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FUNDAMENTOS E PRÁTICA NO 
ENSINO DE HISTÓRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 08 
AS DIFICULDADES 
E CONFLITOS NO 
ENSINO DE 
HISTÓRIA NOS 
ANOS INICIAIS 
 
Olá! 
 
 Nesta aula, vamos tratar, especialmente, dos conflitos que perpassam o 
ensino de História, mostrando que esses conflitos não envolvem apenas 
intelectuais e interesses teóricos, mas também diferentes grupos de poder, cada 
um com suas próprias concepções sobre o papel da história na formação da 
identidade nacional e sua presença na vida das pessoas. 
Nesse cenário, veremos, que a disciplina de História foi frequentemente 
utilizada como ferramenta para legitimar narrativas hegemônicas, enquanto 
silenciava vozes e histórias marginalizadas, em especial as relacionadas aos povos 
indígenas, afrodescendentes e às classes trabalhadoras. 
 
 
Bons estudos! 
 
 
 
8. AS DIFICULDADES DO ENSINO DE HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS 
De acordo com Bittencourt (2018), o ensino de História nas escolas brasileiras 
foi estruturado em um formato seriado e, ao longo do tempo, se consolidou como um 
campo de intensas disputas ideológicas e políticas, que impactaram diretamente sua 
organização curricular. 
Esses conflitos envolveram não apenas intelectuais, mas também diferentes 
grupos de poder, cada qual com suas concepções sobre o papel da história na 
formação da identidade nacional. Nesse contexto, a disciplina foi muitas vezes 
instrumentalizada para legitimar narrativas hegemônicas, enquanto silenciava vozes 
e histórias marginalizadas, especialmente as relacionadas aos povos indígenas, 
afrodescendentes e às classes trabalhadoras. A configuração curricular refletia, 
portanto, uma visão restrita da história, centrada nos feitos de grandes figuras e nas 
narrativas eurocêntricas. 
Inicialmente, o conhecimento histórico ensinado nas escolas era, como destaca 
a autora, uma simplificação reducionista do saber erudito. Tratava-se de uma 
abordagem que privilegiava a memorização de datas, fatos e personagens, resultando 
em uma repetição mecânica que desvalorizava a capacidade crítica e reflexiva dos 
estudantes. Apenas com o tempo, e impulsionado por debates acadêmicos e 
pedagógicos, o ensino de História começou a se reconfigurar, assumindo uma postura 
mais investigativa e interpretativa. Esse movimento de renovação permitiu a 
incorporação de novas perspectivas historiográficas, valorizando a diversidade de 
experiências e memórias coletivas, além de fomentar o desenvolvimento de uma 
consciência histórica mais plural e inclusiva, fundamental para a construção de uma 
cidadania crítica. 
Nesse cenário, é essencial reconhecer que a Constituição Cidadã de 1988 
trouxe novos rumos para a educação no Brasil, possibilitando a ampliação dos 
objetivos pedagógicos e a inclusão de perspectivas mais abrangentes. Ao garantir a 
educação como direito fundamental e atribuir ao Estado a responsabilidade de sua 
promoção, a Constituição pavimentou o caminho para transformações significativas 
no currículo escolar. Essas mudanças abriram espaço para a incorporação de novas 
abordagens sobre o conhecimento e o ensino, que passaram a valorizar a pluralidade 
cultural e a diversidade social do país (RABELO, 2018). Assim, a legislação de 1988 
 
 
 
