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Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 
AGROECOLOGIA
Professora Me. Fabiana Silva Botta Demizu
REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira 
 Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Kauê Berto
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto 
 
FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
M425a Mataruco, Sônia Maria Crivelli
 Agroecologia / Sônia Maria Crivelli Mataruco, Fabiana Silva
 Botta Demizu. Paranavaí: EduFatecie, 2023.
 130 p.: il. Color.
 ISBN 978-65-5433-078-7 
 
 1.Ecologia agrícola. 2. Agropecuária - Aspectos ambientais.
 I. Demizu, Fabiana Silva Botta. II. Centro Universitário
 UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. 
 
 CDD: 23. ed. 630.2745
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
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AUTORES
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 
 ● Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a 
Matemática – UEM.
 ● Mestre na área de Educação pela Unespar Campus de Paranavaí.
 ● Graduação em Licenciatura em Educação Física pelo Centro Universitário – Uni-
fateie. 
 ● Graduação em Licenciatura em Matemática na Universidade Filadélfia de Londrina 
- Unifil; 
 ● Graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Fatecie – Faculdade de Tecnologia 
e Ciências do Norte do Paraná – (2020)
 ● Graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental pela Faculdade de Tecnologia e 
Ciências do Norte do Paraná - Fatecie (2009). 
 ● Graduada em bacharelado Administração pela Faculdade Estadual de Educação 
Ciências e Letras de Paranavaí (1992); 
 ● Pós-graduada em Marketing e Gestão de pessoas pela Faculdade Estadual de 
Educação Ciências e Letras de Paranavaí (2001); 
 ● Pós-graduada em Psicopedagogia institucional pela Faculdade de Tecnologia e 
Ciências do Norte do Paraná - Fatecie; (2015)
 ● Pós-graduada em auditoria e certificação ambiental pela Faculdade de Tecnologia 
e Ciências do Norte do Paraná - Fatecie; (2018)
 ● Pós-graduada em Saneamento Ambiental pela UENP – Universidade Estadual 
Norte do Paraná (2020).
 ● Gestora ambiental da Companhia de Saneamento do Paraná - Sanepar e professora 
atuando nos seguintes temas: gerenciamento ambiental, recursos hídricos e 
hidrologia, sustentabilidade ambiental, responsabilidade socioambiental, poluição 
e resíduos, gestão de águas, saneamento, agronegócio, Educação ambiental, 
gestão de negócios ambientais, fundamentos de marketing e administração de 
materiais e patrimônio, Tópicos especiais de Administração; Agroecologia, Gestão 
Ambiental e administração. 
 ● Experiência em coordenação de cursos presenciais e EAD. 
 ● Coordenadora Geral EAD Unifatecie.
Lattes: CV: http://lattes.cnpq.br/0836891204233076
http://lattes.cnpq.br/0836891204233076
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Professora Me. Fabiana Silva Botta Demizu
 ● Doutoranda pelo Programa de Pós Graduação em Educação para Ciência e a Mate-
mática na UEM - 2021/2025.
 ● Mestrado em Ensino: Educação Interdisciplinar pela Unespar Campus Paranavaí – 
2016; 
 ● Graduação em Pedagogia pela Unespar Campus Paranavaí (2007);
 ● graduação em Ciências Biológicas pela Unipar - Universidade Paranaense - Campus 
Paranavaí (2007);
 ● Especialização em Educação Especial Inclusiva pela Uniasselvi (2010);
 ● Especialização em Gestão Ambiental entre os Municípios pela UTFPR (2013);
 ● Participa do Grupo de Estudos e Pesquisas Trabalho e Educação na Sociabilidade do 
Capital (GEPTESC/CNPQ/UNESPAR) (2016). ORCID 0000-0002-6737-4774. 
 ● Atualmente docente na Unespar - Campus Paranavaí, no curso de Pedagogia;
 ● Professora do Ensino Médio Sesi no Município de Loanda e Tutora na Unifatecie no 
município de Paranavaí;
Lattes: CV:: https://lattes.cnpq.br/8616720476558911
https://lattes.cnpq.br/8616720476558911 
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APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Caro (a) aluno (a) seja muito bem-vindo (a) a leitura do livro que utilizaremos na 
disciplina “AGROECOLOGIA”.
Este livro foi carinhosamente planejado para que você possa ter conhecimento geral 
dos principais assuntos relacionados a agroecologia. Em cada aula desenvolvida, falaremos 
sobre ecologia, ecossistema, o surgimento da agroecologia e suas bases epistemológicas. 
Outro assunto bastante interessante que será abordado será agroecossistemas e os princípios 
da agroecologia. Para finalizar, retrataremos as agriculturas de base ecológica.
Na primeira e segunda aula intitulada – faremos uma introdução à agroecologia 
tem como intuito proporcionar uma melhor compreensão acerca dos principais conceitos 
teóricos em ecologia. Demonstrar que os ecossistemas são sistemas complexos formados 
por interações entre organismos e seu ambiente físico que cada ecossistema possui suas 
próprias características ecológicas e biológicas, o que o torna único. Falaremos sobre 
os pontos que levaram ao surgimento da agroecologia como sendo uma resposta aos 
impactos negativos da agricultura convencional, promovendo a sustentabilidade e a justiça 
social na produção de alimentos. 
Abordaremos as bases epistemológicas da Agroecologia que serão fundamentais 
na compreensão dos sistemas ecológicos, na valorização do conhecimento tradicional e 
científico, no respeito à diversidade cultural e biológica, e na promoção da sustentabilidade 
socioambiental na produção de alimentos.
Já na terceira e quarta trataremos sobre agroecossistemas são sistemas de produção 
agrícola que visam a integração de componentessobre a natural em relação aos animais e as plantas 
dominantes; 
(d) há maior controle externo dos sistemas.
Para Worster (1990) o agroecossistema possui duas características gerais:
(a) existe pouca interação de espécies, devido a mudança do sistema natural; com 
produção voltada para a exportação. 
(b) totalmente dependente do sistema natural – englobando os processos de fotos-
síntese, ciclos bioquímicos, equilíbrio da atmosfera e a função dos microrganismos.
41UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
Os agroecossistemas têm como objetivo básico a manipulação dos recursos na-
turais com vistas a otimizar a captura da energia solar e transferi-la para as pessoas na 
forma de alimentos ou fibras e o homem é um componente ativo, que organiza e gestiona 
os recursos do sistema (HECHT, 1991).
Worster (1990) complementa agroecossistema é:
um ecossistema reorganizado para os propósitos da agricultura - um 
ecossistema domesticado. É uma reestruturação dos processos trópicos 
da natureza, isto é, o processo de fluxos de alimento e de energia na 
economia dos organismos vivos. Em toda parte, essa reestruturação envolve 
a conversão das energias produtivas, em um determinado ecossistema, a 
servirem mais exclusivamente a um conjunto de propósitos conscientes que 
geralmente se localizam fora do ecossistema, principalmente a alimentação e 
prosperidade dos grupos humanos. Em qualquer lugar ou tempo e em todas 
as formas de manifestação, primitivas ou avançadas, todo agroecossistema 
tem duas características gerais: (a) é sempre uma versão truncada de um 
sistema natural; há poucas espécies interagindo entre si, e muitas linhas 
de interação que foram simplificadas e direcionadas para um objetivo; 
comumente é um sistema de exportação. (b) apesar de ser um artefato 
humano, o agroecossistema permanece inescapavelmente dependente do 
mundo natural - fotossíntese, ciclos bioquímicos, estabilidade da atmosfera 
e o trabalho dos organismos não-humanos. Ele é um rearranjo e não uma 
repetição do processo natural. Quaisquer que sejam as diferenças entre os 
agroecossistemas, eles estão sempre submetidos às leis da ecologia, e estas 
leis governam florestas selvagens, pastagens, savanas determinando o quão 
estáveis ou resilientes ou sustentáveis eles são enquanto entidades coletivas 
(WORSTER, 1990, p. 1088).
42
ESTRUTURAS DOS 
AGROECOSSISTEMAS2
TÓPICO
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
Segundo Marten (1988), a forma como se organiza um agroecossistema define 
sua distribuição; uma vez que funcionalmente devem estar interligados uns aos outros, e 
isto é resultante tanto do sistema de tecnologia agrícola aplicada, quanto da agregação do 
ambiente com o social e a forma como a tecnologia é aplicada. 
 D’Agostini e Schlindwein (1999) definem a estrutura do agroecossistema pela 
sua influência física ou espacial, uma vez que a demarcação desse espaço físico reflete 
diretamente nas relações entre as distintas populações existentes, incluindo o homem, e o 
meio no qual se encontram.
Complementando, D’Agostini e Schlindwein (1999) mostram que para o bom 
funcionamento do agroecossistema é preciso integrar aos fluxos de energia, material e 
informações com os subsistemas, mostrando como ocorre a entrada, o processo e as saí-
das desses sistemas conforme demonstrado na figura 02 - Fluxos metabólicos entre as 
esferas social e natural - CIRCULAÇÃO APROPRIAÇÃO.
Para Heitschmidt, Short e Grings (1996) o agroecossistema deve estar conectado 
entre as partes que o compõem, incluindo o sistemas de produção de alimentos com seus 
conjuntos complexos de insumos. 
43UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
FIGURA 2 - FLUXOS METABÓLICOS ENTRE AS ESFERAS SOCIAL E NATURAL - CIRCULAÇÃO 
APROPRIAÇÃO
Fonte: Adaptado de: Petersen et al. (2017, p. 34).
De acordo com a figura 2, dentro da estrutura e funcionamento do agroecossistema 
o sistema só existe a partir de sua dupla condição de abertura e de fechamento ao exterior 
e segundo (ARAÚJO; ANDRADE; SOUZA, 2019). 
apropriação de matéria e energia fornecidas pela natureza (entrada), por se-
res humanos agrupados socialmente, e termina com a excreção de resíduos 
(saída). Entre esses dois extremos, ocorrem também os processos de trans-
formação, circulação e consumo. O processo de transformação se refere a 
todas as mudanças realizadas sobre os recursos extraídos da natureza, até 
nas suas formas mais simples, como o cozimento de alimentos. Ao longo 
do tempo, esta atividade tem se tornado cada vez mais complexa, dada a 
sua menor intensidade no uso de energia e trabalho. A atividade de circu-
lação passa a ser necessária a partir do momento em que a produção gera 
excedente. A eficiência da circulação tem se elevado com o tempo, uso do 
dinheiro, novos meios de pagamento, segurança da propriedade privada e 
crescimento dos mercados. À medida que estes evoluem, a circulação de-
manda, em valores absolutos, maior consumo de energia e matéria. Por seu 
turno, o consumo está ligado diretamente à satisfação das necessidades e 
também às etapas anteriores. Esse é um dos fatores mais importante e deter-
minantes do metabolismo social e, principalmente, do metabolismo industrial. 
Todo o processo se inicia para (e a partir) da possibilidade de consumo final. 
Ao final, a excreção refere-se ao despejo de materiais e energia residuais das 
etapas anteriores (como gases, calor, lixo, etc.). A qualidade (recicláveis pela 
natureza ou não) e quantidade dos resíduos produzidos também é relevante, 
dada a capacidade regenerativa e de carga dos ecossistemas. Neste ponto, é 
importante a menção ao conceito de resiliência, uma vez que os fluxos meta-
bólicos entre sociedade e natureza devem respeitar os limites ecossistêmicos 
(ARAÚJO; ANDRADE; SOUZA, 2019. p.131).
44UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
A interação entre o mundo social e natural resulta na dinâmica do agroecossistema, 
um ecossistema artificialmente cultivado pelas práticas humanas sendo esta entendida 
como um conjunto de valores, relações sociais, políticas, culturais, econômicas, 
tecnológicas e ambientais. Em que seu desenvolvimento no espaço e no tempo resulta 
de processos de coprodução entre a natureza viva e o trabalho humano, sendo este último 
diretamente condicionado pelas relações sociais vigentes (ODUM, 1989).
Para Gliessman (2005), o fluxo de energia em agroecossistemas é bastante altera-
do pela interferência humana, sendo preciso enfocar o caráter multidimensional e inter-re-
lacional, pois as modificações ocorridas em uma propriedade podem significar mudanças 
nas demais propriedades.
Segundo Altieri (1999) para a sustentabilidade do agroecossistema, não se pode 
comprometer os níveis adequados de produtividade através dos tempos. Isto implica em 
não contaminar os recursos naturais e garantir padrões de qualidade do solo, da água do 
ar. Caso a forma usada para produzir modificar o panorama influências negativas poderão 
ocorrer nos processos ecológicos 
Para Odum (1989) a compreensão da estrutura do agroecossistema e seus pro-
cessos funcionais toma como referência duas ideias básicas do pensamento sistêmico 
aplicado à Ecologia:
1) As propriedades do todo não podem ser reduzidas à soma das partes. Quando as 
partes interagem entre si, geram processos de auto-organização sistêmica (proprie-
dades emergentes) não previstas a partir do estudo dos componentes isoladamente. 
2) Não é necessário o conhecimento prévio de todas as partes para que o todo seja 
compreendido.
45
TRANSIÇÃO 
AGROECOLÓGICA3
TÓPICO
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
Conforme relatado na literatura, a agricultura se apresenta como uma das atividades 
humanas mais degradantes que altera os ecossistemas naturais trazendo consequências 
como o empobrecimento do solo, o aumento da erosão e dos custos de produção, entre 
outras. “Neste panorama de discussões e inovações, surge uma grande esperança para 
aqueles que acreditam que aindaé tempo de mudança: a agroecologia” (CORRÊA, 2007, 
p. 21).
O termo agroecologia surgiu frente às reivindicações por práticas de agricultura 
sustentável, a ser utilizado para representar a agricultura que incorpora diversos aspectos 
agronômicos, ecológicos e socioeconômicos (CORRÊA, 2007).
Décadas de agricultura convencional mostraram que mudanças urgentes são 
necessárias nas práticas agrícolas a fim de evitar a propagação dos danos 
ambientais e a exclusão social e econômica no meio rural. Novas formas e 
estilos de agricultura alicerçadas em princípios ecológicos têm surgido como 
alternativa às práticas introduzidas pela Revolução Verde. Esses estilos de 
agricultura de base ecológica necessitam ser avaliados a fim de averiguar se 
são realmente sustentáveis (CORRÊA, 2007, p. 01).
Tendo em vista o sistema atual de produção considerado insustentável, que não 
preza pela conservação e regeneração dos recursos naturais, como ao solo, água, fauna 
e flora - inimigos naturais, polinizadores; o manejo dos recursos produtivos, diversificação 
a reciclagem dos nutrientes, matéria orgânica, bem como a reutilização de nutrientes e re-
cursos internos e externos à propriedade, além da regulação biótica, princípios que regem 
a ciência agroecológica. 
46UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
A aplicação dos conceitos e princípios trazidos pela agroecologia deu origem 
ao movimento agroecológico, o qual se expandiu pelo mundo, dando uma 
nova face aos movimentos de agricultura alternativa e se incorporando aos 
movimentos sociais camponeses. Fundamentada na valorização da diversi-
dade cultural e biológica, a prática agroecológica busca conservar e resgatar 
as variedades crioulas e o conhecimento tradicional das populações locais. 
Portanto, diferentemente da forma de difusão empregada na agricultura con-
vencional, promovida por meio de “pacotes tecnológicos”, o conhecimento 
agroecológico se expande por meio da socialização e da troca de saberes en-
tre as comunidades, e se estabelece de forma participativa. Essa expansão 
é promovida pelas redes locais de inovação, as quais articulam agricultores, 
extensionistas, pesquisadores e suas mais variadas formas de organização, 
sendo conhecidas como redes de agroecologia. Não se busca a padroniza-
ção de técnicas, mas desenvolve-se o conceito de transição agroecológica, 
que consiste no processo de mudança e adequação gradual das práticas 
agrícolas na busca por um sistema mais sustentável (CAPORAL e COSTA-
BEBER, 2004, apud SAMBUICHI et al., 2017, p. 15-16).
Para implantar uma agricultura com viés agroecológico como por exemplo sem o 
uso de agrotóxicos, é indispensável que ocorra período educativo, chamado de transição. 
Esse período é importante para que o agricultor possa aprender todos os princípios e ma-
nejos envolvidos no processo, requerendo tempo para maturação e para conscientização 
(COX; MOORE; LADLE, 2019).
O processo de transição agroecológica é o período que concerne na conversão 
de sistemas agrícolas tradicionais para o sistema agroecológico que é aquela que busca 
“otimizar a integração entre capacidade produtiva, uso e conservação da biodiversidade e 
dos demais recursos naturais, equilíbrio ecológico, eficiência econômica e justiça social, 
abrangida ou não pelos mecanismos de controle” (BRASIL, 2012, p. 04).
De acordo com o Decreto nº 7.794 / 2012, que institui a política nacional de agroe-
cologia e produção orgânica, artigo 2 inciso IV, transição agroecológica é:
um processo gradual com orientação e acompanhamento de transformação 
das bases produtivas e sociais para recuperar a fertilidade e o equilíbrio eco-
lógico do agroecossistema em acordo com os princípios da Agroecologia, 
priorizando o desenvolvimento de sistemas agroalimentares locais e susten-
táveis, considerando os aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos 
(BRASIL, 2012, p. 04).
Já no conceito de agroecologia defendido por Altieri (2004) fala sobre a importân-
cia do processo de transição do atual modelo de agricultura convencional para estilos de 
agricultura sustentável, mostrando que o conceito de agroecossistema é a base científica 
para a agroecologia.
47UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
Portanto, na Agroecologia, é central o conceito de transição agroecológica, 
entendida como um processo gradual e multilinear de mudança, que ocorre 
através do tempo, nas formas de manejo dos agroecossistemas, que, na agri-
cultura, tem como meta a passagem de um modelo agroquímico de produção 
(que pode ser mais ou menos intensivo no uso de inputs industriais) a estilos 
de agriculturas que incorporem princípios e tecnologias de base ecológica. 
Essa ideia de mudança se refere a um processo de evolução contínua e 
crescente no tempo, porém sem ter um momento final determinado. Entretan-
to, por se tratar de um processo social, isto é, por depender da intervenção 
humana, a transição agroecológica implica não somente na busca de uma 
maior racionalização econômico-produtiva, com base nas especificidades 
biofísicas de cada agroecossistema, mas também numa mudança nas atitu-
des e valores dos atores sociais em relação ao manejo e conservação dos 
recursos naturais (CAPORAL e COSTABEBER, 2004, p. 12).
Complementando, Gliessman (2000), propõe três níveis fundamentais no processo 
de conversão para agroecossistemas sustentáveis, onde o autor afasta ainda mais a ideia 
de Agroecologia como um tipo de agricultura, um sistema de produção ou uma tecnologia 
agrícola. 
Os três níveis fundamentais no processo de conversão para agroecossistemas 
sustentáveis são:
1°: diz respeito ao incremento da eficiência das práticas convencionais para reduzir o 
uso e consumo de insumos externos caros, escassos e danosos ao meio ambiente;
2°: nível de transição referente à substituição de inputs convencionais por insumos 
alternativos;
3°: mais complexo nível de transição, é representado pelo redesenho dos agroe-
cossistemas, para que estes funcionem em base a um novo conjunto de processos 
ecológicos.
48
CONCEITOS DE 
AGROECOLOGIA4
TÓPICO
Foi a partir da década de 50 que no Brasil ocorreu o processo de modernização /
industrialização da agricultura, denominado revolução verde. 
este processo consistiu na disseminação de um pacote tecnológico pautado 
em monocultivos, uso de mecanização, de sementes certificadas e híbridas, 
uso intensivo de adubos químicos e agrotóxicos. As consequências da ado-
ção deste pacote tecnológico estão relacionadas com a perda de fertilidade 
do solo, erosão, contaminação dos recursos naturais, dos alimentos e das 
pessoas, perda da biodiversidade e desequilíbrio ecológico, aumento dos 
custos de produção, concentração de terras e da renda e acentuação da 
desigualdade social. A insustentabilidade socioambiental e econômica deste 
modelo suscitou a emergência de movimentos contrários a este paradigma 
na agricultura e promotores de alternativas técnicas e organizacionais no 
meio rural (SOUSA, 2021, s/p).
Nesse sentido surge a agroecologia. E para falar em agroecologia primeiramente 
precisamos esclarecer alguns ditados populares como: é um tipo de agricultura menos 
agressiva ao meio ambiente, que promovem a inclusão social e proporcionam melhores 
condições econômicas aos agricultores. Uma nova agricultura capaz de fazer bem ao ho-
mem e ao meio ambiente (MILLER; SPOOLMAN, 2016).
Caporal e Costabeber (2004, p. 06) relatam que “tem-se confundido a Agroecologia 
com um modelo de agricultura, (alguns propositadamente e de má fé, outros por não se 
aprofundar no entendimento epistemológico)”. 
Essa vulgarização do termo agroecologia gerou interpretações confusas, como: 
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
49UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
confundir Agroecologia com a simples adoção de determinadas práticas ou 
tecnologias agrícolas ambientalmente mais adequadas ou com uma agricul-
tura que não usa agrotóxicos ou, simplesmente, com a substituição de insu-mos. Por isso mesmo, é cada vez mais comum ouvirmos frases equivocadas 
do tipo: “existe mercado para a Agroecologia”; “a Agroecologia produz tanto 
quanto a agricultura convencional”; “a Agroecologia é menos rentável que a 
agricultura convencional”; “a Agroecologia é um novo modelo tecnológico”. 
Em algumas situações, chega-se a ouvir que, “agora, a Agroecologia é uma 
política pública”, “a Agroecologia é um movimento social” ou “vamos fazer 
uma feira de Agroecologia”. Como já escrevemos em outro lugar, “apesar da 
provável boa intenção do seu emprego, todas essas frases estão equivoca-
das, se entendermos a Agroecologia como um enfoque científico, como uma 
matriz disciplinar” (CAPORAL e COSTABEBER, 2004, p. 06-07).
Essas “interpretações errôneas reduzem o significado mais amplo do termo Agroe-
cologia, mascarando sua potencialidade para apoiar processos de desenvolvimento rural 
sustentável” e entender que se trata de um novo paradigma em construção (CAPORAL e 
COSTABEBER, 2004, p. 06-07).
Prejudicam o entendimento da Agroecologia como CIÊNCIA que estabelece as 
bases para a construção de ESTILOS DE AGRICULTURAS sustentáveis e de ESTRATÉ-
GIAS de desenvolvimento rural sustentável.
Desta forma, no intuito de esclarecer esses conceitos dúbios Caporal e Costabeber 
(2004, p. 11) conceitua agroecologia como “um enfoque científico destinado a apoiar a 
transição dos atuais modelos de desenvolvimento rural e de agricultura convencionais 
para estilos de desenvolvimento rural e de agriculturas sustentáveis”.
Corroborando, Altieri (2004) diz que a Agroecologia constitui:
Agroecologia é a ciência ou a disciplina científica que apresenta uma série de 
princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar 
e avaliar agroecossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o 
desenvolvimento de estilos de agricultura com maiores níveis de sustenta-
bilidade. A Agroecologia proporciona, então, as bases científicas para apoiar 
o processo de transição para uma agricultura sustentável nas suas diversas 
manifestações e/ou denominações (ALTIERI, 2004, p. 14).
Altiere (2004, p. 15) ainda salienta que a adoção de medidas coerentes para uma 
agricultura realmente sustentável deve passar pela compreensão mais profunda da ecolo-
gia humana dos sistemas agrícolas. Assim, “a emergência da agroecologia como uma nova 
e dinâmica ciência representa um enorme salto na direção certa.” A agroecologia fornece os 
princípios ecológicos básicos para o estudo e tratamento de ecossistemas tanto produtivos 
quanto preservadores dos recursos naturais, e que sejam culturalmente sensíveis, social-
mente justos e economicamente viáveis (ALTIERI, 1998).
50UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
A partir da visão agroecossistêmica, podem-se construir unidades saudáveis, 
produtivas, equilibradas e com baixo consumo energético externo, para que interações 
ecológicas gerem um equilíbrio complexo e dinâmico, protegendo as culturas e gerando 
fertilidade no sol (ALTIERI, 1998).
A agroecologia integra e articula conhecimentos de diferentes ciências, assim como 
o saber popular, permitindo tanto a compreensão, análise e crítica do atual modelo de 
desenvolvimento e de agricultura industrial, como o desenho de novas estratégias para 
o desenvolvimento rural sustentável e de estilos de agriculturas sustentáveis, desde uma 
abordagem transdisciplinar e holística (CAPORAl, 2009, p. 07).
Complementando, Caporal (2009, p. 08) relata que os elementos centrais da 
Agroecologia podem ser agrupados em três dimensões: 
a) ecológica e técnico agronômica; 
b) socioeconômica e cultural; e
c) sócio-política. 
Estas dimensões não são isoladas. Na realidade concreta elas se entrecruzam, 
influem uma à outra, de modo que estudá-las, entendê-las e propor alternativas supõe, 
necessariamente, uma abordagem inter, multi e transdisciplinar, razão pela qual os agroe-
cólogos e seus pares lançam mão de ensinamentos da Física, da Economia Ecológica e 
Ecologia Política, da Agronomia, da Ecologia, da Educação e Comunicação, da História, da 
Antropologia e da Sociologia, para ficarmos em alguns dos aportes dos diferentes campos 
de conhecimento (JACOB, 2016).
Ou seja, a agroecologia é “uma ciência não pode deixar de absorver os aspectos 
sociais, culturais, e ambientais, considerando a inclusão política e o empowerment dos 
seus atores, por meio de uma ação social coletiva, de caráter participativo” (CAPORAL e 
COSTABEBER, 2004, p. 11). Sendo uma ciência emergente, formada a partir de quatro 
áreas do conhecimento: agricultura, ecologia, antropologia e sociologia rural (CAPORAL e 
COSTABEBER, 2004).
Complementando, Pereira e Andrade (2006, p. 22-23) relata que a agroecologia 
possui sentido multidimensional: sustentabilidade econômica, sustentabilidade ecológica, 
social, cultural política e dimensão ética.
51UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
A sustentabilidade econômica (potencial de renda e trabalho, acesso ao mercado); 
melhoria da renda familiar; garantia da produção de alimentos e agregação de valor à 
produção primária.
