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PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM 
PSICANÁLISE 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Gabriela Eyng Possolli
 
 
CONVERSA INICIAL 
Anteriormente, estudamos a Psicanálise enquanto área do conhecimento 
multidisciplinar, considerando que o próprio processo terapêutico da análise é 
um processo de pesquisa de casos clínicos na prática. A teoria e as práticas 
fundadas por Freud, e desenvolvidas ao longo do século XX, formaram um 
arcabouço de conhecimentos, teorias, orientações e práticas psicanalíticas, que 
por sua vez constituem uma ciência voltada para a técnica da livre associação, 
como encontro intersubjetivo entre terapeuta e pacientes, na comunicação e na 
linguagem, operando a cura pela palavra. Assim, a metodologia dos casos 
clínicos é uma base bem consolidada para o reconhecimento da psicanálise 
como ciência humana. 
Nesta etapa, vamos tratar da elaboração de uma fundamentação teórica 
para compreender um tema de pesquisa. Também veremos as pesquisas de 
revisão em linhas gerais, a fim de compreender alguns pontos em comum entre 
elas, como: definição de descritores de busca, tipos e bases de dados para 
pesquisa, critérios de inclusão e exclusão para a busca, bem com ajustes que 
possam ser necessários no processo de coleta de dados em revisões de 
literatura. As pesquisas de revisão seguem um método, que ajuda no 
levantamento do que foi publicado nos últimos anos sobre temas em psicanálise, 
o que é fundamental para avançar na ciência psicanalítica, considerando o que 
já foi estudado na área. 
Nesta etapa e na seguinte, vamos detalhar os alicerces que permitem 
estruturar e desenvolver pesquisas teóricas no campo psicanalítico, a partir de 
bases teóricas, calcadas em fundamentos conceituais que servem de contexto 
argumentativo para pesquisas em psicanálise. 
A utilização de pesquisa teórica na psicanálise deve atentar para o que 
destacam Lakatos e Marconi (2003) sobre a pesquisas de cunho bibliográfico: 
elas não devem ser mera repetição de conteúdos já escritos sobre um assunto, 
pois devem buscar sempre um novo enfoque, ou novas abordagens, para a 
resolução de problemas. 
A construção de pesquisas teóricas em psicanálise não pode 
desconsiderar a experiência psicanalítica historicamente acumulada, que ajuda 
na elaboração de uma série de pressupostos sobre a estrutura e o 
funcionamento do aparelho psíquico. Nós, que nos dispomos a desenvolver 
 
 
3 
pesquisas em psicanálise, estamos submetidos a esse funcionamento. O 
pesquisador psicanalítico não pode perceber-se como sujeito que observa, de 
fora, as bases conceituais e os relatos clínicos. 
Na psicanálise, assim como na educação, não há neutralidade: “nenhuma 
educação é neutra, portanto, nenhum educador deveria se isentar da 
responsabilidade de educar criticamente os seus educandos” (Freire, 1996, p. 
57). Portanto, a educação é um ato político, o que também ocorre com a 
psicanálise: quando o estudante traz para a pesquisa, mesmo que teórica, o 
trabalho de outros autores, trará também algo de seu em suas análises e 
compreensões do processo psicanalítico. 
Saiba mais 
Qual a distinção entre realizar pesquisa "em psicanálise" e pesquisa "sobre 
psicanálise"? A pesquisa sobre psicanálise pode estar embasada em construtos 
psicanalíticos e outros, para refletir sobre conceitos, dados ou fenômenos do 
campo psicanalítico e de sua prática. Por exemplo, podemos propor uma revisão 
integrativa do que foi produzido no Brasil nos últimos dez anos sobre o tema 
“angústia de castração”. Tal pesquisa faria um levantamento bibliográfico, 
trazendo pressupostos das bases de busca e detalhando categorias de análise, 
em um formato metodológico vastamente aplicado na ciência, que em si mesmo 
não é psicanalítico, mas aplica-se a essa área do saber. Já a constituição de 
pesquisa em psicanálise está associada ao processo de concepção científica de 
seu fundador, em que é possível identificar momentos de ruptura e de 
continuidade, além de relatos detalhados de práticas psicanalíticas. Se Freud, 
paulatinamente, se aparta de métodos iniciais em sua trajetória como pesquisador 
(como pesquisas nos campos da fisiologia, neurologia e zoologia), deve-se 
reconhecer que foi a partir dessa experiência metodológica, com a qual depois 
rompeu, que construiu o método de pesquisa psicanalítica em toda a sua 
originalidade (Lameira; Costa; Rodrigues, 2017). 
TEMA 1 – FINALIDADE E CONSTRUÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
Na trajetória de uma pesquisa, após a definição de tema, problema e 
objetivos, uma das primeiras tarefas do pesquisador é construir as bases teóricas 
que sustentam a elaboração do encaminhamento metodológico da pesquisa. A 
elaboração dos pressupostos teóricos de uma pesquisa é fruto de reflexão, 
 
