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Londrina 2022 Cidade Ano REINALDO ALVES BARBOSA A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR EM ATLETAS Londrina 2022 A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR EM ATLETAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Pitágoras UNOPAR, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Fisioterapia. Orientadora: Danielle Montini REINALDO ALVES BARBOSA REINALDO ALVES BARBOSA A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR EM ATLETAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Pitágoras UNOPAR, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Fisioterapia. BANCA EXAMINADORA Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) Londrina, dia de mês de 2022 AGRADECIMENTOS Primeiramente, gostaria de agradecer a Deus por me dar forças e me ajudar a superar todas as barreiras e dificuldades que surgiram durante a graduação. Agradeço a minha família por sempre estar comigo me apoiando, me incentivando a não desistir, e também à minha namorada, pela motivação e por sempre acreditar em mim. Agradeço também a todos professores que fizeram parte da minha jornada na graduação e em toda a minha formação, que proporcionaram muitos aprendizados e experiencias. Agradeço aos meus colegas de turma, que fizeram parte dessa caminhada e me proporcionaram uma graduação mais leve e tranquila com diversos momentos especiais, em especial Agatha Rocha, Ana Beatriz M., Daiany Silva, Jeniffer Bueno, Kauane Ribeiro, Luana Pereira, Luiz Barizon e Natalia Toda. “Não atrase seu progresso com medo de fracassar.” Nathiel Hover. BARBOSA, Reinaldo Alves. A atuação da fisioterapia no tratamento da lesão do ligamento cruzado anterior em atletas. 2022. 31 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia) – Universidade Pitágoras Unopar, Londrina, 2022. RESUMO Este trabalho busca apresentar quais os benefícios que a fisioterapia pode alcançar no pós operatório, no pré operatório e na prevenção da lesão do ligamento cruzado anterior em atletas. Tem como objetivo principal, demonstrar os meios de tratamento mais eficazes para o desenvolvimento do atleta, proporcionando a melhor performance para o retorno de suas atividades. O tipo de pesquisa utilizado para realização deste trabalho, será uma revisão da literatura, onde serão utilizados como bases de dados o Google Acadêmico, Scielo, sites e livros publicados nos últimos 15 anos. A articulação do joelho possui uma variedade de funções no corpo humano, sendo a principal, suportar as descargas de pesos. Dentre as estruturas que formam a articulação, está o LCA, que é um importante estabilizador do joelho, e o ligamento que mais sofre lesão nos esportes, como o futebol, basquete e o esqui. Vários estudos comprovam a eficácia da fisioterapia no tratamento da lesão do LCA e também na prevenção. Palavras-chave: Fisioterapia. Lesão. Ligamento cruzado anterior. Tratamento. Atleta. BARBOSA, Reinaldo Alves. The role of physiotherapy in the treatment of anterior cruciate ligament injuries in athletes. 2022. 32 pages. Completion of course work (Graduate in Physiotherapy) – Universidade Pitágoras Unopar, Londrina, 2022. ABSTRACT This work seeks to present the benefits that physiotherapy can achieve in the postoperative period, in the preoperative period and in the prevention of anterior cruciate ligament injury in athletes. With the main objective of demonstrating the most effective means of treatment for the development of the athlete, providing the best performance for the return of your activities. The type of research used to carry out this work will be a literature review, where Google Scholar, Scielo, websites and books published in the last 15 years will be used as databases. The knee joint has a variety of functions in the human body, the main one being to support weight bearing. Among the structures that form the joint is the ACL, which is an important stabilizer of the knee, and the ligament that is most injured. in sports such as football, basketball and skiing. Several studies prove the effectiveness of physical therapy in the treatment of ACL injury and also in prevention. Keywords: Physiotherapy. Lesion. Anterior cruciate ligament. Treatment. Athlete. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Articulações do joelho ............................................................................ 