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Consequências da Tensão Excessiva
A imagem abaixo ilustra um caso clínico em que a su
-tura foi realizada sob tensão inadequada, resultando
em deiscência parcial da ferida três dias após o pro-
cedimento cirúrgico.
importância do planejamento correto das linhas de
incisão.
Pós-operatório imediato — fechamento
primário da ferida em membro.
3 dias depois- deiscência da ferida por tensão
Excessiva na linha de sutura
Defeitos Circulares — Técnicas de Fechamento
Defeitos circulares apresentam desafios específicos ao fecha-
mento, pois a pele ao redor não se adapta naturalmente à ge-
ometria do defeito. Existem três abordagens principais, cada
uma indicada conforme a disponibilidade de pele adjacente.
Fechamento linear
• Como funciona: aproxima diretamente as bordas →
transforma o círculo em uma linha.
• Indicação: quando há boa elasticidade cutânea.
• Problema clássico: formação de “orelhas de cão”
(dog-ears).
Técnica do V combinado
• Como funciona: cria incisões em “V” para
redistribuir a tensão.
• Indicação: quando há pouca pele disponível.
• Vantagem: diminui distorção e tensão na
sutura.
Defeitos circulares-Gravata-borboleta
• Como funciona: incisões curvas bilaterais →
redistribuem excesso de pele.
• Indicação: quando há pele em abundância.
• Vantagem: melhor resultado estético e menos
tensão final.
Defeitos Triangulares
Muito comuns após excisão tumoral.
Fechamento
• Pode ser feito por:
• Aproximação direta
• Pequenas incisões de relaxamento
• Objetivo: transformar o triângulo em uma
linha reta de sutura.
Regra importante: respeitar linhas de tensão da
pele (Langer).
Defeitos Quadrados/Retangulares
Aqui o problema é a distribuição da tensão nos ca-
ntos.
Técnicas principais:
1. Fechamento em “X”
• Indicado para defeitos pequenos
• Redistribui tensão em 4 direções
Menos tensão concentrada em um único ponto.
2. Deslizamento lateral
• A pele é deslocada lateralmente
• Permite fechamento linear com menos tensão
Muito usado quando há mobilidade lateral da pele.
3. Triângulo de Burrow
• Remove pequenos triângulos de pele nas ex-
tremidades
• Evita “orelhas de cão”
Técnica clássica de ajuste fino
Caso Clínico — Lesões Múltiplas em Região de Cabeça
Canino macho, 10 anos, apresenta três lesões tumorais em
região de cabeça com diagnóstico de carcinoma espinocel-
ular, cisto sebáceo e mastocitoma. O planejamento cirúrgico
deve contemplar a exérese oncológica com margens adequa-
das e o fechamento reconstrutivo de cada defeito resultante
Defeitos fusiformes (ou elípticos) são geometricamente
favoráveis ao fechamento primário, pois suas extremidades
afiladas permitem a aproximação das bordas com distribui-
ção uniforme da tensão.
São frequentemente criados intencionalmente pelo cirurg-
ião ao converter defeitos circulares ou irregulares em uma
forma mais manejável.
A relação comprimento:largura ideal para um defeito fusif-
orme é de 3:1 a 4:1,
garantindo o fechamento sem a formação de "orelhas-de-
cão" nas extremidades
Defeitos Crescentes (semilunares)
Comuns em áreas curvas do corpo.
Problema:
• Bordas de tamanhos diferentes → fechamento
desigual
Solução:
• Ajustes com suturas ou pequenas incisões
• Redistribuição da pele
Exige cuidado pra não deformar estruturas anatômicas.
Retalhos Pediculados — Conceito
Retalhos pediculados são segmentos de pele e
tecido subcutâneo que mantêm uma conexão
vascular com o sítio doador — o pedículo —
enquanto são transpostos para cobrir um defeito
adjacente ou distante.
Essa conexão vascular garante a sobrevivência do
retalho durante a fase de integração, diferenciando-
os dos enxertos livres, que dependem
exclusivamente de neovascularização do leito
receptor.
conceito: não é só fechar, é reconstruir com pele
viva vascularizada.