 
4 
leituras e estudos a respeito do tema, vinculando o interesse e o conhecimento 
prévio dos pesquisadores com as fontes e as bases de pesquisa, para 
aprofundamento e um olhar científico capaz de ir além do senso comum. 
A fidelidade a um método está no domínio e no emprego de conceitos e 
procedimentos de uma da visão de mundo evocada. Por isso, é preciso sempre 
ter em mente a corrente teórico-metodológica que a pesquisa vai seguir. Portanto, 
a fundamentação teórica não é mera introdução teórica, mas o norte que conduz 
a argumentação e as análises na pesquisa. 
Na fase da fundamentação teórica, os autores definem e assumem uma 
posição com relação ao seu marco teórico, o que é indispensável para a 
pesquisa científica e a concepção metodológica. Considera-se em que teorias o 
conhecimento construído na pesquisa está embasado. Para isso, é preciso 
coerência entre as referências escolhidas nessa fundamentação. Barros (2005) 
destaca que a fundamentação teórica tem como pressuposto possibilitar a 
interpretação da realidade e dos fenômenos em análise na investigação 
científica. 
A principal finalidade da fundamentação teórica é evidenciar os limites, as 
lacunas e as disposições da pesquisa, visando auxiliar na definição da 
problematização e de hipóteses, evidenciando o debate científico de outros 
pesquisadores sobre a temática. Os passos para uma boa fundamentação são: 
formular e contextualizar o problema, a fim de esclarecer o que é primordial ou 
supérfluo, direcionando o olhar para leituras focadas; em seguida, parte-se para 
a seleção e tabulação de textos e documentos, com posterior apreciação sobre 
a sua utilização ou não na pesquisa; por último, é feita a escrita do texto da 
fundamentação teórica, com uma interpretação de textos e citações e um diálogo 
entre as obras, de forma crítica, estabelecendo uma linha de raciocínio. (Caleffe; 
Moreira, 2006). 
A fundamentação teórica explicita os interlocutores do autor, a partir dos 
quais a argumentação acontece, considerando ainda fundamentos para a 
análise dos dados da pesquisa. É a apresentação do quadro teórico. Antes de 
iniciar a escrita da fundamentação teórica, é importante observar três guias 
importantes: 
• Quais são os objetivos da pesquisa: eles orientam a busca por referenciais 
que irão embasar a análise de dados; 
 
 
5 
• Quais são os tipos de referenciais: artigos, livros, documentos, 
legislações, enfim, onde estão publicadas as bases conforme a temática; 
• Atualidade e coerência: o quadro teórico apresentado precisa ser atual, 
mas ao mesmo tempo apresentar bases importante da área, com 
coerência interna (não podemos utilizar autores com visões opostas para 
analisar um mesmo cenário). 
A estruturação de subtemas e assuntos dentro do tema principal é uma 
forma de iniciar a fundamentação teórica. A definição de conceitos-chave dentro 
do objeto pesquisado é importante, e ajuda a evitar fuga do tema. Nas ciências 
humanas, inclusive na psicanálise, temos a publicação de dicionários temáticos 
especializados que ajudam com conceitos e referências. Os dicionários de 
psicanálise auxiliam com termos e conceitos específicosdo arcabouço da 
linguagem psicanalítica. 
Com as considerações descritas até aqui, fica claro que a construção de 
uma fundamentação teórica não se resume a reunir livros e artigos de forma 
aleatória, mas envolve um processo sistemático de pesquisa e análise de 
literatura existente sobre um determinado assunto, tendo em vista o 
planejamento da pesquisa. “O objetivo da fundamentação teórica é fornecer uma 
base concreta de conhecimento para a pesquisa, com as principais teorias, 
conceitos e descobertas relevantes para o tema em estudo” (Fonseca, 2002, p. 
46). 
A respeitos das fontes e obras selecionadas para a fundamentação 
teórica, além de livros publicados sobre o tema, é importante incluir obras 
consideradas clássicas (no caso da psicanálise não podem faltar Freud e outros), 
ou aquelas recentemente publicadas que dão visibilidade ao tema. Uma boa 
fundamentação deve conter ainda artigos científicos de periódicos da área. 
Matérias publicadas em revistas ou jornais especializados são interessantes 
para lidar com temas inéditos ou pouco trabalhados. Consultas a dissertações e 
teses, por aprofundarem a pesquisa em um tema, também são relevantes. 
É possível definir passos para elaboração da fundamentação teórica? 
Sim! O quadro a seguir apresenta os passos básicos para construir uma 
fundamentação teórica. 
 
 
 
 
6 
Quadro 1 – Passos e para a elaboração de fundamentação teórica 
Passo Descrição 
1. Delinear o tema e 
contexto de pesquisa 
A definição e contextualização do tema e do problema gerador da 
pesquisa é o início de tudo. Antes de iniciar a buscar por literatura, deve-
se compreender o tema com suas nuances e desafios, definindo 
claramente os objetivos e as hipótese que podem responder ao problema 
de pesquisa. 
2. Identificar possíveis 
fontes 
Buscar diretamente no Google não é uma boa, é importante realizar 
buscas em bases de dados científicas, bibliotecas físicas e digitais, 
revistas científicas, livros da área temática e outras fontes confiáveis. 
3. Seleção de fontes Ao selecionar o que fará parte da fundamentação teórica, é importante 
verificar a qualidade e atualidade das fontes encontradas com relação 
aos objetivos a serem atingidos. 
4. Leitura e fichamento Leia as fontes selecionadas com cuidado, compreendendo seus 
objetivos, metodologias e resultados. Faça anotações, destaque pontos 
importantes e faça uma síntese das informações. 
5. Análise das fontes Analisar e comparar as fontes, verificando semelhanças entre as fontes, 
relacionando suas conclusões e argumentos. Verifique como elas 
contribuem para responder as questões de pesquisa. 
6. Estruturação e escrita Organizar os subtemas e as fontes conforme a ordem em que o texto da 
fundamentação será escrito. Ordene as informações obtidas e produza 
um texto coeso, apresentando conceitos e pressupostos teórico-práticos 
para a pesquisa. 
7. Citação e articulação das 
fontes 
É imprescindível citar as fontes perfeitamente, conforme normas da 
ABNT ou da publicação em pauta. Citações diretas e indiretas devem ser 
utilizadas, para conferir credibilidade e evitar plágio. 
Fonte: Possolli, 2023. 
Ressalta-se que a fundamentação deve ser clara, objetiva e coesa, 
trazendo uma argumentação estruturada e focada no caminho metodológico que 
vai ser trilhado pela pesquisa. Além disso, é comum que ela seja revisada e 
atualizada ao longo da pesquisa, conforme as necessidades teóricas que vão 
surgindo, inclusive nas fases de análise e discussão de resultados. 
O quadro a seguir apresenta uma tese de doutorado em psicologia, com 
pesquisa interessante em psicanálise, para elucidar a relação entre temática, 
problema, objetivos, metodologia e estrutura da fundamentação teórica 
construída. Ele destaca os tópicos da fundamentação teórica. 
Quadro 2 – Exemplo: itens metodológicos e fundamentação teórica em 
Psicanálise 
Referência CAMPOS, Viviane C. Barbosa. Tese do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu 
em Psicologia, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. 2017. 
Tema A importância do diagnóstico no processo terapêutico: um estudo de caso na 
formação em clínica escola 
 