15 Figura 2 – Principais ligamentos do joelho .............................................................. 17 Figura 3 – Meniscos e ligamentos do joelho............................................................ 18 Figura 4 – Músculos da região anterior do joelho .................................................... 19 Figura 5 – Músculos da região posterior do joelho .................................................. 19 Figura 6 – Tensionamento do LCA ......................................................................... 21 Figura 7 – Extensão de quadril e joelho .................................................................. 25 Figura 8 – Ponte sobre bola suíça ........................................................................... 25 Figura 9 – Flexão de quadril e joelho ...................................................................... 26 Figura 10 – Extensão de joelho ............................................................................... 26 Figura 11 – Abdução de quadril com apoio unipodal ............................................... 27 Figura 12 – Flexão de quadril e joelho .................................................................... 27 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS LCA Ligamento cruzado anterior ADM Amplitude de movimento LCT Ligamento colateral tibial LCF Ligamento colateral fibular LCP Ligamento cruzado posterior SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 13 2. A ANATOMIA DO JOELHO .............................................................................. 15 2.1 LIGAMENTOS DO JOELHO ................................................................................................................................ 16 2.2 MENISCOS ........................................................................................................................................................ 17 2.3 PRINCIPAIS MÚSCULOS DA ARTICULAÇÃO DO JOELHO ................................................................................... 18 3. BIOMECANICA, MECANISMOS DE LESÃO DO LCA E INCIDÊNCIA NOS ESPORTES ............................................................................................................... 20 3.1 PRINCIPAIS MECANISMOS DE LESÃO DO LCA................................................................................................... 21 3.2 INCIDENCIA NOS ESPORTES .............................................................................................................................22 4. A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA LESÃO DO LCA ... 23 4.1 REABILITAÇÃO NO PÓS OPERATÓRIO .............................................................................................................. 23 4.2 REABILITAÇÃO NO PRÉ OPERATÓRIO .............................................................................................................. 24 4.3 PREVENÇÃO DA LESÃO DO LCA ....................................................................................................................... 26 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 28 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 30 13 1. INTRODUÇÃO O ligamento cruzado anterior (LCA) é uma estrutura muito importante para a articulação do joelho, responsável pela estabilidade dessa articulação, limitando muitos movimentos, que podem causar uma lesão, o joelho é uma estrutura imprescindível quando relacionado com dissipação, descargas de peso e estabilidade. Tem como uma das principais funções, a sustentação do corpo, o que favorece diversas atividades no cotidiano, como: caminhar, saltar, correr, entre outras. No meio esportivo, a lesão do LCA, acontece com muita frequência, sendo muito importante a atuação da fisioterapia, tanto para tratamento quanto para prevenção desse tipo de lesão, que acomete vários atletas. Em diversos esportes, o joelho é um exemplo de articulação que mais sofrem impacto, seja por conta de descargas de pesos, movimentos com grandes energias para uma arrancada, são exemplos onde o LCA pode ser acometido, devido as suas funções na articulação. Quais são os benefícios que a atuação da fisioterapia pode trazer no tratamento da lesão LCA em atletas? Este trabalho busca apontar quais os tipos