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Perspectivas do Serviço Social

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Bia Barroso

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As perspectivas teórico-metodológicas
do Serviço Social
O olhar sobre a gênese do Serviço Social e as concepções teórico-metodológicas na trama das relações
sociais como principais fundamentos da atuação profissional.
Prof.ª Nataly Barros
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer o movimento da influência da Igreja Católica presente na gênese do Serviço Social, bem como a
importância das perspectiva teórico-metodologicas, que já se fizeram presentes na profissão, e a ruptura com
os fundamentos conservadores na apreensão do pensamento crítico dialético é indispensável aos alunos de
Serviço Social, para compreender melhor a constituição de sua carreira.
Objetivos
Analisar as implicações do tomismo, neotomismo e da encíclica papal Rerum Novarum como
expressões do conservadorismo na gênese profissional.
Reconhecer as principais vertentes teórico-metodológicas que marcaram o processo histórico do
Serviço Social no Brasil.
Identificar a incidência do desenvolvimentismo no Brasil e a sua influência para o Serviço Social.
Identificar a relação do materialismo histórico dialético com o Serviço Social.
Introdução
O Serviço Social surge no Brasil no final dos anos de 1930, quando desencadeou o processo de urbanização e
industrialização no Brasil, mas foi só no contexto do desenvolvimentismo que houve a ampliação de novos
campos de atuação e a inscrição de seu reconhecimento legal no mundo do trabalho por meio da
regulamentação profissional. 
Até chegar aos dias de hoje, a profissão já atravessou inúmeras transformações e rompimentos que fizeram
ser o que é atualmente. 
Conhecer a sua história, especialmente com um olhar atento à manifestação das perspectivas teórico-
metodológicas e seus desdobramentos junto às transformações sociais, ainda é tarefa muito importante na
contemporaneidade. 
Por isso, neste conteúdo, entenderemos a influência doutrinária presente na gênese da profissão, a
incorporação de métodos e técnicas advindas do positivismo, do funcionalismo e da fenomenologia, assim
como o rompimento das bases tradicionais proporcionadas pela direção crítico-dialética do marximo.
• 
• 
• 
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1. A influência da Igreja Católica
Tomismo e neotomismo
Tomismo e o neotomismo como fortalecimento da doutrina cristã
A Igreja Católica, na gênese do Serviço Social,
vai ser a responsável pelo processo formativo
das primeiras assistentes sociais brasileiras,
orientando seus objetivos político-sociais, por
meio de embasamentos de cunho humanista
conservador, que seguiam em busca da
recuperação da hegemonia do pensamento
social da Igreja em virtude dos “problemas
sociais”.
A base da formação para o Serviço Social era inspirada na
Doutrina Social Católica, que tinha como principal inspiração
as referências trazidas pelo Santo Tomás de Aquino (século
XIII) e que fora reforçada com o uso de encíclicas papais,
como a Rerum Novarum, escrita pelo papa Leão XIII em
1891.
Assim, devemos saber que a partir da situação de extrema
pobreza e exploração, decorrente do avanço da
industrialização acelerada no curso do desenvolvimento
capitalista, a Igreja Católica passou a se posicionar em
defesa dos oprimidos, tendo em vista seu principal lema de guiar os homens à obtenção da felicidade por
meio da aceitação divina.
Porém, para entendermos isso, primeiro devemos nos perguntar: o que foi o tomismo?
O tomismo foi um conjunto de doutrinas teológicas e filosóficas, criado no século XIII, pelo frade italiano
Tomás de Aquino (São Tomás de Aquino). O pensamento propagado por esse filósofo sofreu influência de:
Platão Santo Agostinho
Aristóteles
Gradualmente São Tomás de Aquino tornou-se muito importante, a ponto de marcar toda a filosofia medieval.
Entretanto, o mérito de sua filosofia reside exatamente na conciliação do pensamento racional de Aristóteles
com o cristianismo.
Nesse contexto, Tomás de Aquino, conhecido como um grande conselheiro da Igreja, mostra Aristóteles não
como um vilão aos fiéis, mas como um aliado para racionalizar a filosofia cristã. Esse processo dividiria ainda
mais o argumento entre fé e razão.
Para Aquino, a razão seria uma “obra de Deus”
que só poderia ser alcançada por meio da fé.
Assim, uma de suas ideias centrais seria a
rejeição do absoluto antagonismo entre a razão
e a fé.
 
Pois, para ele, existiriam as “verdades da fé”,
alcançáveis apenas por meio da revelação
cristã, às quais não se poderia chegar por meio
da razão. Segundo a ética tomista só há
conflito entre a razão e a fé, em um uso
incorreto da primeira. Logo, para se entender é
preciso crer.
A visão tomista em relação ao Estado (AGUIAR, 1995) teria como pressuposto o fato de ele ser regido pela lei
natural, a lei dos homens e a lei de Deus. O tomismo apresenta o Estado como a autoridade que garante o
bem comum. Com isso, Aquino mostra que o homem é um “animal político” e, para viver em harmonia entre
seus iguais é preciso haver a intervenção do Estado como veículo de autoridade. Logo, como toda forma de
autoridade deriva de Deus, respeitar a autoridade é respeitar Deus. Assim, em senso de coerência e equilíbrio,
o Estado deve respeitar a Igreja, rompendo o conflito entre fé e razão.
Depois de marcar por muito tempo a história filosófica do homem, o tomismo perde um pouco sua força, e só
no final do século XIX e início de século XX retorna à racionalidade moderna.
A Igreja Católica (ORTIZ, 2007) resgata a filosofia tomista
objetivando uma aproximação com o novo modo de
produção e modelo de sociedade que estava emergindo.
Com a ameaça de seu poder hegemônico no plano
ideológico, sociopolítico e cultural, causado pela ascensão
da racionalização moderna, a instituição busca redirecionar
seu posicionamento e orientar não só seu corpo clerical e
laicato, mas a sociedade como um todo, com a atualização
dos princípios do pensamento de São Tomás de Aquino, os
quais também serão visíveis em suas encíclicas. Tal
movimento ficou conhecido como neotomismo.
O papa Leão XIII (AGUIAR, 1995) irá propor a restauração da
filosofia tomista. Os ensinamentos tomistas tinham a função
de ir além do círculo eclesiástico, atingindo também o laicato social – visto como movimento católico leigo,
porque além de padres, formava também homens políticos, diretores de obras sociais, entre outras
personalidades importantes da época –, com a formação da intelectualidade voltada à recristianização da
sociedade. Tudo em nome da consagração neotomista que visava ao enfrentamento não só do paganismo,
como de “ideologias perturbadoras” vindas do comunismo e do liberalismo.
Encíclica Rerum novarum
Encíclica papal Rerum Novarum e a classe trabalhadora
Em 1891, quando a Rerum Novarum foi escrita, o mundo presenciava a Revolução Industrial, que se espalhava
por toda a Europa, pela América e pelos demais continentes. Com isso, a indústria de bens de produção
passou a se desenvolver, o transporte se modificou, novas formas de energia surgiram, entre outras
transformações que mudaram drasticamente a vida de todos.
Diante dessas circunstâncias, a Igreja sentiu-se
desafiada a lutar em defesa da classe operária,
mas principalmente, por medo de que os
operários reivindicassem sua condição social,
buscando preceitos comunistas ou socialistas.
Foi assim que surgiu a Rerum Novarum, escrita
pelo papa Leão XIII, em 15 de maio de 1891.
A Rerum Novarum elucidou diversas críticas
sobre as expressivas condições de
desigualdade social impostas pela vida
industrial.
Como ponto de partida, essa encíclica exerceu um papel fundamental na construção do fortalecimento da
doutrina social da Igreja. Ela foi a primeira expressão do magistério social da Igreja e, por isso, tornou-se
referência para as próximas encíclicas sociais que a seguiram, por exemplo:
1931
Quadragesimo Anno
de Pio XI.
1971
Octogesima Adveniens
de Paulo VI.
1991
Centesimus Annus
de João Paulo II.
É importante destacarmos o seguinte:
A Rerum Novarum (AGUIAR, 1995) ao se referir ao sistema capitalista, leva em conta não as suas
condições estruturais que geram diretamente as desigualdadesda Virada em tempos de conservadorismo reacionário.
Rev. katálysis, Florianópolis, v. 23, n. 2, p. 199-212, maio/ago. 2020.
 
NETTO, José Paulo. Ditadura e Serviço Social: Uma análise do Serviço Social no Brasil pós-64. 15. ed. São
Paulo: Cortez, 2010.
 
ORTIZ, F.S.G. O Serviço Social e sua imagem: avanços e continuidades de um processo em construção. 2007.
Tese (Doutorado em Serviço Social) – Programa de Pós-graduação em Serviço Social, Escola de Serviço
Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.
 
ROTTA, Edemar; REIS, Carlos Nelson dos. Desenvolvimentismo e políticas sociais: apontamentos para o
debate em curso. In: ANAIS DO VIII SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE DESENVOLVIMENTO REGIONAL.
Santa Cruz do Sul, RS: EDUNISC, 13 a 15 set. 2017.
 
