021. BIOSSEGURANÇA E QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE AULA 3 Prof.ª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Para gerenciar e administrar os riscos ocupacionais, a biossegurança conta com o auxílio de ferramentas. Nesta aula, veremos a importância de umas das principais ferramentas relacionadas à segurança do trabalhador, os equipamentos de proteção individual e coletivo. A área de saúde tem suas particularidades devido a ter presente, nos diversos serviços de assistência em saúde, os cinco agentes de riscos: físico, químico, biológico, mecânico ou de acidente e ergonômico. Dessa forma, é essencial conhecer e aplicar o que a NR 32 preconiza, principalmente no que diz respeito aos riscos biológicos e níveis de biossegurança necessários frente à manipulação desses agentes. Também exigem cuidados os riscos químicos, procedimentos de limpeza e desinfeção, descarte dos resíduos e perfurocortantes, pois estes, além de oferecer riscos ao trabalhador, oferecem riscos a quem manipula esse tipo de resíduo e/ou material e prejuízos ao meio ambiente. TEMA 1 – EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI Conforme a Norma Regulamentadora NR 6, Portaria n. 3.214 do Ministério do Trabalho, 08/06/1978, essas medidas devem gerar melhorias na qualidade da assistência e diminuição de acidentes nas atividades que envolvam risco biológico. É necessário adotar Normas de Biossegurança associadas aos EPIs, e estas, com atualização e treinamento adequados, terão resultados satisfatórios. Com a evolução da ciência, a descoberta de várias doenças infecciosas e seus mecanismos de infecção, as medidas preventivas de transmissão entre pacientes têm sido amplamente pesquisadas, porém, com o passar dos anos, a transmissão de infecção entre profissionais da saúde vem subindo devido aos acidentes ocupacionais, fato que mostra o descuidado dos profissionais da saúde em fazer uso de forma correta das medidas de proteção individual e coletiva, as quais apresentam eficácia comprovada. Um dispositivo de uso individual tem objetivo de proteger o trabalhador contra prováveis danos à saúde e integridade física durante suas atividades, como forma de proteção ao entrar em contato com agentes infecciosos, material perfurocortante infectado, substâncias toxicas entre outros. 3 É de suma importância que o profissional da saúde utilize os EPI de forma correta, sendo um direito do profissional ter a sua disposição em quantidade suficiente para o trabalho, sendo matérias descartáveis ou não. Além do mais, é obrigação da empresa fornecer e garantir a reposição de forma imediata dos equipamentos de proteção. Segundo o MET, todos os equipamentos de proteção individual só poderão ser comercializados ou utilizados com Certificação de Aprovação (CA), expedido pelo MET. Podemos exemplificá-los como: • Proteção da cabeça: capacete de segurança contra impactos provenientes de queda ou projeção de objetos; protetores de cabeça impermeáveis e resistentes nos trabalhos com produtos químicos. • Proteção dos olhos e da face: protetores faciais destinados à proteção contra lesões ocasionadas por partículas, respingos, vapores de produtos químicos e radiações luminosas intensas; óculos de segurança para trabalhos que possam causar ferimentos provenientes do impacto de partículas, ou de objetos pontiagudos ou cortantes; óculos de segurança contra respingos para trabalhos 9 que possam causar irritação e outras lesões decorrentes da ação de líquidos agressivos. • Proteção auditiva: protetores auriculares nas atividades em que o ruído seja excessivo. • Proteção das vias respiratórias: respiradores com filtros mecânicos para trabalhos que impliquem produção de poeira; respiradores e máscaras de filtro químico para trabalhos com produtos químicos; respiradores e máscaras de filtros combinados (químicos e mecânicos) para atividades em que haja emanação de gases e poeiras tóxicas; aparelhos de isolamento, autônomos ou de adução de ar, para locais de trabalho onde o teor de oxigênio (O2) seja inferior a 18% (dezoito por cento) em volume. • Proteção dos membros superiores: luvas e/ou mangas de proteção nas atividades em que haja perigo de lesões provocadas por a) materiais ou objetos escoriastes, abrasivos, cortantes ou perfurantes; b) produtos químicos tóxicos, alergênicos, corrosivos, cáusticos, solventes orgânicos e derivados de petróleo; c) materiais ou objetos aquecidos; d) operações com equipamentos elétricos; e) tratos com animais, suas vísceras e detritos e na possibilidade de transmissão de doenças decorrentes de produtos infecciosos ou parasitários; f) picadas de animais peçonhentos. 