de tratamentos, sendo eles, cirúrgico ou conservador, e quais recursos fisioterapêuticos apresentam uma maior eficácia para a evolução do quadro clinico do atleta, e através destes recursos, melhorar a amplitude de movimento (ADM), equilíbrio, trabalhar a força muscular, diminuir o quadro álgico e também evitar lesões recidivas, para assim garantir uma boa recuperação e o retorno deste atleta a uma boa performance. O objetivo principal deste trabalho é identificar quais são os meios de tratamento que a fisioterapia pode oferecer para a lesão do LCA, desde exercícios passivos, exercícios ativos livres, exercícios ativos assistidos, exercícios resistidos, que são meios conservadores, até mesmo no pós cirúrgico e também na prevenção, portanto os objetivos específicos deste trabalho são: apresentar a anatomia e a biomecânica da articulação do joelho e suas estruturas, identificar os principais mecanismos de lesão em cada esporte e qual a maior incidência e apontar como a fisioterapia pode intervir no tratamento da lesão do LCA. O tipo de pesquisa que será utilizada para a realização deste trabalho, será uma revisão de literatura, sobre a atuação da fisioterapia no tratamento da lesão do ligamento cruzado anterior, onde utilizara sites e artigos, utilizando como base de 14 dados o GOOGLE ACADÊMICO, SCIELO, SITES e LIVROS publicados nos últimos 15 anos. 15 2. A ANATOMIA DO JOELHO A articulação do joelho é considerada a maior e mais complexa articulação do corpo humano. É uma articulação do tipo gínglimo, é quando a parte convexa de um osso encaixa-se na face côncava de um outro osso. Como o próprio nome sugere, gínglimos produzem os movimentos de abrir e fechar, semelhantes a uma dobradiça de uma porta. O joelho está dividido em três articulações dentro de uma única cavidade sinovial, sendo elas tibiofemoral, patelofemoral e tibiofemoral, que estão localizadas: lateralmente é a tibiofemoral que consiste na junção do côndilo lateral do fêmur, o menisco lateral e o côndilo lateral da tíbia, que servem para sustentação de peso. Medialmente é a tibiofemoral que consiste na junção do côndilo medial do fêmur, o menisco medial e o côndilo medial da tíbia. E a patelofemoral consiste na junção da patela com a face patelar do fêmur (TORTORA; DERRICKSON, 2016). As articulações e estruturas citadas poderão ser visualizadas na figura abaixo. Fonte: Hamill; Knutzen; Derrick (2016, p. 202) Figura 1 - Articulações do joelho 16 2.1 LIGAMENTOS DO JOELHO As articulações do tipo sinovial apresentam dois tipos de capsula, a capsula articular e a capsula fibrosa. A capsula fibrosa ou membrana fibrosa é constituída por um tecido denso não modelado sendo a grande maioria fibras colágenas, que se fixa no periósteo dos ossos da articulação. A flexibilidade da membrana fibrosa permite consideravelmente os movimentos na articulação, entretanto a sua grande resistência ajuda a evitar o deslocamento entre os ossos. As fibras estão predispostas em feixes paralelos de tecido conjuntivo denso não modelado, que conseguem se adaptar para resistir a grandes tensões, essas estruturas são chamadas de ligamentos (TORTORA; DERRICKSON, 2016). Como em todas as articulações sinoviais, o joelho possui um ligamento capsular que o difere de outras articulações, pois o mesmo possui expansões fibrosas de outras estruturas que cruzam a articulação do joelho, tornando-se parte da capsula. As estruturas que fazem parte dessa capsula incluem: porções do ligamento colateral tibial (LCT) e ligamento colateral fibular (LCF) e expansões fibrosas do quadríceps femoral, do trato iliotibial, dos músculos vastos, semimembranáceo e sartório (BEHNKE, 2015). O joelho é uma articulação que possui uma serie de ligamentos, dentre esses, existem quatro principais, sendo eles: LCT, LCF, ligamento cruzado posterior (LCP) e o LCA. Entretanto, o joelho não é uma articulação totalmente estável, e sua estabilidade é essencialmente fornecida pelos ligamentos. No interior da articulação encontra-se os ligamentos cruzados, LCA e LCP, que se cruzam, estabilizando o joelho na região anterior e posterior. Na parte externa da articulação estão localizados os ligamentos colaterais, LCT e LCF, que estabilizam a articulação em cada lado (JR. DIMON, 2010). O LCT é um ligamento largo e achatado que se encontra na região do côndilo medial