YAZBEK, Maria Carmelita. O significado sócio-histórico da profissão. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO
SOCIAL; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO E PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL (org.). Serviço Social:
direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS; ABEPSS, 2009.
	As perspectivas teórico-metodológicas do Serviço Social
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. A influência da Igreja Católica
	Tomismo e neotomismo
	Tomismo e o neotomismo como fortalecimento da doutrina cristã
	Platão
	Santo Agostinho
	Aristóteles
	Encíclica Rerum novarum
	Encíclica papal Rerum Novarum e a classe trabalhadora
	Quadragesimo Anno
	Octogesima Adveniens
	Centesimus Annus
	Saiba mais
	Ação Social Católica
	O Serviço Social como departamento da Ação Social Católica
	Primeira Escola de Serviço Social no Brasil
	Conteúdo interativo
	Movimentos operários
	Surgimento das instituições assistenciais
	Ação Social Católica
	Saiba mais
	Rerum Novarum (1891)
	Quadragesimo Anno (1931)
	Vem que eu te explico!
	Conhecimentos religiosos e as Ciências Sociais
	Conteúdo interativo
	Rerum Novarum e direito dos trabalhadores
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. As influências do positivismo, funcionalismo e da fenomenologia
	Positivismo e Serviço Social
	Teoria social positivista e o Serviço Social
	Exemplo
	Resumindo
	Funcionalismo e Serviço Social
	Análise funcionalista e Serviço Social
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Fenomenologia e Serviço Social
	Atenção
	Vem que eu te explico!
	Positivismo e Ciências Sociais
	Conteúdo interativo
	Fenomenologia e Ciências Sociais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Serviço Social e desenvolvimentismo
	Desenvolvimentismo e as políticas sociais
	O papel das políticas sociais
	Exemplo
	Saiba mais
	Instituições assistenciais
	Emergência das instituições assistenciais
	Saiba mais
	Atualização profissional
	Busca da atualização profissional
	Da influência franco-belga à norte-americana
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Serviço Social de Caso
	Serviço Social de Grupo
	Serviço Social de Comunidade
	Saiba mais
	Vem que eu te explico!
	Desenvolvimentismo no Brasil
	Conteúdo interativo
	Assistencialismo e Sociedade
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Serviço Social e a perspectiva crítico-dialética
	Materialismo histórico dialético
	Dialética
	Ruptura do conservadorismo
	Serviço Social e a ruptura com o conservadorismo
	Modernização conservadora
	Reatualização do conservadorismo
	Intenção de ruptura
	Saiba mais
	Maturidade da profissão
	Maturidade intelectual do Assistente Social
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	Perspectiva crítico-dialética
	Perspectiva crítico-dialética e Serviço Social
	Exemplo
	Vem que eu te explico!
	Materialismo histórico diálético
	Conteúdo interativo
	Leituras marxistas e marxianas
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciassociais, mas leva seu enfoque
apenas para a “condição dos operários”.
Na carta aberta da Rerum Novarum, o papa Leão XIII faz uma análise a respeito do momento em que a
sociedade estava vivendo, criticando as duras condições de trabalho dos operários, mas ao mesmo tempo
não apoiava o socialismo, o comunismo e o liberalismo como a saída para esse problema. Entretanto, apoiava
e incentivava a população trabalhadora a criar sindicatos, com o intuito de conseguirem melhores condições e
remunerações.
Por isso, durante toda a encíclica, o papa propõe soluções que não excluem nem condenam os patrões e o
Estado, visto pedir aos trabalhadores que continuem sendo fiéis e dando o seu melhor na indústria, mas que
seus gestores os tratem dignamente, com um bom salário, com respeito e sendo toleráveis.
Saiba mais
A exploração do trabalho não poderia ser conduzida em excesso para não romper a dignidade do
trabalhador. Ou seja, havia a preocupação em ajustar/regular a vida dessas pessoas, mas não em
transformar sua situação! 
Não é à toa que os princípios firmados pela Rerum Novarum foram resgatados e aprofundados pelas próximas
encíclicas sociais.
Ação Social Católica
O Serviço Social como departamento da Ação Social Católica
Primeira Escola de Serviço Social no Brasil
Veja o contexto histórico e a influência internacional para o surgimento da Primeira Escola de Serviço Social no
Brasil.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Veja um pouco da trajetória do surgimento do Serviço Social no Brasil:
Entre 1917 e 1921
Movimentos operários
No Brasil, vemos o surgimento e a expansão de grandes movimentos operários que manifestavam as
duras condições em que viviam como classe trabalhadora, alertando sobre a questão social e
promovendo um chamado para sua resolução.
1920
Surgimento das instituições assistenciais
Nesse contexto, surgem as primeiras instituições assistenciais, como a Associação das Senhoras
Brasileiras (1920), no Rio de Janeiro, e a Liga das Senhoras Católicas (1923), em São Paulo,
promovendo uma preocupação maior sobre as formas tradicionais de ajuda e caridade e
possibilitando o planejamento de obras assistenciais mais amplas, consistentes e com maior
eficiência técnica.
1922
Ação Social Católica
Surgiu a Confederação Católica, responsável pelas bases materiais, organizacionais e humanas para a
expansão da Ação Social Católica, por meio da centralização política e do auxílio junto ao laicato
social (aqueles que assumem uma posição de atuação no âmbito social, que embora sejam cristãos,
não possuem cargos religiosos, chamados de também de leigos). Isso vai representar uma importante
influência para as instituições assistenciais pioneiras e consequentemente para o surgimento das
primeiras escolas de Serviço Social no país.
A partir de então, as primeiras iniciativas sociais serão multiplicadas, desenvolvendo-se dentro do movimento
de Ação Social Católica – regido pela articulação de diferentes iniciativas, destinadas a organizar a juventude
católica para ação social voltada ao operariado e suas famílias, como a Juventude Operária Católica (JOC),
ramificando organizações semelhantes ao atendimento de outras iniciativas sociais, como a Juventude
Feminina Católica (JFC), Juventude Universitária Católica (JUC), entre outros segmentos, que agirão em
coesão junto ao Estado.
Saiba mais
Esse processo foi de suma importância para a influência da Doutrina Social da Igreja nas dimensões
teórico-metodológicas e ético-políticas no surgimento do Serviço Social em suas protoformas –
primeiras formas de atuação profissional: os elementos da doutrina religiosa serviriam como principal
suporte ao Estado burguês no controle social. 
No ano de 1932 (YAZBEK, 2009) é criado o Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), que buscava uma
qualificação especializada para difundir a doutrina cristã com uma programação sobre filosofia, moral,
legislação do trabalho, encíclicas etc., tornando-se o responsável para o surgimento da primeira escola de
Serviço Social no país:
O Centro surge após um curso intensivo de “formação social para moças”, organizado pelas Cônegas de
Santo Agostinho de 1º de abril a 15 de maio de 1932. 
(YAZBEK, 2009, p. 7)
O curso contou com o direcionamento de Adèle de Loneux, professora da Escola Católica de Serviço Social,
na Bélgica, em sua programação teórico-prática, que encontrou grande aceitação entre as jovens católicas
brasileiras.
Essa orientação ocorre em um momento em que a Igreja Católica mobiliza o laicato social, a partir das
diretrizes das encíclicas (que assumiam um posicionamento antiliberal e antissocialista): 
Rerum Novarum (1891) Quadragesimo Anno (1931)
Em 1936 (YAZBEK, 2009), inaugura-se a primeira escola de Serviço Social no Brasil, vinculada à Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mas ainda em caráter de curso técnico. Essa escola vai ser
fundamentada nos valores da Igreja Católica sob a influência europeia, especialmente por meio do intercâmbio
de influências importadas da França e da Bélgica, que tinham como base os princípios conservadores
tomistas e neotomistas.
Os referenciais orientadores do pensamento e da ação do emergente Serviço Social brasileiro têm sua
fonte na Doutrina Social da Igreja, no ideário franco-belga de ação social e no pensamento de São
Tomás de Aquino (séc. XII): o tomismo e o neotomismo (retomada em fins do século XIX do pensamento
tomista por Jacques Maritain na França e pelo Cardeal Mercier na Bélgica tendo em vista "aplicá-lo" às
necessidades de nosso tempo). 
(YAZBEK, 2009, p. 8)
Os primeiros assistentes sociais (AGUIAR, 1995) idealizavam um processo educativo, conduzido pelos
elementos da perspectiva neotomista, que orientava uma atuação individualizada sobre o sujeito da classe
trabalhadora, interpretando a questão social como uma questão moral. Tal interpretação seria a busca de
condições de sair da situação de desajuste e passaria a enxergar condições normais de sociabilidade, por
meio de seu esforço próprio, como um conjunto de problemas sob a responsabilidade individual dos sujeitos.
Essa perspectiva neotomista perdurou hegemônica no Serviço Social desde sua emergência até meados da
década de 1960.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Conhecimentos religiosos e as Ciências Sociais