4 • Proteção dos membros inferiores: botas impermeáveis e com estrias no solado para trabalhos em terrenos úmidos; botas com biqueira reforçada para trabalhos em que haja perigo de queda de materiais e objetos pesados; perneiras em atividades nas quais haja perigo de lesões provocadas por materiais ou objetos cortantes, escoriastes ou perfurantes; calçados impermeáveis e resistentes em trabalhos com produtos químicos; calçados de couro para as demais atividades. • Proteção do tronco: Aventais, jaquetas, capas e outros para proteção nos trabalhos em que haja perigo de lesões provocadas por: a) riscos de origem térmica; b) riscos de origem mecânica; c) riscos de origem meteorológica; d) produtos químicos. • Proteção contra quedas com diferença de nível: Cintas e correias de segurança. 1.1 Equipamento de Proteção Coletiva – EPC Os equipamentos de proteção coletiva EPC têm por objetivo proteger e manter a segurança de um grupo de trabalhadores; são de utilização prioritária, dispositivos que preservam a integridade física contra os riscos do ambiente laboral. Melhora as condições de trabalho, reduz acidentes de trabalho e menor custo a longo prazo. São exemplos de EPC: • Enclausuramento acústico de fontes de ruído; • Ventilação dos locais de trabalho; • Chuveiros e lava olhos de emergência; • Alarme contra incêndio; • Proteção de partes móveis de máquinas e equipamentos; • Sinalização de segurança, corrimões de escadas; • Cabine de segurança biológica; • Capelas químicas; • Extintores de incêndio; • Exaustores para gases, névoas e vapores contaminantes; • Sensores em máquinas; • Barreiras de proteção em máquinas e em situações de risco • Corrimão e guarda-corpos; • Fitas sinalizadoras e antiderrapantes em degraus de escada;5 • Piso antiderrapante; • Barreiras de proteção contra luminosidade e radiação; • Cabines para pintura; • Redes de proteção; • Isolamento de áreas de risco; • Sinalizadores de segurança (como placas e cartazes de 8 advertência, ou fitas zebradas); • Detectores de tensão; • Chuveiros de segurança; • Chuveiro lava olhos; • Kit de primeiros socorros. Conforme a Norma Regulamentadora NR6, Portaria n. 3.214 no Ministério do Trabalho, 08/06/1978, essas medidas devem gerar melhorias na qualidade da assistência e diminuição de acidentes nas atividades que envolvam risco biológico. Importante reforçar as constantes atualizações dos profissionais aos conceitos, legislação e normativas de biossegurança a fim de diminuir cada vez mais as infecções cruzadas decorrentes dos acidentes de trabalhos nos serviços da saúde. Normas de Biossegurança associadas aos EPIs terão resultados satisfatórios. TEMA 2 – SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – NR 32 Desde a década de 80, podemos considerar a classe de profissionais da área da saúde uma categoria de alto risco em acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Expostos a quase todos os riscos ocupacionais: físico, químico, ergonômico e biológicos, o qual merece um destaque maior. O Ministério da Saúde publicou em 2004, na Portaria n. 777, referente à Notificação Compulsória e Agravos a Saúde do Trabalhador relacionados a doenças e acidentes ocupacionais. E em 2005, o Ministério do Trabalho e Emprego publica a NR 32, Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde, estabelecendo diretrizes e implementação de medidas de proteção. “É importante ressaltar também que, segundo a NR 32, “entende-se por serviços de saúde qualquer edificação destinada à prestação de 6 assistência à saúde da população, e todas as ações de promoção, recuperação, assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade”. 