 
7 
Objetivo Compreender a importância do diagnóstico na direção do tratamento nos processos 
de atendimentos clínicos em uma clínica-escola de psicologia. 
Encaminhamen
to 
metodológico 
As origens da pesquisa remontam a questionamentos sobre a direção do tratamento, 
tendo como objeto de estudo o “caso Bárbara”, em perspectiva psicanalítica. O 
encaminhamento metodológico buscou reconstruir um caso clínico problematizando 
a queixa psicológica com os atendimentos realizados, para refletir sobre a 
importância do diagnóstico no percurso dos atendimentos psicoterápicos. Tal 
reconstrução apresenta reflexões sobre a “queixa psicológica”, o sofrimento 
psíquico, o diagnóstico e a direção do tratamento. A hipótese diagnóstica é 
importante nessa orientação, devendo ser tratada não como fator estático, mas sim 
dinâmico. A perspectiva do diagnóstico em psicologia psicanalítica não adota uma 
postura generalista, e sim um estudo de cada caso para compreender a dinâmica e 
o funcionamento de cada sujeito, para que seja possível tratar o seu sofrimento. A 
intenção foi buscar uma metodologia clínica que pudesse compreender o sujeito e 
orientá-lo a aprender com seu próprio sofrimento. 
Abordagem de 
pesquisa 
Pesquisa de cunho qualitativo com ênfase na abordagem psicanalítica com o intuito 
de contribuir para a formação de profissionais que trabalham com processos 
psicoterápicos. 
Fundamentação 
teórica: 
capítulos 1 e 2 
CAPÍTULO 1 – PRÁTICA CLÍNICA, DIAGNÓSTICO E PSICANÁLISE 
1.1 Evolução histórica dos aspectos psicopatológicos 
1.1.1 Configuração atual das psicopatologias e do diagnóstico 
1.1.2 Psicopatologia na perspectiva psicanalítica 
1.1.3 Entrevista inicial (queixa) na prática clínica 
1.2 Prática clínica, avaliação diagnóstica e construção em psicanálise 
1.2.1 Transferência e percurso do tratamento 
1.2.2 Interpretação e construção em análise 
1.2.3 Relato de caso clínico e pesquisa 
CAPÍTULO 2 – CLÍNICA-ESCOLA E FORMAÇÃO EM PSICOTERAPIA 
2.1 Formação do psicólogo para psicoterapia 
2.2 Clínica-escola, organização e processo terapêutico 
2.3 Procedimentos e avaliação do processo terapêutico 
Método, relato 
de caso e 
discussão: 
capítulo 3 
CAPÍTULO 3 – DIAGNÓSTICO, PROCESSO CLÍNICO E FORMAÇÃO NA 
CLÍNICAESCOLA: UM ESTUDO DE CASO 
3.1 Estratégias metodológicas 
3.1.1 Síntese da história do caso de Bárbara, “a estrangeira” 
3.2 Discussão do caso clínico com base na relação entre queixa e diagnóstico 
3.2.1 Caso de Bárbara, “a estrangeira” 
3.2.2 Relação do diagnóstico médico com a queixa e o caso até o fim do processo 
3.2.3 Construção do caso clínico 
Fonte: Possolli, 2023. 
TEMA 2 – COLETA DE DADOS EM PESQUISAS DE REVISÃO: DEFINIÇÃO DE 
FONTES DE BUSCA 
Dentro das pesquisas de revisão, um planejamento minucioso da coleta 
de dados é fundamental. Para que esse planejamento dê certo, é preciso que o 
pesquisador faça um roteiro das suas estratégias antes de começar a coletar 
dados. O roteiro deve conter, especialmente: 
• Nome e hiperlink de acesso de bases de dados importantes sobre o tema; 
 
 
8 
• Palavras-chave relacionadas ao tema e aos detalhes do estudo, e que 
possam ser validadas para encontrar estudos, considerando como 
identificar descritores de busca; 
• Definição de critérios de inclusão e exclusão de estudos encontrados na 
busca. 
• Indicação dos dados a serem registrados na planilha de estudos incluídos. 
Importante entender que mesmo com esse planejamento, que serve 
como guia, ajustes podem ser necessários, conforme os resultados 
encontrados, na efetivação da coleta de dados. As finalidades da base de 
dados incluem: 
• Promover acesso à informação; 
• Fornecer informações atualizadas, assertivas e confiáveis, 
multidisciplinares ou em uma áreaespecífica; 
• Atender as necessidades de pesquisa do público-alvo; 
• Fornecer mecanismos eficientes de recuperação de informações. 
Para definir as fontes de busca, deve-se ter em mente que existem bases 
de dados (portais de busca) gerais em pesquisa, que congregam variadas fontes 
de saber, linkando milhares de periódicos científicos, assim como repositórios e 
sites específicos em alguns campos de conhecimento. Como exemplo de bases 
de relevância geral, temos: portal Scielo, Google Acadêmico, periódicos da 
Capes, BDTD e PubMed. Para a psicanálise, os portais da PsycINFO, PEP, BVS 
e PePSIC são excelentes repositórios para busca. 
O quadro a seguir apresenta nomes, endereços de acesso online e 
descrição de escopo de bases de dados reconhecidas para pesquisa em 
psicanálise. 
Quadro 3 – Bases de dados para pesquisa em psicanálise 
Base de Dados Link de Acesso Descrição 
Scielo (Scientific 
Eletronic Library 
Online) 
https://www.scielo.br/ Portal eletrônico gratuito de periódicos científicos, 
permitindo acesso eletrônico à artigos completos de 
revistas no Brasil, América Latina, Caribe, e países de 
língua portuguesa e espanhola. 
Google Acadêmico https://scholar.google. 
com.br/ 
Base de busca com vasto repositório indexado pelo 
Google, que acessa também outras bases de dados 
vinculadas. O Google acadêmico ganhou mais 
relevância atualmente porque muitas agências de 
pesquisa (como a Capes) estão em transição do antigo 
 
