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Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP ENGENHARIA MECÂNICA MATERIAL INSTRUCIONAL ESPECÍFICO USINAGEM ALUNO Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 1 Questões 1 e 2 Questão 1. Atualmente, a evolução da tecnologia proporciona excelentes níveis de qualidade nos processos de fabricação na indústria metalmecânica, sobretudo com utilização de máquinas CNC. Nesse sentido, no processo de fabricação de eixos de aço ABNT 1045, são utilizadas, em geral, operações de torneamento de desbaste e, em seguida, acabamento para atingir os baixos níveis de rugosidade exigidos pela indústria. Nesse contexto, os parâmetros de corte usados nas operações supracitadas são fundamentais para atingir o resultado de trabalho desejado. Assim sendo, conclui-se que no torneamento de A. desbaste deve-se aplicar, em geral, baixo avanço e baixa velocidade de corte. B. acabamento deve-se aplicar, em geral, elevado avanço e baixa velocidade de corte. C. acabamento deve-se aplicar, em geral, baixo avanço e elevada velocidade de corte. D. desbaste deve-se aplicar, em geral, baixo avanço e grande profundidade de corte. E. desbaste deve-se aplicar, em geral, pequena profundidade de corte e elevada velocidade de corte. Questão 2. Um eixo cilíndrico é fabricado em aço ABNT 1040, a partir de um material bruto com 25 mm de diâmetro. O diâmetro nominal do eixo acabado é de 20 mm. A operação é realizada em dois passes, sendo o primeiro de desbaste e o segundo, de acabamento, com uma profundidade de corte de 0,5 mm e avanço de 0,1 mm por rotação. É utilizada uma ferramenta de pastilha intercambiável de metal duro, com raio de ponta de 0,4 mm e ângulo de posição da ferramenta de 45°. a) Determine a profundidade de corte na operação de desbaste. b) Faça um esboço do plano de referência da ferramenta e indique o ângulo de posição. c) Com relação à ferramenta de corte, o operador da máquina tem as seguintes opções de escolha: metal duro da classe P10, aço-rápido M32, cerâmica mista (Al2O3 + TiC), metal duro da classe K40, Cermet. Relacione estes materiais de ferramentas de corte em ordem decrescente de tenacidade. d) Após a usinagem, o operador conferiu a medida do diâmetro do eixo usinado em 5 posições diferentes ao longo do comprimento e apresentou os valores listados na tabela. Observa- se que uma das leituras foi muito diferente das demais. Explique o que pode ter acontecido e determine o diâmetro médio desse eixo. A. 1 3Questão 33 – Enade 2005. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 2 Número Leitura de medidas (mm) 1 19,78 2 19,75 3 19,80 4 17,98 5 19,87 2 1. Introdução teórica 1.1. Classificação das operações de usinagem As operações de usinagem podem ser classificadas em dois tipos: de desbaste e de acabamento. As operações de desbaste são caracterizadas por grande retirada de material em curto intervalo de tempo. As operações de acabamento visam a dar à peça suas dimensões finais com o acabamento esperado. Com relação à cinemática da usinagem, os parâmetros mais importantes são a velocidade de corte, a profundidade de corte e o avanço. A figura 1 mostra uma operação de torneamento. A velocidade de arranque de cavaco é igual à velocidade periférica da peça, que é função de sua rotação. Essa velocidade é conhecida como velocidade de corte (Vc). Ao movimento de avanço da ferramenta, dado pelo deslocamento da ferramenta na direção paralela ao eixo da peça usinada, está associada a velocidade de avanço (Vf). Figura 1. Parâmetros cinemáticos de uma usinagem. STOETERAU, 2025. Com relação à profundidade de corte p, ela é igual à penetração que a ferramenta executa para a remoção de material. Sendo d0 o diâmetro inicial da usinagem e df o diâmetro final, a profundidade de corte é: 4Questão 40 – Discursiva – Enade 2008. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 3 𝑝 = 𝑑0 − 𝑑𝑓 2 Normalmente, na usinagem, o acabamento superficial melhora com o aumento da velocidade de corte. Essa melhora é mais acentuada abaixo de dada velocidade máxima, chamada de velocidade crítica, pois, acima dela, há aumento do gume postiço formado na ferramenta. Com relação ao avanço, o acabamento da superfície será mais uniforme quanto menor for o avanço da ferramenta. A figura 2 é uma representação do acabamento obtido para três diferentes avanços. Figura 2. Diferentes acabamentos para diferentes avanços. Na figura 2, da direita para a esquerda, vemos que existe redução do avanço (f). Notamos que o acabamento melhora quanto menor for o avanço, na medida em que a superfície fica mais uniforme. Com relação à profundidade de corte, ela é maior nas operações de desbaste e menor nas operações de acabamento. 1.1.1. Ferramentas na usinagem em torno Nas usinagens em torno, a ferramenta utilizada apresenta forma alongada, com uma haste que se apoia na máquina pela base (figura 1). Essa ferramenta tem um único gume cortante, chamado de gume principal e indicado na figura 3. Figura 3. Ferramenta de torno. STOETERAU, 2025. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 4 Para o posicionamento da ferramenta junto à peça, são estabelecidos três sistemas de referência: • o sistema de referência da ferramenta; • o sistema de referência do trabalho; • o sistema de referência da máquina. O sistema de referência da ferramenta é usado para definir a geometria da ferramenta para sua fabricação e medição. Nele, são usados planos de referência, denominados planos da ferramenta, e seus nomes são: plano de referência da ferramenta, plano passivo da ferramenta e plano de trabalho convencional. A figura 4 mostra uma ferramenta e seus planos. Figura 4. Ferramenta com seu sistema e planos de referência. STOETERAU, 2025. Nas ferramentas de torno, o plano de referência da ferramenta passa um ponto selecionado no gume da ferramenta e é paralelo à base da ferramenta. O plano de trabalho é perpendicular ao plano da ferramenta e tangente à peça. O plano passivo é perpendicular aos outros dois. Observada pelo plano de referência, uma ferramenta para torneamento apresenta forma semelhante à representada na figura 5. Nessa figura, observamos dois ângulos que definem a posição relativa entre a ferramenta e a peça: • o ângulo de posição (), ângulo formado entre o plano de trabalho e o gume cortante; • o ângulo de quina (), ângulo formado entre o gume cortante e o gume secundário. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 5 Figura 5. Plano de trabalho e ângulo de posição de uma ferramenta. STOETERAU, 2025. 