do fêmur e se estende até o côndilo medial da tíbia. O LCF é um ligamento redondo resistente que se encontra na região do côndilo lateral do fêmur e se estende até o lado lateral da cabeça da fíbula. O LCP estende-se anteriormente e medialmente a partir de um ponto de depressão na área intercondilar posterior da tíbia e do menisco lateral até a parte anterior da face lateral do côndilo medial do fêmur. E o LCA estende- se posteriormente e lateralmente a partir de um ponto anterior à área intercondilar da Mobile User 17 tíbia até a parte posterior da face medial do côndilo lateral do fêmur (TORTORA; DERRICKSON, 2016). Os ligamentos e estruturas citados acima poderão ser visualizados na figura abaixo. Fonte: Jr. Dimon (2010, p. 202) 2.2 MENISCOS Na articulação do joelho é possível observar duas estruturas muito importantes quando relacionada com descargas de peso, que funcionam como uma espécie de amortecedor do joelho, essas estruturas são chamadas de menisco, são estruturas fibrocartilaginosas com formato de semicírculo (em forma de meia lua), e estão localizados na extremidade proximal da tíbia, nas superfícies condilares lateral e medial. Estão divididos em menisco lateral, que possui a forma quase circular e o menisco medial, que possui a forma semicircular. Os meniscos ajudam a aprofundar as superfícies condilares da tíbia onde os côndilos do fêmur se articulam. As bordas externas dos meniscos são espessas e convexas, já a as bordas internas são mais finas e estão livrementesobre as superfícies condilares da tíbia. As superfícies internas dos meniscos são côncavas para englobar os côndilos do fêmur. As estruturas anteriores e posteriores dos meniscos são chamados de cornos, anteriores e posteriores. Nas atividades desportivas os meniscos geralmente estão sob frequentes estresses, principalmente o menisco medial, por conta das fibras profundas Figura 2 - Principais ligamentos do joelho Mobile User 18 do LCT se inserirem no mesmo, podendo levar ao rompimento do menisco. As duas rupturas mais comuns nos meniscos são chamadas de lacerações em ‘’bico de papagaio” e “alça de balde” (BEHNKE, 2015). Os meniscos e ligamentos citados acima poderão ser visualizados em uma vista superior na figura abaixo. Fonte: Tortora; Derrickson (2016, p.288) 2.3 PRINCIPAIS MÚSCULOS DA ARTICULAÇÃO DO JOELHO No joelho além dos ligamentos e meniscos, outra estrutura muito importante são os músculos. Os músculos do joelho podem ser divididos com facilidade, os que cruzam a articulação de forma anterior com os que cruzam a articulação de forma posterior. Os músculos anteriores, devido as suas localizações na articulação, eles possuem a função de estender a articulação do joelho (BEHNKE, 2015). O grupo muscular responsável pela extensão do joelho, é o quadríceps femoral, que é um grupo dividido em quatro músculos, o reto femoral, vasto lateral, vasto medial e vasto intermédio. O reto femoral é um musculo que se estende desde a articulação do quadril até o joelho, é o músculo mais superficial da parte anterior da coxa. O reto femoral possui duas origens, na espinha ilíaca anteroinferior e no acetábulo e se insere na base da patela. O vasto lateral é o maior entre os vastos, sua origem começa na metade proximal da linha áspera, na linha intertrocantérica e no trocanter maior do fêmur e se insere na borda lateral da patela. O vasto medial tem origem no lábio medial da linha áspera e se insere na borda lateral da patela. O vasto Figura 3 - Meniscos e ligamentos do joelho Mobile User 19 intermédio está localizado sob o reto femoral e sua origem se da nos dois terços proximais da superfície anterior do fêmur e se insere na superfície inferior da patela (BEHNKE, 2015). Os músculos posteriores, devido as suas localizações na articulação, eles possuem a função de fletir a articulação do joelho. O grupo muscular responsável pela flexão do joelho, são os isquiostibiais, que é um grupo dividido em três músculos, bíceps femoral, semitendíneo e o semimembranáceo, outro músculo que realiza a flexão de joelho é o grácil. O bíceps femoral possui duas origens, a cabeça longa, que tem origem na tuberosidade isquiática e a cabeça curta, que tem origem na face lateral da linha áspera, e se insere na cabeça da fíbula, esse músculo flexiona o joelho, e quando atinge a flexão ativa completa, ele