 
9 
modelo Qualis para o índice H (que usa a plataforma 
Google) para classificar o impacto das publicações. 
Portal de 
Periódicos da 
Capes 
https://www.periodicos. 
capes.gov.br/ 
Biblioteca virtual gratuita que elenca os melhores 
artigos científicos do mundo via verificação de fator de 
impacto e número de citações. Conta também com 
acervos de pesquisa de instituições de ensino 
brasileiras, enciclopédias, obras de referência, normas 
técnicas, material audiovisual. Conta com 39 mil 
artigos completos, com busca em 126 bases. 
BDTD (Biblioteca 
Digital Brasileira 
de Teses e 
Dissertações) 
https://bdtd.ibict.br/ Biblioteca que integra, em portal único, os sistemas de 
informação de teses e dissertações de várias 
instituições de ensino e pesquisa brasileiras. Acesso 
nacional e internacional com busca em outras línguas 
para dar visibilidade a pesquisas brasileiras. 
PubMed https://pubmed.ncbi. 
nlm.nih.gov/ 
Portal para busca de artigos científicos na área de 
saúde e biomedicina, organizado pela Biblioteca 
Nacional de Medicina dos EUA. Conta com 4.800 
revistas dos Estados Unidos e em 70 países. 
PsycINFO http://psycnet.apa. 
org/Search 
Criada pela APA (American Psychological 
Association), é a mais importante base de dados da 
área de psicologia e psicanálise. Organiza e divulga 
literatura relevante publicada na área da psicologia e 
disciplinas correlatas. 
PEP http://www.pep-
web.org/ 
Busca exclusivamente por conteúdo em psicanálise. 
Inclui obras completas de Freud, pesquisa, textos, 
seminários de psicanalistas, ensaios psicanalíticos de 
obras literárias, filmes e arte. 
BVS (Biblioteca 
Virtual de Saúde) 
https://bvsalud.org/ A Plataforma da BVS integra fontes de informação em 
saúde, científica e técnica, na América Latina e no 
Caribe. Desenvolvida pela Bireme em 3 idiomas 
(inglês, português e espanhol). Congrega bases de 
dados produzidas pela Rede BVS, LILACS, Medline, 
além de recursos educacionais abertos, sites e 
eventos científicos. Também dá acesso aos DECS. 
PePSIC http://portal.pepsic. 
bvsalud.org/ 
O Portal de Periódicos Eletrônicos de Psicologia 
(PePSIC) acessa um conjunto de revistas científicas 
em psicologia e áreas correlatas, com textos 
completos. A organização e estrutura segue a mesma 
metodologia da Scielo. 
Fonte: Possolli, 2023. 
Não há necessidade de buscar dados em todas as bases aqui indicadas. 
É possível ainda selecionar outras bases. Uma dica de ouro é iniciar a busca por 
bases mais abrangentes e depois ir afunilando para bases mais restritas ou 
temática, conforme a necessidade. Para isso, é preciso ter bons descritores de 
busca, o que aprenderemos a seguir. 
TEMA 3 – COMO DEFINIR E TESTAR PALAVRAS-CHAVE DE BUSCA 
Primeiramente, precisamos deixar bem clara a distinção entre palavras-
chave e descritores na pesquisa científica, pois são conceitos que não se 
aplicam apenas ao processo de elaboração de revisões. 
 
 
10 
As palavras-chave podem ser termos simples ou termos compostos, 
selecionadas pelo pesquisador para a busca com base no tema, no problema e 
no desenho da pesquisa. Os descritores são termos necessariamente 
convencionados, criados por especialistas, para identificar assuntos publicados 
em artigos científicos, livros e publicações com registro. Há uma base, conforme 
a área, para pesquisar esses descritores. Os descritores da área da saúde, por 
exemplo, que incluem descritores em psicologia e psicanálise, podem ser 
acessados no portal da BVS, por meio dos DECS (Descritores em Ciências da 
Saúde), acessível pelo link: . 
A importância de se usar esses descritores junto com o resumo do seu 
trabalho, ou no cadastramento de sua pesquisa em uma revista científica, é 
simples de entender: por meio dos descritores, os temas e assuntos publicados 
são indexados, buscados e divulgados em plataformas científicas. Até mesmo 
a Biblioteca Nacional, quando registra um livro físico ou um material online, ao 
atribuir o registro de ISBN ou ISSN, faz a catalogação por meio de descritores. 
É como um índice de assuntos que conecta a sua produção como pesquisador 
com outras na área. 
Vamos entender a partir de um exemplo? Suponha que você irá escrever 
uma revisão integrativa de literatura sobre a importância da transferência e do 
rapport na relação terapêutica paciente-analista. Com base no problema e no 
encaminhamento metodológico da pesquisa, você chega às seguintes 
palavras, ou termos-chave: psicanálise; transferência; rapport; relação paciente 
e analista. Esses termos foram definidos por você no papel de pesquisador. 
Geralmente, fazemos isso ao final do trabalho de pesquisa, quando vamos 
elaborar o resumo, podemos até ter algumas palavras indicadas de início, mas 
é ao final que iremos confirmá-las ou reescrevê-las. A partir da definição, você 
precisa checar quais termos, relacionados ou próximos a esses, estão 
presentes nos DECS. Para isso, siga os seguintes passos: 
1. Acesse a página: . 
2. Na barra de pesquisa, digite um a um os termos ou palavras-chave que 
selecionou para a sua pesquisa. Aqui, cabe um detalhe importante, 
oferecido nas instruções de pesquisa do portal, logo nessa página, em 
que encontramos o detalhamento dos cinco métodos para buscar 
descritores: 
 