1.2. Materiais usados nas ferramentas de usinagem Com relação aos materiais das ferramentas, as exigências básicas são: elevada dureza (a frio e a quente), grande tenacidade para resistir a esforços de corte e de impacto e estabilidade química. Esses materiais são agrupados nas sete classes citadas a seguir. • Aços ferramenta. • Aços rápidos. • Ligas fundidas. • Carbonetos sinterizados. • Cermet. • Cerâmicas. • Diamantes. Do primeiro para o último, existe uma crescente capacidade de usinar em velocidades de corte maiores e uma decrescente capacidade de absorver impactos. Ou seja, nessa sequência, os materiais são mais frágeis e menos tenazes. Os aços rápidos, cujo desenvolvimento partiu da adição de tungstênio, cromo e vanádio como elementos de liga, são materiais para ferramentas desenvolvidos para uso em aplicações de corte de metais em alta velocidade. Existem duas classificações: • aços rápidos ao molibdênio (grupo M), que têm teores de carbono entre 0,75% e 1,52% e teores de molibdênio entre 4,50% e 11,0%; • aços rápidos ao tungstênio (grupo T), que têmteores similares de carbono aos aços ao molibdênio e altos teores de tungstênio, entre 11,75% e 21,0%. O quadro 1 mostra a composição química para vários tipos de aços rápidos, das classes T e M. Plano de Trabalho Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 6 Quadro 1. Composição dos aços rápidos. . CIMM, 2025. Com relação aos carbonetos sinterizados, conhecidos como “metais duros”, há uma gama muito grande de composições químicas, reunidas em grupos de aplicação pela norma ABNT NBR ISO 513:2013 - Versão Corrigida:2015. Essa norma estabelece campos de aplicação, designados pelas letras maiúsculas P, M, K, N, S e H. Esses campos referenciam os tipos de materiais a serem usinados e recebem o nome de grupos de usinagem (ABNT, 2015). O campo P, por exemplo, envolve materiais que produzem cavacos longos, como os aços carbono e os aços de baixa liga. O campo M relaciona, principalmente, materiais de difícil usinagem, como os aços inoxidáveis, os aços fundidos, os aços ao manganês e o ferro fundido maleável. O campo K compreende materiais que geram cavacos curtos (normalmente conhecidos como cavacos de ruptura), como os ferros fundidos cinzentos, além de não- ferrosos e outros materiais congêneres, como latão e bronze. O sistema prevê propriedades relevantes para a seleção do material cortante, como a resistência ao desgaste (dureza) e a tenacidade. Na classificação, cada grupo de usinagem Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 7 recebe uma graduação numérica segundo as exigências e a severidade da operação. Quanto menor for o valor da graduação, mais duro e resistente ao desgaste será o “metal duro” daquele grupo de usinagem. Um “metal duro” com numeração intermediária como, por exemplo, P25, apresenta equilíbrio entre as duas características e é usado na maior parte dos casos dentro de seu campo de aplicação. O quadro 2 mostra a relação entre os tipos de metal duro e as variáveis na usinagem. Quadro 2. Relação entre tipos de metal duro e parâmetros da usinagem. STOETERAU, 2004. As ferramentas de cerâmicas têm adquirido importância crescente na usinagem, sendo possível usinar com velocidades de corte de 4 a 5 vezes maiores que as empregadas com “metal duro”. Como ferramenta de corte, a cerâmica tem as características indicadas abaixo. • Alta dureza a quente, que se mantém até cerca de 1600oC. • Elevada estabilidade química. • Altíssima resistência à compressão. • Baixo coeficiente de atrito. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 8 As cerâmicas são principalmente indicadas para a usinagem de materiais que apresentam forte efeito abrasivo. 4. Indicações bibliográficas • ARAUJO, A. C.; MOUGO, A. L.; CAMPOS, F. de O. Usinagem para Engenharia: um curso de mecânica do corte. Rio de Janeiro: Edição Própria, 2020. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. ABNT NBR ISO 513:2013 Versão Corrigida:2015. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. • CIMM – Centro de Informações Metal Mecânica. Aços rápidos. Disponível em . Acesso em 18 ago. 2025. • DINIZ, A. E.; MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L. Tecnologia da usinagem dos metais. 8. ed. São Paulo: Artliber, 2013. • MACHADO, A. R. et al. Teoria da usinagem dos metais. 3. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2015. • MONFERRATO. Ferramentas para a usinagem de peças fundidas. Disponível em . Acesso em 18 ago. 2025. • STOETERAU, R. L. Processos de usinagem – fabricação por remoção de material. Disponível em . Acesso em 18 ago. 2025. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 9 Questão 3 Questão 3. Após a fundição, a sequência usual de fabricação de um molde de aço AISI P20 para injeção de plásticos é: A. forjamento, polimento, usinagem de desbaste, tratamento térmico e usinagem de acabamento. B. forjamento, usinagem de desbaste, usinagem de acabamento, tratamento térmico e polimento. C. laminação, usinagem de desbaste, usinagem de acabamento, polimento e tratamento térmico. D. trefilação, usinagem de desbaste, tratamento térmico, usinagem de acabamento e polimento. E. usinagem de desbaste, forjamento, tratamento térmico, usinagem de acabamento e polimento. Disponível em . Acesso em 11 jul. 2025. _______________________ 5Questão 30 – Enade 2008. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 10 1. Introdução teórica 1.1. Fabricação mecânica A estrutura de um material e o acabamento de uma peça obtida por fundição podem não ser adequados para determinadas aplicações. O mesmo pode ser dito com relação à sua forma e às suas dimensões. Para a obtenção das propriedades e das dimensões desejadas, os metais passam por processamentos que visam a fornecer a forma e as propriedades mecânicas necessárias às peças produzidas com eles. Esses processos são chamados de processos primários. 1.2. Processos primários Os processos primários mais comuns são a laminação, a trefilação, o forjamento e a extrusão. 1.2.1. Laminação A laminação consiste em modificar a seção transversal de uma barra de metal pela sua passagem entre dois cilindros. A figura 1 representa uma barra sendo laminada e tendo sua espessura reduzida. Figura 1. Barra tendo sua espessura reduzida por meio de laminação. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 11 1.2.2. Trefilação A trefilação é um processo de conformação que força a passagem de uma barra de metal por uma seção de área menor que a sua. Esse tipo de operação é muito usado na fabricação de fios, conforme mostrado na figura 2. Figura 2. Produção de fios por meio de trefilação. Disponível em . Acesso em 19 ago. 2025. (com adaptações). 1.2.3. Forjamento O forjamento é um processo de deformação plástica que, agindo por choque ou por pressão, resulta em uma peça com formato determinado. A figura 3 mostra um exemplo de uma peça fabricada por forjamento: trata-se de um tarugo cilíndrico que foi aquecido e, depois, conformado entre uma matriz e um punção, ficando com sua forma definida no segundo passo indicado na imagem. Figura 3. Forjamento em três etapas. Disponível em . Acesso em 19 ago. 2025 (com adaptações). Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 12 1.2.4. Extrusão A extrusão é um processo no qual o metal é comprimido em uma câmara, sendo forçado a escoar através de uma matriz que irá determinar a seção do produto resultante. A figura 4 mostra um exemplo de um tarugo sendo extrudado. Figura 4. Processo de extrusão. ALUMICONTE, 2021 1.3. Processos de usinagem Um processo primário pode não conferir à peça as dimensões e os acabamentos requeridos por dada aplicação. Após esse processo, as peças podem sofrer usinagem, a fim de que sejam obtidas as dimensões finais. As operações de usinagem são classificadas em dois tipos: • as operações de desbaste; • as operações de acabamento. As operações de desbaste são caracterizadas por grande retirada de material em curto intervalo de tempo. As operações de acabamento visam a dar à peça suas dimensões finais com o acabamento esperado. Entre as operações de acabamento mais comuns, destacam-se o polimento, a lapidação e o espelhamento. O polimento tem por objetivo conferir um acabamento liso na superfície, com tolerâncias inferiores a 0,025mm. A lapidação objetiva melhorar essa tolerância e o espelhamento visa a conferir tolerâncias inferiores a 0,001 mm. A figura 5 mostra, esquematicamente, uma operação de espelhamento. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 13 Figura 5. Operação de polimento. Disponível em . Acesso em 19 ago. 2025. (com adaptações). As operações de acabamento devem dar contornos finais à peça, ou seja, não deve existir nenhum tipo de operação após as operações de acabamento. Assim, qualquer tipo de tratamento que, por exemplo, endureça a superfície e/ou aumente o limite de resistência do metal deve ser feito após as operações de desbaste e antes das operações de acabamento. 3. Indicações bibliográficas • ABAL - Associação Brasileira do Alumínio. Laminação. Disponível em Acesso em 18 ago. 2025. • ALUIMICONTE. O processo de extrusão de alumínio e suas vantagens. Disponível em Acesso em 18 ago. 2025. • CETILN, P. R. Fabricação por conformação mecânica. São Paulo: Artliber, 2024. • DINIZ, A. E.; MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L. Tecnologia da usinagem dos metais. 8. ed. São Paulo: Artliber, 2013. • KIMINAMI, C. S.; CASTRO, W. B. de; OLIVEIRA, M. F. de Introdução aos Processos de Fabricação de Produtos Metálicos. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2018. • MONFERRATO. Ferramentas para a usinagem de peças fundidas. Disponível em . Acesso em 18 ago. 2025. • SANTOS, B. K. do, QUADROS, M. L. de. Processo de conformação. São Paulo: Blucher, 2018. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 14 Questão 4 Questão 4.3 Uma empresa produz diariamente 650 buchas de ferro fundido cinzento da classe FE-45012, com dureza de 191 HB, utilizando o processo de torneamento. São normalmente realizadas as operações de desbaste, acabamento e faceamento nas peças. As ferramentas de usinagem estão com baixa produtividade, apresentando desgastes de flanco prematuros. No processo, foi verificado que estão sendo utilizadas ferramentas da Classe ISO P40, sem cobertura, sendo que os parâmetros de corte estão de acordo com o catálogo do fornecedor. Nessas condições de trabalho, a melhor estratégia para aumentar a produtividade do processo e minimizar o desgaste das ferramentas é: A. utilizar fluido de corte emulsionável. B. usar ferramenta da Classe ISO K40, sem cobertura. C. usar ferramenta da Classe ISO K10, com revestimento de TiN. D. usar ferramenta da classe ISO M40, sem cobertura de TiN. E. diminuir os parâmetros de corte (velocidade de corte e avanço). 1. Introdução teórica 1.1. Ferramentas de corte As operações de usinagem, em geral, são classificadas em dois tipos: de desbaste e de acabamento. As operações de desbaste são caracterizadas por grande retirada de material em curto espaço de tempo. As operações de acabamento visam a dar à peça suas dimensões finais, com o acabamento esperado. Com relação à cinemática da usinagem, os parâmetros mais importantes são a velocidade de corte, a profundidade de corte e o avanço. Na figura 1 (operação de torneamento), a rotação da peça produz velocidade periférica igual à velocidade de arranque de cavaco, conhecida como velocidade de corte (Vc). Ao movimento de avanço da ferramenta, dado pelo deslocamento da ferramenta com direção paralela ao eixo da peça usinada, está associada a velocidade de avanço (Vf). 3Questão 12 – Enade 2011. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 15 Figura 1. Parâmetros cinemáticos de uma usinagem. DINIZ, 2002 (com adaptações). Com relação à profundidade de corte, ela é igual à penetração executada pela ferramenta para a remoção de material. Assim, quando chamamos de d0 o diâmetro inicial da usinagem e df o diâmetro final, a profundidade de corte p é: 2 0 fdd p − = Nas usinagens em torno, como a da figura 1, a ferramenta utilizada tem forma alongada, como a mostrada na figura 2. Figura 2. Ferramenta de Torno. STOETERAU (2004). Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 16 Essas ferramentas apresentam um único gume cortante, chamado de gume principal. Para o posicionamento da ferramenta junto à peça, é necessário estabelecermos sistemas de referência. São usados três sistemas de referência: o da ferramenta, o do trabalho e o da máquina. O sistema de referência da ferramenta é usado para definir a geometria da ferramenta para sua fabricação e medição. Nele, são usados os seguintes planos de referência: plano de referência da ferramenta, plano passivo da ferramenta e plano de trabalho convencional. A figura 3 mostra uma ferramenta e seus planos. Figura 3. Ferramenta com seu sistema de referência. STEMMER (2005). Nas ferramentas de torno, o plano de referência passa por um ponto selecionado no gume da ferramenta e está paralelo à base da ferramenta, que é a parte inferior da haste. O plano de trabalho é perpendicular ao plano da ferramenta e é tangente à peça. O plano passivo é perpendicular aos outros dois. Observada pelo plano de referência, uma ferramenta para torneamento apresenta forma semelhante à representada na figura 4. Nessa figura, observamos os dois ângulos que definem a posição relativa entre a ferramenta e a peça: • o ângulo de posição , que é o ângulo formado entre o plano de trabalho e o gume cortante; • o ângulo de quina , que é o ângulo formado entre o gume cortante e o gume secundário. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 17 Figura 4. Plano de Trabalho de ângulo de posição de uma ferramenta. STOETERAU (2004). 1.2. Materiais para ferramenta de corte Com relação aos materiais das ferramentas, as exigências básicas são dureza (a frio e a quente), tenacidade (para resistir aos esforços de corte e impacto) e estabilidade química. Esses materiais são agrupados em sete classes: • aços ferrramenta; • aços rápidos; • ligas fundidas; • carbonetos sinterizados; • cermet; • cerâmicas; • diamantes. Do primeiro para o último, existe a crescente capacidade de usinar em velocidades maiores de corte e a decrescente capacidade de absorver impactos, ou seja, os materiais são mais frágeis e menos tenazes. Os aços rápidos são materiais para ferramentas desenvolvidos para aplicações de corte de metais em alta velocidade. Existem duas classificações: • aços rápidos ao molibdênio (grupo M), que têm carbono entre 0,75 e 1,52% e molibdênio entre 4,50 e 11,0%; • aços rápidos ao tungstênio (grupo T), que têm teores similares aos de carbono, mas apresentam altos teores de tungstênio, entre 11,75 e 21,0%. O quadro 1 mostra a composição química para vários tipos de aços rápidos, das classes T e M (CIMM, 2010). Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 18 Quadro 1. Composição dos aços rápidos. CIMM, 2010. Nas primeiras ligas, os carbonetos sinterizados, também conhecidos como metal duro, apresentavam, basicamente, tungstênio e cobalto. Atualmente, existe uma gama de composições químicas reunidas em grupos de aplicação pela norma ABNT ISO 1832:2019. Essa norma estabelece três campos de aplicação designados pelas letras maiúsculas, P, M e K. Esses campos referenciam os tipos de materiais a serem usinados, recebendo o nome de grupos de usinagem. O campo ISO P cobre o campo de aplicação de materiais que produzem cavacos longos, como os aços carbono e os aços de baixa liga. O campo ISO M relaciona, principalmente, materiais de difícil usinagem, como aços inoxidáveis, aços fundidos, aços ao manganês e ferro fundido maleável. O campo ISO K compreende materiaisque geram cavacos curtos (normalmente conhecidos como cavacos de ruptura), como ferros fundidos cinzentos, além de não ferrosos e outros materiais congêneres (latão e bronze). Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 19 O sistema prevê, ainda, propriedades relevantes para a seleção do material cortante, como resistência ao desgaste (dureza) e tenacidade. Cada grupo de usinagem recebe uma graduação numérica segundo as exigências e a severidade da operação. Quanto menor for o valor da graduação, mais duro e resistente ao desgaste será o metal duro daquele grupo de usinagem. De maneira contrária, quanto maior o valor da graduação, maior será a tenacidade do metal duro dentro do grupo. Pastilhas com numeração intermediária, como, por exemplo, as pastilhas P25, apresentam equilíbrio entre as duas características e são aplicáveis na maior parte dos casos dentro de seu campo de aplicação. O quadro 2 mostra a relação entre os tipos de metal duro e as variáveis na usinagem. Quadro 2. Relação entre os tipos de metal duro e os parâmetros da usinagem. STOETERAU, 2004. Uma forma interessante de obtermos ferramentas que tenham alta resistência ao choque, combinada com alta resistência ao desgaste e, com isso, conseguirmos ferramentas de maior vida, é por meio do revestimento com camadas de alta dureza. Os principais revestimentos aplicados em ferramentas são os citados a seguir. • Carboneto de Titânio (TiC). • Nitreto de titânio (TiN). • Carbonitreto de titânio (Ti(C,N)). • Nitreto de alumínio-titânio ((Ti, Al)N). • Óxido de alumínio (Al2O3). • Camadas de diamante. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 20 Nesses revestimentos, é frequente a deposição de várias camadas. A figura 5 mostra uma ferramenta de metal duro revestida com quatro camadas. Figura 5. Ferramenta de metal duro com várias camadas de revestimento. STOETERAU, 2004. As ferramentas de cerâmicas têm importância crescente na usinagem, pois possibilitam a usinagem com velocidades de corte de 4 a 5 vezes maiores do que as empregadas com metal duro. As cerâmicas são principalmente indicadas para a usinagem de materiais que apresentam forte efeito abrasivo. Por ser ferramenta de corte, a cerâmica tem as seguintes características: • alta dureza à quente, que se mantém até cerca de 1600oC; • elevada estabilidade química; • altíssima resistência à compressão; • baixo coeficiente de atrito. 1.3. Fluidos de corte Durante o corte, é desenvolvida grande quantidade de calor. Isso ocorre devido à necessidade de energia para deformação do cavaco e de atritos existentes entre a ferramenta e a peça e entre o cavaco e a ferramenta. Geralmente, a redução do calor é feita pela lubrificação (diminuição do atrito) e/ou refrigeração na usinagem, para diminuir o desgaste da ferramenta, a dilatação térmica da peça e o dano térmico na superfície da peça. Com a redução do atrito, ocorre também a redução dos esforços de corte. As principais formas de redução do atrito são o revestimento das ferramentas, o uso de materiais de peça com usinabilidade melhorada e a utilização de fluidos de corte com capacidade lubrificante. A utilização de fluidos de corte melhora a eficiência dos processos de usinagem, proporcionando aumento da vida da ferramenta de corte, maior controle de tolerâncias Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 21 dimensionais, melhoria no acabamento superficial da peça usinada, redução nas forças de usinagem e amenização de vibrações. O efeito do uso de fluidos de corte depende não somente das propriedades do fluido, mas também das condições de usinagem, ou seja, da ferramenta de corte, do material da peça e dos parâmetros de corte. As funções dos fluidos de corte são classificadas em caráter funcional e caráter econômico. Com relação ao caráter funcional, destacamos a redução do atrito entre ferramenta e cavaco; a expulsão dos cavacos gerados; a refrigeração da ferramenta; a refrigeração da peça; a melhoria do acabamento da superfície usinada; e a refrigeração da máquina ferramenta. Com relação ao caráter econômico, temos a redução do consumo de energia; a redução dos custos de ferramenta; e a diminuição ou a eliminação da corrosão na peça. 2. Indicações bibliográficas • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. ABNT NBR ISO 1832:2019 - Pastilhas intercambiáveis para ferramentas de corte – designação. Rio de Janeiro: ABNT, 2019. • ÁVILA, R. F. et al. Influência do fluido de corte sobre a força de usinagem e o acabamento do aço inoxidável austenítico ABNT 304. Disponível em . Acesso em 21 mar. 2012. • CHIAVERINI, V. Tecnologia mecânica – processos de fabricação e tratamentos. São Paulo: MacGraw-Hill, 1986. v.2. • CIMM – Centro de Informações Metal Mecânica. Aços Rápidos. Disponível em . Acesso em 01 set. 2010. • DINIZ, A. E.; MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L. Tecnologia da usinagem dos metais. São Paulo: Artliber, 2002. • FERRARESI, D. Fundamento da usinagem dos metais. São Paulo: Edgard Blucher, 2000. • STEMMER, C. E. Ferramentas de corte I. Florianópolis: UFSC, 2005. • STOETERAU, R. L. Processos de usinagem – fabricação por remoção de material. Belém: UFPA, 2004. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 22 Questão 5 Questão 5. Uma empresa produz eixos de componentes automobilísticos em aço SAE 8620 com dureza de 46 HRC pelo processo de torneamento, utilizando ferramentas de metal duro com revestimento. O cliente exige que a rugosidade máxima dos eixos esteja abaixo de 0,002 micrometros. As ferramentas de torneamento disponíveis na empresa têm raios de ponta (r) de 0,4 mm e 0,8 mm, e os valores de avanço mínimo e máximo (f) que podem ser empregados no processo são 0,1 mm e 0,2 mm. O valor teórico de rugosidade máxima é definido pela equação r f Rmáxteor 8 2 = . Qual deve ser o par de variáveis, avanço/raio de ponta da ferramenta empregado para atender aos requisitos de rugosidade mínima exigidos pelo cliente? A. Avanço de 0,1 mm/rot e raio de ponta de 0,4 mm. B. Avanço de 0,1 mm/rot e raio de ponta de 0,8 mm. C. Avanço de 0,2 mm/rot e raio de ponta de 0,8 mm. D. Avanço de 0,2 mm/rot e raio de ponta de 0,4 mm. E. Avanço intermediário de 0,15 mm/rot e raio de ponta de 0,8 mm. 1. Introdução teórica Rugosidade As superfícies das peças apresentam saliências e reentrâncias irregulares na forma e no tamanho. A esse conjunto de imperfeições damos o nome de rugosidade. A rugosidade é o conjunto das irregularidades causadas pelo processo de produção: refere-se às marcas deixadas pela ferramenta no processo de fabricação. O sistema de medição de rugosidade adotado no Brasil é o sistema da linha média. Ele consiste em estabelecer uma linha paralela ao perfil da peça de tal modo que as somas das áreas acima e abaixo da linha sejam iguais. A figura 1 é a representação de uma peça com a orientação da usinagem e com o perfil da superfície. Nessa figura, destacamos a linha média e as saliências e reentrâncias que compõem a rugosidade. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 23 Figura 1. Peça usinada com destaque para o perfil e a linha média. FMCQ, 2012 (com adaptações). Entre os parâmetros de rugosidade existentes, destacamos os que seguem. • Rugosidade média (Ra): média aritmética dos valores absolutos das ordenadas de afastamento, dos pontos do perfil de rugosidade em relação à linha média. • Rugosidade Máxima (Ry): maior valor das rugosidades parciais (Zi) observado no intervalo de medição. Na figura 2, o maior valor parcial é Z3. Esse valor corresponde à rugosidade máxima (Ry). Figura 2. Ferramenta perfilde rugosidade de uma peça, com destaque para a rugosidade máxima (Ry). FMCQ, 2012. A rugosidade de peças usinadas pode ser influenciada pela geometria da ferramenta de corte, pelo avanço, pelas deformações do material processado e pela vibração da ferramenta de corte. A geometria da ferramenta combinada, principalmente, com o movimento de avanço, deixa seu perfil gravado na superfície da peça. A figura 3 mostra a influência do avanço na impressão deixada pela ferramenta de corte na superfície de uma peça usinada. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 24 Figura 3. Impressões na superfície da peça para diferentes avanços. STEMMER, 2005 (com adaptações). Na figura 3, de cima para baixo, existe redução do avanço (f). A redução do avanço melhora o acabamento, pois quanto menor for o avanço, mais uniforme será a superfície. Segundo Canabrava Filho (2012), a rugosidade máxima teórica existente na superfície de uma peça usinada por uma ferramenta é dada pela relação r f Rmáxteor 8 2 = , sendo máxteorR a rugosidade máxima teórica na superfície, f o avanço e r o raio da ponta da ferramenta. A figura 4 mostra uma ferramenta usinando uma superfície. Figura 4. Impressões na superfície da peça para uma ferramenta de raio de ponta rε e avanço f. CANABRAVA FILHO, 2012 (com adaptações). 2. Indicações bibliográficas • CANABRAVA FILHO, J. S. Desgaste e vida de ferramenta. Disponível em . Acesso em 28 mar. 2012. • FMCQ - CONSULTORIA EM METROLOGIA E QUALIDADE. Rugosidade – parâmetros. Disponível em . Acesso em 11 jul. 2025. • LOPES, K. S. S. Influência dos parâmetros de usinagem na resistência à fadiga de aços AISI 4140. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: PUC Minas, 2006. • STEMMER, C. E. Ferramentas de corte I. Florianópolis: UFSC, 2005. f f f Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 25 Questão 6 Questão 6. O engenheiro de processos sabe da importância do conhecimento prévio da potência de corte para que possa otimizar o processo com base nas restrições dos recursos das máquinas e das ferramentas disponíveis. No entanto, nem sempre estão disponíveis de antemão os dados de cálculo necessários para verificar se os parâmetros de usinagem planejados estão adequados em relação à potência disponível na máquina, como é o caso da pressão específica de corte do material da peça (ks) e o rendimento da máquina (h). Também não é pertinente que o setor fabril de uma empresa disponha de equipamentos sofisticados de medição de forças como dinamômetros/torquímetros, próprios de laboratórios. Nesse contexto, o engenheiro interessado em otimizar o processo pode recorrer a um procedimento alternativo rápido e barato, cujo resultado possibilita fazer o cálculo tanto da potência de corte quanto do rendimento da máquina. Esse procedimento consiste em medir o(a) A. rotação do eixo-árvore da máquina. B. deflexão elástica na ponta de corte da ferramenta. C. tensão elétrica no cabo de fase do motor da máquina. D. corrente elétrica no cabo de fase do motor da máquina. E. tempo de corte para um comprimento fixo de usinagem. 1. Introdução teórica 1.1. Força e potência de corte nas operações de usinagem A força que atua entre a ferramenta e a peça em um processo de usinagem é conhecida como força de usinagem (F). O conhecimento da força de usinagem e de seus componentes é a base para o projeto de uma máquina ferramenta, para a determinação das condições de corte durante o trabalho e para a avaliação da viabilidade de utilização de uma máquina ferramenta. Os componentes da força de usinagem são a força de corte (Fc), a força de avanço (Ff) e a força passiva (Fp). A figura 1 mostra, em um processo de torneamento, a força de usinagem e seus componentes. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 26 Figura 1. Força de usinagem e seus componentes em um torneamento. STOETERAU, 2004 (com adaptações). A força de corte (Fc) é a força necessária para o arranque do material da peça e, consequentemente, para a formação do cavaco. A força de corte é a responsável por quase todo o trabalho executado no corte. A força de avanço (Ff) é a força que a peça exerce na ferramenta no sentido oposto ao seu movimento. A força passiva (Fp) é a força existente na ferramenta na direção da profundidade de corte. As forças atuantes na usinagem são influenciadas pelos parâmetros envolvidos no processo de formação do cavaco, que são os materiais da peça e da ferramenta, a geometria da ferramenta, a velocidade de corte, o avanço e a profundidade de corte. Conhecida a profundidade de corte (ap) e o avanço (f), a força de corte (Fc) pode ser determinada por: fakF pcc = Na expressão anterior, kc é conhecido como pressão específica de corte que depende do material da peça e do avanço. O quadro 1 mostra alguns valores de kc. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 27 Quadro 1. Pressão específica de corte para alguns materiais. STEMMER, 2005. Como a força de corte é a principal responsável pelo trabalho executado no corte, conhecida a velocidade de corte (vc), calculamos a potência de corte (Pc) por: ccc vFP = cpcc vfakP = Convém observar que a potência de corte difere da potência de acionamento (Pa), que é a potência fornecida pelo motor à máquina ferramenta, porque existem perdas por atrito nos mancais, nas engrenagens, nos sistemas de lubrificação, no sistema de avanço etc. Conhecidas a potência de corte e a potência de acionamento, definimos o rendimento da máquina () como a relação entre a potência de corte e a potência de acionamento: Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 28 . a c P P = Em média, o rendimento para as máquinas ferramentas é igual a 0,75. 1.2. Potência de motores elétricos Motor elétrico é a máquina destinada a transformar energia elétrica em energia mecânica. Os motores elétricos podem ser de corrente alternada ou contínua. Os motores de corrente alternada podem ser síncronos ou de indução. Os motores síncronos funcionam com velocidade fixa e são utilizados somente para grandes potências, ou quando se necessita de velocidade invariável. Os motores de indução funcionam com rotação constante que varia ligeiramente com a carga mecânica aplicada ao eixo. Devido à sua grande simplicidade, robustez e baixo custo, é o motor mais utilizado. Determinamos a potência de uso de um motor elétrico de indução Pu por: cos3 = IUPu Na expressão anterior, cos é conhecido como fator de potência, que, para os motores trifásicos, pode ser determinado pelo gráfico da figura 2. Figura 2. Fator de potência para motores elétricos trifásicos. CAGNON, 2012. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 29 2. Indicações bibliográficas • CAGNON, J. A. Equipamentos específicos – motores. Disponível em . Acesso em 19 mar. 2025. • DINIZ, A. E.; MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L. Tecnologia da usinagem dos metais. São Paulo: Artliber, 2002. • FERRARESI, D. Fundamento da usinagem dos metais. São Paulo: Edgard Blücher, 2000. • STEMMER, C. E. Ferramentas de corte I. Florianópolis: UFSC, 2005. • STOETERAU, R. L. Processos de usinagem – fabricação por remoção de material. Belém: UFPA, 2004. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 30 Questão 7 Questão 7. Um fabricante de discos de freio desenvolveu um novo material para essas peças e não dispunha de parâmetros de usinagem de referência para operação de faceamento dos discosnos seus tornos frontais, especialmente adquiridos para essa finalidade, com faixa de rotações escalonadas por caixa de engrenagens de 100 a 6 500 rotações por minuto (rpm). O faceamento deverá ser feito a partir do diâmetro de 25 mm até o diâmetro de 150 mm do disco, que, associado à faixa de rpm da máquina, é possível realizar velocidades de corte desde 7 até 3 063 m/min. Considerando que a decisão do melhor material de ferramenta, juntamente com seus parâmetros de corte, deve estar embasada nos resultados de ensaios de usinabilidade e nos custos de produção dos discos, especialmente nos custos do tempo de troca de ferramentas, dos salários e das máquinas, a empresa realizou esses ensaios com o material dos discos e com três tipos de materiais de ferramenta: aço-rápido, metal duro e cerâmica. O resultado dos experimentos está apresentado na figura abaixo, na forma de curvas de vida de ferramentas. KALPAKJIAN, S. Manufacturing engineering and technology. 3. ed. Massachusetts: Addison-Wesley, 1995. p. 1269 (com adaptações). Considerando a situação descrita, analise as seguintes asserções. I. Dos três materiais de ferramentas experimentados, o aço-rápido proporcionará o menor custo de produção dos discos de freio. PORQUE Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 31 II. Com ferramenta de aço-rápido e a inevitável condição do aumento da velocidade de corte, ao facear cada disco de freio no percurso de avanço da ferramenta desde o diâmetro 25 mm até 150 mm, tem-se a menor taxa de redução da vida útil da ferramenta e a possibilidade de menores tempos de produção. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. A. As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. B. As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda não é uma justificativa correta da primeira. C. A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa. D. A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda, uma proposição verdadeira E. Tanto a primeira quanto a segunda asserções são proposições falsas 1. Introdução teórica 1.1. Falha e desgaste de uma ferramenta de corte A falha de uma ferramenta de corte pode ocorrer de três formas diferentes, conforme descrito a seguir. • Lascamento do gume: quebra de pedaços do gume que, por consequência, produz uma superfície usinada áspera e irregular. • Desgaste no flanco: presença de uma marca na ferramenta, chamada de marca de desgaste, que provoca aumento na temperatura de usinagem e na potência consumida. • Desgaste na face ou desgaste de superfície: presença de uma cratera na superfície de saída da ferramenta, que provoca o deslocamento do gume e, com isso, altera as características da superfície usinada. A figura 1 mostra uma ferramenta de usinagem com a representação desses tipos de desgaste. Figura 1. Ferramentas de usinagem com desgaste por lascamento, de flanco e de face. STOETERAU, 2004. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 32 As causas do desgaste das ferramentas de corte são as seguintes: • deformação plástica do material da ferramenta; • abrasão que o material usinado faz na superfície da ferramenta; • aderência entre o material usinado e a ferramenta (nessa situação, existe a formação de um gume postiço); • difusão de componentes entre os materiais da peça e ferramenta e, com isso, mudança da composição química da ferramenta; • oxidação do material da ferramenta; • aparecimento de correntes elétricas iônicas produzidas no atrito entre a ferramenta e a peça. À medida que uma ferramenta se desgasta, são observadas variações no processo de usinagem, como, por exemplo, aumento da força de corte, elevação da potência consumida e alteração na superfície de usinagem etc. É necessário, então, fixar um ponto que represente o fim da vida da ferramenta. 1.2. Vida de uma ferramenta de corte A vida de uma ferramenta de corte é o período no qual ela pode ser mantida usinando de forma econômica. O critério econômico pode ser relacionado principalmente com tolerâncias dimensionais e geométricas, qualidade superficial da peça, nível de vibrações no processo de usinagem, nível de esforços no processo e possibilidade de reafiação da ferramenta. Dentre os métodos usuais de especificação de vida de uma ferramenta, encontramos o método da velocidade de corte equivalente, também chamado de velocidade de Taylor, em que é determinada a velocidade de corte para uma vida prefixada. Por exemplo, v30 é a velocidade de corte que permite à ferramenta ter vida efetiva de 30 minutos entre duas afiações. Taylor demonstrou que a relação entre a vida da ferramenta e a velocidade de corte pode ser expressa por: t n vc CTv = Na equação: • cv é a velocidade de corte (dada em m/min.); Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 33 • vT é o tempo efetivo de corte entre duas afiações sucessivas (tempo de vida da ferramenta em minutos); • tC é uma constante cujo valor depende de outras variáveis oriundas da máquina, da ferramenta e da peça (seu valor é numericamente igual à velocidade de corte que dá à ferramenta a vida de um minuto); • n é um expoente experimental. O quadro 1 mostra alguns valores do expoente n. Quadro 1. Valores para o expoente n Material da Ferramenta Material da Peça 𝑛 Aço rápido Aço 0,125 a 0,167 Ferro Fundido 0,140 a 0,250 Latão 0,250 Cobre 0,130 Alumínio 0,410 Metal duro Aço 0,200 Ferro Fundido 0,250 Alumínio 0,410 Cerâmica Aço 0,500 STEMMER, 2005. O valor da constante tC depende principalmente do material da ferramenta, do material da peça, do fluido de corte e das dimensões do corte. O quadro 2 fornece alguns valores orientativos para tC . Quadro 2. Valores para a constante Ct. Metal a usinar Ferramenta Aço rápido 18-4-1 com fluido de corte Metal duro sem lubrificação ABNT 1112 125 785 ABNT 1020 116 680 ABNT 3140 46 310 ABNT 4140 47 300 ABNT 4340 - 407 ABNT 8640 80 331 AÇO INOXIDÁVEL 85 890 FOFO – com 170HB - 585 FOFO – com 183HB - 419 FOFO – com 207HB - 306 FOFO – com 215HB - 265 STEMMER, 2005. Assim, pela expressão de Taylor, a vida vT da ferramenta pode ser determinada por: Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 34 n c t v v C T /1 = Para certas condições de usinagem, os traçados gráficos mostram a relação entre a vida da ferramenta e a velocidade de corte. A figura 2 mostra o gráfico de vida de uma ferramenta de corte Sandvik Coromant TNMG 160404-PF GC 4015 P15 em função da velocidade de corte. Figura 2. Gráfico de vida de ferramenta de corte. AMORIM, 2002. 