Sustentabilidade Ecológica (manutenção, melhoria de qualidade dos recursos 
naturais e das relações ecológicas de cada ecossistema); conservação e melhoria das 
condições físicas, químicas e biológicas do solo; utilização e reciclagem de nutrientes e 
preservação e recuperação da paisagem natural.
Sustentabilidade Social (inclusão das populações mais pobres e segurança 
alimentar); subsistência nas comunidades; qualidade de vida da população rural e acesso 
à educação, saúde e previdência social.
Sustentabilidade Cultural (respeita as culturas tradicionais); incorporação do 
conhecimento local nas formas de manejo; resgate e aplicação dos saberes locais sobre a 
biodiversidade; Valores culturais e suas relações com o trabalho agrícola.
Sustentabilidade Política (organização para a mudança e participação nas decisões); 
ética (valores morais transcendentes). Presença de formas associativas e de ação coletiva; 
ambiente de relações sociais adequadas a participação e existência de representação local 
em defesa de seus interesses no âmbito da sociedade maior. 
A dimensão ética requer o fortalecimento de princípios e valores que expressam 
a solidariedade sincrônica (entre as gerações atuais) e solidariedade diacrônicas entre as 
atuais e futuras gerações.
Segundo Altieri (2004), a Agroecologia apresenta alguns elementos técnicos como:
Conservação e Regeneração dos Recursos Naturais - a. Solo (controle da 
erosão, fertilidade e saúde das plantas) b. Água (captação/coleta, conservação 
in situ, manejo e irrigação) c. Germoplasma (espécies nativas de plantas e 
animais, espécies locais, germoplasma adaptado) d. Fauna e flora benéficas 
(inimigos naturais, polinizadores, vegetação de múltiplo uso)
II. Manejo dos Recursos Produtivos a. Diversificação: - temporal (isto é, 
rotações, seqüências) - espacial (policultivos, agroflorestas, sistemas mistos 
de plantio/criação de animais) - genética (multilinhas) - regional (isto é, 
zoneamento, bacias hidrográficas) b. Reciclagem dos nutrientes e matéria 
orgânica: - biomassa de plantas (adubo verde, resíduos das colheitas, 
fixação de nitrogênio) - biomassa animal (esterco, urina, etc.) - reutilização de 
nutrientes e recursos internos e externos à propriedade c. Regulação biótica 
(proteção de cultivos e saúde animal): - controle biológico natural (aumento 
dos agentes de controle natural) - controle biológico artificial (importação e 
aumento de inimigos naturais, inseticidas botânicos, produtos veterinários 
alternativos, etc.) III. Implementação de Elementos Técnicos a. Definição 
de técnicas de regeneração, conservação e manejo de recursos adequados 
às necessidades locais e ao contexto agroecológico e socioeconômico. b. 
O nível de implementação pode ser o da microrregião, bacia hidrográfica, 
unidade produtiva ou sistema de cultivo. c. A implementação é orientada 
por umaconcepção holística (integrada) e, portanto, não sobrevaloriza 
52UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
elementos isolados. d. A estratégia deve estar de acordo com a racionalidade 
camponesa, incorporando elementos do manejo tradicional de recursos. 
Intensifica o controle biológico de pragas fornecendo um habitat para os 
inimigos naturais; - aumenta a capacidade de múltiplo uso do território; 
- assegura uma produção sustentável das culturas sem o uso de insumos 
químicos que possam degradar o ambiente (ALTIERI, 2004, p. 25).
A agroecologia é o caminho para a busca da produção mais sustentável, pela 
preservação da diversidade, e o entendimento do conhecimento camponês sobre os ecos-
sistemas.
Como resultado da aplicação dos princípios da Agroecologia, pode-se alcançar estilos de agricultura de 
base ecológica e, assim, obter produtos de qualidade biológica superior. Mas, para respeitar os princípios, 
esta agricultura deve atender requisitos sociais, considerar aspectos culturais, preservar recursos ambien-
tais, considerar a participação política e o empoderamento dos seus atores, além de permitir a obtenção 
de resultados econômicos favoráveis ao conjunto da sociedade, com uma perspectiva temporal de longo 
prazo, ou seja, uma agricultura sustentável.
 
Fonte: Caporal e Costabeber (2004, p. 15).
53UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
Manejo e criação de abelhas nativas sem ferrão
O manejo de abelhas nativas sem ferrão é chamado de Meliponicultura e visa, além do fortalecimento da 
produtividade das áreas de plantio, a diversificação produtiva, a segurança alimentar e a conservação de 
abelhas nativas e seus serviços ecológicos, especialmente a polinização. 
Atualmente, o manejo das abelhas nativas sem ferrão é fortalecido por meio da troca de informações entre 
os profissionais (técnicos e pesquisadores) e criadores, que contribuem com seu conhecimento local.
Somente na Amazônia brasileira são conhecidas aproximadamente 130 espécies de abelhas sem ferrão. 
Um estudo realizado pelo Instituto Mamirauá, nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã 
e Mamirauá, identificou 33 espécies de abelhas nativas sem ferrão. Algumas delas são conhecidas pela 
população local como: jandaíra-preta, jandaíra-amarela, uruçú-boca-de-renda, uruçú-preta, uruçú-
amarela, uruçú-boi e diversos outros nomes.
Os objetivos são incentivar o manejo e o aproveitamento dos ninhos de abelhas nativas sem ferrão; e 
fortalecer as práticas dessa atividade que se apresenta como mais um elemento de diversificação da 
produção rural e que contribui para a conservação dos ambientes agrícola e natural. 
Visa ainda apoiar os agentes envolvidos no manejo de abelhas nativas sem ferrão e outros grupos que 
possam se interessar pela atividade, por meio de procedimentos simples e práticos.
Fonte: SILVA, J. R. da; DEMETERCO, C. A.; ARAUJO, P. de C. M.; STEWARD, A. M. Manejo de abelhas 
nativas sem ferrão na Amazônia Central: experiências nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável 
Amanã e Mamirauá. Tefé, AM: IDSM, 2018. Disponível em : https://www.mamiraua.org.br/
documentos/203b72258e1fc57b8b8255d87795daa1.pdf. Acesso: 16 ago. 2022. 
https://www.mamiraua.org.br/documentos/203b72258e1fc57b8b8255d87795daa1.pdf
https://www.mamiraua.org.br/documentos/203b72258e1fc57b8b8255d87795daa1.pdf
54UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
Manejo e implementação de Sistemas Agroflorestais (SAF’s)
Os sistemas agroflorestais são realizados de forma tradicional pelas famílias de agricultores sendo a produção 
de espécies frutíferas e hortaliças utilizadas na complementação da renda e na composição alimentar das 
famílias e de suas criações. O PMA busca conhecer o manejo tradicional e propor melhorias nestas práticas 
a partir do incentivo ao uso de práticas agroecológicas, que valorizem a produção de alimentos saudáveis 
e de procedência conhecida, livres de agrotóxicos e de insumos externos, que valorizam o trabalho do 
agricultor e que proporcionem a sustentabilidade das áreas produtivas. As capacitações e assessorias para 
o manejo de SAF’s buscam estimular o aperfeiçoamento do manejo dos agroecossistemas, aproveitando 
as características dos sistemas naturais, buscando incentivar a diversificação produtiva, o aumento da 
agrobiodiversidade e a melhoria do uso do solo de forma a proporcionar melhorias na produtividade dos 
agroecossistemas.
Fonte: SILVA, J. R. da; DEMETERCO, C. A.; ARAUJO, P. de C. M.; STEWARD, A. M. Manejo de abelhas 
nativas sem ferrão na Amazônia Central: experiências nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável 
Amanã e Mamirauá. Tefé, AM: IDSM, 2018. Disponível em : https://www.mamiraua.org.br/
documentos/203b72258e1fc57b8b8255d87795daa1.pdf. Acesso: 16 ago. 2022. 
https://www.mamiraua.org.br/documentos/203b72258e1fc57b8b8255d87795daa1.pdf
https://www.mamiraua.org.br/documentos/203b72258e1fc57b8b8255d87795daa1.pdf
55
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta segunda unidade relatamos sobre agroecossistema sua estrutura dentro de 
um ecossistema natural. Um sistema modificado pelo homem no intuito de obter alimento 
e lucro. Relatamos também sobre a importância da transição de um sistema convencional 
para o agroecológico.
 Vimos que agroecologia é uma ciência que fornece os princípios ecológicos bá-
sicos para o estudo e tratamento de ecossistemas tanto produtivos quanto preservadores 
dos recursos naturais, e que sejam culturalmente sensíveis, socialmente justos e economi-
camente viáveis, proporcionando assim, um agroecossistema sustentável. É uma ciência 
que orienta a adoção de tecnologias e práticas em sistemas de produção, procurando imitar 
os processos como ocorrem na natureza, evitando romper o equilíbrio ecológico que dá 
estabilidade aos ecossistemas naturais.
 
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
56
LEITURA COMPLEMENTAR
Resumo: Este estudo foi realizado no estuário do rio São Francisco, em áreas 
de manguezais no município de Brejo Grande-SE, buscando contemplar a eminente ne-
cessidade de compreender as atividades econômicas desenvolvidas pela população local, 
com destaque para a captura de caranguejo e a pesca, sob a perspectiva de análise da 
estrutura e funcionalidade dos agroecossistemas e suas propriedades como: produtivida-
de, sustentabilidade, estabilidade e equidade. A coleta de dados foi realizada a partir de 
entrevistas e pela aplicação de questionários entre pescadores e catadores de caranguejo, 
privilegiando a abordagem sistêmica na interpretação e apresentação dos resultados da 
pesquisa. As atividades desenvolvidas pela população no estuário estão organizadas num 
sistema complexo (agroecossistemas), apresentando componentes bióticos, como peixes, 
crustáceos e moluscos; e abióticos, destacando-se os subsistemas solo e água, bem como 
a complexidade da interação entre estes e no estabelecimento de seu limite espacial. As 
modificações recentes ocorridas na dinâmica ambiental do estuário têm promovido altera-
ções na produtividade, sustentabilidade, estabilidade e equidade no agroecossistema local.
Fonte: CUNHA, C. DE J.; HOLANDA, F. S. R. Estrutura, função e propriedades de agroecossis-
temas: um estudo de caso no estuário do rio São Francisco. S/A, 22 p. Disponível em: http://isssbrasil.usp.br/
artigos/cleidinilson.pdf. Acesso: 15 out. 2022.
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
http://isssbrasil.usp.br/artigos/cleidinilson.pdf
http://isssbrasil.usp.br/artigos/cleidinilson.pdf
57
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Caminhos para mudanças de processos e práticas rumo 
à agroecologia.
Autor: Padovan, Milton Parron.
Editora: Gráfica Stilus Ltda.
Sinopse: A mudança de manejos de propriedades rurais rumo 
à Agroecologia apresenta-se como uma alternativa aos mode-
los tradicionais de exploração agropecuária, que podem causar 
problemas ambientais irreversíveis, com sérias implicâncias 
sociais. Entretanto, o processo é complexo e requer conscienti-
zação e formação dos diferentes atores envolvidos (agricultores 
e técnicos,entre outros), para a mudança de posturas que 
resultem na adoção de princípios agroecológicos. No Brasil, 
há grande carência de materiais técnico-pedagógicos com 
linguagem simples, boa profundidade nas abordagens, para 
dar suporte ao desenvolvimento de trabalhos, principalmente 
junto a agricultores familiares, escolas e universidades.
Fonte: PADOVAN, M. P. Caminhos para mudanças de processos e práticas 
rumo à agroecologia. Dourados, MS: Embrapa Agropecuária Oeste. 2011. 
51 p. Disponível em: http://agroecologia.gov.br/sites/default/files/publica-
coes/1%20LIVROAGROECOLOGIA.pdf. Acesso em: 16 ago. 2022.
FILME/VÍDEO 
Título: Sustentabilidade - Transição de um agroecossistema 
convencional para o de base ecológica.
Ano: 2013. 
Sinopse: Vídeo produzido por alunos do curso de Agronomia 
da UFRPE - UAG na disciplina de Agroecologia e Fitogeografia 
ministrada pelo Professor Renato Molica. Vídeo da ênfase à 
sustentabilidade de agroecossistemas de base ecológica.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=6HkTJw-
QOYxE
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
http://agroecologia.gov.br/sites/default/files/publicacoes/1 LIVROAGROECOLOGIA.pdf
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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Plano de Estudos
• Princípios que fundamentam a prática agroecológica;
• Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica;
• Agricultura familiar e sustentabilidade;
• 	Certificação	agrícola	-	ciclo	da	certificação	de	rede	de	agricultura	
sustentável.
Objetivos da Aprendizagem
• Conhecer os princípios que fundamentam a prática agroecológica;
• Estabelecer a importância da Política Nacional de Agroecologia e 
Produção Orgânica;
• Conceituar e contextualizar a Agricultura familiar e sustentabilidade;
• 	Compreender	os	tipos	de	Certificação	agrícola	-	ciclo	da	certificação	
de rede de agricultura sustentável.
Professora Mestre Sônia Maria Crivelli Mataruco
PRINCÍPIOS DA PRINCÍPIOS DA 
AGROECOLOGIAAGROECOLOGIA
UNIDADEUNIDADE3
59
INTRODUÇÃO
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Olá alunos (as) estamos novamente aqui na terceira unidade da nossa disciplina 
de agroecologia.
Nesta unidade continuaremos nosso papo em agroecologia, no qual retrataremos 
os princípios que fundamentam a prática agroecológica. A agroecologia como ciência traz 
princípios norteadores que devem ser seguidos por produtores que desejam trabalhar com 
agricultura sustentável baseadas nas vertentes agroecológicas.
Falaremos sobre a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – PNA-
PO o Decreto nº 7.794, de 20 de agosto de 2012, institui a Política Nacional de Agroecologia 
e Produção Orgânica, fazendo com que o Brasil se tornasse o primeiro país a com medidas 
públicas voltadas à agroecologia e à produção orgânica.
Retrataremos a agricultura familiar e sustentabilidade, seus benefícios e contribui-
ções para a produção de alimentos, geração de renda e emprego no Brasil. 
A agricultura familiar, responsável por 77% dos estabelecimentos agrícolas do 
Brasil, proporciona mais trabalho a mais de 10 milhões de pessoas, correspondendo a 67% 
da força de trabalho ocupada em atividades agropecuárias (IBGE, 2017).
E por fim trataremos sobre a Certificação agrícola - ciclo da certificação de rede de 
agricultura sustentável mostrando seu papel no estabelecimento de conformidades para a 
trajetória de produtos agrícolas e industriais, desde sua fonte de produção até o ponto final 
de venda ao consumidor, com avaliação de conformidade nas regras estabelecidas.
PRINCÍPIOS QUE 
FUNDAMENTAM A PRÁTICA 
AGROECOLÓGICA1
TÓPICO
60
A ciência agroecológica traz diversos princípios a serem adotados pelas agricultu-
ras que tem como base a sustentabilidade. 
Os princípios agroecológicos têm como objetivo compreender a “bases da agroe-
cologia, enquanto campo de conhecimento científico, e considerar que a implementação de 
sistemas de produção de base ecológica deve ser realizada mediante transição agroecoló-
gica” conforme já mencionamos na unidade anterior (GLIESSMAN, 2018, p. 598).
Assim, Gliessman (2018) apresenta a seguinte definição para a agroecologia:
Agroecologia é a integração de pesquisas, educação, ação e mudanças que 
propiciam sustentabilidade para todas as partes do sistema alimentar: eco-
lógica, econômica e social. Ela é transdisciplinar, pois valoriza diferentes for-
mas de conhecimentos e experiências direcionadas para a transformação do 
sistema alimentar. Ela é participativa, pois requer envolvimento de todos os 
sujeitos, de agricultores até consumidores. Ela é orientada por ações, pois 
confronta estruturas econômicas e políticas do atual sistema alimentar atra-
vés de estruturas sociais e ações políticas alternativas. Sua abordagem é 
baseada no pensamento ecológico, onde uma compreensão holística sobre 
a sustentabilidade dos sistemas alimentares em vários níveis se faz neces-
sária. Tal definição ressalta a multidimensionalidade da agroecologia, ao en-
volver a integração entre pesquisa, educação, ação (prática), na busca por 
mudanças ecológicas, econômicas e sociais que conduzam à sustentabilida-
de em todo o sistema alimentar. O caráter transdisciplinar, a necessidade de 
participação de agricultores, consumidores e outros sujeitos, o confronto às 
estruturas de poder econômico e político do atual sistema alimentar indus-
trial, através de estruturas sociais alternativas e da ação política, bem como 
seu embasamento a partir de um pensamento ecológico e holístico (GLIES-
SMAN, 2018, p. 599). 
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
61UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Conforme definição acima e já mencionado nas primeiras unidades deste livro a 
agroecologia é a integração de pesquisas, educação, ação com mudanças tendo como 
vertentes bases: ecológica que dá vida ao solo, melhora o desenvolvimento das plantas 
e contribui para a biodiversidade, econômica com comércio e distribuição de alimentos 
curtas e justas; e principalmente visa a subsistência das famílias que trabalham com agri-
cultura familiar e os mercados locais, e social, que possibilita a troca de conhecimentos 
entre agricultores, respeitando a diversidade cultural, as mulheres e os jovens, sendo mul-
tidimensional, transdisciplinar participativa, com potencial transformador, orientada 
de forma holística sobre a sustentabilidade (GLIESSMAN, 2018).
Complementando, Gliessman (2018) relata que para transformar a agricultura no 
viés da agroecologia é necessário adotar uma abordagem que atenda simultaneamente, os 
três grandes aspectos que permeiam a agroecologia:
Científico: necessidade de ampliação dos conhecimentos sobre as relações 
ecológicas entre as espécies agrícolas domesticadas; entre essas espécies e 
o ambiente biofísico, sobretudo o solo enquanto ecossistema; e, entre espé-
cies agrícolas e naturais dos ecossistemas. Prático: necessidade de práticas 
agrícolas efetivas e inovadoras nas áreas onde se desenvolve a agroecolo-
gia, ou seja, nos agroecossistemas – que satisfaçam nossas necessidades 
alimentares do presente e que estejam atentas às necessidades do futuro. A 
troca de conhecimentosempíricos e a aproximação entre aqueles que produ-
zem conhecimentos (agricultores, cientistas, técnicos) e aqueles que aplicam 
os conhecimentos (sobretudo agricultores), é fundamental para o avanço das 
práticas agroecológicas; Mudanças sociais: necessidade de mudanças nas 
formas como os humanos se relacionam com a alimentação/comida; nos sis-
temas econômicos e sociais que determinam a distribuição dos alimentos; e, 
nas formas como a comida interfere nas relações de poder entre populações, 
classes e países. Esse aspecto, engloba a busca pela segurança alimentar 
para todos, bem como os meios para se ativar e sustentar essas mudanças. 
Apesar de todos esses aspectos serem críticos, é a integração entre eles que 
permitirá construir a estrutura para se alcançar a transformação do sistema 
alimentar (GLIESSMAN, 2018, p. 599). 
A agroecologia enquanto ciência refere-se a forma que se utiliza dos conhecimen-
tos integrados da Agronomia, da Ecologia e de outras áreas do conhecimento tornando-se 
uma ciência multidisciplinar. 
A agroecologia enquanto prática trata-se do buscar novas formas de desenvolvê-la 
e aperfeiçoá-la visando o suprimento das necessidades da família e da comunidade, a 
criação de novos métodos e técnicas que revolucionam e modificam a agricultura, desde a 
tração animal, o plantio de forragens o uso intensivo de matéria orgânica (esterco), novas 
tecnologias de produção agrícola, sementes híbridas, fertilizantes e agrotóxicos sintéticos, 
e na área de biotecnologia à criação de organismos geneticamente modificados, clones de 
animais, entre outras técnicas (MARCHIONI e CARVALHO, 2022).
62UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
A agroecologia enquanto movimento social trata-se dos movimentos ambientalistas 
que influenciaram a agroecologia numa perspectiva crítica uma ferramenta para pensar e 
organizar um futuro agrícola mais sustentável.
Os princípios ou objetivos agroecológicos propostos por Altieri (2004) são:
1-Conservar e ampliar a biodiversidade dos ecossistemas, proporcionando 
o maior número possível de interações entre solo, plantas e animais; assim 
haverá o fortalecimento, autorregulação do agroecossistema. 2- Assegurar 
as condições de vida do solo que permitam a manutenção de sua fertilidade 
e o desenvolvimento saudável das plantas, por meio de práticas como: a)
Cobertura permanente do solo (viva ou mülching) - o uso de cobertura do solo 
com material que não seja plantas vivas, como por exemplo um filme plástico 
de espessura fina que serve para proteger o solo e o sistema radicular das 
plantas (responsável por realizar a interface entre a planta e o solo), além 
das linhas de plantio e canteiros. b) Adubação verde com o uso de certas 
plantas que são capazes de reciclar os nutrientes presentes em camadas 
profundas do solo, ou na atmosfera, tornando o solo mais fértil e mais 
produtivo. Podendo por exemplo utilizar espécies que pertencem à família 
das leguminosas, gramíneas, crucíferas ou de cereais a fim de tornar o solo 
mais fértil. c) Proteção contra os ventos, como por exemplo uso de cortinas 
verdes. d)Práticas de conservação do solo (controle da erosão), a perda de 
solo, principalmente das camadas superficiais, mais férteis, proporciona à 
diminuição da produtividade das culturas. d1-Rotação de culturas, para 
diminuir a exaustão do solo. d2 - Cultivo em faixas, entre outras. 3- Usar 
espécies ou variedades adaptadas às condições locais de solo e clima, 
minimizando exigências externas para um bom desenvolvimento da cultura. 
4- Assegurar uma produção sustentável das culturas sem utilizar insumos 
químicos que possam degradar o ambiente, fazendo uso da adubação 
orgânica, de produtos minerais pouco solúveis (fosfato de rocha, calcário, pó 
de rocha, etc) e de um manejo fitossanitário que integre as práticas culturais, 
mecânicas e biológicas para o controle de pragas e doenças.5- Diversificar 
as atividades econômicas da propriedade, buscando a integração entre elas 
para maximizar a utilização dos recursos endógenos e assim diminuir a 
aquisição de insumos externos à propriedade (ALTIERI, 2004, p. 65-66).
Segundo Blume e Reiniger (2007, p. 09), os princípios e métodos ecológicos formam 
a base da Agroecologia. Eles são essenciais para determinar:
a) se uma prática, insumo ou decisão de manejo agrícola é sustentável; 
b) a base ecológica para o funcionamento, a longo prazo, da estratégia de ma-
nejo escolhida.
Do ponto de vista de manejo, os componentes básicos de um agroecossistema 
incluem:
a) cobertura vegetal como meio eficaz de conservar o solo e a água: pode ser obtida 
através de práticas de cultivo que não movam o solo, uso de cobertura morta, cultivos 
de cobertura viva, etc.;
63UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
b) suprimento regular de matéria orgânica: obtido com a incorporação regular de ma-
téria orgânica (esterco, composto) e promoção da atividade biológica do solo;
c) mecanismos eficazes de reciclagem dos nutrientes incluindo: rotações de culturas, 
sistemas mistos de cultivos/criação, agroflorestamento e sistemas de consorciação 
baseados em leguminosas; 
d) regulação de pragas: as práticas de manipulação da biodiversidade e a introdução 
e/ou conservação dos inimigos naturais fornecem os agentes biológicos necessários 
para o controle das mesmas.
Segundo Altieri (2004, p. 25) os elementos técnicos básicos de uma estratégia 
agroecológica são:
I. Conservação e Regeneração dos Recursos Naturais;
II. Manejo dos Recursos Produtivos;
III. Implementação de Elementos Técnicos.
1.1 Conservação e Regeneração dos Recursos Naturais;
Para que haja a conservação e regeneração dos recursos naturais é necessário 
pensar na propriedade do solo, buscando o controle da erosão, providenciar cobertura 
com folhas, galhos, vegetação visando manter a fertilidade e consequentemente a saúde 
das plantas. Outro item é o recurso água (captação/coleta, conservação in situ, manejo 
e irrigação). O autor descreve ainda a necessidade de manutenção do Germoplasma 
(espécies nativas de plantas e animais, espécies locais, germoplasma adaptado); e a fauna 
e flora benéficas (inimigos naturais, polinizadores, vegetação de múltiplo uso) que são de 
extrema importância para a manutenção do meio ambiente equilibrado (ALTIERI, 2004).
1.2 Manejo dos Recursos Produtivos
O manejo é constituído de:
A. Diversificação;
B. Reciclagem dos nutrientes e matéria orgânica;
C. Regulação biótica.
64UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
A. Diversificação:
a1- Temporal (isto é, rotações, sequências); sistema de diferentes cultivos em 
uma mesma área. A rotação de cultivos proporciona melhora a fertilidade do solo e a 
sobrevivência dos patógenos das plantas, entre outros. Em muitos sistemas agrícolas, as 
rotações são o meio principal de manter a fertilidade do solo e obter um controle de ervas, 
pragas e doenças:
fertilização equilibrada utilizando sequências de cultivos de estruturação e 
de exploração; b) inclusão de, no mínimo, um cultivo de leguminosas; c) in-
clusão de plantios com diferentes sistemas de enraizamento; d) separação 
de cultivos com suscetibilidade semelhante a pragas e doenças; e) diversifi-
cação e alternância entre culturas suscetíveis a ervas adventícias e culturas 
supressoras das mesmas; f) uso de adubos verdes e de cobertura do solo no 
inverno; g) uso de práticas que aumentam a matéria orgânica do solo (ALTIE-
RI, 2004, p. 71).
Desta forma o uso de um ou mais sistemas alternativos de produção propicia a 
interação entre os componentes do agroecossistema, sendo bastante positivo, pois:
a) fechamento dos ciclos de nutrientes; b) conservação do solo e da água e 
uso eficaz dos recursos locais; c) aumento do controle biológico de pragas 
através da diversificação; d) ampliação da capacidade de múltipla utilização 
da paisagem; e) produção sustentada do cultivo sem o uso de insumos que 
degradam o ambiente (ALTIERI, 2004, p. 68).
a2 - Espacial (policultivos, agroflorestas, sistemas mistosde plantio/criação de 
animais) - trata-se das formas de se ocupar e produzir os alimentos e outros bens de 
consumo, levando em consideração o delineamento espacial. 