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Rerum Novarum e direito dos trabalhadores
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sabe-se que o Serviço Social, em sua gênese, sofreu influência direta da Igreja Católica, sobretudo das ideias
da filosofia de São Tomás de Aquino (tomismo e neotomismo), sobre isso analise as alternativas a seguir: 
I - Os princípios do neotomismo eram diferentes daqueles apresentados na carta feita pelo Papa Leão XIII,
pelo documento pontífico Centesimus Annus. 
II - De acordo com o neotomismo, os assistentes sociais deveriam assumir uma postura humanizada e
religiosa para que educassem e os trabalhadores, a fim de diminuir o caos provocado pelo avanço de ideias
como o comunismo e o liberalismo. 
III - O neotomismo veio para fortalecer as ideias do tomismo, em que São Tomás de Aquino acreditava que a
fé superior, oposta à razão, deveria guiar as decisões gerais de uma sociedade. 
IV - O tomismo tinha a função de ir além do círculo eclesiástico e formar, não só padres, mas também
magistrados, homens políticos, diretores de obras sociais. Esses progressos foram chamados de neotomismo. 
V - Com relação à condição social dos sujeitos, as primeiros assistentes sociais idealizavam um processo
educativo firmado, sobretudo, a partir de dois atributos constitutivos neotomista da pessoa humana: a
inteligibilidade e a liberdade. 
Das afirmativas acima
A
somente II, IV e V são verdadeiras.
B
somente II, III e V são verdadeiras.
C
somente III é falsa.
D
somente II e IV são verdadeiras.E
somente IV e V são falsas.
A alternativa A está correta.
A encíclica Rerum Novarum, escrita pelo papa Leão XIII, foi modela para reafirmação dos princípios
neotomistas, que promoveram a educação da doutrina católica para além dos muros da Igreja atingindo
diversos outros segmentos. Vieram para fortalecer as ideias do tomismo, que direcionava uma harmonia
entre a fé e a razão, tornando-se também uma tendência para o "esteio moral" que garantiria a obediência
aos "verdadeiros valores" da sociedade longe de "ideias perturbadoras", como o comunismo e o liberalismo
e enxergava o sujeito como um sujeito capaz de resolver seus próprios problemas, promovendo uma falsa
sensação de liberdade.
Questão 2
Sabendo que a Igreja Católica teve influência direta na origem do Serviço Social no Brasil, na primeira metade
do século XX, assinale a alternativa que afirma qual era o posicionamento dos religiosos da época, tomando a
encíclica Rerum Novarum do papa Leão XII, a respeito das condições trabalhistas:
A
A Igreja Católica, junto com o Estado, incentivava o trabalho contínuo dos operários nas fábricas.
B
A Igreja Católica era contra a instauração do socialismo, mas ao mesmo tempo tecia críticas sobre a posição
do capitalismo, no qual os patrões exploravam os trabalhadores.
C
A carta do Papa Leão XIII foi uma forma da Igreja Católica demonstrar apoio à instauração do modelo
mercadológico, o capitalismo.
D
A Igreja Católica não era contra os dois movimentos que estavam surgindo nessa mesma época – o
comunismo e o liberalismo.
E
A encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, foi elaborada em 1931, quando o mundo presenciava a
Revolução Industrial.
A alternativa B está correta.
Na inscrição do referido contexto histórico, a Igreja Católica retoma os argumentos trazidos pela encíclica 
Rerum Novarum (1891) para servirem como reforço no processo de justificativas que pensava as duras
condições da classe trabalhadora, indo contra os excessos trabalhistas que colocavam os trabalhadores
em posição semelhante à escravidão. Por isso, incentiva a criação de sindicatos como forma desses
trabalhadores lutarem por melhores condições trabalhistas, uma solução que não exclui, nem condena os
patrões e o Estado. Além disso, a Igreja era contra os dois movimentos que estavam surgindo (comunismo
e liberalismo).
Templo Positivista em Porto Alegre
2. As influências do positivismo, funcionalismo e da fenomenologia
Positivismo e Serviço Social
Teoria social positivista e o Serviço Social
O principal precursor da corrente teórica
positivista foi o filósofo francês August Comte
(1798-1857). Comte foi o primeiro pensador a
identificar que a sociedade deveria servir como
um objeto de estudo e criou a Sociologia
(inicialmente entendida como física social)
como metodologia investigativa, que estudava
a “evolução social” da sociedade por meio de
“fatos naturais”.
Exemplo
A desigualdade social não seria uma questão a ser problematizada, visto que a existência de ricos e de
pobres atendia a uma linha de “evolução natural”. 
Do mesmo modo, o processo de dominação e extermínio de povos, como a escravidão e o nazismo, por essa
ótica, seriam aceitos, com um pensamento “racional” e “natural” de superioridade de um grupo em detrimento
a outro.
No Brasil (YAZBEK, 2009), o positivismo teve forte influência
para o Serviço Social, especialmente no contexto da década
de 1940. A criação e o desenvolvimento de instituições
assistenciais estatais foram pensadas a partir da
importação das técnicas positivistas já bastante espalhadas
pela Europa e América do Norte, (e que posteriormente vai
funcionar como primeiro suporte teórico-metodológico) na
construção intelectual para explicar a realidade como forma
de acalmar possíveis manifestações e revoltas daqueles que
exigissem algum tipo de melhoria de vida.
Com base no pensamento positivista, aquele que não se
encaixasse na sociedade seria visto como vândalo, vadio,
degenerado, logo, precisaria ser ajustado e corrigido. Pois,
para que não houvesse uma decadência da sociedade
como um todo, o ideal seria que tudo permanecesse como
estava, ou seja, para haver o progresso, a ordem deveria ser estabelecida/preservada.
Essa situação causa uma interpretação que transfere toda problemática para o indivíduo e o culpabiliza pela
sua condição de pobreza e miséria, naturalizando a ausência e a carência de seus direitos como sujeito. Nesse
sentido, era preciso haver uma mão de obra especializada que tratasse tais “problemas sociais” e a burguesia
(classe dominante) logo buscou no assistente social o papel de assistir e garantir o controle da classe
proletária.
Resumindo
Ainda que o Serviço Social tivesse em sua gênese o suporte na corrente filosófica neotomista (que traz
os princípios da dignidade da pessoa humana e do bem comum inspirados na filosofia de São Tomás de
Aquino), o Estado respeitou a Igreja, não havendo conflito sobre os embasamentos iniciais. 
Poderíamos nos perguntar:
Por que tal profissão, inicialmente embasada em uma filosofia firmada em princípios divinos para o
olhar da sociedade, encontraria suporte técnico no pensamento da teoria positivista de cunho
científico/racional?
A reposta segue na direção de que o progresso não poderia existir sem a preservação da ordem –
conservadora de cunho doutrinário e moral.
Nesse contexto, a legitimação profissional do Serviço Social, na intenção de ampliar seus referenciais técnicos
(YAZBEK, 2009) aliava o discurso humanista cristão com o suporte técnico-científico inspirado na teoria social
positivista, que em sua apreensão manipuladora, analisava a questão social como fatos (dados) que se
apresentavam em sua objetividade e imediaticidade.
Funcionalismo e Serviço Social
Análise funcionalista e Serviço Social
Veja a importância histórica da análise funcionalista na constituição do Serviço Social no Brasil e suas
contradições internas, pela concepção atual da profissão.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Como principal filamento da matriz positivista,
surge o funcionalismo. Essa “filha” do
positivismo terá maior preocupação em
descrever como de fato a sociedade funciona,
ao ampliar a visão positivista de organismo
social por meio de “estruturas sociais” e
“funções”, na intenção de seguir uma análise
sistêmica, formada por diferentes partes – tipos
de instituições. 
Assim como a teoria funcionalista/positivista
(de forma articulada) prezava pela garantia e
manutenção do sistema social, a Igreja, junto aos setores da burguesia usavam dos mesmos discursos, para
atribuir o capitalismo como um sistema integrado. Tudo seria funcional, ou seja, em todas as relações (sociais,
econômicas, culturais, políticas etc.), cada atuação seria lida de modo isolado e pontual. 
Desse modo, para que o sistema existisse em harmonia, a classe trabalhadora (ainda que fosse atormentada
por sua condição de pobreza e exclusão social) deveria cumprir sua função, permanecendo como tal e, com
isso, a burguesia cumpriria aquilo que lhe era predestinado (ser a classe dominante e dona dos meios de
produção). 
A interpretação funcionalista, a partir dessa visão, percebia as relações sociais como algo
estancado, em que cada um deveria cumprir seu papel em paz, para que não houvesse nenhuma
condição de revolta de uma classe sobre a outra, impedindo conflitos no sistema em geral.
Lembrando que esse tipo de explicação seria lida como “lógica” e “racional”, sustentada no
positivismo. 
Os fundamentos do funcionalismo (FALEIROS, 2011) servem as perspectivas do equilíbrio das tensões, na
unificação social de todos os papéis e comportamentos dos sujeitos. Defende o bom funcionamento social,
que tem como base o sistema capitalista como dominante e próprio da sociedade, e seus valores de
adaptação sendo sistêmicos e normais. 