 
11 
Qualquer termo: pesquisa pela palavra digitada no campo de busca 
em todos os termos, Descritores e Termos Alternativos, 
independentemente da ordem da palavra no termo. Termo exato: 
pesquisa pelo termo que corresponde exatamente à palavra digitada. 
ID do descritor: pesquisa pelo identificador único do registro 
DeCS/MeSH de descritores. Código Hierárquico: pesquisa por código 
da hierarquia DeCS/MeSH e recupera o registro que possui a posição 
específica na árvore de conceitos. Qualquer qualificador: pesquisa 
pela palavra digitada no campo de busca em todos os Qualificadores, 
independentemente da ordem da palavra no termo. Para pesquisar por 
parte da palavra utilize o truncador * ou $ antes ou após a sequência 
digitada. (BVS, 2023) 
Essas instruções esclarecem como buscar para não cometer erros, com 
base nas informações temática que o pesquisador tem. Também ajudam 
a pesquisar trechos de palavras. Por exemplo, ao digitar “análise”, você 
vai encontrar todos os descritores que terminem com “análise”, como: 
“psicanálise”, “metanálise” etc. Colocando “psica$” pode-se obter 
resultados como: “psicanalítico”, “psicanalista” etc. 
3. Busque pelaspalavras-chave. Caso não encontre, inclua variações. 
4. Ao buscar a palavra transferência, encontramos como resultado a 
aplicação desse termo em várias subáreas em saúde. Temos 72 
resultados com expressões que contém a palavra transferência no 
DECS (ordenadas das mais relevantes, com mais aderência ao termo, 
às menos relevantes, em que a palavra transferência aparece em 
alguma descrição ou subtema). Observe o exemplo a seguir: Resultado 
1/72: “transferência de gases” em bioquímica; Resultado 2/72: 
“transferência tendinosa” em ortopedia; Resultado 57/72: “RNA de 
transferência” em genética; entre tantos resultados não aplicados ao 
nosso exemplo de temática. Temos alguma descritores que se aplicam, 
como: Resultado 10/72: “transferência psicológica”, em que 
encontramos os termos equivalentes (variações no português e nos 
idiomas inglês, espanhol e francês), código do DECS, e uma curta 
definição chamada de “nota de escopo”: “A transferência inconsciente a 
outros (incluindo os psicoterapeutas) de sentimentos e atitudes que 
estavam originalmente associados a pessoas importantes (pais, irmãos) 
do início da vida do indivíduo”. Também encontrmaos o link 
() do correspondente 
internacional desse DECS no U.S. National Library of Medicine. 
 
 
12 
5. No caso dessa busca, para publicar a pesquisa, considerara-se o termo 
como “transferência psicológica”, e não apenas “transferência”, como 
estava previsto. 
6. Realizar o mesmo processo para as demais palavras-chave, a fim de 
selecionar todos os descritores correspondentes presente no DECS. 
TEMA 4 – CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO 
Nas pesquisas de revisão de literatura (integrativas, sistemáticas ou 
narrativas), o processo de registro do caminho metodológico exige que seja 
assumido um protocolo de inclusão e exclusão de estudo, detalhando o motivo 
pelo qual inclui-se ou exclui-se um estudo que aparece na busca em bases de 
dados. 
A função principal desse protocolo é guiar a pesquisa, para manter coesão 
e a credibilidade quanto à seleção dos estudos para a revisão. Assim, o 
pesquisador, ao mapear os resultados nas bases de dados e registrar os 
achados em uma planilha, deve indicar em uma aba os estudos incluídos com 
seus dados completos, como: autoria, ano, título, tipo de estudo, link de acesso, 
palavras-chave e resumo. Em outra aba, deve contabilizar quantos estudos 
foram excluídos, apresentando o motivo. 
Entre os critérios de inclusão aplicados junto com as palavras-chave na 
busca, destacamos: 
• Definição das bases pertinentes para busca na literatura da área temática; 
• Idiomas de publicação (aplicando-se assim os termos de busca 
equivalentes); 
• Período de busca (geralmente considera-se um período entre 5 a 10, anos 
conforme a relevância e originalidade do tema escolhido; 
• Verifica-se se os termos de busca aparecem no título e/ou resumo do 
artigo, como critério de aderência do estudo ao tema; 
• Tipo de publicação (pode-se filtrar apenas artigos científico, mas conforme 
a temática, pode ser muito importante incluir também teses e 
dissertações, que são trabalhos de validade científica que podem abordar 
temas atuais com mais profundidade). 
Dentre os motivos mais comuns para exclusão, estão: 
 
