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CRIOTERAPIA Profa. Dra. Carolina Pieroni Andrade Costa Crioterapia - Definição • Do grego: Kryos = frio • Crioterapia - terapia com frio. • Qualquer forma de aplicação de substâncias que provoquem o resfriamento ou diminuição da temperatura dos tecidos, com finalidades terapêuticas. • Variação de temperatura de 0°C a 18,3°C. Crioterapia - História Primeiras práticas da crioterapia: Costello and Donnelly, 2010 Gelo e neve para controle da dor Inflamação (lesões agudas) Crioterapia - História • Antiguidade: o gelo e a neve usados para interromper o fluxo sanguíneo. • Com o passar do tempo, como anestésico. • Usado com muita frequência em traumas, pós-operatórios, condições inflamatórias (agudas e subagudas) e outras. • Ex: traumas musculoesqueléticos, dor miofascial, lesões atléticas, entre outras. Crioterapia - História Ferramenta coadjuvante nas cirurgias Costello and Donnelly, 2010 século XIX: Analgesia • Seres humanos: receptores especiais para temperatura que se encontram na pele→ capacidade para perceber diferentes graduações de frio e calor. Relembrando.. FRIO Crioterapia – Efeitos fisiológicos • Principal objetivo: • Fase aguda : prevenir ou minimizar a instalação do edema e hemorragia pós trauma. Crioterapia – Efeitos fisiológicos Efeitos fisiológicos?? diminuição do espasmo muscular Lee et al., 2005; Warren et al., 2004; Nemet et al., 2009; Herrera et al., 2010 Efeitos fisiológicos: Vasoconstrição • A extensão e a profundidade do resfriamento dependem do recurso utilizado, da espessura do tecido subcutâneo adiposo, duração do tratamento, entre outros; • Aplicação do frio gera uma vasoconstrição dos vasos sanguíneos; • Acredita-se que seja produzida: • reflexamente através das fibras simpáticas- sistema nervoso autônomo e • pelo efeito direto sobre os vasos sanguíneos, pelo abaixamento da temperatura. Vasoconstrição Efeitos fisiológicos: Vasoconstrição Vasoconstrição Utilização da crioterapia: Redução da Inflamação e edema • Diminuição do fluxo sanguíneo, • Redução da taxa de metabolismo: diminuindo a necessidade e o consumo de oxigênio pelas células aumento da sobrevida durante o período de isquemia • Uma quantidade menor de mediadores inflamatórios é liberada na área, diminuindo a extensão do tecido lesado. Inflamação e edema Reduz extravasamento de sangue Menor diapedese Menos neutrófilos, macrófagos e leucócitos Menos mediadores inflamatórios e dano tecidual Redução da resposta inflamatória exacerbada Utilização da crioterapia: Redução da Inflamação e edema • A aplicação do frio na fase aguda de uma lesão, diminui ou evita alterações do tecido, como o edema e o hematoma. • Inflamação: reação dos tecidos vascularizados à um agente agressor, com a finalidade de: • remover o tecido danificado • ofertar nutrientes necessários para a proliferação e maturação do novo tecido. • Sinais cardinais da reação inflamatória: Dor, calor, rubor, edema e perda de função. Utilização da crioterapia: Redução da Inflamação e edema • Edema Utilização da crioterapia: Redução da Inflamação e edema • Hematoma Utilização da crioterapia: Redução da dor • As aplicações de frio provocam, reduzem ou eliminam a dor. • A dor é reduzida pela inibição da transmissão nervosa, pela diminuição nos mediadores inflamatórios e pelo controle do edema. • Inicialmente, a aplicação de frio gera dor no paciente por 2 aspectos principais: • pela vasoconstrição intensa • pela estimulação dos receptores de frio Utilização da crioterapia: Redução da dor • Após a fase inicial a crioterapia: a dor, por mecanismos ainda não determinados com precisão, mas que acredita-se serem: • diminuição da transmissão nervosa da dor nas respectivas