rotaciona lateralmente a perna. O semitendíneo é o segundo músculo isquiotibial, sua origem está na tuberosidade isquiática e se insere na parte proximal e medial da tíbia, ele flexiona o joelho e rotaciona medialmente a perna. O semimembranáceo é o terceiro músculo isquiotibial, sua origem está na tuberosidade isquiática e se insere no aspecto posterior medial do côndilo medial da tíbia, ele flexiona o joelho e auxilia na rotação medial da perna. E o grácil, é o único músculo adutor da articulação do quadril que também passa pela articulação do joelho, sua origem está na superfície inferior da sínfise púbica, passa na região posterior ao côndilo medial do fêmur e se insere medialmente na extremidade proximal da tíbia, ele flexiona o joelho e rotaciona medialmente a perna (BEHNKE, 2015). Os músculos citados acima poderão ser visualizados nas figuras abaixo. Fonte: Behnke (2015, p.270) Fonte: Behnke (2015, p.273) Figura 5 - Músculos da região posterior do joelho Figura 4 – Músculos da região anterior do joelho Mobile User 20 3. BIOMECANICA, MECANISMOS DE LESÃO DO LCA E INCIDÊNCIA NOS ESPORTES A função do joelho é complexa, por conta de suas articulações serem assimétricas, e também pela mecânica patelar na parte frontal da articulação. Quando o movimento de flexão é iniciado na posição em cadeia fechada, ou para sustentação de peso, o fêmur rola para trás sobre a tíbia, realizando o movimento de rotação lateral e abdução com relação a tíbia. Já em um movimento em cadeia aberta, o movimento de flexão é iniciado com o movimento da tíbia em relação ao fêmur, resultando nos movimentos da tíbia para frente, rotação medial e adução. Ocorre o processo contrário na extensão, no movimento em cadeia fechada, o fêmur rola para frente, faz rotação medial e adução. No movimento em cadeia aberta, a tíbia rola para trás, faz rotação lateral e abdução (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). Os movimentos de rotações na articulação do joelho, só podem ocorrer, quando a articulação atinge um certo grau de flexão, portanto não há o movimento de rotação com a articulação em extensão. A ADM normal da articulação do joelho, no movimento de flexão é de 130° a 145°, no movimento de hiperextensão é de 1° a 2°. Com o joelho flexionado a 90°, o movimento de rotação medial é de 6° a 30°, e no movimento de rotação lateral da tíbia é possível chegar aproximadamente a 45° (HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). Atualmente o LCA tem recebido muita atenção no meio esportivo, principalmente no atletismo. A grande maioria das atividades desportivas aplicam forças internas e forças externas na articulação do joelho, incluindo o LCA. Existe também uma grande diferença nos números de lesões entre o sexo masculino e feminino, sendo mais frequente nas mulheres. Há teorias que apontam o motivo do maior número de lesões do LCA, acometerem atletas do sexo feminino, seja por conta dos membros inferiores estarem mau alinhados, a pelve feminina mais larga, o maior ângulo Q, frouxidão ligamentar, menor tamanho da fossa intercondilar, efeitos do estrogênio no tecido ligamentar, desequilíbrio entre as forças dos músculos quadríceps e isquiotibiais. Outros fatores considerados são, os tipos de atividades, intensidade do treinamento e as técnicas de treinamento (BEHNKE, 2015). O LCA é responsável por limitar o deslizamento da tíbia sobre o fêmur. Todavia o grau de lassidão anterior de um rompimento do LCA, depende da posição Mobile User 21 da flexão e extensão do joelho, da sobrecarga excessiva externa aplicada ao joelho, da porção rompida do ligamento e a integridade dos tecidos ao redor da articulação. Estudos apontam que o LCA geralmente é mais estirado durante a extensão do joelho. O rompimento deste ligamento pode gerar o aumento da ADM no movimento de extensão do joelho ou hiperextensão. Como sugerem os estudos, tanto os pequenos feixes anteromediais quanto nos grandes feixes posterolaterais, a tensão aumenta quando o joelho está em extensão, consequentemente quando o joelho está em flexão, ambos os feixes estão com uma tensão menor (OATIS, 2014). Podemos visualizar o tensionamento do LCA na figura abaixo. Figura 6 – Tensionamento do LCA Fonte: Oatis (2014, p. 756) 3.1 PRINCIPAIS MECANISMOS DE LESÃO DO LCA A lesão do LCA ocorre quando o ligamento é sujeitado à