Nesse sentido, a posição neutra do assistente social estaria associada à neutralidade do funcionalismo, logo,
esse profissional (considerado como um agente técnico) atenderia a manutenção direta da ordemvigente
capitalista e sua atuação caberia apenas na ideia de ajustar e ajudar o indivíduo pobre, que deveria se
conformar com sua condição.
Atenção
Ainda que houvesse a importação de técnicas positivistas/funcionalistas no modo como o Serviço Social
era trabalhado - Caso, Grupo e Comunidade - como formas de orientações sobre o agir profissional que
direcionava seu foco desde o sujeito isolado (caso) até seu aprofundamento nas necessidades
comunitárias, a profissão só viria problematizá-las de fato, (como teoria e método próprios) no
Movimento de Reconceituação – quando ocorreu a reformulação de suas bases tradicionais. 
A discussão que envolve o positivismo/funcionalismo ocorre especialmente na primeira fase do movimento,
chamada de modernização conservadora e debatida em dois seminários organizados pelo Centro Brasileiro de
Cooperação e Intercâmbio de Serviço Social (CBCISS):
Seminário de Araxá, em 1967, em que há uma discussão sobre a aplicação de uma teoria própria para o
Serviço Social.
Seminário de Teresópolis, em 1970, no qual houve a busca de uma metodologia própria para o Serviço
Social, ou seja, pensou-se a teoria e sua interlocução com a prática.
Como nada acontece de maneira isolada no universo das relações sociais, é importante e necessário saber
que esse processo acontece em um contexto de “expansão do capitalismo mundial, que impõe à América
Latina um estilo de desenvolvimento excludente e subordinado” (YAZBEK, 2009, p. 6).
Isso faz com que a profissão passe por uma revisão global, assumindo as inquietações e insatisfações desse
momento histórico, com vistas a discutir e reconfigurar sua ação, exclusiva no olhar para indivíduos, grupos e
comunidades, para ampliar, rediscutir e modernizar esse enfoque a um “novo” Brasil.
Fenomenologia e Serviço Social
O estudo da fenomenologia no Serviço Social surge como uma vertente de confronto ao positivismo/
funcionalismo, por considerá-lo como uma corrente de pensamento limitada, com esgotamento em sua
capacidade explicativa, na qual trabalha o sujeito social apenas como um dado, um objeto, ficando ausente do
discurso da subjetividade como fundante da experiência pessoal:
• 
• 
É nesse contexto de busca de alternativas que se insere a fenomenologia, como ciência do vivido, ou
fenomenologia existencial.
(CAPALBO, 1991, p. 24)
O fundador dessa corrente foi o filosofo alemão Edmund Husserl (1859-1938). Ele defende que a
subjetividade, explicada pela vertente fenomenológica, vai considerar que a consciência humana tem
intencionalidade, ou seja, todos os atos da consciência podem ser dirigidos a objetos (sejam materiais ou
ideais). 
Edmund Husserl
Entenda essas duas perspectivas:
O debate da fenomenologia no Serviço Social iniciou-se com dois seminários, também organizados pelo
Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviço Social (CBCISS):
Seminário de Sumaré, em 1978.
Seminário do Alto da Boa Vista, em 1984.
No entanto, ao contrário dos seminários de Araxá e Teresópolis, os seminários de Sumaré e Alto da Boa Vista
não contaram com significativa produção acadêmica sobre eles: é muito comum que autores clássicos do
Serviço Social façam abordagens deles de forma conjunta.
Contudo, o que nos interessa saber é que tais seminários estão localizados na segunda fase histórica do já
mencionado Movimento de Reconceituação do Serviço Social, em suma, no processo de reatualização do
conservadorismo. 
Mas o que isso quer dizer?
Ao tomar como guia a corrente fenomenológica, o Serviço Social (NETTO, 2010) faz um anacronismo, ou seja,
uma leitura do tempo presente com as lentes do passado. 
Atenção
A profissão se insere como uma prática no campo psicossocial, de moralização e psicologização dos
sujeitos pautada sobretudo em uma ética cristã. 
Nesse momento (NETTO, 2010), além da discussão que girava em torno da fenomenologia, também se
discutia o caráter da cientificidade da profissão e o debate sobre a dialética, embora não se tratasse ainda do 
materialismo histórico dialético, presente na tradição marxista.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
No Serviço Social 
Seria como se o assistente social, com
argumentos convincentes e positivos ao
sujeito e uma metodologia baseada no
diálogo, guiasse o indivíduo na busca de uma
transformação social, apontando como saída
apenas seu esforço consciente para que sua
realidade pudesse se converter em uma vida
melhor.
No mundo contemporâneo 
Assistente social como um simples 
coaching motivacional, ou seja, aquele
que ajuda as pessoas a desenvolverem
um pensamento positivo e otimista para
alcançarem seus objetivos. Logo, seria
uma leitura sem nenhuma
materialidade para o sujeito, por não
levar em conta os diversos trânsitos que
o atravessam, em seu contexto político,
econômico, social, cultural etc.
• 
• 
Positivismo e Ciências Sociais
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Fenomenologia e Ciências Sociais
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A respeito da história e das influências teórico-metodológicas do Serviço Social no Brasil, analise as
afirmativas a seguir e depois faça o que se pede: 
I - O primeiro suporte teórico-metodológico utilizado pelo Serviço Social foi apoiado na vertente neotomista,
inspirado nas teorias de Auguste Comte. 
II - Inicialmente, o serviço social brasileiro manteve relação com a Igreja Católica e assumiu caráter
conservador, calcado na teoria social positivista. A partir dos anos 1950, passou a ser influenciado pelo
serviço social norte-americano, fundamentado em pensamento de cunho liberal. 
III - No Movimento de Reconceituação do Serviço Social não houve a superação de todas as formas de
conservadorismo no âmbito da categoria profissional. 
IV - Com a importação da influência positivista/funcionalista sobre o Serviço Social de Caso, Grupo e
Comunidade, a desigualdade social ainda não era lida como verdadeira expressão da “questão social”. 
V - É na construção dos seminários de Araxá (1967) e Teresópolis (1970), inseridos no Movimento de
Reconceituação do Serviço Social, que ocorre a reformulação das bases tradicionais da profissão, fundadas
no neotomismo. 
Das afirmativas acima
A
somente III, IV e V são verdadeiras.
B
somente I e V são verdadeiras.
C
somente I, II e IV são verdadeiras.
D
somente I, III e V são verdadeiras.
E
somente IV e V são verdadeiras.
A alternativa A está correta.
O primeiro suporte teórico-metodológico para o Serviço Social foi o positivismo, particularmente em sua
orientação funcionalista. O neotomismo não é uma teoria ou uma metodologia, mas diz respeito a uma
doutrina que caracteriza-se por ser uma visão de mundo fundada na fé em dogmas. Foi a partir da década
de 1940, que a profissão passou a ser influenciada pelo serviço social norte-americano, fundamentada pelo
pensamento positivista.
Questão 2
Em relação à reatualização do conservadorismo dentro do Movimento de Reconceituação do Serviço Social
brasileiro e à vertente fenomenológica, assinale a alternativa correta:
A
A fenomenologia é a corrente que funciona como um complemento da corrente positivista. Por tratar-se de
duas matrizes do pensamento, articuladas e convergentes, elas dão a completa compreensão sobre o real.
B
A reatualização do conservadorismo representa um retrocesso do ponto de vista teórico-metodológico. Trata-
se de um anacronismo, por compreender o tempo presente, mas se utilizar das lentes e visões que a profissão
possui sobre o passado.
C
Os seminários de Sumaré e Alto da Boa Vista, que fazem parte do Movimento de Reconceituação do Serviço
Social, possuem bastante expressividade, por isso, encontra-se vasta literatura e produção teórico/intelectual
sobre tais eventos.
D
A fase da reatualização do conservadorismo no Serviço Social é percebida apenas pela discussão da
fenomenologia.
E
A reatualização do conservadorismo, coroada comos seminários de Sumaré e Alto da Boa Vista, marcam a
ruptura com o tradicionalismo e conservadorismo tão presentes na história da profissão. É a partir desses
seminários que a profissão muda radicalmente a compreensão sobre o real e suas contradições, abraçando o
método crítico-dialético de Marx.
A alternativa B está correta.
A fenomenologia é um dos ingredientes que marcam a fase da reatualização do conservadorismo no
Serviço Social. Surge na intenção de combater o raciocínio do pensamento positivista por levar em conta as
subjetividades do sujeito. É um momento de retorno às bases conservadoras da profissão, de cunho
confessional, que aparentemente já teriam sido superadas. Nesse momento, também, ocorre a discussão
sobre a cientificidade do Serviço Social e a leitura sobre a dialética, mas ainda não era uma leitura marxista,
por não reconhecer as contradições do sistema capitalista.
3. Serviço Social e desenvolvimentismo
Desenvolvimentismo e as políticas sociais
O papel das políticas sociais
O processo do desenvolvimentismo no Brasil
acompanha o percurso das transformações
sociais e é efetivado no contexto da República
Populista (iniciada pouco depois do fim do
Estado Novo da Era Vargas), marcada pelo
período de 1946-1964.
 
