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Joao Paulo II Teologia do Corpo
224 pág.

Teologia Pontifícia Universidade Católica de São PauloPontifícia Universidade Católica de São Paulo

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## Resumo das Catequeses do Papa João Paulo II sobre a Teologia do Corpo (1979)As catequeses proferidas pelo Papa João Paulo II entre 1979 e 1984, especialmente as iniciadas em setembro de 1979, inauguram um profundo estudo sobre a **Teologia do Corpo**, centrado na compreensão cristã da família, do matrimônio e da natureza humana à luz da revelação bíblica. O ponto de partida é o diálogo de Jesus Cristo com os fariseus sobre a indissolubilidade do matrimônio, registrado nos Evangelhos de Mateus e Marcos, onde Cristo apela ao "princípio" da criação, conforme narrado no Livro do Gênesis. Este "princípio" é interpretado como a lei eterna instituída por Deus desde a criação do homem e da mulher, que estabelece a unidade e a indissolubilidade do matrimônio como um vínculo sagrado e inseparável.### O "Princípio" e as Narrativas da Criação no GênesisO Papa destaca que Jesus, ao responder aos fariseus, não se envolve em discussões jurídicas, mas remete à origem da humanidade, citando duas passagens fundamentais do Gênesis: a primeira narrativa (Gênesis 1, 27) e a segunda narrativa (Gênesis 2, 24). A primeira narrativa apresenta o homem e a mulher criados à imagem de Deus, numa perspectiva cosmológica e teológica, onde o homem é colocado acima do mundo visível, dotado de dignidade única e chamado a dominar a terra. Esta narrativa é concisa, objetiva e metafísica, definindo o homem não apenas como corpo, mas como ser criado à imagem divina, com uma vocação à fecundidade e à autoridade sobre a criação.Já a segunda narrativa, mais antiga e de caráter "javista", apresenta uma visão mais subjetiva e psicológica do homem, enfatizando a consciência, a inocência original, a felicidade primordial e a queda. É nesta narrativa que surge o tema da solidão original do homem, que não é apenas a ausência da mulher, mas uma condição existencial profunda ligada à sua humanidade e à sua relação com Deus. O homem, criado do pó da terra e insuflado pelo sopro divino, é um ser vivo dotado de autoconsciência e autodeterminação, capaz de nomear as criaturas e reconhecer sua singularidade e solidão diante de Deus.### A Solidão Original, a Unidade do Homem e da Mulher e a RedençãoA reflexão sobre a solidão original leva à compreensão da criação da mulher como "auxiliar semelhante" ao homem, que rompe a solidão e inaugura a unidade original do homem e da mulher, fundamento do matrimônio. Esta unidade é expressa na passagem de Gênesis 2, 24, citada por Cristo: "Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne". A corporeidade e a sexualidade são dimensões essenciais do ser humano, mas a corporeidade transcende a sexualidade, pois o homem é corpo antes de ser macho ou fêmea.O Papa também destaca a relação entre a inocência original e a redenção operada por Cristo. A queda do homem, simbolizada pela desobediência à ordem divina e pela entrada no conhecimento do bem e do mal, não anula o "princípio" da criação, mas o insere numa dinâmica de pecado e redenção. Cristo, ao remeter ao "princípio", convida a ultrapassar a dureza do coração que permite o divórcio, reafirmando a indissolubilidade do matrimônio e apontando para a redenção do corpo e da humanidade, que se realiza em sua pessoa. A teologia do corpo, portanto, não se limita a uma análise antropológica, mas se abre à esperança escatológica da libertação e da imortalidade, conforme expressa por São Paulo na Carta aos Romanos (8, 23).### Implicações para a Teologia, a Antropologia e a Vida CristãA partir dessas reflexões, o Papa João Paulo II propõe uma antropologia teológica que reconhece o homem como um ser corporal e espiritual, criado à imagem de Deus, dotado de liberdade, consciência e vocação à comunhão. A solidão original revela a necessidade do outro, que se realiza na complementaridade entre homem e mulher, fundamento da família cristã. O matrimônio é, assim, um sacramento que expressa e realiza a comunhão de amor entre Cristo e a Igreja, chamado a ser fiel, generoso e paciente.Além disso, a teologia do corpo enfatiza a importância da experiência humana como ponto de referência legítimo para a interpretação teológica, sem reduzir a revelação à mera experiência, mas reconhecendo uma convergência entre ambas. A corporeidade humana é o lugar onde se manifesta a verdade do ser pessoa, da sexualidade e da vocação à comunhão, e onde se desenrola a história da salvação, marcada pela queda e pela redenção.O Papa dirige ainda palavras especiais aos jovens casais, incentivando-os a viver o matrimônio como um sacramento, sinal visível do amor de Cristo pela Igreja, e a cultivar a fidelidade, a generosidade e a paciência para que suas famílias sejam comunidades de amor e santidade.---## Destaques- Jesus Cristo, ao falar sobre o matrimônio, remete ao "princípio" da criação no Gênesis, fundamentando a unidade e indissolubilidade do matrimônio na lei eterna de Deus.- A primeira narrativa da criação (Gênesis 1) apresenta o homem e a mulher criados à imagem de Deus, com dignidade e vocação cósmica; a segunda narrativa (Gênesis 2) enfatiza a subjetividade, a solidão original e a consciência do homem.- A solidão original do homem revela sua condição de pessoa e a necessidade do outro, que se realiza na criação da mulher e na unidade matrimonial.- A queda do homem introduz o pecado, mas Cristo, ao remeter ao "princípio", aponta para a redenção do corpo e da humanidade, reafirmando a indissolubilidade do matrimônio.- A teologia do corpo propõe uma antropologia que integra corpo e alma, experiência e revelação, e convida os cristãos a viverem o matrimônio como sacramento e caminho de santidade.

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