Corroborando, Altieri (2004) diz que:
o objetivo da maioria desses sistemas é otimizar os efeitos benéficos das 
interações dos componentes lenhosos com os demais componentes vegetais 
e animais, visando obter um padrão de produção superior ao que geralmente 
se obtém nas monoculturas, com base nos mesmos recursos disponíveis, 
sob condições sociais, ecológicas e econômicas determinadas (ALTIERI, 
2004, p. 69).
a3- Genética (multilinhas) são uma mistura de linhagens, e tem sido utilizada com 
frequências no controle de doenças de plantas autógamas tais como trigo e aveia. O uso 
das multilinhas além de diminui a intensidade da doença nos cultivos amplia a produtividade. 
a4- Regional (zoneamento, bacias hidrográficas) como o zoneamento é possível 
discernir os atuais usos inapropriados, conduzir satisfatoriamente a posse de paisagens 
produtivas inoperantes e realizar a divisão da sub-bacia visando facilitar a delimitação am-
biental das políticas de desenvolvimento.
65UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
B. Reciclagem dos nutrientes e matéria orgânica:
 ● Biomassa de plantas (adubo verde, resíduos das colheitas, fixação de 
nitrogênio);
 ● Biomassa animal (esterco, urina, etc.);
 ● Reutilização de nutrientes e recursos internos e externos à propriedade.
C. Regulação biótica (proteção de cultivos e saúde animal):
 ● Controle biológico natural (aumento dos agentes de controle natural);
 ● Controle biológico artificial (importação e aumento de inimigos naturais, 
inseticidas botânicos, produtos veterinários alternativos, etc.)
1.3 Implementação de Elementos Técnicos
a. Definição de técnicas de regeneração, conservação e manejo de recursos 
adequados às necessidades locais e ao contexto agroecológico e socioeconômico. 
b. O nível de implementação pode ser o da microrregião, bacia hidrográfica, 
unidade produtiva ou sistema de cultivo. 
c. A implementação é orientada por uma concepção holística (integrada) e, 
portanto, não sobrevaloriza elementos isolados.
d. A estratégia deve estar de acordo com a racionalidade camponesa, incorporando 
elementos do manejo tradicional de recursos.
Assim, na agroecologia, a preservação e ampliação da biodiversidade dos 
agroecossistemas é o primeiro princípio utilizado para produzir autorregulação e 
sustentabilidade. 
Quando a biodiversidade é restituída aos agroecossistemas, numerosas e 
complexas interações passam a estabelecer-se entre o solo, as plantas e 
os animais. O aproveitamento de interações e sinergismos complementares 
pode resultar em efeitos benéficos, pois: - cria uma cobertura vegetal contínua 
para a proteção do solo; - assegura constante produção de alimentos, 
variedade na dieta alimentar e produção de alimentos e outros produtos para 
o mercado; - fecha os ciclos de nutrientes e garante o uso eficaz dos recursos 
locais; - contribui para a conservação do solo e dos recursos hídricos através 
da cobertura morta e da proteção contra o vento; - intensifica o controle 
biológico de pragas fornecendo um habitat para os inimigos naturais; - 
aumenta a capacidade de múltiplo uso do território; - assegura uma produção 
sustentável das culturas sem o uso de insumos químicos que possam 
degradar o ambiente (ALTIERI, 2004, p. 75).
66UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Desta forma, a produção sustentável em um agroecossistema deriva do equilíbrio 
entre plantas, solos, nutrientes, luz solar, umidade e outros organismos coexistentes.
O agroecossistema é produtivo e saudável quando essas condições 
de crescimento ricas e equilibradas prevalecem, e quando as plantas 
permanecem resilientes de modo a tolerar estresses e adversidades. Às vezes, 
as perturbações podem ser superadas por agroecossistemas vigorosos, que 
sejam adaptáveis e diversificados o suficiente para se recuperarem passado 
o período de estresse. Ocasionalmente, os agricultores que empregam 
métodos alternativos podem ter de aplicar medidas mais drásticas (isto 
é, inseticidas botânicos, fertilizantes alternativos) para controlar pragas 
específicas ou deficiências do solo. A agroecologia engloba orientações de 
como fazer isso, cuidadosamente, sem provocar danos desnecessários ou 
irreparáveis. Além da luta contra as pragas, doenças ou problemas do solo, o 
agroecologista procura restaurar a resiliência e a força do agroecossistema. 
Se a causa da doença, das pragas, da degradação do solo, por exemplo, for 
entendida como desequilíbrio, então o objetivo do tratamento agroecológico 
é restabelecê-lo (ALTIERI, 2004, p. 24).
Para Altieri (2004) a identificação desses princípios ajuda a reduzir o uso de insu-
mos externos comprados. 
POLÍTICA NACIONAL DE 
AGROECOLOGIA E PRODUÇÃO 
ORGÂNICA2
TÓPICO
67
O Decreto nº 7.794, de 20 de agosto de 2012, institui a Política Nacional de Agroe-
cologia e Produção Orgânica. 
Com este decreto, o Brasil se torna o primeiro país a com medidas públicas voltadas 
à agroecologia e à produção orgânica
No decreto nº 7.794/12, no seu primeiro artigo a Política Nacional de Agroecologia 
e Produção Orgânica - PNAPO, relata que tem como objetivo “integrar, articular e promover 
a transição agroecológica e a produção orgânica com vistas à melhoria da qualidade de 
vida da população, por meio da oferta de alimentos saudáveis e sustentáveis” (BRASIL, 
2012, p. 01).
O Art. 2º decreto nº 7.794/12, entende-se por:
I - produtos da sociobiodiversidade - bens e serviços gerados a partir de 
recursos da biodiversidade, destinados à formação de cadeias produtivas 
de interesse dos beneficiários que promovam a manutenção e valorização 
de suas práticas e saberes, e assegurem os direitos decorrentes, para 
gerar renda e melhorar sua qualidade de vida e de seu ambiente; II - 
sistema orgânico de produção - aquele que atendam aos princípios nela 
estabelecidos; III - produção de base agroecológica - aquela que busca 
otimizar a integração entre capacidade produtiva, uso e conservação da 
biodiversidade e dos demais recursos naturais, equilíbrio ecológico, eficiência 
econômica e justiça social, abrangida ou não pelos mecanismos de controle 
, IV- transição agroecológica - processo gradual de mudança práticas e de 
manejo de agroecossistemas, tradicionais ou convencionais, por meio da 
transformação das bases produtivas e sociais do uso da terra e dos recursos 
naturais, que levem a sistemas agricultura que incorporem princípios e 
tecnologias de base ecológica (BRASIL, 2012, p. 01).
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
68UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
A agroecologia promove a sustentabilidade, com meios de produção menos agres-
sivos ao meio ambiente, preservando os recursos naturais além da satisfação de outras 
necessidades dos seres humanos.
Segundo o Art. 3º a PNAPO - Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgâ-
nica tem como diretrizes:
I - promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional e do direito 
humano à alimentação adequada e saudável, por meio da oferta de produtos 
orgânicos e de base agroecológica isentos de contaminantes que ponham 
em risco a saúde; II - promoção do uso sustentável dos recursos naturais, 
observadas as disposições que regulem as relações de trabalho e favoreçam 
o bem-estar de proprietários e trabalhadores; III - conservação dos ecossis-
temas naturais e recomposição dos ecossistemas modificados, por meio de 
sistemas de produção agrícola e de extrativismo florestal baseados em re-
cursos renováveis, com a adoção de métodos e práticas culturais, biológicas 
e mecânicas, que reduzam resíduos poluentes e a dependência de insumos 
externos para a produção; IV - promoção de sistemas justos e sustentáveis 
de produção, distribuição e consumo de alimentos, que aperfeiçoem as fun-
ções econômica, social e ambiental da agricultura e do extrativismo florestal, 
e priorizem o apoio institucionalaos beneficiários da Lei n º 11.326, de 2006 ; 
V - valorização da agrobiodiversidade e dos produtos da sociobiodiversidade 
e estímulo às experiências locais de uso e conservação dos recursos gené-
ticos vegetais e animais, especialmente àquelas que envolvam o manejo de 
raças e variedades locais, tradicionais ou crioulas; VI - ampliação da parti-
cipação da juventude rural na produção orgânica e de base agroecológica; 
e VII - contribuição na redução das desigualdades de gênero, por meio de 
ações e programas que promovam a autonomia econômica das mulheres 
BRASIL, 2012, p. 02-03).
Já à Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo), é com-
posta por quatorze representantes da sociedade civil e quatorze de órgãos do Governo 
Federal, com seus respectivos suplentes, coube a missão que contou com a participação 
de diversos movimentos e organizações sociais ligados às temáticas da agroecologia e 
da produção orgânica promover a participação da sociedade na elaboração do Planapo 
– plano nacional de agroecologia e produção orgânica, propondo as diretrizes, objetivos e 
ações prioritárias a serem desenvolvidas.
A Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo), elaboraram 
diversas políticas públicas com objetivo de beneficiar agricultores e agricultoras dando 
condições de produzir de forma sustentável. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11326.htm
AGRICULTURA FAMILIAR E 
SUSTENTABILIDADE3
TÓPICO
69
3.1 Agricultura familiar 
Na agricultura familiar “a família ao mesmo tempo em que é proprietária dos meios 
de produção, assume o trabalho no estabelecimento produtivo” (MIRANDA; GOMES, 2016, 
p. 03). 
Desta forma, em entrevista ao UOL (2015, s/p) o presidente do segundo fórum 
mundial, Auxtin Ortiz, diz que “a agricultura familiar é o caminho para garantir a alimentação 
do planeta”. 
o caminho é promover e potencializar a agricultura familiar. O grande 
investimento só estará na agricultura enquanto for rentável e os preços forem 
bons para garantir uma margem de lucro, senão os grandes investidores 
deixarão de produzir, por isso esse tipo de agricultura não é sustentável 
do ponto de vista social nem ambiental. Não alimenta o planeta de forma 
duradoura (UOL, 2015, s/p).
Complementando, a agricultura familiar é regulamentada pela Lei nº 11.326, de 24 
de julho de 2006 que estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da 
Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais.
O Art. 3º da Lei acima citada entende que “agricultor familiar e empreendedor fami-
liar rural é aquele que pratica atividades no meio rural” (BRASIL, 2006, p. 01). Podendo ser 
também: silvicultores, aqüicultores, extrativistas, pescadores, povos indígenas, integrantes 
de comunidades remanescentes de quilombos rurais e demais povos e comunidades tradi-
cionais “que atendam simultaneamente aos requisitos previstos nos incisos I, II, III e IV do 
caput deste artigo” (BRASIL, 2006, p. 01).
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
70UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
 Segundo a determinação da Lei 11.326/2006 para ser agricultor familiar deve-se 
atender simultaneamente, aos seguintes requisitos:
I - Não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos 
fiscais; II - utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas ati-
vidades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III - tenha 
percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do 
seu estabelecimento ou empreendimento. IV - Dirija seu estabelecimento ou 
empreendimento com sua família. § 1º O disposto no inciso I do caput deste 
artigo não se aplica quando se tratar de condomínio rural ou outras formas 
coletivas de propriedade, desde que a fração ideal por proprietário não ultra-
passe 4 (quatro) módulos fiscais (BRASIL, 2006, p. 01).
A agricultura familiar compreende um tipo de produção agrícola desenvolvida na 
maioria das vezes para a subsistência das próprias famílias que geralmente moram em 
pequenas áreas de terras e lá desenvolvem o cultivo com as próprias mãos. Priorizam 
práticas tradicionais de cultivo mais sustentáveis de alimentos orgânicos de baixo impacto 
ambiental, sendo grande colaboradora da sustentabilidade e da responsabilidade socioam-
biental. A agricultura familiar representa entre 75 a 80% da produção mundial de alimentos. 
Constitui importante mecanismo para a economia local e desenvolvimento rural, para a 
inclusão social e relações de gênero, uma vez que permite a participação efetiva da mulher 
e de jovens agricultores. Contribui para a permanência da família no campo, proporcionan-
do mais geração de renda e emprego (MILLER e SPOOLMAN, 2012).
Características da agricultura familiar ou de subsistência:
 ●Realizada por pequenos produtores;
 ●Produção baixa e limitada;
 ●Finalidade principal é suprir as necessidades alimentares de um grupo;
 ●Uso de métodos rudimentares, tradicionais e sem muita tecnologia tais como: 
arado, enxada, etc.;
 ●Preferência pela policultura (cultivo de produtos distintos);
 ●Produtos sem agrotóxicos (mais saudáveis);
 ●Principais produtos cultivados: grãos, frutas, hortaliças.
No Brasil, a agricultura familiar está presente em quase 85% das propriedades 
rurais do país. Cerca de metade desse percentual está concentrado na região nordestina. 
O Nordeste é responsável por cerca de 1/3 da produção total (EMBRAPA, 2019).
Um avanço importante na definição de políticas públicas para o setor foi conquista-
do em 2006, através da Lei n.º 11.326 que estabelece conceitos, princípios e diretrizes para 
a criação de uma política nacional consistente e eficiente ligada à agricultura familiar e aos 
empreendimentos familiares rurais.
https://www.sitiopema.com.br/agricultura-familiar-sustentabilidade-agronegocio/
71UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Art. 4: A Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares 
Rurais observará, dentre outros, os seguintes princípios:
I - descentralização;
II - sustentabilidade ambiental, social e econômica;
III - eqüidade na aplicação das políticas, respeitando os aspectos de gênero, gera-
ção e etnia;
IV - participação dos agricultores familiares na formulação e implementação da po-
lítica nacional da agricultura familiar e empreendimentos familiares rurais (BRASIL, 2006).
No tocante à política públicas, uma das Políticas Públicas para a agricultura familiar 
com maior relevância iniciou em 1995 o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricul-
tura Familiar (Pronaf):
Programa de crédito que permite acesso a recursos financeiros para o desen-
volvimento da agricultura familiar. Beneficia agricultores familiares, assenta-
dos da reforma agrária e povos e comunidades tradicionais, que podem fazer 
financiamentos de forma individual ou coletiva, com taxas de juros abaixo da 
inflação. Facilita a execução das atividades agropecuárias, ajuda na compra 
de equipamentos modernos e contribui no aumento da renda e melhoria da 
qualidade de vida no campo (BIANCHINI, 2015, p. 60).
 O programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) busca 
incentivar a diversificação de atividades agrícolas nas propriedades familiares, oportunizan-
do o empreendedorismo por meio do processamento e agroindustrialização dos alimentos 
produzidos pela agricultura familiar, bem como atende às determinações mercadológicas 
e de adoção de práticas conservacionistas para uma produção ambiental, econômica e 
socialmente sustentável.
No Brasil, em 1995, foi criado o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura 
Familiar (Pronaf), visando:
O fortalecimento das atividades desenvolvidas pelo produtor familiar, de for-
ma a integrá-lo à cadeia de agronegócios, proporcionando-lhe aumento de 
renda e agregando valor ao produto e à propriedade, mediante a moderniza-
ção do sistema produtivo, valorização do produtor rural e a profissionalização 
dos produtores familiares(SILVA e BRANDT, 2016, p. 22).
O Pronaf - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar possui 
subprogramas como:
Pronaf Custeio; Pronaf Agroindústria; Pronaf Mulher; Pronaf ABC+ Agroecologia; 
Pronaf ABC+ Bioeconomia; Pronaf Mais Alimentos; Pronaf Jovem; Pronaf Microcrédito 
(Grupo "B") e Pronaf Cotas-Partes. 
72UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Algumas das principais Políticas Públicas vigentes de apoio à agricultura familiar 
são:
1. Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater);
2. Seguro da Agricultura Familiar (SEAF);
3. Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM); 
4. Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF);
5. Terra Brasil – Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF); 
6. Selo Nacional da Agricultura Familiar (SENAF); 
7. Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB); 
8. Programa Brasil Mais Cooperativo;
9. Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); 
10. Programa de Aquisição de Alimentos (PAA);
11. Programa Bioeconomia Brasil Sociobiodiversidade;
12. Programa Residência Profissional Agrícola;
13. Programa Ater Digital;
14. Programa Rotas da Integração Nacional;
15. Agroindústria Familiar. 
Visando o incentivo à agricultura familiar, o Estado tem intensificado políticas públi-
cas baseadas em atividades voltadas à sustentabilidade. 
Uma ferramenta importante na agricultura familiar é o Selo da Agricultura 
Familiar (SIPAF): O Selo de Identificação da Participação da Agricultura 
Familiar com objetivo de identificar produtos oriundos desta categoria, 
em função da sua importância na produção de alimentos agregando um 
conjunto de externalidades positivas. Para quem produz o Selo da Agricultura 
Familiar é um instrumento de agregação de valor, uma vez que o produto 
oriundo da agricultura familiar promove valores cada vez mais exigidos 
pelos consumidores: • Sustentabilidade; • Responsabilidade social; • 
Responsabilidade ambiental; • Valorização da cultura local; • Valorização da 
produção local (BIANCHINI, 2015, p. 60).
Outro fator importante a ser considerado na agricultura familiar é a pluriatividade:
um fenômeno que pressupõem a combinação de pelo menos duas ativida-
des, sendo uma delas a agricultura. Estas atividades são exercidas por indiví-
duos que pertencem a um grupo doméstico ligado por laços de parentesco e 
consangüinidade (filiação) entre si, podendo a ele pertencer, eventualmente, 
outros membros não consangüíneos (adoção), que compartilham entre si um 
mesmo espaço de moradia e trabalho (não necessariamente em um mesmo 
alojamento ou habitação) e se identificam como uma família (SCHNEIDER, 
2001, p. 165).
73UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Para Schneider (2001) a pluriatividade trata-se consistente na combinação de 
outras fontes de renda a fim de aumentar a receita familiar, é uma justificativa que possui 
um enorme crescimento no meio rural, em especial nos grupos de agricultura familiar. Isto, 
pois, este segmento possui uma carência maior em comparação aos grandes produtores. 
CERTIFICAÇÃO AGRÍCOLA 
- CICLO DA CERTIFICAÇÃO 
DE REDE DE AGRICULTURA 
SUSTENTÁVEL
4
TÓPICO
74
A certificação agrícola visa garantir maior qualidade nos alimentos, de forma que 
o consumidor possa ter controle da origem do produto que consome desde o plantio até a 
chegada ao mercado e com o selo de certificação.
A certificação é considerada um procedimento, segundo o qual uma terceira parte 
credenciada e independente, dá garantia escrita de que um produto, processo ou serviço 
está em conformidade com requisitos e normas especificadas, é um processo de auditoria 
de origem. É a trajetória de produtos agrícolas e industriais, desde sua fonte de produção 
até o ponto final de venda ao consumidor, com avaliação de conformidade nas regras esta-
belecidas (PENTEADO, 2012).
Atualmente os consumidores devido às redes sociais, internet, e outros meios de 
comunicação e o mercado globalizado estão bem mais informados e consequentemente 
mais exigentes e conscientes da necessidade de consumir produtos de qualidade, boa 
procedência. Aliado a isto a exigência dos importadores a certificação vem crescendo 
constantemente no Brasil e no mundo nos últimos anos, e estão exigindo uma garantia de 
qualidade, menor uso de agrotóxico, preservação da natureza, sustentabilidade, condições 
de trabalho nas atividades rurais entre outros (PENTEADO, 2012).
Desta forma, é possível agregar valor ao produto, ou seja, obtendo melhores preços 
em alguns mercados Europeus e no mercado interno. 
Assim, a certificação agrícola constitui uma das estratégias de muita eficiência para 
a adoção de medidas regulatórias que assegure a sustentabilidade da atividade agrícola 
e permita a formação de agricultores conscientes de preservação do meio ambiente e 
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
75UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
na obtenção de alimentos sadios. Trata-se de um instrumento de pressão econômica, 
englobando exigências do mercado consumidor, criando produtos diferenciados, tanto 
em termos de aceitação quanto de preços, além de diferenciar produtos e produtores 
(PENTEADO, 2012).
Segundo Taguch (2015) as certificações podem ser diretas e indiretas, sendo:
A direta é aquela em que os próprios consumidores vão até os locais de 
produção verificar as condições do local. Muito comum com os produtos de 
origem de pequenos produtores rurais. A certificação indireta ou de terceiros 
segue o cumprimento de princípios, regras e critérios pré-estabelecidos 
por meio de auditorias e procedimentos de monitoramento por entidades 
especializadas em avaliações. Se a propriedade cumpre todos esses 
requisitos, recebe um certificado que pode ser utilizado comercialmente para 
diferenciar a fazenda. A avaliação pode ser baseada em segurança alimentar, 
relações comerciais, sistemas de gestão, práticas socioambientais, qualidade 
de produtos ou outros (TAGUCH, 2015, s/d).
O sistema de produção agrícola e pecuária em todo mundo tem como norma re-
guladora a Rede de Agricultura Sustentável - RAS 2017 tem como escopo incluir todos os 
produtos agrícolas e pecuários de toda a área dentro dos limites da fazenda, com ênfase 
naqueles que são comercializados ou pretendem ser comercializados com as declarações 
da Rainforest Alliance Certified (GONÇALVES, 2006).
Além da RainForest Alliance outras certificadoras são: Orgânicos, Fair Trade, Glo-
balGap, ISO, Bonsucro, UTZ e RTRS (ANDREOLI e JUNIOR, 2021).
A certificação na agricultura orgânica pode ser individual ou em grupo de pequenos 
produtores. 
Os pequenos produtores geralmente usam certificação de grupo; portanto, 
requisitos de gerenciamento de grupo são incluídos na norma para os pequenos produtores. 
Os produtores de médio e grande porte podem, sob certas condições, também solicitar a 
certificação conjunta (várias fazendas a serem certificadas em um certificado); neste caso, 
a norma para médios e grandes produtores se aplica, incluindo vários requisitos do capítulo 
de gerenciamento da norma para os pequenos produtores. Falta determinar as regras e 
condições para isso (GONÇALVES, 2006). 
O escopo da auditoria de fazendas (que abrange fazendas cobertas por um certificado 
de administrador de grupo) contempla em sua totalidade a área geográfica dentro dos limites 
da fazenda e todos os recursos naturais, humanos e econômicos, e infraestrutura, assim 
como a informação administrativa e de gestão pertinente, entre eles: áreas usadas para 
produção agrícola ou pecuária, áreas em pousio e ecossistemas naturais; infraestrutura 
da fazenda e outras áreas de atividade humana, tais como caminhos, infraestrutura 
administrativa, pontos de coleta, unidades de processamento e embalagem, galpões e 
76UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
moradias para os trabalhadores; todos os trabalhadores, bem como os membros de suas 
famílias que vivem dentro da fazenda de forma temporária ou permanente; documentaçãorelacionada com a gestão social, agronômica e ambiental (GONÇALVES, 2006).
 O escopo de auditoria de um administrador de grupo inclui: infraestrutura em 
propriedade ou administrada pelo administrador de grupo e outras áreas de atividade 
humanas diretamente relacionadas com o manejo do certificado do administrador de 
grupo, tais como caminhos, infraestrutura administrativa, pontos de coleta, unidades de 
processamento e embalagem, galpões e moradias para trabalhadores; documentação 
relacionada com o sistema interno de gestão dos membros do grupo (GONÇALVES, 2006).
Além do seu foco principal nas áreas de produção, atividades, infraestrutura e 
pessoas nas fazendas, o escopo do certificado também abrange certas atividades e impactos 
que potencialmente poderiam apresentar-se fora dos limites da fazenda, tais como relações 
com comunidades locais, interação com áreas protegidas próximas e certas atividades que 
os fornecedores de serviços executam fora da fazenda (PINTO et al., 2008).
Segundo o Manual de certificação da agricultura sustentável (IMAFLORA, 2008, p. 
03) O ciclo da certificação da Rede de Agricultura Sustentável (Rainforest Alliance Certified) 
abrange um período de três anos, constituído da seguinte maneira: 
Auditoria de certificação: É realizada no Ano zero e determina a conformidade 
do sistema de gestão socioambiental do empreendimento ou do grupo às 
normas da Rede de Agricultura Sustentável. O resultado positivo da auditoria 
é a recomendação da certificação; Auditorias anuais: São realizadas no 
Ano 1 e no Ano 2 e seu objetivo é monitorar o cumprimento, por parte do 
empreendimento ou do grupo, da Norma da Rede de Agricultura Sustentável, 
assim como a implantação das ações corretivas, caso necessárias. Para 
iniciar um novo ciclo de certificação, o empreendimento deve programar, 
no ano 3, uma auditoria de recertificação e preencher, novamente, uma 
solicitação do serviço, com o objetivo de atualizar as informações da base de 
dados. Auditoria de verificação: é a auditoria de campo ou “documental”, 
Auditoria de pesquisa: é um processo não-programado, que responde 
a uma queixa ou a uma denúncia da operação de um cliente certificado. 
Auditoria de qualidade: é uma auditoria não programada, que responde 
a um processo de supervisão da qualidade e do controle adequado sobre 
o uso do selo de certificação e da implantação das normas de certificação 
(IMAFLORA, 2008, p. 03).
77UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Esse procedimento está demonstrado na figura 1.
FIGURA 1 - CICLO DA CERTIFICAÇÃO DA REDE DE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL
Fonte: Imaflora (2008, p. 03).
A auditoria consiste na visita ao empreendimento por parte de uma equipe de au-
ditores designados pelo Programa de Certificação Agrícola, com o objetivo de verificar seu 
desempenho, o manejo socioambiental e o cumprimento das normas oficiais para cada 
caso (Norma da Agricultura Sustentável, Norma para Grupos ou Cadeia de Custódia) da 
Rede de Agricultura Sustentável (PINTO e PRADA, 2008).
A auditoria de certificação abrange as seguintes atividades: reunião inicial; revisão 
da documentação; levantamento de evidências em campo; entrevistas; consultas às partes 
interessadas; reunião final (ALVES; FERRAZ; PINTO e SZMRECSÁNYI, 2008).
A empresa deverá zelar pela presença e pela disponibilidade de todo o pessoal 
(administrativo e de campo) solicitado pela equipe de auditoria para entrevistas e reuniões. 
Também deverá fornecer, à equipe de auditoria, toda a informação e a documentação, 
relacionadas ao manejo socioambiental do empreendimento, que venham a ser solicitadas 
(IMAFLORA, 2008, p. 08).