Trata-se de uma racionalização da política
econômica e proposta ideológica, que surge
como uma intervenção de crescimento
econômico acelerado, continuado, a fim de
superar o atraso do subdesenvolvimento.
Para isso, foram apresentadas propostas
deliberadas da ação do Estado, que consagravam um projeto nacionalista que visava superar as
desigualdades regionais (com um direcionamento positivista/funcionalista, em que a sociedade devia ser lida
dentro de uma perfeita integração, não questionada) e que devia caminhar em direção ao progresso, o que
viria pelo desenvolvimento da indústria. 
Assim, o forte incentivo à indústria se apresentava como principal norte para acelerar o crescimento
econômico e conduzir a transformação da sociedade.
Com o governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira no
período de 1956-1961, temos o auge do nacional
desenvolvimentismo no Brasil. Seu famoso Plano de Metas
e a idealização de fazer o país crescer “Cinquenta anos em
Cinco” apresentava medidas que propunham a aliança entre
o Estado, a iniciativa privada e o capital estrangeiro para
alavancar o processo do desenvolvimento do país.
Aliado ao discurso desenvolvimentista, havia um forte
discurso nacionalista, herdado do populismo da Era Vargas.
Exemplo
O núcleo central da gestão de Juscelino Kubitschek foi o autoinvestimento no setor automobilístico e em
indústrias de bens de consumo, como eletrodomésticos, rádios, entre outros. Todos fabricados com o
auxílio do capital estrangeiro, o que contribuiu fortemente com a dívida pública do Brasil. 
Construção da Esplanada dos Ministérios em 1959.
No governo de Juscelino Kubitschek, tivemos a
mudança da nova capital para Brasília, e a
construção de rodovias federais que ligavam
Brasília às capitais estaduais. Foi o momento de
maior êxodo rural do país, o que refletiu no
aumento de sequelas severas, decorrentes do
agravamento da exploração da força de
trabalho, devido à alta demanda do número de
migrantes e as péssimas condições de acesso
a recursos básicos do proletariado urbano.
 