Característica:
• Mantêm um pedículo vascular
• A pele é deslocada, não removida totalmente
Usados quando o fechamento direto não é
possível.
• Avanço
• Rotação
• Transposição
Retalho de Avanço
Os retalhos de avanço são sustentados pelo plexo
subcutâneo local e representam uma das técnicas
mais versáteis da cirurgia reconstrutiva. Incluem
a H-plastia e os retalhos de avanço em V/Y.
O princípio básico consiste em mobilizar pele
adjacente solta e elástica, deslizando-a sobre o
defeito de forma linear, sem pivotamento angular.
São ideais para defeitos alongados em regiões
com boa disponibilidade de pele.
O retalho de avanço é desenvolvido paralelamente às
linhas de menor tensão para facilitar sua extensão sobre a
ferida. Uma característica importante: não gera pele
adicional — apenas redistribui a pele existente. Por isso,
é indicado somente quando há reserva elástica
suficiente no sítio doador
Retalhos Rotacionais
Os retalhos de rotação são retalhos locais que
compartilham uma borda comum com o defeito a
ser fechado.
Sua movimentação ocorre em arco ao
redor de um ponto pivô, cobrindo o defeito
primário e criando um defeito secundário menor
na região doadora.
• Úteis para fechar defeitos triangulares sem criar
defeito secundário significativo
• Uma incisão curva é criada a partir de um dos
ângulos do defeito
• A pele é divulsionada gradualmente até cobrir o
defeito sem tensão
• O comprimento do arco deve ser pelo menos 4
vezes a largura do defeito
Retalhos de Transposição
Os retalhos de transposição são movidos
angularmente sobre ou ao redor de uma barreira
tecidual para cobrir um defeito adjacente.
Diferentemente dos retalhos de rotação, eles se
deslocam em linha reta, cruzando sobre a pele
normal entre o sítio doador e o receptor.
Retalhos de transposição úteis na prática
clínica incluem:
• Retalho da dobra dos membros anteriores —
utilizado para cobrir defeitos em regiões de
difícil acesso no tórax ventral e axila
• Retalho da dobra do flanco — empregado para
reconstrução de membros pélvicos proxi-
mais e região inguina
Retalhos de Transposição
Documentação intraoperatória demonstrando a execução de
retalho de transposição. Observe a angulação do pedículo, a
cobertura do defeito receptor e o sítio doador adjacente. A
base do retalho deve ser suficientemente ampla para garantir
perfusão adequada ao tecido transposto.
Retalhos de Padrão Axial
Retalhos com suprimento sanguíneo direto por artéria
cutânea, permitindo maior dimensão e viabilidade
Retalhos de Padrão Axial — Anatomia Vascular
O que são Retalhos de Padrão Axial?
Ao contrário dos retalhos de padrão subdérmico, os
retalhos de padrão axial possuem uma artéria cutânea
direta que percorre o eixo longitudinal do retalho,
conferindo suprimento sanguíneo robusto e previsível.
Essa característica permite que esses retalhos sejam
confeccionados com dimensões muito maiores do
que os retalhos locais convencionais, ampliando as
possibilidades de reconstrução em defeitos extenso
Apresentação intraoperatória de retalho de padrão
axial. A imagem demonstra a delimitação do reta-
lho com base no trajeto da artéria cutânea dire-
ta, garantindo perfusão adequada em toda a
extensão do tecido mobilizado.
Considerações para a Cirurgia Reconstrutiva
• Medicina Humana
A cirurgia plástica humana apresentou grande
desenvolvimento, com técnicas cada vez mais sofi-
sticadas e bem documentadas na literatura cientí-
fica internacional.
• Medicina Veterinária no Brasil
Ainda pouco difundida, com deficiência na forma-
ção dos profissionais de medicina veterinária.
Há necessidade de maior integração com o conhe-
cimento acumulado na área humana.