 
13 
• Fuga do tema: quando o estudo tangencia a temática central, mas não 
entra nela de fato, considera-se fuga do tema alvo da revisão; 
• Tipo de estudo: a revisão pode incluir apenas artigos publicados em 
periódicos (o que pode ser critério para temas complexos ou com viés), 
excluindo-se outros tipos de materiais; 
• Saturação: quando um aspecto do problema em estudo na revisão já foi 
suficientemente abordado em vários estudos incluídos, o critério de 
saturação é aplicado, removendo-se os menos relevantes; 
• Período da busca: mesmo incluindo na pesquisa da plataforma a vigência 
de um período, é comum que apareçam estudos fora do período indicado 
– portanto, eles serão excluídos. 
Por exemplo, se uma busca em certa base de dados resulta em 150 
resultados, dos quais 60 foram incluídos, a partir dos critérios de exclusão 
especificados é preciso indicar para os não incluídos (no caso, 90 estudos) quais 
os critérios de exclusão aplicados. 
Vejamos um exemplo prático na pesquisa de Santos (2019) com o tema 
"As contribuições da escuta psicanalítica nas enfermarias hospitalares: uma 
revisão de literatura". 
Quadro 4 – Exemplo de critérios de inclusão e exclusão em revisão na 
psicanálise 
Resumo Objetivou-se explorar as contribuições que a escuta psicanalítica 
realizada nas enfermarias hospitalares pode oferecer ao sujeito 
hospitalizado. Utilizou-se a revisão integrativa de literatura orientada nas 
4 etapas de sistematização de busca: (a) identificação; (b) triagem; (c) 
elegibilidade e (d) inclusão. O recorte temporal foi de 10 anos, produções 
disponíveis na íntegra e de língua portuguesa. Resultados: 28 artigos 
foram encontrados. Após uma leitura minuciosa, apenas 6 artigos foram 
selecionados para análise. Conclusão: a escuta é estratégia valiosa para 
investigar a subjetividade; favorece a singularidade do sujeito, implica a 
promoção da autonomia ao promover não só a humanização do 
atendimento, mas também potencialização de significados. Vínculo, 
adesão e adaptação foram identificados como contribuições, somadas à 
possibilidade de o psicólogo ser um educador, fortalecendo o sujeito no 
enfrentamento da hospitalização. 
Palavras-chave Psicanálise; Enfermaria; Escuta psicanalítica; Psicologia hospitalar. 
Problema (questão 
norteadora) 
Quais as possíveis contribuições da prática da escuta psicanalítica ao 
sujeito hospitalizado em enfermarias hospitalares? 
Método Revisão integrativa da literatura, com 4 fases em função dos artigos: (a) 
identificação; (b) triagem ou seleção); (c) elegibilidade e (d) inclusão. 
Critérios de 
Inclusão 
Busca nas bases BVS, SciELO e PePSIC. Arrtigos originais, de pesquisa 
no contexto hospitalar com referencial da psicanálise; texto completo 
disponível, no idioma português e publicados entre 2011 e 2021. 
 
 
14 
Critérios de 
Exclusão 
Excluídas 17 publicações por não abordarem o objeto central de 
pesquisa, resultando em 11 publicações para leitura na íntegra. Apenas 
6 artigos foram selecionados para análise e os demais excluídos por 
estarem fora do período e idioma português. 
 Fonte: Possolli, 2023. 
TEMA 5 – CONCEITO E FINALIDADE DA REVISÃO INTEGRATIVA 
Veremos agora a revisão integrativa, para em outro momento analisar 
outros tipos de revisão. A revisão integrativa surgiu como forma de revisar 
rigorosamente o que foi publicado sobre um assunto, aproximando obras com 
variadas metodologias. É um tipo de revisão com potencial de promover estudos 
teóricos em diversas áreas do conhecimento, mantendo o rigor metodológico. 
Traz um panorama científico das produções em um tema, o que é 
importantíssimo como primeiro passo para qualquer pesquisa teórico-prática: 
basear-se no que a ciência já produziu em um campo do saber. 
O método de revisão integrativa possibilita combinar “dados da literatura 
empírica e teórica que podem ser direcionados à definição de conceitos, 
identificação de lacunas nas áreas de estudos, revisão de teorias e análise 
metodológica dos estudos sobre um determinado tópico” (Unesp, 2015, p. 2). 
Para empreender a revisão integrativa, diferentemente da composição de 
fundamentação teórica, é preciso seguir parâmetros e passos metodológicos 
que permitam aumentar a clareza de resultados, para identificar características 
reais dos estudos incluídos. A síntese de conhecimento produzida pela revisão 
amortiza as incertezas com relação a recomendações práticas, permitindo 
generalizações relevantes sobre o objeto de estudo, por intermédio de 
informações que facilitam a arguição na pesquisa e a tomada de decisões quanto 
às intervenções e à análise em uma pesquisa em psicanálise.A revisão integrativa é o tipo mais amplo, o que é uma vantagem, já que 
consente incluir simultaneamente pesquisas experimentais e quase-
experimentais, proporcionando um entendimento mais completo do objeto de 
estudo. Também permite vincular, em sua discussão de literatura, dados teóricos 
e empíricos. Podem ser empregados propósitos variados, como: definição de 
conceitos; revisão de teorias; análise metodológica dos estudos incluídos; 
sistematização de práticas e ações em um determinado contexto. 
Um processo amostral rico também contribui para um cenário 
compreensivo do objeto de estudo, tornando a pesquisa acessível a diversas 
 