Nesse sentido, as políticas sociais se mostram
como uma configuração que iria auxiliar as
necessidades do processo de urbanização.
Mas os aspectos sociais vão aparecer como
complementares ou decorrentes das metas econômicas:
A visão de desenvolvimento dominante entendia que o crescimento econômico, por si só, traria
melhorias generalizadas nas condições de vida da população. 
(ROTTA; REIS. 2017, p. 7)
Na consolidação do projeto de desenvolvimentismo (ROTTA; REIS, 2017), as políticas sociais constituíram-se
em importantes estratégias para fortalecer o controle dos conflitos sociais e de cooptação dos sujeitos e
movimentos sociais. 
Saiba mais
Esse projeto visava à promoção de fortes mudanças na estrutura econômica e social do país, e os
conflitos provenientes da luta pela melhoria da condição da classe trabalhadora deveriam ser
controlados, para não causarem mais prejuízos aos setores dominantes. 
Nesse cenário, destacamos a análise e a discussão a respeito da educação no Brasil, pois, ainda que não
fosse levada a sério como deveria, visto que ocupou o último lugar no quadro do Plano de Metas de Juscelino
Kubitschek, assumiu um papel estratégico no projeto desenvolvimentista, como essencial para viabilizar a
formação da mão de obra.
Cabia à educação responder às necessidades de qualificação profissional, especialmente na área tecnológica,
contribuindo para a elevação da escolaridade da população, para a formação de uma mentalidade receptiva e
aberta ao processo de modernização exigido, e para o direcionamento de novos comportamentos compatíveis
a essa nova realidade.
Instituições assistenciais
Emergência das instituições assistenciais
Desde o contexto histórico do Estado Novo
implantado na Era Vargas, é possível saber que,
diante das necessidades dos primeiros passos
do processo de industrialização e de
enquadramento da população urbana, o
surgimento e o desenvolvimento de instituições
assistenciais fazem parte do projeto reformador
implementado pelo Estado.
Saiba mais
As instituições assistenciais seriam responsáveis por incorporar as reivindicações de diferentes setores,
inclusive dos populares, para apresentá-los como fonte da legitimação para fortalecer a estrutura
corporativista, ao mesmo tempo em que neutralizava os componentes revolucionários dos setores
populares. 
Essas instituições assistenciais vão então gerir e ampliar a organização e a prestação de serviços sociais,
como um novo tipo de enfrentamento da questão social. É uma maneira indispensável de garantir os níveis de
produtividade da força de trabalho, necessários à expansão capitalista.
Como exemplo desse processo, podemos citar as seguintes instituições:
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em 1942;
Serviço Social da Indústria (Sesi) em 1946;
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em 1946;
Fundação Leão XIII, em 1946, uma instituição assistencial criada para atuar junto às populações das
favelas, que já eram os locais onde se concentravam os maiores índices de pobreza urbanos.
É importante considerarmos a nossa análise de tais instituições, porque elas serão as grandes responsáveis
por absorver e ampliar o mercado de trabalho para os trabalhadores especializados no trato com as
“populações carentes e marginalizadas”, ou seja, o assistente social.
Esse profissional aparece como trabalhador assalariado, já
com uma forte relação com as políticas sociais do Estado,
implementadas por essas entidades estatais, e deixa de
lado sua ação baseada em pequenas obras caridosas e
assistenciais, que assistiam uma parcela ínfima de pessoas
em miserabilidade. O assistente social passa a ter suporte
em um aparato estatal e jurídico, tendo a amplitude da
prática institucionalizada em atender grandes segmentos
do proletariado.
Esse período representou o momento em que a profissão
pôde romper com o quadro de sua origem no bloco católico.
Contudo, isso não significou um desligamento total com a
gênese católica que a profissão carregava, sabendo que,
• 
• 
• 
• 
por exemplo, o Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais (CEP), de 1947, surge carregado de
inscrições neotomistas que consagravam a “questão social” como problema moral.
Entretanto, esse momento desenvolvimentista com a inserção de métodos e técnicas modernas de
intervenção, antes inexistentes, também possibilitou maior alcance das atividades do Serviço Social. Logo,
podemos dizer que representou, de certo modo, um grande avanço para a profissão.
Todo o cenário político e econômico nacional, desenhado pelo desenvolvimentismo, empreendeu diversas
mudanças ao Serviço Social, que acabaram consagrando também alguns esforços e conquistas à categoria,
como:
A luta pela especificaçãode sua intervenção;
A organização de alguns congresso importantes;
A criação do Código de Ética em 1947;
A regulamentação do ensino;
A regulamentação da profissão no ano de 1957 que trouxe consigo a institucionalização dos conselhos
fiscalizatórios do exercício profissional.
Atualização profissional
Busca da atualização profissional
Da influência franco-belga à norte-americana
Veja como a influência internacional sedimenta o processo de constituição da profissão do Assistente Social.
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A fase até o ano de 1947, momento em que se realizava o I Congresso do Serviço Social no Brasil (ANDRADE,
2008), foi consagrado como período Doutrinário para profissão, pela forte aliança à base religiosa como o
único norte de compreensão da realidade.
Entre os anos de 1947 e 1961 o período se apresenta como Incidência do Metodologismo e 
Desenvolvimentismo para o Serviço Social brasileiro. Tal movimento ocorre quando a influência do Serviço
Social europeu, de origem franco-belga e caráter neotomista, cede lugar à vertente positivista/funcionalista
norte-americana. 
Atenção
A importação de técnicas funcionalistas/positivistas (AGUIAR, 1995) se manifestaram intensamente no
Serviço Social, devido ao intercâmbio do Serviço Social norte-americano com o latino-americano e
consequentemente com o Brasil. 
Esse processo, que ocorreu entre os anos de 1940 e a segunda metade da década de 1950, vai ser formulado
por meio de um convite feito pelo próprio governo dos Estados Unidos aos diretores das escolas de Serviço
Social da América Latina, ao conceder bolsas de estudos aos assistentes sociais sul-americanos, para que
estes se especializassem e exportassem as técnicas de atuação profissional funcionalistas. 
• 
• 
• 
• 
• 
As escolas norte-americanas tinham ainda um caráter religioso, o que fez com que os dogmas da Igreja
Católica no Brasil se articulassem a essa moderna corrente teórico-metodológica sem nenhum prejuízo. 
Nesse contexto, ao temer a influência de ideias socialistas e comunistas, pensou-se o Serviço Social
como instrumento para o desenvolvimento da “ordem” e do “progresso”.
O olhar da Sociologia funcionalista/positivista, um dos suportes teóricos para o Serviço Social (ANDRADE,
2008) explicava a desigualdade social, unida à estratificação social. Então, longe de apontar a questão social
como ligada à lógica capitalista, direcionava seu olhar para o âmbito dos indivíduos, grupos e das
comunidades de “desajustados”, a partir das desigualdades institucionalizadas. Com isso, tinha-se a função
de garantir posições e preparações diferenciadas para os sujeitos sociais e tornar os conflitos funcionais, ou
seja, dinamizados nas redes de relações.
É com a importação dessas técnicas funcionalistas/positivistas que a profissão vai se desenvolver pelas
abordagens de Caso, Grupo e Comunidade, como formas de orientação sobre o agir profissional adaptado ao
contexto do desenvolvimentismo, veja:
Serviço Social de Caso
Defendia uma metodologia que era centrada no sujeito, como cliente. O assistente social seria o
responsável por desenvolver um estudo e depois gerar um diagnóstico para poder chegar a um
tratamento, nos moldes clínicos.
Serviço Social de Grupo
Ampliava o Serviço Social de Caso e investigava o indivíduo pelas atividades grupais. O assistente
social participava e organizava esses grupos para que esses indivíduos pudessem socializar
experiências positivas, na busca de caminhos para superação de suas dificuldades.
Serviço Social de Comunidade
Recorre às abordagens do Serviço Social de Caso e do Serviço Social de Grupo para o aprofundar das
necessidades comunitárias como parâmetro na ampliação dos interesses das instituição assistenciais.
Com isso, o assistente social amplifica seus atendimentos também a comunidades, em uma
estratégia macrossocial da profissão. É a partir daqui que teremos maior presença do Serviço Social
nos projetos de desenvolvimento nacional.
É com o Serviço Social de Comunidade ou Desenvolvimento da Comunidade (ANDRADE, 2008) que partia-se
do pressuposto de que as comunidades pobres teriam maior receptividade às influências comunistas e,
portanto, seria necessário melhorar e desenvolver o sistema capitalista, sob o dilema de fortalecer as
capacidades dos sujeitos aos planos regionais e nacionais de desenvolvimento.
Saiba mais
Devido às influências norte-americanas, os desdobramentos do desenvolvimentismo brasileiro não foi
algo pensado de maneira isolada, mas sempre esteve atrelado aos interesses de âmbito internacional,
referendado por organismos interessados na expansão da ideologia e no modo de produção capitalista.
Mas isso não impediu o processo de atualização da profissão, e também de seu objeto, de métodos e
técnicas em relação ao enfrentamento dos problemas sociais daquela conjuntura. 
Posteriormente, o amadurecimento desse processo possibilitou ao Serviço Social brasileiro passar pelo
chamado movimento de reconceituação inscrito no contexto da ditadura militar, momento em que a profissão
terá o objetivo de prover uma reatualização de suas bases conservadoras, buscando um aprofundamento
crítico para categoria.
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Desenvolvimentismo no Brasil
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Assistencialismo e Sociedade
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Assinale a alternativa correta sobre como o desenvolvimentismo colaborou com a expansão do Serviço Social.
A
Com a reafirmação do laicato e dos grupos católicos, reforçando as alianças doutrinárias já estabelecidas.
B
Com o processo de modernização profissional, movimentado pela categoria, que buscou a ampliação das
funções exercidas pelos assistentes sociais para além das demandas tradicionais de atendimentos.
C
Com o desligamento da influência neotomista e a adesão a uma postura crítica que entendia as expressões da
questão social finalmente como desdobramento do sistema capitalista.
D
Com o fortalecimento do continuísmo de ações assistenciais baseadas em pequenas obras caridosas.
E
Com a ampliação do processo voluntariado de oferta de inserção em grandes instituições assistenciais, tais
como Senai, Sesi, Senac e a Fundação Leão XIII.
A alternativa B está correta.
A expansão do Serviço Social ocorre via a ampliação das funções exercidas pelos assistentes sociais, que
vão muito além de ações baseadas em pequenas obras assistenciais e caridosas. Esse profissional
assalariado tem a oportunidade de ampliar seu trabalho dentro das grandes instituições assistenciais que
se desenvolviam e, ainda que sofresse influência dos princípios cristãos, presentes desde a sua gênese,
agora tinha um novo suporte metodológico, com a inserção de métodos e técnicas modernas de
intervenção, antes inexistentes.
Questão 2
Considerando a busca de métodos e técnicas de intervenção que atendessem a um novo tipo de demanda no
contexto do desenvolvimentismo, resultando em certa eficácia à ação profissional, assinale a alternativa
correta:
A
O Serviço Social europeu, de origem franco-belga, funcionou como um verdadeiro empório de ideias, com
referências a modelos e intervenções baseados na teoria social funcionalista/positivista.
B
A importação de métodos e técnicas de intervenção de caráter funcionalista/positivista ao Serviço Social
durou pelo menos até a década de 1970.
C
A importação das técnicas funcionalistas/positivistas advindas das escolas norte-americanas vieram
fortalecer as ideias comunistas e socialistas que já se desenvolviam em outros territórios.
D
Foi no contexto do desenvolvimentismo que o Serviço Social, munido dos métodos e das técnicas
funcionalistas/positivistas passou a ter um olhar crítico para a questão social, percebendo-a como principal
desdobramento das relações desiguais do sistema capitalista.
E
Foipor meio da concessão de bolsas de estudos cedidas pelo governo norte-americano aos assistentes
sociais sul-americanos (incluindo os brasileiros), que tivemos a importação das técnicas funcionalistas/
positivistas com a intenção de modernizar a ação profissional.
A alternativa E está correta.
Devido ao intercâmbio do Serviço Social norte-americano com o latino-americano entre os anos de 1940 e
a segunda metade da décadas de 1950, tivemos a importação dos métodos e das técnicas funcionalistas/
positivistas, com a intenção de modernizar a ação profissional. Tinha intenção de combater ideologias
"perigosas" como o comunismo e o socialismo, além de explicar a desigualdade social unida à
estratificação social, em que os problemas sociais seriam lidos como conflitos pontuais resolvidos
funcionalmente pelas instituições sociais.
4. Serviço Social e a perspectiva crítico-dialética
Materialismo histórico dialético
Dialética
Seguindo o curso de mudanças e novas adaptações sociais que ocorrem em todas as sociedades, o Serviço
Social abraçou novas fontes de conhecimento e de perspectivas ético-políticas, por meio da incorporação das
técnicas funcionalistas/positivistas e também da defesa da corrente fenomenológica como ferramenta para
interpretar a questão social. 
Porém, após atravessar diversas transformações no seio
das relações sociais, o Serviço Social passou a ter um
compromisso sério com a perspectiva crítica do 
materialismo histórico dialético defendida por Karl Marx,
que passou a ser defendida pelo Serviço Social como a
principal vertente para se compreender as transformações
sofridas no mundo do trabalho, gerando a tão famosa
questão social.
Mas para avançarmos, é necessário sabermos o que é
dialética.
A dialética, apesar de ter uma única derivação, que é a do
diálogo, não apresenta uma única definição, visto que desde a Grécia Antiga é usada, compreendida e
modificada, de acordo com o momento histórico e o pensamento dos filósofos:
Esse termo, que deriva do diálogo, não foi empregado, na história da Filosofia, com significado unívoco,
que possa ser determinado e esclarecido de uma vez por todas. 
(ABBAGNANO, 2007, p. 269)
Para montar seu posicionamento e ideias, Karl Marx (1818-1883) tinha como base teórica os estudos e
definições de Georg W. F. Hegel (1770-1831), um dos últimos filósofos modernos e que deu início à Filosofia
contemporânea.
Hegel entende a dialética como uma lógica disputa entre a tese e a antítese ou anti-tese, em que toda ideia,
isto é, a tesis, pode ser contestada por meio de uma ideia contrária, que, nesse caso, seria a antítese.
Entretanto, o objetivo principal dessa definição não seria colocar apenas uma ideia contra a outra, mas sim
debatê-las com o propósito de originar uma síntese, que seria uma ideia aperfeiçoada.
Para Hegel 
A dialética é baseada na noção de
movimento, um processo para alcançar o
resultado do conflito no campo das
atividades intelectuais, da subjetivação, no
mundo das ideias.
Para Karl Marx 
A dialética é um método que consiste
na análise dos movimentos e da própria
dinâmica da sociedade, sempre levando
em consideração o ponto de vista
histórico.
Tendo como força inspiradora Hegel, Marx tornou-se uma grande referência para a Sociologia e os estudos da
sociedade como um todo, por meio da metodologia dialética, em que tinha o foco na sociedade e nos conflitos
que a sociedade vivia no período de consolidação do capitalismo.
Desse modo, Marx vai além do pensamento de Hegel, e analisa a dialética não pelo movimento das ideias em
si (idealismo dialético), como se apenas isso pudesse resultar em algum impacto transformador nas relações
capitalistas. Seu foco está direcionado às relações materiais, no movimento concreto, nas relações entre os
sujeitos (materialismo dialético) que só são possíveis pelo movimento histórico da realidade:
Não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou representam, tampouco dos homens
pensados, imaginados e representados para, a partir daí, chegar aos homens de carne e osso; parte-se
dos homens realmente ativos e, a partir de seu processo de vida real, expõe-se também o
desenvolvimento dos reflexos ideológicos e dos ecos desse processo de vida. [...] Não é a consciência
que determina a vida, mas a vida que determina a consciência. 
(MARX; ENGELS, 2007, p. 94)
Assim, o que move e promove as mudanças na sociedade é o trabalho. Isto é, todas as outras atitudes,
organizações e escolhas de uma sociedade são em consequência da relação que ela tem com o trabalho.
No contexto de polarização entre os donos dos meios de produção e a classe trabalhadora, os conflitos e as
lutas tornam-se cada vez mais acirrados. Karl Marx utiliza-se do movimento dialético para dar visibilidade às
formas de exploração da burguesia, tornando explícita para os trabalhadores a sua condição de sujeitos
explorados. Com isso, a noção de conflito, originada da luta entre essas duas classes sociais, é uma categoria
de análise que dá movimento à história. Sendo assim, a própria história da humanidade se desenvolve pelo
processo do materialismo histórico dialético.
Ruptura do conservadorismo
Serviço Social e a ruptura com o conservadorismo
Ao considerarmos a importância da influência
do pensamento de Karl Marx sobre o processo
do materialismo histórico dialético, que envolve
as contradições entre as classes sociais em
todo o mundo, não podemos deixar de
considerar que tal influência chegou ao solo
brasileiro e atingiu os segmentos mais
avançados e os setores mais representativos
da classe trabalhadora, que passaram a se
identificar com essa visão política sobre as
condições do trabalho.
 