• Importância Clínica
Redução da morbidade e aumento da expectativa
de vida dos pacientes. Estudos comparados entre
medicina humana e veterinária têm evidenciado a
aplicabilidade dos princípios reconstrutivos em
ambas as áreas
Princípios Básicos — Os Princípios de Halsted
William Stewart Halsted, cirurgião norte-america-
no do século XIX,estabeleceu princípios cirúrgicos
que permanecem a base da cirurgia reconstrutiva
moderna. Seu legado é especialmente relevante nas
plastias de pele, onde a qualidade técnica é
determinante para o resultado.Mínimo Trauma e Manuseio
Evitar lesões desnecessárias aos tecidos durante todo o
procedimento.
Hemostasia Acurada
Controle rigoroso do sangramento para prevenir hematomas e
comprometimento vascular.
Técnica Asséptica
Rigorosa prevenção de contaminação cirúrgica em todas as
etapas do procedimento.
Fechamento Sem Tensão
Aproximação dos tecidos sem tração excessiva para evitar
deiscência e isquemia.
Suprimento Sanguíneo Adequado
Preservação da vascularização em todos os retalhos e bordas
da ferida
Princípios de Cirurgia Reconstrutiva — Tricotomia
A ampla tricotomia é o primeiro passo prático no preparo do
campo operatório em cirurgia reconstrutiva. Uma área de
raspagem adequada garante visibilidade cirúrgica, facilita o
planejamento dos retalhos e reduz o risco de contaminação.
Informações Claras ao Proprietário
A comunicação efetiva com o tutor do animal é um princípio
ético e clínico fundamental. Antes do procedimento, o propri-
etário devecompreender:
• A natureza e a extensão do procedimento planejado
• As opções técnicas disponíveis e suas limitações
• Os riscos e complicações possíveis
• Os cuidados pós-operatórios necessários
• O prognóstico esperado e o cronograma de
acompanhamento
Elasticidade da Pele
Respeitar a Elasticidade da Pele
A elasticidade da pele varia significativamente entre
regiões anatômicas, raças e idades. O cirurgião deve ava
liar a reserva elástica antes de planejar qualquer técnica
de fechamento.
A prática da elasticidade é realizada pelo teste de
pinçamento ("tent test"): ao elevar e soltar uma dobra
de pele, observa-se a velocidade de retorno à posição
original. Pele elástica retorna rapidamente; pele com
mobilidade reduzida tarda a se reposicionar.
Linhas de Tensão-Respeitar as linhas de tensão
O planejamento das incisões em relação às linhas de
tensão é determinante para a qualidade da cicatriz e a
estabilidade do fechamento. Incisões realizadas contra
as linhas de tensão tendem a abrir e cicatrizar com maior
deformidade.O cirurgião deve mapear as linhas de ten-
são locais antes de executar qualquer incisão, especia-
lmente em regiões articulares e de alta mobilidade
Técnica Asséptica
A assepsia em cirurgia reconstrutiva exige proto-
colos rigorosos em todas as fases: preparação do
paciente, paramentação da equipe,organização do
campo operatório e manuseio dos instrumentais.
Instrumental Adequado
Evitar trauma excessivo durante a cirurgia reconst-
rutiva depende diretamente da escolha e do uso co-
rreto do instrumental cirúrgico. Instrumentos ina-
dequados ou mal utilizados causam esmagamento
tecidual, comprometendo a vitalidade das bordas e
a cicatrização.
Hemostasia
O controle preciso do sangramento é essencial em cirurgia
reconstrutiva. Hematomas formados sob retalhos cutâneos cria
m pressão sobre os tecidos, comprometendo a perfusão e favor-
ecendo infecção e necrose.
A hemostasia deve ser obtida por meios gentis - ligaduras,
eletrocoagulação bipolar em baixa potência -evitando carboni-
zação excessiva que prejudicaria a cicatrização das bordas.
Pós-operatório
O manejo correto do paciente no período pós-operatório é
determinante para o sucesso final da cirurgia reconstrutiva. A
falha no cuidado pós-operatório pode comprometer procedime-
ntos tecnicamente perfeitos.
• Colar Elizabetano
• Curativos adequados
• Restrição de atividade
• Revisões Periódicas
O Que Precisamos Saber
• Conhecemos o Doente e a Doença
Avaliação completa do paciente, do tipo e extensão da
lesão, além do diagnóstico histopatológico quando
pertinente.