O sistema de avaliação, utilizado pelo Programa de Certificação Agrícola define 
evidências como os diferentes tipos de não conformidades com a norma, que podem ser en-
contradas durante uma auditoria. São classificadas como: não conformidade crítica (NCC): 
é a falta de cumprimento, total ou parcial, de qualquer critério crítico; não conformidade 
maior (NCM): cumprimento, menor que 50%, dos requisitos do critério; não conformidade 
menor (ncm): cumprimento, maior que 50% (PINTO e PRADA, 2008).
78UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
O sistema de certificação busca demonstrar os caminhos necessários para 
o desenvolvimento de uma agricultura saudável e sustentável. Desta forma na figura 2 
apresentamos os componentes para uma agricultura sustentável. 
FIGURA 2 - COMPONENTES DA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL
Fonte: Adaptado de: Cunha e Holanda (s/d, p. 17). 
Como demonstrado na figura 2, os componentes para uma agricultura sustentável 
têm como base o tripé da sustentabilidade, buscando A diminuição de adubos químicos; 
uso de técnicas em que não ocorra a poluição do ar, do solo e da água, respeito às leis 
trabalhistas dos trabalhadores do campo, investimento em capacitação profissional e 
pagamento de salários justos e nunca utilizar mão-de-obra infantil ou trabalho escravo e 
sempre valorização da agricultura familiar que gera trabalho e renda às famílias rurais, 
possibilitando suas permanências no campo, entre outros conforme demonstrado na figura 
acima.
79
A certificação orgânica, quando usada em realidades adequadas aos pequenos produtores, tem sido 
ferramenta útil para criar ambiente de confiança em circuitos longos de comercialização para os mercados 
de produtos orgânicos. Apesar de onerar o custo da produção, a certificação traz benefícios, pois: facilita 
o planejamento da produção (há necessidade de documentação e isso pode melhorar a eficiência da 
unidade de produção); facilita o desenvolvimento do mercado, dos serviços de extensão e da pesquisa (os 
dados coletados pela certificação podem ser muito úteis para o planejamento do mercado, para a difusão e 
para a pesquisa); cria transparência ao tornar pública a informação sobre produtores e produtos; aumenta 
a credibilidade e melhora a imagem da agricultura orgânica; facilita a introdução de créditos especiais ou 
subsídios, já que define o grupo que será beneficiado.
Fonte: FONSECA, M. F. de A. C.. Agricultura Orgânica. Regulamentos técnicos e acesso aos mercados dos 
produtos orgânicos no Brasil. Niterói-RJ 2009, 121p. Disponível em: http://ciorganico.agr.br/wp-content/
uploads/2012/07/Agricultura_Organica.pdf. Acesso em: 25 set. 2022.
A Certificação Agrícola é uma ferramenta de controle de qualidade que dita as regras do mercado de pro-
dutos alimentícios. Tem apresentado um crescimento significativo, beneficia a sociedade, possibilita a 
preservação e conservação do meio ambiente, a melhoria da condição dos trabalhadores e os interesses 
econômicos. No entanto, para obter a percepção do valor de um selo, o produtor deve tratar a certificação 
como benefício e não como um custo ou obrigação.
Fonte: VITAL, K.; CRISOSTOMO, A. P. Análise dos critérios de implementação da certificação agrícola face 
às exigências para exportação. XXXV Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Perspectivas Globais 
para a Engenharia de Produção 
Fortaleza, 2015. Disponível em: http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_207_229_27249.pdf. 
Acesso em: 25 set. 2022.
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
http://ciorganico.agr.br/wp-content/uploads/2012/07/Agricultura_Organica.pdf
http://ciorganico.agr.br/wp-content/uploads/2012/07/Agricultura_Organica.pdf
http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_207_229_27249.pdf
80UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
A auditoria consiste na visita ao empreendimento por parte de uma equipe de auditores designados pelo 
Programa de Certificação Agrícola, com o objetivo de verificar seu desempenho, o manejo socioambiental e 
o cumprimento das normas oficiais para cada caso (Norma da Agricultura Sustentável, Norma para Grupos 
ou Cadeia de Custódia) da Rede de Agricultura Sustentável. 
Fonte: Imaflora (2008, p. 03).
81
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Finalizamos mais uma unidade, que servirá de degrau para nosso crescimento 
dentro da disciplinabiológicos e sociais. Sua estrutura é 
baseada na diversidade de culturas e animais, além da interação com o ambiente natural. 
A compreensão da estrutura dos agroecossistemas é fundamental para a promoção da 
sustentabilidade ecológica e socioeconômica na agricultura. Complementando, trataremos 
os assuntos sobre: transição agroecológica como um processo de mudança dos sistemas 
de produção agrícola convencionais para práticas mais sustentáveis e integradas com o 
ambiente natural. E os conceitos de agroecologia envolvem a valorização da diversidade 
biológica, cultural e social na agricultura, a promoção da justiça socioambiental e a busca 
por sistemas alimentares mais saudáveis e equitativos.
Já na quinta e sexta aula trataremos sobre os princípios que fundamentam a prática 
agroecológica que incluem a valorização da biodiversidade, a promoção da saúde dos 
6
ecossistemas e das pessoas envolvidas na produção de alimentos, o respeito às culturas 
locais e a busca pela autonomia dos produtores. A prática agroecológica se baseia em 
princípios como a valorização da biodiversidade, o respeito aos ciclos naturais, a promoção 
da saúde humana e a justiça social. A Política Nacional de Agroecologia e Produção 
Orgânica busca incentivar e fortalecer essas práticas, promovendo a agricultura familiar e 
a sustentabilidade. A agricultura familiar desempenha um papel importante nesse contexto, 
pois é responsável por grande parte da produção de alimentos no país e tem potencial para 
adotar práticas mais sustentáveis. A certificação agrícola é uma forma de garantir que os 
produtos sejam produzidos de forma sustentável, seguindo critérios definidos pelo ciclo da 
certificação de rede de agricultura sustentável.
E para finalizar na sétima e oitava aula falaremos sobre agriculturas de base 
sustentável que engloba uma variedade de vertentes, incluindo a agricultura orgânica, a 
agroecologia e a permacultura, que compartilham a preocupação com a sustentabilidade 
ambiental e social. O manejo de sistemas agroflorestais é uma prática agroecológica 
que busca integrar árvores e culturas em um mesmo sistema produtivo, promovendo a 
diversidade biológica e a recuperação de solos degradados. A teoria da trofobiose, por sua 
vez, fundamenta o manejo agroflorestal, ao sugerir que plantas saudáveis e equilibradas 
são menos suscetíveis a doenças e pragas. A produção de insumos naturais, como a 
adubação verde e os defensivos alternativos, é outra prática comum na agricultura de base 
sustentável, que busca reduzir o uso de insumos químicos e promover a saúde do solo e 
dos cultivos de forma natural e sustentável.
Bom estudo e que a partir dessa leitura você possa ser uma agente em defesa do 
meio ambiente.
7
UNIDADE 4
Agriculturas de Base Ecológica 
Princípios da Agroecologia
UNIDADE 3
Agroecossistemas e Agroecologia 
UNIDADE 2
Introdução à Agroecologia 
UNIDADE 1
SUMÁRIO
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
Plano de Estudos
• Conceitos importantes em ecologia; 
• Ecossistemas;
• Como surgiu a Agroecologia;
• As bases epistemológicas da Agroecologia. 
Objetivos da Aprendizagem
• Entender os conceitos importantes em ecologia; 
• Conhecer os ecossistemas;
• Saber como surgiu a Agroecologia;
• Entender as bases epistemológicas da Agroecologia.
Professora Mestre Sônia Maria Crivelli Mataruco
INTRODUÇÃO À INTRODUÇÃO À 
AGROECOLOGIAAGROECOLOGIA1UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
9
Nesta primeira unidade da disciplina de Agroecologia, abordaremos conceitos 
importantes em ecologia, agroecologia e ecossistemas. Faremos um breve relato das bases 
epistemológicas da Agroecologia e seu surgimento.
São conceitos teóricos, porém fundamentais para compreensão das relações com 
a natureza e entender como se dá a distribuição e a abundância das diferentes espécies 
dentro da comunidade, no qual os organismos estabelecem relações mútuas entre si e com 
o ambiente físico.
Os processos biológicos que ocorrem no sistema solo/planta, efetivados por 
microrganismos e pequenos invertebrados, constituem a base sobre a qual a ciência 
agroecológica se sustenta.
A história mostra que o homem sempre utilizou dos recursos naturais para o 
desenvolvimento da tecnologia e da economia, isso para atender os padrões de consumo 
da sociedade moderna com desejos cada vez mais exigentes.
Consequentemente, resultam em danos ambientais que podem colocar em risco a 
sobrevivência da humanidade no planeta.
Claro que cada vez mais estudos científicos são feitos no intuito de entender as inter-
relações entre pessoas, recursos naturais e desenvolvimento, pois esta forma predatória 
de exploração dos recursos naturais não fecha a fórmula e causa graves danos ao meio 
ambiente, refletindo negativamente na própria condição de vida e de saúde do homem.
O artigo 225, da Constituição Federal do Brasil, estipula que: "Todos têm direito 
ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à 
sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-
lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações" (BRASIL, 1988, p. 131).
Nesse artigo percebe-se que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é 
essencial à sadia qualidade de vida, ou seja, à própria saúde.
Ressalta ainda no parágrafo 1º e 2º do artigo 225 que:
Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: 
preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o 
manejo ecológico das espécies e ecossistemas; preservar a diversidade e a 
integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas 
à pesquisa e manipulação de material genético e aquele que explorar 
recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de 
acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma 
da lei (BRASIL, 1988, p. 131).
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
10
Portanto, a agroecologia é uma abordagem de investigação científica que envolve 
o estudo holístico de agroecossistemas e sistemas alimentares oferecendo princípios e 
práticas mais sustentáveis, capazes de melhorar a resiliência, preservar e restaurar os 
processos ecológicos e ao mesmo tempo preservar a integridade social.
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
CONCEITOS IMPORTANTES EM 
ECOLOGIA 1
TÓPICO
11
Preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de to-
dos os seres vivos que moram nele. Os seres humanos só conseguem sobreviver graças à 
natureza. Afinal, usamos os animais e plantas para nos alimentar, água para beber e tomar 
banho, e muitos outros recursos que nem se quer percebemos (BEGON e TOWNSENDE, 
2007).
E para entendermos a agroecologia, primeiramente iremos conceituar o que é 
ecologia, palavra grega, que quer dizer Oikos, que significa "casa" e Logos que significa 
"estudo” (RICKLEFS, 2003).
Segundo Ricklefs (2003) o termo “ecologia” foi utilizado primeiramente pelo biólogo 
alemão Ernst Haeckel em 1866, em sua obra "Morfologia Geral do Organismo" 
Assim, a ecologia é a ciência referente à:
ao o estudo da casa, ou seja, do ambiente e das inter-relações dosde agroecologia.
Relatamos aqui pontos importantes que complementam as unidades anteriores, 
trazendo os princípios agroecológicos, ou os passos para a busca de uma agricultura sus-
tentável.
Falamos em políticas públicas, legislação e sobre agricultura familiar. As dificulda-
des encontradas por este segmento.
Neste capítulo relatamos também algumas normas para certificação agrícola. Em-
bora tenha diversas certificadoras como: Orgânicos, Fair Trade, GlobalGap, ISO, Bonsucro, 
UTZ e RTRS, nesse momento abrangemos a RainForest Alliance e Imaflora. A prática de 
certificação é importantíssima para qualquer segmento e na área agrícola não poderia ser 
diferente, considerando ser o ponto chave para a produção de alimentos com qualidade 
que serão servidos à mesa da população.
O princípio planejamento eficaz e sistema de gestão tem por objetivo ajudar os 
produtores a se tornarem mais produtivos, melhorando os muitos aspectos sociais, am-
bientais e agronômicos de suas fazendas. Para atingir esse objetivo, a operação certificada 
implementa um sistema integrado de planejamento e gestão, estabelecendo procedimen-
tos e sistemas para garantir a melhoria contínua em seu caminho rumo a uma agricultura 
sustentável (RAINFOREST, 2017, p. 30).
82
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
Leitura recomendada Para maior aprofundamento no assunto
Resumo: Traz todos os detalhes para aplicação da Norma RAS para Agricultura 
Sustentável 2017. A Norma Rainforest Alliance busca reduzir as emissões dos gases de 
efeito estufa causada por práticas agrícolas relacionadas com o uso de energia, fertilizantes 
e pesticidas, bem como as emissões de metano, promover as reservas de carbono no solo, 
floresta e outra vegetação dentro da fazenda. É assim que a Norma Rainforest Alliance 
promove os três pilares da Agricultura Climaticamente Inteligente: 1) incrementar de forma 
sustentável a produtividade e as práticas agropecuárias; 2) adaptar e desenvolver resiliên-
cia à mudança climática; e 3) Reduzir ou eliminar as emissões de gases de efeito estufa 
quando for possível.
Fonte: ALLIANCE, Rainforest. Norma para Agricultura Sustentável - Para produção agrícola e 
pecuária de fazendas e grupos de produtores. 2017. Versão 1.2 Disponível em: http://www.imaflora.org/
downloads/biblioteca/5b687968edc7d_CA_NEX_02_08NormaRainforestAllianceparaAgriculturaSustentavel-
RA-S-SP-1-V12P.pdf. Acesso: 25 set. 2022. 
http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/5b687968edc7d_CA_NEX_02_08NormaRainforestAllianceparaAgriculturaSustentavelRA-S-SP-1-V12P.pdf
http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/5b687968edc7d_CA_NEX_02_08NormaRainforestAllianceparaAgriculturaSustentavelRA-S-SP-1-V12P.pdf
http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/5b687968edc7d_CA_NEX_02_08NormaRainforestAllianceparaAgriculturaSustentavelRA-S-SP-1-V12P.pdf
83
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14001) e Saúde e 
Segurança Ocupacional (OHSAS 18001)
Autor: Mari Elizabete Bernardini Seiffert.
Editora: Atlas.
Sinopse: O foco principal deste livro está em discutir os benefí-
cios para a implantação integrada das normas OHSAS 18001 e 
da ISO 14001. Aborda também a sinergia existente nessa inte-
gração para o processo de gestão dos perigos relacionados ao 
processo produtivo, alinhando o desempenho da organização 
a um nível mais elevado de responsabilidade social, segundo 
a ótica do desenvolvimento sustentável. O conteúdo dos capí-
tulos da obra objetiva fornecer elementos para que se possa 
perceber como o processo de implantação integrada dos dois 
instrumentos de gestão é extremamente interessante tanto 
do ponto de vista econômico, estratégico, gerencial, como do 
ponto de vista operacional, otimizando sua gestão dentro de 
uma perspectiva holística.
FILME/VÍDEO 
Título: Certificação Agrícola: A importância de práticas susten-
táveis na agricultura
Ano: sem ano. 
Sinopse: O Brasil Certificado, Agricultura de Qualidade é um 
programa que certifica produtos agrícolas que usam o sistema 
de produção chamado - Produção Integrada. É o único sistema, 
no Brasil, que possui uma certificação oficial de produto agrícola 
com a participação do Inmetro e MAPA. As certificações são fei-
tas por organismos de certificação independentes. O Instituto 
Certifica, atualmente, é o organismo de certificação com maior 
participação na certificação de produção integrada no Brasil.
Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=0XOXKkm-
p6ec
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
https://www.grupogen.com.br/sistemas-de-gestao-ambiental-iso-14001-e-saude-e-seguranca-ocupacional-ohsas-18001?utm_source=blog&utm_medium=blog-csa&utm_campaign=ecommerce-sistemas-gestao-ambiental-9788522460496-03-2019
https://www.grupogen.com.br/sistemas-de-gestao-ambiental-iso-14001-e-saude-e-seguranca-ocupacional-ohsas-18001?utm_source=blog&utm_medium=blog-csa&utm_campaign=ecommerce-sistemas-gestao-ambiental-9788522460496-03-2019
https://www.youtube.com/watch?v=0XOXKkmp6ec
https://www.youtube.com/watch?v=0XOXKkmp6ec
84
WEB 
1- Como funciona a Integração do SGA com o Sistema de 
Gestão da Qualidade? Disponível em: https://www.consulto-
riaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-
-de-gestao-da-qualidade/. Acesso: 26 out. 2022.
Resumo: O site mostra a integração dos sistemas de gestão 
ambiental e qualidade de uma organização em um único 
sistema tem sido uma estratégia adotada por várias empresas, 
especialmente no que se refere à contribuição destes na 
construção da melhoria contínua do empreendimento, de 
seus produtos e serviços. A integração com SGA torna mais 
eficiente a implantação da política, dos objetivos, processos, 
procedimentos e práticas do que por meio de sistemas de 
gestão individuais.
Neste site o aluno verá: 
Como funciona a Integração do SGA com o Sistema de Gestão 
da Qualidade?
Sistema de Gestão Integrado
A premissa da integração com SGA
Os desafios da integração SGA com sistemas de gestão da qua-
lidade já implantados
Apesar da similaridade entre os requisitos muitos vêm desafios 
de integrá-los
Será que a integração com SGA melhora de fato o desempenho 
de uma organização?
Como a Consultoria Online facilita a integração com SGA?
UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA
https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/
https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/
https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/
https://www.consultoriaiso.org/politica-de-qualidade-como-fazer/
https://www.consultoriaiso.org/objetivos-e-metas-da-iso-140012015-alinhados-a-gestao-de-residuos/
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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Plano de Estudos
• 	Agriculturas	de	base	sustentável	-	as	principais	vertentes	da	
agricultura de base ecológica;
• 	Agriculturas	de	base	sustentável	-	as	principais	vertentes	da	
agricultura de base ecológica (2ª PARTE);
• 	Manejo	de	sistemas	agroflorestais	e	a	teoria	da	trofobiose;
• 	Produção	de	insumos	naturais	-	adubação	verde	e	defensivos	
alternativos.
Objetivos da Aprendizagem
• 	Compreenderas	Agriculturas	de	base	sustentável	 -	 as	principais	
vertentes da agricultura de base ecológica;
• 	Saber	as	Agriculturas	de	base	sustentável	-	as	principais	vertentes	
da agricultura de base ecológica (2ª PARTE);
• 	Entender	a	importância	da	Manejo	de	sistemas	agroflorestais	e	a	
teoria da trofobiose;
• 	Conhecer	 a	 produção	 de	 insumos	 naturais	 -	 adubação	 verde	 e	
defensivos alternativos.
Professora Mestre Sônia Maria Crivelli Mataruco
AGRICULTURAS DE AGRICULTURAS DE 
BASE ECOLÓGICABASE ECOLÓGICA
UNIDADEUNIDADE4
86
INTRODUÇÃO
Olá aluno (a), aqui na quarta unidade iremos discutir as tendências e as principais 
vertentes da agricultura com base agroecológica.
No quesito da Agricultura de base sustentável - as principais vertentes da agricultura 
de base ecológica, iniciaremos pela Agricultura Biodinâmica, desenvolvida no ano de 1924 
na Alemanha pelo filósofo Rodolf Steiner, trazendo a propriedade como um organismo vivo.
Abordaremos aspectos da Agricultura Natural de origem japonesa e tem como 
precursor o filósofo e espiritualista Mokiti Okada, que na década de 1930 e 1940.
A Agricultura Orgânica, a mais difundida no Brasil, teve seu surgimento na Inglaterra 
de 1925 a 1930 e fundamenta-se no uso de composto orgânico, utilizando os resíduos 
internos da propriedade. 
No segundo tópico, falaremos sobre a Agricultura Biológica seu surgimento aconte-
ceu por volta do ano de 1920.
Na sequência será exposto a Agricultura Permacultura tendo como precursor os aus-
tralianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 70, influenciados pelo método Fukuoka. 
A Agricultura Regenerativa foi criada na década de 1980 por Robert Rodale nos EUA.
No terceiro tópico abordaremos o manejo de sistemas agroflorestais que tem como 
objetivo recuperar, manter ou aumentar o nível de produtividade do sistema e favorecer a 
conservação dos recursos disponíveis e a teoria da trofobiose que está diretamente ligada 
ao manejo agroecológico das culturas, auxiliando para a resistência fisiológica vegetal e 
sustentabilidade do agroecossistema.
E para finalizar esta unidade falaremos sobre a produção de insumos naturais - 
adubação verde e defensivos alternativos, abordaremos sua importância na produção de 
alimentos mais saudáveis e de forma sustentável.
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
AGRICULTURAS DE BASE 
SUSTENTÁVEL - AS PRINCIPAIS 
VERTENTES DA AGRICULTURA DE 
BASE ECOLÓGICA
1
TÓPICO
87
No livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Louise Carson, a autora traz para discus-
são a importância de os seres humanos pensarem nos riscos de suas ações, A autora relata 
assuntos como a confiança cega da humanidade no progresso tecnológico, a contaminação 
com lixo radioativo, aspectos da contaminação provocada pelo veneno DDT (dicloro difenil 
tricloroetano) que era conhecido como um produto de efeitos benéficos inquestionáveis, 
tendo na época uma verdade científica incontestada (SOUZA, 2021).
Com o livro, Carson entra na contramão dos fatos, que o DDT transpunha na cadeia 
alimentar e se concentrava nos tecidos adiposos dos animais, causando problemas graves 
de saúde. Raquel buscou a conscientização pública de que a natureza é vulnerável à inter-
venção humana (SOUZA, 2021).
A partir das ideias defendidas por Rachel, surgiram diversos movimentos defenso-
res de agriculturas alternativas que pregam o fim da monocultura e redesenhe os sistemas 
de produção que sejam resistentes ao uso abusivo de insumos agrícolas industrializados 
e preze pelo uso da matéria orgânica e de outras técnicas de produção pertinentes aos 
métodos biológicos (SOUZA, 2021).
As principais vertentes da agricultura de base ecológica são: 
1.1 Agricultura Biodinâmica 
Desenvolvida no ano de 1924 na Alemanha pelo filósofo Rodolf Steiner a agricultura 
Biodinâmica preconiza uma metodologia que a propriedade deve ser vista como um 
organismo vivo, em que a especificidade de cada situação deve ser respeitada, permitindo 
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
88UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
a interação entre solo, plantas, animais e o homem de forma harmoniosa, e entende que 
a fertilidade é a base principal para sua sustentabilidade, uma vez que orienta práticas 
agrícolas que respeitem a natureza (KOEPF, SCHAUMANN, PETTERSSON,1983).
O solo é constituído pela combinação de minerais, matéria orgânica e água, 
possibilitando a vida de microrganismos, animais e vegetais e para mantê-los no solo, é 
interessante potencializar a relação entre a biota e o ambiente, agregando a efetividade da 
relação planta-organismo-solo (KOEPF; SCHAUMANN; PETTERSSON,1983).
Desta forma, conforme relatado Lobo, (2019) Rodolf Steine evidenciou a relevância 
das relações entre o solo e as forças de origem cósmica da natureza, e aconselha o uso 
de preparado biodinâmico, utilizando os critérios estabelecidos pelo movimento difundido 
através dos praticantes da antroposofia. 
Desenvolveu na virada do século XX a antroposofia ou ciência espiritual an-
troposófica. Entendida como um caminho do conhecimento (episteme) e vi-
são de mundo espiritualista, a antroposofia deu origem a iniciativas práticas 
em diversas áreas da vida humana, com destaque para pedagogia waldorf, 
medicina antroposófica e agricultura biodinâmica. Essa singularidade epistê-
mica gerou uma agricultura com princípios e práticas sui generis, condizentes 
com tal fundamentação filosófica. A Antroposofia é um caminho de conheci-
mento que deseja levar o espiritual da entidade humana para o espiritual do 
universo. Ela aparece no ser humano como uma necessidade do coração e 
do sentimento, e deve encontrar sua justificativa no fato de poder proporcio-
nar a satisfação dessa necessidade. é a "ciência espiritual". Ele a apresenta 
como um caminho em busca da verdade que preenche o abismo historica-
mente criado desde a escolástica entre fé e ciência (LOBO, 2019, p. 14).
A biodinâmica se espalhou ao longo do tempo por todos os continentes do planeta, 
e sua metodologia atende aos diversos âmbitos sociais, culturais, econômicos e ambien-
tais. Infelizmente, no Brasil ainda é pouco famigerada ou assimilada, limitada à utilização 
dos compostos biodinâmicos, não sendo de fato entendida pelos povos como uma ciência 
agronômica imperante (LOBO, 2019).
Os princípios da Biodinâmica estabelecidos por Steiner (2010) são:
Individualidade e do organismo agrícola - perspectiva de se ter dentro da proprie-
dade agrícola, tudo que se necessita para a produção, inclusive o gado. Para Steiner, tudo 
que vem de fora, como por exemplo adubos e fertilizantes, é entendido como uma droga 
para uma agricultura doente.
A preocupação com a harmonia ambiental do campo, onde a propriedade 
deve estar em equilíbrio com o meio natural também no aspecto visual, plan-
tando cercas-vivas, culturas de bordadura e vizinhança, culturais pioneiras 
em áreas degradadas procurando fazer o reflorestamento de acordo com a 
vegetação natural (STEINER, 2010, p. 43).
89UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
1. Adubação como vivificação do solo - maior vitalidade e vivificação ao solo, 
proporcionando mecanismos que dê variedade de matéria orgânica (biomassa) ao solo, 
desta forma surgirá maior quantidade de micro e macrorganismos e consequentemente 
mais os nutrientes para as plantas. O significado de vivificação na biodinâmica está relacio-
nado a trazer as forças suprassensíveis que devem se manter presentes no solo, através 
da interação entre a produção animal e a produção vegetal, com a obtenção do composto 
orgânico proveniente da compostagem de dejetos animais e resíduos vegetais; “O solo é 
visto como uma espécie de continuidade da vida da planta e por isso deve se manter “vivo” 
(STEINER, 2010, p. 43). 
2. Preparados biodinâmicos – podem ser divididos de duas formas: para ser 
pulverizados no solo e nas plantas, e os que são inoculados em composto ou outras formas 
de adubos orgânicos como biofertilizantes e chorumes.Feitos de forma homeopáticos, pois 
utilizam plantas medicinais, esterco e silício (quartzo), que são envoltos em órgãos animais, 
enterrados no solo e submetidos às influências da Terra e de seus ritmos anuais. 