Nesse sentido, a relevância desse
embasamento teórico também se tornou
primordial para o Serviço Social como profissão e foi de grande destaque por renovar seu olhar criticamente
diante das expressões da questão social. No entanto, a absorção da teoria marxista não ocorreu de uma hora
para outra.
O processo do Movimento de Reconceituação do Serviço Social no Brasil foi composto por três grandes ciclos
históricos, conhecidos como: 
Modernização conservadora Reatualização do conservadorismo
Intenção de ruptura
Nessa ótica, destacamos o debate sobre a chamada intenção de ruptura, para compreender não só o sentido
por trás desse nome, como sua relação com a aproximação da perspectiva crítico-dialética.
Inicialmente, podemos dizer que o nome intenção de
ruptura foi posto porque se tratou da primeira tentativa do
Serviço Social, dentro de uma perspectiva crítica, de
construir um método que rompesse com as posturas
tradicionalistas e conservadoras que a profissão até então
ainda defendia. Essa tentativa surgiu no contexto dos anos
de 1970, período em que o país atravessava a ditadura
militar (aliás, todo o processo do Movimento de
Reconceituação do Serviço Social aconteceu paralelo à
ditadura militar, entre 1964 e 1985).
Nesse momento, temos como destaque a formulação de
uma iniciativa que dava início à apreensão da abordagem
marxista, iniciada na PUC de Minas Gerais, ficando
conhecida como método BH.
Ela emergiu no quadro da estrutura universitária, primeiro como prática de extensão e depois foi se instalando
nos cursos de pós-graduação. A partir desse método, o Serviço Social vai em busca de outros referenciais
que possam romper com suas marcas conservadoras e se aproxima do pensamento crítico, sob uma análise
marxista de interpretação da realidade e de suas contradições sociais.
Saiba mais
No entanto, essa aproximação com os referenciais marxistas foi marcada por inúmeros equívocos
teórico-metodológicos, principalmente devido ao contexto histórico de ditadura e de forte repressão aos
movimentos sociais de expressões reivindicatórias e contestatórias que tínhamos no Brasil. 
Assim, a construção do método BH aconteceu na surdina e as leituras teóricas marxistas ainda não eram
feitas diretamente nas obras de Karl Marx, justamente pela repressão que existia com as leituras que
apresentassem um caráter ideológico revolucionário.
É usualconsiderarmos que tal aproximação se
deu de forma enviesada, por levar em conta
que as leituras teóricas marxistas eram de
“segunda mão”, ou seja, a partir de manuais e
textos secundários de outros autores que
interpretavam o pensamento de Marx. Podemos
classificar também como um “marxismo vulgar”
ou um “marxismo sem Marx”.
Nessa linha de pensamento, ocorre que a teoria
aparecia dissociada da prática, negando o
sentido da unidade dialética entre essas
dimensões, assim como se apontava uma separação entre indivíduo/sociedade e sujeito/objeto. Logo, a
interpretação que se tinha da totalidade das relações dos seres sociais e suas inter-relações com o mundo do
trabalho desconsiderava o fato de que o trabalho é parte do sujeito e que este está situado em torno de todas
as dimensões que o atravessam.
Porém, ainda que evidenciemos alguns equívocos trazidos por esses formuladores mineiros, não podemos
descredibilizar esse momento histórico. Porque se tratou da primeira tentativa de o Serviço Social buscar um
rompimento com o caráter conservador e de neutralidade que a profissão trazia.
Maturidade da profissão
Maturidade intelectual do Assistente Social
Veja elementos que comprovam que a profissão assume maturidade intelectual na adoção do método crítico
dialético, a partir da década de 1980.
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Na trajetória do Serviço Social, consta a inscrição de um capítulo bem relevante quando o assunto é o alcance
da maturidade intelectual, que diz respeito ao momento em que finalmente a profissão passa a se apropriar de
forma bem-sucedida dos escritos originais de Marx para pensar a sua proposta teórico-metodológica,
fundada na perspectiva crítica dialética.
Saiba mais
As deficiências de interpretação ao pensamento de Marx que, até então a profissão carregava, só
começam a ser superadas na década de 1980, quando pela primeira vez importantes intelectuais
passam a se apropriar das obras originais de Karl Marx para pensar a profissão. 
No âmbito da adoção do marxismo como referência analítica (IAMAMOTO; CARVALHO, 1985), o Serviço Social
analisa as classes sociais como interdependentes no contexto do sistema capitalista e se percebe como uma
profissão inserida na divisão social e técnica do mundo do trabalho, na dinâmica das relações sociais, e
participando do processo de reprodução dessas relações: 
Responde tanto a demandas do capital como do trabalho e só pode fortalecer um ou outro polo pela
mediação de seu oposto. Participa tanto dos mecanismos de dominação e exploração como, ao mesmo
tempo e pela mesma atividade, da resposta às necessidades de sobrevivência da classe trabalhadora e
da reprodução do antagonismo nesses interesses sociais, reforçando as contradições que constituem o
móvel básico da história. A partir dessa compreensão, é que se pode estabelecer uma estratégia
profissional e política, para fortalecer as metas do capital ou do trabalho, mas não se pode excluí-las do
contexto da prática profissional, visto que as classes só existem inter-relacionadas. 
(IAMAMOTO; CARVALHO, 1985, p. 75)
Essa interlocução com as produções marxianas (quando são feitas diretas das fontes originais de Marx) e
marxistas renderam ótimos frutos ao Serviço Social ao longo das décadas de 1980 e 1990 até os dias atuais.
Assim como também surtiram efeitos práticos extremamente importantes como:
A revisão do código de ética do assistente social.
A formulação de um projeto ético-político comprometido com as demandas oriundas da “classe que
vive do trabalho”.
• 
• 
A repercussão da mudança de conteúdos na formação profissional, como ilustra a criação do novo
currículo de 1982, que, mais à frente, seria afirmado na elaboração das atuais Diretrizes Curriculares da
Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), em 1996.
Nessas diretrizes, o método crítico dialético, nos termos de seus referidos fundadores, é destacado como
primordial à compreensão do movimento da totalidade das relações sociais, que configuram a sociedade
capitalista. Assim, está posto como um dos princípios fundamentais a formação profissional:
A adoção de uma teoria social crítica que possibilite a apreensão da totalidade social em suas dimensões
de universalidade, particularidade e singularidade. Sua capacitação teórico-metodológica, dentre outros
pontos, deve implicar na apreensão crítica do processo histórico como totalidade. 
(cf. ABEPSS, 1996, p. 6-7)
Baseada nessas diretrizes e na adoção hegemônica da categoria profissional à perspectiva crítico do
materialismo histórico dialético, a apropriação da perspectiva teórico-metodológica permitiu o
amadurecimento intelectual do Serviço Social brasileiro, por ser um conhecimento que não é manipulador,
nem conservador. Por isso, percebe a questão social (principal ferramenta do assistente social) como produto,
síntese, do contexto da desigualdade social do sistema capitalista. Tornando-se, portanto, a principal base da
formação e da atuação do assistente social.
• 
Perspectiva crítico-dialética
Perspectiva crítico-dialética e Serviço Social
Levar em consideração que a nossa ferramenta
de trabalho gira em torno da questão social na
consequente relação entre capital e trabalho,
significa estar atento ao movimento e ao seu
resultado na vida em sociedade, percebendo as
inúmeras contradições que marcam sua
totalidade.
A questão social se apresenta aos assistentes
sociais nas mais variadas expressões
cotidianas, tais como: na saúde, na assistência,
na educação, na área habitacional etc. 
Entender a questão social significa compreender também as múltiplas formas de exclusão e de
inclusão social como processos que fazem parte do mesmo universo. 
Assim, o assistente social orientado por uma ética de emancipação e direitos humanos, precisa ir além de
buscar respostas simplificadas que só fragmentam e prejudicam o entendimento da vida social, que segundo
Fernandes (2005, p. 8): “No cotidiano da vida de cada um, os fenômenos se apresentam como se fossem
objetivos, absolutamente reais e concretos. A aparência não é igual à essência. O método dialético se propõe
a um desmonte, à destruição da aparente “objetividade do fenômeno”. Mas, esse desmonte é aproximativo,
pois a realidade é complexa o bastante para possibilitar a análise do conjunto dos dados concretos, mesmo
com o objeto desmontado.”
Exemplo
Ao tomarmos como diretriz os desdobramentos do método dialético e sua aplicabilidade no real,
podemos pensá-lo da seguinte forma: Imagine a situação em que um assistente social está em sua sala
de atendimento diário, no cotidiano do fazer profissional e se depara com uma problemática, que pede
uma resposta, uma intervenção. Os fundamentos do objeto dessa problemática não vão estar e não
podem estar simplesmente na cabeça do profissional, como uma intuição sobre aquilo. Mas todas as
explicações relacionadas (as multifacetadas expressões da questão social) vão estar presentes no
próprio objeto. 
Desse modo, o que nos compete dentro dessa realidade é a capacidade de estabelecermos mediações, como
um conhecimento crítico que se trata de um processo dinâmico que nada tem de estático ou linear e que será
capaz de nos levar cada vez mais adiante a uma aproximação da realidade. Isso ocorre quando acionamos
todo um conhecimento acumulado para explicar de algum modo aquela problemática posta, vinculando teoria
e prática, ou seja: “O que vai caracterizar a prática social do acolhimento aos sujeitos será a possibilidade da
leitura do fato singular conectado ao conjunto, isto é, o entendimento do sujeito nas tramas de suas relações
familiares, culturais e sociais.” (FERNANDES, 2005, p. 17).
Portanto, a última coisa que queremos é cair na explicação do aparente, do imediatismo que busca respostas
prontas sobre qualquer situação que nos apareça como profissionais e, apostar em uma “dialética das
possibilidades”, no sentido social da utilização das técnicas e dos instrumentos de que dispomos,
considerando que, do ponto devista crítico-dialético, todas as verdades são relativas, visto que os objetos
que nos aparecem se fazem e se refazem o tempo inteiro.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Materialismo histórico diálético
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Leituras marxistas e marxianas
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Compreendendo a análise sobre a dialética e o materialismo histórico dialético, julgue as alternativas. 
I - O materialismo histórico dialético analisa o movimento das ideias, da subjetividade como principal
movimento da realidade. 
II - Marx separa as classes sociais de acordo com sua posição na produção: de um lado, aqueles que detêm
os meios de produção, os capitalistas; de outro, aqueles que, por não possuírem os meios de produção, detêm
apenas sua força de trabalho, os trabalhadores. 
III - Para Marx, as classes sociais se apresentam de maneira homogênea, havendo equívocos apenas no modo
de produção imposto pela burguesia. 
IV - O materialismo explica que as condições materiais de existência são fatores determinantes para o modo
de ser e pensar de cada um. 
V - A história é um processo contínuo e linear, logo, a realidade é estática e o movimento da história possui
uma base material e econômica, mas não obedece a um movimento dialético.
A
Somente II e IV são verdadeiras.
B
Somente I, II e III são verdadeiras.
C
Somente I, II e IV são verdadeiras.
D
Somente II, IV e V são verdadeiras.
E
Somente III é falsa.
A alternativa A está correta.
A perspectiva do materialismo histórico dialético explica que são as relações sociais de produção que
determinam o modo de ser e pensar de cada indivíduo, em uma sociedade composta por classes desiguais
e heterogêneas. É uma análise histórica, visto que a sociedade e a política surgem da ação concreta dos
seres humanos, acompanham diversas transformações temporais e seguem um movimento dialético.
Questão 2
A década de 1980 é fundamental para o entendimento do Serviço Social, pois significa o início da maturidade
intelectual da profissão. Sobre isso, assinale a alternativa correta:
A
É um momento em que a profissão vai se aproximar das leituras marxistas.
B
Nesse momento, a obra: “Relações Sociais e Serviço Social no Brasil – esboço de uma interpretação teórico-
metodológica” produzida no ano de 1985, de Marilda Vilela Iamamoto e Raul de Carvalho, surge como
tentativa de retorno às imposições neotomistas defendidas na gênese da profissão.
C
A apropriação do materialismo histórico dialético no Serviço Social permitiu o amadurecimento intelectual da
profissão na defesa do conservadorismo, que percebia a questão social como produto do contexto da
desigualdade social do sistema capitalista.
D
É nesse momento que a matriz teórico-metodológica marxista apreende o ser social, a partir de ações
imediatas que impulsionem o sujeito a transformar sua condição social.
E
O processo de maturidade intelectual terá como ponto máximo a publicação da obra de Iamamoto e Carvalho,
intitulada “Relações Sociais e Serviço Social no Brasil – esboço de uma interpretação teórico-metodológica”,
produzida no ano de 1985, que discute a teoria social de Marx e sua efetiva interlocução com a profissão.
A alternativa E está correta.
Trata-se de um momento em que visões conversadoras neotomistas, funcionalistas ou fenomenológicas já
são totalmente ultrapassadas e o Serviço Social atinge a maturidade intelectual, com a apreensão crítica
das obras marxistas e quando finalmente tem acesso direto as leituras marxianas. A principal produção
textual nesse momento, para profissão, vai ser a obra "Relações Sociais e Serviço Social no Brasil – esboço
de uma interpretação teórico-metodológica", produzida em 1985, de Iamamoto e Carvalho. Essas
interlocuções com as produções marxianas e marxistas rederam ótimos frutos ao Serviço Social, pois
estamos falando de um conhecimento que não é manipulador, propõe-se à destruição daquilo que é
aparente e apreende a realidade dialeticamente em seu movimento contraditório, no qual se engendram
como totalidade as relações sociais que configuram a sociedade capitalista.
5. Conclusão
Considerações finais
Ao encerrar nosso estudo, podemos notar a importância de entender as transformações do Serviço Social,
não de maneira isolada, mas sim junto ao contexto que marca o percurso das relações sociais como um todo
em nossa sociedade.
Esse é um dos pontos principais que nos fazem enxergar que, até chegar à hegemônica perspectiva crítico-
dialética de base marxista, defendida pela categoria profissional, as influências de correntes filosóficas e as
perspectivas teórico-metodológicas, presentes em nossa profissão, não devem ser vistas dentro de um
quadro evolutivo, pois foram alvos de transformações políticas, econômicas, culturais e sociais, modificaram-
se, ganharam novos traços e geraram rupturas, a partir da dinâmica e do movimento da própria realidade.
Exatamente a partir dessas abordagens, podemos afirmar a relevância do que aqui foi apresentado. Afinal de
contas, sabemos que conhecer o passado é uma forma de melhor compreender o presente, além de
possibilitar a reflexão sobre os caminhos que devemos seguir no futuro.
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
 