 
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realidades de aplicação, o que frequentemente é importante na produção 
científica em psicanálise. É importante compreender como realizar uma revisão 
integrativa de literatura, considerando as etapas que vão ser desenvolvidas e 
como coletar e analisar os resultados da revisão. Vamos estudar esses aspectos 
com base no manual da Unesp (2015). 
A 1ª etapa é de identificação de tema, hipótese e problema de pesquisa 
para a revisão integrativa. A partir da clareza da temática, o processo de revisão 
integrativa começa com a definição do problema a ser resolvido pela pesquisa e 
com a formulação de uma hipótese principal para orientar o encaminhamento 
metodológico. Um aspecto relevante para a pesquisa em psicanálise é a escolha 
de um tema ligado à prática clínica. 
Essa primeira etapa norteia a revisão integrativa, levando a um raciocínio 
teórico que inclui conceitos já aprendidos pelas pesquisador, em consonância 
com as obras presentes na revisão. Uma vez que o problema de pesquisa está 
bem delineado, os descritores (palavras-chave) serão prontamente identificados 
para guiar a busca por estudos em bases dados. O problema de pesquisa, 
norteador para a revisão, pode ser demarcado, por exemplo, com uma 
intervenção específica, ou abrangente, com a pesquisa de várias intervenções 
ou práticas na área da psicanálise. 
A 2ª etapa implica demarcar critérios de inclusão e exclusão de estudos 
para busca na literatura. A abrangência do tema gera a seleção de amostragem, 
ou seja, quanto mais amplo for o objeto em estudo (por exemplo, o estudo de 
diferentes intervenções psicanalíticas), mais seletivo deverá ser o pesquisados 
para decidir sobre a inclusão na etapa de revisão. Aqui cabe o cuidado de não 
selecionar uma quantidade muito alta de literatura na primeira filtragem de 
estudos, já que uma demanda alta pode inviabilizar a fluidez do processo de 
revisão ou trazer muitos vieses para as etapas subsequentes. 
Depois da abrangência do tema e da formulação do problema de 
pesquisa, iniciamos a varredura em bases de dados, para a coleta de estudos 
para a decisão sobre a inclusão na revisão integrativa. A internet é indispensável 
para essa busca, já que as bases de dados hoje têm acesso eletrônico, muitas 
exclusivamente online, sem versão impressa. A triagem dos estudos relevantes 
para a temática em estudo é fundamental, pois ajuda a atestar a validade interna 
do processo de revisão. Um erro do procedimento de coleta da amostragem 
pode ameaçar a confiabilidade da revisão e tornar o processo não científico. 
 
 
16 
A decisão sobre a inclusão ou exclusão de estudos da revisão deve ser 
criteriosa e transparente. A representatividade da amostra é um indicador 
importante sobre a qualidade, a profundidade e a credibilidade das conclusões do 
estudo de revisão. As decisões tomadas no primeiro filtro, em relação aos critérios 
de inclusão e exclusão, devem ser registradas e justificadas, para que tenhamos 
um parâmetro de número de estudos encontrados com os descritores e o número 
de estudos incluídos para próxima fase da filtragem. Recomenda-se que a busca 
nas bases de dados e a seleção dos estudos incluídos na revisão sejam feitas por 
dois pesquisadores, para garantir maior confiabilidade na escolha, a partir da 
concordância entre eles. 
Chegamos à 3ª etapa, quando devem ser verificadas informações 
pertinentes nos estudos selecionados. Essa fase diz respeito à definição das 
informações a serem extraídas dos estudos incluídos, usando uma planilha ou 
quadro para registrar as informações-chave. O grau de evidência dos estudos 
incluídos, considerando as relações entre os estudos, deve ser avaliado para 
estruturar a argumentação e as categorias de análise, buscando fortalecer os 
resultados da revisão, que irão estabelecer o estado do conhecimento da 
temática investigada. Nessa etapa, os pesquisadores objetivam extrair e 
sumarizar informações de forma concisa, criando um banco de dados 
organizado. Esse banco, geralmente organizado em uma planilha, pode 
abranger dados de estudos, como ano da publicação, autores, título da obra, 
objetivos, palavras-chave, metodologia, resultados e principais conclusões. 
A 4ª etapa é de apreciação dos estudos incluídos na revisão integrativa. 
Ela equivale à análise de dados em uma pesquisa convencional, com uso de 
instrumentos apropriados. A fim de garantir a legitimidade da revisão, os estudos 
incluídos precisam ser considerados detalhadamente, com análise crítica, 
buscando convergências e divergências entre as obras. “Dentre as abordagens, 
o revisor pode optar para a aplicação de análises estatísticas; a listagem de 
fatores que mostram um efeito na variável em questão ao longo dos estudos; a 
escolha ou exclusão de estudos frente ao delineamento de pesquisa” (Unesp, 
2015, p. 8). Cada abordagem de apresentação da revisão tem as suas vantagens 
e desvantagens. A escolha é uma tarefa para os pesquisadores, na busca por 
resultados imparciais, justificando suas escolhas e trazendo explicações para as 
variações argumentativas. 
 
 
17 
A habilidade clínica dos pesquisadores em psicanálise é importante para 
a avaliação crítica dos estudos na revisão integrativa, direcionando a tomada de 
decisão sobre a aplicação de resultados obtidos prática clínica. 
A conclusão da quarta etapa leva a mudanças nas recomendações e na 
conclusão da revisão para a prática psicanalítica. Cabe apontar algumas 
questões indicadas para a avaliação crítica dos estudos selecionados, a saber: 
qual o problema de pesquisa dos estudos; a base contextual dos problemas; a 
aproximação entre os problemas de pesquisas; a metodologia indicada nos 
estudos como aprendizagem para pesquisa em psicanálise; os participantes 
selecionados nos estudos e sua abordagem na clínica psicanalítica; como o 
problema de pesquisa é respondido; quais as pesquisas futuras indicadas ou 
suscitadas após a revisão. 
A 5ª etapa é de interpretação dos resultados. Corresponde à fase de 
discussão e explicitação dos resultados da pesquisa, em que os pesquisadores 
embasam os resultados da avaliação crítica dos estudos incluídos, realizando 
uma comparação com o conhecimento teórico, além da identificação de 
conclusões e implicações resultantes da revisão integrativa. 
Como a revisão integrativa é abrangente, a ampla revisão de resultado 
leva à identificação de aspectos que afetam a condução de casos clínicos em 
psicanálise. Assim, a leitura de revisões integrativas com temáticas de 
psicanálise é uma ótima forma de estar por dentro dos avanços científicos da 
área. O apontamento de lacunas de conhecimento a partir das revisões leva os 
pesquisadores e a comunidade científica da psicanálise a levantar sugestões 
para futuras pesquisas, buscando ampliar os estudos e as evidências científicas 
do método psicanalítico. 
A 6ª etapa abarca a apresentação da revisão e a síntese do 
conhecimento. A estruturação da revisão integrativa e a escrita da argumentação 
devem incluir informações para que o leitor compreenda a pertinência dos 
encaminhamentos utilizados na elaboração da revisão, os aspectos relativos ao 
tópico abordado e o detalhamento dos estudos incluídos. É essencial seguir os 
passos para a confecção da revisão integrativa. Se as iniciativastomadas pelos 
pesquisadores forem adequadas, teremos diminuição dos vieses e 
inconsistências. 
 