2. Indicações bibliográficas • AMORIM, H. J. Estudo da relação entre velocidade de corte, desgaste de ferramenta, rugosidade e forças de usinagem em torneamento com ferramenta de metal duro. Porto Alegre: UFRGS, 2002. • DINIZ, A. E. MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L.; Tecnologia da usinagem dos metais. São Paulo: Artliber, 2002. • FERRARESI, D. Fundamento da usinagem dos metais. São Paulo: Edgard Blücher, 2000. • STEMMER, C. E. Ferramentas de corte I. Florianópolis: UFSC, 2005. • STOETERAU, R. L. Processos de usinagem – fabricação por remoção de material. Belém: UFPA, 2004. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 35 Questão 8 Questão 8. A análise das condições econômicas de usinagem leva em consideração, direta ou indiretamente, todas as informações técnicas e econômicas envolvidos no processo, sobretudo os tempos, os custos e a usinabilidade dos materiais, esta última representada pelas constantes K e x da equação de Taylor ( x CvK −=T ). Depois de processadas tais informações, obtém-se, para cada situação particular de usinagem,o comportamento dos tempos e dos respectivos custos em função da velocidade de corte, conforme modelo apresentado no gráfico de custos abaixo. No gráfico, emprega-se a seguinte notação: • C1: parcela de custo relativa aos tempos de preparação da tarefa (setup de máquina, material, ferramentas, fixações) e improdutivos independentes da velocidade de corte (fixar /soltar peça, aproximar/afastar ferramenta, controle de qualidade). • C2: parcela de custo relativa aos tempos de efetivo corte, incluindo as despesas com mão de obra (salários) e com máquina (depreciação, energia consumida, manutenção, espaço ocupado). • C3: parcela de custo relativa à ferramenta (aquisição e troca). • Kp: custo total de usinagem por peça. • VC (m/min): Velocidade econômica de corte. Considerando os fatores da usinagem influentes nos custos de produção por peça e o comportamento das linhas de custos (curvas e reta) que compõem o gráfico-modelo acima, analise as asserções a seguir. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 36 I. Na conjuntura competitiva atual do setor industrial metal-mecânico que pratica altos custos produtivos, a necessária efetivação do menor custo de usinagem por peça (Min. Custo Û Vcmin) implica a necessária disponibilidade de máquinas com altas rotações e de ferramentas de alto desempenho. PORQUE II. Com o uso de máquinas de baixas rotações que possibilitam apenas baixas velocidades de corte, o custo relativo ao tempo efetivo de corte (C2) será elevado, assim como a adoção de ferramentas de baixa resistência ao desgaste e de baixo desempenho técnico operacional fará aumentar o custo de ferramentas, principalmente devido às paradas de máquina para suas trocas (C3). Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. A. As duas asserções são proposições verdadeiras e a segunda é uma justificativa correta da primeira. B. As duas asserções são proposições verdadeiras e a segunda não é uma justificativa correta da primeira. C. A primeira asserção é uma proposição verdadeira e a segunda é uma proposição falsa. D. A primeira asserção é uma proposição falsa e a segunda é uma proposição verdadeira. E. Tanto a primeira quanto a segunda asserções são proposições falsas. 1. Introdução teórica Custo de produção e usinabilidade O custo de produção de um lote de peças depende essencialmente do tempo necessário à sua execução. Com relação à velocidade de corte, o custo de fabricação por peça (Kp) pode ser dividido em três partes: • custo de preparação e secundários, também chamado de custo fixo; • custo principal, composto pelo custo de máquina e do operador; • custo de ferramenta, que leva em conta o tempo total despendido na troca de ferramenta. A relação entre esses custos e a velocidade de corte pode ser observada na figura 1. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 37 Figura 1. Custo de fabricação por peça relacionado à velocidade de corte. STOETERAU, 2004 (com adaptações). A figura 1 mostra que o custo principal decresce com o aumento da velocidade de corte, enquanto o custo da ferramenta aumenta. Conclui-se que há uma velocidade de corte em que o custo total é o mínimo. 2. Indicações bibliográficas • STEMMER, C. E.; Ferramentas de corte I. Florianópolis: UFSC: 2005. • STOETERAU, R. L.; Processos de usinagem – fabricação por remoção de material. Belém: UFPA, 2004. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 38 Questão 9 Questão 9 O planejamento e o desempenho dos processos de fabricação por usinagem são altamente dependentes das propriedades de usinagem dos materiais. Como as propriedades de usinagem interessam tanto a fabricantes de materiais e de ferramentas quanto aos seus usuários (indústrias), os ensaios de usinabilidade ganham importância relevante na determinação dessas propriedades. No entanto, existe uma série de dificuldades tanto para a realização de ensaios de usinabilidade quanto para a obtenção de resultados confiáveis e representativos da aplicação nos processos de fabricação, restringindo, assim, a aplicação dos resultados de maneira ampla e sistemática nas indústrias. FERRARESI, Dino. Usinagem dos metais. São Paulo: Edgard Blücher, 1977. Considerando que o texto acima tem caráter motivador, redija um texto dissertativo sobre o seguinte tema Ensaios de usinabilidade: dificuldades associadas. Aborde, em seu texto, os seguintes aspectos: a) diversidade de fatores influentes na usinagem dos materiais; b) dificuldade de padronização de metodologia; c) viabilidade econômica e técnica. 1. Introdução teórica Usinabilidade e ensaios de usinabilidade Segundo Ferraresi (1970), apud Amorim (2002), a usinabilidade é uma grandeza tecnológica que expressa, por meio de um valor numérico comparativo (índice de usinagem), um conjunto de propriedades de usinagem de um material em relação a outro tomado como padrão. Também podemos definir usinabilidade como a capacidade dos materiais de se deixarem trabalhar com ferramentas de corte, ou seja, a usinabilidade é o grau de dificuldade em se usinar determinado material. A usinabilidade depende do estado metalúrgico da peça, da dureza, do limite de resistência e de escoamento do material, da composição química e das operações efetuadas no material (a quente ou a frio) antes da operação de usinagem. Ela não depende somente das condições intrínsecas do material (fatores metalúrgicos): depende também das condições de usinagem, das características da ferramenta, das condições de refrigeração e do tipo de operação. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 39 Não é possível descrever usinabilidade em função de unidades fundamentais. A forma mais comum para avaliar a usinabilidade de um material é a comparação. Diversos métodos têm sido usados para avaliar a usinabilidade dos materiais. Muitos desses métodos são baseados em resultados de testes de vida da ferramenta, de velocidade de corte ou de medições de forças na ferramenta. Existem diversos métodos para medir a usinabilidade de um material. O método mais aceito é um ensaio chamado de ensaio de longa duração, em que o material ensaiado é comparado com outro tomado como padrão. Nesse ensaio, tanto o padrão quanto o objeto do ensaio são usinados até o fim da vida da ferramenta ou até determinado valor de desgaste da ferramenta. Esse desgaste pode ser de flanco (VB) ou de superfície (KT), conforme representado na figura 1. Figura 1. Desgaste de flanco e desgaste de superfície em uma ferramenta de corte. Esse ensaio permite a obtenção da velocidade de corte vc para determinada vida da ferramenta. Em geral, são usadas duas vidas: 20 minutos ou 60 minutos. Por meio do ensaio, determinamos o Índice de usinabilidade (IU): )( ) ( padrãov ensaiadomaterialv IU c c= Existem também os ensaios de curta duração, utilizados para avaliar outros fatores, como a rugosidade da superfície usinada e a força de usinagem. Na usinagem de dado material, os valores obtidos para a vida da ferramenta, a força de corte, a potência de corte e o acabamento superficial variam em função dos fatores dependentes da máquina, do fluido de corte e do processo. Logo, é praticamente impossível determinarmos o “índice de usinabilidade” como característica clara e definida de um material. Observando o texto, concluímos que a determinação da usinabilidade deve ficar restrita à determinada condição de usinagem. Os ensaios conhecidos são sempre comparativos e existe certa dificuldade em generalizar os resultados obtidos. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 40 2. Indicações bibliográficas • AMORIM, H. J. Estudo da relação entre velocidade de corte, desgaste de ferramenta, rugosidade e forças de usinagem em torneamento comferramenta de metal duro. Porto Alegre: UFRGS, 2002. • MOTA, A. F. Usinabilidade dos materiais. Disponível em . Acesso em 11 jul. 2025. • RODRIGUES, J. R. P. et al. Investigação da usinabilidade de aços e ligas não ferrosas. São Luis: Pesquisa em Foco, n. 2, p. 53 – 59, 2009. v. 17. • STOETERAU, R. L. Processos de usinagem – Fabricação por remoção de material. Belém: UFPA, 2004. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 41 Questão 10 Questão 10. Um fabricante de eixos roscados, que são empregados como fusos de transmissão, decidiu fabricar as suas peças em um único passe de torneamento a fim de reduzir o tempo de produção. Assim, optou por alterar o processo de usinagem, no qual os fusos eram fabricados em 8 (oito) passes de torneamento com ferramentas de aço rápido, e passou a fabricar esses fusos, em um único passe, com ferramentas de metal duro revestidas. Antes dessa alteração na linha de produção, o fabricante ficou na dúvida se seria possível implementar essa modificação e resolveu calcular a potência de corte para saber se os tornos de sua fábrica teriam condição de atender tal alteração. O engenheiro de processos, utilizando os dados abaixo, calculou a força de corte (Fc) e a potência de corte (Pc) necessárias para a fabricação desse tipo de rosca, que tem perfil quadrado com dimensões de 16mm de diâmetro externo, 13mm de diâmetro interno e passo de 2mm. • Material: aço SAE 4320 • Tensão específica de corte (Ks): 300kgf/mm2 • S = área de cavaco [mm2] • Velocidade de corte (Vc): 100 m/min • Potência do torno: 20 CV Vc = (x d x n)/1 000 [m/min] Fc = Ks x S [kgf] Pc = (Fc x Vc)/(75 x 60) [CV] Considerando esses dados, os valores da força de corte, em kgf, e da potência de corte e CV são, respectivamente, iguais a A. 150 e 7,5. B. 300 e 10. C. 300 e 12,5. D. 450 e 7,5. E. 450 e 10. 3. Introdução teórica Força e potência de corte nas operações de usinagem A força que atua entre a ferramenta e a peça em um processo de usinagem é a força de usinagem (F). O conhecimento da força de usinagem e de seus componentes é a base para o projeto de uma máquina ferramenta, para a determinação das condições de corte durante o trabalho e para a avaliação da viabilidade de utilização de uma máquina ferramenta. Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 42 Os componentes da força de usinagem são a força de corte (Fc), a força de avanço (Ff) e a força passiva (Fp). A figura 1 mostra, em um processo de torneamento, a força de usinagem e seus componentes. Figura 1. Força de usinagem e seus componentes em um torneamento. STOETERAU, 2015 (com adaptações). A força de corte (Fc) é a força necessária para o arranque do material da peça e, consequentemente, para a formação do cavaco. Ela é a responsável por quase todo o trabalho executado no corte. A força de avanço (Ff) é a força que a peça exerce na ferramenta no sentido oposto ao seu movimento. A força passiva (Fp) é a força existente na ferramenta na direção da profundidade de corte. As forças atuantes na usinagem são influenciadas pelos parâmetros envolvidos no processo de formação do cavaco: os materiais da peça e da ferramenta, a geometria da ferramenta, a velocidade de corte, o avanço e a profundidade de corte. A profundidade de corte é igual à penetração que a ferramenta executa para a remoção de material. Assim, quando se chama de d0 o diâmetro inicial da usinagem e de df o diâmetro final, a profundidade de corte (ap) pode ser determinada por: 2 dd a f0 p − = Conhecidos a profundidade de corte (ap) e o avanço (f), a força de corte (Fc) pode ser determinada por: fakF pcc = Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 43 Na expressão anterior, o produto ap.f é a área de corte (S) e kc é conhecido como pressão específica de corte que depende do material da peça e do avanço. O quadro 1 mostra alguns valores de kc. Quadro 1. Pressão específica de corte para alguns materiais. STEMMER, 2005. Com isso, a força de corte ( cF ) fica: SkF cc = Como a força de corte é a principal responsável pelo trabalho executado no corte, conhecida a velocidade de corte (vc), é possível calcular a potência de corte (Pc) pela expressão apresentada a seguir. ccc vFP = ccc vSkP = Material Específico – Engenharia Mecânica – Tomo 2 – CQA/UNIP 44 Convém observar que a potência de corte difere da potência de acionamento (Pa), que é a potência fornecida pelo motor à máquina ferramenta, porque existem perdas por atrito nos mancais, nas engrenagens, nos sistemas de lubrificação e no sistema de avanço. Conhecidas a potência de corte e a potência de acionamento, podemos definir o rendimento da máquina () como a relação entre a potência de corte e a potência de acionamento: a c P P = Em média, o rendimento para as máquinas ferramentas é igual a 0,75. 4. Indicações bibliográficas • DINIZ, A. E.; MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L. Tecnologia da usinagem dos metais. São Paulo: Artliber, 2006. • FERRARESI, D. Fundamento da usinagem dos metais. São Paulo: Edgard Blücher, 2014. • STEMMER, C. E. Ferramentas de corte I. Florianópolis: UFSC, 2005. • STOETERAU, R. L. Fundamento dos processos de usinagem. Disponível em . Acesso em 04 out. 2025.