Para entender mais sobre o estatuto jurídico do Serviço Social que é reconhecido em lei, leia o Código de
Ética da Profissão: Lei 8.662, de 30 de junho de 1993.
 
O livro História do Serviço Social na América Latina, de Manuel Manrique Castro, traz relevantes destaques
desde a emergência da profissão e sua relação com a Igreja, até os reflexos do desenvolvimentismo para a
profissão.
 
O artigo Serviço Social brasileiro: profissão e área do conhecimento, de Ana Elizabete Mota, apresenta as
contradições sócio-históricas que marcaram o caráter científico do Serviço Social.
 
O artigo Rerum Novarum abriu caminho para a evolução de toda a legislação social e trabalhista, de José
Geraldo de Sousa Junior, merece a leitura. Como o próprio título indica, o jurista (e pesquisador de temas
relacionados aos direitos humanos e à cidadania) traz uma abordagem bastante interessante sobre o tema.
Referências
ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO E PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL. Diretrizes gerais para o curso de
serviço social (Com base no Currículo Mínimo aprovado em Assembleia Geral Extraordinária de 8 de novembro
de 1996). 8 de novembro de 1996. Consultado na internet em: 25 jan. 2022.
 
AGUIAR, Antonio Geraldo. Serviço Social e filosofia: das origens a Araxá. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1995.
 
ANDRADE, Maria Ângela Rodrigues Alves de. O metodologismo e o desenvolvimentismo no Serviço Social
brasileiro – 1947 a 1961. Revista Serviço Social & Realidade, Franca, v. 17, n. 1, p. 268-299, 2008.
 
CAPALBO, Creuza. Fenomenologia: tendências históricas atuais. In: Cadernos ABESS, n. 4, p. 23-36. São
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IAMAMOTO, Marilda Villela; CARVALHO, Raul de. Relações sociais e Serviço Social no Brasil – Esboço de uma
interpretação histórico-metodológica. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1985.
 
FALEIROS, Vicente de Paula. O que o Serviço Social quer dizer. Serv. Soc., São Paulo, n. 108, p. 748-761, out/
dez. 2011.
 
FERNANDES. Idilia. A dialética das possibilidades: a face interventiva do Serviço Social. Revista Virtual Textos
& Contextos, n. 4, dez. 2005.
 
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus
representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas
(1845-1846). São Paulo: Boitempo, 2007.
 
MOTA, A. E.; RODRIGUES, M. Legado do Congresso

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