2.1 Risco biológico Intensamente encontrado no ambiente hospitalar e serviços de saúde, o risco biológico é definido pela fonte do material, natureza da operação ou experimento a ser realizado e suas condições de realização. Normas e classificações existentes para patógenos conhecidos estabelecem condições adequadas ao seu manuseio, porém, sempre que apresentar novos riscos ou ineficácia, novas técnicas de segurança devem ser adotadas com o auxílio do SESMT e profissionais da área. Um dos setores com maior risco biológico é o laboratório de análises clínicas, o qual apresenta maior quantidade de agentes biológicos. Como forma de prevenir contaminação acidental por riscos biológicos, algumas orientações devem ser observadas: utilizar adequadamente os EPIs, cuidados como levar as mãos a boca e olhos, não comer na área restrita, cobrir cortes e ferimentos que tenha no corpo antes do início das atividades, cuidar com a centrifugação, manuseio e manipulação correta. Geladeiras e freezer devem ser manuseados com cuidado e a limpeza e degelo deve ser feita regularmente. Atenção a ampolas e materiais quebrados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) lembra que a maior responsabilidade sobre o controle de agentes perigosos é do profissional que entende o risco e conhece os mecanismos de controle. Não adianta colocar a luva e abrir uma porta, por exemplo, se outros irão tocar na maçaneta sem a proteção da luva. Atuantes em ambientes com diversos agentes biológicos e contato com pacientes favorecem a contaminação cruzada. Todos os profissionais envolvidos em atividades com alguma ameaça biológica ou química necessitam de atenção em ver e apontar os problemas. De acordo com a NR 32, Risco Biológico a probabilidade da exposição ocupacional a agentes biológicos, agentes biológicos são os microrganismos geneticamente modificados ou não, culturas celulares, parasitas, prótons e toxinas. A NR 32 classifica os agentes biológicos como: Classe de risco 1: baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade, com baixa probabilidade de causar doença ao ser humano. Classe de risco 2: risco individual moderado para o trabalhador e com baixa probabilidade de disseminação para a 7 coletividade. Podem causar doenças ao ser humano, para as quais existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Classe de risco 3: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças e infecções graves ao ser humano, para as quais nem sempre existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Classe de risco 4: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade elevada de disseminação para a coletividade. Apresenta grande poder de transmissibilidade de um indivíduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser humano, para as quais não existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Com a classificação de risco desse agente biológico se obtém o nível de biossegurança necessário, ou seja, as medidas de contenção necessárias frente à manipulação desses microrganismos em laboratório: • NB-1 – indicado ao trabalho que envolva agente com menor grau de risco (Classe de Risco I) para profissionais do laboratório e para o meio ambiente; • NB-2 – indicado ao trabalho que envolva agentes de risco moderado para os profissionais e para o meio ambiente, em geral agentes causadores de doenças infecciosas (Classe de Risco II); • NB-3 – indicado ao trabalho com micro-organismos de elevado risco infeccioso (Classe de Risco III) podendo causar doenças sistêmicas sérias e potencialmente letais como Mycobacterium tuberculosis, Coxiella burnetti e Brucella spp., entre outros. • NB-4 – representa o nível máximo de segurança. É adequado ao manuseio de agentes infecciosos que possuem alto risco de infecção individual e de transmissão pelo ar. Essas medidas de contenção variam de utilização de EPIs, limpeza e desinfecção de bancadas e superfícies, a utilização de autoclave para descontaminar resíduos antes do descarte, utilização de cabines de segurança e acessos controlados das dependências. A NR 7, Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), NR 9, Programa de Prevenção Dos Riscos Ambientais (PPRA) e a NR 32, Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde, são complementares e juntas formam um conjunto de estratégias e disposições legais para a promoção da saúde dos trabalhadores. A NR 32 classifica nas classes de risco 2, 3 e 4, cinco agentes biológicos, incluindo microrganismos e parasitas complementando à NR 9. 