 
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NA PRÁTICA 
O quadro a seguir apresenta um exemplo de revisão integrativa com tema 
pertinente à psicanálise. 
Quadro 5 – Exemplo de revisão integrativa em psicanálise 
Referência SANTOS, Álvaro da Silva (et.al.). Sobre a Psicanálise e o Envelhecimento: 
focalizando a produção científica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, n. 35, 
2019. Disponível em: . 
Método / Objetivo Revisão integrativa. Objetivo Geral: Conhecer a produção científica em 
psicanálise na relação entre o idoso e o envelhecimento. 
Detalhamento da 
busca 
Período: 2011 a 2015; Bases de dados: Index-Psicologia, LILACS e MedLine. 
Descritores (palavras-chave da busca): Aged (Idoso), Elderly (Envelhecimento) 
e Psychoanalysis (Psicanálise). Resultando em 89 estudos antes de aplicar 
critérios de exclusão. 
Critério de Exclusão Excluíram-se editoriais, artigos repetidos e aqueles que não se adequavam à 
questão norteadora, restando 11 artigos selecionados. 
Estudos Incluídos Dos 11 artigos, em português foram 81,8% (9), uma publicação em inglês e 
outra em francês. Anos de 2014 e 2011 tiveram quatro publicações cada, cuja 
maioria (72,7%) foi encontrada na base Index-Psi. Os estudos se qualificaram 
como Reflexão (7), Relato de Experiência (2), Atualização (1) e Pesquisa (1), 
sendo que, seis publicados em revistas específicas de psicanálise. 
Categorias de 
Análise 
Quatro categorias foram construídas a partir do material recuperado: 
1- Clínica Psicanalítica com Idosos (sete artigos); 2- Abordagens Psicanalíticas 
do Envelhecimento (dois artigos); 3- Representação do Envelhecimento para 
Profissionais de Saúde à Luz da Psicanálise (um artigo); 4- Geracionalidade e 
Psiquismo (um artigo). 
Características dos 
Estudos incluídos 
Estudos incluídos foram categorizados por similaridades temáticas e 
apresentados em quadro com a referência (identificação da produção pelo autor 
e dados do periódico), a proposta do estudo (que sintetizam numa releitura 
crítica a direção do artigo - objetivo, e o caminho seguido - metodologia, sem a 
pretensão de copiar as afirmações dos autores da produção, por isso, a releitura 
crítica) e, a sinopse (interpretação na leitura dos autores dos artigos as 
contribuições, novidades, resultados e abordagens defendidas). 
Conclusões A psicanálise pode ser bastante útil aos idosos e pessoas em processo de 
envelhecimento, uma vez que pode estabelecer uma ponte entre aquilo que 
fomos, somos e seremos. É notável que existem poucos estudos que 
relacionem a psicanálise e o idoso. A comunidade e os periódicos científicos 
precisam criar movimentos pendulares (de diálogo, de ir e vir, de crítica) que 
estimulem não só a produção e interesse da psicanálise no envelhecimento, 
como a formação de psicanalistas também interessados em atuar com este 
grupo, demanda que possivelmente será destaque das novas décadas. 
Fonte: Possolli, 2023. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, estudamos a importância da fundamentação teórica. A partir 
dela, o pesquisador assume as bases para a argumentação, estabelecendo uma 
visão científica sobre certa temática. Nesse contexto, avaliamos a revisão 
integrativa, método de revisão abrangente, que possibilita levantar evidências 
 
 
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cientificas mais amplas sobre um assunto, sendo a primeira fase teórica 
relevante, inclusive para estudos empíricos. 
Posteriormente, vamos estudar a revisão sistemática, que é o tipo de 
revisão mais aceito pela ciência, estando presente em protocolos de pesquisa 
de laboratório, institutos e comunidade científica, por apresentar um método 
rígido de registro das evidências e uma análise estatística e qualitativa 
integradas para a compreensão dos resultados. 
A pesquisa teórica sempre será o primeiro passo para que você se 
aproxime de um assunto de interesse dentro das temáticas da psicanálise. Nesta 
etapa, aprendemos os passos para estabelecer essa aproximação de forma 
científica, o que pode inclusive render um trabalho de apresentação em eventos 
e outras publicações. Que tal começar? 
 
 
 
 
20 
REFERÊNCIAS 
BARROS, J. D. Projeto de pesquisa em história. Petrópolis: Vozes, 2005. 
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde. DeCS/MeSH: Descritores em Ciências da 
Saúde. Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2023 
CALEFFE, L. G.; MOREIRA, H. Metodologia da pesquisa para o professor 
pesquisador. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. 
FONSECA, J. S. Metodologia da Pesquisa Científica. Fortaleza: UEC, 2002. 
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 
36. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 
5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 
LAMEIRA, V. M.; COSTA, M. C. da S.; RODRIGUES, S. de M. Fundamentos 
metodológicos da pesquisa teórica em psicanálise. Rev. Subj., v. 17, n. 1, jan. 
2017. Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 2023. 
SANTOS, Á. da S et al. Sobre a Psicanálise e o Envelhecimento: focalizando a 
produção científica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, n. 35, 2019. Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 2023. 
UNESP – Universidade Estadual Paulista. Tipos de Revisão de Literatura. 
Botucatu: Unesp, 2015. Disponível em: 
. 
Acesso em: 27 jun. 2023.

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