3. Os ritmos astronômicos e o calendário agrícola – é a observação das forças 
e ritmos cósmicos dentro do âmbito agrícola, obedecendo os ritmos da Lua, do Sol, dos 
planetas e constelações, e o solo, as plantas e os animais. Permite planejar os dias de 
plantio e colheita das plantas baseado no poder da Lua, em suas fases. 
4. A relação entre antroposofia e o (a) agricultor (a) biodinâmico (a) o agricultor 
é antes de tudo um pesquisador, pois ele precisa pesquisar sobre os ciclos e detalhes de 
cada espécie de planta e cada animal que há em seu sítio, saber escolher suas próprias 
sementes e depois de já ter plantando uma vez, deverá utilizar suas próprias sementes 
para plantio, nada de comprar de grandes multinacionais. Sua propriedade se torna uma 
espécie de laboratório.
5. Certificação Demeter o reconhecimento comercial como biodinâmico, exige 
enquadramento em normas de certificação Demeter (KOEPF; SCHAUMANN e PETTER-
SSON, 1983).
1.2 Agricultura Natural 
De origem japonesa, tem como precursor o filósofo e espiritualista Mokiti Okada, 
que na década de 1930 e 1940, após muitos experimentos fundamenta a agricultura natural 
defendendo o emprego de tecnologias alternativas, procurando tirar o máximo proveito da 
natureza, porém fundamentado em as práticas agrícolas que respeite as leis da natureza, 
visando minimizar a intervenção no ambiente e nos processos naturais (EHLERS, 1999). 
90UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
Com essa metodologia Mokiti Okada propõe reaproveitar os recursos naturais para 
melhorar o solo e consequentemente proteger as águas, criando um corredor saudável que 
integra solo, água, plantas, animais e os seres humanos (EHLERS, 1999).
Segundo Ehlers (1999), Okada estabelece quatro princípios básicos para a prática 
da agricultura natural: 
 ● fazer agricultura sem cultivo do solo (arar arruína o solo);
 ● não utilizar fertilizantes químicos ou orgânicos;
 ● não capinar o solo (as plantas companheiras enriquecem o solo);
 ● não utilizar agrotóxicos.
Complementando Ehlers (1999), descreve que as práticas da Agricultura Natural 
preveem:
 ● Uso de rotação de culturas;
 ● A adubação verde;
 ● Cobertura morta;
 ● O controle de pragas e doenças pela manutenção das características naturais 
do ambiente e melhoria das condições do solo e emprego de inimigos naturais. 
Okada acreditava que o conhecimento tinha a capacidade de purificar o espírito e os 
alimentos produzidos sem agrotóxicos seriam capazes de purificar o corpo. “Motivado por 
este princípio da purificação e pelo respeito à natureza. A terra degradada, por sua vez, era 
deixada em abandono para que a natureza se incumbisse de refazer o solo naturalmente” 
(EHLERS, 1999, p. 68). 
1.3 Agricultura Orgânica
A corrente de Agricultura Orgânica surgiu na Inglaterra de 1925 a 1930 e fundamenta-
se no uso de composto orgânico, utilizando os resíduos internos da propriedade. Foi 
com a concepção da agricultura orgânica que Howard inventou o processo “indore” de 
compostagem, em que os “matérias produzidos na propriedade agrícola eram transformados 
em húmus, que, aplicado ao solo em época conveniente, assegura a vida biológica do solo 
e atenderia às demandas de nutrição e de sanidade das culturas” (PASCHOAL, 1994, p.38).
A Lei nº 10.831/2003, que trata sobre agricultura orgânica em seu Art. 1º, define o 
sistema orgânico de produção agropecuária como: 
91UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização 
do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito 
à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a 
sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios 
sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, 
empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, 
em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de 
organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer 
fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição 
e comercialização, e a proteção do meio ambiente (BRASIL, 2003, p. 01).
A legislação acima citada relata ainda no Art. 1º no § 1º as finalidades de um sistema 
de produção orgânico:
I - a oferta de produtos saudáveis isentos de contaminantes intencionais; 
II - a preservação da diversidade biológica dos ecossistemas naturais e a 
recomposição ou incremento da diversidade biológica dos ecossistemas 
modificados em que se insere o sistema de produção; III - incrementar a 
atividade biológica do solo; IV - promover um uso saudável do solo, da água e 
do ar; e reduzir ao mínimo todas as formas de contaminação desses elementos 
que possam resultar das práticas agrícolas; V - manter ou incrementar a 
fertilidade do solo a longo prazo; VI - a reciclagem de resíduos de origem 
orgânica, reduzindo ao mínimo o emprego de recursos não-renováveis; VII 
- basear-se em recursos renováveis e em sistemas agrícolas organizados 
localmente; VIII - incentivar a integração entre os diferentes segmentos da 
cadeia produtiva e de consumo de produtos orgânicos e a regionalização da 
produção e comércio desses produtos; IX - manipular os produtos agrícolas 
com base no uso de métodos de elaboração cuidadosos, com o propósito de 
manter a integridade orgânica e as qualidades vitais do produto em todas as 
etapas (BRASIL, 2003, p. 01).
Segundo Paschoal (1994, p. 39) as práticas da agricultura orgânica, implicam em:
1. Adubação orgânica com uso de compostagem da matéria orgânica, que pela fer-
mentação elimina microrganismos como fungos e bactérias, existentes em estercos de 
origem animal oriundo da própria propriedade;
2. Minhocultura, produtora de húmus com distintos graus de fertilidade; manejo mínimo 
e adequado do solo com plantio direto, curvas de níveis com objetivo de manter a 
fertilidade e porosidade;
3. Uso da adubação verde com uso de leguminosas fixadoras de nitrogênio atmosférico; 
4. uso de irrigação por gotejamento ou outra técnica que vise o uso racional da água 
dentro da realidade local de topografia, observando o clima, variação climática e hábi-
tos culturais de sua população.
5. Dar preferência ao manejo da vegetação nativa, utilizando cobertura morta, rotação 
de culturas e cultivos protegidos para controle da luminosidade, temperatura, umidade, 
pluviosidade e intempéries;
92UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
De acordo com a Lei nº 10.831/2003 em seu Art. 1º, § 2º a concepção de sistema 
orgânico de produção agropecuária e industrial compreende: “ecológico, biodinâmico, 
natural, regenerativo. biológico, agroecológicos, permacultura e outros que atendam os 
princípios estabelecidos por esta Lei” (BRASIL, 2003, p. 01).
A legislação sobre produtos orgânicos prevê que os produtores de alimentos or-
gânicos para comercializar suas mercadorias necessitam da certificação por organismo 
reconhecido oficialmente. Porém, quando o próprio produtor comercializar seus produtos 
diretamente aos consumidores, e desde que tenha “processos próprios de organização e 
controle social, previamente cadastrados junto ao órgão fiscalizador, a certificação será 
facultativa” (BRASIL, 2003, p. 02). 
O Decreto nº 6.323/ 2007, que regulamenta a Lei nº 10.831/2003, que dispõe sobre 
a agricultura orgânica, define certificação orgânica como:
O ato pelo qual um organismo de avaliação da conformidade credenciado dá 
garantia por escrito de que uma produção ou um processo claramente iden-
tificado foi metodicamente avaliado e está em conformidade com as normas 
de produção orgânica vigentes (BRASIL, 2007, p. 01).
O Decreto acima citado relata que os produtos orgânicos devem ter a identificação 
de seu produtorno local da venda do produto, não podendo ter contato com produtos não 
orgânicos. O produtor no momento da venda direta de produtos orgânicos aos consumido-
res deverá manter acessível o documento do cadastro feito no órgão fiscalizador (Ministério 
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 
Ainda é importante ressaltar que os consumidores e o órgão fiscalizador destes 
produtos estão assegurados no direito de rastrear o produto e visitar os locais de produção 
ou processamento (BRASIL, 2003).
AGRICULTURAS DE BASE 
SUSTENTÁVEL - AS PRINCIPAIS 
VERTENTES DA AGRICULTURA 
DE BASE ECOLÓGICA (2ª 
PARTE)
2
TÓPICO
93
2.1 Agricultura Biológica
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, foi diante 
das manifestações feitas por movimentos adeptos a agricultura sustentável que por volta 
do ano de 1920 surgiu a agricultura Biológica, apresentando uma vertente com prática de 
culturas baseadas nos processos biológicos naturais para a fertilidade do solo e outras 
práticas agrícolas (EMBRAPA, 2005).
As manifestações nesse período eram contra o uso de adubos químicos e a 
favor de mecanismos de produção agrícola, seja vegetal ou animal que proporcionasse 
alimentos com qualidade sem agredir a natureza, pensando na sustentabilidade do solo e 
preservando a biodiversidade, principalmente dando preferência ao uso de recursos locais 
em contradição ou evitando o uso de produtos químicos (EMBRAPA, 2005).
Os produtos da Agricultura Biológica são controlados e certificados por organismos 
de certificação que obedecem a leis internacionais, como por exemplo o Regulamento 
(União Europeia) 2018/848 do Parlamento Europeu e do Conselho de 30 de maio de 2018, 
revogando o Regulamento (CE) nº 834/2007 do Conselho.
O regulamento 2018/848 diz respeito à produção e à rotulagem dos produtos bioló-
gicos, descreve os objetivos da agricultura biológica como:
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
94UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
a) Contribuir para a proteção do ambiente e do clima; b) Manter a fertilidade 
dos solos a longo prazo; c) Contribuir para um elevado nível de biodiversida-
de; d) Contribuir substancialmente para um ambiente não tóxico; e) Contribuir 
para normas exigentes de bem-estar dos animais e, em especial, satisfazer 
as necessidades comportamentais dos animais que sejam próprias de cada 
espécie; f) Dar preferência aos circuitos curtos e às produções locais nas di-
versas regiões da União; g) Incentivar a conservação das raças raras e autóc-
tones em risco de extinção; h) Contribuir para o desenvolvimento da oferta de 
material genético vegetal adaptado às necessidades e objetivos específicos 
da agricultura biológica; i) Contribuir para um elevado nível de biodiversidade, 
em especial utilizando material fitogenético diversos, como material biológi-
co heterogéneo e variedades biológicas adaptadas à produção biológica; j) 
Promover o desenvolvimento de atividades de reprodução vegetal biológica 
a fim de contribuir para a criação de perspetivas económicas favoráveis para 
o setor biológico (UNIÃO EUROPEIA, 2018, p. 22).
De acordo com Embrapa (2005) a agricultura biológica apresenta características 
relevantes, como:
 ● Alimentos com valor nutricional mais abundante em proteínas, vitaminas, sais 
minerais;
 ● Reduz a probabilidade de contração doenças, como por exemplo o câncer, pelo 
fato de não utilizar fertilizantes e pesticidas sintéticos na produção;
 ● Estimula a população rural (mantêm o homem no campo), criando empregos e 
dignidade especialmente para as populações mais desfavorecida;
 ● A fertilização é feita de forma natural e organicamente, preservando o solo, assim 
as plantas se desenvolvem de forma saudáveis com mais sabor, aroma, textura e 
cor;
 ● Respeita-se o equilíbrio da natureza e contribui-se para a manutenção de um ecos-
sistema saudável, uma vez que preserva a qualidade da água, não utiliza produtos 
químicos;
 ● Preserva os espaços rurais de forma a satisfazer as necessidades das gerações 
futuras;
 ● Recusa Organismos Geneticamente Modificados.
2.2 Agricultura Permacultura
Tem como precursor os australianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 
70, influenciados pelo método Fukuoka (EMBRAPA, 2005).
A Permacultura é uma ciência holística com tendência socioambiental, que integra 
o saber científico com o popular onde coloca as culturas perenes como elemento central da 
sua proposta, defendendo medidas que visam criar agroecossistemas sustentáveis, com 
simulação dos ecossistemas naturais, (HOLMGREN, 2013). 
95UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
A permacultura é um sistema evolutivo integrado de espécies, úteis ao homem, 
animais e vegetais perenes, onde se destacam as árvores e que consideram aspectos pai-
sagísticos e energéticos em sua elaboração e manutenção. As principais técnicas aplicadas 
são a alternância de cultivos de gramíneas e leguminosas, e a manutenção de palha como 
cobertura do solo (HOLMGREN, 2013, p. 173).
 A permacultura é composta por três princípios éticos como: cuidar da terra 
como uma entidade viva que respira (DIXON, 2014; HARLAND, 2018; LE-
MOS, 2008); b) Cuidar das pessoas buscando atender suas necessidades, 
pois pessoas satisfeitas de maneira compassiva e simples, o ambiente em 
torno delas irá prosperar (HOLMGREN, 2002) e c) Partilha justa, onde Tem-
pos de abundância nos proporcionam incentivo para compartilhar com os 
outros (Holmgren, 2002) e é composta por doze princípios de planejamento, 
que devem sempre estar de acordo com as éticas, pois são guiados por es-
sas.
Segundo Holmgren (2013, p. 126) os doze princípios que regem a permacultura são: 
1. observe e interaja;
2. capte e armazene energia;
3. obtenha rendimento 
4. pratique a autorregulação e aceite conselhos (feedbacks);
5. use e valorize os serviços e recursos renováveis; 
6. não produza desperdícios;
7. design partindo de padrões para chegar aos detalhes;
8. integrar ao invés de segregar;
 9. use soluções pequenas e lentas;
10. use e valorize a diversidade
11. use os limites e valorize o marginal – na natureza, as zonas periféricas;
12. responda criativamente às mudanças.
2.3 Agricultura Regenerativa 
A Agricultura Regenerativa foi criada na década de 1980 por Robert Rodale nos 
EUA, com objetivo de produzir alimentos usando mecanismos que tragam a regeneração 
dos sistemas agrícolas, ou seja, capazes de recuperar os solos, com benefícios para as 
comunidades rurais e os consumidores. “Esta agricultura envolve sistema de produção 
alimentar, aspectos econômicos, ecológicos, éticos e equidade social” (ASSIS, 2005, p. 20).
Robert Rodale acreditava que as “técnicas agrícolas modernas e os hábitos alimen-
tares americanos deixavam muito a desejar, e via uma relação direta entre o declínio da 
saúde do solo americano e a saúde do povo americano - uma visão revolucionária naqueles 
dias” (ASSIS, 2005, p.20).
96UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
Segundo Wahl (2020) para regenerar um sistema é preciso repor o que foi explo-
rado e danificado ao longo do tempo e como fator de sustentabilidade buscar neutralizar o 
impacto gerado e a sustentabilidade é uma ponte e a regeneração do destino.
Para Wahl (2020) é preciso:
Mostra as diferentes mudanças de perspectiva à medida que nos movemos 
do business as usuais para uma cultura regenerativa. O objetivo de culturas 
regenerativas transcende e inclui sustentabilidade. O design restaurativo visa 
reconstruir a autorregulação saudável em ecossistemas locais, e o design 
reconciliatório dá o passo adicional de tornar explícito o envolvimento parti-
cipativo da humanidade nos processos da vida e na união entre natureza e 
cultura. O design regenerativo cria culturas capazes de contínuas aprendiza-
gens e transformações em resposta, e antecipação, à mudança inevitável. 
Culturas regenerativas salvaguardam e aumentam a abundância biocultural 
para as futuras gerações da humanidade e para a vida como um todo(WAHL, 
2020, p. 54).
A imagem abaixo mostra que a sustentabilidade é uma ponte e a regeneração o 
destino.
 
FIGURA 1 - MUDANÇA DE PARADIGMA DO CONCEITO DE 'SUSTENTABILIDADE' PARA 
'REGENERATIVO”
Fonte: Wahl (2020, p. 57).
97UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
A Agricultura Regenerativa busca diminuir a dependência externa, através da me-
lhoria do solo, cuidando da biodiversidade, da biodiversidade, do ecossistema, dos ciclos 
do carbono, e diminuindo o consumo de água (NETO, 2012).
Para Vilela (2021, s/p) a agricultura regenerativa faz uso de “espécies perenes 
com raízes profundas consorciadas para resiliência climática e controle de erosão do solo” 
possui cinco princípios como: 
1. Solo: Contribuir para a construção de solos férteis e saudáveis, utilizando 
técnicas como cobertura de solo, diversificação, menos compactação e redu-
ção de fertilizantes químicos. 2. Água: Aumentar infiltração de água no solo, 
retenção de água nas plantas, criar um microclima local, diminuir uso de irri-
gação e escoar água limpa para segurança rural. 3. Biodiversidade: Aumen-
tar a preservação da biodiversidade no sistema através da utilização de espé-
cies-chave para controle de pragas e doenças naturalmente e com precisão. 
4. Carbono: Aumentar capacidade de sequestro e estoque de carbono no 
solo através de espécies-serviço que possuem uma taxa fotossintética alta 
e crescimento rápido. Utilizando também as podas como matéria orgânica 
para cobertura de solo, assim estocando mais carbono. 5. Sócioeconômico: 
Produzir alimentos consorciados que possam garantir segurança alimentar 
para as famílias dos agricultores, aumentar a renda vitalícia, empoderar as 
mulheres no campo e criar condições favoráveis para apoiarmos as próximas 
gerações na permanência no meio rural (VILLELA, 2021, s/p).
Para Wahl (2020) algumas práticas da agricultura regenerativa são utilizadas na 
agricultura moderna como:
 ● Adoção de plantas de cobertura, e redução de arado no solo;
 ● Atenuação do uso de fertilizantes e defensivos;
 ● Rotação de culturas ou cultivo sucessivo de mais de uma espécie na mesma área. 
No sistema de plantio direto o agricultor realiza a rotação de cultura e mantém no 
solo resíduos da colheita anterior, protegendo a terra e conservando a umidade e 
biodiversidade;
 ● Produção de mais de um alimento na mesma área (Integração-Lavoura-Pecuária-
-Floresta);
 ● Promover o bem-estar animal e práticas justas de trabalho.
Outro exemplo bem característico que a agricultura moderna utiliza com base na 
agricultura regenerativa é o Manejo Integrado de Pragas (MIP) que possui medidas cientí-
ficas para o combate às pragas nas lavouras (WAHL, 2020).
Essa prática consiste em fazer o monitoramento periódico das plantas e usar medi-
das de controle apenas se houver alta incidência de pragas e doenças. Consequentemente 
98UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
a isto se terá menos aplicação de insumos e uso de energia gerando menos gás carbônico 
(WAHL, 2020).
No livro Design de culturas regenerativas, Daniel Christian Wahl (2020, p. 65) 
“descreve três padrões ou formas de fazer as coisas e como a prevalência relativa e as 
interações evoluem com o tempo”, o esquema “Três Horizontes”, como um instrumento 
de “previsão que pode ajudar-nos a estruturar o nosso pensamento sobre o futuro por 
caminhos que estimulam a inovação.” 
Conforme demonstra a figura 2, Wahl (2020) descreve a Estrutura Três Horizontes 
aplicado à transição rumo a uma cultura regenerativa. 
FIGURA 2 - ESTRUTURA TRÊS HORIZONTES APLICADO À TRANSIÇÃO RUMO A UMA CULTU-
RA REGENERATIVA
*Inovação sustentável mantém “as luzes acesas” e perpétua o status quo. prevalência tempo. 
*Inovação disruptiva identifica oportunidades para mudar o propósito do que é possível.
 *Inovação transformadora facilita a transição rumo a culturas regenerativas.
Fonte: Wahl (2020, p. 66).
Para Wahl (2020) a Agricultura Regenerativa engloba ainda diferentes práticas 
agrícolas como por exemplo a Agrofloresta. 
MANEJO DE SISTEMAS 
AGROFLORESTAIS E A TEORIA DA 
TROFOBIOSE3
TÓPICO
99
3.1 Sistemas de produção integrado
Muito utilizado no Brasil o sistema de integrados utiliza-se da mesma área, para a 
produção de alimentos, fibra, madeira e até mesmo energias, consorciando ou integrando 
lavoura-pecuária-floresta (ILPF) ou lavoura-floresta ou sistema silviagrícola possibilita a 
redução da pressão sobre a abertura de novas áreas (EMBRAPA, 2019).
Possibilita a redução dos custos de produção, minimiza os impactos ambientais 
e valoriza a integração entre os sistemas, consentindo que um suplemente o outro, com 
menor uso de insumos, estruturando ambientes mais resistentes, além de potencializar o 
uso da terra, aumentar a produtividade, devido ao consórcio e diversidade de culturas na 
mesma área, produzindo alimentos de qualidade (EMBRAPA, 2019).
Sendo Embrapa (2019) a ILPF é uma estratégia de produção que pode ser utilizada 
em quatro possíveis modalidades:
1. Integração lavoura-pecuária (ILP) ou sistema agropastoril;
2. Integração lavoura-floresta (ILF) ou sistema silviagrícola;
3. Integração floresta-pecuária (ILP) ou sistema silvipastoril;
4. Integração lavoura-pecuária- floresta (ILPF) ou sistema agrossilvipastoril.
Os Sistema Silvipastoril (SSP) são associações ostensivas de árvores, pastagem 
e gado na mesma área e tempo, com manuseio integrado na intenção de incrementar a 
produtividade por unidade de área (ARAÚJO; OLIVEIRA; ALVES, 2015).
De acordo com Bungenstab (2012), entre os principais benefícios da ILPF estão:
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
100UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
1. Conforto e bem-estar animal em virtude do ambiente ser termicamente mais 
adequado;
2. Pela maior diversidade de plantas consorciadas com animais há intensifica-
ção da ciclagem de nutrientes no solo, proporcionando ao longo do tempo recuperação da 
fertilidade principalmente das áreas degradadas tornando o solo mais fértil;
3. Diante da maior sua conservação do solo aumenta a produção;
4. Preservar a biodiversidade e consequentemente a sustentabilidade;
5. geração de empregos diretos e indiretos.
A estimativa de produção de madeira é realizada mediante o monitoramento do 
crescimento das árvores. O monitoramento consiste:
da realização anual de medidas das árvores que compõem a amostra. São 
medidos o diâmetro do tronco na altura de 1,30 m do solo (DAP) e a altura 
total das árvores (Ht). A amostragem é feita medindo uma árvore a cada 9 
para os plantios que tenham até 1.000 árvores; uma árvore a cada 12 para os 
plantios de 2.000 até 4.000 árvores; e uma árvore a cada 19 árvores para os 
plantios que tenham entre 5.000 e 10.000 árvores (EMBRAPA, 2019, p. 04).
De modo geral, será necessário realizar desbastes (retirar árvores inteiras) quando 
a cobertura de copa das árvores que estiver em torno de 30%. 
Segundo a Embrapa (2019, p. 05) existem alguns equipamentos para medição:
Alguns equipamentos de maior precisão para medir Ht e DAP podem ser so-
fisticados e caros, podendo representar custos que devem ser avaliados da 
pertinência e se a relação custo/benefício pode ser absorvida pelo empreen-
dimento. Mas uma pessoa treinada pode realizar o monitoramento de Ht uti-
lizando um hipsômetro de mira ótica, ou um clinômetro, ou ainda uma régua 
graduada (para árvores de até 12 metros somente) e uma fita métrica comum 
para o DAP; que são equipamentos relativamente baratos e garantem uma 
precisão aceitável comercialmente (EMBRAPA, 2019, p. 05).
Para calcular o volume de madeira de uma árvore, é necessário conhecer o DAP e 
a HT da árvore. Existem diversos cálculos que podem ser feitos. Um deles segue a fórmula: 
 V= Ht * DAP2 
* 0,785 * f
Onde: 
V = volume da árvore (m³);
Ht = altura da árvore (m) 
DAP = diâmetro a altura do peito (m) e;
f = fator de forma.
PRODUÇÃO DE INSUMOS 
NATURAIS - ADUBAÇÃO VERDE E 
DEFENSIVOS ALTERNATIVOS4
TÓPICO
101
4.1 BioinsumosPara Barcellos (2021) o princípio imprescindível do controle biológico é conter as 
pragas agrícolas e os insetos condutores de doenças a partir do uso de seus inimigos 
naturais, que podem ser outros insetos benéficos, predadores, parasitóides, e microrganis-
mos, como fungos, vírus e bactérias, usados para substituir ou complementar ao uso dos 
defensivos químicos (agrotóxicos) tradicionais ou para melhorar a fertilidade do solo.
Os bioinsumos proporcionam melhor crescimento, desenvolvimento da planta, 
controlam pragas e doenças, favorecem a fertilidade do solo e a nutrição de plantas.
Segundo o decreto N° 10.375/2020 que institui o Programa Nacional de Bioinsu-
mos – PNB, e o Conselho Estratégico do Programa Nacional de Bioinsumos em seu Art. 2º 
considerada: 
Bioinsumo como produto, o processo ou a tecnologia de origem vegetal, ani-
mal ou microbiana, destinado ao uso na produção, no armazenamento e no 
beneficiamento de produtos agropecuários, nos sistemas de produção aquá-
ticos ou de florestas plantadas, que interfiram positivamente no crescimento, 
no desenvolvimento e no mecanismo de resposta de animais, de plantas, de 
microrganismos e de substâncias derivadas e que interajam com os produtos 
e os processos físico-químicos e biológicos (BRASIL, 2020, p. 03).
Os bioinsumos conhecidos são os inoculantes; promotores de crescimento de 
plantas; biofertilizantes; produtos para nutrição vegetal e animal; defensivos biológicos; 
produtos fitoterápicos, produtos veterinários como vacinas, medicamentos, antissépticos e 
outros produtos destinados à prevenção, ao diagnóstico ou ao tratamento das doenças dos 
animais; produtos para Alimentação Animal como Rações e outros produtos alimentícios; 
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
102UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
produtos pós-colheita – que são processos ou tecnologias de conservação e acondiciona-
mento, incluindo revestimentos comestíveis, para alimentos de origem animal e vegetal, in 
natura e minimamente processados, visando a redução de perdas pós-colheita (MEDEIROS 
et al., 2010, p. 35).
4.2 Adubação verde 
A adubação verde é um método agrícola que proporciona a recuperação de nutrien-
tes do solo com o uso de plantio de algumas espécies de plantas pertencentes à família 
das leguminosas, gramíneas, crucíferas ou de cereais. 
O objetivo desta técnica é tornar o solo mais fértil, recuperando os solos degrada-
dos.