fibras; • diminuição da excitabilidade das terminações nervosas livres; • ação contra irritante; • liberação de endorfinas; • e outros... Utilização da crioterapia: Redução da dor Godfrey, 2005 Diminuição da velocidade de condução neural; Liberação de opióides endógenos (β-endorfina). Fibras A Beta Fibras C TEORIA DAS COMPORTAS Utilização da crioterapia: Tecidos e articulações • Músculos, tendões e articulações respondem de forma diferente; • Melhor método de aplicação depende do tecido tratado; • Lesões agudas são melhor tratadas com crioterapia juntamente com repouso, compressão e elevação (RICE). • O espasmo muscular diminui com bolsas frias e alongamento. RICE RICE • Tecido conjuntivo: torna-se rígido, progressivamente, à medida que a temperatura diminui, comprometendo sua extensibilidade. • Músculos: apresentam certa rigidez mecânica (devido ao aumento da viscosidade das fibras musculares), à medida que a temperatura cai. • Articulações: tornam-se rígidas com a diminuição da temperatura, devido: rigidez do tecido conjuntivo (que faz parte da cápsula articular e músculos), rigidez da musculatura periarticular e o aumento da viscosidade do líquido sinovial. Utilização da crioterapia: Tecidos e articulações CRIOTERAPIA impulsos nervosos aferentes sensoriais aferência γ eferência α reflexamente analgesia Diminui espasmo muscular Utilização da crioterapia: espasticidade e espasmo muscular As aplicações de crioterapia não se aplicam a todos os tipos de espasmo, mas sim aqueles causados por traumas musculoesqueléticos. Utilização da crioterapia: espasticidade e espasmo muscular • A utilização do frio (crioterapia) para redução da espasticidade é controversa. • A espasticidade é um dos distúrbios motores mais frequentes e incapacitantes observados nos indivíduos com lesão do sistema nervoso central. • Utilizado, com efeito transitório, no controle da espasticidade por reduzir a sensibilidade ao reflexo de estiramento do fuso neuromuscular e por inibir os motoneurônios pelas vias polissinápticas. Utilização da crioterapia: espasticidade e espasmo muscular • Pode ser aplicado através de diferentes técnicas: imersão, “sprays”, bolsas, entre outros, conforme indicação clínica individualizada. • Evidência científica: estudos experimentais que o frio reduz a espasticidade por até 120 minutos pós-aplicação. • A aplicação do frio diminui os impulsos excitatórios, promovendo o relaxamento muscular. • O rompimento do ciclo dor-espasmo-dor, pela eliminação da dor, que termina por abolir o espasmo, evitando o desenvolvimento de mais dor. Tempo de aplicação Intermitente: 30 a 40 minutos Contínua: 20 a 30 minutos Resfriamento articular: 30 minutos Grandes massas (músculo): 1 hora Diminuir condução nervosa: 15 minutos Knight, 1995 Tomchuk et al., 2010 Warren et al., 2004 Herrera et al., 2010 Tempo de aplicação Intermitente: 30 a 40 minutos Contínua: 20 a 30 minutos Resfriamento articular: 30 minutos Grandes massas (músculo): 1 hora Diminuir condução nervosa: 15 minutos Knight, 1995 Tomchuk et al., 2010 Warren et al., 2004 Herrera et al., 2010 Banho de contraste • Objetivos vasomotores (vasoconstrição e vasodilatação) reabsorvendo o edema residual na fase subaguda; • Indicação: absorção do edema traumático superficial ou profundo, na fase subaguda 24/48/72 horas após o trauma. • Duração: • 10 a 15 minutos - efeito superficial • 30 minutos - efeito profundo. • Temperatura: quente 45º; fria – 15º C. • Técnica inicial - Quente - 5 minutos Frio - 1 minuto Quente 1 minuto Final: Frio 3 minutos. Banho de contraste • Crônica: • 5 minutos de quente • 1 minuto de frio • 4 minutos de quente • 1 minuto de frio • 3 minutos de quente • 1 minuto de frio • 2 minutos de quente • 1 