uma força além de sua aptidão elástica, podendo ocorrer uma ruptura parcial ou total. As lesões nos ligamentos podem ser classificadas em três graus. Nas lesões de grau um, existe uma pequena lesão ligamentar, um estiramento, que não prejudica a estabilidade articular. Nas lesões de grau dois, existe uma ruptura parcial dos feixes ligamentares, dando origem a um ligamento frouxo. Nas lesões de grau três, se caracterizam por uma ruptura total do ligamento, gerando a instabilidade da articulação (PINHEIRO, 2015). As principais lesões do LCA, podem ocorrer por traumasdiretos ou indiretos, sendo alguns fatores: mudanças súbitas de direção, queda de forma incorreta de um salto, paradas repentinas em uma corrida ou por contato direto. Esses tipos de lesões ligamentares ocorrem na maioria das vezes por traumas indiretos, e podem ser 22 causadas por diversos mecanismos: abdução, rotação externa e forças anteriores aplicadas na tíbia, rotação interna do fêmur sobre a tíbia e hiperextensão do joelho. Os mecanismos de lesão por trauma direto, geralmente são ocasionados por traumatismos onde o fêmur é puxado posteriormente, quando o joelho se encontra a 90 graus de flexão e a tíbia está fixa (PINHEIRO, 2015). A lesão por trauma direto, ocorrem por conta de paradas bruscas, saltos sem nenhum tipo de contato físico, ocasionando lesões isoladas no LCA. A hiperflexão forçada do joelho, extensão completa, flexão e hiperextensão forçada do joelho são os mais comuns mecanismos de lesão isolada do LCA. Os pacientes que apresentam esse tipo de lesão, os sintomas mais comuns são: dor, edema, desconforto ao caminhar, limitação de ADM e sensação de instabilidade do joelho (PINHEIRO, 2015). 3.2 INCIDENCIA NOS ESPORTES O futebol é o esporte mais popular no mundo, tendo uma média de 265 milhões de atletas atuando. O futebol é um esporte com muitas variáveis e fatores, é uma modalidade coletiva, exigente, tanto em nível físico, quanto a nível tático. Este esporte é caracterizado pelo contato físico intenso, movimentos curtos e rápidos, paradas repentinas, aceleração e desaceleração, mudanças repentinas de direção, saltos e aterrissagens, entre outros vários fatores. Os atletas desta modalidade, treinam em seu limite máximo, ficando susceptíveis a lesões. Com o aumento da popularidade desta modalidade, houve também o aumento no número das lesões nos atletas praticantes (FERREIRA, et al., 2015). As lesões do LCA são muito comuns em esportes que a articulação do joelho realiza o movimento de rotação, como no futebol, basquete, esqui que totalizam mais de 250.000 casos por ano. Portanto, dependendo da modalidade esportiva, pode favorecer o tipo de lesão no joelho do atleta (ASTUR et al., 2016). 23 4. A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA LESÃO DO LCA A atuação da fisioterapia é indispensável para o tratamento da lesão do LCA, esse tipo de lesão, geralmente é necessário intervenção cirúrgica, dependendo do grau da lesão, onde visa, restaurar a integridade da articulação, a estabilidade anatômica e funcional do joelho, para devolver o atleta o mais rápido possível para sua modalidade. Esse tipo de cirurgia, é realizada através de artroscopia, sendo um método menos invasivo, proporcionando uma melhor recuperação, acelerando os processos de cicatrização e a reabilitação (SILVA; SILVEIRA; FORTINO, 2020). Segundo Silva; Silveira; Fortino, (2020) as fases do tratamento, são essenciais para uma boa reabilitação, que visam, no pós operatório, diminuir o quadro álgico, melhorar a ADM, melhorar a força muscular, diminuir o edema e o processo inflamatório, melhorar o equilíbrio estático e dinâmico, melhorar a marcha e a propriocepção. 4.1 REABILITAÇÃO NO PÓS OPERATÓRIO Os processos de tratamento e a reabilitação, são iniciados um dia após a realização da cirurgia, podendo ser estendido de seis a doze meses, dependendo de cada caso, situação e também das capacidades fisiológicas e funcionais de cada atleta. Atualmente são usados protocolos que acabam acelerando o processo de reabilitação, tais como, mobilizações e descargas de peso, mas em contrapartida, esse processo pode ter interferência, podendo ser interrompido pelo quadro álgico e pelo edema na região, sendo uma das causas que impossibilita o paciente de retornar as atividades desportivas (SILVA; SILVEIRA; FORTINO, 