foi um ponto de inflexão, impulsionando uma educação que busca formar cidadãos 
críticos e conscientes de seu papel na sociedade. 
Ao longo dos anos, a educação no Brasil continuou a evoluir, e a publicação 
dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) em 1997 representou um avanço 
crucial para a padronização e direcionamento do currículo escolar. Os PCNs 
estabeleceram diretrizes que permitiram a articulação de uma base curricular comum, 
visando garantir a qualidade do ensino em todas as regiões do país. Para a disciplina 
de História, essa mudança foi particularmente significativa, pois os currículos foram 
ampliados para incluir conteúdos históricos desde a Educação Infantil até os primeiros 
anos do Ensino Fundamental. Os conteúdos passaram a ser avaliados com foco nas 
demandas de uma sociedade contemporânea, marcada por rápidas transformações 
tecnológicas e pela necessidade de compreensão crítica do presente (BRASIL, 1997, 
p. 24). Essa adaptação reflete a importância de uma educação histórica que não se 
restrinja ao passado, mas que dialogue com as dinâmicas do tempo presente, 
preparando os estudantes para enfrentar os desafios do mundo atual. 
Diante deste contexto, houve uma alteração na concepção de ensino de 
história, uma vez que os PCNs apresentam essa disciplina em todas as etapas da 
Educação Básica. Em outras palavras, a história tornou-se um campo de 
conhecimento. Dessa forma, a História é um campo de estudo e produção de 
conhecimento em constante discussão que não leva a um consenso (BRASIL, 1998). 
Sendo assim, a história tem uma perspectiva dualista para seus estudiosos. No 
entanto, é importante salientar que o conhecimento histórico é fundamental para a 
relação entre o ensino de história e sua contribuição social na formação dos alunos: 
O ensino de História possui objetivos específicos, sendo um dos mais 
relevantes o que se relaciona à constituição da noção de identidade. Assim, 
é primordial que o ensino de História estabeleça relações entre identidades 
individuais, sociais e coletivas, entre as quais as que se constituem como 
nacionais (BRASIL, 1997, p. 26). 
A história é importante para a formação da sociedade brasileira e sua 
identidade, pois o ensino de história estabelece uma ligação entre a identidade 
nacional e a formação dos alunos. Contudo, o ensino de história também tem uma 
função fundamental na integração do aspecto individual ao contexto social e coletivo 
no processo de formação dos alunos, permitindo que eles se desenvolvam tanto como 
indivíduos quanto como seres sociais. 
 
 
 
 A aprendizagem histórica requer que os alunos desenvolvam adequadamente 
certos conceitos, sendo a escola um espaço de acesso ao conhecimento (BRASIL, 
1997). O conhecimento histórico escolar é indispensável para o aprendizado dos 
alunos. Sendo assim, 
O saber histórico escolar, na sua relação com o saber histórico, compreende, 
de modo amplo, a delimitação de três conceitos fundamentais: o de fato 
histórico, de sujeito histórico e de tempo histórico. Os contornos e as 
definições que são dados a esses três conceitos orientam a concepção 
histórica, envolvida no ensino da disciplina. Assim, é importante que o 
professor distinga algumas dessas possíveis conceituações (BRASIL, 1997, 
p. 29). 
O conhecimento histórico escolar, em sua relação com o saber histórico, 
abrange três conceitos fundamentais: fato histórico, sujeito histórico e tempo histórico. 
Esses três elementos são essenciais para a construção de uma compreensão crítica 
da história, e suas definições e características orientam a abordagem adotada na 
disciplina. Portanto, é crucial que o professor saiba distinguir e explorar diferentes 
definições desses conceitos, a fim de facilitar uma aprendizagem que vá além da mera 
memorização e permita que os alunos desenvolvam uma análise crítica dos eventos 
históricos (BRASIL, 1997). O ensino de História, dessa forma, deve envolver uma 
abordagem que não apenas transmita informações, mas que capacite os estudantes 
a compreenderem os processos históricos em suas complexidades. 
No entanto, a implementação eficaz do ensino de História enfrenta uma série 
de desafios. Entre eles, destaca-se a necessidade de superar a formação inicial 
fragmentada dos professores, que muitas vezes não desenvolvem as competências 
múltiplas exigidas para ensinar História de maneira inovadora. Outro obstáculo está 
na persistência da linearidade histórica, que apresenta os eventos de forma 
cronológica e simplificada, ignorando as múltiplas temporalidades e narrativas que 
coexistem. Além disso, o ensino tradicional,focado na repetição mecânica de 
conteúdos e datas, precisa ser rompido em prol de uma metodologia que promova a 
análise crítica e a reflexão. 
Oliveira (2003) destaca, no caso da formação de professores de História nos 
anos iniciais, que esses profissionais muitas vezes enfrentam dúvidas quanto ao seu 
conhecimento específico e suas habilidades didáticas ao concluírem seus cursos de 
pedagogia. A falta de domínio profundo do conteúdo histórico, juntamente com suas 
peculiaridades e nuances, é um problema recorrente. Para os historiadores, o desafio 
 