Existem algumas famílias e espécies de plantas que são melhores para essa fina-
lidade, como: 
a) Leguminosas - feijão miúdo/caupi que é o mesmo feijão catador (Vigna 
unguiculata), crotalarias (Crotalaria spp), mucunas (Sthilozobium spp), fei-
jão de porco (Canavalia ensiformis), feijão guandu (Cajanus cajans), lab-lab 
(Dolichos lab-lab), trevo branco (Trifolium repens) e vermelho (Trifolium pra-
tense) , ervilhaca (Vicia sativa), tremoços (Lupinus spp)., entre outras. b) 
Gramíneas – milho (Zea mayz), centeio (Cecale cereale), aveia preta (Avena 
strigosa), azevém (Lolium multiflorum), milheto (Pennisetum glaucum), sor-
go (Sorghum bicolor), capim Sudão (Sorghum sudanense). c) Asteraceae 
– girassol (Helianthus annuus); d) Brássicas – nabo forrageiro (Raphanus 
sativus) (MOREIRA, s/a p. 01).
O uso do adubo verde consiste em: 
Preparo do solo: deve-se inicialmente roçar os resíduos da cultura e as 
plantas invasoras, e deixar que se decomponham, acrescida ou não de uma 
gradagem. Semeadura: as sementes devem ser incorporadas ao solo. No 
plantio direto pode-se ter ajuda de matraca ou mesmo através de riscar ma-
nualmente. Também existem os métodos convencionais. As formas de plantio 
podem ser em linha ou a lanço, de modo manual ou mecanizado. As se-
mentes devem ser espalhadas em quantidade adequada e incorporadas ao 
solo. Cobertura das sementes: na semeadura a lanço pode-se cobrir as 
sementes, de forma mecanizada com uma grade niveladora destravada ou 
ancinho ou então uma grade de discos de reboque ajustada para uma profun-
didade mínima. Em seguida, passar o rolo ou simplesmente caminhar sobre 
a área semeada. É recomendável evitar o movimento de solo. Manejo: deve-
-se deixar a massa vegetal sobre o solo. Existem 2 formas de manejo mais 
freqüentes: método de trituração onde a massa vegetal é “picada” através 
de roçadeira, triturador ou rolo faca; e o método de plantas integral, onde 
há apenas o tombamento da massa vegetal, que pode ser feito através de 
um tronco amarrado atrás de um trator, este método, porém, é recomendado 
apenas para plantas arbustivas. A massa vegetal, após o manejo, transforma-
-se de cobertura viva em cobertura morta, e neste momento já se pode iniciar 
o plantio da cultura subsequente (CALEGARI et al., 1993, p. 220).
103UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
4.3 Defensivos Alternativos
Defensivos alternativos são produtos de origem biológica ou natural que possuam 
baixa toxicidade, eficiência no controle, custo reduzido, facilidade de aquisição e que 
não favorecendo a ocorrência de resistência de pragas e doenças nas culturas agrícolas 
(ALTIERI; SILVA;NICHOLLS, 2003)
Os biofertilizantes líquidos, na forma de fermentados microbianos enriquecidos, 
funcionam como promotores de crescimento (equilíbrio nutricional) e como elicitores na 
indução de resistência sistêmica na planta. Além disso, ajudam na proteção da planta 
contra o ataque de doenças, por antibiose, e contra o ataque de pragas, por ação repelente, 
fagodeterrente (inibidores de alimentação) ou afetando o seu desenvolvimento e reprodução 
e contribuem significativamente para o manejo nutricional do plantio e seu equilíbrio 
trofobiótico, no sistema de produção orgânica. (MEDEIROS et al., 2010).
São produtos também conhecidos como “caldas nutricionais ou fitoprotetoras” 
denominadas assim pelas substâncias orgânicas e minerais que possuem e pela diversidade 
de micronutrientes, que exercem uma ação benéfica sobre o metabolismo das plantas, 
aumentando a proteossÌntese - formação de proteína (ALTIERI; SILVA;NICHOLLS, 2003).
4.4 Teoria da trofobiose
Elaborada pelo biólogo francês Francis Chaboussou, a Teoria da Trofobiose é con-
siderada um dos “pilares” da Agricultura Biológica.
A suscetibilidade das plantas é função da existência de fatores nutricionais 
em seus tecidos, especialmente elementos solúveis presentes nos vacúolos 
das células, e em particular aminoácidos e glicídeos redutores. Todo 
processo vital está na dependência da satisfação das necessidades dos 
organismos vivos, sejam eles vegetais ou animais, ou seja, a planta, ou mais 
precisamente o órgão vegetal, será atacado somente quando seu estado 
bioquímico, determinado pela natureza e pelo teor de substâncias nutritivas 
solúveis, corresponder às exigências tróficas (de alimentação) da praga ou 
do patógeno em questão” (CHABOUSSOU, 2006, p. 159).
O termo Trofobiose origina-se do grego: Trophos (alimento) e Biosis (existência 
de vida). De acordo com essa Teoria, todo organismo vegetal fica vulnerável à infestação 
de pragas e doenças quando excessos de aminoácidos livres e açúcares redutores estão 
presentes no sistema metabólico (CHABOUSSOU, 1999).
“A trofobiose está diretamente relacionada ao manejo agroecológico das culturas, 
contribuindo para a resistência fisiológica vegetal e sustentabilidade do agroecossistema” 
(VILANOVA; SILVA, DIAS, 1980 p.1).
104UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
A sanidade dos vegetais e animais e a qualidade de seus produtos dependem não 
só das técnicas adotadas, mas da aplicação consciente do conhecimento dos processos 
vitais envolvidos e da natureza dos problemas (pragas, doenças) que necessitem ser resol-
vidos (CHABOUSSOU, 1999).
Todos os fatores que interferem no metabolismo da planta podem diminuir ou aumentar sua resistência. 
Estes fatores estão relacionados à formação de proteínas, (proteossíntese) ou à decomposição delas (pro-
teólise). 
Os principais fatores que interferem no metabolismo da planta, são: a) Genética;b) Centro de origem; 
c) Idade ou parte da planta; d) Solo; e) Luz; f) Umidade; g) Adubo orgânico; h) Adubos minerais de baixa 
solubilidade; i) Adubos químicos altamente solúveis; j) Micronutrientes; k) Tratos culturais; ) Agrotóxico.
Fonte: BARROS, J. L. A. P. P. de; BARROS, V. L. N. P. de. Trofobiose como ferramenta para o manejo de pra-
gas e doenças de plantas. s/d. Disponível em: http://codeagro.agricultura.sp.gov.br/uploads/capacitacao/
TROFOBIOSE.pdf. Acesso em: 22 out. 2022.
http://codeagro.agricultura.sp.gov.br/uploads/capacitacao/TROFOBIOSE.pdf
http://codeagro.agricultura.sp.gov.br/uploads/capacitacao/TROFOBIOSE.pdf
105UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
A crise atual e o desafio enfrentado por todas as sociedades apontam para a urgente necessidade de 
sobrepujar a tensão permanente e os resultantes conflitos entre, de um lado a ganância e o interesse 
próprio individual, e de outro a demanda imperativa por ajuda mútua e cooperação.
Fonte: RATTNER, H. Sustentabilidade - uma visão humanista. Revista Ambiente e Sociedade. 1999. https://
doi.org/10.1590/S1414-753X1999000200020. Acesso em: 22 out. 2022.
Um sistema de produção agroecológica, certificado ou não, precisa adotar uma série de princípios ecológi-
cos, tais como: 1) Manter a vida do solo, por meio de cobertura permanente (viva ou morta), minimizando 
perdas por erosão, mudanças bruscas de temperatura e falta de alimento aos organismos que ali vivem; 
2) construir a fertilidade do solo pensando no longo prazo, usando processos biológicos e fertilizantes de 
média e baixa solubilidade, adubando o solo e não a cultura; 3) promover a biodiversidade funcional, onde 
as espécies utilizadas desempenham funções ecológicas como a ciclagem de nutrientes e o equilíbrio dos 
organismos, o que vai permitir a substituição do uso dos insumos químicos sintéticos; 4) respeitar os ciclos 
naturais, adaptando as atividades agrícolas aos ciclos da natureza e com isso diminuindo as intervenções 
para corrigir desequilíbrios ecológicos.
Fonte: FEIDEN, A.; BORSATO, A. V.. Como transformar uma propriedade convencional em agroecológica? 
CARTILHA DE AGROECOLOGIA. 23 p. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/
bitstream/doc/1036548/1/Comotransportar.pdf. Acesso em: 22 out. 2022.
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1036548/1/Comotransportar.pdf
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1036548/1/Comotransportar.pdf
106UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
A produtividade agrícola vem aumentando; porém, esta maior produtividade e expansão não se dá 
sem sérias ameaças a outros ecossistemas. Os mais ameaçados são as grandes florestas, as regiões de 
montanhas e os mananciais e aquíferos.
Fonte: CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Produção e Consumo Sustentáveis. 2022. 
Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/consumo-sustentavel/. Acesso em: 22 out. 
2022. 
107
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro (a) aluno (a), chegamos ao fim de mais uma unidade e além dos conteúdos 
propostos, gostaríamos que estivesse atento às leituras indicadas no texto.
Relatamos algumas vertentes agroecológicas trabalhadas como agricultura alterna-
tiva na busca de produzir alimentos com qualidade que proporcione melhoria de qualidade 
de vida às pessoas e em contrapartida preserve o solo, a água, ou seja, o ambiente como 
um todo.
Dentre as alternativas aqui propostas a agricultura orgânica é a mais difundida 
no Brasil, sendo muito aceita pelas famílias que possuem pequenas propriedades, onde 
denominamos agricultura familiar.
Embora não tenhamos comentado nesta unidade, dentro da agricultura familiar, 
temos a pluriatividade, em que alguns membros da família trabalham determinado período 
na agricultura e outros em outra atividade.
Nos últimos tempos, a procura por produtos oriundos de agricultura sustentável tem 
aumentado bastante, mostrando cada vez mais a preocupação das pessoas em levar para 
suas casas alimentos saudáveis e que seja possível saber sua origem e as condições que 
são produzidos.
Entretanto, sabemos da dificuldade que o pequeno produtor encontra para produzir 
o alimento, uma vez que em grande escala os custos são mais baratos. E devido aos custos 
de produção mais elevados, esses produtos geralmente são mais caro para os consumido-
res finais, que por sua vez na grande maioria estão dispostos a pagar o preço para obter 
produtos de qualidade e garantir a sustentabilidade do planeta. 
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
108
LEITURA COMPLEMENTAR
Resumo: A agricultura tornou-se cada vez mais dependente da indústria, afastando-
-se dos interesses dos agricultores, além do conflito com o meio ambiente. Pelos prejuízos 
econômicos, ecológicos e sociais que a agricultura moderna trouxe, a agricultura alternativa 
entra com o intuito de repensar e desenvolver tecnologias empregadas na agricultura, para 
as condições ecológicas e sociais distintas, de cada região brasileira em particular, ou seja, 
visa à tropicalização das técnicas de produção
Fonte: IDO, O. T.; OLIVEIRA, R. A. de; Apostila 5. Agricultura Orgânica. Universidade Federal 
do Paraná. Setor de ciências agrárias departamento fitotecnia e fitossanitarismo disciplina agricultura geral 
(AF001). Disponível em: http://www.agriculturageral.ufpr.br/bibliografia/apostila5.pdf. Acesso em 23 out. 2022.
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
http://www.agriculturageral.ufpr.br/bibliografia/apostila5.pdf
109
Resumo: No mundo, nos anos 70, aparecem as primeiras normas privadas para 
a produção orgânica, elaborada pela Soil Association, organização inglesa que englobava 
técnicos e cientistas envolvidos na atividade de produção agrícola, seguindo princípios 
ecológicos de manejo dos agroecossistemas e fomento a articulação produtores - consumi-
dores. A IFOAM (Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica), criada 
em 1972 na Alemanha, estabelece suas primeiras normas em 1980 e a França inicia, em 
1981, a institucionalização da agricultura orgânica. Essa dinâmica ganhou força ao longo 
dos anos 80 e 90 do século XX, influenciada também pelas normas ISO (International Stan-
dardization Organization), levando ao reconhecimento da certificação por auditoria como a 
única forma de dar garantia à qualidade orgânica. No Brasil, a pressão para a regulamenta-
ção veio das certificadoras e exportadores após a ECO 92, realizada no Rio de Janeiro. Em 
1994, foi criada uma Comissão de governo e sociedade civil para discussão que resultou na 
edição da primeira normativa em 1998. No entanto, sempre existiu o questionamento, por 
parte dos movimentos sociais, da necessidade de regulamentação técnica (obrigatória) da 
produção orgânica, embora houvesse consenso quanto à necessidade de diretrizes gerais.
Fonte: MACHADO, R. M.; HIRATA, A. R.; ROCHA, L. C. D.; PEGORER, A. P.; FONSECA, M. F.; 
PASSOS, M.; PEDINI, S.; MEDAET, J. P. Legislação de produção orgânica no Brasil: projeto de forta-
lecimento da agroecologia e da produção orgânica nos SPG e OCS brasileiros. Secretaria Especial 
de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia 
do Sul de Minas Gerais, Fórum Brasileiro de SPG. – Pouso Alegre: Instituto Federal de Educação, Ciência 
e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, 2016. 19 p. Disponível em https://portal.ifsuldeminas.edu.br/images/
PDFs/proex/publicacoes_livros/cartilha_3.pdf. Acesso em: 07 set. 2022.
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
https://portal.ifsuldeminas.edu.br/images/PDFs/proex/publicacoes_livros/cartilha_3.pdf
https://portal.ifsuldeminas.edu.br/images/PDFs/proex/publicacoes_livros/cartilha_3.pdf
110
UNIDADE V - MATÉRIA E ENERGIA PRÁTICAS: BIOFERTILIZANTES E CAL-
DAS. 
 Fonte: Matos, A. V. d,; Muller, A. C.; Ghedini, C. M. G.; CADERNO didático de 
ciências e agroecologia: diretrizes de ciências e práticas de agricultura ecológica -conteúdo 
programático do 6º ao 9º ano Candói, PR : Unicentro / Prefeitura Municipal de Candói, 
2018. 169 p.(Caderno de Educação do Campo, v. 5). Disponível em: https://www5.unioeste.
br/portalunioeste/arq/files/GEFHEMP/TEXTO_10_GRUPO_7_10_ENCONTRO_Mate-
ria_e_energia.pdf. Acesso em 13 nov. 2022.
Resumo: Práticas agroecológicas que reforçam e instigam a questão do conheci-
mento. entender um pouco o que são e a função dos Biofertilizantes e das Caldas estes que 
contam com a participação de micro-organismos e de matéria orgânica, a seguir um roteiro 
básico de como fazer cada prática. 
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
https://www5.unioeste.br/portalunioeste/arq/files/GEFHEMP/TEXTO_10_GRUPO_7_10_ENCONTRO_Materia_e_energia.pdf
https://www5.unioeste.br/portalunioeste/arq/files/GEFHEMP/TEXTO_10_GRUPO_7_10_ENCONTRO_Materia_e_energia.pdf
https://www5.unioeste.br/portalunioeste/arq/files/GEFHEMP/TEXTO_10_GRUPO_7_10_ENCONTRO_Materia_e_energia.pdf
https://www5.unioeste.br/portalunioeste/arq/files/GEFHEMP/TEXTO_10_GRUPO_7_10_ENCONTRO_Materia_e_energia.pdf
111
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Plantas doentes pelo uso de agrotóxicos: novas bases 
de uma prevenção contra doenças e parasitas: a teoria da tro-
fobiose.
Autor: Francis Chabousson.
Ano: 2012.
Editora: Expressão Popular.
Sinopse: Plantas doentes pelo uso de agrotóxicos: novas bas-
es de uma prevenção contra doenças e parasitas: a teoria da 
trofobiose. Francis Chaboussou, ao enunciar a teoria da trofo-
biose, lançou um dos pilares da agroecologia. Ao longo desta 
obra, o leitor encontrará uma sólida argumentação científica, 
demonstrando que os parasitas não atacam as plantas cujos 
sistemas nutricionais estejam equilibrados; em contrapartida, 
são os fertilizantes solúveis e os agrotóxicos que os atraem, 
gerando, assim, um ciclo de dependência. As pragas e doenças 
vegetais hoje cresceram muito, com o uso desenfreado desses 
agrotóxicos e fertilizantes. Resultante desse processo é o fracas-
so da “revolução verde” e do “agronegócio”, com suas sombrias 
consequências para o planeta. O equilíbrio da composição 
mineral do solo é condição sine qua non para a sua fertilidade; o 
problema está em como alcançar esse equilíbrio. 
Nesta obra pioneira, Chaboussou, mostra como o equilíbrio bio-
cenótico da fertilidade do solo propicia a produção de alimen-
tos limpos, sem uso de agrotóxicos ou fertilizantes químicos. Aí 
está, para os cientistas e para os agricultores pesquisadores, a 
base de uma tecnologia da vida - a agroecologia - por meio da 
qual se propõe alcançar a harmonia da natureza com a própria 
consciência humana, por um modelo de produção capaz de 
alimentar a humanidade, sem dilapidação dos recursos não 
renováveis. Com revisão técnica e apresentação do professor 
Luiz Carlos Pinheiro Machado, é leitura indispensável para o 
estudo da agricultura orgânica e para aqueles que, na prática 
agrícola
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
https://www.estantevirtual.com.br/livros/francis-chabousson
112
FILME/VÍDEO 
Título: Vídeo-aula: como usar o calendário biodinâmico | ecoc-
itrus
Ano: 2020. 
Sinopse: Quer aprender a usar o calendário biodinâmico? Os 
trânsitos dos planetas, as constelações e a Lua interferem de 
maneira direta na agricultura, e não só em manejos orgânicos e 
ecológicos. Neste vídeo, o engenheiro agrônomo da Ecocitrus, 
Daniel Büttenbender, explica tudo sobre a ferramenta, que 
só tem a contribuir com agricultores e agricultoras. O vídeo 
foi gravado com a participação de Luís Carlos Laux, sócio da 
Ecocitrus, que explicou na prática como aplica o calendário na 
propriedade da família. 
Navegue pelo vídeo:
00:55 - Introdução sobre o calendário biodinâmico
02:49 - Ciclo do zodíaco
06:13 - Como entender o calendário biodinâmico
11:42 - Introdução à fala do Luís Laux
12:44 - Luís Laux: o calendário na prática
17:33 - Como absorver o máximo do cultivo de citros pelo ca-
lendário
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=0sQEaJxFM-
gw
FILME/VÍDEO
Título: QUAL A ALTURA DE UMA ÁRVORE? Aprenda a medir com 
essa técnica
Ano: 2019.
Sinopse: A altura comercial se determina até um diâmetro que 
permita aproveitamento comercial da madeira (por exemplo 4 
cm com casca). Com base no DAP se determina a área da seção 
da árvore nessa determinada altura. A fórmula para se calcu-
lar áreas com base em diâmetro é π. (DAP)² / 4 - ou com base 
no raio, seria π.
Link de acesso: https:/ /www.youtube.com/watch?v=U3l-
volVLuIg
UNIDADE 4 AGRICULTURAS DE BASE ECOLÓGICA
https://www.youtube.com/watch?v=0sQEaJxFMgw
https://www.youtube.com/watch?v=0sQEaJxFMgw
https://www.youtube.com/watch?v=U3lvolVLuIg
https://www.youtube.com/watch?v=U3lvolVLuIg
https://www.youtube.com/watch?v=U3lvolVLuIg
https://www.youtube.com/watch?v=U3lvolVLuIg
113
CONCLUSÃO GERAL
Prezado (a) aluno (a),
Neste material, buscamos trazer para você os principais assuntos relacionados a 
agroecologia que se mostra como uma abordagem que visa promover a produção de alimen-
tos de forma sustentável, levando em consideração as interações entre os organismos e o 
ambiente. É uma resposta aos impactos negativos da agricultura convencional, que muitas 
vezes compromete o equilíbrio dos ecossistemas e a saúde das pessoas que consomem 
os alimentos produzidos. A compreensão dos conceitos teóricos em ecologia é fundamental 
para a aplicação dos princípios da agroecologia na prática. A adoção da agroecologia pode 
contribuir para a preservação dos recursos naturais, a promoção da diversidade biológica 
e cultural, e a melhoria da qualidade de vida dos agricultores e consumidores. Portanto, é 
importante que haja um esforço para disseminar o conhecimento sobre a agroecologia e 
incentivar sua aplicação no setor agrícola. 
A compreensão das bases epistemológicas da agroecologia é fundamental para a 
aplicação dos princípios dessa abordagem na prática. Isso inclui reconhecer a importância 
da valorização do conhecimento tradicional e científico, bem como da diversidade cultural e 
biológica, para a promoção da sustentabilidade socioambiental na produção de alimentos. 
A agroecologia reconhece que os sistemas ecológicos são complexos e dinâmicos, e que 
a produção de alimentos deve ser realizada levando em conta os diversos aspectos en-
volvidos, desde a biodiversidade do local até a justiça social e econômica dos agricultores 
envolvidos. A adoção da agroecologia pode contribuir para a preservação dos recursos 
naturais, a promoção da diversidade biológica e cultural, e a melhoria da qualidade de 
vida dos agricultores e consumidores. Portanto, é importante que haja um esforço para 
disseminar o conhecimento sobre as bases epistemológicas da agroecologia e incentivar 
sua aplicação no setor agrícola.
Os agroecossistemas representam uma abordagem que visa a integração de com-
ponentes biológicos e sociais na produção agrícola, sendo sua estrutura baseada na diver-
sidade de culturas e animais, além da interação com o ambiente natural. A compreensão 
da estrutura dos agroecossistemas é fundamental para a promoção da sustentabilidade 
ecológica e socioeconômica na agricultura. A transição agroecológica é um processo que 
busca mudar os sistemas de produção agrícola convencionais para práticas mais sustentá-
114
veis e integradas com o ambiente natural. Portanto, é importante que haja um esforço para 
disseminar o conhecimento sobre os agroecossistemas, a transição agroecológica e os 
conceitos de agroecologia, e incentivar sua aplicação no setor agrícola.
A prática agroecológica se baseia em princípios que valorizam a biodiversidade, 
respeitam os ciclos naturais, promovem a saúde humana e a justiça social. A Política Nacio-
nal de Agroecologia e Produção Orgânica tem como objetivo incentivar e fortalecer essas 
práticas, promovendo a agricultura familiar e a sustentabilidade. A certificação agrícola é 
uma forma de garantir que os produtos sejam produzidos de forma sustentável, seguindo 
critérios definidos pelociclo da certificação de rede de agricultura sustentável. A agricultura 
familiar é essencial nesse contexto, pois desempenha um papel importante na produção 
de alimentos e tem potencial para adotar práticas mais sustentáveis. Dessa forma, é funda-
mental que haja uma maior conscientização sobre os benefícios da prática agroecológica 
e o papel da agricultura familiar na promoção da sustentabilidade e da justiça social na 
produção de alimentos.
Para finalizar, podemos concluir Agriculturas de base sustentável abrangem di-
versas vertentes, tais como a agricultura orgânica, a agroecologia e a permacultura, que 
compartilham uma preocupação com a sustentabilidade ambiental e social. O manejo de 
sistemas agroflorestais é uma prática agroecológica que visa integrar árvores e culturas 
em um mesmo sistema produtivo, promovendo a diversidade biológica e a recuperação de 
solos degradados. A teoria da trofobiose fundamenta tal manejo, sugerindo que plantas sau-
dáveis e equilibradas são menos suscetíveis a doenças e pragas. Além disso, a produção 
de insumos naturais, como a adubação verde e os defensivos alternativos, é uma prática 
comum na agricultura de base sustentável, visando reduzir o uso de insumos químicos e 
promover a saúde do solo e dos cultivos de forma natural e sustentável.
 Bons Estudos!
 Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!
115
ALTIERI, M. Agroecologia - a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. Porto Alegre: 
Universidade/UFRGS. Primeira edição. 1998. 
ALTIERI, M. Agroecologia – A dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4.ed. Porto 
Alegre: Editora da UFRGS, 2004. 110 p.
ALTIERI, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 3. ed. Porto 
Alegre: Editora da UFRGS, 2001.
ALTIERI, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4. ed. Porto 
Alegre: Editora da UFRGS, 2004. 120 p. Disponível em: https://arca.furg.br/images/stories/
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Brasilia, DF: Embrapa, 2019. PDF (825 p.). Disponível em: https://www.alice.cnptia.organismos no meio físico. Economia da natureza, ou seja, a investigação 
das relações totais dos animais tanto com seu ambiente orgânico quanto com 
seu ambiente inorgânico; incluindo acima de tudo, suas relações amigáveis 
e não amigáveis com aqueles animais e plantas com os quais vêm direta ou 
indiretamente a entrar em contato”. A Ecologia é o estudo de todas as inter-
relações complexas denominadas por Darwin como as condições da luta pela 
existência” (RICKLEFS, 2003, p. 150).
Segundo Nespoli et al. (2008), a ecologia pode ser considerada uma das ciências 
mais complexas e amplas, pois para compreender o funcionamento da natureza, ela envol-
ve o estudo de diferentes campos, como evolução, genética, citologia, anatomia e fisiologia.
Corroborando, Ricklefs (2003) traz alguns os conceitos importantes na ecologia:
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
12UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Fatores bióticos correspondem às comunidades vivas de um ecossistema, 
que pode ser tanto uma floresta quanto um pequeno aquário. São exemplos: 
plantas, animais, fungos e bactérias. Os fatores abióticos: são os elementos 
físicos, químicos ou geológicos do ambiente, responsáveis por determinar, 
em larga escala, a estrutura e funcionamento dessas comunidades. São 
exemplos: água, solo, ar e calor. Energia – caracterizada pela força motriz 
que aporta nos diversos ambientes e garante as condições necessárias para a 
produção primária em um ambiente, ou seja, a produção de biomassa a partir 
de componentes inorgânicos. Conceito biológico: grupo de populações 
naturais que se procriam entre elas e que estão reprodutivamente isoladas 
de outros grupos. Conceito evolutivo: é uma linhagem de populações que 
mantém sua identidade e tem sua própria história evolutiva. Linhagem: 
uma ou várias unidades evolucionárias (populações) que tem uma história 
em comum de descendência. Especiação: termo geral para um conjunto 
de diferentes processos que envolvem a produção de novas linhagens 
evolutivas (espécies). Qualquer conjunto de populações em determinada 
área ou habitat, podendo ter os mais variados tamanhos (RICKLEFS, 2003, 
p. 150).
