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USO DA TREPANAÇÃO

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orifício no crânio representava um caso de “avançada cirurgia” oriunda do Novo Mundo antes da chegada dos colonizadores. Broca considerou que a cirurgia havia sido realizada em um indivíduo ainda vivo e que sua morte só foi ocorrer uma ou duas semanas depois.
A partir de suas observações, novas perguntas surgiram: por que tal operação foi realizada? Sob que condições? Houve sucesso? Para responde-las, Broca procurou examinar outras amostras. A busca pelos motivos que justificariam a realização de trepanações pelo homem pré-histórico levou Broca a publicar diversos artigos e a apresentar diversas palestras sobre o assunto. Segundo ele, as trepanações eram realizadas mais comumente em jovens (ideia que posteriormente se percebeu errada), associadas com algum problema e tendo assim um intuito curativo; ao mesmo tempo em que estaria associado com algum contexto social ou religioso.
O registro mais antigo de que se tem notícia data de 8 mil anos, se tornando o mais velho procedimento cirúrgico conhecido – e, incrivelmente, a técnica era usada por várias culturas antigas, desde civilizações pré-colombianas até as primeiras civilizações europeias. Sabe-se disso porque vários crânios perfurados foram recuperados em sítios arqueológicos ao redor do mundo e o exame feito nestas amostras comprovou que a perfuração por trepanação é bem diferente da causada por outros traumas cranianos.
Acredita-se que a cirurgia era considerada a solução para vários tipos de doenças. Além de ser usada para ‘tratar’ ferimentos cranianos e doenças mentais, arqueólogos sugerem que a trepanação poderia, como já dito, ter propósitos religiosos - como por exemplo, o exorcismo.
Para fazer a perfuração, eram usadas pedras pontudas e lâminas de obsidiana (nos primeiros registros). Depois, quando humanos aprenderam a manipular metais, na era do bronze, bisturis e serras primitivas foram usados. Algumas culturas até desenvolveram técnicas para fazer a cirurgia com vidro! No entanto foi só em 400 a.C. que o grego Hipócrates, considerado o pai da medicina, escreveu um tratado sobre o cérebro e revelou mais detalhes sobre a trepanação.
De acordo com o neurocirurgião Graham Martin, em uma publicação no Journal of Clinical Neuroscience, Hipócrates nunca havia feito uma trepanação, mas havia aprendido sobre a técnica em uma viagem para Marselha, onde o procedimento já era feito há 1500 anos. Ele compreendeu que a técnica era usada para aliviar a pressão no cérebro causada por sangue, “demônios”, ou qualquer que fosse o diagnóstico do médico.
Na civilização pré-colombiana dos zapotecas, no entanto, vislumbrou-se uma situação bem diferente: a trepanação era usada várias vezes - foram encontrados vários crânios com múltiplas perfurações. Acredita-se que era um tratamento popular para dores de cabeça. Mas tudo isso é especulação. Não se sabe, por exemplo, se o procedimento era feito em voluntários. Afinal, ele não deveria ser nada agradável.
No século XV, a trepanação foi mais documentada, inclusive por pintores renascentistas - quadros mostravam que a cirurgia era usada para curar, de forma sobrenatural, problemas mentais. Um deles era chamado de 'pedra da loucura'. A tal pedra precisava ser retirada do cérebro do doente antes que 'contaminasse' o cérebro inteiro.
TREPANAÇÃO – USOS E DOENÇAS
Apesar de ter saído da cultura popular há muito tempo, a trepanação foi resgatada no século XX, por um bibliotecário holandês chamado Bart Huges. Em 1965, ele fez um furo em seu crânio com ferramentas de dentistas, afirmando que o processo não foi nada dolorido. Ele defendia o uso de substâncias psicoativas para alcançar um ‘nível elevado de consciência’ e afirmava que a trepanação o ajudava a ficar sempre “alto”. Huges descreveu tudo isso em seu manuscrito Homo Sapiens Correctus. Nesta obra, registrou inclusive que a trepanação aumentava a circulação sanguínea no cérebro, auxiliando na cura da depressão.
Até que se entendessem melhor as doenças mentais, muita coisa absurda já foi feita para dar um jeito em quem sofria com elas. De choque térmico por infecção pelo protozoário da malária a perfurações no crânio (ambos tendo rendido o Prêmio Nobel a seus criadores). Essas perfurações eram a trepanação. A cirurgia era realizada em rituais religiosos para liberar a pessoa de demônios e espíritos ruins. Só que, antigamente, esse pessoal supostamente possuído era, na verdade, vítima de doenças mentais. Por isso, até hoje, o método é realizado por algumas tribos da África e da Oceania para fins rituais, e em alguns centros modernos de neurologia para aliviar a pressão intracraniana em caso de fortes pancadas na cabeça, por exemplo. Mas existem organizações hoje que defendem essa técnica “como forma de facilitar o movimento do sangue pelo cérebro e melhorar as funções cerebrais que são mais importantes do que nunca para se adaptar a um mundo em cada vez mais rápida evolução”. Isso é o que diz o site de um grupo internacional em defesa da trepanação, que defende que qualquer pessoa que deseje melhorar suas funções mentais e sua qualidade de vida deve poder realizar o procedimento.
CONCLUSÃO
Este trabalho buscou apresentar o histórico, origem, conceito e trajetória da aplicação do procedimento de trepanação até os dias atuais. Da leitura e pesquisa junto à da história da humanidade, não só no campo objeto desse relato, pode-se depreender que não é incomum encontrarmos registros históricos de procedimentos, originários não só do campo da medicina, realizados tendo por base uma falsa ciência, crenças equivocadas ou, simplesmente, por pura ignorância. 
Nota-se, de igual forma que, infelizmente, as maiores vítimas de tais sandices foram os portadores de transtornos mentais. Felizmente, pôde o homem evoluir dos eletro choques, afogamentos e lobotomias até os medicamentos e a psicoterapia. 
Depreende-se ainda do presente estudo que a trepanação era praticada tanto para fins medicinais quanto espirituais e, por vezes, a depender da época e do povo estudado, não havia uma distinção/separação entre uma área e outra. 
REFERÊNCIAS
http://fscastro.blogspot.com.br/2007/08/descobrindo-trepanao-contribuio-de-paul.html. Acesso em 19/09/2015.
http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/a-solucao-para-problemas-mentais-na-antiguidade-furar-a-cabeca-dos-pacientes/. Acesso em 19/09/2015.
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2015/06/solucao-para-problemas-mentais-na-antiguidade-furar-cabeca-dos-pacientes.html. Acesso em 28/09/2015.
http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/5-tratamentos-psiquiatricos-bizarros-que-cairam-em-desuso/. Acesso em 28/09/2015.
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