minuto de frio • 1 minuto de quente Tapping com gelo • Proporcionar uma facilitação neuromuscular. • No sentido da contração muscular. Cinesioterapia • A crioterapia pode ser indicada como agente facilitador da cinesioterapia . • Frio reduz a espasticidade, aumentando o relaxamento, levando a uma mobilização precoce e um aumento da amplitude de movimento. Cinesioterapia Mas..Qual método escolher? A escolha do método de aplicação deve ser baseada, principalmente, na área a ser tratada A escolha do método • Compressas de gelo • Pacote de gelo (saco de gelo) • Cubos, blocos de gelo • Toalhas frias • Bolsas frias • Gelo/compressão/elevação • Etc.. Imersão Sprays químicos • Sprays químicos (de vapor frio; aerossóis) – técnica de resfriamento evaporativo, que promove a redução da dor nos pontos de maior sensibilidade. • São feitos à base de cloreto de etila e fluorometano. Aplicar à uma distância de 20 a 30 cm da pele, durante 3 a 5”. Criomassagem • Áreas pequenas; • O gelo é aplicado sobre a pele em movimentos circulatórios. Criocinética • Criocinética: combinação de aplicações de frio (geralmente compressas de gelo ou imersão em água gelada), e exercícios (ativos). • Aplicação inicial de frio (15 a 20’), seguida de uma sessão de 3 a 5’ de exercícios. • Reaplicação de frio (3 a 7’) e exercícios (3 a 5’) moderados. • Terminar com frio. CRIOTRON • Aparelho elétrico, que resfria o ar ambiente em até –30ºC – distância 5 a 20 cm da pele – custo elevado. Crio Cuff • Crio Cuff: recipiente de espuma com elástico e faixa • Sistema: resfriador de água (cooler) Água e álcool ( 4:1) • Consistência gelatinosa (facilita a moldagem da região a ser tratada)- cuidado: peles sensíveis. Bolsa de ombro e Joelheira Joelheira de neoprene, com orifício para bolsa de gelo Bolsa de ombro Contraindicações Distúrbios vasoespásticos: ➢Distrofia Simpático-Reflexa ➢ Livedo Reticular; ➢ Acrocianose; ➢ Fenômeno de Raynaud Knight, 1995 Hipersensibilidade ao frio; Efeitos adversos • Surgimento de urticárias: liberação de histamina. • Púrpura: hemorragia na pele e mucosas • Eritemia ao frio: vermelhidão, dor, espamos e suor. • Alteração da coloração da pele: cianose e palidez extrema. • Hiperalgesia ao frio. Precauções • Forma contínua e diretamente sobre a pele do paciente por períodos maiores que 30 minutos; • Bolsa de gel resfriada a temperaturas inferiores que -17°C, não aplicar diretamente sobre a pele; • Pacientes sem sensibilidade cutânea. Evidências científicas menor percepção de dor Crioterapia contínua intermitenteX Evidências científicas Maior resfriamento com cubos de gelo e água em saco plástico maior acoplamento. Evidências científicas Temperatura intra–articular menor com cubos de gelo picado. Pior condução térmica do material Cryo Cuff Cubos de gelo Cryo CuffX Evidências científicas Crioterapia pode diminuir a sensibilidade dos mecanoreceptores e a condução do impulso nervoso Pior propriocepção e desempenho muscular se aplicada antes da atividade física CASO CLÍNICO 1 • J.N.S., gênero masculino, 27 anos, foi admitido na clínica de fisioterapia do IIES em agosto de 2024, com um início insidioso de dor na região lateral do tornozelo direito. Ele identificou a corrida como uma atividade provocativa. O problema começou a 4 semanas atrás durante sua corrida usual de 30 minutos. No inicio a dor aparecia após 20 minutos de corrida mas atualmente aparece após 5 minutos e o impede de correr mais do que 20 min. A dor também é notada subindo ou descendo escadas ou ao se levantar de uma cadeira. O paciente tem boa saúde e não tem história de trauma no membro inferior. Não há sintomas de formigamento, fraqueza ou crepitação. • Possíveis diagnósticos? • Objetivos? • Condutas? Obrigada!