Complementando, Ridley (2007, p. 11) a especiação refere-se ao “surgimento de 
uma ou mais espécies a partir de uma população ancestral. Esse processo, envolve me-
canismos de diferenciação genética que impedem a reprodução entre duas populações” 
e pode ocorrer por vários fatores, entre eles, o isolamento geográfico e redução de fluxo 
gênico.
Relacionados aos fatores ecológicos – Abióticos, Cavalcanti (2014) traz: 
Temperatura - varia no tempo e espaço e com a altitude. Espécies 
euritérmicas - toleram ampla faixa de variação de temperatura. Espécies 
estenotérmicas - toleram pequena faixa de variação de temperatura. Luz 
– fotoperíodo - número de horas de luz necessárias por dia. Varia com a 
estação do ano. Sinaliza reprodução das aves, hibernação, ciclo de insetos. 
Umidade - presença ou ausência de vapor d’água. Ex.: ciclo hidrológico da 
mata. Vento - acelera a evaporação, influencia na dispersão de sementes e 
transporte de pólens e esporos, inibe e desencadeia atividades metabólicas. 
Ex.: Locusta migratória (artrópode). Recursos tudo aquilo que é consumido 
por um organismo. Nicho ecológico: O nicho ecológico é o conjunto de 
condições e recursos que permitem a uma espécie sobreviver no ambiente. 
Podemos dizer que ele representa o papel ecológico de um indivíduo no 
ecossistema (CAVALCANTI, 2014, p. 25).
Desta forma fica claro que “Nicho ecológico é o conjunto de relações que cada es-
pécie mantém com o ambiente, ou seja, a integração de seus diversos limites de tolerância” 
(CAVALCANTI, 2014, p. 25).
ECOSSISTEMAS2
TÓPICO
13
O termo ecossistema foi utilizado pela primeira vez pelo ecólogo inglês Sir Arthur 
G. Tansley, retratando a unidade funcional básica, composta pelos componentes bióticos e 
abióticos (ODUM e BARRET, 2007, p. 18). Já citados no item (1.0 desta apostila - conceitos 
importantes em ecologia).
Um ecossistema ou sistema ecológico possui dimensões variadas, e classifica-se 
em terrestre ou aquático. 
O ecossistema terrestre diz respeito a todos os biomas da terra, enquanto o ecos-
sistema aquático é formado pelos oceanos, mares, rios, lagos, lagoas, geleiras e recursos 
hídricos subterrâneos. De modo geral, os ecossistemas aquáticos podem ser divididos 
entre marinho e de água doce (BEGON; TOWNSENDE, 2007).
Os ecossistemas aquáticos são essenciais para a preservação da biodiversidade 
marinha e para a sobrevivência humana. Isso porque, além das milhões de espécies de 
animais, vegetais e microrganismos que dependem dos ecossistemas marinhos para so-
breviver é justamente deste ecossistema que retiramos um recurso indispensável para a 
vida humana a “água” (BEGON; TOWNSENDE, 2007).
O ecossistema terrestre pode ser constituído por uma floresta inteira, num espaço 
grande que se chama de “macro-ecossistema”, ou por uma planta a exemplo das bromélias, 
ou seja, espaço pequeno chamado “micro-ecossistema”. Isso porque da mesma forma que 
um grande ecossistema possui todos os fenômenos e fatores que delimitam e definem o 
ambiente dos seres vivos, no pequeno ecossistema acontece o mesmo (BEGON; TOWN-
SENDE, 2007).
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
14UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Portanto, qualquer ambiente em que há interação entre o meio físico (natureza 
solar, luminosidade, temperatura, pressão, água, umidade do ar, salinidade) e os seres 
vivos se constituem num ecossistema, seja ele terrestre ou aquático grande ou pequeno.
Desta forma, para melhor compreensão do mundo vivo, são usados os níveis de 
organização. A ecologia moderna usa como base de estudo os ecossistemas, mas estuda 
também os organismos.
Para Feiden (2005) o ecossistema:
é um sistema funcional, delimitado arbitrariamente, onde se dão relações 
complementares entre os organismos vivos e seu ambiente. É constituído 
de organismos vivos, que interagem no ambiente, de fatores bióticos, e de 
componentes físicos e químicos não-vivos do ambiente, como solo, luz, 
umidade, temperatura, etc., que constituem os fatores abióticos. As relações 
entre ambos formam a estrutura do sistema, e os processos dinâmicos de 
que participam constituem a função do sistema (FEIDEN, 2005, p. 07).
Complementando, Odum e Barret (2020), conceitua ecossistema como:
a primeira unidade na hierarquia ecológica que é completa – ou seja, que 
tem todos os componentes (biológicos e físicos) necessários para sua 
sobrevivência. Consequentemente, é a unidade básica ao redor da qual se 
pode organizar a teoria e a prática em ecologia. Além disso, assim como “aos 
poucos” é insuficiente, as abordagens econômicas e tecnológicas em curto 
prazo no tratamento de problemas complexos se tornam ainda mais evidentes 
a cada ano – a gestão nesse nível (gestão de ecossistemas) emerge como 
um desafio para o futuro. A consideração de ambos os ambientes, de entrada 
e de saída, é uma parte importante do conceito porque os ecossistemas são 
sistemas funcionalmente abertos (ODUM e BARRET, 2020, p. 18).
Relatado por Odum e Barret (2020, p. 11) pode ser melhor entendido no Modelo de 
ecossistema enfatizado em ambiente externo que deve ser considerado parte integral do 
conceito de ecossistema (sugerido primeiramente por Patten 1978).
FIGURA 3 - MODELO DE ECOSSISTEMA EM AMBIENTE EXTERNO
Fonte: Adaptado de: Odum e Barret (2020, p. 11).
15UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Como mostrado na Figura 3, o modelo gráfico de um ecossistema pode consistir de 
uma caixa, denominada sistema, e que representa a área na qual estamos interessados, 
bem como dois grandes funis que chamamos de ambiente de entrada e ambiente de saída. 
O limite do sistema pode ser arbitrário (o que for conveniente ou de interesse), 
delineando uma área como um bloco de floresta ou uma seção de uma praia; ou pode ser 
natural como as margens de um lago, em que ele é o sistema, ou cordilheirasembrapa.br/bitstream/doc/1104081/1/2019cpamtagrossilvipastorilpart7cap6microcli-
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	Site UniFatecie 3:como limites 
de uma bacia hidrográfica.
Nisso, é importante considerar que um sistema é complexo e tem como caracte-
rísticas a existência de especificidades como “adaptação, auto-organização, autonomia, 
comportamento coletivo complexo e emergência, feedback e sinalização, heterogeneidade, 
interdependência e processamento de informação.” (MARCHIONI; CARVALHO, 2022, p.22).
Essa especificidade é definida por (MARCHIONI; CARVALHO, 2022, p.22), como:
Adaptação: capacidade de mudança de comportamento para melhoria das 
chances de sobrevivência ou sucesso, via aprendizagem ou processo evolu-
tivo dos componentes do sistema.
Auto-organização: habilidade de composição de redes de interação entre 
componentes individuais do sistema, seguindo regras relativamente simples 
sem necessidade de um controle central ou de um líder, que resulta em com-
portamento coletivo emergente com formação de padrões.
Autonomia: característica de comportamento dos componentes do sistema, 
que atuam de forma independente a partir de informações disponíveis e inte-
ragem entre si sem determinação de um controle central ou de um líder.
Comportamento coletivo complexo e emergência: resultados sistêmicos ge-
rados a partir das interações entre componentes do sistema em âmbito local, 
baseadas em regras simples, que originam padrões coletivos adaptativos de 
baixa previsibilidade.
Feedback e sinalização: capacidade dos componentes do sistema complexo 
de processar e utilizar informações captadas nos ambientes internos e exter-
nos para formulação de ações e emissão de resposta ao sistema.
Heterogeneidade: propriedade dos componentes do sistema, que geralmente 
apresentam diferenciação entre si em termos de características, comporta-
mentos ou formas de interação, dependendo de seus objetivos particulares.
Interdependência: característica de comportamento dos componentes do 
sistema, que, embora apresentem autonomia nas ações dentro do sistema, 
também são marcados por interdependência em virtude dos processos de 
feedback e sinalização.
Processamento de informação: propriedades dos componentes do sistema, 
que produzem e utilizam informações e sinais emitidos no seu ambiente inter-
no e no ambiente externo para emissão de uma resposta.
Neste contexto, temos na figura 4 os níveis de organização ecológica com conceito 
de contorno de divisão de organismo vivo. Indivíduo educacional rotulado, população, ecos-
sistema, bioma e ilustração vetorial do sistema de classificação da biosfera.
16UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
FIGURA 4 - NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO ECOLÓGICA
Complementando, Feiden (2005) relata os níveis de organização da vida em um 
ecossistema:
continuidade é a interação de todos os ecossistemas da Terra formando 
a biosfera, que é na verdade um grande ecossistema; O sistema aberto é 
aquele que se mantém pelo fluxo contínuo de energia; A homeostase é o 
estado de equilíbrio dinâmico de todo ecossistema, pela sua autorregularão; 
Espécie: organismos com características genéticas semelhantes. Com isso, 
o cruzamento de indivíduos da mesma espécie gera descendentes férteis. 
Exemplos: caranguejos, ursos, pau-brasil, etc; População: termo que desig-
na o conjunto de organismos da mesma espécie. Inicialmente usado para gru-
pos humanos, depois ampliados para qualquer organismo. Exemplo: grupo 
de peixes-palhaço; Comunidade: conjunto das populações que vivem numa 
mesma região. Também chamado de "Comunidade Biológica", "Biocenose" 
ou "Biótopo". Exemplo: aves, insetos e plantas de uma região; Biocenose: 
são as diversas espécies que vivem em determinado local e interagem entre 
si; Biótopo: corresponde a uma parte do habitat. É uma área com condi-
ções ambientais específicas que permitem a vida de determinadas espécies. 
Exemplo: trecho de uma floresta ou de uma lagoa; Ecossistema: conjunto de 
comunidades que interagem entre si e com o ambiente. Formado pela inte-
ração de biocenoses e biótopos. Exemplos: pode ser uma lagoa, uma flores-
ta ou até um aquário; Bioma: reunião de ecossistemas com características 
17UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
próprias de diversidade biológica e condições ambientais. Exemplos: a Mata 
Atlântica, o Cerrado e a Amazônia são alguns dos biomas brasileiros; Bios-
fera: conjunto de todos os ecossistemas das diferentes regiões do planeta. É 
a reunião de toda a biodiversidade existente na Terra (FEIDEN, 2005, p. 07).
Assim, as relações ecológicas podem ser classificadas segundo o nível de interde-
pendência:
1. Intraespecíficas ou Homotípicas: para seres da mesma espécie.
2. Interespecíficas ou Heterotípicas: para seres de espécies diferentes.
Para Mayr (1998) as relações desarmônicas representam as interações com pre-
juízos para todos ou pelo menos um dos indivíduos envolvidos ao ponto que as relações 
harmônicas condizem com as interações em que existem apenas benefícios (para um ou 
ambos os participantes).
Os organismos estabelecem relações mútuas entre si e com o ambiente físico, 
baseado nas interações que ocorrem no mundo natural. 
O entendimento dos diferentes fenômenos que englobam essas relações e 
interações entre seres vivos (incluindo o homem) e os componentes abióticos 
é amplamente discutido à luz de teorias ecológicas. O ambiente é alterado, 
físico e químicamente, pela maneira como os indivíduos realizam suas ativi-
dades. Também as interações entre organismos, têm influência na vida de 
outros seres, da mesma espécie e de espécies diferentes (BEGON e TOWN-
SENDE, 2007, p. 223).
Os ecossistemas são sistemas equilibrados e cada espécie viva tem o seu papel no 
funcionamento do ecossistema que pertence.
Segundo Altieri (2004) a estrutura do ecossistema está baseada na estrutura das 
comunidades que compõem o sistema. A comunidade é o resultado das interações entre as 
diferentes populações que a constituem que, por sua vez, são o resultado da adaptação das 
diferentes espécies aos fatores abióticos e suas variações, que condicionam o ambiente 
local.
Para Altieri (2004) as propriedades das comunidades são:
Diversidade de espécies - é o número de espécies que existe numa comuni-
dade. Dependendo das condições ambientais, algumas comunidades podem 
possuir grande diversidade enquanto que outras podem possuir pouca diver-
sidade. Abundância - é a quantidade de indivíduos de uma espécie dentro 
de uma comunidade. Existem espécies muito abundantes e outras pouco 
abundantes dentro da comunidade. Espécie dominante - é aquela espécie 
que causa maior impacto tanto nos componentes bióticos como nos compo-
18UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
nentes abióticos da comunidade. Os ecossistemas podem ser denominados 
de acordo com a espécie dominante. Exemplo: mata de araucária no sul do 
Brasil. Estrutura da vegetação - pode ser vertical ou horizontal. A estrutura 
vertical diz respeito à existência de um conjunto de espécies vegetais que 
formam um perfil com diferentes camadas, enquanto a estrutura horizontal 
diz respeito ao padrão e à distribuição de agrupamento ou associações de 
populações vegetais pela superfície do solo. Estrutura trófica - é a forma 
como se organiza o atendimento das necessidades nutricionais das diferen-
tes espécies dentro da comunidade (ALTIERI, 2004, p. 85).
E dentro das dinâmicas de ecossistemas - fluxo de energias, Moura, Magano e 
Araújo, (2021) relatam que: 
no ecossistema o fluxo de matéria e/ou energia é o caminho percorrido pela 
matéria, também chamada de biomassa ao longo de um ecossistema. É elo 
de ligação, um processo unidirecional, não há reciclagem de energia. Em 
todos os degraus da cadeia alimentar, parte da energia que entra no sistema 
via fotossíntese é convertida em calor e parte é usada para incrementar a 
biomassa dentro do sistema ou saindo do sistema na forma de biomassa 
animal ou vegetal. Trata-se de um processo fundamental para o funcionamento 
e a manutenção de um ecossistema, podendo ser representado como uma 
pirâmide chamada de pirâmide trófica ou pirâmide ecológica.A pirâmide 
ecológica é utilizada para representar o fluxo de matéria e energia presente 
em um ambiente, com base nas relações ecológicas existentes entre os seres 
vivos que ali habitam (MOURA; MAGANO e ARAÚJO, 2021, p. 142).
Para finalizar, não podemos deixar de relatar segundo Odum e Barret (2020) os 
níveis tróficos, sendo divididos em:
Produtores primários: Organismos autótrofos, representados 
pelos herbívoros, alimentam-se dos seres produtores. Os produtores são os 
seres vivos que fabricam o seu próprio alimento através da fotossíntese. As 
plantas (autótrofos) utilizam a energia da luz e compostos inorgânicos para 
formar compostos orgânicos que encerram, em suas cadeias de carbono, uma 
certa quantidade daquela energia obtida da luz. Consumidores: Organismos 
heterótrofos que consomem a energia e a biomassa presente no nível trófico 
abaixo do que se encontram. Ou seja, os seres heterótrofos não produzem 
o seu próprio alimento e por isso necessitam buscar em outros seres a 
energia para sobreviver. São, portanto, organismos que consomem outros 
organismos e podem ocupar diferentes níveis tróficos. Representados 
pelos carnívoros, alimentam-se dos consumidores primários. Consumidores 
terciários: Representados pelos carnívoros de grande porte e predadores. 
Decompositores: O último nível trófico é composto pelos organismos que 
se alimentam de matéria morta e em decomposição - restos mortais ou 
alimentares dos demais níveis tróficos. Ex: fungos, algumas bactérias e 
alguns protozoários (ODUM e BARRET, 2020, p. 27-28).
Para exemplificar o relato de Odum e Barret (2020) será demonstrado na figura 5. 
19UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
FIGURA 5 - COMPONENTES DA CADEIA ALIMENTAR
Fonte: MILHOMEM, L. Cadeia alimentar – O que é, como se estrutura, exemplos e consequências.
 2021. Disponível em: https://conhecimentocientifico.com/cadeia-alimentar/. Acesso em: 30 ago. 2022.
De acordo com a figura 5 os consumidores primários se alimentam dos 
produtores através da relação de herbívora; os consumidores secundários se alimentam 
dos consumidores primários; os consumidores terciários se alimentam dos consumidores 
secundários através de relações de predatismo. Todos os organismos estão submetidos à 
ação dos decompositores, ou seja, está presente em todos os níveis tróficos.
COMO SURGIU A 
AGROECOLOGIA3
TÓPICO
20
Desde que surgiu como disciplina científica, a partir dos trabalhos pioneiros de 
Ernst Haeckel (1834-1919), a Ecologia desenvolveu o estudo das interações ecológicas 
dos organismos entre si e destes com o meio; formulou ainda conceitos que são funda-
mentais para compreender-se os princípios de uma agricultura sustentável, como são a 
biodiversidade, a sucessão vegetal e a organização das distintas formas de vida em níveis 
interdependentes (CAPORAL; COSTABEBER e PAULUS, 2011, p. 62).
É na década de 70 que se começa a falar em agroecologia, mas seu ideal é tão 
antigo quanto o da própria agricultura e sua estratégia. E segundo Azevedo e Netto (2015) 
agroecologia é:
transformar uma abordagem disciplinar em temática “por meio da mudança 
sobre o uso de insumos e/ou o redesenho de agroecossistema, buscando 
formatos tecnológicos que beneficiam a inclusão social, apoiando a heteroge-
neidade de estratégias de uso e manejo dos recursos naturais”. No entanto, 
ao falar de agroecologia, há sobressaltos, principalmente quando observado 
que se comparada à agricultura convencional, em um processo de transição, 
essa última teria que ser modificada, e o objetivo do dono da terra não seria a 
mais-valia como foco principal (AZEVEDO e NETTO, 2015, p. 643).
Tendo como princípio básico o uso racional dos recursos naturais a agroecologia, 
traz uma nova abordagem da agricultura que busca integrar diversos aspectos agronômi-
cos, ecológicos e socioeconômicos, na avaliação dos efeitos das técnicas agrícolas sobre 
a produção de alimentos e na sociedade como um todo.
A evolução para essa forma de produção foi gradual, tendo começado ao final da 
1ª Guerra Mundial. 
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
21UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Os primeiros movimentos de agricultura nativa, com preocupações com a qualida-
de dos alimentos consumidos pela população surgiu inicialmente na Inglaterra (Agricultura 
Orgânica) e na Áustria (Agricultura Biodinâmica). Naquela época, as ideias da Revolução 
Industrial influenciavam a agricultura criando modelos baseados na produção em série e 
sem diversificação.
A expressão “agricultura biológica”, origem das técnicas agroecológicas, 
foi utilizada em 1940 no livro “Look to the Land” pelo nobre inglês Lord 
Northbourne. No livro “Um testamento agrícola”, um antigo conselheiro 
agrícola das Índias, na época colônia inglesa, “Sir” Albert Howard, concebe 
um sistema de produção agropecuário que não emprega produtos químicos 
sintéticos. O histórico das buscas de compatibilização entre as atividades 
primárias e o meio ambiente na procura de ecossistemas mais equilibrados 
em direção a condições de homeostase, é bastante antigo e tradicional. 
Os registros históricos também manifestam que Lady Eve Balfour publicou 
em 1943 um livro denominado “The Living Soil”, que aborda as relações 
de vida e saúde dos solos com as repercussões e consequências que se 
observava sobre plantas, animais, e posteriormente sobre a saúde humana. 
O moderno movimento orgânico depois atinge a permacultura, mas decorre 
destas iniciativas pioneiras, tanto na Grã-Bretanha como no mundo todo. A 
mesma Lady Eve, em 1945, funda a “Soil Association” na Grã-Bretanha. Em 
resumo, para perfeita compreensão da situação, a agricultura convencional 
usa métodos que aumentam as colheitas nas primeiras oportunidades, mas 
depois acaba tornando o solo empobrecido. Os fertilizantes sintéticos até 
substituem com eficiência os macronutrientes, mas os minerais traços ou 
micronutrientes não são substituídos. E acabam mobilizando os conhecidos 
fatores limitantes de Liebig, sempre citados na clássica obra “Ecologia” 
(NAIME, 2015, s/p). 
Após a 2° Guerra Mundial, a agricultura sofreu um novo incremento, uma vez que o 
conhecimento humano avançava nas áreas da química industrial e farmacêutica. 
Passando esta fase, restava reconstruir a destruição deixada pela guerra, dar base 
a um crescente aumento populacional, e o surgimento de adubos sintéticos e agrotóxicos 
seguidos, posteriormente, das sementes geneticamente melhoradas (NAIME, 2015).
Considerando a necessidade de produção rápida em grande escala de alimentos, 
foi desenvolvido já há muitas décadas um sistema de produção agrícola baseado na 
aplicação de agroquímicos, chamado de agricultura tradicional. Mas se iniciou a refletir que 
o problema da carência alimentar é muito mais uma questão de distribuição de riquezas e 
de renda, e não um problema de produção de alimentos.
Para Naime (2015) os sistemas de cultivo intensivo contribuem para diversos 
problemas. Eles exaurem os recursos naturais com foco em ganhos de curto prazo em vez 
da sustentabilidade a longo prazo que funciona melhor para a terra, a vida selvagem e as 
comunidades locais, como:
22UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Pesticidas, herbicidas e fungicidas, eliminam junto com os organismos 
considerados pragas, também e principalmente os microrganismos benéficos 
e necessários para manter a sanidade e o equilíbrio dos solos. De forma 
gradacional, a estrutura do solo é destruída. Métodos biológicos restauram 
a saúde do solo pela adição de compostos e de chorume, determinando a 
criação de um saudável, permanente e autossustentável ciclo equilibrado de 
nutrientes. Solo íntegro, significa produção vegetal de qualidade. Investigações 
demostram que os vegetais orgânicos contêm maior quantidade de certas 
vitaminas e minerais, tais como a vitamina C. Por outro lado, qualidade da 
água está ameaçada pela maciça dissolução de fertilizantes e agrotóxicos 
em geral, que são levados já dissolvidos pelas enxurradas, tantoem áreas 
rurais quanto urbanas. Na agricultura ecológica este processo tende a não 
mais ocorrer (NAIME, 2015, s/p).
A contaminação do ambiente por agrotóxicos tem o intuito de combater as “pragas 
da lavoura”:
seja uma erva, fungo ou um inseto, por eles consideradas como “daninha, 
peste ou praga”, que passam a ser alvo da ação de agrotóxicos como 
herbicidas, fungicidas ou inseticidas. Entretanto, como essas “pragas” se 
reproduzem junto com a lavoura, sendo impossível separá-las ou individualizá-
las, o fazendeiro ataca todo o conjunto lavoura-praga com esses biocidas na 
intenção de atingir aqueles alvos. Além disso, todos os agrotóxicos adquiridos 
estão classificados e rotulados com a indicação dos níveis de toxicidade (I a 
IV – extremamente tóxico, altamente tóxico, medianamente tóxico e pouco 
tóxico) para o homem ou o ambiente, não cabendo dúvidas ao fazendeiro e 
ao agrônomo que emitiu o receituário quanto à contaminação intencional que 
ocorrerá com o seu uso (SILVA et al., 2015, p. 109).
 
Nesse processo, efetuam-se várias pulverizações de agrotóxicos; algumas névoas 
atingem o objeto, outras atingem as plantas e o solo e várias evaporam ou são levadas, 
pelo vento ou pela chuva, para outros locais, conforme demonstrado na figura 07, no qual 
relatamos as etapas do processo produtivo do agronegócio e seus impactos na saúde do 
trabalhador, na população e no ambiente (SILVA et al., 2015, p. 109).
23UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
FIGURA 7 - ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO DO AGRONEGÓCIO E SEUS IMPACTOS
Fonte: Silva et al. (2015, p. 109). 
Esses desvios ou erros de alvo são considerados pelos fazendeiros e agrônomos 
como “derivas” ou acidente na aplicação por falta de treinamento, ou porque as condições 
climáticas mudaram rapidamente, ou ainda porque houve descuido ou um ato inseguro do 
pulverizador; portanto, eles culpam o clima ou o trabalhador (tratorista, piloto). Entretanto, a 
Embrapa acrescenta que normalmente ocorre uma “deriva técnica”, conforme demonstrado 
na figura 08 (SILVA et al., 2015. p. 110-120).
24UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
FIGURA 8 - ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO DO AGRONEGÓCIO E SEUS IMPACTOS
Fonte: Silvaet al. (2015. p.109). 
Para Rosalen (2022) é urgente o emprego de um sistema alimentar alternativo 
que seja verdadeiramente sustentável, e o modelo agroecológico tem essa proposta de 
considerar o manejo responsável dos recursos naturais.
Para avançar no enfrentamento dessa lógica, surge a agroecologia, que constitui 
um CAMPO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO, que integra os saberes históricos dos 
agricultores com o avanço da ciência (ROSALEN, 2022).
Desta forma, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação 
e Agricultura (FAO), “a agroecologia ajuda a apoiar a produção de alimentos e a segurança 
alimentar e nutricional enquanto restaura os serviços ecossistêmicos e a biodiversidade 
que são essenciais para a agricultura sustentável” (ROSALEN, 2022, p. 01).
Outra situação importante que contribuiu para a busca de uma ciência agroecológica 
e merece ser citada ao falar em impactos ambientais originados por agrotóxicos é o livro de 
Rachel Carson “SILENT SPRING - PRIMAVERA SILENCIOSA”. 
Produzido em 1962 causou tanta repercussão que é até hoje considerado um dos 
marcos fundadores do movimento ambientalista internacional. O livro “Primavera Silenciosa” 
abordou a questão, evidenciando os efeitos devastadores do DDT e outros agrotóxicos na 
saúde humana, animal e ambiental.
25UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
O uso indiscriminado de agrotóxicos pode levar à contaminação da água e do solo 
e causar efeitos drásticos em espécies não alvo, afetando a biodiversidade, as redes ali-
mentares e os ecossistemas aquáticos e terrestres (DOS REIS; CAMARGO, 2018).