• Conhecemos o Tutor
Comunicação clara sobre o procedimento, expectativas
, limitações, cuidados pós-operatórios e prognóstico.
• Conhecemos os Princípios da Cirurgia Reconstru-
tiva
• Domínio dos princípios de Halsted, linhas de ten-
são, elasticidade, técnica asséptica e hemostasia.
Próximo passo: Com esses pilares estabelecidos, avan-
çamos para as Formas de Fechamento das Feridas
Fechamento Primário
O fechamento primário consiste na aproximação
direta das bordas da ferida sem necessidade de mo-
bilização adicional de tecidos. É a técnica mais simples
e preferível quando as condições permitem.
Indicações:
• Feridas com bordas elásticas e sem tensão
• Tecido viável sem contaminação significativa
• Disponibilidade de pele adjacente suficiente
• Feridas agudas ou desbridadas adequadamente
Contraindicações: feridas muito tensas, contaminadas
ou com déficit tecidual significativo
Exemplos de fechamento primário em pequenos an-
imais. Observa-se a adequada aposição das bordas,
ausência de tensão excessiva e resultado estético
satisfatório. A escolha do padrão de sutura (simples
interrompido, Wolf, colchoeiro) é adaptada confor-
me a região e a tensão local.
Fechamento em Figura Geométrica
• Princípio da Técnica
O fechamento em figura geométrica consiste em co-
nverter defeitos de geometria irregular em formas
padronizadas (círculo,elipse, triângulo, quadrado)
que permitem fechamento mais controlado e previ-
sível.
A escolha da figura geométrica é determinada pela
forma original do defeito, pela elasticidade local e
pelas linhas de tensão. A conversão adequada reduz
a tensão sobre a linha de sutura e melhora o resul-
tado estético.
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Traumatologia dos Tecidos Duros: Fraturas,Luxações e Entorses
Aula 05
Exame Físico
O exame físico geral é o ponto de partida de qualq-
uer avaliação ortopédica. Deve-se considerar o
estado global do animal antes de focar nas lesões
musculoesqueléticas.
Parâmetros Vitais
Temperatura retal, pressão arterial e frequência
respiratória devem ser obtidos e registrados
sistematicamente.
Aspecto Geral
Condição corporal, presença de obesidade e esta-
do nutricional influenciam diretamente o prognó-
stico e o plano terapêutico.
Ausculta e Palpação
Ausculta torácica e palpação abdominal são obri-
gatórias. Em animais que sofreram traumas, radi-
ografias torácicas e ECGs seriados são essenciais.
Exame Ortopédico
A avaliação ortopédica deve ser sistemática, sempre iniciando pelo
membro saudável para fins de comparação. A sequência craniocau-
dal e o exame sem sedação permitem avaliar a resposta à dor.
Identificação do Membro
Identificar o membro acometido por claudicação, postura ou hist-
órico do tutor.
Palpação Sistemática
Iniciar pelas unhas de cada membro, avançando em sentido proxi-
mal. Comparar simetria muscular e aumentos articulares bilatera-
lmente.
Exame Neurológico e Proprioceptivo
Avaliação das respostas proprioceptivas no animal em estação,
observando simetria e integridade do sistema nervoso periférico
Respostas Proprioceptivas
As respostas proprioceptivas são testes fundamentais do exame
neurológico em pacientes ortopédicos. Consistem em posicionar
a pata com a superfície dorsal em contato com o solo e observar se
o animal a retorna rapidamente à posição normal.
A ausência ou lentidão na resposta indica comprometimento neu-
rológico 4 seja medular, de nervo periférico ou de vias
ascendentes
4 e pode modificar significativamente o prognóstico e o plano
cirúrgico
Respostas proprioceptivas
1. Animal em pé
2. Vira a pata (dorso no chão)
3. Solta
O que está sendo avaliado?
A capacidade do animal de:
• perceber a posição da própria pata
• corrigir automaticamente essa posição
Interpretação:
• Normal: o animal corrige rapidamente a
pata → sistema nervoso íntegro
• Alterado: ele mantém a pata errada →
déficit neurológico
Isso indica problema em:
• medula espinhal
• vias sensoriais/motoras
• cérebro (em alguns casos)
• Knuckling (posicionamento proprioceptivo)
Presença de dor profunda
Aqui, estão usando um instrumento (tipo pinça)
para pressionar a região interdigital ou unha.