8 32.2.2.1 O PPRA, além do previsto na NR-09, na fase de reconhecimento, deve conter: I. Identificação dos riscos biológicos mais prováveis, em função da localização geográfica e da característica do serviço de saúde e seus setores, considerando: a) fontes de exposição e reservatórios; b) vias de transmissão e de entrada; c) transmissibilidade, patogenicidade e virulência do agente; d) persistência do agente biológico no ambiente; e) estudos epidemiológicos ou dados estatísticos; f) outras informações científicas. II. Avaliação do local de trabalho e do trabalhador, considerando: a) a finalidade e descrição do local de trabalho; b) a organização e procedimentos de trabalho; c) a possibilidade de exposição; d) a descrição das atividades e funções de cada local de trabalho; e) as medidas preventivas aplicáveis e seu acompanhamento. 32.2.2.2 O PPRA deve ser reavaliado 01 (uma) vez ao ano e: a) sempre que se produza uma mudança nas condições de trabalho, que possa alterar a exposição aos agentes biológicos; b) quando a análise dos acidentes e incidentes assim o determinar. 32.2.2.3 Os documentos que compõem o PPRA deverão estar disponíveis aos trabalhadores. Complementando o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional PCMSO, NR 7: O reconhecimento e a avaliação dos riscos biológicos; b) a localização das áreas de riscosegundo os parâmetros do item 32.2.2; c) a relação contendo a identificação nominal dos trabalhadores, sua função, o local em que desempenham suas atividades e o risco a que estão expostos; d) a vigilância médica dos trabalhadores potencialmente expostos; e) o programa de vacinação. Alguns profissionais da saúde relaxam em seus cuidados com a própria segurança, até mesmo por não terem sido infectados, no entanto, é importante lembrar que o profissional deve ter plena consciência da segurança em seu local de trabalho e lembrar que acidentes acontecem em qualquer ambiente, porém, nesse caso, as consequências podem ser mais sérias à saúde. TEMA 3 – RADIAÇÃO IONIZANTE / RISCO QUÍMICO / RESÍDUOS 3.1 Radiação Ionizante Normativas específicas elaboradas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Ministério da Saúde envolvem as atividades relacionadas a Radiações Ionizantes. A NR32 afirma: “é obrigatório manter no local de trabalho e à disposição da inspeção do trabalho o Plano de Proteção Radiológica - PPR, aprovado pela CNEN, e para os serviços de radiodiagnóstico aprovado pela Vigilância Sanitária”. 9 Produzidas por onda eletromagnética, extraem elétrons da matéria, incidindo sob esta, produzindo íons, partículas alfa, beta, neutra e raios x são exemplos de radiação ionizante. O avanço da física nuclear possibilitou o controle das doses, pois a radiação ionizante é muito utilizada em diagnósticos clínicos e tratamentos como Radioterapia. A radiação ionizante tem por consequência efeitos biológicos divididos em dois grupos: • Efeitos hereditários: são aqueles que produzem lesões na célula germinativa da pessoa irradiada, as quais podem ser transmitidas aos seus descendentes. • Efeitos somáticos: produz lesão na célula do indivíduo que foi irradiado, no entanto, essas lesões não são transmitidas hereditariamente. O risco da radiação ionizante está relacionado às áreas de radioterapia e radiodiagnóstico, risco também acometido em áreas de diagnóstico de imagem em tempo real. Seu material líquido que entrar em contato com os isótopos deverá ser descartado junto ao lixo radioativo. A exposição prolongada à radiação ionizante pode encurtar a expectativa de vida. É importante lembrar dos profissionais expostos a essa radiação. Nenhuma pessoa além do paciente deverá ficar na sala; o operador deverá usar um avental de proteção e um protetor de tireoide, óculos e luvas apropriados em casos em que o operador não conseguir ficar mais afastado do paciente. A radioproteção assegura os níveis de radiação no ambiente de trabalho aceitável ou isentos, a proteção do profissional à sua descendência e à humanidade, diminuindo a probabilidade de riscos à saúde dos profissionais. Seus principais métodos consistem em: aumentar a distância entre a fonte de radiação, diminuir o tempo de exposição, utilização de blindagem da fonte com um material protetor. 