Para Naime (2015), foi após a Conferência para o Desenvolvimento e o Meio Am-
biente, a ECO-92, no Rio de Janeiro que:
chegou-se à conclusão de que os padrões de produção e atividades humanas 
em geral, principalmente na agropecuária, teriam que ser drasticamente 
alterados e compatibilizados com as características naturais em busca de 
equilíbrio ecossistêmico e homeostase planetária. Assim se criaram, novas 
diretrizes às atividades humanas, compiladas no documento chamado 
Agenda 21, com o objetivo de propiciar ferramentas para um desenvolvimento 
duradouro e com menor impacto possível, que se chamou de desenvolvimento 
sustentável, em atendimento a desafios já há muito tempo lançados. Assim, 
os movimentos no sentido da implantação de uma maior qualidade na forma 
de desenvolver a agropecuária. Surge desenvolta então, no cenário mundial 
a agroecologia, conhecida ainda também por agricultura alternativa em 
oposição a expressão “tradicional” (NAIME, 2015, s/p).
A Rio+20 acontece justamente cinquenta anos após o lançamento do livro Primave-
ra Silenciosa. Através de um debate baseado nos princípios ecológicos, explorando a forma 
como a vida na Terra está conectada a cada elemento, e Carson (2010) propôs que o termo 
que mais apropriadamente define os agrotóxicos (ou pesticidas) e "biocidas":
há muitas [substâncias químicas] que são usadas na guerra da humanida-
de contra a natureza. Desde meados da década de 1940 mais de duzentos 
produtos químicos básicos foram criados para serem usados na matança de 
insetos, ervas daninhas, roedores e outros organismos descritos no lingua-
jar moderno como ‘pestes’, e eles são vendidos sob milhares de nomes de 
marcas diferentes. Esses sprays, pós e aerossóis são agora aplicados quase 
universalmente em fazendas, jardins, florestas e residências – produtos quí-
micos não seletivos, com o poder de matar todos os insetos, os ‘bons’ e os 
‘maus’, de silenciar o canto dos 
pássaros e deter o pulo dos peixes nos rios, de cobrir as folhas com uma 
película letal e de permanecer no solo – tudo isso mesmo que o alvo em mira 
possa ser apenas umas poucas ervas daninhas ou insetos. Será que alguém 
acredita que é possível lançar tal bombardeio de venenos na superfície da 
Terra sem torná-la imprópria para toda a vida? Eles não deviam ser chama-
dos ‘inseticidas’, e sim de ‘biocidas’ (CARSON, 2010, p. 23-24. apud. SILVA 
et al. 2015, p. 08).
Carson “trouxe prestígio ao conceito de ecologia, influenciado gerações. Foi além 
de denunciar os efeitos do DDT, escrevendo sobre o direito moral de cada cidadão de saber 
o que estava sendo lançado de forma irresponsável na natureza pela indústria química” 
(SILVA et al., 2015, p. 08-09)
26UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
 As denúncias de Raquel Carson “despertou a consciência ambiental de uma nação 
para reagir e exigir explicações e soluções” (SILVA et al., 2015. p. 08-09).
No Brasil, no ano de 1996, foi criado o Programa Nacional de Fortalecimento 
da Agricultura Familiar (Pronaf). O programa buscava destinar recursos do crédito rural, 
obrigando à sua aplicação nos pequenos produtores, inclusive os assentados da reforma 
agrária.
AS BASES EPISTEMOLÓGICAS 
DA AGROECOLOGIA4
TÓPICO
27
O surgimento da agroecologia se dá no sentido de combater os princípios da 
agricultura moderna.
No início do século 20, “a agricultura estava marcada pela euforia produtivista gerada 
pelos achados de Liebig que havia introduzido a prática da adubação com fertilizantes 
sintéticos na agricultura” (MATTOS et al., 2006, p. 32). 
Na década de 1920, no entanto, surgiram, segundo Ehlers (1996), movimentos 
contrários “que valorizavam o uso da matéria orgânica e de outras práticas culturais 
favoráveis aos processos biológicos” (EHLERS, 1996, p. 128). 
A denominação de Agricultura de Base Ecológica surgiu para traduzir a 
variedade de manifestações do que vinha sendo tratado como Agriculturas Alternativas, 
pela coexistência de várias escolas ou correntes que propõem a aplicação de princípios 
ecológicos à produção agropecuária, a partir da incorporação de técnicas alternativas ao 
modelo convencional e à diversificação de sistemas de produção,permitindo a redução ou 
subtração do uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos (MILLER; SPOOLMAN, 2021).
Entre as escolas, podemos citar a Agricultura Natural1 - (Fukuodae Mokiti Okada), 
a Agricultura Orgânica2 - (Albert Howard entre 1925 e 1930, Balfour, Rodale), a Agricultura 
1Ver, por exemplo, Fukuoka (1995). Este autor propõe a filosofia radical do “não fazer”, ou seja, não remover o solo e não aplicar insumos (químicos ou mesmo 
orgânicos), mas harmonizar os cultivos com os processos naturais. Embora também se inclua Mokiti Okada entre os autores da Agricultura Natural, ele apresenta uma perspectiva 
espiritual (relacionada à Igreja Messiânica) e, em questões de agricultura, não propõe um enfoque tão radical quanto o de Fukuoka.
2 Uma obra histórica sobre os fundamentos da Agricultura Orgânica está em Howard (1940).
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
28UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Biológica3 - (Hans Muller, Aubert, Chaboussou), a Agricultura Biodinâmica4 - (Rudolf Steiner 
- 1924), a Permacultura5 - (Mollison), a Agricultura Regenerativa (Pretty), a Agricultura de 
Baixos Insumos Externos (ILEIA-Holanda) ), e muitas outras6 (MATTOS et al., 2006, p. 32). 
Todas essas vertentes são pautadas na ciência agroecológica que segundo Caporal 
(2009) a busca integrar os saberes históricos dos agricultores com os conhecimentos das 
mais variadas ciências, permitindo, compreender, analisar e criticar o atual modelo do 
desenvolvimento e de agricultura, estabelecendo novas estratégias para o desenvolvimento 
rural e novos desenhos de agriculturas mais sustentáveis, desde uma abordagem 
transdisciplinar, holística.
Caporal (2009), complementa que:
Agroecologia, mais do que simplesmente tratar sobre o manejo 
ecologicamente responsável dos recursos naturais, constitui-se em um 
campo do conhecimento científico que, partindo de um enfoque holístico 
e de uma abordagem sistêmica, pretende contribuir para que as sociedades 
possam redirecionar o curso alterado da coevolução social e ecológica, nas 
suas mais diferentes inter-relações e mútua influência. Por isso, uma das 
diferenças fundamentais entre “agrônomos convencionais e agroecólogos é 
que estes últimos tendem a ser, de forma geral, metodologicamente mais 
pluralistas”. E estas diferenças nascem, precisamente, das bases filosóficas 
que orientam as atividades de cientistas e técnicos de extensão rural que 
se orientam por enfoques convencionais. E os científicos “não têm sido 
verdadeiramente capazes de ouvir o que os agricultores têm a dizer, porque 
as premissas filosóficas da ciência convencional não conferem legitimidade 
aos conhecimentos e às formas de aprendizagem dos agricultores” e, com 
isso, não são capazes de romper com a suposta superioridade da ciência 
convencional ( CAPORAL, 2009, p. 07).
O que diferencia a pluralidade epistemológica da agroecologia com a ciência 
convencional, é a nova visão das relações homem-natureza, buscando se concretizar 
numa articulação que contemple não só a questão ecológica, mas também as bases de 
uma epistemologia natural e evolucionista.
Dentro disso, de acordo com Norgaard (1989), as bases epistemológicas da 
Agroecologia mostram que, a evolução da cultura humana pode ser explicada com 
referência ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que a evolução do meio ambiente pode 
ser explicada com referência à cultura humana. 
3Uma obra histórica sobre os fundamentos da Agricultura Orgânica está em Howard (1940).
4Rudolf Steiner foi o mentor inicial desta escola, o qual já em 1924 proferiu uma sequência de conferências onde se postulava 
uma relação entre a agricultura e a Antroposofia. Para uma abordagem mais atual sobre agricultura biodinâmica ver Koepf et. al (1983).
5Ou também Agricultura Permanente, inicialmente proposta por Mollison (1994) na Austrália.
6Existe um sem-número de outras denominações, que apresentam nuances filosóficas e práticas em relação às correntes 
aqui denominadas. Por exemplo, a Agricultura Regenerativa não difere muito da Agricultura Orgânica, embora a ênfase em manejos 
regenerativos seja seu foco (ver PRETTY, 1996). Outro exemplo diz respeito a um conceito próximo a todas as escolas, que é o de 
Agricultura Sustentável e de Baixos Insumos Externos, desenvolvido especialmente pelo Ileia (Information Centre for Low External 
Input and Sustainable Agriculture, Holanda), embora também não se possa classificar esta iniciativa como outra escola de Agricultura 
Ecológica (ver REIJNTJES et al., 1994).
29UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Desta forma:
a) os sistemas biológicos e sociais têm potencial agrícola; 
b) este potencial foi captado pelos agricultores tradicionais através de um processo 
de tentativa, erro, aprendizado seletivo e cultural; 
c) os sistemas sociais e biológicos coevoluíram de tal maneira que a sustentação 
de cada um depende estruturalmente do outro; 
d) a natureza do potencial dos sistemas social e biológico pode ser melhor 
compreendida dado o nosso presente estado do conhecimento formal, social e 
biológico, estudando-se como as culturas tradicionais captaram este potencial; 
e) o conhecimento formal, social e biológico, o conhecimento obtido do estudo 
dos sistemas agrários convencionais, o conhecimento de alguns insumos 
desenvolvidos pelas ciências agrárias convencionais e a experiência com 
instituições e tecnologias agrícolas ocidentais podem se unir para melhorar tanto 
os agroecossistemas tradicionais como os modernos; 
f) o desenvolvimento agrícola, através da Agroecologia, manterá mais opções 
culturais e biológicas para o futuro e produzirá menor deterioração cultural, 
biológica e ambiental que os enfoques das ciências convencionais por si sós.
A bases epistemológicas, que dão sustentação ao paradigma agroecológico, mos-
tram, entre outras coisas, a importância da construção histórica do conhecimento, assim, de 
uma forma geral, a Agroecologia é entendida, como um enfoque científico destinado a apoiar 
a transição dos atuais modelos de desenvolvimento rural e de agricultura convencionais para 
estilos de desenvolvimento rural e de agriculturas mais sustentáveis (NORGAARD, 1989).
Assim, a epistemologia da agroecologia vem como a construção de uma nova 
racionalidade, para a transformação dos paradigmas científicos e a produção de novos 
conhecimentos, diálogo, hibridação e integração de saberes e a interdisciplinares (NOR-
GAARD, 1989).
30UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
LEI DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
Art. 3º A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao Acesso em regular 
e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o Acesso e a outras 
necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a di-
versidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.
Art. 4º A segurança alimentar e nutricional abrange:
I. a ampliação das condições de Acesso em aos alimentos por meio da produção, em especial da agricultura 
tradicional e familiar, do processamento, da industrialização, da comercialização, incluindo-se os acordos 
internacionais, do abastecimento e da distribuição dos alimentos, incluindo-se a água, bem como da gera-
ção de emprego e da redistribuição da renda;
II. a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos recursos;
III. a promoção da saúde, da nutrição e da alimentação da população, incluindo-se grupos populacionais 
específicos e populações em situação de vulnerabilidade social;
IV. a garantia da qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica dos alimentos, bem como seu 
aproveitamento, estimulando práticas alimentares e estilos de vida saudáveis que respeitem a diversidade 
étnica e racial e cultural da população; V. a produção de conhecimento e o Acesso em à informação; e
VI. a implementação de políticas públicas e estratégias sustentáveis e participativas de produção,comercia-
lização e consumo de alimentos, respeitando-se as múltiplas características culturais do País.
Fonte: BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e 
Nutricional – SISAN com vistas em assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras provi-
dências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 18 set. 2006. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11346.htm. Acesso em: 20 ago. 2022.
31UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
Não é possível dissociar Agroecologia do marco político/ideológico estabelecido pela ÉTICA. Por isso, 
quando muitos criticam a Agroecologia por sua vertente filosófica, esta crítica deve ser acolhida como 
um elogio à evolução e acumulação do saber. Especialmente as teses que tratam de desenvolvimento 
sustentável só podem ter sentido real se estiverem subordinadas a uma ÉTICA DA SOLIDARIEDADE, que 
se transforme em um compromisso intergeracional, pois, caso contrário, continuaremos desperdiçando, 
destruindo e queimando recursos naturais não renováveis, em nome de uma falsa ideia de progresso 
cujo rastro de destruição deixará como legado para as futuras gerações a escassez crescente dos recursos 
elementares para a sobrevivência humana, podendo chegar ao limite de legarmos apenas um grande e 
indomável deserto planetário (CAPORAL et al., 2009, p. 08).
Fonte: CAPORAL, R.; COSTABEBER, J. A.; PAULUS, G. Agroecologia: uma ciência do campo da 
complexidade. Brasília, 2009. 111 p. Disponível em: http://www.emater.tche.br/site/arquivos_pdf/teses/
Agroecologiaumacienciadocampodacomplexidade.pdf. Acesso em: 28 ago. 2022.
http://www.emater.tche.br/site/arquivos_pdf/teses/Agroecologiaumacienciadocampodacomplexidade.pdf
http://www.emater.tche.br/site/arquivos_pdf/teses/Agroecologiaumacienciadocampodacomplexidade.pdf
32
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi possível perceber nesta unidade, a agroecologia despontou após a efetiva 
cobrança de grupos preocupados com a sociedade, a preservação e a conservação ambiental.
A busca para a implantação de tecnologias no sistema de produção agrícola na 
maioria das vezes prioriza apenas o enfoque rentável em detrimento do viés ecológicos, e 
socialmente justos. 
A ciência agroecológica preza que o avanço de conhecimento e desenvolvimento 
de soluções tecnológicas e devem priorizar técnicas para uma agricultura sustentável, com 
proposta que se orienta para o uso responsável dos recursos naturais (solo, água, fauna, 
flora, energia e minerais).
As diversas vertentes introduzidas nesta unidade serão mais aprofundadas pos-
teriormente uma a uma. Diversas propostas agrícolas que possuem vertentes apoiadas 
na ciência agroecológica. Uma proposta de agricultura sustentável, produtiva e ambiental-
mente equilibrada apoiada em práticas conservacionistas de preparo do solo, rotações de 
culturas e consórcios, no uso da adubação verde e de controle biológico de pragas, bem 
como no emprego eficiente dos recursos naturais. 
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
33
LEITURA COMPLEMENTAR
Lei de segurança alimentar - LEI Nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o 
Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. SISAN com vistas em assegurar o 
direito humano à alimentação adequada e dá outras providências.
Link de acesso: http://www4.planalto.gov.br/consea/conferencia/documentos/lei-de-seguranca-ali-
mentar-e-nutricional
RESUMO: 
A Lei representa a consagração de uma concepção abrangente e intersetorial da 
Segurança Alimentar e Nutricional, bem como dos dois princípios que a orientam, que são 
o direito humano à alimentação e a soberania alimentar. De fato, compreender a Segurança 
Alimentar e Nutricional como um direito humano fundamental representa um enorme passo 
para vencermos a fome, a desnutrição e outras tantas mazelas que ainda envergonham o 
País. E abre a possibilidade para que, em futuro breve, qualquer brasileiro privado desse 
direito essencial possa cobrar do Estado medidas que corrijam esta situação. Da mesma 
maneira, vincular à Segurança Alimentar, o princípio da soberania alimentar é reconhecer o 
direito de nosso povo em determinar livremente o que vai produzir e consumir de alimentos.
Fonte: BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Na-
cional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN com vistas em assegurar o direito 
humano à alimentação adequada e dá outras providências. Diário Oficial [da] República 
Federativa do Brasil, Brasília, DF, 18 set. 2006. Disponível em: http://www4.planalto.gov.br/
consea/conferencia/documentos/lei-de-seguranca-alimentar-e-nutricional. Acesso em: 26 
ago. 2022. 
 
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
34
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Ecologia: De Indivíduos a Ecossistemas.
Autor: Michael Begon, Colin R. Townsend, John L. Harper.
Editora: Blackwell Publishing Ltd, Oxford.
Sinopse: Considerado o livro-texto definitivo sobre todos os 
aspectos da ecologia. Esta nova edição continua a fornecer um 
tratamento completo do tema, desde os princípios ecológicos 
fundamentais até uma reflexão vívida sobre nossa compreen-
são da ecologia no século XXI. Aborda a teoria de nichos, a teoria 
da história de vida, os padrões de migração e a dinâmica de po-
pulações pequenas, dedicando atenção especial à restauração 
após dano ambiental, biossegurança (resistência à invasão de 
espécies alóctones) e conservação de espécies.
LIVRO 
Título Transição agroecológica construção participativa do co-
nhecimento para a sustentabilidade.
Autor: Carlos Alberto Barbosa Medeiros; Flávio Luiz Carpena 
Carvalho; André Samuel Strassburge.
Editora: Embrapa, 2011.
Sinopse: A aprovação do projeto “Transição Agroecológica 
– construção participativa do conhecimento para a sustenta-
bilidade” reflete essa orientação, quando, pela primeira vez, 
coloca-se como um dos desafios nacionais a geração de tecno-
logias que possibilitem a transição para sistemas de produção 
de base ecológica. O estímulo ao desenvolvimento do projeto, 
ao mesmo tempo em que internaliza a importância do tema 
Agroecologia, reforça o papel estratégico do conhecimento e a 
necessidade de se estabelecer uma base científica sólida, que 
assegure a persistência e evolução dos sistemas produtivos 
ecológicos.
Link de acesso: http://www.diadecampo.com.br/arquivos/ma-
terias/%7B667629860-104D%7D_Transicao_Agroecologica.pdf
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
http://www.diadecampo.com.br/arquivos/materias/%7B667629860-104D%7D_Transicao_Agroecologica.pdf
http://www.diadecampo.com.br/arquivos/materias/%7B667629860-104D%7D_Transicao_Agroecologica.pdf
35
FILME/VÍDEO 
Título: Guardiões da Terra - Agroecologia em Evolução
Ano: 2021.
Sinopse. Documentário que traça um histórico da evolução do 
movimento agroecológico no Brasil. A partir de entrevistas com 
acadêmicos, produtores rurais, militantes e estudiosos, o filme 
ilustra os principais momentos da agroecologia no país. Desde 
seu surgimento, como resposta ao crescente processo de me-
canização do campo no país, a partir da década de 1970, até 
sua consolidação como ciência, movimento político e prática.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=1WMk-
tpu_SKo
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À AGROECOLOGIA
https://www.youtube.com/watch?v=1WMktpu_SKo
https://www.youtube.com/watch?v=1WMktpu_SKo
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Plano de Estudos
• Agroecossistema;
• Estrutura dos agroecossistemas;
• Transição agroecológica;
• Conceitos de agroecologia.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar Agroecossistema;
• Entender as Estruturas dos agroecossistemas;
• Saber a importância a Transição agroecológica;
• Conhecer a ciência agroecológica.
Professora Mestre Sônia Maria Crivelli Mataruco
AGROECOSSISTEMAS AGROECOSSISTEMAS 
E AGROECOLOGIAE AGROECOLOGIA2UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
37
Esta é a nossa segunda unidade e trataremos de temas de grande relevância rela-
cionados à agroecologia.
Veremos que o desenvolvimento da agricultura esteve diretamente associado à 
formação das primeiras civilizações, que com o passar dos tempos, com o aumento popula-
cional e a modernização das sociedades, exigiu-se e exige um olhar diferenciado buscando 
novas técnicas e tecnologias, para sua evolução.
Isto posto, atualmente temos o predomínio de um sistema de produção que precisa 
ser revisto no intuito de oferecer alimentos com maior qualidade, pois é altamente degra-
dante ao meio ambiente, contagioso à saúde humana e por isto vem sendo cada vez mais 
questionado pela sociedade.
Com uma proposta de mudança do sistema de produção convencional, vem a 
agroecologia envolvendo questões técnicas-ambientais, sociais-educativas e econômicas.
Na questão técnica-ambiental da conversão temos os aspectos biológicos que 
incluem o reequilíbrio das populações de pragas e doenças e das condições do solo, e 
tratando do aprendizado por parte dos agricultores dos conceitos e técnicas de manejo que 
viabilizem a agroecologia. 
Importante citar que a conversão passa por um período de transição para elimina-
ção dos resíduos de agrotóxicos, bem como também para a reorganização, sedimentação 
e maturação dos novos conhecimentos, aliado a um reposicionamento dos agricultores em 
relação a um meio ambiente que se modifica.
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
38
AGROECOSSISTEMAS 1
TÓPICO
A agricultura é considerada uma das bases econômicas mais importantes do Brasil. 
E a arte em cultivar o solo, ou conjunto de técnicas para o cultivo da terra, para obtenção 
de produtos para garantir a subsistência alimentar.
A história relata que a agricultura surgiu há cerca de 12 mil anos atrás durante o 
período neolítico, sendo um dos processos constitutivos das primeiras civilizações e foi 
sendo desenvolvida de forma gradual. Com o passar dos tempos e como aqui nosso foco 
é na agroecologia que é uma ciência, que nos remete a processos experimentais, observa-
ções, já naquela época o homem percebe que as sementes jogadas na terra começam a 
germinar, dando origem então a agricultura.
Já a agricultura com objetivos comerciais, no Brasil teve seu início na região nor-
deste no século XVI, com a criação das chamadas “Capitanias Hereditárias” e o início do 
cultivo da cana. Agricultura com base na monocultura, mão de obra escrava e grandes 
latifúndios. Só a partir do século XVIII outros setores como a mineração, café e outros 
vegetais começam a ganhar mais destaque. 
Para Petersen et al. (2017), a agricultura se destaca como uma atividade econômi-
ca peculiar nas sociedades modernas:
fortemente marcadas pelo desenvolvimento urbano-industrial, pois seu pro-
cesso de trabalho é inextricavelmente ligado a dinâmicas ecológicas locais. 
Além dos efeitos de ocultação do papel do trabalho na geração das rique-
zas sociais, a análise econômica convencional encara a agricultura como um 
processo de produção ecologicamente descontextualizado. Esse enfoque 
analítico é coerente com a perspectiva assumida pelas modernas ciências 
agrárias, que abordam o meio natural como fonte inesgotável de recursos 
UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
39UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
ou como mero suporte físico sobre o qual a produção é realizada. Essa ten-
tativa de igualar os ecossistemas agrícolas a um chão de fábrica é realizada 
por intermédio de estratégias técnicas destinadas a substituir os processos 
ecológicos na escala da paisagem pela importação maciça de energia e nu-
trientes sob a forma de insumos e de trabalho mecânico (PETERSEN et al., 
2017, p. 30).
Assim concebido, o processo econômico na agricultura assume a imagem de um 
fluxo linear destinado a converter recursos mobilizados nos mercados em produtos também 
orientados aos mercados conforme demonstra a figura 1.
FIGURA 1 - AGRICULTURA CONCEBIDA COMO FLUXO LINEAR DE CONVERSÃO DE RECURSOS 
EM PRODUTOS
Fonte: Petersen et al. (2017, p. 30).
No entanto, Petersen et al. (2017) acrescenta que a natureza é rebelde à aplicação 
prática de teorias que contradizem suas leis:
em nome de uma suposta superioridade econômica do agronegócio, a 
tentativa de substituição da natureza cíclica e complexa dos processos 
ecológicos na agricultura por fluxos lineares de matéria e energia tem 
gerado custos ambientais e sociais devastadores para as sociedades 
contemporâneas. A superação dessa perspectiva técnico-econômica 
reducionista impõe a necessidade de apreensão da atividade agrícola 
como um processo econômico-ecológico que articula de forma indissolúvel 
a produção econômica à reprodução ecológica. Essa aproximação entre a 
economia e a ecologia requer o emprego de um enfoque científico integrador, 
que conceba a agricultura como um processo de coprodução entre a natureza 
viva e a sociedade. Para que seja apreendido em sua especificidade, esse 
enfoque deve ser aplicado a uma unidade básica de gestão social na qual 
a coprodução se processa. Esse enfoque científico é a Agroecologia e essa 
unidade básica é o agroecossistema (PETERSEN et al., 2017, p. 31).
Desta maneira precisamos aqui discutir então o que vem a ser agroecossistema e 
para isto vamos relembrar alguns conceitos já vistos na primeira unidade:
Relatamos que ecossistema “é conjunto de elementos conectados entre si de modo 
a fazer um todo organizado que podem ser representados por substâncias inorgânicas, subs-
tâncias orgânicas, ambiente físico, a energia do sol e os organismos” (JEOVAH, 2015, p. 04).
40UNIDADE 2 AGROECOSSISTEMAS E AGROECOLOGIA
São compostos por “organismos chamados de produtores, consumidores e decom-
positores. Com a produção dos nutrientes (componentes dos ecossistemas utilizados pelos 
organismos para se alimentar), origina a biodiversidade” (JEOVAH, 2015, p. 04).
Complementando temos geossistemas são a representação da “organização espa-
cial resultante da interação dos componentes físicos da natureza (sistemas), aí incluídos 
clima, topografia, rochas, águas, vegetação, solos, dentre outros, podendo ou não estarem 
todos esses componentes presentes” (JEOVAH, 2015, p. 04).
Pois bem, então agora vamos para agroecossistemas que é um local de produção 
ou uma propriedade agrícola. São considerados sistemas ecológicos modificados pelo ser 
humano no intuito de produzir alimento e outros produtos (CONWAY, 1987).
Os agroecossistemas são ecossistemas semidomesticados que se encaixam num 
gradiente entre ecossistemas que experimentam um mínimo de impacto humano e aqueles 
sob um máximo de controle humano, como as cidades ODUM, 1989).
A conversão de um ecossistema natural em agroecossistema implica algumas mo-
dificações no fluxo de energia mais aberto, na ciclagem de nutrientes mais aberta, menor 
diversidade, pressão de seleção artificial e diminuição dos níveis tróficos. 
Odum (1989) ainda descreve quatro características principais dos agroecossiste-
mas: 
(a) possui cooperação de fontes energéticas advindas da força humana, dos animais, 
de combustíveis, visando a fim de expandir a produtividade;
(b) existe diminuição da diversidade quando comparada com ecossistemas naturais; 
(c) A seleção artificial predomina

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