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MOTRICIDADE OROFACIAL Profa. Kessy Annie de Oliveira Souza Síndrome do respirador oral Para que ocorra a respiração nasal, é preciso que a boca se feche em algum ponto. Se não ocorrer nenhum fechamento, temos uma respiração oral ou oronasal. Esta última é mais frequente. - A respiração oral é uma alteração funcional, caracterizada pelo uso predominante da cavidade oral na respiração e desuso da cavidade nasal. - É consequência de um hábito ou obstrução nasal, ocasionada por congestão da mucosa nasal e deformidades anatômicas das fossas nasais. O respirador oral é o indivíduo que possui capacidade respiratória nasal restrita, o que o leva a respirar pela boca na maior parte do tempo, tanto durante a vigília quanto durante o sono. Este quadro, quando perpetuado por longo período, poderá promover diversas alterações anatômicas e funcionais, repercutindo em uma diversidade de sinais e sintomas. Portanto, a clínica manifestada pelo paciente pode ser compreendida como uma síndrome, a Síndrome do Respirador Oral (SRO). Comumente, na SRO, podem-se observar alterações em OFA’S: - aumento vertical do terço inferior da face. - estreitamento do arco maxilar, além do palato em ogiva. - ângulo goníaco obtuso. - má-oclusão. - mordida aberta. - dentes incisivos superiores em protrusão. - mordida cruzada. As consequências da SRO frequentemente são irreversíveis: - alterações posturais. - craniofaciais. - oclusais. - auditivas. - vocais. - articulatórias. - nas funções estomatognáticas. - nos órgãos fonoarticulatórios. - na redução de apetite. - dificuldades de atenção e concentração. - agitação. - ansiedade e dificuldade na aprendizagem. - desempenho inferior de habilidades fonológicas. - envelhecimento facial precoce em comparação aos respiradores nasais. Destacam-se ainda: - maior presença de olheiras. - pregas palpebrais inferiores. - aprofundamento do sulco mentolabial. - face discretamente alongada na região das bochechas. - maior desproporção facial. Alterações corporais - Anteriorização da cabeça. - Retificação cervical. - Protrusão dos ombros. - Compressão do tórax. - Musculatura abdominal flácida. - Hiperlordose lombar. - Anteversão pélvica. Em casos mais graves... quando acontece a respiração oral decorrente de obstrução nasal instalada, ocorrem progressivamente modificações da ventilação pulmonar. A respiração oral é um fator de desestabilização das vias aéreas superiores, especialmente durante o sono. Portanto, a apneia do sono é bastante comum nesses pacientes, inclusive crianças. Sintomas presentes em crianças com apneia do sono em decorrência da respiração oral: •Noturno Apneia Roncos Despertares frequentes Pesadelos •Diurno Respiração oral Hipersonolência Baixa performance escolar Comportamento agressivo Hiperatividade Déficit de atenção Cefaleia matinal Infecções de vias aéreas Rinorreia crônica Distúrbios da deglutição A respiração oral, entre diversos problemas, pode ocasionar alteração da fala. A articulação dos sons depende da mobilidade da língua, lábios, bochechas e da posição dos dentes, mandíbula e língua. REFLITA TIPOLOGIA FACIAL E A CORRELAÇÃO COM AS ALTERAÇÕES MIOFUNCIONAIS A respiração oral causa alterações ósseas e miofuncionais na vista frontal. A face foi classificada em três tipos morfológicos: dolicofacial, mesofacial e braquifacial. Na configuração dolicofacial, as dimensões verticais da face prevalecem sobre as dimensões horizontais, conferindo uma silhueta mais longa. Na configuração braquifacial, as dimensões transversais superam as dimensões verticais, compondo uma face mais larga. Mesofacial é a equivalência das dimensões transversais e verticais que caracterizam a face. As três configurações descritas exibem características como simetria, proporcionalidade entre os terços faciais e selamento labial passivo. Hábitos deletérios Hábito é o costume ou a prática adquirida pela repetição frequente de um mesmo ato, que, a princípio, faz-se de forma consciente e, posteriormente, de forma inconsciente. Os principais hábitos que podem gerar deformidades na oclusão são: - onicofagia. - bruxismo. - mordedura de objetos. - mordedura de lábios. - sucção de dedo. - sucção de chupeta. - sucção de mamadeira. Os hábitos orais deletérios são altamente relacionados à etiologia de más oclusões, principalmente, à mordida aberta e alterações de estruturas e funções do sistema estomatognático, tais como mastigação, deglutição, respiração e fonoarticulação. Os hábitos orais deletérios são causas frequentes do estabelecimento da má oclusão, sendo esses hábitos padrões de contração muscular aprendidos. Por serem praticados repetidas vezes, passam a ser incorporados na personalidade do indivíduo, tornando- se, assim, um hábito inconsciente. Esses hábitos deletérios infantis devem ser corrigidos, pois, em alguns casos, determinam diversos prejuízos na fala, dentes e respiração. O objetivo do tratamento é remover tais hábitos o mais rápido possível, com estratégias próprias ou com a ajuda do FONOAUDIÓLOGO!