 
 
está na prática docente: a necessidade de desenvolver uma ação pedagógica que não 
se limite à transmissão de informações, mas que seja capaz de engajar os alunos e 
facilitar a aplicação prática do conhecimento histórico. Essa lacuna entre o conteúdo 
teórico e sua transposição didática é um dilema frequente no campo da educação. 
Apesar dessas limitações, como a formação inicial inadequada, as dificuldades 
na transposição didática dos conteúdos, a seleção de quais narrativas históricas 
devem ser priorizadas e os vieses político-ideológicos presentes, é fundamental 
discutir quais são os desafios reais e mais prementes que afetam o ensino de História. 
Entre eles, pode-se destacar a necessidade de reavaliar continuamente as práticas 
pedagógicas, promovendo uma História que dialogue com o presente e que seja 
relevante para os alunos, bem como a importância de formar professores capazes de 
lidar com as complexidades do conhecimento histórico e suas implicações na 
sociedade contemporânea. 
Cainelli e Oliveira (2012) destacam um outro desafio relacionado à articulação 
entre memória e história, que merece atenção. Para os autores, os Anos Iniciais da 
educação devem ser compreendidos como um espaço formativo, onde o indivíduo 
inicia seu contato com o conhecimento científico. Nesse contexto, o saber histórico se 
apresenta como uma área que transita entre as memórias derivadas da vivência 
social, as quais influenciam diretamente o processo de aprendizagem. Assim, é crucial 
que o aluno desenvolva a habilidade de navegar entre memória e história, refletindo 
sobre as interações entre passado e presente. 
Os autores argumentam que, longe de constituir um problema para a ciência 
histórica e seus fundamentos teóricos, essa situação proporciona uma oportunidade 
de reflexão sobre o anacronismo e as sobreposições entre o passado e o presente. 
Essa inter-relação não compromete os pressupostos da ciência de referência, mas, 
ao contrário, enriquece o processo de ensino, ampliando a capacidade do sujeito de 
compreender as nuances da história enquanto constrói um entendimento crítico sobre 
sua própria memória. 
Assim, podemos afirmar que, nos AIEF, o Ensino de História tem uma função 
importante para que os alunos se reconheçam como indivíduos com uma história e 
memória, tanto pessoal quanto coletiva. No entanto, é importante ressaltar que os 
conteúdos abordados na disciplina muitas vezes apresentam dificuldades para serem 
 
 
 
trabalhados com crianças, ao exigirem um nível de abstração mais elevado. Essa é 
uma queixa comum entre os professores que lecionam História. 
Dessa forma, a carga horária reduzida para a disciplina de História nos AIEF 
pode ser explicada pela falta de conhecimentos históricos que o professor polivalente 
não adquire durante sua formação inicial, o que afeta sua prática docente, uma vez 
que, em geral, é responsável pelo ensino de História nessa etapa da Educação 
Básica. Como professor polivalente, o pedagogo costuma lecionar não apenas 
conteúdos históricos, mas também disciplinas como Ciências, Língua Portuguesa, 
Matemática, Geografia e Arte, além de atuar na alfabetização. 
Em geral, a falta de conhecimentos fundamentais nas áreas do currículo pode 
ser consequência de uma formação inadequada na Educação Básica ou da 
impossibilidade de um aprofundamento maior no curso de Pedagogia. Essa lacuna 
pode resultar em uma limitação dos repertórios de ensino e, até mesmo, em uma falta 
de conhecimento para lecionar História. Não se trata de responsabilizar o professor, 
mas sim de reconhecer as suas deficiências no processo de formação. 
As escolhas dos conteúdos a serem abordados na disciplina de História são 
limitadas e dependem, na maioria das vezes, do livro didático, que geralmente se 
baseia em uma narrativa linear da história. O ciclo (vicioso) se completa: os 
professores dos anos iniciais, em geral, têm uma formação deficiente na Educação 
Básica, o que, geralmente, não é corrigido durante o curso. Apenas de Pedagogia. 
Não esgotamos as discussões sobre a formação de educadores que ensinam História 
nos AIEF, nem temos a intenção de responsabilizar os professores pelos problemas 
históricos. 
Contudo, existem algumas questões que podem aumentar o debate: como um 
professor pode ensinar um conteúdo se não tem domínio ou conhecimento sobre ele? 
Como ensinar História se o professor não possui a formação e os conhecimentos 
necessários? Por fim, quais são os principais problemas na formação dos professores 
de História no curso de Pedagogia? Ou estão relacionados a uma Educação Básica 
inadequada? Há espaço nos AIEF para que o licenciado em História trabalhe de forma 
colaborativa com o pedagogo, visando formar indivíduos históricos mais conscientes 
da realidade histórica, política, cultural e social, promovendo, dessa forma, a 
emancipação humana? 
 