2020). Segundo Palmeira et al. (2019) na fase I do tratamento (1ª a 2ª semana), é indicado os recursos de eletroterapia, como TENS, para aliviar o quadro álgico e a crioterapia, para auxiliar na diminuição do edema. Na fase II (3ª a 4ª semana) são indicados exercícios de propriocepção sentado, alongamentos de cadeia posterior, incluindo os músculos, isquiotibiais e tríceps sural e condutas montadas na hidroterapia, exercícios com baixo impacto. Na fase III (5ª a 6ª semana) são indicados, exercícios na bicicleta estática sem resistência, exercícios proprioceptivos em apoio bipodal e massoterapia nos músculos ao redor da articulação do joelho. Na fase IV (7ª 24 a 9ª semana) são indicados exercícios na bicicleta subaquática, para colocar a resistência e mobilizações ativas da articulação do joelho. Na fase V (10ª a 12ª semana) são indicados treinos de marcha e exercícios de técnicas de corrida, para começar o condicionamento físico. Na fase VI (13ª a 16ª semana) são indicados exercícios pliométricos, para o fortalecimento da musculatura que envolve a articulação do joelho, em cama elástica com apoio bipodal, podendo evoluir para apoio unipodal. Na fase VII (17ª a 24ª semana) são indicados exercícios resistidos, musculação, corrida, exercícios aeróbicos, para o condicionamento físico, dosando as intensidades e progredindo, com as respectivas modalidades. O retorno do atleta para as modalidades desportivas pode variar muito de cada caso, é preconizado um tratamento de seis meses após a cirurgia, com o tratamento efetivo, o atleta poderá retornar as suas atividades. 4.2 REABILITAÇÃO NO PRÉ OPERATÓRIO A reabilitação no pré operatório é indispensável, pois ela evita complicações, que possam afetar no pós operatório, como défices de movimento, artrofibrose, reduzir o risco de outras lesões próxima ao local, ou até mesmo no local da cirurgia e diminuir o número de reconstruções cirúrgicas. O processo cirúrgico no LCA não deve ser realizado até que se atinjam alguns objetivos na reabilitação pré operatória, como, diminuição do quadro álgico, diminuição no edema e no processo inflamatório, a melhora da ADM máxima na articulação e o controle neuromuscular da região lesada (MENDES, 2012). De acordo com Mendes (2012), a cirurgia deve ser adiada até que o paciente consiga realizar alguns movimentos na articulação do joelho, como, a extensão completa do joelho e pelo menos 90° de flexão do joelho. Outro objetivo importante para essa reabilitação, é manter o padrão de marcha o mais próximo do funcional, adaptar a um bom controle do membro que está lesado, efetuar alguns exercícios que serão realizados no pós cirúrgico, afim de ir adaptando o atleta, prevenir a atrofia muscular e realizar o treino de marcha com as canadianas, alternando os membros, e já explicando, qual a maneira correta de se utilizar esse recurso, para que o atleta já esteja habituado ao uso deste dispositivo, nos dias após 25 a intervenção cirúrgica. Além destes objetivos, a reabilitação também consiste em exercícios ativos assistidos e exercícios ativos livres como, extensões completas do joelho e treino de marcha, associado ao uso do cryo cuff para a diminuição do edema na região afetada, além disso, o atleta só deve fazer o uso das canadianas em casos de desconfortos consideráveis e durante o menor período de tempo possível. Alguns exercícios que poderiam ser aplicados na reabilitação pré cirúrgica, serão apresentados nas figuras abaixo, respeitando o limite de cada atleta. 4 Figura 7- Extensão de quadril e joelho Figura 8- Ponte sobre bola suíça Fonte: Goldenberg; twist, (2010, p.125) Fonte: Goldenberg; twist, (2010, p.113) 26 4.3 PREVENÇÃO DA LESÃO DO LCA A fisioterapia, além da atuação, no pós operatório e no pré operatório, tem um importantíssimo trabalho na prevenção da lesão do LCA em atletas, em todos os esportes, se mostrando eficaz nesse procedimento. A exemplo disto, no voleibol, essas técnicas de prevenção atuam de formasque melhoram a capacidade funcional do atleta. A fisioterapia esportiva se ampara nas técnicas de prevenção, sendo a mais comum, o treino proprioceptivo, que consiste em um programa de treinamento neuromuscular, no qual mostrou ser eficaz na diminuição da incidência da lesão em atletas de voleibol. Este tipo de treinamento, comprovou ser eficaz na melhora do equilíbrio