O que está sendo avaliado?
Se o animal sente dor profunda (não é só
reflexo!).
Interpretação:
• Presente: o animal reage conscientemente
(chora, tenta morder, vira a cabeça)
• Ausente: nenhuma reação consciente →
quadro neurológico grave
Importante:
• Retirar a pata NÃO significa dor profunda
(isso pode ser só reflexo)• O que vale é a resposta consciente
Exame Ortopédico: Palpação
A palpação detalhada do osso, articulação e tecidos moles adjacen-
tes é essencial para localizar a origem da dor e identificar alteraçõ-
es estruturais. Deve-se sempre comparar o membro contralateral.
Assimetria
Entre membros homólogos
Resposta à Dor
Localização e intensidade
Edema
Local ou difuso
Amplitude
Anormalidades de movimento
Instabilidade
Articular ou óssea
Crepitação
Sinal de fratura ou
artrite
Exame Ortopédico: Avaliação da Claudicação
A claudicação é o principal sinal clínico observado em pacientes
com afecções do aparelho locomotor. Sua avaliação dinâmica é fu-
ndamental para identificar o membro afetado e o grau de compro-
metimento funcional.
1 Identificar o Membro Afetado
Observar o animal em movimento, em
local amplo e com piso adequado.
Verificar atrofia muscular unilateral ou
bilateral como indício de cronicidade.
2 Padrão de Marcha
O passo encurtado é característico. Para proteger o membro dolo-
roso, o animal troca o peso rapidamente, reduzindo o tempo de
apoio no membro acometido.
Ambiente Adequado
O exame deve ser realizado em superfície antiderrapante, com
espaço suficiente para trote e galope, garantindo avaliação fidedi-
gna.
Avaliação da Articulação Coxofemoral
A articulação coxofemoral deve ser examinada media-
nte extensão e flexão controladas. Uma mão é posici-
onada sobre o trocanter maior para detectar crepita-
ção durante o movimento.
Extensão
O fêmur deve estender caudalmente até uma posição
quase paralela à pelve sem provocar dor. Limitação
da extensão sugere doença articular degenerativa.
Flexão
O joelho deve aproximar-se do íleo com a flexão total
do quadril. A dor à flexão indica comprometimento
capsular ou articular.
DAD
Doenças articulares degenerativas limitam a amplitu-
de de movimento em ambas as direções e frequente-
mente causam dor intensa à manipulaçã
Detecção de Luxação Coxofemoral
A posição relativa do trocanter maior em relação à
tuberosidade isquiática é o principal ponto de refer-
ência para diagnosticar luxação coxofemoral ao
exame físico.
Método de Comparação Bilateral
Com o animal em estação, comparar a distância
entre o trocanter maior e a tuberosidade isquiática
em ambos os lados. Um aumento unilateral dessa
distância indica luxação coxofemoral.
Teste de Rotação Externa com Polegar
Rotacionar o fêmur externamente com o polegar
posicionado no espaço entre o trocanter maior; deve
ocorrer deslocamento do polegar. Em caso de luxa-
ção, o trocanter projeta-se sobre o polegar, indican-
do posição anormal da cabeça femora
Manobra de Ortolani -Decúbito Lateral e
Dorsal
Indicação e Importância
A manobra em decúbito lateral é uma alternativa útil
especialmente em animais de maior porte. É melhor
realizada com sedação ou anestesia geral para elimi-
nar a tensão muscular que pode mascarar a lassidão
articular.
Decúbito dorsal: Posicionar os joelhos paralelos
entre si e perpendiculares à mesa de exame. Em
seguida, aplicar pressão no joelho em direção ao
acetábulo para provocar a subluxação da articulação
coxofemoral. Mantendo essa pressão, realizar a
abdução do joelho. O ângulo de subluxação corre-
sponde ao momento em que ocorre a saída parcial da
cabeça femoral do acetábulo, enquanto o ângulo de
redução é aquele em que a cabeça femoral retorna à
sua posição normal dentro do acetábulo
Coaptação de Fraturas
A coaptação é uma etapa crítica no manejo inicial de
fraturas. Seu objetivo primário é reduzir lesões adi-
cionais nos tecidos moles e elevar o conforto do pa-
ciente enquanto o plano cirúrgico definitivo é estab-
elecido.