 
 
A formação de professores e a prática docente, mesmo sendo orientadas por 
diretrizes curriculares fundamentadas em leis e políticas educacionais, nem sempre 
garantem uma qualidade adequada no ensino, especialmente no contexto da História 
nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (AIEF). Para superar as limitações atuais, é 
essencial promover uma reflexão crítica, desenvolver pesquisas e implementar 
alternativas inovadoras que respondam aos desafios da educação. O debate sobre o 
ensino de História nos AIEF deve, portanto, considerar os entraves e propor soluções 
que conectem o conteúdo histórico com a realidade dos alunos. 
Um dos obstáculos mais evidentes no ensino de História reside na cultura 
organizacional das escolas, onde os Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) 
frequentemente priorizam as áreas de Matemática e Língua Portuguesa. Essa 
priorização reforça a ideia, entre a comunidade escolar, de que disciplinas como 
História e Geografia são menos relevantes. Como resultado, ocorre um declínio na 
quantidade e qualidade dos conteúdos históricos ensinados, levando a uma 
interpretação superficial da História, que é frequentemente reduzida a uma mera 
coleção de fatos e datas desconectados, em vez de ser entendida como uma 
construção crítica e reflexiva. 
Além disso, o ensino de História é muitas vezes associado apenas ao estudo 
do passado, o que pode desinteressar os alunos, especialmente quando o conteúdo 
parece distante de suas experiências imediatas. As crianças costumam enfrentar 
dificuldades em entender a cronologia e a espacialidade histórica, pois essas noções 
tendem a ser abstratas e desconectadas de sua realidade cotidiana. Portanto, torna-
se um desafio central para os educadores tornar os conteúdos históricos mais 
concretos e relevantes para a vivência dos alunos. 
Nesse contexto, o conceito de "memória" assume um papel fundamental no 
ensino de História. A memória não deve ser vista como uma simples característica 
humana, mas como uma construção social que precisa ser cultivada e mantida para 
que seja significativa. A memória funciona como um repertório essencial, composto 
por aquilo que deve ser recordado e transmitido. Dessa forma, o ensino de História 
deve integrar a memória à prática pedagógica, ajudando os alunos a compreenderem 
seu próprio passado e a estabelecerem conexões com o presente. 
 
 
 
 
 
Para isso, o livro didático assume um papel central no processo de ensino-
aprendizagem. Conformedestacado por Cainelli e Oliveira (2012), o livro didático, 
muitas vezes, é o principal mediador na aula de História, orientando os conteúdos, a 
metodologia e as atividades a serem desenvolvidas. No entanto, é fundamental que o 
professor vá além do manual didático, utilizando a memória e as experiências dos 
alunos para tornar o ensino de História mais significativo e dinâmico. Isso inclui a 
promoção de atividades que despertem a curiosidade e permitam aos estudantes 
enxergar a História como uma disciplina viva, em constante diálogo com suas vidas e 
comunidades 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BITTENCOURT, C. M. F. Reflexões sobre o ensino de história. Estudos 
Avançados, São Paulo, v. 32, n. 93, p. 127-149, 2018. 
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: primeiro e 
segundo ciclos do ensino fundamental história e geografia. Brasília: MEC: SEF, 1997. 
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: 
história. Brasília: MEC / SEF, 1998. 
CAINELLI, M. R.; OLIVEIRA, S. R. F. Se está no livro de História é verdade: as ideias 
dos alunos sobre os manuais escolares de história no Ensino Fundamental. Revista 
Iberoamericana de Educación, Madrid, v. 58, n. 2, p. 1-12, 2012. 
GABRIEL, C. T.; LIMA, T. P. P. Currículo de história e agência docente: possibilidades 
de articulação nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Roteiro, Joaçaba, v. 46, p. 
1-25, 2020. Disponível em: 
https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/roteiro/article/view/23857/15745. Acesso em: 
08 ago 2024. 
OLIVEIRA, S. R. F. O ensino de história nas séries iniciais: cruzando as fronteiras 
entre a história e pedagogia. História & Ensino, Londrina, v. 9, n. 18, 2003.

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