3.2 Risco químico Produtos químico são utilizados em diversas áreas e finalidades em serviços de saúde. Em soluções medicamentosas (ex.: quimioterápicos), agentes de limpeza, esterilização, desinfeção, manutenção de equipamentos entre outros. 10 Os agentes químicos que podem trazer riscos à saúde do trabalhador da área de saúde são principalmente os medicamentos e drogas de risco, quimioterápicos e produtos químicos. A própria NR 32 traz a definição de medicamentos e drogas de risco: “são aquelas que podem causar genotoxicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e toxicidade séria e seletiva sobre órgãos e sistemas”. • Genotoxicidade: capacidade de causar danos ao material genético do indivíduo; • Carcinogenicidade: capacidade de promover a formação de tumores; • Teratogenicidade: capacidade de alterar a formação do embrião; • Toxicidade seletiva: propriedade do agente químico de causar danos em um órgão específico. A NR 32 orienta que todos os produtos químicos utilizados na área de saúde não devem ser retirados de sua embalagem original, tampouco a reutilização destas. A possibilidade de riscos decorrentes do variado número de produtos químicos deve ser avaliada pelo SESMT, o qual, por meio de uma ficha de segurança de cada produto, tem o controle dos produtos químicos que entram no ambiente hospitalar. Dessa forma, os profissionais da área de segurança terão conhecimento de todos os produtos químicos e seus riscos, possibilitando medidas adequadas como forma de educar e treinar o trabalhador para suas atividades necessário ao serviço. A CIPA e o SESMT devem participar de todas as ações de controle de risco. As avaliações de risco químico aplicadas ao ambiente de trabalho medem a concentração do risco químico, medidas de controle adotadas e sua eficácia, analisando o comportamento físico-químico do produto em relação ao ambiente de trabalho e seus trabalhadores. Medidas desde a recepção, armazenamento, manuseio e descarte do material, deverão ser realizadas por um profissional com conhecimentos dos riscos inerentes de cada produto químico, utilização correta de EPI, exames periódicos e limitação de tempo de exposição à fonte de risco, e sempre atento à limpeza das mãos de acordo com as normas assépticas, cuidado que reduz significativamente a possibilidade de acidentes ocupacionais. 11 3.3 Resíduos A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como resíduos sólidos dos serviços de saúde (RSS) todos os restos gerados em estabelecimentos de saúde, centros de pesquisa e laboratórios. Os RSS apresentam um perfil diversificado e heterogêneo de resíduos, o que demanda uma classificação eficiente para evitar o manuseio inadequado, priorizando a segurança. Os RSS são classificados em função de suas características e consequentes riscos que podem acarretar ao meio ambiente e à saúde. De acordo com a RDC ANVISA 306 de 2004 e Resolução CONAMA 358 de 2005, os RSS são classificados em cinco grupos: A, B, C, D e E. • Grupo A: engloba os componentes com possível presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção. Exemplos: placas e lâminas de laboratório, carcaças, peças anatômicas (membros), tecidos, bolsas transfusionais contendo sangue, dentre outras. • Grupo B: contém substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplos: medicamentos apreendidos, reagentes de laboratório, resíduos contendo metais pesados, dentre outros. • Grupo C: quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN. Exemplos: serviços de medicina nuclear e radioterapia etc. • Grupo D: não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Exemplos: sobras de alimentos e do preparo de alimentos, resíduos das áreas administrativas etc. • Grupo E: materiais perfurocortantes ou escarificantes. Exemplos: lâminas de barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas, espátulas e outros similares. https://www.vgresiduos.com.br/blog/conheca-a-disposicao-correta-de-residuos-de-saude/#http://www.who.int/es/ 12 Todos os lixos/resíduos devem seguir as recomendações contidas no Manual de Normas Assépticas do Ministério da Saúde. Ademais, devem ser separados e levados ao seu destino, ex.: aterro sanitário. Os materiais e fragmentos cortantes, independentemente de estarem ou não contaminados, devem ser recolhidos em embalagens que impeçam ferimentos acidentais, mesmo havendo a recomendação de esterilização