Objetivo Principal
Reduzir lesões adicionais em tecidos
moles e proporcionar conforto imediato
ao paciente traumatizado.
Talas Externas
Utilizadas como apoio temporário ou meio de estabilização de
fratura. Complicações incluem edema distal, deslizamento, abra-
sões de pele, não-união e risco de necrose isquêmica.
Atenção Especial
A coaptação não deve ser considerada um procedimento simples.
Requer técnica, monitoração frequente e reavaliação contínua para
prevenir complicações graves
Bandagens: Funções e Indicações
As bandagens desempenham múltiplas funções no manejo pós-
operatório e emergencial de pacientes ortopédicos. Sua correta
aplicação é fundamental para evitar complicações e acelerar a recu-
peração.
Proteção e Medicação
Proteção de feridas abertas e veículo para aplicação de medicações
tópicas no pós-operatório.
Compressão e Imobilização
Compressão de tecidos moles edemaciados e imobilização seletiva
de articulações. As mais usadas são a Robert Jones, Ehmer e
Velpeau.
Conforto do Paciente
Aumento do conforto no pós-operatório, redução da dor e preve-
nção de automutilação da ferida cirúrgica
Bandagem Robert Jones - Aplicação (Parte 1)
Passo a Passo- Fase Inicial=compressão e
suporte
1. Preparar o membro aparando os pelos longos
2. Tratar qualquer ferida aberta
3. Aplicar faixas de esparadrapo às faces cranial
e caudal da pata desde o carpo até 15 cm além
dos dedos
4. Enrolar 7 a 15 cm de acolchoamento de
algodão ao redor do membro desde o final dos
dedos até o úmero no terço médio (ou fêmur
no terço médio)
Bandagem Robert Jones Aplicação (Parte 2)
Passo a Passo 4 Finalização
1. .Certificar-se de que as unhas do 3º e 4º dedo
estejam visíveis para monitorar edema distal
2.Enrolar gaze elástica firmemente sobre o algo
dão para comprimi-lo adequadamente
3.Inverter as faixas de esparadrapo e fixá-las à
camada externa da gaze
4.Aplicar fita elástica (Vetrap®) à superfície
exterior como camada final Indicada principalme-
nte no pós-operatório de cirurgias de reconstrução
do ligamento cruzado cranial
Indicada principalmente no pós-operatório de
cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado
cranial
A bandagem Spica é uma bandagem de corpo intei-
ro, que envolve:
o membro afetado + o tórax (ou pelve)
Ou seja: ela não imobiliza só o membro, ela fixa o
membro ao corpo.
Indicação:
• Úmero
• Fêmur
Uso:
• Temporário
• Pós-cirúrgico
Muleta de Thomas
Estrutura rígida de alumio personalizado com o
tamanho do animal
Indicação:
• Fratura de fêmur e tíbia
• Grandes animais, ruminantes, suporte
pós operatório
Função:
• Sustentar
• Tirar peso
Bandagem de Ehmer
Mantém o membro torácico flexionado
Indicação:
Luxação coxofemoral
Mantém:
• Flexão
• Abdução
• Rotação interna
Função:
Evitar apoio
Bandagem de velpeau Indicação:
• Luxação de ombro
• Fratura de escápula
Mantém:
• Membro flexionado no tórax
Função:
Remove apoio
Monitoram:
• Edema
• Circulação
Talas Metálicas em Calha e Coaptação Externa
Uso de talas metálicas em calha
• Indicadas para lesões distais:
• Rádio distal
• Ulna
• Carpo, tarso
• Metacarpos, metatarsos, falanges
Esse tipo de imobilização é externa e serve para
dar suporte ao membro sem cirurgia.
Muito usado em fraturas mais simples ou como
suporte temporário.