nestes atletas, cujo o esporte, consiste em muitos processos que podem ocorrer a lesão (SOUSA; FERREIRA, 2021). Diversos estudos demostram uma queda significativa na incidência da lesão do LCA, e uma melhora na estabilidade dinâmica, quando os atletas são sujeitados a protocolos de prevenção, tanto na pré temporada, quanto durante a temporada. Os estudos comprovam uma melhora significativa, principalmente nas atletas femininas, com esses protocolos de prevenção. A contração dos isquiotibiais, é um fator protetor do LCA, aumentando a estabilidade articular, durante a contração do quadríceps, portanto, um bom trabalho de força muscular, principalmente nesses grupos musculares, é extremamente importante, para diminuição da incidência de lesão. Figura 9 - Flexão de quadril e joelho Fonte: Goldenberg; Twist, (2010, p.116) xxcvc Figura 10 - Extensão de joelho Fonte: Goldenberg; Twist, (2010, p.128) 27 Portanto, uma baixa propriocepção, pode ser um fator que aumente o risco de lesão no LCA (MENDES, 2012). Alguns exercícios para melhora do equilíbrio e propriocepção poderão ser visualizados nas figuras abaixo. Figura 11- Abdução de quadril com apoio unipodal Fonte: Goldenberg; Twist, (2010 p.131) Figura 12- Flexão de quadril e joelho Fonte: Goldenberg; Twist, (2010 p.135) 28 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O joelho é a articulação que mais recebe impacto no corpo humano, por conta de suas funções e biomecânica da articulação. O joelho possui diversas estruturas que facilitam o seu desempenho na articulação, sendo elas os ligamentos, meniscos e músculos, que trabalham para manter a estabilidade da articulação. Dentre os ligamentos, o que mais sofre com esse impacto e lesões nessa articulação, é o LCA, que tem como função juntamente com o LCP, a estabilização do joelho na região posterior e anterior. Na articulação do joelho existem dois principais movimentos, o de flexão e o de extensão, os movimentos de rotação só são possíveis em um certo grau de flexão. As lesões no LCA ocorrem quando o ligamento é sujeitado a um estresse maior do que sua aptidão elástica pode suportar. Os principais mecanismos de lesão podem ocorrer por traumas diretos e traumas indiretos, apresentando alguns fatores como: mudanças súbitas de direção, paradas repentinas em uma corrida, aterrisagens de um salto em uma posição inadequada ou por trauma direto. O futebol é a atividade esportiva que mais tem a incidência da lesão no LCA, por suas particularidades, em seguida o basquete e o esqui. A atuação da fisioterapia é imprescindível para o tratamento da lesão do LCA, atuando no pós operatório, no pré-operatório e na prevenção desta lesão. No pós- operatório o tratamento é iniciado um dia após a cirurgia, onde o foco, está em manter a ADM preservada utilizando, mobilização passiva, alongamentos passivos e recursos eletroterapêuticos para diminuir o quadro álgico (TENS) e a crioterapia, para diminuir o edema na região, esses são alguns dos recursos utilizados nessa primeira fase de tratamento. No pré-operatório a fisioterapia atua visando evitar complicações que possam interferir no pós-operatório, diminuindo o quadro álgico, mantendo a ADM da articulação e mantendo o máximo a força muscular dos músculos que estabilizam a articulação do joelho. A fisioterapia também atua na prevenção da lesão do LCA, utilizando vários protocolos de prevenção, focados em exercícios de propriocepção, força muscular e equilíbrio na pré temporada ou na temporada do atleta. Observa-se um grande número de estudos que comprovam a eficácia da fisioterapia no pré operatório, no pós operatório e na prevenção da lesão do LCA em 29 atletas, porém, mesmo com um número significativo de estudos nesta área, foi possível identificar uma lacuna de informações e dados quantitativos sobre a incidência da lesão do LCA em alguns esportes, como basquete e vôlei. 30 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Gabriel Peixoto Leão; ARRUDA, Gilvan de Oliveira; MARQUES, Amélia Pasqual. Fisioterapia no tratamento conservador da ruptura do ligamento cruzado anterior seguida por ruptura contralateral: estudos de casos. Disponível em: https://www.scielo.br/j/fp/a/8CGLCLjqYLjykGN7ZKjBZJb/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 02 mai. 2022. 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